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:: ‘Notícias’

ELEIÇÕES SUJAS

Carlos González – jornalista

Dentro de poucos dias o Brasil assistirá a mais suja das eleições nesses 123 anos de República. A produção de toneladas de detritos perigosos está concentrada no Palácio do Planalto, distribuídas por todo o país, em forma de mentiras, através das redes sociais, nos pronunciamentos do candidato Jair Bolsonaro e até mesmo na propaganda eleitoral grátis no rádio e na TV.

O número dos condenáveis “fake news”, como calculou meu colega e amigo o jornalista Jeremias Macário, daria para preencher mil páginas de um livro. Além da enxurrada de mentiras, que o TSE não consegue coibir, o aterro sanitário do Planalto e os seguidores fanáticos do militar expulso do Exército, há todos os tipos de material virulento, impingidos às pessoas sem consciência política.

A pressão ao trabalhador, principalmente na zona rural – no oeste baiano há dezenas de denúncias – não é uma prática, na verdade, dos dias atuais. No tempo dos “coronéis”, o “voto de cabresto” era exercitado livremente – o jagunço levava o homem do arado e da enxada até a cabine “indevassável”. Contou-me uma funcionária aposentada do TRE-BA que as urnas chegavam do interior com os votos “enxertados”, ou seja, fraudados .

O município de Casa Nova, no Médio São Francisco, a 572 kms de Salvador, é um típico exemplo do coronelismo praticado no Nordeste até a ditadura militar (1964-1985). Nas eleições, o candidato do chefe político local recebia 100 por cento dos votos. Certo dia, achou-se um voto contra. Foi decretada caça ao “traidor”.

“Demitam, sem dó nem piedade, quem votar em Lula”. A sentença foi transmitida por uma produtora rural da região de Barreiras, dirigida aos empregadores do agronegócio, que estão orientando seus trabalhadores a esconder o celular no sutiã, calcinha ou cueca, contando, evidentemente, com a ausência de fiscalização de alguns mesários, que no 1º turno não cumpriram o Manual distribuído pelos TREs. Esse crime eleitoral pode também ser coibido pelos partidos que apoiam o candidato de oposição, designando um fiscal para cada seção.

Estão enganados os que pensam que o bolsonarismo acabará com a derrota no domingo do pior presidente que o Brasil conheceu. Assim como os partidários do nazismo, do fascismo, do franquismo e do comunismo modelo soviético, estão espalhados pelo mundo, o bolsonarista, apoiado pelos fanáticos evangélicos, vão continuar exibindo seus arsenais, como fez o ex-deputado Roberto Jefferson. Alguns deles vão se juntar a partir de fevereiro aos membros do Centrão nas casas legislativas.

O bolsonarista sempre existiu, mas se mantinha no anonimato com receio de mostrar as garras. Faltava-lhe um líder, que saiu do baixo clero do Congresso, onde ficou por 27 anos ganhando sem trabalhar. Como estamos num regime democrático, naturalmente, há uma grande parcela do eleitorado que se declara antipetista e que gostaria que não houvesse polarização nessas eleições.

Homofóbico, racista, misógino, violento, odiento. Este é o perfil do bolsonarista, que vem há quatro anos se alimentando dos ideais do seu “mito” com relação ao Nordeste, à destruição das florestas, ao combate às doenças, ao corte nas verbas da educação e saúde, à compra de votos através do orçamento secreto, às agressões físicas aos jornalistas; à destruição de símbolos católicos e umbandistas, à exaltação à ditadura e aos seus torturadores.

Bolsonaro e seus seguidores têm se notabilizado em atacar chefes de governo. A última investida foi contra o papa Francisco, que se referiu à fome no mundo como “um escândalo e um crime contra os direitos humanos”. Os neonazistas brasileiros reagiram, chamando o chefe de Estado do Vaticano de “comunista” (chavão ultrapassado).

Em resposta, a CNBB emitiu nota de repúdio e altos prelados da Igreja inseriram em suas homilias frases como “Pátria amada e não Pátria armada”; “Maria venceu o dragão, mas há outros para serem vencidos”; “um agente de Satanás desrespeitou a casa da Mãe de Jesus fazendo pregação política”. Bolsonaro esteve em Aparecida no Dia da Padroeira.

 

 

NAS ELEIÇÕES CAMPEÃS DE MENTIRAS, ELES MENTEM DESCARADAMENTE

Todos conhecem aquela frase de que não existe almoço grátis. Pois é, aí aparecem o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a mídia anunciando que o transporte no dia das eleições do próximo domingo, dia 30 de outubro, vai ser de graça para o eleitor. Indagaria quem vai arcar com os custos? Por acaso serão os próprios empresário do setor? São bonzinhos demais!

