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CÂMARA REABRE TRABALHOS PROMETENDO NOVO PLANO DIRETOR
Com a presença da prefeita Sheila Lemos, a Câmara Municipal de Vereadores de Vitória da Conquista, composta de 21 membros, reabriu ontem, dia 03/08, os trabalhos do segundo semestre de 2022, depois do recesso parlamentar, prometendo aprovar um novo Plano Diretor para a cidade, o qual vem sendo discutido desde o início do ano.
O presidente da Casa, Luis Carlos Dudé, abriu as atividades da sessão ordinária dando a palavra à prefeita que da tribuna defendeu a harmonia entre os poderes legislativo e executivo em prol dos projetos para Conquista. Na ocasião, ela reconheceu que são grandes e legítimas as demandas da população, mas que existe um orçamento que não é suficiente para atender todas as reivindicações.
No momento, os setores mais carentes de Vitória da Conquista, com uma população de mais de 400 mil habitantes, são os da saúde e da infraestrutura, especialmente a partir de comunidades de bairros que solicitam o asfaltamento de ruas esburacadas e até sem o serviço de drenagem.
Com relação à saúde, as críticas partem dos usuários dos postos onde ainda persiste a falta de profissionais, como médicos, técnicos e enfermeiros. A marcação de exames é outro problema sério, pois existem pacientes com mais de seis meses e até um ano na espera da fila para ser atendido em sua solicitação.
Na área da educação, a prefeita vem também enfrentando manifestações dos servidores e professores que requerem reajustes salariais e promoções de cargos nas carreiras em que atuam. Conquista hoje é uma das cidades que mais cresceu no Norte e Nordeste nos últimos anos e, com esse desenvolvimento, também vieram juntas as necessidades em diversos segmentos da população.
Na abertura das atividades, o presidente da Câmara ressaltou a importância dos poderes trabalharem juntos no sentido de dar continuidade a esse desenvolvimento, bem como pontuar as prioridades. A aprovação de um novo Plano Diretor, tão cobrado pela sociedade, servirá de diretrizes básicas para a implementação das políticas públicas.
Além da prefeita e de dezessete vereadores, se fez também presente ao ato o secretário de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Eugênio Avelino (Xangai). Nesse campo, uma das discussões que vem sendo travada pelos artistas e intelectuais é quanto a criação do Plano Municipal de Cultura, bem como, que a Secretaria de Cultura seja desmembrada do Turismo, Esporte e Lazer, com um orçamento próprio.
QUERIA SÓ ENTENDER ESSA LOUCURA DE CONSIGNADO PARA QUEM TEM AUXÍLIO!
Existem coisas no Brasil que só acontecem mesmo no Brasil, e não em nenhum outro lugar do planeta. Essa do capitão-presidente, com anuência desse Congresso Nacional nojento aumentar o auxílio de 400 reais para 600 em período eleitoral, com mais o absurdo do executivo autorizar empréstimo consignado para quem recebe essa grana eleitoreira, é mais uma de estarrecer e deixar qualquer ser pensante com a cabeça baratinada.
Como se dizia no programa humorístico “Planeta dos Macacos”, só queria mesmo entender! Não é para entender, meu caro! Tudo que sai desse governo aloprado, que já transgrediu todas as leis, inclusive da gravidade e de que a terra não é redonda, se tornou normal. Não constitui mais nenhuma surpresa! Você aí pode me explicar alguma coisa, pois sou um burro de baixo QI que já passou fome na vida e dormiu na rua.
Os ditos agressivos, palavrões, expressões homofóbicas, racistas, misóginas, xingamentos a jornalistas, desprezo pelos índios e meio ambiente, ataques contra a democracia e completa falta de postura, se tornaram marca registrada de um governo. São ações negativas que vão ficar como inéditas na história brasileira. Quem se importa com tudo isso? São palavras levadas ao vento!
Às vezes dou uma escorregada e lá vou eu entrando em outras questões. É porque o recheio do bolo indigesto é muito grande, mas o assunto principal é o empréstimo consignado para quem está recebendo o auxílio. Como é que o propósito desse programa de 600 reais, que visa especificamente a compra de alimentos para matar a fome de mais de 30 milhões, pode ser desviado e retalhado para aquisição de outros produtos que não sejam de primeira necessidade? Qual a prioridade entre a comida e um celular?
É até hilário, para não dizer ridículo! O governo dá 600 reais e aí você pode tomar um empréstimo, baseado nesse auxílio, para, em prestações com juros a perder de vista, descontar todo mês cerca de 200 ou mais, a depender do montante contratado. No final das contas, o indivíduo só vai ter os 400 de antes, ou menos que isso, que já não são suficientes para adquirir todos alimentos. O restante retorna novamente para os bancos oficiais.
Existe alguma coerência nisso? Coisa de louco! Além do endividamento dessas pessoas a curto e a longo prazo, a fome vai aumentar mais ainda. A maioria dessa gente, vamos ser realistas e verdadeiros, é desprovida de formação educacional e é facilmente levada pela empolgação do consumismo, estimulado pelo comércio e a mídia, que distorce seu papel de informar. As “matérias” no âmbito lojista viraram propaganda publicitária para as pessoas consumirem mais, sobretudo em datas comemorativas. É um tal de já comprou seu presente?
Essa massa coitada é fácil de ser manipulada. Deslumbrada por itens do consumo supérfluo, vai tomar empréstimo consignado, gastar o dinheiro que vai fazer falta na hora de ir à feira ou a um supermercado. O auxílio não é para matar a fome dos milhões que estão aí nas filas das peles de frangos e ossos bovinos? Você é uma besta mesmo, inocente! A intenção é deixar terra arrasada.
O esquema é especialmente comprar o voto do miserável que já vive na sarjeta da vida. Povo gado! Povo ferrado no estouro da boiada! Governo não é para atuar dentro da lógica. É para confundir, polarizar, dividir e criar clima de ódio e intolerância. Governo é para comer o fígado dos ignorantes e triturar as massas numa máquina de moer pedra. Governo tem raiva e pavor dessa tal de consciência política. É para transformar o errado no certo, o anormal no normal.
