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O PACTO QUE ALIMENTA A FOME
TEMOS MAIS DE 50 MILHÕES DE PÁRIAS: A MAIOR VERGONHA BRASILEIRA
Para começar, não sou contra ao pacto para socorrer e dar comida para a pobreza extrema que passa fome, mas todos sabem que não é a solução. Há 30 anos houve a campanha do “Betinho”, e a situação de lá para cá só fez piorar. A briga, nua e crua, é partir para uma luta de manifestações e cobranças por políticas públicas que melhorem as condições e a autoestima do nosso povo.
Só não enxerga essa realidade quem é cego, mudo e surdo. Cego porque prefere não ver, mudo porque fica em silêncio profundo e surdo porque não quer ouvir. A questão é matemática. As mordomias e a corrupção dos poderes, mais a ausência de um líder sem medo de enfrentar esse Congresso calhorda e canalha, mais a falta de educação, é igual a fome. As fórmulas estão erradas e a equação nunca bate.
O PT passou 20 anos no poder e não resolveu o problema. Veio um satanás seguidor da morte, com seus impropérios nazifascistas de desagregação humana exclusiva e piorou ainda mais o quadro. Nos últimos anos só nos dão pestilências, ódio e intolerância. Eles são os verdadeiros culpados por tudo que está acontecendo de ruim.
O que o nosso pobre-rico país precisa é de uma liderança forte, desprendida do poder, que se coloque ao lado da vontade popular, de modo que o Congresso fique sem ação e uma carta na manga para depor o presidente. Sempre tem acontecido o contrário: É o presidente que se rende e se torna refém. Essa é uma praga que temos que extirpar do nosso organismo.
Por que não jogar esse legislativo contra o povo? Basta ter seriedade, honestidade e vontade política, unindo a população num mutirão de programas sociais que insiram essa gente no mercado de trabalho. Por que não abrir frentes de serviços de obras na área pública, aproveitando esse contingente desempregado não especializado para ganhar seu próprio dinheiro, ao invés das esmolas de doações e auxílios da miséria?
Mais uma vez, nada contrário ao pacto porque, como se diz, a fome tem pressa, mas cadê nossos estudantes, trabalhadores, intelectuais, artistas, ongs e entidades sindicais nas ruas para protestar e exigir mudanças urgentes nessa política eleitoreira de perpetuação do poder? Essa elite arcaica, burguesa e oligarca precisa ser pressionada e banida através de boicotes, porque ela não admite repartir e ver a classe inferior subir em suas condições de vida.
Até quando vão perdurar esses pactos da fome, essas campanhas de doações e esses auxílios, até para taxistas e caminhoneiros, quando se sabe muito bem que a realidade já nos ensinou que não são essas medidas comodistas que vão colocar nosso Brasil no rumo do desenvolvimento e da distribuição de renda? “Errar é humano, persistir no erro é pura burrice”, e é isso que estamos a fazer por séculos e séculos.
Dezenas de governos se passaram e o nosso país só fez envelhecer, cheio de doenças crônicas por todo seu corpo doido, sempre entre a UTI e a enfermaria, com pequenas altas médicas que logo sofre recaídas e volta ao mesmo estado de saúde frágil, com seu sistema imunológico debilitado e aos frangalhos.
Historicamente temos um povo sem revolução, sem a “ira” da indignação, individualista e submisso de cabeça baixa pela sua própria cultura, ao contrário de outras nações que reagem com suas revoltas, inclusive com exemplos de vizinhos e hermanos ao nosso lado, que partem unidos na busca de melhoras sociais.
A nossa alienação e indiferença nos levaram a sermos detentores da mais profunda desigualdade social, de piores índices na educação e no tratamento da saúde, de sermos considerados um dos mais violentos com registros de matanças e massacres em massa, sem contar as constantes violações dos direitos humanos e desrespeito às diferenças de gêneros e a cor da pele.
Sem os requisitos da indignação e revolta, não são esses pactos ocasionais para alimentar a fome que vão nos dar dignidade e levantar nosso orgulho de sermos brasileiros. Não vão devolver nossas esperanças e nem revigorar a fé. Por estas e outras é que os estrangeiros passaram a ter pena de nós.
Com esses populistas oportunistas de plantão que estão aí só de olho no poder, o medo vai continuar, mesmo com esses pactos paliativos que entram em modo, arrebanham a adesão eufórica de multidões, sem pensar e refletir, de modo a usar mais a razão que o emocional. Estamos numa encruzilhada perigosa de um semáforo, onde o avançar sem o raciocinar pode nos levar aos acidentes da morte.
A FALTA DE RESPEITO É REVOLTANTE
O ser humano é a pior espécie entre os animais, e ele se acha inteligente, superior e civilizado, só não sabe que seu QI é baixo. Não usa nem 10% da sua capacidade racional. Para começar, ele é desumano, individualista e de uma falta de respeito revoltante para com o outro. Acha que doar uma cesta básica, um quilo de feijão ou um cobertor é tudo.
Quer constatar o fato é só tirar um dia nas ruas das cidades, principalmente as de porte médio e as grandes, como no caso de Vitória da Conquista. No campo, onde estão as pessoas menos instruídas, o respeito com seu semelhante, o companheirismo e a solidariedade são bem maiores. O QI deles é mais alto.
Dia desse tive que ir ao Posto de Saúde da Vila América e estacionei meu carro em frente da unidade, em local adequado. Depois que entrei apareceu um sujeito imbecil e colocou seu veículo no fundo do meu, fechando por completo minha saída.
