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:: ‘Notícias’

O ESTADO MÍNIMO E A INFORMALIDADE

Diz lá o entrevistado de uma emissora de televisão, com ar de sabichão e profeta dos tempos, que a tendência geral dos países é a de que todos trabalhadores vão passar a atuar na informalidade, principalmente a partir da evolução tecnológica da internet, nessa nova era da revolução da informática.

Confesso que tudo isso soa para mim como um mundo desumano de um Estado mínimo, e não me sinto mais pertencente a ele. Sou como um peixe fora do aquário. O outro entregador por aplicativo revela que tira R$1.5000,00, um pouco maior quando trabalhava com carteira assinada, e que prefere sua nova atividade, mesmo sem o amparo das leis.

Fiquei a imaginar comigo como será esse jovem daqui a uns 30 ou 40 anos, sem uma aposentadoria certa e os benefícios trabalhistas. De um modo geral, nesse desgoverno desastrado, as pessoas não querem mais estudar, se especializar em alguma profissão e adquirir conhecimento.

Esse jovem não vai passar, quando estiver com 50 ou 60 anos, de um simples entregar por aplicativo, transportando encomendas ou comidas para seus patrões (o dono do negócio e o que recebe o pedido), ou estará noutro ramo do mesmo nível. Ele não é mais que um simples número.

Segundo as estatísticas, mais de 40% dos trabalhadores brasileiros estão na informalidade e, desse contingente, quase dois milhões são de entregadores que passam o dia arriscando suas vidas no trânsito do asfalto assassino. Quando sofrem um acidente grave, são levados diretamente para o SUS e, se forem acometidos de alguma deficiência física, vão receber uma migalha desse Estado mínimo, ou anos para conseguir uma pensão mixuruca.

Em outros países desenvolvidos, esses operários, mesmo na info9rmnalidade, são protegidos por leis estatais, não aqui no Brasil ignorante e selvagem onde fizeram uma reforma escravagista que coloca o ser humano como um lixo que não serve nem para ser reciclado.

É esse Estado mínimo dragão, pior que neoliberal em que vivemos, onde o brasileiro está sendo incentivado a não mais fazer uma faculdade ou universidade. Não posso dizer que me sinto animado e cheio de boas expectativas futuras, senão estaria traindo a mim mesmo ou sendo um hipócrita para agradar a maioria que pensa o contrário.

 

A PROVAÇÃO DA VACINAÇÃO

Carlos González – jornalista

Educação e saúde são os pilares de qualquer administrador público, ao assumir o compromisso de zelar pelo bem-estar do seu povo. Com raras exceções, nossos governantes, do presidente da República ao prefeito de cidadezinhas escondidas nos lugares mais remotos deste imenso país, estão mais interessados no “venha a nós, ao vosso reino nada”. Vitória da Conquista, infelizmente, não foge à regra. No momento, vamos abordar a assistência médico-hospitalar que é oferecida aos conquistenses; o ensino escolar fica para depois.

Acompanhamos um idoso, com mais de 80 anos, ao posto de saúde batizado de Panorama, no Alto Maron, um dos quatro em todo o município onde está sendo aplicada a vacina contra a influenza. Essas unidades estão instaladas em bairros da periferia, a quilômetros de distância do Centro, da zona rural e de áreas populosas como Recreio e Candeias.

Depois de percorrer ruas e becos esburacados, com dezenas de quebra-molas, odiados pelos motoristas, adorados pelos donos de oficinas mecânicas e objeto dos requerimentos dos vereadores à prefeitura, chegamos ao posto, instalado numa ampla área, mas com suas dependências internas necessitando de reformas urgentes.

As horas se passavam e os pacientes (definição dupla) resignados observavam que somente estavam sendo chamadas gestantes e crianças, estas em busca de cobertura vacinal contra o sarampo. “Idoso não tem garantia de prioridade”, resposta de uma funcionária a um questionamento que fiz. Conclusão: meu acompanhante não foi imunizado.