Esse dinheiro certamente vai sair das prefeituras. As passagens vão sair do bolso de algum prefeito? Nem dão, pelo menos, o trabalho de explicar que no fundo esse grátis não existe. Ninguém dá conta de pensar que tudo não passa de uma deslavada mentira e de mais um engodo como tantos outros com os quais o nosso povo é iludido. É o conto do vigário!

Não bastam as enxurradas de mentiras que ouvimos todos os dias nas redes sociais e nos horários dos programas eleitorais nas emissoras de rádio e televisão? Aliás, é bom que se diga também que essa propaganda é paga pelo contribuinte. As redes de comunicação não perdem nada porque descontam tudo no imposto de renda.

É mais um recurso valioso e volumoso que deixa de entrar nos cofres públicos que, se não roubassem, poderia muito bem ser investido na educação, na saúde e em políticas sociais para aplacar a fome e as profundas desigualdades entre as pessoas. A partir do dia 31 de outubro a chibata vai estalar no lombo dos brasileiros.

Eles mentem descaradamente. Só falta dizer que as eleições são de graça, que o eleitor não paga nada para votar. Um presente da democracia. Este é um país verdadeiramente rico que se dá ao luxo de dispor de R$5 bilhões para torrar nas campanhas que eles aproveitam para mentir.

Não consigo entender esse segundo turno se ao cabo de tudo o Brasil continua mais dividido e aumentam mais ainda o ódio e a intolerância. O TSE também mente quando prometeu que iria combater as mentiras com todo o rigor da lei. As fake news correm soltas em disparada. Pelo que presenciamos e vimos até o momento foi mais uma grande mentira. As igrejas vão ser fechadas e os sanitários serão unissex.

Dentre todos, o psicopata do capitão-presidente já tem o troféu, com longa diferença, de campeão nesse campeonato de mentiras. São tantas que daria para publicar um livro de mais de mil páginas. Agora ele se tornou protetor do meio ambiente e adepto da energia limpa. Vai até produzir energia eólica do mar.

No INSS ele agilizou todos os processos; atendeu em tempo recorde todos os pedidos de aposentadoria por invalidez; as filas de reclamações acabaram-se; e o cara já recebe sua pensão no outro dia. A economia vai bem e o país é um dos melhores do mundo.

As consultas vão ser marcadas pelo ZAP e nas farmácias os medicamentos já vão estar lá separados quando o paciente chegar para pegá-los.  Uma maravilha que não existe em país algum, nem entre os mais desenvolvidos do planeta. Pior que tem milhões que acreditam nisso.

Falta dizer que ninguém morreu de Covid-19, mas de uma gripezinha, porque já foi dito que o Brasil foi o primeiro que teve sua população vacinada. A família brasileira vive em seus momentos de maior felicidade. Não existe fome e miséria. A corrupção acabou e os que roubaram estão nas cadeias pagando suas penas.

Assombroso, meus amigos! Até a reforma agrária, que há anos foi esquecida no Brasil, e que o abolicionista André Rebouças pensou em fazer lá no final do século XIX, finalmente está consolidada. Mentem descaradamente!

O campo vive em paz e não existem mais grileiros e fazendeiros matando posseiros e os defensores de suas terras. Os índios estão protegidos em suas tabas, livres dos madeireiros e garimpeiros. Oh Senhor, não perdoai, castigai esses malditos mentirosos para que eles não pequem nunca mais!

OS DESABRIGADOS DOS ABRIGOS

Mais parece coisa do destino, ou reencarnação de outro espírito a padecer na alma para se redimir dos males praticados no passado, como forma de purificação, como explica a doutrina espírita. Assim é o sofrimento das pessoas desabrigadas que ficam a perambular de um conto para outro em abrigos sociais, a vagar sem rumo.

Essa gente perdeu a esperança de viver porque a ela, lá atrás, não foi dada uma oportunidade. Se entregaram e apenas vai passando o tempo de dia pelas ruas nas drogas e nos furtos, e a noite nos abrigos. Muitas são vítimas de transtornos psicológicos e problemas familiares. Não fazem mais planos, nem aceitam regeneração.

São, então, casos perdidos? Talvez, não. Há salvação para tudo. Nos últimos anos, esse quadro de degradação e miséria humana só tem aumentado no Brasil. São pessoas que nem estão no censo, como se não existissem. O pior é que isso é a dura realidade.

