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:: ‘Notícias’

OS ENDIVIDADOS

Tem aquele consumidor compulsivo como jogador viciado, o que entra na carneirada para não ficar de fora e até é recriminado como mão de vaca por não ter comprado o presente, o necessitado consciente que só adquire o essencial, aquele pobre que tem a mania de imitar o rico e outras espécies de animais irracionais. No final, a grande maioria termina sendo incluída no rol dos endividados.

Dia das mães, dos namorados, dos pais, São João, das crianças, agora a Black Friday e Copa do Mundo, Natal e final de ano funcionam como estouro da boiada. Ninguém resiste às viagens dos feriadões. A família sempre arranja aquele jeitinho do empréstimo e até deixa de quitar a mensalidade escolar do filho.

Basta um tiro ou o rojão de um foguete para o gado sair em disparada. Somente vaqueiros experientes conseguem controlar o rebanho para não cair no abismo. Na corrida, muitas rezes são pisoteadas ou se arrebentam numa ribanceira.

Assim são os endividados, título que poderia se tornar num filme comportamental da sociedade, sobre finanças, numa comédia grega trágica ou até de humor vendo aquelas expressões de desespero e “felicidade” das pessoas nas lojas avançando em objetos e produtos de desejo, todas atraídas pelas propagandas de liquidação, a maioria enganosas. É uma disputa acirrada onde cada consumidor se acha vencedor.

Com as novas tecnologias da internet tem aqueles que acham mais chique e cômodo ficar clicando naquela foto bonita de embalagem exuberante e finalizar a suas compras, muitas com o aviso de frete grátis. Todos acreditam nessa lorota, e aí de quem contestar.

O comprador se acha um esperto que aproveitou a “promoção” e sai contando seu feito para os amigos. Nessa embolada, muitos são vítimas do atraso, da clonagem de cartões e até do calote. Aí o bicho pega, meu camarada! São coisas do mundo moderno que para muitos corresponde a ser feliz e realizado, mesmo que seja por pouco tempo. É a ilusão do imaginário que funciona como a pílula contra a depressão e a ansiedade.

No momento existe a sensação do prazer pessoal para depois entrar na lista dos milhões de endividados. A ressaca vem depois. Aí sua vida vira um inferno de boletos, faturas e papéis na mão com as datas vencidas de pagamento.

Na fase do atraso entra a turma da cobrança ameaçando tornar seu nome sujo na praça ou apreender seu bem móvel. Vem a dor de cabeça, e o devedor parte para os remédios para combater até insônia. É a parte de terror do filme de os endividados. Em cena entra a voz dos economistas para dar aquelas dicas costumeiras para o derrotado.

Não se preocupe, anuncia o credor com a arma da anistia ou o desconto com juros mais baixos. Os lucros do comércio lá atrás com os preços extorsivos e obtidos mediante aqueles que quitaram suas contas abrem espaço para os endividados aliviar seu tormento.

O consumidor fica contente, limpa o nome e parte para outras compras, principalmente torrando seu décimo terceiro salário. É o chamado ciclo vicioso que não acaba nunca. Tudo se repete e a roleta volta a girar. Façam seus jogos que no final uns pagam pelos outros. O único que não perde é o dono da casa.

POR UMA POLÍTICA DE PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL CONQUISTENSE

Fellipe Decrescenzo A. Amaral 

Ao descrever os aspectos físicos e sociais da ocupação inicial do Arraial da Conquista e da sua evolução urbana, Mozart Tanajura, em seu livro “História de Conquista: crônica de uma cidade”, detalha aspectos muito comuns aos de outras vilas e cidades do período colonial: casas térreas em sua maioria, com paredes feita em taipa ou adobe; presença da Igreja Matriz na principal praça da cidade; desenvolvimento do tecido urbano por meio de um arruamento irregular; bem como a presença apenas esporádica dos fazendeiros na vila.

Adicione-se a isso a modernização de tais residências ao longo do século 19, que recebiam platibandas e ornamentos diversos; a crescente presença de edificações comerciais na paisagem urbana, com sua sequência de portas que denotam o crescimento da própria atividade comercial; e a forma como todas essas edificações eram implantadas, alinhadas às laterais e à testada dos lotes, promovendo-se o contínuo alinhamento das edificações, ainda hoje notado nos centros históricos brasileiros que sobreviveram à sanha demolidora de alguns.

Fotos de Zé Silva

O crescimento exponencial de Vitória da Conquista a partir de meados do século 20, contudo, encontrou uma cidade despreparada para lidar com os problemas daí decorrentes, promovendo-se uma intensa transformação urbana. Esse crescimento se deu, em grande medida, pela consolidação da cafeicultura enquanto uma atividade econômica de peso no município.

Na década de 1970, as políticas do Instituto Brasileiro do Café (IBC) e os recursos do Programa de Redistribuição de Terras e de Estímulo à Agro-Indústria do Norte e do Nordeste (Proterra) contribuíram sobremaneira para a expansão das lavouras de café no interior da Bahia, não somente na região do Planalto da Conquista, mas também na Chapada Diamantina.