Aluna aplicada

Aluna atenta das aulas de política de saúde ministradas por seu antecessor, Sheila Lemos vem dando continuidade aos métodos antipedagógicos de Herzem Gusmão (1948-2021), sob a fiscalização de alinhados herzistas, abrigados no seu gabinete (alguns deles levam os sobrenomes Lemos e Gusmão) e na Câmara de Vereadores. Herzem, nos seus quatro anos como gestor público, absorveu o obscurantismo que reprime a ciência, aplicado pelo seu mestre, o inseguro presidente Jair Bolsonaro.

Com olhos e pensamento voltados para a reeleição, a exemplo do capitão-presidente, Herzem não adotou medidas concretas para combater o coronavírus e nem para minorar o sofrimento do povo pobre que chega na madrugada e passa horas nas filas dos postos de saúde, em busca de tratamento, exames e cirurgias.

A cura para a Covid-19, acreditava o alcaide, estava nos medicamentos comprovadamente ineficazes, receitados pelo “novo Messias” de Brasília, que procurou sabotar as campanhas de vacinação e a adoção de medidas de proteção para a população. “E daí? Eu não sou coveiro!”, reagiu o ex-capitão ao número crescente de mortes, que hoje chegam a quase 700 mil, inferiores somente aos Estados Unidos. Em Conquista, Herzem alimentava um conflito injustificável com o governador Rui Costa, o verdadeiro responsável pelo envio dos primeiros lotes de vacinas para o município.

Prometendo priorizar a ciência (não se falou mais em cloroquina), Sheila Lemos assumiu a prefeitura em março de 2021, na fase mais viva da pandemia, quando a maioria dos municípios brasileiros já estava numa etapa mais adiantada da campanha de vacinação. Bolsonarista não declarada, a gestora deixou de cumprir decretos estaduais, cujo objetivo era de evitar maior disseminação do vírus, incorrendo no artigo 286 do Código Penal. As diretrizes de seu governo sempre colocaram em primeiro plano a sucessão estadual de outubro próximo e a sua própria, em 2024.

Uso da máscara

No mês passado, Sheila Lemos tirou a máscara, gesto acompanhado por uma grande parcela da população local, no momento em que o município registra 691 óbitos (uma das maiores taxas de letalidade do Estado) e 70 pessoas em recuperação ou sob suspeita de contaminação. Os que persistem em usar a máscara se queixam de que têm sido alvos de zombaria.

A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) acaba de emitir   um comunicado, alertando para o risco de uma nova onda da Covid-19, com base na ocorrência da doença nos Estados Unidos, Reino Unido, França e leste da Ásia, atribuída pelos especialistas à flexibilização das medidas restritivas, principalmente à liberação das máscaras.

O aparecimento da variante Ômicron BA2 transferiu para 2023 a realização dos Jogos Olímpicos Asiáticos, previstos para setembro deste ano, na China. Notamos que houve um arrefecimento da imprensa na cobertura da doença no mundo.

 

 

 

 

LIBERDADE E DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA

Nas comemorações do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa (03/05) deve-se também se fazer uma reflexão sobre a democratização dos meios de comunicação no Brasil, que ainda estão nas mãos de poucos grupos de empresas, as quais têm sempre procurado manipular a informação a favor de seus interesses.

Nos últimos anos, pouco tem se comentado sobre esse tema democratização dos veículos, tão importante como meio de evitar a prática de um jornalismo tendencioso e parcial, descambando até para fake news disfarçadas, que os leigos não percebem. Nesse balaio, tem pontuada a mídia alternativa, mas logo é sufocada pelos poderosos, e termina com vida curta.

Todos de bom senso defendem a liberdade de imprensa, mas ela só se torna completa com a democratização, o que se torna difícil no sistema capitalista de monopólio e oligopólio onde só os fortes sobrevivem. É ingênuo imaginar liberdade absoluta e independência total quando um jornal, um rádio, uma televisão ou um simples blog depende de anúncios oficiais ou do setor privado para continuar circulando e funcionando.