Quando esse pessoal estiver endividado pela carestia dos produtos, quem vai pagar a conta social? Tudo é incerto. Tudo é confuso quando não existem planejamentos e políticas públicas para tirar essa miséria do buraco sem fim. Qual vai ser o futuro desse país quando terminarem as eleições? Ficar no mesmo? Voltar ao passado, ou seguir em frente com novas ideias para juntar os cacos e tentar limpar toda essa sujeira jogada debaixo do tapete?
OFENSAS AOS “MULATINHOS ROSADOS”
Carlos Albán González – jornalista
Numa das suas últimas falas impregnadas de ódio, dirigida aos seus fanáticos seguidores, no cercadinho do Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro garantiu que sua vitória nas urnas em outubro “é tão certa como o Flamengo ganhar do Bangu”. Sua declaração foi contestada pela maioria dos 250 mil habitantes de Bangu, um dos bairros mais pobres e populosos do Rio de Janeiro, que abraçam o clube alvirrubro como um valioso patrimônio.
Os moradores do bairro proletário mandaram dizer ao ex-capitão que o mais provável é uma vitória do Bangu, o que vem ocorrendo em jogos decisivos ao longo de mais de 100 anos. Entre 1904 e 2022, o clube da Zona Oeste obteve 344 vitórias contra o Flamengo.
Uma delas, lembram os mais velhos, ocorreu na final do Campeonato Carioca de 1966, vencida pelo Bangu por 3 a 0, placar que poderia ser ampliado, caso o atacante do Flamengo, o possesso Almir Pernambuquinho (assassinado aos 35 anos numa briga de bar, no Rio) não iniciasse uma briga, no começo do segundo tempo, movendo o árbitro a expulsar cinco jogadores do rubro-negro, e encerrando a partida.
Os números não mentem, rebatem os banguenses, aconselhando ao psicopata do Planalto a fazer comparações com o Íbis, de Pernambuco, ou o Atlético Mogi, de São Paulo, que carregam o título de “piores times do mundo”, com uma média de 55 jogos sem vencer.
O negacionista do Planalto, provavelmente. não conhece a história de um dos mais tradicionais e antigos clubes brasileiros. Fundado oficialmente em 17 de abril de 1904, com o nome de Bangu Athletic Club, adotou o vermelho e o branco, as cores de São Jorge, padroeiro do Reino Unido. Seus fundadores foram industriais britânicos, que, junto com o maquinário da Fábrica de Tecidos Bangu, trouxeram bolas de futebol.
Com 103 participações em campeonatos cariocas – o primeiro título foi conquistado em 1933 -, o Bangu, desde a formação do seu primeiro time, provocou a revolta de uma numerosa parcela preconceituosa da sociedade da antiga capital da República, o bolsonarismo de hoje, ao reunir negros e operários.
Pressionado pelo racismo, enraizado nas “viúvas” do escravagismo, doutrina que até hoje tem seus seguidores, os “Mulatinhos Rosados” (singelo apelido dado pelos seus torcedores) se afastaram em 2007 das competições futebolísticas, retornando dez anos depois para sua casa, construída nesse período e recebendo a denominação de Estádio Proletário Guilherme da Silveira, mais conhecido como Moça Bonita, com capacidade para 15 mil pessoas.
O reconhecimento ao primeiro passo para popularizar o futebol no Brasil só ocorreu em 21 de abril de 2001, por iniciativa da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, aprovando, por unanimidade, através da Resolução 788/2001, a concessão ao clube alvirrubro da Medalha Tiradentes, a mais alta condecoração do governo fluminense. Justificou-se a homenagem, “pelo destemor e pioneirismo na luta para superar preconceitos discriminatórios contra atletas, e pelos relevantes serviços prestados pela agremiação à causa pública”.
O Bangu derrubou outra barreira discriminatória, o machismo no futebol, elegendo em 2003 para o cargo de presidente a associada e conselheira Rita de Cássia Trindade.
A melhor fase do Bangu deu-se entre os anos 60 e 80, Apadrinhado pelo “banqueiro” do jogo do bicho Castor de Andrade, o clube fez excursões pela Europa, Estados Unidos e América do Sul, ganhando 13 dos 44 troféus de sua galeria; participou de uma edição da Taça Libertadores da América; venceu o Campeonato Carioca de 66; seus jogadores foram convocados 96 vezes para a Seleção Brasileira. Nas matas brasileiras inexiste o castor, mas o simpático roedor está desenhado como mascote no uniforme do Bangu.
Alguns dos nomes mais consagrados do futebol brasileiro vestiram a camisa alvirrubra, começando por Zizinho (melhor jogador da Copa de 50), Zózimo, Paulo Borges, Gilmar, Domingos e Ademir da Guia, Arturzinho, Mauro Galvão, Aladim e Moacir Bueno. Entre os treinadores deixaram seus conhecimentos em Moça Bonita: Aimoré Moreira, Yustrich, Flávio Costa, Evaristo de Macedo, Didi, Martim Francisco, Carpeggiani e Zagallo.
BELO CAMPO REALIZA SUA PRIMEIRA FEIRA LITERÁRIA COM MUITAS ATRAÇÕES
Com uma homenagem à escritora brasileira Carolina Maria de Jesus, conhecida internacional com 14 obras traduzidas no exterior, e estandes dos baianos Jorge Amado e poeta Castro Alves, do paraibano-pernambucano Ariano Suassuna, Ziraldo e a Turma da Mônica, de Maurício de Souza, a cidade de Belo Campo, através da sua Secretaria de Educação, deu seu primeiro passo e realizou, na Praça da Prefeitura, de 27 a 31 de julho, a I Feira Literária e Gastronômica (I FLIBELÔ).
