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:: ‘Notícias’

O ÓDIO DESONRA O DIA DA PÁTRIA

Carlos González – jornalista

O brasileiro pergunta o que poderá acontecer no feriado do Dia da Pátria após a explosão de ódio que, provavelmente, abafará o ruído dos tiros de canhão do Forte de Copacabana, sob o olhar de reprovação do Cristo Redentor, do Alto do Corcovado. Os mais antigos recordam as comemorações do Sesquicentenário da Independência, em 1972, quando a Igreja Católica esteve ausente, por se opor à ditadura militar (1964-1985), que atravessava seu período mais repressivo.

Membro de devotada família católica do interior paulista, Jair Bolsonaro (PL) converteu-se em evangélico carismático, com as bênçãos e as imersões nas águas do Rio Jordão, do pastor Everaldo Pereira, dirigente do PSC, preso em 2020 por desvio de recursos da Saúde, no governo fluminense. A conversão faz parte de um projeto do presidente de se manter no cargo – até quando? -, a qualquer custo.

Perguntado na sua posse como arcebispo de Aparecida em 1995, sobre as medidas que tomaria para conter a saída dos fiéis da Igreja Católica, o cardeal Aloísio Lorscheider (1924-2007), um dos 273 religiosos detidos pela ditadura, respondeu que havia um engano naquela informação, “porque os que saíram não foram fiéis e sim os infiéis”

Presidente duas vezes da CNBB e indicado para suceder ao papa João Paulo I, o cardeal Lorscheider, se vivo fosse, chegaria a conclusão que a palavra “infiel”, bastante empregada na Idade Média, para nomear os povos árabes que ocuparam a Terra Santa e a Península Ibérica, cairia perfeitamente no Brasil de hoje entre os que estão se armando, “em nome de Deus”, para submeter a sociedade brasileira a um projeto cultural e religioso, que se assemelha à ideologia talibã.

Num artigo publicado há nove anos num jornal de Campo Grande (MS), o doutor em Teologia, Carlos Calvani, da Igreja Anglicana no Brasil, alertou: “O movimento evangélico é um dos maiores perigos para a sociedade brasileira e o estado laico, por seu potencial fundamentalista, com poucas diferenças do fundamentalismo islâmico”.

O reverendo anglicano previu na ocasião que a tomada de poder no Brasil seria alcançada com a ocupação de cargos no Executivo e Legislativo, a custódia do potencial bélico das Forças Armadas, a abolição do ecumenismo, posse dos meios de comunicação, e persuadindo uma plateia de “analfabetos funcionais”, que compram sementes de feijão para a cura da covid.

Ao concluir seu artigo, dom Calvani avisou: festas populares, como Carnaval, São João e shows musicais, serão proibidas, assim como as romarias e procissões católicas; símbolos de outras religiões serão destruídos; a comunidade LGBTQIAP+ será confinada em campos de concentração; e imposto o uso da burca (traje feminino usado em alguns países islâmicos que cobre o corpo, cabelo e rosto).

Os influenciadores do povo evangélico omitem aos seus seguidores que, em setembro de 2009, participaram no Palácio do Planalto (morada de Satanás até a chegada do seu marido em 2018, afirmou Michelle Bolsonaro do alto de um trio elétrico) do ato de assinatura, pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do decreto-lei 12.025/09, de criação do Dia Nacional da Marcha para Jesus. No final, de mãos dadas, oraram pela saúde da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

As perseguições àqueles que ousam não declarar seu voto a Bolsonaro estão ocorrendo no interior das igrejas evangélicas, como denunciou a deputada presbiteriana Benedita da Silva (PT-RJ), revelando que na última quarta-feira (dia 31) um fiel foi baleado em Goiânia por discordar da fala do pastor, que “levou o palanque eleitoral para o púlpito”. A parlamentar citou vídeos onde pastores tentam convencer os fiéis de que “Jesus é de direita” e quem não ajuda a reeleger o psicótico do Planalto é “endemoniado”.

Bem contra o Mal

Nessa guerra santa do Bem contra o Mal como os partidários do Bem vão se defender de um inimigo que, nos últimos quatro anos, adquiriu 656.042 armas de fogo, legalizadas por atos administrativos endossados pelo presidente da República?

O mais grave é que parte desse arsenal está nas mãos de políticos, traficantes, milicianos, neonazistas, fundamentalistas, e até de pastores evangélicos (pastor da Igreja Presbiteriana, Milton Ribeiro, acusado de corrupção passiva e tráfico de influência como ministro da Educação, no dia 26 de abril último deixou acidentalmente sua pistola disparar no aeroporto de Brasília, ferindo uma funcionária da Gol).