No caso dessa última região, entretanto, se suas principais cidades também não estavam necessariamente preparadas para as consequências de um intenso crescimento, pelo menos contaram com importantes ações de preservação do seu patrimônio, possibilitando que chegassem até nós vestígios importantes da sociedade baiana do século XIX, em específico daquela que se desenvolveu em torno da mineração de ouro e diamante.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) instaurou o processo para tombamento de Lençóis em 1971, concluindo-o em 1973, enquanto o de Rio de Contas, iniciado em 1973, foi concluído em 1980. O caso de Mucugê é ainda mais significativo porque a solicitação para que o conjunto fosse tombado surgiu justamente em decorrência da ameaça de demolição de dois imóveis por parte do Banco do Brasil, que chegava à cidade vislumbrando o potencial econômico da cafeicultura e dos demais empreendimentos agroindustriais que se instalavam ali. As discussões para sua patrimonialização tiveram início em 1977, efetivando-se o tombamento também em 1980.

O patrimônio conquistense não teve o mesmo destino. Ao longo das últimas décadas do século XX, assistimos à destruição de muitos dos nossos bens arquitetônicos mais antigos em prol de modernizações que pouco ou quase nada agregaram à paisagem urbana e à cidade como um todo. Isso não quer dizer, contudo, que o discurso da preservação estivesse completamente ausente do debate público.

A Casa da Cultura, fundada na década de 1970, nos parece ter se constituído no principal difusor do debate cultural naqueles anos e, desde maio de 1993, Vitória da Conquista passou a contar com uma legislação específica para tratar da preservação do patrimônio municipal: a Lei nº 707/93, sancionada pelo então prefeito José Fernandes Pedral Sampaio. Diz o seu Art. 1º:

“O Município de Vitória da Conquista procederá, na forma desta Lei, ao tombamento total ou parcial de bens móveis e imóveis, de propriedade pública ou particular, existentes no seu território, cujo valor cultural, histórico, artístico, arquitetônico, documental, bibliográfico, urbanístico, ecológico ou hídrico merecem proteção do Poder Público”.

Define, na sequência, que constituem o patrimônio histórico, artístico, paisagístico e cultural do município “as construções e obras de arte de valor ou qualidade estética, principalmente representativas de determinada época ou estilo; as edificações, monumentos e documentos quando vinculados a fato representativo da história local ou ligado a pessoa de excepcional notoriedade; os monumentos naturais, sítios e paisagens”.

Em 1996, os primeiros bens culturais foram então tombados: a casa do ex-governador Régis Pacheco, que hoje abriga o Memorial Régis Pacheco, a Serra do Periperi e a Lagoa das Bateias. Já em 2000, na gestão do ex-prefeito Guilherme Menezes, foi tombada a sede da Rádio Clube. Não buscamos aqui discutir a atualidade do texto e da sua concepção de patrimônio, mas sim o fato de que há quase trinta anos possuímos um dispositivo para tratar do patrimônio local.

Ao longo dessas quase três décadas não chegou a se constituir, entretanto, uma verdadeira política de preservação do patrimônio cultural da cidade, enquanto as transformações urbanas caminharam em ritmo cada vez mais acelerado. Embora os tombamentos tenham sido realizados por decreto do Poder Executivo, pressupõe-se a existência de um departamento vinculado à Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer (Sectel) para executar uma politica de preservação.

Isso consistiria, dentre outras coisas, na elaboração de pesquisas de identificação para seleção dos bens culturais; no desenvolvimento de estudos para atribuição de valor a esses bens, bem como em sua gestão; além da realização de uma série de iniciativas para promoção e valorização do patrimônio. Um departamento composto por uma equipe multidisciplinar (com a presença de arquitetos e urbanistas), cujo papel seria também o de dar suporte técnico ao Conselho Municipal de Cultura – instância deliberativa acerca dos processos de patrimonialização.

Em 2016, o Ministério Público, por meio da Recomendação 03/2016, pediu providências à Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista (PMVC) quanto à preservação do patrimônio cultural, destacando a inexistência de informações atualizadas sobre a questão e destacando o valor de diversos bens arquitetônicos que até hoje se encontram legalmente desprotegidos. Embora o município tenha regulamentado a Lei nº 707/93 por meio do Decreto nº 18.918/2018 e criado, em 2019, o Núcleo de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Município, no âmbito da Sectel, não se tem noticia sobre a efetiva atuação desse departamento.

Enquanto isso, acumulam-se as notícias de depredações e demolições de imóveis de interesse histórico e cultural, tornando extremamente atual uma mensagem que o ex-presidente da Casa da Cultura, Carlos Jehovah, escreveu, em outubro de 1993, em um ofício encaminhado ao então prefeito solicitando o tombamento da casa do ex-governador Régis Pacheco: “Mais um atentado à memória de Vitória da Conquista deverá acontecer, ao ritmo dos martelos e alavancas dos demolidores da história, em nome de um nefasto progresso”.