Carolina ganhou um espaço especial no centro da praça, em formato de um casebre, muito procurado, com textos sobre sua biografia, materiais que representaram seus trabalhos como favelada, catadora de lixo e fatos da sua vida simples e pobre. Foi uma significativa e acertada homenagem para uma negra escritora que ganhou o mundo pela sua autenticidade, notoriedade e forma como narrou nua e crua a questão social do nosso país.
LITERATURA INFANTIL
O evento deu um destaque especial para a literatura infantil, mas também foi marcada pela diversidade de outros autores destinados aos mais jovens e adultos, como amostra da livraria Sebo (Conquista), lançamento de livros de acadêmicos da Academia Conquistense de Letras, dos jornalistas e escritores Ismael e Jeremias Macário que apresentou suas obras “Uma Conquista Cassada”, “A Imprensa e o Coronelismo” e “Andanças”, dentre outros da própria terra, como Roberto Letiere sobre a história do município.
Durante todos os dias, a movimentação foi intensa dos moradores e de outras cidades vizinhas que tiveram a oportunidade de entrar em contato mais próximo com a cultura e o conhecimento, principalmente através das apresentações de shows musicais e peças teatrais das escolas municipal e estadual de autores infantis. Ocorreram rodas de contações de causos, estórias, declamações de poemas e diversas atividades literárias.
Além dos estandes literários com obras dos escritores, a I Feira Literária também abriu espaço para o artesanato da Associação de Artesãos de Belo Campo e individuais de outras cidades, inclusive de Vitória da Conquista, com Vandilza Gonçalves que expos seus trabalhos de tapetes e cachecóis de croché.
Os estandes de Jorge Amado, Ziraldo, Turma da Mônica, Ariano e Castro Alves foram os mais frequentados, especialmente pelas crianças e jovens, sempre curiosos para aprender mais sobre a vida e a obra dos escritores. O Colégio Estadual Carlos Santana fez uma pequena mostra de peças antigas utilizadas pelos traficantes de escravos e senhores donos dos cativos, como as correntes de ferro, chibatas e pequenas naus negreiras, com especial atenção para Castro Alves, o poeta dos escravos.
Nesse âmbito da escravatura, houve uma lacuna quanto a presença de Luiz Gama, Lima Barreto, José do Patrocínio, Joaquim Nabuco e outros que estiveram à frente na defesa da libertação dos negros e precursores do abolicionismo. Machado de Assis, também um escritor negro, merecia seu espaço. Ariano Suassuna chamou a atenção por seus escritos dramaturgos, como o Auto da Compadecida, O cantinho dos cordéis também teve seu lugar de apreciação.
Os coordenadores, como Janet e Misael Lacerda, sempre foram prestativos no apoio aos visitantes, sobretudo os de foram que lá estiveram para agregar e fortalecer o evento cultural literário, que vem sendo ultimamente realizado em várias cidades do interior, menos Vitória da Conquista que ainda está planejando uma programação dessa natureza, conforme já foi anunciada pela prefeita Sheila Lemos.
Como foi a I FLIGBELÔ, ainda houve algumas falhas em termos de estrutura física, que deverá ser aprimorada nas seguintes, mas o primeiro passo já foi muito importante para a cidade próxima de Conquista. Faltou, por exemplo, mais presença de escritores da região, e uma rodada de conversa com esse pessoal para mostrar seus talentos, iniciação à escrita, dificuldade de publicação e distribuição, dentre outras experiências vividas para lançar seus livros. É uma sugestão que fica para ser apreciada e colocada em prática na II FLIBELÔ.
O MAIOR ENGAVETADOR DOS CRIMES E DA CORRUPÇÃO CONTRA NOSSO PAÍS
Era uma vez… Não, esse negócio de era uma vez é coisa de estória de carochinha e de fada para criança dormir. Na verdade, temos no Brasil uma nação alienada de joelhos, que atenta contra a liberdade e a democracia. Temos o maior engavetador de processos criminosos praticados pelo capitão-presidente, o Catilina e seus seguidores corruptos que tramam um golpe de Estado.
Quando falo de engavetador estou me referindo à PGR – Procuradoria Geral da República, comandada pelo senhor promotor Augusto Aras, a vergonha da Bahia a serviço das loucuras de um presidente, e não do nosso país. Sua gaveta já não deve nem mais fechar de tanto papel manchado de sangue e sujo pelas mãos dos conspiradores dos nossos sonhos e ideais. O que ele vai fazer com todo esse entulho?
Por muito menos, os ex-presidentes Collor de Mello e Dilma sofreram impeachment porque o cancro do Congresso Nacional não foi totalmente banqueteado e satisfeito com todas as benesses escandalosas que pretendia. Com esse legislativo, cerca de 200 pedidos de cassação foram engavetados pelo presidente da Câmara, Fernando Lira, abrindo espaço para um golpe. Dentre tantos outros, temos mais um título de país dos engavetamentos.
Quem são os verdadeiros culpados por estar em andamento esta marcha do golpe, dizendo que as eleições, antes de acontecerem, são uma fraude? Por que não foi logo cortada a cabeça do monstro? Agora já é tarde porque ele está mais faminto, na companhia maior de outras espécies bizarras da natureza. O combate está se tornando cada vez mais difícil, e requer ações mais estratégicas para exterminar esse exército de exterminadores.
Não são simplesmente cartas com três, cinco ou dez mil assinantes que vão conter a fúria golpista que, se ocorrer, a história vai apontar os culpados que ficaram em seus gabinetes de ar condicionando nos blablabás das conversas floreadas e recheadas de neologismos, sem convocar o povo para as ruas, antes que o mal pior aconteça. Depois, é só chorar pelo leite derramado. Vacilo e comodismo são nomes mais corretos. O pior é o silêncio dos bons.
Não basta a defesa de princípios morais e democráticos, porque ele também fala em democracia no seu sentido de intervenção militar para golpear o pleito. Além dos milhares de abaixo-assinados, são necessárias reuniões, palestras e comícios nas ruas e praças para combater o AntiCristo que fala em família e pátria, enquanto nos envergonha lá fora no exterior; pratica o racismo e a homofobia; e nega a vida como fez durante os dois anos mais agudos da pandemia da Covid-19.