Cada um é um tipo diferente que exige uma análise diferenciada desde suas origens. Tem mulheres grávidas, idosos sem mais sentido para viver, desaparecidos, penitenciários que cumprem pena no semiaberto, usuários de drogas e até gente com instrução de nível superior. Pois é, tem de tudo que você pensar.

Falo dos desabrigados dos abrigos porque são simples passageiros que vão e voltam, mesmo obrigados a seguir as devidas regras dessas casas que acolhem essas pessoas que, na verdade, não podem ser chamadas de andarilhos que se destinam a conhecer o mundo. Esses têm objetivos, inclusive de se tornaram mais preparados para a vida.

Pela própria natureza, muitos são violentos e trazem dentro de si uma revolta por serem considerados párias da sociedade. Preferem a embriaguez que a lucidez. Acham consigo mesmos que não têm mais nada a perder. Ás vezes a calmaria, mas, a maior parte fica escrava da agitação, com características diferentes.

Muitos recebem aposentadorias e auxílios do governo através do cadastro único. Pegam o dinheiro e estouram tudo, até em boates de luxo que seja apenas por uma noite.  Eles têm um período limite no abrigo e depois ficam nas ruas ou vão para outras cidades. Muitos retornam e ficam naquela vida do vaivém, sem destino certo.

NÃO É ASSÉDIO! É CORONELISMO MESMO

Agora arranjaram um termo bonita na língua portuguesa para chamar de assédio eleitoral. O nome verdadeiro, nu e cru, é coronelismo escravista que o Brasil viveu desde os tempos coloniais até meados do século XX. Muitos achavam que isso nunca mais iria ocorrer.

Confesso que em minha idade não imaginaria que iria ter esse retorno dos coronéis senhores ruralistas donos de terras destruidores do meio ambiente, de empresários e industriais. É, minha gente, o Brasil está mesmo, literalmente, voltando a adotar os mesmos métodos de antigamente.

Para essa geração mais nova e quem pouco conhece a história do país, o coronelismo se destacava pelo poderio que os latifundiários tinham sobre seus empregados, obrigados a fazer tudo quanto eles mandassem, principalmente no quesito voto.

Primeiro os títulos ficavam nas mãos dos patrões e somente seriam entregues no dia da votação. A seção era controlada por eles de modo que sabiam com antecedência a quantidade de votos que iria receber o seu candidato com base no número de empregados que possuíam.

Era o chamado voto de cabresto. Pelo controle, o coronel sabia quem votou nele, ou não. O considerado “traidor” poderia até ser condenado à morte ou levar uma tremenda surra de seus jagunços. Era o parabelo e a chibata quem mandavam.

O uso da tecnologia moderna atual só dificulta essa interferência do coronel atual, mas, como diz o ditado, o brasileiro sempre tem seu jeitinho. Para evitar esse voto de cabresto, ou escravo, como queira, o Superior Tribunal Eleitoral (TSE) proibiu que o eleitor entre na cabine com o celular para não filmar o voto.

Acontece que nem todos mesários estão obedecendo essa lei (onde votei não me pediram). Além do mais, os coronéis estão ordenando que o trabalhador leve o aparelho dentro do sutiã ou até na calcinha, no caso da mulher, ou na cueca, caso do homem.

Pelo andar da carruagem, vamos ter que continuar nesse inferno, sendo diariamente xingados, vítimas de racismo, de xenofobia, de homofobia, de desprezo pela vida, de misoginia, sob o jugo do nazifascismo e do mau caráter que saiu do armário com a voz, a senha e a bandeira do capitão psicopata.

Vamos continuar vendo o nosso meio ambiente sendo destruído, os índios sendo exterminados, os negros sendo pesados como arrobas, os nordestinos sendo discriminados e ameaçados de morte pelos extremistas seguidores.

Quando todos estiverem nas trevas no ranger de dentes e o Brasil isolado do mundo, tratado como nação selvagem, vão se sentir arrependidos e dizer que não esperavam que o cara chegasse a esse ponto. Assim disseram anos depois os eleitores de Hitler e de Mussolini

 

O DESÂNIMO DE UM POVO

Nas enormes filas do auxílio nos bancos e lotéricas, os rostos calados de sofrimento na espera por um atendimento. Ninguém tem a certeza de que lá dentro vai solucionar seu problema e receber a prometida ajuda. Todos parecem manadas sendo levadas para um matadouro.