Para acontecer essa liberdade mais ampla, da qual estamos falando, só os instrumentos do cooperativismo ou coletivização entre as pessoas da sociedade tornariam o veículo mais livre para expressar seus pontos de vista, com imparcialidade. Infelizmente, não se tem essa cultura na área jornalística num país que só visa o lucro do capital.

Para se criar esse ambiente de democratização da mídia, teria que se ter uma consciência mais culta em favor da liberdade, de modo a cooperar com o veículo pequeno para que ele não seja obrigado a se tornar refém dos órgãos públicos. Sem o coletivo, vamos cair no jornalismo “chapa branca”.

Diante do exposto, digo que essa liberdade é mambembe e maquiada pelos grupos que detém a maior fatia no bolo publicitário. Na Bahia, por exemplo na capital, o Jornal da Bahia tombou diante da pressão de um governo autoritário. A Tribuna da Bahia também sofreu seus ataques e esteve à beira da falência.

Por que se diz por aí que a linguagem da grande mídia, resumida em quatro tentáculos poderosos, é burguesa, que não fala para o povo? Não temos um jornalismo popular. Portanto, essa liberdade, da qual tanto desejamos, não é completa. Na verdade, o que existe mesmo é um disfarce onde as ameaças e os ataques são dirigidos aos trabalhadores jornalistas, as maiores vítimas desse jogo de poder.

Sobre essa violência, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) aponta que entre 2019 e 2021 o total de casos desse tipo contra jornalistas no Brasil somou 1.066 ocorrências, número bem maior do que a soma de todos os episódios registrados pela entidade de classe entre os anos 2010 e 2018, que totalizam 1.024 situações.

Existe sim uma escalada de violência que aumentou mais ainda nesse governo do capitão-presidente, que não respeita o operário da informação em seu papel que, quase sempre, segue a linha editorial da empresa da qual pertence. Falar em liberdade, tem também que se falar de democratização dos meios de comunicação, totalmente voltados para atender os anseios da população mais enfraquecida.

A HERANÇA COLONIAL

Por volta de 1682, final do século XVII, o bandeirante paulista Manuel de Borba Gato era um fugitivo da lei por acusação de ter matado o fidalgo português Rodrigo de Castelo, administrador das Minas. Com seu bando, se embrenhou na região do Rio das Velhas onde estava localizada a Serra de Sabarabuçu, atual município de Sabará.

Naquela época, como descreve o jornalista e escritor Laurentino Gomes, a Coroa Portuguesa estava falida e ávida por encontrar ouro em terras brasis, e foi isso que Borba conseguiu naquele ermo de mundo. Pelo seu feito, ele obteve o perdão real pelo crime do qual era acusado.

Em troca da localização das minas, o rei D. Pedro II, não só anistiou ou indultou o bandeirante, como lhe encheu de honrarias e terras nas quais poderia explorar os depósitos. Borba Gato deixou de ser considerado um criminoso para ser promovido ao posto de guarda-mor das minas de Caetés, tornando-se fidalgo do rei, conforme especificava a carta patente.

Borba Gato é hoje homenageado com uma estátua de dez metros de altura e vinte toneladas de peso no bairro de Santo Amaro, em São Paulo. Esse é só um dos exemplos para ilustrar como historicamente bandidos e malfeitores sempre são recompensados no Brasil através da “lei da impunidade”. É uma herança colonial impregnada em nossa cultura.

O caso do deputado Daniel, Silveira que praticou atentados contra a democracia e ameaçou ministros do Supremo Tribunal Federal, é parecido com o do bandeirante Borba Gato. Julgado pela corte, o rei lhe concedeu a graça do indulto, e o Congresso Nacional completou com cargos em comissões.

No Palácio, o deputado foi recebido pelo rei que lhe deu uma moldura do indulto, faltando apenas mandar construir uma estátua em sua homenagem, mas isso ainda pode ser possível. Infelizmente, isso aqui virou uma republiqueta de bananas dos tempos coloniais.