Somente neste último mês de outubro foi noticiada em veículos de comunicação locais a demolição de dois imóveis, localizados na Rua 2 de Julho e na Praça Tancredo Neves. Mas, para além da comoção que tais notícias possam despertar na comunidade conquistense, é preciso destacar que o apagamento silencioso de outros bens e manifestações culturais, não necessariamente de interesse arquitetônico, também fazem parte do cotidiano da cidade.

Não há, por exemplo, ações significativas para a salvaguarda da memória e da cultura indígena, sobrevivente em seus descendentes, que são bens culturais de natureza imaterial de suma importância para a formação cultural conquistense e que necessitam de medidas de apoio para sua documentação, valorização e transmissão. Cito, a título de exemplo, o trabalho com barro desenvolvido pelos indígenas paneleiros-mongoiós. Aí se inserem também os bens da cultura afro-brasileira.

No balanço da gestão que esteve à frente do Conselho Municipal de Cultura entre 2019-2021, publicado no Avoador, menciona-se a realização do primeiro dossiê para tombamento de um terreiro de candomblé, o que corresponde a um avanço duplo: a realização de um estudo prévio ao invés do tombamento de ofício e a seleção de um bem ligado às religiões de matriz africana. Contudo, nem são claras as informações a respeito da consumação do tombamento, nem existe, enquanto o Núcleo de Preservação não receber atenção e recursos do Poder Público municipal, a estrutura necessária para fazer a gestão de um bem cultural dessa natureza, que demanda ações específicas e um olhar cuidadoso a respeito dos valores culturais que devem ser salvaguardados.

Por fim, é imperativo frisar que as ações de preservação ao alcance do município não dependem dos órgãos de preservação estadual ou federal, podendo o Poder Público municipal ser protagonista na preservação do seu patrimônio cultural material e imaterial. Para isso, urge a necessidade de transparência quanto às ações empreendidas e à própria efetivação do Núcleo de Preservação enquanto instância executora de uma verdadeira política de preservação, que encare o ato do tombamento não como o fim em si, mas como uma dentre tantas outras medidas de proteção e valorização dos nossos bens culturais. Quem sabe assim não tenhamos mais que lamentar e sofrer com o constante apagamento de elementos da nossa memória coletiva.

Fellipe Decrescenzo é arquiteto e urbanista. Possui mestrado em Conservação e Restauro pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Bahia (PPG-AU/UFBA). Faz parte dos grupos de pesquisa “Arquitetura Popular: espaços e saberes”, e do “Projeto, Cidade e Memória”. Além disso, atua como docente do curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade Independente do Nordeste (FAINOR).

Artigo publicado no site Conquista Repórter

fellipe decrescenzo a. amaral

Arquiteto e Urbanista – estúdio DNZO

Professor Me. – FAINOR

Pesquisador – GP Arquitetura Popular: espaços e saberes | Projeto, Cidade e Memória (PPGAU/UFBA)

 

 

ELES NÃO QUEREM ELEIÇÕES

Os canalhas não têm amor à pátria; não prezam pela liberdade nem democracia; tampouco respeitam as famílias; e falam de Deus como se fosse um tirano sarcástico e sádico. São todos criminosos, imorais, insensatos e cometem atentados terroristas contra o Brasil.

Do outro lado tem a banda dos piadeiros e dos memes nas redes sociais, achando tudo isso engraçado. Não vejo humor em nada disso que está acontecendo. É tudo horrível e filme de terror de sexta-feira 13! Fico é entristecido, envergonhado e decepcionado como brasileiro.

Eles não querem eleições, mas uma ditadura militar que começou lá na República com Teodoro da Fonseca e Floriano Peixoto quando foram presos o abolicionista José do Patrocínio e o poeta Olavo Bilac. Aliás, nesses 522 anos de história já estamos empanzinados de ditadura. Poderia haver uma lei de enforcamento para quem se pronunciasse a favor dela.

No golpe de Getúlio Vargas ela durou quinze anos de atentados contra os direitos humanos. Teve ainda o Gaspar Dutra e a última em 1964 que se prolongou por quase 30 anos de torturas, desaparecimentos e mortes nos porões dos quartéis generais. Essa maldita indigesta, nunca mais no Brasil!

Esses aloprados não passam de uns idiotas nojentos imbecis e outros tantos inocentes úteis que estão sendo iludidos. Eles nem imaginam que numa possível intervenção militar serão os primeiros a ficarem na mira dos fuzis como forma de limpar a área dos conspiradores, como aconteceu em 64 com vários políticos (Carlos Lacerda e Adhemar de Barros) e personalidades que estavam na linha de frente apoiando o regime.

Acham que numa ditadura eles vão ser destaques e aplaudidos num governo militar. No mínimo serão usados como buchas de canhão porque o regime não vai suportar e dar guarida a traidores da pátria. A raia miúda que entra nessa onda extremista fascista vai logo sentir na pele a falta de liberdade e democracia, para fazer o que hoje estão fazendo nas ruas e rodovias sem serem presos nas solitárias cheias de ratos e baratas.

Como os generais das forças armadas vão impor mordaças aos brasileiros com seus atos e decretos, como o AI-5, por certo não vão tolerar manifestações de neonazistas e defensores de campos de concentração. A maioria esmagadora nunca viveu numa ditadura e nem leram sobre o assunto. Pelo contrário, juntam-se aos ignorantes negacionistas para afirmar nos botequins que ela nunca existiu.

