:: 7/jul/2022 . 23:59
PROJETOS NA ÁREA CULTURAL VÃO AJUDAR ARTISTAS CONQUISTENSES
Não é muita coisa porque nos últimos anos a cultura nesses país só tem ficado com as sobras, mas a “Lei Paulo Gustavo”, de R$3,8 bilhões, vetada pelo capitão-presidente e agora restaurada pelo Congresso Nacional com a pressão da classe artística, destinada a ações emergenciais no setor, vai proporcionar uma boa ajuda aos artistas conquistenses que, como tantos outros, continuam no sufoco, principalmente depois de dois anos parrados por causa da pandemia.
Pelo critério de divisão, de acordo com a proporcionalidade populacional e do Fundo de Participação dos Municípios, a Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer-Sectel de Conquista poderá abocanhar cerca de R$2,7 milhões, podendo beneficiar cerca de 500 artistas em diversas linguagens. Dois terços serão aplicados em projetos audiovisuais e os outros restantes nos demais segmentos. Os recursos são provenientes do superávit do Fundo Nacional de Cultura (FNC).
EFEITOS DA COVID-19
Conforme o projeto, cujo relator foi o senador Alexandre Silveira, a União terá de enviar o dinheiro aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios, para aplicação em iniciativas que visem combater e reduzir os efeitos da Covid-19 na cultura. Esses entes serão responsáveis pela indicação das ações, formação de comissão de seleção dos editais abrangendo todas linguagens artísticas, entre outros atributos
A proposta foi feita em homenagem ao ator Paulo Gustavo que morreu vítima do vírus, em maio de 2021. Essa lei é a segunda aprovada pelo Congresso para auxiliar a área cultural, mas ainda é muito pouco. Outro projeto é o PL 1.518/21, chamado de Lei Aldir Blanc 2, no valor de R$3 bilhões de fomento à cultura, a partir de 2023, devendo vigorar até 2027. A lei é também uma homenagem ao artista que faleceu em 2020 de Covid.
O último apoio aos artistas conquistenses em forma de edital ocorreu no final do ano passado, beneficiando 400 participantes, num valor em torno de R$300 mil, verba do Fundo Cultural e do orçamento da Prefeitura Municipal. Cada selecionado recebeu cerca de R$750 reais, uma pequena quantia que não atendeu às necessidades dos participantes, Em 2020, em plena pandemia, Conquista recebeu cerca de R$2,2 milhões da Lei Aldir Blanc 1, quando 500 artistas de variadas linguagens foram contemplados.
LEI ALDIR BLANC 2
Essa Lei Aldir Blanc 2 foi proposta pela deputada Jandira Feghali e mais outros cinco deputados, tendo como relator o parlamentar Veneziano Vital do Rego. Esses recursos de R$3 bilhões, em cada ano, deverão ser investidos em 17 ações, como festivais, exposições, espetáculos, feiras, prêmios, bolsas para estudantes, intercâmbio cultural, aquisição de obras, digitalização patrimonial, reformas de centros, bibliotecas, teatros, dentre outros setores.
De acordo com o projeto, 80% dessa verba serão destinadas a ações de apoio na área cultural, como editais, prêmios, cursos, manutenção de espaços artísticos, dentre outras iniciativas correlatas. Os outros 20% vão para incentivo a programas e projetos em locais periféricos urbanos e rurais, bem como em comunidades tradicionais.
PROJETO PAULO GUSTAVO
De acordo com informações dos produtores culturais Jardiel Alarcon e Afonso Silvestre, o projeto Paulo Gustavo precisa ser publicado oficialmente em âmbito federal, devendo sair ainda nesta semana. A lei será regulamentada pela Presidência da República, com detalhamentos sobre seu funcionamento, num tempo de cerca de um mês.
Os estados e os municípios devem apresentar seus planos de trabalho junto ao governo federal com respaldo da participação social através de seus conselhos, plenárias ou audiência pública, dentro de um prazo de 60 dias.
Estes entes vão se habilitar, com base em suas burocracias, ao recebimento da verba que lhes cabem e uso do montante financeiro, com seus regramentos e regulamentações por meio de decretos e resoluções.
Os municípios e estados devem fazer seus empenhos gerais para seus fundos culturais para que os recursos sejam liberados ainda neste ano de 2022. A partir daí, lançam seus editais com cronograma legitimado pelo jurídico.