O parlamentar não descobriu nenhuma mina de ouro que tirasse o país dessa falência, ou tenha realizado uma grande obra, mas foi o porta voz do rei que ataca a democracia, a liberdade de expressão, destrói o meio ambiente, pede AI-5 e intervenção militar, ou seja, um regime de ditadura para o país, introduzindo a tortura para aqueles que se posicionarem contra as ideias retrógradas e fascistas do rei.

Por falar em Borba Gato com seu monumento em São Paulo, temos no Brasil de hoje inúmeras estátuas, prédios, pontes, viadutos, ruas, avenidas e praças com nomes de pessoas que cometeram crimes de torturas durante as ditaduras brasileiras; mandaram matar adversários; fizeram malvadezas com o povo e até foram exímios corruptos. A maioria passa por esses homenageados e nem sabe quem foram eles, isto porque não tem memória e história.

ELAS ESTÃO CHEGANDO COM O AÇOITE DOS FORTES E A ILUSÃO DOS FRACOS

De quatro em quatro anos, aliás de dois em dois, eles fazem “mudanças” ou remendos em seu sistema oligárquico oligopolista para que as coisas continuem no seu mesmo lugar. Elas estão chegando como sempre, antes de serem oficializadas por lei, com o açoite do reio cru no lombo dos mais fracos, que se rendem ao canto da sereia, na vã ilusão de melhores dias para se libertar do jugo da opressão.

Claro que estou me referindo às ditas cujas eleições onde os candidatos transgressores das normas já estão em plena campanha, com xingamentos, ódios, bravatas, mentiras, truques, intolerância e até ameaças de golpe, para que elas não aconteçam. Como um vício incurável, os dependentes “químicos” entram de cabeça na onda deles e se dividem na disputa para ver quem escolhe o pior, o mais ladrão, o mais corrupto, impuro e falsário.

Todo bruto esquema é montado com antecedência, e grupos se formam com os bilhões de reais de suas próprias presas para vencer a maratona do poder. Nesse ciclo nojento, infestado de sujeiras, o caçador sempre vence a caça, que é levada para seu altar dos sacrifícios humanos, em rituais dos mais macabros. Tudo não passa de um banquete masoquista onde irmãos odeiam irmãos e até famílias se separam.

Elas têm o nome chamadas urnas “democratas” ao molde tupiniquim, ultrapassado e arcaico onde se apertam os números dos votos que sempre elegem os mesmos cafajestes, porque tudo já é montado e estruturado para que não haja muitas renovações. Manda quem tem mais bala na agulha. As vítimas incultas e ignorantes são facilmente fisgadas e caem direitinho nas manjadas armadilhas ou alçapões da morte.

Depois, é só se fartar da gorda caçada com muitas orgias, comes, bebes e arrotos em suas mansões, longe das ralés desiguais sociais e famintas das degradantes periferias dos esgotos a céu aberto. A quem interessa toda essa campanha maciça para que os meninos manipuláveis de 16 a 18 anos vá ao encontro delas e votem?

Todos aqueles que se consideram inimigos na disputa se tornam castas amigas da mesma irmandade “religiosa”, cada um em nome do seu Deus, com tapinhas nas costas. Concluída a farsa, é só partir para o abraço e conchavos nos momentos certos, para cortar gargantas e decepar as pobres cabeças.

NAS CILADAS DA LUA CHEIA

Há cerca de uns três anos fiz uns versos intitulados “Nas Ciladas da Lua Cheia”, musicada pelo grande compositor e músico Papalo Monteiro que, no sentido figurado fala dos lobos que ficam moucos nessa época das eleições, no Planalto prateado do céu tropical, onde os bandos fazem sua ceia, vinda do arado suado do braço serviçal.

Prossigo falando sobre as hienas que viram renas na lua cheia, para a engorda gulosa do grande dia, enchendo seus trenós em cada aldeia, para mais quatro anos de mordomia.