Moradores das grandes cidades do país ouvidos pela “Folha de S. Paulo” manifestaram preocupação com a mudança nos últimos anos do comportamento de vizinhos, que passaram a portar armas de fogo. O assassinato de um petista em Foz do Iguaçu (PR) está vivo na memória de todos.

As pessoas do Bem pensaram em pedir ajuda à Igreja Católica, mas concluíram que padres e bispos reclamam das perseguições políticas. Em julho de 2020, 152 bispos, arcebispos e bispos eméritos divulgaram a “Carta ao Povo de Deus”, qualificando o governo federal de “incapaz e inábil” em enfrentar crises, “como o flagelo de milhares de mortes pela covid-19”. O padre Júlio Lancelotti foi ironizado pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) por distribuir cobertores e sopa aos moradores de rua, em São Paulo..

 

 

 

 

A PAUTA É COLOCAR COMIDA NO PRATO E ELOGIAR OS BARÕES DA ELITE

“SAI DAÍ, CÃO, QUE TE FAÇO BARÃO”.

A LINGUAGEM DA DIREITA E DA ESQUERDA SE CONFUNDEM. ELAS SE ACASALAM QUANDO SE TRATA DO SOCIAL E POUPAM OS AFORTUNADOS BARÕES DO AGRONEGÓCIO, BEM COMO OS EMPRESÁRIOS QUE FIZERAM A REFORMA TRABALHISTA ESCRAVISTA. SÃO OS INTOCÁVEIS. ABRAÇAM OS POBRES PARA SE BANQUETEAR COM OS MAIS RICOS.

Nos tempos do império, principalmente no segundo período, e em épocas de crise, o imperador D. Pedro II agraciou os fazendeiros do café (Vale do Paraíba), os comerciantes em geral e até os traficantes ilegais de escravos africanos com títulos de nobreza de barões, duques, marqueses, condes, viscondes e coronéis em troca de dinheiro, na base do “toma lá, dá cá”, para sustentação no poder, que foi derrubado por eles mesmos.

Dessa enxurrada de condecorações surgiu o ditado “Saí daí, cão, que te faço barão”. Muitos se passaram por “mecenas” das artes; e construíram obras de caridade e hospitais, como as Santas Casas das Misericórdias. Para eles, que praticaram crueldades e enriqueceram com a escravidão (milhares morreram na travessia do Atlântico, cemitério dos cativos), foram erguidas estátuas em suas homenagens.

Os poderosos da oligarquia e da aristocracia atual, sem mais as medalhas de nobres, mas com outros tipos de premiações, continuam sendo os protegidos dos reis a ganhar fortunas transgredindo a ordem e a lei. Parta eles, elogios e promessas de mais recursos baratos. Para o agricultor familiar uns trocados cheios de burocracias.

O “toma lá e dá cá” nunca acabou para as castas de políticos, executivos e judiciário, bem como para os barões da soja, do milho, do gado, do café, do algodão, do comércio e da indústria que recebem polpudos subsídios da União (grana do povo), e ainda exploram a mão de obra do trabalhador através de uma reforma escravista.

As campanhas eleitorais estão de vento em poupa, com a mesma linguagem chata e nojenta invadindo nossos lares com o nosso dinheiro. Todos são alinhados à direita capitalista, mas uma parte se acha sangue puro da esquerda quando a questão é fome, miséria e comida na mesa. Fazem “gracinhas” para as minorias.

No entanto, os dois lados e mais o centro saem pela tangente quando se fala em cortar as benesses dos barões das elites, como por exemplo, os donos do agronegócio e os empresários que construíram essa maldita reforma trabalhista para encherem mais ainda seus bolsos.

Outros temas também como aborto e a descriminalização das drogas são evitados, e cada um tem uma palavra “mágica” mentirosa para resolver o problema do tráfico de armas e ilícitos, os quais geram mais violência e mortes.

A saída deles é sempre de mentalidade militar, no sentido de reforçar o armamento (tanques, fuzis e metralhadoras nas ruas e nas favelas) e o número de efetivos do policiamento, as mesmas medidas direitistas retrógradas arcaicas que há séculos não têm dado resultados, só desastre e matanças. Somente alguns pequenos partidos de esquerda condenam essas políticas.