Os engavetadores da Procuradoria Geral da República, do Supremo Tribunal Federal e outros braços do judiciário enterraram com cimento e passaram uma pá de cal na Operação Lava-Jato, liberando geral para que todos voltassem ao poder, que sempre foi colocado acima de uma sociedade mais justa e igualitária.
O chefe da PGR, com seus desvios de funções, preferiu servir ao seu presidente aloprado do que à própria República, para a qual foi indicado. Jogou seu diploma no lixo para se aliar aos malfeitores e salteadores da pátria. Não vai tardar, e a história vai registrar sua lambança de baiano que manchou o nome do grande jurista Ruy Barbosa. Aliás, a essa altura ele deve estar se revirando no túmulo.
Podemos pagar muito caro por que nós brasileiros nos portamos como indiferentes, comodistas e individualistas, só se preocupando com seu próprio umbigo. Não passamos do bate-panelas nos apartamentos, e não saímos do nosso conforto para cobrar e exigir respeito ao nosso país.
O nosso egoísmo é tão enorme que nem pensamos nas nossas novas gerações que podem sofrer mais ainda as drásticas consequências que virão por aí. Tudo isso me faz lembrar a canção do grande cantor e compositor Geraldo Vandré quando disse “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”
PROFESSOR ITAMAR AGUIAR VAI RECEBER TÍTULO DA LIBERDADE JOÃO MANGABEIRA
Na campanha para reitor da Uesb
O caráter, os princípios de justiça, a seriedade no que faz, a força de vontade e persistência no trabalho, conhecimento e saber são atributos e virtudes que valem mais que qualquer dinheiro ou bens materiais na vida. Assim é o professor Itamar Pereira Aguiar, que no próximo dia 25 de agosto, às 15 horas, no plenário do Palácio Deputado Luiz Eduardo Magalhães receberá o título de Cidadão Benemérito da Liberdade e da Justiça Social João Mangabeira, concedido pela Assembleia Legislativa da Bahia.
Com quarenta anos como professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, doutor com teses no campo da filosofia e das ciências sociais (religiões afro-brasileiras em Vitória da Conquista), artigos publicados em várias revistas, jornais, livros e cargos públicos, como secretário de Desenvolvimento Social da Prefeitura Municipal de Conquista, a homenagem proposta pelo deputado Jean Fabrício Falcão é merecida a esta personalidade ponderada que trilhou seu caminho de luta e tanto tem feito ao longo de sua vida no sentido de construir um ser humano melhor. Tenho o privilégio de ser um dos testemunhos dessas suas qualidades há 30 anos de convívio.
Antes de ser aprovada pela Assembleia Legislativa, a proposta encaminhada pelo deputado, em 26 de agosto de 2019, passou por um longo processo de tramitação, a começar pela Comissão de Constituição e Justiça – Comissão Diretora, Departamentos de Atos e Ofícios, Controle do Processo Legislativo, Secretaria Geral das Comissões até receber seu parecer favorável pela plenária da Casa. É uma comenda que honra também a cidade de Vitória da Conquista e por onde o professor passou disseminando suas ideias e prestando seus serviços intelectuais. Na foto com dona Dió na Lavagem do Beco
SUA TRAJETÓRIA DE VIDA
O professor Itamar tem uma longa trajetória de vida, a começar por Iraquara-Ba (nascido no Poço de Manoel Felix), na Chapada Diamantina, onde cursou os três primeiros anos da antiga escola primária. De família simples, sem muitos recursos, nasceu em 25/07/1950, filho de Antônio Braga Aguiar e Alda Pereira de Aguiar.
Em 1963, foi estudar o quarto ano primário no Mosteiro de Jequitibá, localizado no município de Mundo Novo-Ba, uma instituição educacional, internato somente para alunos do sexo masculino, na escola de 1ª a 5ª série, com três turnos de atividades pedagógicas.
Em março1964 prosseguiu seus estudos em Lenções no Colégio Municipal Afrânio Peixoto, onde concluiu a 5ª série “do primário”, seguida de admissão ao ginásio, cursando logo depois a Escola Normal. Ainda jovem e sem muita experiência como gestor, enfrentou seu primeiro desafio da vida no período de 1974 a 1979, quando dirigiu o hoje Colégio Municipal de Lençóis (ginásio e Escola Normal), ao mesmo tempo que fazia a graduação em Filosofia na Universidade Federal da Bahia. No ano seguinte dirigiu o Colégio Municipal de Iraquara, em Iraquara – BA.
Na campanha política, em Iraquara, com Waldir Pires a governador da Bahia
Ainda no final de 1970 e início dos anos 1980 atuou como auxiliar de pesquisa do Dr. Ronaldo de Salles Senna, estudando os “Jarês” na Chapada Diamantina. Em março de1983, ingressou como professor na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-UESB, na categoria de auxiliar, onde permanece até os dias atuais já na categoria especializada em metodologia do ensino superior (PUC Minas Gerais, 1986).
MESTRADO E DOUTORADOS
Itamar Aguiar fez mestrado em Ciências Sociais (PUC, São Paulo 1999), defendendo a dissertação intitulada “As Religiões Afro-brasileiras em Vitória da Conquista: Caminhos da diversidade”. Foi candidato a reitor da Uesb; participou de encontro com Gilberto Gil quando ministro da Cultura; militou na campanha política de Waldir Pires para governador da Bahia (discurso na cidade de Iraquara); esteve com o educador Paulo Freire nos anos 80 em Conquista; e com o autor José Wilker nos anos 70 durante as filmagens de Diamante Bruto, de Orlando Senna.
Com o educador Paulo Freire
O professor Itamar nunca parou de estudar e pesquisar enquanto escreve e ensina. Entre uma labuta e outra, fez o doutorado em Ciências Sociais, com ênfase em Antropologia, (PUC, São Paulo, 2007), defendendo a tese “Do Púlpito ao Baquiço: religião e laços familiares na trama da ocupação do Sertão da Ressaca”.