Os ratos armam ciladas na lua cheia; os malignos vendem gatos por lebre; a mente fraca se encanta com o canto da sereia; e quem paga o pato é a plebe. Depois dessa festa, a chama da fé começa a minguar; o fio da esperança vai-se embora; chora o velho, a senhora e a criança, na falta da justiça, do remédio e do pão, e do direito de viver e sonhar de nunca mais ser boiada de patrão.

Arremato no final, dizendo que, no aboio ou no rasgo da guitarra, vamos embora gente valente. Não fiquei aí na espera do Deus dará. Vamos acabar de vez com a farra dessa corja bicharada em nosso lar, sem mais raposas uivando em nosso luar.

 

 

REUNIÃO DO CONSELHO VAI DISCUTIR PLANO MUNICIPAL PARA A CULTURA

Nesta segunda-feira (dia 02/05), na sede da Casa Regis Pacheco, o Conselho Municipal de Cultura de Vitória da Conquista vai debater diversos temas do setor, com destaque para a elaboração do tão desejado Plano Municipal de Cultura e uma data para sua Conferência Pública, possivelmente no mês de julho próximo.

O encontro mensal está marcado para 18 horas e 30 minutos, e na abertura dos trabalhos vão falar o compositor e músico Carlos Moreno, que irá fazer um panorama geral sobre os artistas da música em Conquista e suas carências. Logo após teremos uma conversa com o membro do Condica (Conselho da Criança), Joabe da Silva, que fará uma explanação sobre como captar recursos para o Fundo Cultural.

Na pauta ainda vamos discutir a situação dos equipamentos culturais na cidade, suas reformas, como a do Teatro Carlos Jheová, o Cine Madrigal e a Casa Glauber Rocha. Nessa mesma linha, o colegiado deverá recomendar e propor ao poder executivo iniciativas de proteção do nosso patrimônio público arquitetônico.

Por fim, o Conselho vai entrar na discussão do Plano Municipal de Cultura que irá criar as diretrizes para as políticas públicas do município. Entre outros assuntos, os membros do Conselho vão travar um debate quanto ao corte de R$2 milhões da Prefeitura Municipal na Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer.

A tendência é que nessa reunião saia uma nota de contestação sobre o corte na cultura, que já é uma área por demais sacrificada em termos de verbas. Os artistas conquistenses reagiram contra esse corte de recursos que poderiam ter sido investidos em edital e até mesmo na reforma do Teatro Carlos Jheová que está interditado há mais de um ano devido a desgastes em suas instalações.

EXPOSIÇÃO MOSTRA A HISTÓRIA DA CAFEICULTURA EM VITÓRIA DA CONQUISTA

Exuberância de cores e realismo em dimensões variadas impressionam o visitante quando penetra na “Exposição Café com Arte”, da premiada artista plástica Valéria Vidigal, no Shopping Boulevard, que poderá ser apreciada até o dia 8 de maio.

A perfeição de suas telas dá vida, não somente à lavoura em questão, mas também às pessoas que nela labutam desde o plantio, a colheita de seus grãos (conhecidos como ouro verde ou vermelho) até à preciosa bebida chegar ao consumidor, que não pode passar sem um cafezinho para esquentar seu corpo e seu espírito, principalmente pela manhã.

Não sou crítico de arte, mas pude perceber e observar que a cada quadro que faz, a artista se supera em seus trabalhos, especialmente quando são voltados para a cafeicultura, seu principal tema que abraçou com toda dedicação em seus anos de carreira.

Como jornalista, conheci Valéria praticamente quando aqui cheguei em Vitória da Conquista nos anos 90 para gerenciar a Sucursal do jornal A Tarde, e tive o prazer de fazer algumas matérias com ela, ali na Galeria do Itatiaia, onde possuía um atelier e realizava cursos de pinturas para os interessados desejosos em ingressar nessa arte poética de fotografar coisas e objetos através dos pinceis.