A esquerda de hoje no Brasil só existe quando se fala do social, das minorias, dos negros e indígenas para enganar e embromar essas classes. A reforma agrária nesse Brasil nunca foi levada a sério e posta em prática porque a elite não deixa. Da última vez que se tentou, os generais e os civis burgueses deram um golpe que virou ditadura com dias de chumbo.

Gritam e berram para dizer que vai acabar com a fome e a miséria, oferecendo mais esmolas, sem, no entanto, apontar um projeto socialista verdadeiro de distribuição das riquezas, que faça esses milhões de brasileiros caminhar com suas próprias pernas, sem depender dessas bolsas e doações eleitoreiras. É a perpetuação da ignorância, da falta de educação, de cultura e do aumento do analfabetismo.

Quanto mais auxílios, sem alternativas econômicas e sociais, mais filas de pobrezas e mais sofrimentos para adquirir a prometida ajuda. Entra ano e sai ano, e o quadro só tende a piorar, com choros e derramamento de lágrimas. Nessa de dar aos pobres sem tirar dos barões, a renda só faz concentrar mais ainda nas mãos dos poderosos, gerando mais desigualdade social, que envergonha a nós e ao mundo.

Esse esquema só faz afundar o Brasil numa crise fiscal sem fim, porque tudo vem do Tesouro que é sustentado pelo povo, e aborta mais inflação e desemprego. A nossa esquerda não passa de um fantasma brasileiro que vive às custas da desgraça da pobreza, da fome e da miséria. É um verdadeiro estupro explícito. O sistema eleitoral vigente não passa de um grande estelionato.

 

 

CASA EM RUÍNAS, UMA AMEAÇA À SAÚDE

Carlos González – jornalista

Várias administrações passaram nos últimos dez anos pela Secretaria de Serviços Públicos da Prefeitura de Vitória da Conquista, mas nenhuma delas se dispôs a apurar a verdadeira situação de uma casa abandonada, no mínimo nesse mesmo período, na Rua Ayrton Senna, nº 49  , uma das transversais da Avenida Rosa Cruz, próximo ao Centro de Convenções Divaldo Franco, bairro Candeias para uns e Alto Maron para outros.

O imóvel, pelo seu aspecto externo – possui até uma chaminé –, não tem condições de ser recuperado, e, segundo os moradores mais antigos, foi um dos primeiros a ser construído naquela rua. Responsáveis por considerável parcela da arrecadação municipal – o IPTU da região é um dos mais altos de Conquista – esperam uma urgente resposta do poder público.

A casa, de muro baixo e o mato bem alto no seu interior, com energia elétrica e água desligadas, serve de habitat para animais peçonhentos (lacraias, cobras, aranhas e escorpiões) e mosquitos transmissores da dengue, zica de chikungunya. O lixo acumulado em sua área externa propicia o surgimento dessas espécies de animais, encontradas com freqüência em moradias próximas.

Ressalte-se que a Secretaria de Saúde do município reconhece a alta incidência de doenças causadas pelo mosquito aedes aegypti e pelos escorpiões, que podem levar até à morte. Campanhas elucidativas têm sido dirigidas à população, principalmente nos bairros da periferia e na zona rural. Portanto, aguarda-se que o “exército” de mata mosquitos saia dos “quartéis” e vá para as ruas.

O secretário de Serviços Públicos, Kairan Rocha,  deve conhecer detalhadamente o Código de Polícia Administrativa (Lei 695/93), cujo primeiro capítulo deixa explícito que cabe à administração pública criar normas de proteção à saúde dos munícipes, competindo aos seus servidores, entre outras atribuições, observar, realizando inspeções periódicas,  a higiene, o aspecto e a segurança das unidades imobiliárias.

O artigo 23 da lei determina que os proprietários de edificações em ruína são obrigados a evitar o acúmulo de lixo, a estagnação de águas e o surgimento de focos de doenças nocivas à saúde. O parágrafo 3º desse mesmo artigo observa que “as construções em ruínas devem ser demolidas ou isoladas do público por meio de muros”.

No anexo referente às penalidades, o Código prevê que o infrator, após ser autuado, terá dez dias para apresentar sua defesa, prazo que poderá ser prorrogado. Se a justificativa do autuado for considerada inconsistente, o processo será encaminhado à Procuradoria Geral do Município, “que adotará as medidas cabíveis”. No caso, demolição da edificação irregular e multa pecuniária.