Não contente com o que já possuía de conhecimento na área do saber, partiu na busca do Pós-Doutorado em Ciências Sociais pela UNESP, “Campus de Marília-SP, em 2014), apresentando o trabalho intitulado: “As Mudanças no Campo Religioso em Vitória da Conquista, entre 1999 a 2012”. Portanto, pela sua dedicação e coragem, não restam dúvidas que o professor é uma autoridade nesse setor da religião e da filosofia, suas origens e efeitos no ser humano.
LIVROS E ARTIGOS
Mesmo com seu tempo de serviços, o professor não se aposentou e, além das dissertações, tese de doutorado e do texto para o pós-doutorado, produziu e ainda produz vários artigos, individualmente e coletivamente, publicados em revistas e periódicos no Brasil, bem como em alguns países, a exemplo de Portugal, Cuba e Venezuela.
Como se não bastasse sua trajetória de estudos e pesquisas, Itamar publicou vários livros em parceria com autores amigos e colegas, sendo os mais conhecidos “Os Sertões da Bahia, Formação Social, Desenvolvimento Econômico, Evolução Política e Diversidade Cultural”, organizado por Erivaldo Fagundes Neves, em 2011; “Remanso-Uma Comunidade Mágico Religiosa: O fantástico”, apoiado em uma mundividência afrodescendente, aspectos das ambiências sociais, geográficas e históricas, cujos autores são Ronaldo de Salles Senna e Itamar Pereira de Aguiar. A obra foi lançada em 2016.
Com artigo acadêmico, o professor Itamar participou do livro “Intelectuais das Áfricas, tendo como organizadores, Silvio de Almeida Carvalho Filho e Washington Santos Nascimento. Esse trabalho de expressivo alcance entre professores, estudantes e interessados no tema, foi publicado em 2018.
Atualmente, Itamar é professor Pleno da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, lotado no departamento de Filosofia e Ciências Humanas – DFCH, vinculado ao mestrado em Relações Étnicas e Contemporaneidade (PPGREC-UESB). Lide do grupo de pesquisa “Religião, Cultura e Sociedade”.
RETOMADA DO SARAU A ESTRADA FOI UM SUCESSO EM NOITE INSPIRADA
Com o tema “Escravidão” na abertura dos trabalhos, comentado pelo professor Itamar Aguiar e o jornalista Jeremias Macário, a retomada do Sarau A Estrada, em nosso Espaço Cultural de mesmo nome, na última noite de sábado (dia 23/07), foi um sucesso total numa noite inspirada de poetas, contadores de causos, declamações, violeiros e cantores de renome nacional.
O artista Xangai (Eugênio Avelino) com seu Cuzco colorido andino e também mexicano na visão de outros, nos presenteou com lindas canções, inclusive de cancioneiros do Chile e da Venezuela, sendo acompanhado por Alex Santos e Baducha no violão. Os participantes do evento, mais de vinte, numa noite fria, mas esquentada pelo calor humano, ficaram encantados com a costumeira performance carismática do nosso violeiro-cantador conquistense, com seu canto apaixonante.
CASA DA CULTURA
Outro que apareceu com sua viola e seus causos foi o nosso Dorinho Chaves, representando a Casa da Cultura como diretor artístico, bem como não poderia deixar de vir o nosso cantor e compositor Manu Di Souza, com sua esposa Cleide e sua filha Maria Luiza. A nossa encantada cantora Marta Moreno também nos abrilhantou com sua arte. Outro que nos brindou com canções de Raul Seixas foi Alexandre Magno, com sua voz forte e vibrante.
O evento recebeu mais gente nova que se incorporou ao nosso Sarau, como o português poeta Luis Altério e sua esposa professora Lídia, a também esposa de Xangai, Carne Freire de Mendonça, nosso produtor cultural Afonso Silvestre, a professora Viviane Gama, que ficou impressionada com o acervo do nosso Espaço Cultural, ao ponto de sugerir seu tombamento pelo poder público, a esposa de Alex Santos e outros que aqui estiveram pela primeira vez.
Não poderia deixar de citar também as presenças de José Carlos, que já se tornou um grande frequentador e apreciador do nosso Sarau Colaborativo, a professora Céu, esposa de Baducha, os fotógrafos José Silva e José Carlos D´Almeida, Denis, o professor Jovino e nossa querida e simpática Tânia, dentre outros.
Como sempre, todos contribuíram para seu sucesso com comidas (tira-gostos) e bebidas, com destaque para o vinho, para combinar com o inverno, mas o principal da noite foi o bode cozido com andu e salada que saiu das mãos delicadas da nossa anfitriã Vandilza Silva Gonçalves. Como sempre, ela a todos recebeu com sua dedicação e carinho. O sabor da sua comida satisfez a todos depois de belas canções e declamações de poemas. No Sarau todos ganharam no intercâmbio do saber e da arte, o respirar de nossas vidas.
Depois de mais de dois anos de interrupção por causa da pandemia (o último foi realizado em fevereiro de 2020 quando completava dez anos de existência), o Sarau Colaborativo foi reiniciado com mais força ainda, como se fala no popular, com “pé firme”, tomando todas as precauções porque o vírus ainda não nos deixou. Foi uma reinauguração de alto nível com a troca de conhecimentos, ideias, discussões no âmbito cultural e um bom papo agradável e descontraído, num clima fraternal.
ESCRAVIDÃO
O tema “Escravidão”, além da apresentação de Xangai, foi a atração da noite quando o professor Itamar nos passou uma visão geral do que foi o sistema no Brasil, desde o ciclo do Pau Brasil e outros que vieram depois, como o da cana-de-açúcar, a mineração e o café, sem deixar de citar o da pecuária, que se utilizaram da mão-de-obra cativa.