Mesmo sendo suas origens de Minas Gerais, pode-se dizer que Valéria Vidigal já faz parte da própria história do café do Planalto de Vitória da Conquista, cuja cultura foi aqui introduzida nos anos 70, portanto, há cerca de 50 anos.

Suas obras modernistas e cheias de detalhes fantásticos levam as pessoas a entrar nelas como se estivessem numa própria fazenda de café, porque se sentem bem próximas da realidade. É uma artista que, além de conhecer muito bem os meandros da lavoura, faz as cores brotarem dentro da sua alma, numa rara perfeição.

Apesar do tema ser único, seus quadros não se repetem, e cada um nasce com mais força que o outro, o que desperta a atenção do visitante. É uma mostra de pura arte que enaltece a cafeicultura brasileira, conhecida internacionalmente pela sua produção e qualidade.

Da Etiópia para o Brasil, para a Bahia e para Conquista até chegar às mãos da artista Valéria que, com a habilidade das tintas fez do café um produto ainda mais admirado. Como ninguém, ela soube eternizar a história dessa planta, que representou um dos ciclos econômicos mais importantes no final do Brasil colonial, permanecendo até hoje como maior produtor e exportador mundial de seus grãos.

O SERTÃO É ÚNICO

28 DE ABRIL É DIA COMEMORATIVO DA CAATINGA

Para os bandeirantes paulistas sanguinários, como Domingos Jorge Velho, irmãos Fernando e Arthur Paes de Barros, Paschoal Moreira Cabral Leme, sertão era penetrar naquelas brenhas para se aventurar na guerra contra os índios, massacrá-los e escravizá-los, bem como descobrir ouro no continente. Para alguns escritores, como Guimarães Rosa, o sertão é diverso, imenso e está dentro de cada um. Graciliano Ramos descrevia em seus romances o árido seco, a penúria, o sofrimento e o social inexistente.

Fico mais com o escritor alagoano, de Palmeira dos Índios. Na minha concepção, o sertão é único, só existe um, aquele estorricado, rachado, pedregulhento, do mandacaru, do cacto, da catingueira, do xinque-xique, do juazeiro, da espinheira, do umbu, da lagartixa e do calango correndo nas folhas secas e nos lajedos. É a vegetação dos engaços e bagaços durante as estiagens. Em meu sertão, não existiu a corrida, nem a febre do ouro e do diamante.

Sertão para mim é essa caatinga cinzenta do sol escaldante fervente, do canto da cauã na beira da cacimba, do carcará e do gavião, da asa branca, da patativa, da rolinha, do pássaro preto e do sofrer. É a terra que se renova e brota rápido em cores diversas entre o verde quando batem forte os trovões nas chuvaradas do verão. É dos profetas da chuva. O restante é mata, pantanal, cerrado ou pampa.

O sertão é poesia da fome ou da abundância de gente simples e humilde labutando no agreste no plantio da abóbora, do feijão, do milho e do andu, com fé me esperança, para vencer as intempéries do tempo, e quase sempre não desiste. É aquele solo geológico descrito por Euclides da Cunha, não o de Jorge Amado do cacau ou do litoral. Sertão, infelizmente, rima com sequidão.

Para mim, sertão só existe um, dos guerreiros, dos penitentes Conselheiros, das rezadeiras, do canto da batida do feijão, das cantorias dos adjutórios, dos cangaceiros de Lampião e da Coluna Prestes torando espinhos para se livrar das volantes. É dos retirantes pau-de-arara se arrastando nas estradas poeirentas em direção ao sul paulista, fugindo dos horrores da seca. É o sertão de Patativa do Assaré, de Luiz Gonzaga, Zé Dantas e Humberto Teixeira.

Sertão é mistério e tem uma cultura específica do caboclo boiadeiro no aboio do vaqueiro, do repentista nato, do sotaque matuto catingueiro, do homem e da mulher cismados. É um chão único inconfundível dos hábitos e frutos diferentes da mata. É onde a terra começa a virar sal e deserto porque os governantes lá de cima só fizeram promessas de melhorias e convivência com a seca. É ainda onde corre o carro-pipa no cascalho, para matar a sede do sertanejo e dos bichos.