A Prefeitura Municipal, que tem se mostrado tão eficiente na tarefa de enviar tratores no meio da madrugada para derrubar barracos, rotulados como ilegais, tem “fechado os olhos” quando se trata de casas de luxo, que há mais de uma década agridem o meio ambiente e a saúde de quem paga seus impostos em dia.

 

 

 

 

 

OS LIMITES DO CENSO DO IBGE

Pelo que me lembre, pela primeira vez fui entrevistado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na semana passada na porta da minha casa. Não demorou cinco minutos. Confesso que fiquei decepcionado com o limite da pesquisa que não chegou a dez perguntas, coisas que qualquer órgão do governo ou uma instituição financeira não saiba.

Esse censo já deveria ter sido realizado há dois anos, mas foi prorrogado pelo contingenciamento de verbas desse governo que não dá a mínima importância para a ciência, o conhecimento e o saber. Sempre foi negacionista. Por pressão, a realização do censo foi autorizada com limites de recursos.

Os resultados não vão ser satisfatórios para o que se pretendia extrair, no sentido de estruturação de políticas públicas nas áreas educacional, social e de saúde, principalmente. Aliás, há muitos anos que temos um país sem planejamento. Tudo é feito na base do improviso.

O pesquisador quis saber do meu CPF, da minha cor, quantas pessoas moram na casa (nem indagou se era própria ou não), se aqui faleceu alguém nos últimos anos, se tinha serviço de esgotos e quanto ganhava. Não mais que isso.

Quanto ao nível de escolaridade, fiquei intrigado quando o agente só perguntou se eu e minha mulher sabiam escrever e ler. Ora, como criar um projeto para o setor da educação se o governo não tem nenhuma ideia do percentual de pessoas com grau fundamental, médio e do ensino universitário (graduação, mestrado e doutorado).

Em minha opinião, considerei uma pobreza quanto a apuração de dados no censo, os quais deveriam ser bem mais abrangentes, de modo que as apurações oferecessem mais subsídios sobre o país e os brasileiros que nele habitam.

NADA MUDA NESSE FILME CAPITALISTA

Além de um discurso chato, mentiroso e capitalista, numa mesma linha entre a direita e o centro, já assisti várias vezes esse filme arranhado e velho. Assim foi o debate político que aconteceu ontem (domingo) na TV Bandeirantes. Muitos preferiram ir dormir.

Uma decepção, tendo como painel principal a miséria que assola o país. Todos querem prosseguir com as esmolas, mas ninguém apresenta um projeto para tirar essa gente da fome e fazer caminhar com suas próprias pernas. Até quando vamos continuar convivendo com esse triste quadro de desigualdade social?

Há mais de trinta anos que se faz programas de bolsas, e a situação de necessitados só fez aumentar, com o analfabetismo e a ignorância brutal. Criamos uma multidão de submissos e conformados que sempre estão falando que foi Deus que assim quis.

Todos defendem esse agronegócio dos grãos, que depreda e derruba e queima nossos biomas. Ninguém tem a coragem de dizer que o governo e os bancos oficiais não vão dar mais dinheiro barato para esse pessoal. De falar que, quem quiser que vá buscar recursos nos bancos privados. Que se virem.

Verbas das instituições bancárias públicas, como BNDES, Banco do Nordeste, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal devem ser usadas para fortalecer o médio e o pequeno da agricultura familiar que botam comida em nossas mesas todos os dias.

Os grandes fazendeiros, como nos tempos do império, vão continuar sendo subsidiados para exportar soja, milho e algodão para o exterior, como a China que, em sua maior parte, usa esses produtos para ração animal. Essa classe é intocável porque temem perder votos.

O Brasil vai continuar sendo um eterno exportador de matérias-primas. Manda pra fora um navio de soja e de lá traz uma jangada de aparelhos de celular e umas caixas de remédios. Nossa indústria está sucateada e quase tudo é importado, principalmente matérias da química fina. Como há 500 anos, somos uma província atrasada em relação a outros países.

Se formos olhar bem, os discursos são todos de direita, com o mesmo sentido de arrancar votos da pobreza. Ninguém fala de reativar ou ressuscitar a cultura que foi sepultada, nem mesmo a mídia com suas perguntas enfadonhas.

Muita gente que conheço não suportou as mesmices e caiu na cama. O debate foi um campeonato de mentiras onde a miséria foi a personagem principal, o painel das desgraças que os próprios políticos plantaram e criaram.