O jornalista e escritor Jeremias Macário dissertou sobre dois temas mais específicos, que foram “Os Quilombos e as Torturas” que ocorreram durante os mais de 350 anos de escravismo em nosso país. As crueldades praticadas pelos senhores de escravos, apontadas pelo explanador e baseadas nos livros de Laurentino Gomes, chocaram as pessoas, principalmente as heresias do mestre de campo Garcia D´Ávila Pereira Aragão, da ilustre Casa da Torre.
Uma das particularidades é que no Brasil de hoje existem mais de 3.200 quilombos (dados da Fundação Palmares de 2019), com 1,2 milhão de moradores, dos quais mais de 80% vivendo na extrema pobreza. Esses quilombos ocupam 1,2 milhão de hectares de terra, área essa inferior as dez maiores propriedades do agronegócio no Brasil. Só a fazenda Piratininga, entre Tocantins, Goiás e Mato Grosso, se estende por 135 mil hectares.
No final dos debates, todos concluíram que a escravidão no Brasil contra o povo negro e pobre ainda permanece, de uma forma mais sofisticada, em pleno século XXI, com a fome e a exploração da mão-de-obra. Diante de todo esse quadro macabro e triste, foi lembrado que o Brasil foi o último do mundo a decretar a abolição da escravatura, uma vergonha para todos nós brasileiros.
HOMENAGEM AO PROFESSOR “BIRA” EM ENTREVISTA AO LIVRO “UMA CONQUISTA CASSADA”
Falecido nesta quarta-feira (dia 20/07), com 88 anos, o professor Ubirajara Brito, quando vivo, concedeu entrevista ao jornalista Jeremias Macário para seu livro “Uma Conquista Cassada-cerco e fuzil na cidade do frio”, publicado pela Assembleia Legislativa da Bahia, por intermédio do deputado Fabrício Falcão, e lançado em 2013.
LIGAÇÕES POLÍTICAS EM MINAS GERAIS
Ubirajara Brito nasceu na pequena Tremedal, no sertão do sudoeste baiano, mas foi adotado em Vitória da Conquista onde estudou no respeitado e admirado Ginásio Padre Palmeira. Frequentou também o Colégio Estadual da Bahia entre os anos 1951/55. Formou-se engenheiro civil pela Universidade Federal da Bahia-UFBA aonde chegou a ser professor. Ajudou a construir um dos trechos da BR-101, no início dos anos 1960, em Sergipe. Passou um tempo exilado na Europa e foi ministro de Governo.
O professor e cientista Ubirajara Brito, nascido por volta de 1934, desenvolveu suas ações políticas em Minas Gerais, precisamente na cidade de Nanuque onde seu tio era prefeito. Por suas ligações no Governo de João Goulart chegou a ser consultor durante suas viagens à Bahia.
Foi preso como subversivo, em Minas Gerais. Ubirajara confirmou que Jango lhe conferiu poderes para trabalhar no nordeste de Minas Gerais, na coordenação de obras em alguns municípios da região, inclusive com apoio do então governador Magalhães Pinto. Ele conta que em Nanuque, os adversários contra o governo da República eram perigosos, e o PSD era reacionário e alienado. Tratava-se de um partido dos grandes fazendeiros.
Em Nanuque e Juiz de Fora
Após o golpe civil-militar, em razão de suas atividades do passado na Bahia, o professor respondeu ao IPM – Inquérito Policial Militar, em Nanuque, sendo depois processado em Juiz de Fora. Como Ubirajara era filiado ao PCB, entre 1956 até 1964, sua situação se complicou. Em abril daquele ano foi preso pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) de Belo Horizonte, ficando até junho de 1964, incomunicável por 20 dias. Não houve tortura física, mas muita luz na cara e pressão psicológica.
Com certa ironia, “Bira” como é conhecido, narra que os agentes tinham certo temor da sua família por ser nordestina. Eles (os militares) faziam ligações com pistolagem e cangaceirismo. Em Minas Gerais, o homem da Companhia da Polícia era o capitão Silvio Souza que, para disfarçar de sua função era presidente da Associação Cultural Brasil/Estado Unidos. Por coincidência, havia sido delegado em Nanuque e conhecia nosso pessoal. O capitão sempre questionava que havia atividades subversivas no nordeste de Minas (Bandeira), no Espírito Santo e extremo sul da Bahia.
Em sua versão do militar, em Minas Gerais, o comandante era Ubirajara Brito. Na verdade, “Bira” aponta que existiam três bases revolucionárias que contavam com respaldo de Cuba, “mas eu não tinha ingerência”. Diziam também que eu fundei e comandei o “Grupo dos Onze”. Em Nanuque existia essa agremiação, mas informa que foi criada pelo secretário municipal da Educação e pastor da Igreja Presbiteriana. Havia ainda os núcleos do PCB, PC do B (ligados aos soviéticos) e dos brizolistas com afinidades com Cuba que fomentavam a reforma agrária, mas com poucos recursos.
Ubirajara não foi solto por ato jurídico. Em tom irônico afirma que chegaram à conclusão de que estava dando muitas despesas. “Por isso me mandaram ir embora”. Depois de libertado, como era normal naquela época, o professor passou uns tempos sobressaltado e se escondeu na fazenda de seus pais. O pior era a boataria de que seria novamente preso. Para não ser detido de surpresa, resolveu fugir altas horas da madrugada num avião de um amigo para Foz do Rio Doce. De lá seguiu para Salvador (final de 1964) onde procurou a Universidade Federal para trabalhar, mas não deu certo.
No pós 1964, em se tratando do pessoal de Vitória da Conquista, Ubirajara recorda que só teve ligações clandestinas com Franklin Ferraz Neto, em São Paulo. Revela que, sem uma ocupação, viu com tristeza Franklin (nomeado juiz do Trabalho) se transformar num fotógrafo de binóculo com seu primo, na capital paulista. Na época, Franklin estava apaixonado por uma moça de Poções e planejava ir para o exílio casado com ela. Terminou se casando, mas não saiu do Brasil porque morreu logo – como informa Ubirajara.
