O SONHO SOCIALISTA É POSSÍVEL
Quando menino via meu pai na roça dividir com outros vizinhos o pouco que produzia e, ao mesmo tempo, a vizinhança socorria os mais necessitados. No trabalho para a capina ou plantio se fazia mutirão do adjutório com cantorias alegres e fraternais. Na colheita havia a batida do feijão e do milho. Existia uma repartição entre as comunidades.
Somente depois de muitos anos quando me entendi por gente e fui estudar a evolução dos sistemas políticos, compreendi que isso na prática se chama socialismo. Não daqueles que logo rebate citando Cuba, a antiga União Soviética, a recente Venezuela, a Albânia e a Romênia, por exemplo, onde sempre prevaleceu o totalitarismo.
Não vou entrar aqui na questão dialética de Engls ou do marxismo, nem falar do anarquista Prudhon, tampouco na luta de classe gerada pelo capitalismo da Revolução Industrial. O socialismo é uma coisa tão simples de se entender tanto quanto se ver no campo entre os pequenos agricultores familiares, como nas favelas das grandes cidades.
Mirem no exemplo de tribos africanas e sociedades indígenas norte-americanas que viviam em aldeamentos socialistas na base da troca de mercadorias, onde o trabalho comunitário e seus frutos eram distribuídos entre todos de forma igual. Na verdade, o socialismo nasceu com os primeiros grupos primitivistas.
Numa discussão, quando se fala ou se defende esse sistema, logo aparece um montão de gente sem aprofundamento analítico para citar países onde a coisa não deu certo e houve torturas, ditaduras, matanças e atos totalitários tirânicos. Estávamos numa guerra fria e o capitalismo saiu vencedor.
Para essas pessoas, socialismo está ligado à tirania que leva ao fracasso. Tudo depende do conceito que se tem, como se democracia e liberdade não se combinassem com socialismo. É possível sim conciliar democracia e socialismo, como em Portugal, Alemanha (social-democrata), Noruega, Espanha, Finlândia e tantos outros.
No lugar de priorizar o social com políticas públicas para reduzir as desigualdades, a grande maioria prefere esse capitalismo selvagem, avassalador, predador e, antes de tudo, competitivo, sem se pensar na colaboração, na coletividade. Por natureza, o capitalismo é individualista onde cada um só pensa em si.
Numa palestra de negócios, vendas e de empreendedorismo empresarial só se fala em competição e quase nada de contribuição e solidariedade. Socialismo é palavrão e logo dizem que não deu certo em lugar nenhum, o que não é verdade. Está funcionando em muitas nações, e esse sonho é possível.
Estou falando de um socialismo com cara humana que divide o poder de decisões, e não aquele centralizador onde as riquezas e as mordomias ficam nas mãos daqueles que mandam, criando verdadeiras castas sociais. O capitalismo já faz isso com toda crueldade, parindo pobreza e miséria. Esquecem que a democracia em muitos países capitalistas não passa de uma fachada, que só serve aos poderosos.
Por que não pode existir socialismo com respeito à liberdade dentro de um regime democrático onde haja a participação de todos com direito a críticas. Além do mais, o socialismo prima pela educação e a saúde. É o maior defensor contra os preconceitos raciais, de gênero e condena o moralismo hipócrita da elite capitalista.
Tem gente que ainda diz que o socialismo é contra o progresso, a evolução tecnológica, o crescimento econômico e que é símbolo de atraso. É pura ignorância e falta de leitura. Não tem argumento e só sabe falar aleatoriamente que não deu resultado em lugar algum.
Num mundo onde quase um bilhão de pessoas passa fome, uma pequena minoria domina as riquezas e a maioria é excluída e discriminada, qual moral tem o capitalismo para afirmar que esse é o melhor sistema? O socialismo não é contra a competitividade, desde que seja saudável e todos tenham chances iguais. No capitalismo prevalece a lei do mais forte e do faroeste bang-bang.
Tenho certeza que com o socialismo democrático, sem a concentração voraz das benesses na mão do poder dirigente, o mundo seria bem melhor e a humanidade menos desigual. O sonho não acabou, mesmo diante do surgimento do extremismo de direita e do neofascismo, fruto desse capitalismo desregrado.











