:: 29/jul/2022 . 0:41
BURRO DE CARGA
Mesmo com toda tecnologia do século XXI, o desenvolvimento de locomoção rodoviário de veículos e outros meios como o ferroviário, fluvial e viário, o burro ainda continua sendo um servidor do homem mais pobre no transporte de objetos e mercadorias, inclusive de produtos alimentícios para as feiras, como na imagem flagrada pelo jornalista Jeremias Macário. Como se diz no popular: o chamado “burro de carga”, ou o jumento que estão exterminando para virar carne e couro de exportação para a China. Verdadeiramente, o homem é um ingrato, inclusive aqueles que têm um animal desse tipo e ainda maltratam, batendo e colocando peso excessivo em seu lombo. Por falta de educação e ignorância, esse homem bruto não reconhece o seu serviço, que lhe dá o sustento do ganha pão do dia a dia. Quando estão velhos e não servem mais para o uso do transporte, muitos abandonam esses animais nas estradas e nas ruas. Existem leis que punem os indivíduos que comentem crimes contra os animais, só que na prática não funcionam, sem falar no poder público que não fiscaliza os abusos cometidos pelos seus donos.
O FRIO ME CONSOME
Poema inédito de autoria de Jeremias Macário
O frio me consome,
Nessa solidão que lambe,
O meu verbo poemar,
Entre ondas geladas do mar,
Com a neve a engolir o ar.
O tempo parece não se mover,
Sem nunca esquecer de você.
Imagino o colorido da cigana,
Da dança religiosa-profana,
De temperatura-tortura,
Sem vontade de levantar,
Nem da vida o lidar.
Vejo até leão na savana,
Do outro lado de lá.
Rodando minha cabana.
Tomo uma taça de vinho,
Sinto o cheiro do cio,
Com as ideias no ninho.
Não consigo respirar;
Entender a alma latina,
De tanta gente com fome,
Do poder da mão assassina,
Nesse frio que me consome.
Da boca sai a fumaça,
Desse frio carrasco,
Que meu neurônio se assa,
Preso num frasco.
No alerta do radar
Vem o desejo de amar.
Estou condenado,
A ficar aqui isolado,
Sem saber se sou homem,
Lobo ou lobisomem.
Foi-se o mentiroso sol;
Minha mente escrava cativa,
Liga em Assaré Patativa,
Do agreste nordestino,
Nuvem Orixá, ente divino.
Esse frio me consome;
Preciso me aquecer;
Rogo voltar pra mim,
Com seu cheiro de alecrim.
Esse frio me consome,
Às vezes troco seu nome,
Mas grudou o amor que ardia,
Naquele verão do lindo dia,
Que me ensinou a te amar,
Em qualquer lugar.
Como vira-lata enlatado,
Aqui todo enrolado,
Como pacote fechado,
Sem forças para respirar
Nesse louco frio,
Que me rouba o brio,
Pensando pegar a pista,
Da minha querida Conquista,
Pra Juazeiro, Piauí ou Ceará
Natal ou até o Pará.
Seu moço,
Esse frio me consome,
Me impede de circular,
Mas sempre vou te amar.
O corpo arqueado doído
Fica ainda mais dolorido,
E o espírito pede passagem,
Para outra viagem,
No calor do meu amor.
O frio me consome,
Solitário de mim,
Em meus diários,
De segredos sagrados,
Como relicários.
Minha alma banha em lágrimas,
Nessa garoa fria e calma;
E só o amor me guia,
Nessa acelerada via,
Errante, pensante, delirante,
Nesse frio que me consome.
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