Infelizmente, foi esse triste cenário que senti ontem nas ruas do centro de Vitória da Conquista, inclusive entre as pessoas com as quais mantive um contato. Não encontrei uma palavra de ânimo de que as coisas vão melhorar, muito pelo contrário, de que o pior pode estar por vir. Cheguei a dizer de que, quem viver verá fazendo uma referência à minha idade já avançada.

Brigas, racismos, xenofobia e homofobia, xingamentos e o semblante de um povo desanimado e sem esperanças quanto ao futuro. Será que vivemos num quadro de depressão coletiva? Os psicólogos e psiquiatras podem melhor fazer esse diagnóstico, mas são sinais característicos de um povo em desânimo.

Muitos podem não concordar e afirmar que sou uma ave agourenta, mas é a dura realidade nessa reta final das eleições que terminam no próximo dia 30. A ansiedade bate no peito de cada um e se pode perceber isso nas expressões. Todos querem que essa agonia se acabe logo, mesmo diante das incertezas. O que mais dói é ver o sofrimento estampado em milhões de brasileiros que vivem na miséria e passam fome.

Toda essa camada de excluídos luta a cada dia para sobreviver na base das tais das doações, num fogo cruzado de informações dos candidatos que correm em disparada nas mídias, especialmente nas redes sociais.

Como apurar essa enxurrada de fake news e separar a verdade da inverdade? As propagandas eleitorais nas emissoras de rádio e televisão mais parecem um ringue de luta livre. As torcidas têm sede de sangue e se odeiam.

Em meio a todo esse turbilhão, a televisão já anuncia o Natal sem Fome, o que, para mim, soa como uma hipocrisia. Só uma noite? Logo tudo isso é esquecido e lá vem o monte de saudações de Feliz Natal e Ano Novo. A impressão que tenho é que a fé e a esperança nesse nosso Brasil estão cada vez mais minguando.

Depois das eleições vem a corrida às lojas e aos shoppings para a compra de presentes, as fartas mesas de perus, nozes, lentilhas, leitões, frutas, chesters, vinhos e outras bebidas e comidas, com abraços e confraternizações. Uma semana após vem ainda o réveillon regado a muita orgia, shows musicais e fogos de artifícios. Fazemos muitas promessas que deixamos de cumprir no decorrer do ano, para tudo começar novamente depois.

O tempo passa rápido para nos entregar as folias dos carnavais dionisíacos e assim continuamos alimentando as mentiras e as falsidades de muito amor e paz. As doações, os vales auxílios e as campanhas nos momentos de tragédias vão continuar engrossando as fileiras da pobreza. Até quando?

SE CRISTO RETORNASSE À TERRA E FOSSE UM BRASILEIRO NORDESTINO

Poderia ser na Bahia, na Paraíba, Piauí, Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Ceará ou Maranhão, nessas terras áridas e secas de séculos de sofrimento, parecidas com a Palestina antiga dominada por Roma, em meio a um povo explorado pelos senhores coronéis das fortunas e do poder! Como seria sua linguagem evangélica?

Creio que seu discurso seria mais na linha política que filosófica e cristã ao condenar os fantasmas embusteiros e se levantar contra sulistas nazifascistas que desejam morte aos nordestinos. Iria correr trechos numa Kombi, numa Van ou numa moto com seus seguidores convocando as pessoas a se unirem a não baixar a cabeça para os poderosos. Faria diariamente marchas de protestos.

Com certeza ficaria horrorizado com esses pastores peritos em lavagem cerebral na corrida para serem eleitos e fazer bandidagens no Congresso Nacional e no Palácio do Planalto. Repeliria energicamente esses evangélicos fanáticos que em seu nome jogam pedras em terreiros de candomblé, odeiam outras crenças, praticam o racismo e a homofobia.

Muitos católicos e padres carolas conservadores que só estão ali para pregar aquele evangélio antiquado e enfadonho sem sal nas falas seriam também alvos de suas bordoadas. Suas palavras teriam um tom socialista e seria renegado e chamado de comunista por esses falsos cristãos. Claro que sofreria constantes ameaças de morte e viveria cercado de seguranças.

Será que Ele rogaria ao Pai para que perdoasse porque eles não sabem o que fazem? Ou pediria que todos fossem castigados e condenados ao fogo do inferno como nas narrações do Antigo Testamento com relação aos ímpios, cruéis e fariseus? Usaria seu poder divino da chibata para expulsar esses vendilhões dos templos?