Sobre outros contatos em Conquista, o professor cita Everardo de Castro e Hemetério Pereira, presidente do Comitê Local do PCB. Com relação a Pedral Sampaio, assinalou que sua relação era de muito tempo antes do Golpe.
FUGA E “BOI DE PIRANHA”
Antes de sair o decreto de sua prisão preventiva (a ordem foi passada para o Quartel da VI Região), “Bira” foi para o exterior, em 1965, seguindo o roteiro de Feira de Santana – Vitória da Conquista, Rio de Janeiro e São Paulo. Ubirajara revelou que tinha um informante que lhe passou as coordenadas sobre sua prisão. Para sua fuga do país, o Partido Comunista o ajudou. Com muita sutileza para despistar a atenção dos agentes federais, tomou um avião para a Itália indo depois para Paris onde ficou até 1974 e foi professor de Geofísica Nuclear na Universidade D´Orsey – segundo Campo Científico.
Explicou que sua amizade com Oscar Niemayer se deu no Brasil, antes do exílio, e em Paris (1966) onde também estava Waldir Pires que ensinava Direito Constitucional Comparado em Dijon, distante 150 quilômetros da capital. Era uma situação ingrata – lamenta Ubirajara, adiantando que Waldir teve que estudar muito, pois sabia pouco francês quando foi para lá.
Seu retorno ao país, em 1974, conforme assinalou, foi montado através de um acordo entre o general Ernesto Geisel e Jango, utilizando alguns exilados como bois-de-piranhas, incluindo seu nome na lista. Na posse da presidência, Geisel mandou um emissário, comandante do Estado Maior, acompanhado do jornalista Castelo Branco, conversar clandestinamente com Jango. A negociação foi um teste que fazia parte da distensão lenta, mas não poderiam voltar o padre Lage, Leonel Brizola, Miguel Arraes e Francisco Julião (chefe das Ligas Camponesas).
Jango não aceitou o esquema, mas, mesmo assim retornaram 10 ou 20 exilados. Ubirajara fez a viagem de navio até Salvador onde um tenente o interrogou e recomendou para não fazer mais declarações. Disse que ao desembarcar sentiu não existir mais movimentos, só saudosistas. “Ia sempre para o Rio de Janeiro conversar com Niemayer”. Da capital foi para sua fazenda no extremo sul da Bahia e, como professor, começou a procurar trabalho, inclusive na UFBA, mas nem o setor privado abriu as portas. Como não tinha alternativa, Ubirajara passou a criar porcos, fazer farinha, requeijão e vender jaca.
Depois de uma temporada nessa labuta, resolveu criar uma empresa de agrimensura, isto até 1981. A partir daí decidiu em 1982 ser candidato a deputado estadual pela Bahia. Não deu certo. Em 1983, Tancredo Neves se elege governador de Minas Gerais e convidou Ubirajara para trabalhar com ele. Em 1984 Tancredo renuncia ao governo do estado para ser candidato nas Diretas Já, através do Colégio Eleitoral.
De acordo com sua história política, Tancredo o levou para Brasília. Nesse ponto, Ubirajara interrompe a entrevista para fazer questão de dizer que sua carreira inicial na administração pública não tem nada a dever à Bahia. No entanto, abre uma exceção para o deputado Carlos Santana por ter lhe convidado para ser chefe da Assessoria Técnica do Governo da Constituinte no período de Sarney na Presidência da República, que assumiu no lugar de Tancredo Neves após sua morte.
Em 1987 ocupou o cargo de superintendente de Ciências Básicas do CNPq (Conselho Nacional de Pesquisa), e depois Sarney o convidou para ser secretário Geral no Ministério da Educação, isto em 1988, chegando a ser ministro da pasta. No final do Governo Collor, por intermédio de ACM (Antônio Carlos Magalhães) e Ângelo Calmon de Sá, foi secretário executivo do Ministério da Ação Social e ministro por pouco tempo.
No governo de Itamar Franco foi ser diretor-executivo das Pioneiras Sociais (Rede de Hospitais Sarah). Logo depois, durante cinco anos ocupou a função de secretário de Planejamento do Ministério da Ciência e Tecnologia, incluindo uma parte do governo de Fernando Henrique Cardoso.
CONTRA A LUTA ARMADA
Sobre os movimentos da luta armada no Brasil a partir do final dos anos de 1960, Ubirajara diz que, apesar de admirar Che Guevara e respeitar quem participou do processo, não concorda com a teoria do guerrilheiro, nem daqueles que fizeram a mesma coisa no país. Em sua opinião, tudo não passou de um foquismo importado de Debret, com a ideologia de fomentar a revolução a partir de focos espalhados no território com pretensão de derrubar o regime.
Para ele, deu certo em Cuba porque a concentração era grande, e o governo estava desmoralizado. Não se tratava, conforme sua análise, da nossa questão que era um país diferente, inclusive em termos territoriais. Declarou ter se sentido humilhado em Paris numa reunião entre jovens que defendiam essa teoria. Por discordarmos (ele e outro grupo), nos chamaram de revisionistas.
“Não era a luta armada que iria salvar o nosso problema. A ditadura sabia de todos os movimentos e iria nos destruir”. Referindo-se à estratégia do PCB, criado em março de 1922, citou que estava se fazendo um trabalho pacífico. Aí entraram as organizações armadas com as dissidências, a partir de 1966, que foram todas esmagadas pelos militares. – Depois disso, o regime se voltou contra a gente (PCB) na chamada Operação Limpeza, ou Operação Radar (1973/76) – aponta Ubirajara que relaciona as prisões e as torturas ocorridas na fronteira com o Uruguai.
Em sua interpretação, o governo não provoca, responde à provocação. Ubirajara só esqueceu de dizer que logo após o golpe de 1964 a repressão foi dura contra o PCB, inclusive com perseguições, brutalidades e mortes. O “Partidão” só foi resguardado pelos militares entre os anos 1968/73 porque estava no encalço feroz dos grupos armados.