Pelo padrão, os editais locais devem ter prazos de inscrições, contratação de comissão de seleção, avaliação dos inscritos, resultado, tempo para recorrer e publicação de resultado final no Diário Oficial. Existem outros trâmites burocráticos que devem ser observados pelos beneficiários dos recursos federais.
O QUE DIZ A ESCULTURA?
Por si só, a natureza já é uma arte, e esta, esculpida por ela com uma ajuda repentina de uma escavadeira manejada pelo homem, que suspendeu os bagaços e garranchos da seca do sertão, faz o observador criar várias imagens e refletir sobre o seu escultor. É de um sertanejo nordestino a pedir socorro, ou de um conselheiro que cura nossas dores? É de um velho viajante do tempo? De um andarilho com seus mistérios da vida? De uma rezadeira que tira os males do corpo? De um índio em extinção, ou mesmo de um orixá caçador Oxóssi ou guerreiro Xangô? Pode ser um deus extraterrestre flagrado pelas lentes da minha máquina quando aterrissava de um disco voador em plena caatinga do sudoeste baiano? Faça, você mesmo, a sua interpretação. Procurei dar um nome, mas, no momento, minha cabeça não anda muito boa da imaginação. O que diz a escultura e como ela se chama? Você mesmo pode dar o seu nome, ou é melhor deixá-la no anonimato? Pode ser José, João, seu Silva, Severino. Não importa o nome.
QUEM É ESSE ENCANTADO?
De autoria de Jeremias Macário
Quem é esse encantado,
De alma menino,
Que tanto nos fascina,
Como mito divino,
Que encurta caminhos,
Filho da América Latina,
Que escreveu em sua lápide:
Por aqui passei, sempre amei,
E tudo deixei.
Quem é esse encantado,
Sem mitra e estola,
Que fez da vida sua escola?
É o índio guerreiro?
General das guerras vencedor?
Escravo liberto do seu senhor?
Sábio viajante do tempo?
Ou espírito amante cantante?
Tentei decifrar seu encanto,
De encantado profundo,
Religioso e profano,
Que sabe rir e sofrer,
Sem ser pecador e santo,
Que só o canto da viola,
Desencanta seu mundo.
Quem é esse encantado,
De tanto mistério na terra,
Que aprendeu subir e descer a serra,
Conhece os enigmas do ar e do mar?
Quem é esse encantado,
Que tanto encanta o humano,
Pescador de poesia,
Resistente como planta
Do nosso sertão nordestino,
Que rege seu próprio destino,
E vive da sua filosofia?
MAIS UM CASO A SER ARQUIVADO
Como o caso do menino Maicon, que ninguém mais se lembra, as mortes dos ciganos (fato mais recente), a chacina numa periferia de Vitória da Conquista, o assassinato do jornalista João Alberto no final dos anos 90, dentre outros, a morte do jovem Yuri Oliveira, filho do jornalista Tico Oliveira, pelo pelotão Peto da polícia militar, será mais uma ocorrência destinada a ir para o arquivo morto.
Conforme relato de Bianca, esposa da vítima, que deixou dois filhos menores, um de 12 e outro de 10 anos, os policiais invadiram sua residência sem mandado judicial, o que constitui em crime contra a Constituição, e Yuri foi colocado na viatura, possivelmente já morto. Será que eles não sabem que entrar numa residência privada só com um mandado da justiça? Fariam isso se fosse na mansão de um ricaço ou de um político?
Os familiares só foram saber do seu falecimento horas depois, no Hospital de Base. Bianca ainda relatou que implorou para entrar em sua casa no momento da invasão, mas foi impedida pela polícia. Quando conseguiu, a casa estava cheia de sangue, segundo informações da própria.
Como sempre acontecem nessas ocasiões, o comando militar sempre anuncia que vai apurar e investigar a ação irregular de seus subordinados, mas o tempo passa e tudo cai no esquecimento. A mídia também comete o pecado de não acompanhar o resultado da investigação. O sistema já está errado quando é regra geral a polícia investigar polícia, no caso a corregedoria que cheira com corporativismo.
A impunidade neste país é mãe da violência. O pior de tudo isso é que boa parte da sociedade compactua com esses atos, dizendo que a polícia tem mesmo é que matar. Eu mesmo já ouvi muito isso da boca de certas pessoas em Conquista, não imaginando que um dia pode acontecer com elas ou com alguém da sua família.