Em suas andanças pelo agreste do sertão nordestino, pelas ruas e cidades pequenas e grandes derramaria lágrimas ao se deparar com tanta ignorância, violência, brutalidades, atos desumanos, fome e miséria.  Em suas preces rogaria ao seu Pai misericórdia e punição severa aos corruptos, ladrões, mentirosos, falsários que enganam o povo falando em pátria, família, liberdade e Deus acima de tudo.

Ficaria enojado com aqueles que passam o dia usando seu nome e o do seu Pai em vão, até em jogos de azar, para praticar a maldade e tirar dos pobres para se enricar, comprar mansões, manter suas orgias e ainda tripudiar da fraqueza alheia.

Descarregaria toda sua revolta e protestos contra aqueles que fazem do povo massa de manobra em defesa de seus interesses particulares. Seus manifestos seriam duros e impiedosos. Ordenaria que parassem de citar seu nome sob pena de serem jogados nas valas dos esquecidos com morte lenta e penosa.

Do outro lado, se sentiria infinitamente angustiado com essa justiça feita pelos homens que nada tem de igual para todos, mas que protege os ricos e prende os fracos em presídios sujos, fedorentos e superlotados.

Como suportaria a dor em ver os bandidos de colarinho brancos soltos por aí, enquanto muitos inocentes encarcerados, inclusive aqueles que não tiveram chances de alcançar uma vida melhor e partiram para o crime? Oh quanta tristeza! Oh quanto desengano, absurdos e trevas ver uma nação caminhar para o amargedon! Diria, Pai afasta de mim este cálice!

Todos eles não passam de Caifases, aqueles sumos sacerdotes que participaram do julgamento de Jesus Cristo perante o Sinédrio de Jerusalém. Estão mais para traidores do verdadeiro cristianismo, lobos vestidos em peles de cordeiros. Certamente Cristo retornaria envergonhado diante de tanta barbárie cometida por gente que diz, com maior cinismo na cara, ser seu representante na terra.

A BAIXARIA QUE O BRASIL NÃO MERECE

LULA DEVERIA TER SAÍDO CANDIDATO A PRESIDENTE, LOGO ELE SENDO O MAIOR ALVO DO ÓDIO DO INIMIGO? POR QUE O PT NÃO APOIOU OUTRO NOME?

Por ser um alvo tão fácil e que já serviu de ódio nas eleições de 2018, o PT e, principalmente, o ex-presidente Lula não deveria ter saído candidato pelo bem do Brasil. No entanto, vá dizer isso aos petistas que você será trucidado, triturado e moído, sem falar que será chamado de idiota e até de apoiador do Bozó, do bicho cão dos infernos.

Não importa que os processos de Lula tenham sido anulados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e por outras estâncias judiciais, mas para trás ficou um rastro de condenações, inclusive de prisão, o caso do mensalão, do petrolão, dos delatores e da Lava Jato que todos sabem se transformaram num mar de lama na cabeça dos brasileiros.

Tudo isso fica entranhado no consciente e no subconsciente das pessoas, e o outro, mesmo que seja um satanás, belzebu, mentiroso, psicopata, falsário, fascista ou coisa assim, iria aproveitar para lançar seus torpedos a fim de liquidar com o inimigo. Fosse outro candidato de outro partido sem esse passado, o adversário seria mais neutralizado para ser derrotado e apaziguaria o país.

É esse cenário que envolve a vida de Lula o maior combustível para as baixarias a que somos obrigados a engolir até o dia 30 de outubro. O Brasil não merece essa enxurrada de sujeiras e lixo despejados a cada minuto nas redes sociais e nas emissoras de rádio e televisão. Até o papa está sendo envolvido nesse fogo cruzado. Praticamente, nada de projetos e propostas de governo.

A insensatez, a sede de poder, a prepotência, o orgulho de não reconhecer seus erros do passado, a falta de humildade e a ideia de que somente eles teriam força para bater o inimigo da nação levaram o PT a ser o próprio alvo. Pode isso nos levar ao suicídio coletivo.

Essa baixaria já era previsível como uma tragédia anunciada que causa estragos incalculáveis. Caso houvesse mais senso na política e se pensasse no bem do Brasil, o PT, tão odiado pelos fanáticos evangélicos, pelos extremistas nazifascistas, pelos negacionistas e moralistas de plantão, ficaria de fora desse pleito para apoiar um candidato ou candidata com um passado sem essas fixas corridas ou boletins de ocorrências.

