A imagem das fotos em plena caatinga do nosso sertão nordestino representa o estrago que os fornos de carvão fizeram e ainda fazem contra a nossa exaurida natureza desse bioma raro no mundo. Quantos milhões de árvores foram queimados, para produzir carvão para alimentar as siderúrgicas? Com as denúncias e movimentos dos ambientalistas, houve uma certa contenção, mas continuam infringindo as leis, não importando o mal que fazem contra o meio ambiente! Este é um forno abandonado, mas ainda estamos na idade do carvão em pleno século XXI, com o uso desse fóssil no planeta terra, sem falar no petróleo, para produzir energia, quando existem outras tantas alternativas limpas. Quando flagrei este forno com minha máquina, veio-me à cabeça as lembranças das reportagens sobre as carvoarias da década de 90 na região sudoeste da Bahia. Eram matérias perigosas, assim chamadas porque as denúncias implicavam ameaças de vida dos donos dessa extração mineral através da lenha contra repórteres que registravam a existência clandestina desses fornos escondidos no matagal, bem como do transporte irregular, sem a devida licença ambiental. Por fim, os fornos de carvão sempre lembram a escravidão da mão-de-obra humana, inclusive de crianças doentes e lambuzadas pelo pó preto e respirando, diariamente, aquela fumaça, num trabalho infernal.