Os corruptos e canalhas de hoje, como o Waldemar da Costa Neto e sua camarilha, sem falar no Roberto Jefferson, serão sumariamente expurgados e trancafiados. O próprio Bozó não ficaria no poder. Todos eles deixariam de ser golpistas e o comando seria outro, não essa corja imoral que nada tem de patriota.

São tão cretinos que pedem uma investigação do resultado das eleições somente para presidente no segundo turno e deixaram de questionar o primeiro que elegeu Damares e tantos outros do mesmo naipe para o Congresso Nacional. Não têm vergonha de serem contraditórios. Coisa mesmo de psicopata que precisa de cadeia ou internamento nos antigos manicômios, com camisa de força.

Como dizia o tribuno romano Cícero: Até quando Catilina vai abusar da nossa paciência, referindo-se às suas conspirações contra o Império. Em nosso caso, a democracia é o alvo maior, e ainda têm o cinismo de alardear que “a luta” é em nome dela e da liberdade.

Quem lidera essa baderna? Lá estão políticos, pastores evangélicos fanáticos doentes da mente e nazifascistas, todos financiados por empresários, a maioria do agronegócio, que há séculos, desde os tempos da escravidão e do Império, recebem dinheiro subsidiado do Tesouro Nacional e são os responsáveis por colocar na sarjeta da miséria mais de 30 milhões de brasileiros.

Toda essa cambada não está querendo ordem e progresso, mas desordem e retrocesso. Por tudo isso e mais, eles devem sim ser investigados por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para pagar pelos danos e sofrimentos que estão causando à nação, mas será o mesmo que colocar raposa no galinheiro.

 

O SONHO SOCIALISTA É POSSÍVEL

Quando menino via meu pai na roça dividir com outros vizinhos o pouco que produzia e, ao mesmo tempo, a vizinhança socorria os mais necessitados. No trabalho para a capina ou plantio se fazia mutirão do adjutório com cantorias alegres e fraternais. Na colheita havia a batida do feijão e do milho. Existia uma repartição entre as comunidades.

Somente depois de muitos anos quando me entendi por gente e fui estudar a evolução dos sistemas políticos, compreendi que isso na prática se chama socialismo. Não daqueles que logo rebate citando Cuba, a antiga União Soviética, a recente Venezuela, a Albânia e a Romênia, por exemplo, onde sempre prevaleceu o totalitarismo.

Não vou entrar aqui na questão dialética de Engls ou do marxismo, nem falar do anarquista Prudhon, tampouco na luta de classe gerada pelo capitalismo da Revolução Industrial. O socialismo é uma coisa tão simples de se entender tanto quanto se ver no campo entre os pequenos agricultores familiares, como nas favelas das grandes cidades.

Mirem no exemplo de tribos africanas e sociedades indígenas norte-americanas que viviam em aldeamentos socialistas na base da troca de mercadorias, onde o trabalho comunitário e seus frutos eram distribuídos entre todos de forma igual. Na verdade, o socialismo nasceu com os primeiros grupos primitivistas.

Numa discussão, quando se fala ou se defende esse sistema, logo aparece um montão de gente sem aprofundamento analítico para citar países onde a coisa não deu certo e houve torturas, ditaduras, matanças e atos totalitários tirânicos. Estávamos numa guerra fria e o capitalismo saiu vencedor.

Para essas pessoas, socialismo está ligado à tirania que leva ao fracasso. Tudo depende do conceito que se tem, como se democracia e liberdade não se combinassem com socialismo. É possível sim conciliar democracia e socialismo, como em Portugal, Alemanha (social-democrata), Noruega, Espanha, Finlândia e tantos outros.

No lugar de priorizar o social com políticas públicas para reduzir as desigualdades, a grande maioria prefere esse capitalismo selvagem, avassalador, predador e, antes de tudo, competitivo, sem se pensar na colaboração, na coletividade. Por natureza, o capitalismo é individualista onde cada um só pensa em si.

Numa palestra de negócios, vendas e de empreendedorismo empresarial só se fala em competição e quase nada de contribuição e solidariedade. Socialismo é palavrão e logo dizem que não deu certo em lugar nenhum, o que não é verdade. Está funcionando em muitas nações, e esse sonho é possível.

Estou falando de um socialismo com cara humana que divide o poder de decisões, e não aquele centralizador onde as riquezas e as mordomias ficam nas mãos daqueles que mandam, criando verdadeiras castas sociais. O capitalismo já faz isso com toda crueldade, parindo pobreza e miséria. Esquecem que a democracia em muitos países capitalistas não passa de uma fachada, que só serve aos poderosos.

Por que não pode existir socialismo com respeito à liberdade dentro de um regime democrático onde haja a participação de todos com direito a críticas. Além do mais, o socialismo prima pela educação e a saúde. É o maior defensor contra os preconceitos raciais, de gênero e condena o moralismo hipócrita da elite capitalista.