Sertão é cheiro de bode e cabra, do gadinho mirrado e do pôr-do-sol bem vermelho corado entre os galhos secos no horizonte infinito, É no sertão onde ainda vive o que restou do jumento, conhecido como jegue, símbolo do Nordeste semiárido, que está sendo dizimado nos currais das matanças para virar carne e pele para os chineses.

O meu sertão não é todo interior por aí. Ele tem um espírito único, um olhar melancólico cheio de histórias e lendas de heróis e carrascos coronéis. É sinônimo de caatinga. Não é Chapada Diamantina. Não tem capim exuberante. Tem ramagem rala e rara onde não frequenta a capivara.  Foi lá onde nasci de parteira e respirei o primeiro ar diferente de outro lugar. Foi onde meus pais me criaram e me ensinaram a ganhar o mundo.

 

“GRAÇA” PARA BANDIDO VIROU DEFESA DE “LIBERDADE” NO BRASIL

Não tem muito o que comentar sobre o assunto da “graça” ou do indulto dado pelo capitão-presidente Bozó ao deputado bombado bandido Daniel Silveira, mas minha indignação como cidadão me obriga a fazer meu desabafo, o meu grito de revolta, sob pena de omissão, o pior pecado do ser humano.

Pelo andar da carruagem, estamos caminhando para um golpe militar porque, infelizmente, as forças armadas, que debocham das torturas cometidas durante a ditadura civil-militar, se renderam às benesses oferecidas pelo capitão, e abandonaram de vez seu papel na ordem constitucional brasileira. O poder e o luxo subornaram os quarteis dos viagras e das próteses, dos bacalhaus e dos files mignons. Que se dane a pátria e seu povo!

Como disse na abertura, não se tem muito o que falar porque tudo está claro nessa intentona antidemocrática, mas temos que reagir antes que nossos lares sejam invadidos pelos bárbaros que estão chegando de motociatas. O capitão fala de ato histórico de “liberdade” na data da invasão de Cabral e seus degredados em terras brasis, e os idiotas acreditam nesse sofismo.

“Liberdade” é atacar a democracia para implantar uma intervenção militar; ameaçar de morte ministros do Supremo Federal e fechar a instituição; acabar com o Congresso Nacional; e baixar o cacete em estádios de futebol? Onde está a “liberdade” do capitão quando tentou censurar a mídia e prender quem criticasse ou levantasse uma bandeira contra sua pessoa de presidente?

“Liberdade” é fazer desfile de tanques pela Praça dos Três Poderes, enquanto parlamentares rejeitavam proposta de retorno ao voto impresso? É exonerar comandantes alinhados com o comportamento exemplar esperado de um oficial? Tudo isso sinaliza a violência de um golpe. O conceito de liberdade dele é unilateral. Criticar e agredir os adversários pode, opor-se a ele, não.

O que nos deixa envergonhados é que milhões de imbecis fanáticos e cegos defendem essa esdruxula “liberdade” dele, e nem imaginam que se houver um golpe militar eles serão os primeiros a serem condenados, se lá na frente praticarem qualquer ato de oposição contra o próprio regime hoje proposto pelo capitão. A impressão que se tem é que o brasileiro é suicida, que não consegue aprender com os erros do passado recente.

A única explicação e razão disso tudo estar acontecendo tão depressa em nosso país está nos próprios políticos gafanhotos que sempre acharam que fazer uma nação de ignorantes, analfabetos e incultos era bom para eles se manterem no poder das mordomias e das ladroagens. Agora, os que hoje se opõem e começam a enxergar o abismo em que nos meteram, estão experimentando do próprio veneno por terem criado dragões e monstros.

A esquerda mambembe tupiniquim que fez pactos com o satanás e belzebu agora patina e está perdida nesse labirinto, e não vejo nenhum Teseu para exterminar o monstro. Os fantasmas, com a voz que ganharam do seu exterminador, saíram de suas tumbas dispostos a acabar de vez com a liberdade, o meio ambiente, a cultura, os povos indígenas e armar o povo para uma guerra.