O pior de tudo isso é a repetição de erros que aparece nos céus do Brasil. Tudo caminha para uma cópia do que ocorreu em 2018, isto é, vamos cair na mesma burrice, e o Brasil será o maior prejudicado porque mais uma vez o povo vai votar com rancor e depois dizer que não havia opção.

O que será do nosso povo, e como recuperar esse atraso? Cada vez mais o nosso país perde representação lá fora e capacidade de competir com outras nações. Nossa educação é um desastre. Até quando vamos ter que passar o tempo todo administrando a pobreza e a miséria com esse discurso capitalista e oligárquico?

 

O SERTÃO VAI É VIRAR DESERTO

Poetas, cancioneiros e as violas lembram sempre a sentença do profeta Conselheiro de que o sertão vai virar mar. Em minha humilde visão lunática, entendo que o sertão vai é virar deserto, como já estamos vendo em diversas partes do nosso castigado Nordeste através das secas e depredações do ser humano.

Quando bate a forte estiagem, a paisagem já mostra esse cenário desértico onde o sal está comendo a terra, e o sertanejo não tem mais onde plantar. Os rios que enchiam nossos olhos de fartura de peixes com suas corredeiras, estão secando. Os perenes virando temporários, e outros simplesmente desaparecendo por completo.

O sertão vai virar deserto, meu amigo, porque a nossa exuberante caatinga está definhando pelos desmatamentos. Muitas carvoarias transformaram suas árvores em carvão. As cores das flores do nosso sertão não são as mesmas de antigamente quando batiam as águas de verão.

Os governos não pensam em recuperar e preservar nosso bioma, o único do mundo que está localizado em mais de 60% do nosso Nordeste, conhecido também como o semiárido. Só se vê carros-pipas entre as poeiras das estradas quando a água some dos tanques, dos poços e açudes. O pior é que ela é cada vez mais salgada, que nem serve para os bichos. As pessoas viajam léguas com seus burricos transportando água em carotes. Quem não possui o animal, o jeito é lata d´água na cabeça.

Sem essa de sertão vai virar mar. Não passa de uma falsa lenda profética que caiu na cabeça dos poetas, repentistas e cantadores para juntar gente nas feiras e palcos. É só uma força de expressão.

Quando criaram as barragens no leito do São Francisco, o “Velho Chico”, para produzir eletricidade, a profecia se tornou mais viva. Então cantaram, o sertão virou mar. Bastou uma seca forte para as águas baixarem, as margens ficarem estreitas e os areões encolherem o grande rio. O ribeirinho entrou em desespero.

Sem essa de que o sertão vai virar mar. Acabaram com as matas ciliares, os peixes sumiram e nada de revitalização. Os afluentes estão na mesma situação e só fazem retirar, sem repor. É como gastar dinheiro além do limite. Quem viver verá o sertão virar deserto e a viola bater em outro tom bem mais triste e lamentoso, para contar uma história ao contrário.

GUERRA SANTA BRASILEIRA

Carlos González – jornalista

O insurgente abandonou a trincheira, desfez-se da camuflagem, e se declarou contra o estado laico. Uma nova “guerra santa” estava declarada, incentivada por pregações durante serviços litúrgicos, nas redes sociais e até do alto dos trios elétricos. O objetivo é manter o poder político numa nação de maioria católica, mesmo que seja necessário o uso de armas de fogo, que vão poder ser compradas até em supermercados.

Numa época em que há uma preocupação com a fome, o desemprego, a agressão ao meio ambiente e ao surgimento de novas doenças, o governo brasileiro monta um cenário de guerra da Idade Média. São os talibãs da América Latina.

Oficializada a intolerância religiosa, recente reportagem da “Folha” revelou que caiu o silêncio na maioria dos lares brasileiros, onde religião e política são temas proibidos, principalmente durante as refeições.

“Em nome de Deus”, pastores, alguns deles investigados e condenados por atos ilícitos, no Brasil e no exterior, promovem uma lavagem cerebral nos seus seguidores, incutindo-lhes o medo do comunismo, um fantasma que deixou de assombrar com a dissolução da União Soviética, em 1991.

O teatro de guerra vem sendo montado há anos, por meio de atos terroristas, denunciados às delegacias de polícia de cidades de todo o país, inclusive de Vitória da Conquista. Rituais de religiões de raízes africanas continuam sendo interrompidos por práticas violentas, como a invasão dos terreiros, destruição de símbolos sagrados e agressões às filhas e mães de santo.