Não vou aqui discutir se o Lula é inocente ou não, apenas a certeza de que ele iria ter uma grande rejeição e, ao invés de unir, iria dividir e levar a campanha para um nível de baixaria descomunal. Até o dia 30 vamos ter que aturar mais sujeiras nojentas.

Não é somente o problema dessa baixaria que logo irá terminar no final do mês com o resultado das eleições no dia 30, mas o risco que o Brasil corre de entrar nas trevas medievais por mais quatro anos. Se isso ocorrer, apenas pergunto quem serão os culpados por essa desgraça? Não é somente triste. É tenebroso.

 

 

COMO FAZER TURISMO EM CONQUISTA SEM FORTALECER A NOSSA CULTURA?

Tenho dito aqui repetidas vezes que nos últimos anos a cultura em Vitória da Conquista passou a se resumir em festa junina e Natal. Podem até me chamarem de chato, mas continuarei batendo na mesma tecla até que um governante tome consciência política e implante um Plano Municipal de Cultura que sirva de base e diretrizes para nortear as atividades do setor e prestigiar os artistas em todas suas linguagens.

Recentemente a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, em parceria com o Sebrae, elaborou o Plano Municipal de Turismo, mas em seu diagnóstico se percebe uma lacuna por não contemplar projetos culturais. A minha pergunta é como falar de turismo sem fortalecer a nossa cultura? Turismo é acima de tudo ter cultura para apresentar ao turista.

O visitante de fora não quer apenas ver a cidade, fazer trilhas, subir morros, se banhar em cachoeiras, mas conhecer também seu patrimônio histórico preservado e participar de eventos, como uma feira literária, um festival de música com premiações, festival de dança, de um salão de artes plásticas, peças teatrais e outras expressões populares da terra.

Para uma cidade do porte de Vitória da Conquista, a terceira maior da Bahia, que já viveu no passado momentos de efervescência cultural, lamentavelmente ainda deixa a desejar por falta de uma política que privilegie o setor, com uma Secretaria desmembrada do esporte e lazer e recursos orçamentários suficientes para atender a demanda.

A Conquista cultural de hoje está com seus equipamentos fechados, como o Teatro Carlos Jheová, a Casa Glauber Rocha e o Cine Madrigal, adquirido no governo Guilherme Menezes por um milhão e cem mil reais, em 2015, hoje sob a gestão da Secretaria da Educação (não dá para entender).

Temos ainda a Praça J.Murilo (Praça Céus), lá no Bairro Alto Maron, um local multiuso para a comunidade, com espaço de teatro, quadras de esporte, parque para crianças, skate, sala de reuniões e outros serviços, mas funciona precariamente. Além do mais, está a necessitar de reformas gerais em suas instalações.

Quanto ao Teatro Carlos Jheová, este está interditado desde a pandemia para reforma e não se tem uma definição se será ampliado ou até mesmo demolido. Há um ano os artistas de artes cênicas fizeram um movimento em defesa da sua abertura, mas continua lá sendo destruído pelo tempo.

O prédio do Cine Madrigal há anos se encontra também fechado. A informação que temos é que existe um projeto em licitação para obras de reformas, de maneira que seja adequado no conceito de acessibilidade com entradas e saídas de segurança em caso de incidentes. A aspiração dos que lidam com a arte e cultura é que ali seja transformado num Cineteatro, mas nada definido.

Outro equipamento parado é a Casa Glauber Rocha, na Rua Dois de Julho, também comprado pela Prefeitura Municipal. Existem muitas propostas para ocupar aquele espaço, como transformar ali num tipo museu do som e imagem, semelhante ao que hoje existe em Salvador, na Cidade Baixa.

Por meio de recursos visuais e sonoros, em cada ponto da Casa Glauber poderia ser contada a história de Conquista desde sua formação, com destaques para os principais personagens do município nas áreas da cultura, social, da política, das artes em geral, da economia e da indústria. O nome permaneceria o mesmo do cineasta conquistense.

Conquista cresce por todos os lados, de leste ao oeste, de norte ao sul e se desenvolve de forma acelerada, mas, infelizmente, estamos atrasados no quesito cultura, sem um plano de ações artísticas para preencher durante todo ano, não somente com São João e Natal.

Não temos nem um centro cultural ou um centro de convenções para realização de seminários, congressos e outros eventos. Como então pretender atrair turistas de fora sem um suporte forte na cultura? É preciso entender que a cultura, também chamada de economia criativa, rende emprego e dinheiro para a cidade e atrai visitantes, mas os governantes não enxergam assim.