O voto poderia ser uma saída, mas este também está contaminado, viciado e podre pelo sistema que lá atrás esses mesmos políticos instituíram. Quem com o ferro fere, com o ferro será ferido. Está mais que comprovado que as eleições, do jeito que foram estruturadas, não são instrumentos de mudanças, e não vão ser. No entanto, apelar para uma ditadura não é a salvação, nem a opção correta.

Acontece que é justamente isso que os seguidores malucos dos motoqueiros, dos milicianos, dos fanáticos da bíblia e vendilhões dos templos, dos inimigos da democracia, dos retrógrados terraplanistas, dos garimpeiros da Amazônia, dos defensores das armas, dos homofóbicos, dos racistas e dos misóginos estão querendo. Hoje já somos vistos lá foram como bárbaros.

LEMBRANÇAS DA INFÂNCIA QUE AINDA ACONTECEM NO PRESENTE

Existem fatos que marcam para sempre a infância de uma criança, e outros desaparecem da mente, coisas que os psicanalistas Freud e Lacan explicam a partir de estudos do subconsciente que guarda a sete chaves os medos e os fantasmas humanos.

Pois é, quando ainda criança, talvez uns quatro ou cinco anos, na cidade de Monte Alegre, hoje Mairí, no sertão da Bahia, nunca me esqueço de um missionário, se não me engano da ordem dos capuchinhos, por causa da cor marrom da batina, que vociferava palavras de “terror” contra os fiéis “pecadores”.

Do púlpito nas escadarias da igreja, em frente da praça, ele descrevia ou berrava, com todas as forças de seus pulmões, o fogo do inferno como se ele estivesse saído de lá naquele exato momento. O frade falava das caldeiras e tachos ferventes dos diabos que espetavam as almas pecadoras. Dava para se ouvir os gemidos e o ranger de dentes.

As cenas eram horríveis, ao ponto de terem me deixado traumatizado por muitos e muitos anos, tanto que ainda recordo delas até hoje. Mesmo com minha pobre inocência de menino, sentia um temor nos rostos dos meus pais e de toda aquela gente, num silêncio sepulcral que dava para escutar o voar de um mosquito.

Se não me engano, era festa da padroeira ou do padroeiro do município, e o pároco tinha o costume de convidar uns missionários bem brabos para os sermões das novenas noturnas. Sem dúvida, esse era de encomenda no quesito transcrição do inferno, que convertia qualquer pecador, por mais maligno que fosse.

Depois da pregação de horrores que fazia tremer as carnes, lembro que enormes filas se formaram dentro da Igreja para as confissões. Com aquele inferno pior do que o de Dante, quem se atreveria ficar em “pecado”? Todos ali deviam ter o mesmo pensamento: Vá que eu morra e vou parar no inferno. A salvação era confessar e não mais pecar, mas a carne é sempre fraca.

Não deveria estar escrevendo este texto tão macabro, mas é que 70 anos depois observo ainda hoje situações similares àqueles tempos. Não mais por parte da Igreja Católica, se bem que ainda acontece, mas de certos pastores evangélicos fanáticos e intolerantes que aterrorizam suas comunidades com as figuras de satanás, muitas vezes com objetivo para que todos contribuam com o dízimo.

Não existem mais aquelas missões de antigamente, mas as crenças de purgatório, céu e inferno, sim. Os mais radicais ainda acreditam que somente sua religião salva, e tenho testemunhos sobre isso. Outros saem por aí apedrejando terreiros de candomblé, dizendo que é coisa do diabo.

Até hoje ainda ocorrem as guerras e as matanças de cunho religioso, um sinal de que a humanidade pouco evoluiu e está longe de alcançar a civilização desejada.  O mal e o bem estão sempre se cruzando, e cada um traz no seu íntimo o seu conceito de verdade absoluta, o que não é verdade.

 





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