Tem gente que ainda diz que o socialismo é contra o progresso, a evolução tecnológica, o crescimento econômico e que é símbolo de atraso. É pura ignorância e falta de leitura. Não tem argumento e só sabe falar aleatoriamente que não deu resultado em lugar algum.

Num mundo onde quase um bilhão de pessoas passa fome, uma pequena minoria domina as riquezas e a maioria é excluída e discriminada, qual moral tem o capitalismo para afirmar que esse é o melhor sistema? O socialismo não é contra a competitividade, desde que seja saudável e todos tenham chances iguais. No capitalismo prevalece a lei do mais forte e do faroeste bang-bang.

Tenho certeza que com o socialismo democrático, sem a concentração voraz das benesses na mão do poder dirigente, o mundo seria bem melhor e a humanidade menos desigual. O sonho não acabou, mesmo diante do surgimento do extremismo de direita e do neofascismo, fruto desse capitalismo desregrado.

UMA COPA VERGONHOSA

Diferente de todas as outras, inclusive no final do ano, a Copa do Mundo do Qatar, um pequeno país encravado em pleno deserto arábico, pode ser considerada a mais vergonhosa da história, a começar pelo alto nível de corrupção e a escravidão trabalhista dos operários que construíram os estádios.

Em tudo o país sede é o único e se supera em exotismos e aberrações contra os princípios e direitos humanos. Terceiro maior produtor de petróleo e gás do planeta, o Qatar é dirigido por uma ditadura mulçumana onde a mulher é submissa e as pessoas não têm liberdade.

Tudo começou com escândalos, com a conivência da própria FIFA. Para realizar o evento, os dirigentes compraram os votos de várias confederações como a CONMEBOL e a Concacaff.  Até o Michel Platini, da França foi subornado.

Outra questão foi o regime implantado de escravidão no trabalho dos imigrantes onde até seus passaportes foram retidos, com horários absurdos de servidão, sem as mínimas seguranças, tanto que morreram mais de seis mil durante as edificações das arenas.

Como lá quem manda são os petrodólares, a FIFA simplesmente fez vistas grossas. Por sua vez, é a Copa que vai mais emitir gases de efeito estufa na atmosfera porque todos locais vão funcionar com ar condicionado para controlar as altas temperaturas.

É a única Copa de Futebol do Mundo onde mochileiros não entram porque tudo lá é caríssimo, desde uma água mineral a uma hospedagem. É a Copa dos milionários numa cultura diferenciada da grande maioria dos países.

O Qatar tem cerca de três milhões de habitantes dos quais mais de 80% são de imigrantes, a maioria de indianos e países do Oriente Médio. Até o nível das seleções não é o mesmo da passada de 2018 e muitos craques estão se despedindo do futebol. A abertura entre o Gatar e o Equador foi horrível. Mais pareceu um “baba de várzea”.

As comemorações são feitas de “bico seco”, isto é, sem uma cervejinha. Existem outras nuances que se destacam das outras. Como já é a Copa das surpresas, a maioria negativas, pode até dar uma “zebra” na final e nenhum dos favoritos levar a taça.

A grande mídia só mostra o lado bonito, o fantástico de prédios suntuosos e até ilha artificial. O outro lado ela joga para debaixo do tapete. É a festa dos camelos e dos milionários em estádios e camarotes luxuosos. É uma Copa comprada, vergonhosamente!

 

A TERRA EM ROTA DE DESTRUIÇÃO

É tudo blábláblá cheio de discursos, promessas de ajuda dos ricos para com os pobres, abraços, confraternizações entre os povos, indígenas para todo lado, cocares, pinturas, falas inflamáveis sobre economia sustentável, energia alternativa, encontros entre chefes e chefões com direito a enxadas no final da festa para o plantio de árvores. A imagem sorridente gira o mundo. Todos se mostram felizes da vida. Mil maravilhas! Finalmente o planeta está a salvo!

Jornalistas de todas as partes de câmaras na mão clicando seus fleches e repórteres a tudo registrando. Movimentos com cartazes e entrevistas de líderes jovens e idosos. Muita euforia nos relatórios e documentos finais. As metas são traçadas para reduzir os gases tóxicos no ar; parar com os desmatamentos florestais; e conter o aquecimento global. Ah, existem ainda os contratos de vendas de carbono.

Todos sabem muito bem do que estou falando. São os retratos das conferências do clima (neste ano no Egito). Chamam de Cop 27. Depois os caciques das maiores potências arrumam suas malas de volta para suas casas e pedem aos seus súditos para consumirem mais e mais a fim de que o Produto Interno Bruto – o chamado rei PIB – cresça. Como consequência de tudo isso, mais lixo, mais sujeira e poluição no ar.

Os maiores produtores de combustíveis fósseis, como o petróleo, o carvão e usinas movidas a diesel, principalmente, ora reduzem ora aumentam suas produções de acordo com as oscilações do mercado capitalista. E as guerras comerciais! Há anos falam em substituir as energias poluidoras pelas as limpas, mas o tempo avança e os projetos se arrastam.