Nos últimos anos, os prefeitos só têm pensado em ladrilhar avenidas ricas, calçadões para beneficiar o comércio e nem tem cuidado bem das nossas escolas, dos nossos postos de saúde, dos monumentos e preservação do pouco que ainda resta do nosso patrimônio histórico. Muitas edificações estão ameaçadas de desaparecimento. Vamos lutar pela cultura!

 

O ISOLAMENTO DO NORDESTE

  1. Carlos Albán González – jornalista
  2. O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais irrompeu entre os seguidores fanáticos de Jair Bolsonaro uma onda de insultos contra os nordestinos. O nazifascismo tropical, que usa desrespeitosamente o verde e o amarelo, quer transformar a terra berço do Brasil num imenso campo de concentração. Costurada por um presidente que há quatro anos faz de conta que trabalha, uma cortina de ódio foi erguida nas nossas divisas.“Morte (a bala ou de fome) aos nordestinos”, esbravejam os mais exaltados. Os parâmetros de retaliação criados por mentes poluídas vão desde a venda das nossas praias (a idéia do ministro Paulo Guedes, da Economia, esbarra na Constituição), à morte – seria em câmeras de gás como nos campos de concentração nazistas ? . Houve até quem sugerisse a construção de muros nas divisas dos estados nordestinos (o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump seria consultado).Se uma barbárie desabar sobre a cabeça dos brasileiros no dia 30, o nordestino, no futuro, vai precisar de salvo-conduto para ir a uma cidade do Sul ou Sudeste, ou a Brasília. O capim será nosso alimento, como induz o presidente, mesmo porque, os que passam fome, imaginaram um dia comer carne humana.

    O incitamento à violência, à intolerância religiosa, à xenofobia – que não é de hoje – contra o nordestino revelam que o Brasil pode se tornar o bastião da extrema direita no continente. A cruzada antidemocrática do militar expulso do Exército foi reforçada pela eleição para o Congresso do que há de mais retrógado neste país, em termos de política.

    Antes mesmo da posse os radicais escarrados das urnas já falam em alterar a Constituição para tornar permanente o orçamento secreto, o que significa seqüestrar as verbas da merenda escolar, das pesquisas, das universidades, da cultura e da saúde.

    Além dos assédios moral e sexual, a classe trabalhadora vem sendo vítima de um novo tipo de assédio, o eleitoral. A opressão do empregador bolsonarista tem ocorrido principalmente no meio rural.  Uma produtora de Luís Eduardo Magalhães (um dos dois municípios baianos onde o ex-capitão venceu) divulgou um vídeo pedindo a “demissão sem dó do eleitor de Lula”.

    Servidores da Prefeitura de Salvador reclamam de que estão sendo pressionados para votar em ACM Neto. Esse tipo de coação, que pode ser denunciado ao Ministério Público do Trabalho e aos sindicatos, está enquadrado no artigo 301 do Código Eleitoral, sujeito a pena de quatro anos de reclusão,

    Separatismo

    No Brasil nunca houve uma forte tendência separatista entre regiões, muito menos entre os nordestinos, embora a cantora paraibana Elba Ramalho tenha sugerido oficializar a música “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga, como hino da região. Lá pelas bandas do Sul, o gaúcho, de tempos em tempos, reúne seus vizinhos do Paraná e de Santa Catarina, para reacender o sonho de criação de uma nação que se chamaria Pampas..

    A Espanha, minha segunda pátria, convive há quase um século com os movimentos de independência da Catalunha e do País Basco.  Líder de uma das mais longevas ditaduras (1936-1975) no mundo, Francisco Franco procurou sufocar os opositores, inclusive proibindo que os povos de diferentes etnias que unificaram o país se comunicassem em suas próprias línguas, no caso, o catalão, o basco e o galego.

    O Generalíssimo, como gostava de ser chamado, enfrentou uma guerra civil, que matou 500 mil espanhóis, nos seus três primeiros anos no poder, graças ao apoio que recebeu de outros dois ditadores europeus, Adolf Hitler e Benito Mussolini. Para demonstrar força, Franco pediu ao III Reich que bombardeasse uma das cidades do norte da Espanha.

A pequena Guernica, no País Basco, com apenas 5 mil habitantes, foi atacada em 26 de abril de 1937. A aviação nazista lançou 22 toneladas de bombas, matando 1.645 pessoas. O massacre inspirou o artista andaluz Pablo Picasso a pintar “La Guernica”, a mais famosa tela do século XX, mantida num museu de Nova Iorque até o fim da ditadura franquista.