É mais um fato brutal que nos faz lembrar os tempos da ditadura civil-militar de 1964 e do AI-5 onde os direitos humanos foram simplesmente abolidos. Não importa se a pessoa tem passagem pela polícia, se o procedimento ultrapassa os limites constitucionais e termina em morte que poderia ser evitada através da prisão do perseguido, ainda quando este estava dentro da sua residência. Não dá para entender que uma pessoa sozinha com um revólver vá enfrentar policiais fortemente armados, só se estiver com o intuito de se suicidar.
OS “BEBUNS” DO JENIPAPO
Nas andanças da vida, a gente vê e observa coisas hilárias, inusitadas e outras cotidianas que vamos incorporando aos nossos arquivos de lembranças. Os cronistas do tempo, desde a Grécia Antiga, delas se aproveitavam dessas matérias-primas para nos ofertar belos textos, muitos dos quais em forma de comédia, humor e até tragédias.
Pois é, na semana do São João estava eu numa dessas andanças pelas bandas de Juazeiro, Senhor do Bonfim e Jacobina, com intuito de encerrar as festas juninas em minha querida Piritiba, mas meu desejo de curtição evaporou-se por causa dessa pandemia. Em Bonfim tinha parentes com covid e, quando estava no distrito de Jenipapo, recebi notícia semelhante sobre a situação de Piritiba.
Com essa frustração toda, fui obrigado a retornar para Juazeiro, mas antes pernoitei na casa da minha irmã que reside atualmente no distrito de Jenipapo, que uns dizem pertencer a Jacobina e outros a Miguel Calmon, vizinho de Piritiba. Bem, isso é menos relevante que os “bebuns”.
É só para dizer que recebi o castigo dos deuses para atravessar mais um ano (agora são três) sem ver a cara da festa mais popular nordestina que mais adoro, apesar de terem descaracterizado. Até o prefeito do município de Laje, na Bahia, tentou proibir que se fizessem fogueiras no seu asfalto novo. Pense num absurdo…. dizia o ex-governador João Mangabeira.
Não quis o santo que eu tomasse nem um quentão, comesse uma canjica, um milho e nem saboreasse um amendoim cozido. Imagino que fiz alguma coisa contra ele para merecer essa punição de não cair na gandaia dos folguedos e me esbaldar como sempre faço.
Estou enrolando com isso tudo e ainda não falei dos “bebuns” do Jenipapo, mas vamos lá. Logo que cheguei, por volta das 13 horas, me deparei na rua principal da entrada (só existem umas duas ou três, e haja quebra-molas!) com um grupo de três ou quatro “cachacistas”, em pleno dia de semana, numa batucada infernal com uma pequena caixa de som estragado do tipo “bate estaca”. A coisa estava animada e só rolava a pinga braba misturada. Como não tinha mulher, dançava homem com homem no chão batido na porta da rua. Abraço pra lá, amigo pra cá e até beijo de cumpadi.
A fome começou a bater, e ai fui providenciar uma bar-restaurante para forrar a barriga que já roncava. Comida fria cheia de comim, mas a fome fala mais alto. Tomei umas geladas, que ninguém é de ferro e, na volta, os “bebuns” continuavam ainda mais animados. A tarde caiu, e os “pingunços” entraram pela noite a dentro ao som da caixa. Sem luz no casebre, a farra foi mesmo no escuro.
Cá de longe a tudo “filmava” e me divertia para esquecer que não ia mais farrear meu São João em Piritiba. Quanta saudade! Quando já era tarde, lá vem eles falar comigo com aquele bafo de álcool e conversa mole, para me convidar a se juntar a eles.
Tive que dar uma saída de que não bebia, mas o melhor estava reservado quando por volta das 24 horas, saiu de um bar, não de onde, um “bebum” caxingando de uma perna e arrastando chinela pela aquela rua deserta sem mais uma viva alma.
Uma cena hilariante! O “bebo” dava dois passos pra frente e três para trás. Uma luta danada para vencer sua embriaguez, até que se aprumou e encurtou a distância para sua casa, sem antes dar uma parada e mijar na rua. Que alivio deve ter sido!
Fiquei assuntando sua peregrinação etílica até chegar na porta do casebre. Foi a cena que me deixou mais descontraído porque o “bebum” demorou uns cinco minutos para abrir a porta. Ia de vez e voltava de costas, tentando acertar a chave na fechadura.
Naquela agonia, pensei até em ir lá para ajudá-lo, mas teve uma vez que mirou o alvo e lá caiu de vez na sala, deixando tudo aberto. Fui dormir e não soube mais o que aconteceu porque logo cedo peguei estrada, deixando Jenipapo dos “bebuns” para trás.
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