Os projetos de economia sustentável são mínimos em comparação com o máximo de dióxido e metano jogados na atmosfera. A conta nunca bate em favor da preservação da terra. Atualmente são oito bilhões de habitantes vorazes que são induzidos a consumir, sobretudo produtos supérfluos, para gerar mais renda e emprego. A reciclagem não dá conta do volume desperdiçado.

Eles, os países desenvolvidos, como os Estados Unidos, estão mais preocupados em soltar foguetes tripulados ou não para a Lua, Marte e descobrir novas estrelas. Os bilionários fazem seus passeios interplanetários, enquanto a nossa casa onde moramos vive em rota de bagunça, desavenças, guerras, intrigas e muralhas nas fronteiras para impedir a entrada de refugiados e famintos.

De tão castigada, não dá mais para a natureza esperar. Ela se revolta e sacode a terra com suas tempestades, tufões, ciclones, raios, demolições, deslizamentos de morros, terremotos, calor de até 50 graus, derretimento dos gelos polares, aumento do nível do mar e outras tragédias.

No açoite da chibata, os homens religiosos pedem socorro a Deus e até dizem ser castigo Dele. Logo mais teremos outra Cop, a 28, para analisar o avanço dos estragos e apontar os maiores culpados. Será que ainda há tempo para recuperação, ou não tem mais retorno? Como será o nosso planeta daqui a 100 anos?

 

OS RADICAIS CONTINUAM A PERTURBAR E A ESQUERDA DEVE CONSERTAR OS ERROS

Alguém me disse que o golpe militar vai sair de Vitória da Conquista através do Tiro de Guerra, comandado por um sargento que vai marchar até Brasília, fechar o Supremo Tribunal Federal, o Congresso Nacional e anular as eleições. Conquista vai virar protagonista no noticiário nacional e internacional. David Salomão vai ser o porta-voz da Intervenção Militar e ministro da Defesa.

Não dá para acreditar, mas os imbecis (pior quem segue eles) continuam a perturbar e a bagunçar nas portas dos quarteis, dos Tiros de Guerra, dos batalhões e até das delegacias. Como se trata de manifestação contra a democracia e anticonstitucional, está na hora dos generais colocar ordem na casa; acabar de vez com essa baderna; e mandar todo mundo ir para suas casas.

No meio dessa desordem tem todo tipo de gente, desde os inocentes úteis manipuláveis, os fanáticos evangélicos, os extremistas de direita, os nazifascistas, homofóbicos, racistas e até gente que entra na onda cantando o hino nacional, marchando como palhaços, rezando em nome de Cristo e falando em pátria, família, tradição e liberdade, trocando as bolas e querendo que o juiz volte, anule o jogo e dê a vitória ao perdedor.

É a chamada virada de mesa, ganhar no chamado tapetão. Se o Brasil perder a Copa Mundial de Futebol, todos vamos protestar nas ruas para que a taça fique com os brasileiros. Vamos decretar guerra à FIFA e invadir sua sede na Suíça. Os movimentos vão ser em frente da CBF, nos estádios, nas portas das federações de futebol e nos clubes. As torcidas do Flamengo e do Corinthians vão quebrar tudo.

Agora imagina se o capitão-presidente tivesse vencido as eleições! Todos estariam até hoje comemorando o resultado e dizendo que as eleições foram limpas, mesmo com tantas sujeiras que ocorreram em seu transcurso, com fake news, bloqueios de eleitores nas estradas pela Polícia Rodoviária Federal e empresários do agronegócio injetando dinheiro para fechar as rodovias.

Como dizia o próprio Bozó, chega de mimimi! Vão ficar chorando até quando? Basta de frescuras! Acabaram as motociatas, os cercadinhos e os currais! Não mais tirar máscaras de crianças, xingar jornalistas, as mulheres e tratar os negros como arrobas. Sem mais desmontar os órgãos de fiscalização do Ibama e do Instituto Chico Mendes para deixar a boiada passar por cima do nosso meio ambiente. Sem mais garimpeiros clandestinos para expulsar os índios de suas terras!

DE PAU PARA CACETE

No entanto, como se diz no popular, mudando de pau para cacete, queremos mesmo é que a esquerda conserte seus erros do passado quando se meteu com gente da pior laia, ladrões, malfeitores, corruptos, salteadores, gananciosos e trapaceiros. Esta será a última chance do PT se redimir. Nossa história está repleta de absurdos.

Entendo que o Lula não deve só pensar em doar Bolsa Família, matar a fome, que são coisas que não dão para esperar. Como se diz, ela (a fome) tem pressa, mas não se pode ficar o tempo todo nessa de dar sem encontrar uma alternativa para que as pessoas passem a ter seu próprio sustento do trabalho. Nossa gente precisa é de dignidade e se sentir como cidadão integrado à sociedade. Nada de ser pária!

Nosso povo necessita urgentemente de autoestima. Basta de acomodação, submissão, humilhação nas filas e ficar totalmente dependente do dinheiro do Tesouro que é do contribuinte.  Os governos têm que passar em priorizar a educação de base, com investimentos pesados para em futuro próximo substituir essa política do dar que serve mais como esmola.