O sentimento separatista de catalões e bascos não se rompeu com a morte de Franco em 1975 e a conseqüente volta da Espanha ao regime democrático. O ETA, organização nacionalista basca, que evoluiu para o terrorismo, vive hoje na clandestinidade. A Catalunha optou pelo repúdio à monarquia, ao hino, à bandeira e ao idioma espanhóis.

“Matar, em nome de Deus”

Para evitar uma punição após a passagem da faixa presidencial pelos crimes cometidos durante seu mandato, Bolsonaro vai usar de todos os meios, lícitos e ilícitos, para vencer no segundo turno. Neste fim de semana, desagradando seus apoiadores evangélicos,  compareceu ao Círio de Nazaré.

O arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira, divulgou nota informando que Bolsonaro não foi convidado e que não permitiria que o evento da Igreja Católica fosse usado com fins políticos. Contrariado, o “penetra” ficou confinado num navio da Marinha..

Afinal, qual a religião professada pelo genocida? Isso não importa para os líderes evangélicos do Brasil. Leonel Brizola, um dos mais brilhantes políticos brasileiros, ex-governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, perguntou certa vez: “Qual a legitimidade de tantos pastores no governo fluminense? Assumem posição ambígua, se queixam de tudo, fazem denúncias, mas não deixam os cargos que ocupam”. E profetizou: “Se necessário, matarão em nome de Deus, para chegarem ao poder”

“Fundamentalismo evangélico ameaça a democracia”, título do artigo assinado há nove anos pelo Reverendo Carlos Calvani, publicado num jornal de Campo Grande (MS). Membro da Igreja Anglicana no Brasil, Calvani advertiu que os pentecostais “têm um projeto político muito perigoso para o Brasil, utilizando as Escrituras Sagradas como lhes convém”.

Calvani comparou o movimento evangélico carismático com o fanatismo islâmico do talibã, movimento nacionalista e fundamentalista difundido no Paquistão e Afeganistão, países asiáticos onde a mulher é humilhada.

 

 

“ESSE SAPATO É A SUA CARA”!

(Chico Ribeiro Neto) – jornalista

“Parece que foi feito de encomenda. E aproveite logo, porque só tem esse do seu número, é o único par. E essa semana vai ter aumento”.

Atendimento nas lojas tem hora que é fogo! Tem aquele vendedor que gruda logo em você assim que você entra na loja e não lhe deixa à vontade para circular e escolher.

Se o sapato está apertado nos dedos: “É bom assim, porque depois folga, e esse couro elastece bem”.

Se o sapato está folgado: “Melhor assim, porque os dedos ficam soltos e não incomoda”.

Uma amiga de São Paulo me contou que lá o chinês da loja já fica aborrecido quando você pega um segundo produto na hora de escolher. Ele acha que se você pega o primeiro produto tem que pagar logo e ir embora. E o pior é que quando paulista chega aqui diz que é mal atendido.

Mas também tem o comprador chato. Aquela mulher que experimenta mais de dez pares de sapatos e depois vai embora prometendo voltar. “O meu nome é Ivan”, diz o vendedor sem acreditar muito no retorno daquela escolhe-escolhe.

Meu irmão Zé Carlos, de saudosa memória, trabalhou na seção de tecidos da loja Duas Américas, na época a melhor loja da Rua Chile ou talvez de Salvador. Ele contou que às vezes chegava uma mulher, pedia amostras de 12 tipos de tecidos e depois ia embora: “Qualquer coisa eu volto”.

E o atendimento no serviço público? Com exceção do SAC, onde você é sempre bem atendido e em pouco tempo, o resto é brabo. Quem já precisou resolver alguma coisa na Secretaria de Educação sabe o que é padecer. Tem muita secretaria em que logo atrás da recepção está colado um cartaz em letras garrafais: “Artigo 331 do Código Penal Brasileiro: Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: Pena – Detenção de seis meses a dois anos ou multa”.

Tem aquele funcionário que perdeu a voz e só sabe apontar onde fica o próximo atendimento. Tem a funcionária que está limpando as unhas com um palito e que dispara logo: “Estou no meu horário de descanso, a outra moça tá vindo aí”, e retorna ao celular. Acho que uma boa solução seria tudo virar SAC.

Ainda não aprendi a comprar pela Internet. Mas ela também tem os seus chatos. Outro dia consultei preços de máquina de lavar e logo depois choveram ofertas no meu Face.

Enfim, não acredite muito quando o vendedor disser: “Essa camisa é a sua cara”. Um cara de pau.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

 





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