A repressão não se prende apenas aos afro-brasileiros. A Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Seprom) atendeu em 2021 a 270 casos de intolerância religiosa na Bahia. A de maior repercussão ocorreu na cidade de Itatim, a 214 kms de Salvador, onde um jovem evangélico quebrou imagens e móveis de uma igreja e de uma capela (cenário do premiado filme “Central do Brasil”). O padre José Bento Farias Filho teve que interferir para impedir que a população revoltada linchasse o criminoso.

A tentativa de agressão ao padre Lino Allegri, de 82 anos, indignou os católicos da Paróquia da Paz, em Fortaleza, em julho de 2021. A igreja foi invadida por bolsonaristas, protestando contra o tema do sermão do sacerdote, alusivo ao combate à Covid-19 por parte do governo federal. Padre Lino deixou o local escoltado pela PM.

A Justiça de São Paulo determinou nessa terça-feira (dia 24) que o empresário bolsonarista, membro de um grupo golpista, Luciano Hang, indenize o padre Júlio Lancellotti, vigário da Paróquia de Mooca (SP), em 8 mil reais, por danos morais. O religioso foi chamado de bandido por fornecer sopa e cobertores aos moradores de rua nas madrugadas frias paulistanas.

A sucessão de ataques a templos católicos, com nítida característica de desrespeito à liberdade de religião, remete-nos a dois condenáveis acontecimentos, ocorridos em épocas distintas, que tiveram a cidade de Salvador como palco.

Nas comemorações dos 200 anos da Independência do Brasil, o nome da abadessa Joana Angélica de Jesus (1762-1822) deve ser lembrado como uma das mártires das atrocidades cometidas pelas tropas portuguesas, que invadiam e saqueavam moradias e instituições católicas, a procura de revoltosos brasileiros. No dia 19 de fevereiro de 1822, num ato de extrema bravura, a madre recebeu um golpe de baioneta ao tentar barrar a entrada dos soldados lusos no Convento da Lapa.

A outra profanação ocorreu em 8 de agosto de 1968, no período mais desumano da ditadura militar, com constantes perseguições violentas aos estudantes. Naquele dia, centenas deles que protestavam contra o regime na Praça Castro Alves, se refugiaram no Mosteiro de São Bento, perseguidos por militares. O abade Dom Timóteo Anastácio 1910-1994), que se notabilizou por dar acolhida aos que lhe pediam ajuda, não impediu a invasão, mas propiciou tempo para que os estudantes, orientados pelos beneditinos, saíssem pela porta do fundo do convento.

No intervalo dos dois turnos das eleições presidenciais de 2018, bolsonaristas, gritando palavras de ordem, invadiram uma reunião da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Chamados de comunistas – até o papa Francisco é citado como adepto dessa ultrapassada ideologia -, altos prelados da Igreja assistiram em silêncio a um surto psicótico, que só poderia ser contido com camisa de força, assim como na Idade Média.

 

 

 

A CULTURA E O TURISMO DEVEM SE UNIR PARA BEBER DA MESMA FONTE

Como vender Vitória da Conquista para o turista de outros estados, de modo que ele aqui fique por três ou mais dias rendendo dividendos para a cidade? Só por ser uma cidade do frio? Que tem um bom sistema privado de saúde e gera bons negócios? Pelos biscoitos que produz ou pela gastronomia? Pelas suas festas de São João e Natal? Só com os nomes de Glauber Rocha e Elomar Figueira? Nessa panela não estão faltando mais ingredientes atrativos?

São perguntas que, em minha opinião, o próprio Plano Municipal de Turismo, que ora está sendo construído e concluído, deve fazer. Não está faltando aí um Plano Municipal de Cultura para que unidos os dois possam beber da mesma fonte? Não é somente citar os grandes nomes famosos que divulgam Conquista, mas possuir um arcabouço de eventos culturais fixos que tragam gente de fora, não somente da região. O turista da saúde vem apenas cuidar de seus doentes.

Não sou muito entendido em projetos e planos, e sei que essa tarefa é para consultores e especialistas no assunto. Não é fácil sua elaboração porque carecem de pesquisas e diagnósticos. No entanto, acho que o mais difícil é colocar tudo em prática, se não existirem elementos vivos da cultura para que o turista se sinta motivado a se deslocar do seu estado ou região para visitar Conquista.

Não bastam ter o São João, o Natal, o Festival de Inverno (mostra de shows musicais), se não temos feiras literárias, festivais de música, de teatro, de dança, de audiovisuais, de cinema, como exemplo em Gramado, salões de artes plásticas, todos com premiações. Tudo isso e mais você vai encontrar num Plano Municipal de Cultura que o Conselho está lutando para implantar, de modo a alavancar o Plano de Turismo.

