Era uma vez…  Não, esse negócio de era uma vez é coisa de estória de carochinha e de fada para criança dormir. Na verdade, temos no Brasil uma nação alienada de joelhos, que atenta contra a liberdade e a democracia. Temos o maior engavetador de processos criminosos praticados pelo capitão-presidente, o Catilina e seus seguidores corruptos que tramam um golpe de Estado.

Quando falo de engavetador estou me referindo à PGR – Procuradoria Geral da República, comandada pelo senhor promotor Augusto Aras, a vergonha da Bahia a serviço das loucuras de um presidente, e não do nosso país. Sua gaveta já não deve nem mais fechar de tanto papel manchado de sangue e sujo pelas mãos dos conspiradores dos nossos sonhos e ideais. O que ele vai fazer com todo esse entulho?

Por muito menos, os ex-presidentes Collor de Mello e Dilma sofreram impeachment porque o cancro do Congresso Nacional não foi totalmente banqueteado e satisfeito com todas as benesses escandalosas que pretendia. Com esse legislativo, cerca de 200 pedidos de cassação foram engavetados pelo presidente da Câmara, Fernando Lira, abrindo espaço para um golpe. Dentre tantos outros, temos mais um título de país dos engavetamentos.

Quem são os verdadeiros culpados por estar em andamento esta marcha do golpe, dizendo que as eleições, antes de acontecerem, são uma fraude? Por que não foi logo cortada a cabeça do monstro? Agora já é tarde porque ele está mais faminto, na companhia maior de outras espécies bizarras da natureza. O combate está se tornando cada vez mais difícil, e requer ações mais estratégicas para exterminar esse exército de exterminadores.

Não são simplesmente cartas com três, cinco ou dez mil assinantes que vão conter a fúria golpista que, se ocorrer, a história vai apontar os culpados que ficaram em seus gabinetes de ar condicionando nos blablabás das conversas floreadas e recheadas de neologismos, sem convocar o povo para as ruas, antes que o mal pior aconteça. Depois, é só chorar pelo leite derramado. Vacilo e comodismo são nomes mais corretos. O pior é o silêncio dos bons.

Não basta a defesa de princípios morais e democráticos, porque ele também fala em democracia no seu sentido de intervenção militar para golpear o pleito. Além dos milhares de abaixo-assinados, são necessárias reuniões, palestras e comícios nas ruas e praças para combater o AntiCristo que fala em família e pátria, enquanto nos envergonha lá fora no exterior; pratica o racismo e a homofobia; e nega a vida como fez durante os dois anos mais agudos da pandemia da Covid-19.

Os engavetadores da Procuradoria Geral da República, do Supremo Tribunal Federal e outros braços do judiciário enterraram com cimento e passaram uma pá de cal na Operação Lava-Jato, liberando geral para que todos voltassem ao poder, que sempre foi colocado acima de uma sociedade mais justa e igualitária.

O chefe da PGR, com seus desvios de funções, preferiu servir ao seu presidente aloprado do que à própria República, para a qual foi indicado. Jogou seu diploma no lixo para se aliar aos malfeitores e salteadores da pátria. Não vai tardar, e a história vai registrar sua lambança de baiano que manchou o nome do grande jurista Ruy Barbosa. Aliás, a essa altura ele deve estar se revirando no túmulo.

Podemos pagar muito caro por que nós brasileiros nos portamos como indiferentes, comodistas e individualistas, só se preocupando com seu próprio umbigo. Não passamos do bate-panelas nos apartamentos, e não saímos do nosso conforto para cobrar e exigir respeito ao nosso país.

O nosso egoísmo é tão enorme que nem pensamos nas nossas novas gerações que podem sofrer mais ainda as drásticas consequências que virão por aí. Tudo isso me faz lembrar a canção do grande cantor e compositor Geraldo Vandré quando disse “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”