Outra coisa absurda é ficar fazendo o papel de pai dos pobres e mãe dos ricos, enchendo mais ainda as burras de dinheiro dos empresários e aprofundando as desigualdades sociais através do aumento da concentração de renda nas mãos de uns poucos. Será que queremos isso para o Brasil, um capitalismo selvagem e uma elite burguesa oportunista que só pensa em seus interesses?

A única saída é um socialismo de distribuição das riquezas dando oportunidade a todos. Há anos que as cidades estão inchadas de miséria e pobreza, amontoadas nos morros e favelas. Só pensam no direito de propriedade e nada de uma reforma agrária que vem sendo projetada desde o império com a abolição da escravatura, sem se acabar de vez com a escravidão.

Ninguém quer saber de dividir para a todos progredir. Temos ainda que acelerar os programas de saneamento básico, cuidar da saúde do povo por que esse só dar não é a solução. Há trinta anos ou mais que esse esquema eleitoreiro e de compaixão perdura em nosso seio social enquanto a pobreza só aumenta. Os milhões de desempregados continuam no olho da rua. Milhares vivem debaixo das pontes, das marquises, das praças e dos viadutos se entregando às drogas, não como seres humanos, mas como vivos-mortos.

A VOLTA DA MOSTRA DE CINEMA CONQUISTA MARCA SUA 15a EDIÇÃO

Em sua décima quinta edição, a Mostra de Cinema Conquista – um olhar para o novo cinema, que passou dois anos sem se apresentar por causa da pandemia da Covid, teve início ontem (dia 15/11), às 19h30min, no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, com dois curtas “Eu Carrego um Sertão dentro de Mim” (homenagem a Geraldo Sarno) e “Central de Memórias” (documentário), seguidos do longa de “Alice dos Anjos”, de Daniel Almeida.

A Mostra é uma idealização do saudoso Jorge Melquisedeque, seguida por Esmon Primo, mas sua trajetória teve a participação do professor Itamar Aguiar. Os trabalhos foram abertos com as presenças do secretário de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Eugênio Avelino (Xangai), do seu coordenador de Cultura, Alexandre Magno, representantes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – Uesb e cineastas presentes ao evento.

São quinze edições de democratização e acesso ao cinema brasileiro, mostrando um panorama atualizado de cada certame da significante produção cinematográfica surgida nos quatro cantos do nosso país. Durante esse período da Mostra de Cinema foram exibidos mais de 700 filmes de longas e curtas metragens contemporâneas, muitos inéditos em circuito nacional.

Os filmes estabelecem uma radiografia da nossa imensa identidade plural. Além das exibições, a Mostra proporciona – por meio das mesas temáticas, conferências, papo de cinema e oficinas com cineastas, professores e profissionais audiovisuais – uma reflexão sobre esta produção. Em 2022, a Mostra Cinema Conquista – ano 15, retornou em formato presencial.

A iniciativa conta com apoio cultural do Instituto de Radiodifusão do Estado da Bahia, do Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, TV Sudoeste, Uesb e outras entidades. Tem o apoio financeiro da Prefeitura Municipal por meio da Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer. O Centro de Cultura esteve superlotado na noite de ontem.

A mostra de Cinema prossegue até o dia 18/11 com uma vasta programação de atividades, inclusive de seminários e oficinas. Nesta quarta, a partir das 15 horas, serão exibidos os curtas Muxima, de Juca Badaró, o Ovo, de Rayane Teles, Chão de Fábrica, de Nina Kopko, a Máquina Infernal, de Francis Vogner, O Retrato do Mal e Veneno, de Kauan Oliveiraos. Temos ainda os longas Fé e Fúria, de Marcos Pimentel, Carro Rei, de Renata Pinheiro e o Cemitério das Almas Perdidas, de Rodrigo Aragão.

Na quinta feira, também a partir das 15 horas, teremos vários curtas, como Stone Heart, de Humberto Rodrigues, Sideral, de Carlos Segundo, O Sonho de Zezinho, de Edmundo, Cabeça de Nego, de Deó Cardoso, entre outros, e dois longas, Manguebit, de Jura Capela e Madalena, de Madiano Marchheti por volta das 20 horas.

Na sexta, dia 18/11, segue a mesma programação no mesmo horário das 15 às 20 horas com uma série de curtas e longas metragens. Durante os dias 16, 17 e 18/11 serão realizadas mesas temáticas pela manhã e à tarde com diversos palestrantes, abertas ao público interessados, principalmente professores, cinéfilos e estudantes.

SARAU A ESTRADA VALORIZANDO A NOSSA CULTURA HÁ DOZE ANOS

Com o tema “Escravidão II” e subtema “A Marchar dos Abolicionistas e os Confederados Norte-Americanos”, os amigos do “Sarau Colaborativo A Estrada” fizeram neste sábado (dia 12/11), uma noite sublime de valorização da nossa cultura, com cantorias, declamações de poemas e causos. Tivemos uma parada de dois anos por causa da pandemia, mas retornamos com toda força.

Os trabalhos foram abertos com os informes do português Luis Altério sobre o lançamento, em breve, do livro de textos poéticos do jornalista Jeremias Macário e o anúncio do artista Dorinho Chaves do próximo sarau, no dia 10 de dezembro próximo, com o tema “Tropicalismo”. O evento será realizado em sua mansão no Bairro Brasil.