Além de tudo isso, temos que rever e debater a questão da conservação do nosso patrimônio material e imaterial que, na verdade, necessita de conservação e revitalização. Todos sabem que não temos um centro antigo, como em Salvador e outras grandes cidade, porque o nosso de Conquista foi praticamente destruído pela ganância do setor imobiliário.

Na situação atual, no âmbito municipal, infelizmente não temos espaços para apresentações de artes cênicas. O Teatro Carlos Jheová está interditado há uns dois anos. O antigo Cine Madrigal, administrado pela Secretaria de Educação, virou um impasse. A Casa Glauber Rocha, onde deverá ser um local multifacetado, abrigando várias artes (cinemateca), também não sai das discussões. O Museu Padre Palmeira, o Monumento do Cristo, a Praça J. Murilo (Praça Céus, no Alto Maron) precisam ser reformados, reequipados e urbanizados. Os terreiros de candomblé são outros patrimônios importantes de vitalização turísticas. Como fazer com que eles sejam pontos visitados?

No campo do imaterial, Conquista precisa fortalecer nosso folclore (Ternos de Reis), não somente em final de ano, e outras festas populares que estão aí soltas na zona rural e nas periferias, sem o devido e merecido apoio do poder público, segundo comentam por falta de verbas. Tem a capoeira que deveria ter o seu lugar de apresentação pública, sem falar nos vários tipos de samba.

São essas peças essenciais que deverão estar inseridas no Plano Municipal de Cultura e que vão funcionar como engrenagem para o desenvolvimento do turismo. Como atrativos elas devem ser vendidas em propagadas institucionais e em campanhas lá fora através de feiras, panfletos, publicidades e matérias jornalísticas nas mídias, e até no “boca a boca”. Vamos sair dessa teoria e partir para a realidade,  mas tudo isso precisa de uma decisão política, colocando a cultura como uma das prioridades.

Não adianta pegar o dinheiro do contribuinte, elaborar um projeto caro e depois deixar numa vitrine. Ele precisa ser incluído na Lei Orçamentária do Município, para que funcione e gere emprego e renda, bem como fator de desenvolvimento para a cidade, inclusive na redução das desigualdades sociais. Não estou dizendo que vai ser mais um programa engavetado, mas um alerta para que a proposta de lei seja posta em prática, inclusive pelas outras administrações.

 

GRUPO GESTOR DA PRAÇA CÉUS SERÁ ELEITO PRÓXIMO DIA 30

A Praça J. Murilo, mais conhecida como Praça Céus, que vem atravessando uma série de dificuldades desde 2020, ocasião da pandemia da Covid-19, terá seu grupo gestor tripartite eleito no próximo dia 30, às 18 horas, conforme edital de inscrições publicado pela Secretaria de Cultural, Turismo, Esporte e Lazer-Sectel.

De acordo com informações da Secretaria, serão eleitos quatro membros de cada eixo com representantes do governo municipal, da sociedade civil, inclusive do Conselho Municipal de Cultura e da comunidade, que vão ter o poder deliberativo do equipamento por dois anos, de setembro de 2022 a setembro de 2024.

De acordo com Gabriela Pereira de Souza, umas das candidatas inscritas que já fez parte do grupo entre 2018 e 2020, a participação da comunidade (A Praça está localizada no Bairro Alto Maron) é de suma importância para que o espaço volte a funcionar a contento, tendo em vista as suas necessidades urgentes de reformas.

Quanto a esta questão, a Sectel informou que a utilização de recursos para os serviços de reparos nos itens de iluminação, pintura e reposição geral em suas instalações só será possível após a eleições. Sabe-se até que existe uma emenda parlamentar destinada a estas obras de reforma.

Uma das principais reivindicações da comunidade e do antigo grupo gestor é a reabertura do seu cine teatro que se encontra fechado há dois anos, incluindo pinturas e iluminação que se encontram em estado precário.

A expectativa é que as coisas melhorem a partir da eleição do grupo gestor. Todos esses problemas foram discutidos durante reunião realizada pelo Conselho Municipal de Cultura a pedido de representantes da comunidade e da sociedade civil.

A Praça Céus, hoje denominada de J. Murilo, em homenagem ao artista plástico conquistense, construída com recursos federais, foi inaugurada em 2015 no governo do prefeito Guilherme Menezes.