Só para rememorar, o PCB já estava clandestino desde 1947, depois da Segunda Guerra Mundial. E os torturadores devem ser punidos? “Bira” entende que a vingança não tem mais sentido, e completa que ela foi feita quando o pessoal das lutas pela democracia voltou e ocupou o poder. Por sua vez, destaca que quase todos torturadores morreram, restando apenas uns “velhos gagás” como Newton Cruz e Brilhante Ustra (falecidos). “Não tenho nada a cobrar”.
“OS MILICOS QUE SE LASQUEM”
E a abertura dos arquivos da ditadura? Ubirajara considera ser necessária para que a história seja corrigida já que ela foi deturpada durante mais de 20 anos. Desabafa que o golpe de 1964 destruiu toda uma cultura armazenada ao longo dos anos na sociedade. “Os milicos que se lasquem no Brasil”. Até antes estava se construindo uma cultura no teatro, no cinema, na literatura e na política através dos diretórios acadêmicos e da UNE (União Nacional dos Estudantes), interagindo com os sindicatos e os operários. Tudo isso, na visão do professor, era a construção da cultura brasileira que os militares acabaram em 1968. Do AI-5, de 1968, aponta o Decreto 477 que expulsava qualquer jovem do colégio ou da universidade, com alegação de manifestações políticas e atos considerados por eles como subversivos.
A partir de 1968, Ubirajara define a juventude como uma geração sem cor, pálida e perdida que meteu na cabeça o ideal americano: O importante é vencer pessoalmente. Até hoje se trabalha com esta geração do conceito de que a questão é vencer “e o resto que se lasque.” A solidariedade acabou, a amizade desapareceu, desabafa. Em tom de tristeza e melancolia, alfineta que qualquer jovem atualmente queima a bandeira brasileira por um bom emprego numa multinacional. “É uma geração alienada” – denuncia, adiantando que para reverter este quadro, só com decência.
Em sua análise sobre os tempos atuais (final do século XX e início do século XXI), Ubirajara não poupa também a mídia, afirmando se tratar de um segmento alienado que, infelizmente, faz a cabeça da opinião pública. Coroando toda essa alienação lá está o Congresso Nacional – descarrega sua artilharia. “Continuo no PCB. O partido foi que se acabou. Não sou mais filiado porque as fichas sumiram”.
PRAÇA CÉUS DO ALTO MARON PEDE REFORMA E ELEIÇÃO DO GRUPO GESTOR
No disposto do Regimento Interno, instituído pelo decreto número 18.888, de 11 de setembro de 2018, Gabriela Pereira de Souza e Paulo Roberto Oliveira Teixeira, representantes da comunidade e da sociedade civil da Praça Céus, localizada no Bairro do Alto Maron, estão solicitando do poder público, através da Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer-Sectel, a realização de novas eleições do grupo gestor e uma urgente reforma de suas instalações.
O Centro de Artes e Esportes Unificados-CEU é um equipamento público estadual, instalado em áreas de vulnerabilidade social, visando integrar atividades socioculturais, sócioassistenciais, recreativas, esportivas, deformação e de qualificação.
O equipamento foi construído durante a gestão do governo Guilherme Menezes, do PT, e está a necessitar de uma série de reparos nas quadras esportivas, pista de skeite, sistema de iluminação na sala de artes cênicas, multiuso, biblioteca, entre outros pontos do prédio. Devido a essas deficiências e a eleição de uma nova gestão, a praça não está funcionando à noite.
De acordo com a coordenação da Secretaria de Cultura, providências estão sendo tomadas, como a publicação de um edital para eleição do grupo gestor e a liberação de uma verba de emenda parlamentar para a execução dos serviços de reforma. A praça está situada no Alto Maron, mas abrange outras comunidades, como o Flamengo, Panorama e imediações que se utilizam da área, principalmente os jovens.
A gestão do CEU é feita de forma compartilhada, por meio da constituição de Grupo Gestor Tripartite através de lei, decreto ou portaria, com poder deliberativo e mandato bienal. Essas praças foram construídas com recursos federais, mas toda manutenção e funcionamento são arcados pelo município, que nem sempre dispõe de recursos para tanto.
De acordo com Gabriela, o grupo gestor será composto paritariamente por membros da sociedade civil organizada, comunidade do entorno do CEU e do poder público do município. Será instituído e regido por estatuto próprio, por lei, decreto ou portaria do executivo local.
Cabe ainda ao grupo gestor deliberar sobre as decisões, as atividades, o funcionamento e a gestão da praça, definindo disposições que deverão ser registradas em atas das reuniões e assembleias realizadas.
Essas questões e outras, como eleição e a reforma estarão em discussão na próxima reunião do Conselho Municipal de Cultura, no próximo dia primeiro de agosto, conforme solicitação de seus representantes.
FILHO DA REGIÃO LANÇA LIVROS EM CAETITÉ
O médico e professor universitário Getúlio Borges Fernandes estará lançando na próxima sexta-feira (dia 22), às 20 horas, no auditório da Casa Anísio Teixeira (Praça da Catedral, 57), em Caetité, os dois livros de poemas de sua autoria, “A Vida Humana e a Natureza” e “A Terra dos Homens Nus”, editados pela Fontenele Publicações, respectivamente em 2021 e este ano.
Clínico e cardiologista, com mais de 30 anos dedicados à Medicina, Getúlio Fernandes pretende com essa iniciativa manifestar sua gratidão ao Sudoeste baiano onde passou sua infância e juventude até ingressar na Universidade. Nascido em Igaporã, em 13 de fevereiro de 1954, onde cursou as primeiras letras, transferiu-se para Caetité, onde completou o Ginásio e o Científico, antes de residir em Salvador.
Dr. Getúlio aproveita a oportunidade para relembrar o passado com os conterrâneos, que certamente estarão presentes a esse amável encontro.













