Em seu bate papo, Jeremias Macário destacou os quatro principais abolicionistas – o baiano e advogado rábula Luiz Gama, o pernambucano advogado graduado Joaquim Nabuco, o carioca farmacêutico José do Patrocínio e o baiano de Cachoeira, engenheiro militar André Rebouças.

Cada um com seu papel (em comum todos foram jornalistas) dentro do contexto da escravidão, todos desempenharam sua função para o avanço da Abolição em 1888, principalmente a partir de 1870 com o fim da Guerra do Paraguai, a Lei do Ventre Livre, em 1871, e a dos Sexagenários, em 1885.

Luiz Gama, o único de origem social pobre que amargou o cativeiro durante oito anos, conseguiu com suas defesas libertar mais de quinhentos negros das garras dos senhores fazendeiros.  Joaquim Nabuco, o branco “Quincas, o Belo”, era mais moderado e achava que a Abolição era coisa para os políticos e as instituições. Em sua opinião, os negros não deveriam se envolver nessa luta da libertação. Foi também um reformador do Império.

José do Patrocínio, o sarará, mais afoito e brigão, fazia a população delirar em seus comícios e movimentos. Sofreu muito com o preconceito. Monarquista, foi ele quem deu o título à princesa Isabel de “A Redentora”. André Rebouças foi um dos que mais se atormentou com a discriminação racial, especialmente quando esteve nos Estados Unidos (Nova York) e foi barrado nos hotéis e restaurantes. Isso lhe fez entrar num processo profundo de depressão. Foi para África do Sul e de lá para a Ilha das Madeiras onde faleceu. Num certo dia, seu corpo apareceu boiando no rio.

Sob a batuta do diretor ´musical Mano Di Souza, que trouxe seus instrumentos e equipamentos, foi montado um palco onde Marta Moreno, Cleide, Dorinho, Aurelício Oliveira Amorim, cantando de sua autoria “Mãe Preta”, e outros abriram a voz para prestigiar a música popular brasileira. Foi mais uma noite fraternal e memorável. Até o nosso professor Itamar Aguiar, o maior frequentador do nosso sarau, se revelou numa cantoria acompanhando Mano e outros.

O sarau, como sempre, abriu espaço também para os poetas e contadores de causos (Dorinho Chaves) que declamaram poemas de suas autorias, como a poetisa Regina Chaves. No mais, o papo rolou com a troca de ideias sempre no âmbito da cultura, sem essa discussão de política partidária que procuramos sempre evitar.

A anfitriã do “Espaço Cultural a Estrada”, Vandilza Silva Gonçalves a todos recebeu com muita dedicação, brindando os participantes do encontro com uma deliciosa dobradinha que, segundo José Carlos, o atrasado, foi de rezar e lamber os beiços, no que os demais concordaram.

Odete Alves Marlini, representante da Casa da Cultura (olá Poliana, sentimos sua ausência) a tudo registrou nas redes sociais e foi uma autêntica assessora de imprensa e relações públicas. Participaram ainda do nosso evento cultural colaborativo, a professora da Uesb, Lídia Nunes Cunha, Humberto Lima de Oliveira, Sônia, Rosângela de Oliveira, Conça Andrade, Alexsandra, Rodrigo Celino e outros convidados. Para finalizar, as cantorias e as declamações vararam a madrugada num ambiente cordial, divertido e de intercâmbio de conhecimentos.

UM ANO SEM A NOSSA SAUDOSA FOTÓGRAFA EDNA NOLASCO

Faz um ano que ela nos deixou no sentido mortal da vida, se bem que a fotógrafa jornalista Edna Nolasco continua no nosso eu espiritual irradiando bondade, serenidade e generosidade. Recebo pelo ZAP do meu amigo companheiro de muitas lidas de reportagens, o fotógrafo José Silva (o Zé Silva), um registro para lembrar que hoje, dia 11 de novembro de 2022, faz um ano que a nossa querida Edna Nolasco partiu ou nos deixou para um outro além.

Zé Silva pediu para que eu escrevesse alguma coisa, mas pela sua grandeza de alma, sua ética e atenção para com os companheiros, tudo que eu fale aqui, Zé, será pouco, daí que peço que cada um de nós faça sua reflexão, e o melhor é seguir seu exemplo de vida, com ponderação e respeito de cada um para com o outro. Foi isso que Edna nos ensinou em toda sua trajetória, com seu sorriso inconfundível, como mais uma passageira desse trem maluco que vai deixando as pessoas em suas estações de desembarques.

Sei que cada um tem algo para dizer e se expressar a respeito da nossa colega, sempre serena, capacitada e responsável com seu trabalho. Da minha parte, só gratidão e privilégio por ter conhecido Edna logo que aqui cheguei em Vitória da Conquista, em 1991, para assumir a gerência da Sucursal do jornal A Tarde. Nos momentos mais difíceis da minha profissão, esteve sempre ao meu lado, dando todo apoio necessário. Eternos agradecimentos.





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