O espaço foi concebido para funcionar atividades socioculturais, recreativas, esportivas, de lazer, qualificação de pessoal, acolhimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social e econômica, teatro, aulas de capoeira e outras ações, muitas das quais interrompidas a partir de 2020 com a pandemia da Covid-19.

O equipamento conta ainda com quadra poliesportiva, pista de skate, biblioteca, parque infantil, sala multiuso e outras instalações. Por falta de condições estruturais, algumas atividades culturais, como de teatro, por exemplo, estão fazendo suas reuniões no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima que pertence ao estado.

COMEÇOU A CORRIDA DO OURO OU A TEMPORADA DO CAÇADOR E DA CAÇA

“Falar é uma necessidade, escutar é uma arte” – Van Wolfgang Goethe

Eles já vinham fazendo seus aquecimentos e investidas fora da época, burlando as anacrônicas leis eleitorais, cujo Tribunal faz de conta que segue à risca, mas agora começou para valer a corrida do ouro, ou melhor do poder, que vale mais que o metal.  Os concorrentes e as bandeiras nas ruas são praticamente os mesmos. Pouca coisa muda.

É o tempo do caçador atrás da caça, que sempre é uma presa fácil, sem falar que nunca escasseia. Tem umas mais difíceis de entrar na arapuca ou serem abatidas, mas a maioria é só moleza. Sentem o cheiro da ração e comem na mão do caçador. O papo, ou a prosa ruim e chata, não modifica. Os chavões de tudo pelo povo, pela igualdade e justiça social se repetem.

Nessa temporada, que agora é de dois em dois anos, as caças ficam todas no cio e até brigam e se matam em defesa de seus caçadores. É muito masoquismo. O incrível é que elas gostam mesmo de sofrer. Nesse período de dois ou três meses, haja xingamentos, ódios e intolerâncias, sem contar as mentiras e as notícias falsas, agora sofisticamente chamadas de fake news.

Tem aquelas caças que ficam meio cabreiras, distantes, desconfiada e se camuflam nas folhas. Outras que são camaleões, e muitas ainda que, para se entregarem, ficam de olho até o final da corrida para conferir mesmo quem vai ser o caçador vencedor. Aliás, tem todo tipo de caça que você quiser para escolher, numa variedade imensa de espécies.

As regras de caçada são as mais sujas possíveis e sempre levam vantagem os caçadores mais velhos no jogo por serem astutos e possuírem mais armas. É, por assim dizer, uma corrida desigual, como aquela do oeste norte-americano. Tem que ser bom atirador e rápido no gatilho para cativar e até comprar a caça.

Fiz uma letra, musicada por Papalo Monteiro, intitulada “Ciladas da Lua Cheia” que se refere às eleições, denominando esses caçadores de hienas, ratos, lobos, raposas e outros bichos predadores. Quem quiser ouvir pode abrir a música que está postada em meu blog www.aestrada.com.br.  Lá, você tira sua própria conclusão.

Eu também sou a caça, mas acredite, estou cheio desses caçadores, desse sistema de normas que regem essa corrida e desses animais selvagens cheios de tramoias e mutretas. Não entro nessa bobeira de ser enganado com falsas promessas, não que seja tão esperto e mais sábio que os outros, mas pelo tempo nessa posição de ser caçado. O tempo me ensinou a não confiar.

O pior de tudo é que logo eles vão invadir seus lares com aquela mesma lorota e efeitos de imagens para impressionar a caça. Jogam luzes no palco; fazem malabarismos; e soltam até palavrões contra seus adversários.  Muitas caças imbecis e ignorantes, que não são poucas por esse Brasil a fora, entram na onda, e umas até ficam inimigas das outras. Existem até separações.

Depois da corrida ou da caçada, os caçadores desaparecem e vão banquetear suas presas em mesas fartas e suculentas. Muitos até se disfarçam para não serem reconhecidos. Tem aqueles, que não contentes com as benesses que recebem, passam a roubar por aí. Outros passam o tempo se preparando para a próxima caçada.

As caças, coitadas, a maioria delas volta para sua locas miseráveis e comem o pão que o diabo amassou. Não aprendem a lição, mesmo porque também a elas são negadas. Umas ficam por aí zanzando desempregadas e vivendo de esmolas. Inventam umas tais de bolsas disso e daquilo, mas não dão uma saída, de modo que a caça sempre continue sendo caça. Caso contrário, a espécie pode ser extinta.

 





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