Quando retornei não acreditei no que vi. Procurei o segurança e saímos avisando em todas as salas e na fila de vacinação, perguntando em voz alta quem era o proprietário ou motorista que havia trancado minha saída. É inacreditável, meu amigo, mas ninguém respondeu. Simplesmente o beócio ficou em silêncio.
Tive que esperar uns quinze a vinte minutos para o elemento sair de lá dos fundos com a maior cara de pau e abrir o veículo para sair. Tentei conversar com o estúpido, mas ele não deu satisfação. Ligou o automóvel, deu ré e foi embora cometer outro desrespeito lá na frente.
Fosse outra pessoa violenta igual a ele, porque isso é uma forma de praticar a violência, teria partido para a ignorância. Muitos casos e tragédias acontecem porque a humanidade perdeu o senso de respeito para com o outro. Muitos param o carro em qualquer lugar e nem está aí para quem vem atrás.
A maioria dos indivíduos só pensa em levar vantagem em tudo, passar a rasteira e achar que os outros são bestas, até encontrar um igual a ele para dar o merecido troco. É esse mesmo tipo de gente que critica os políticos pelos seus malfeitos.
Nesse mesmo dia, na Praça Tancredo Neves, outro “meliante” jovem estava com um carrão, com os alertas ligados, estacionado na vaga de um idoso. Dei o sinal indagando se ele ia sair, no que respondeu de forma negativa. Como tinha uma vaga ao lado, parei meu carrinho e sai para falar com o desumano burro, mas percebeu o erro e saiu.
Um senhor, também idoso, que chegava viu toda a cena de total desrespeito e falou: Se fosse o meu caso no momento, onde eu iria encontrar uma vaga? Certamente ficaria rodando o centro e teria que ir para um estacionamento particular.
Na rua Ascendino Melo, em frente do Itatiaia, flagrei a mesma ocorrência de um moço usando a vaga de um idoso. Como se nada tivesse acontecido, fechou o veículo e entrou numa clínica na maior naturalidade. Toda essa falta de respeito recai também na ausência de fiscalização. A impunidade é mães de todos malefícios e mazelas.
Sair às ruas aqui em Conquista para resolver problemas do dia a dia e realizar compromissos está me deixando com traumas psicológicos de tanto ver atitudes de falta de respeito e individualismo. Por todo lugar me deparo com idiotas, e tenho que presenciar absurdos e arrogâncias.
Na sociedade cruel e irracional de hoje, sem educação e formação familiar de bons exemplos a partir dos pais, o ser humano só piora, mas ele acha que é civilizado porque tem a “merda” de um celular na mão para ficar o dia todo fofocando sobre a vida alheia, compartilhando fake news, mentiras e boatos sem fundamento.
A PROCRIAÇÃO E A POBREZA EXTREMA
Por que a geração de muitos filhos em famílias sem instrução anda de mãos dadas com a pobreza extrema no Brasil, quando deveria ser o contrário pela lógica? Dá para entender esse paradoxo que sempre acontece nos países mais atrasados do planeta? Ouvia dizer, até em tom jocoso, que antigamente ter doze parições era porque não havia televisão em casa. Vieram a TV, a internet, o celular e haja parir. Agora é culpa da tecnologia?
Os sociólogos, os médicos e cientistas da reprodução que se debruçam sobre o assunto têm explicações plausíveis e apontam algumas causas, como a falta de educação (ignorância e o analfabetismo), ausência de políticas públicas dos governos na área do controle da natalidade e a religião, através da Igreja Católica e até a evangélica, que condenam métodos anticonceptivos.
No momento o que vemos são imagens da fome que se alastra em nosso país, e o mais chocante ainda é ver muitas mulheres na extrema pobreza com três, quatro e cinco crianças pequenas e grávidas esperando a chegada de outro bebê. Mais grave ainda é que a maioria vive sozinha sem assistência, nem que seja mínima, do pai. O pai transa e some. A maioria também vive em estado de penúria.
Se a fome já é um horror e triste, bem sabe quem já passou, pior ainda é ver uma penca de crianças chorando pelos cantos de um casebre pedindo alimento porque a barriga não espera. Essa prole numerosa entre a pobreza extrema só acontece nos países mais atrasados e retrógrados do mundo, e aí entram a falta de instrução e a interferência religiosa fanática, principalmente.
Para as igrejas, ainda nos tempos de hoje, em pleno século XXI, é pecado interromper a concepção, mesmo com o sacrifício monstruoso de deixar crianças sofrendo, sem educação, perspectiva de vida e ainda com a grande probabilidade de engrossar os batalhões de marginais e bandidos na sociedade, gerando mais violência. Qual alegria e felicidade botar mais um ser humano para sofrer e passar fome na vida?
É só dizer que Deus dá um jeito para tudo? Que foi ele quem assim quis? Será que Deus concorda com esse pensamento teológico ou doutrina irracional criada pelos homens da Igreja? Qual é o maior pecado, deixar de gerar e parir muitos filhos, de modo a evitar sofrimentos, ou tê-los à vontade, sem as mínimas condições financeiras para sustentá-los, largados à própria sorte e à caveira da fome? Quem são os culpados por tudo isso?
Os governos não estão nem aí, e quando se fala em controle de natalidade, os conservadores caem de pau e até resistem com cartazes e manifestações de ruas. Por que eles não tomam conta das criancinhas famélicas e raquíticas proliferadas pela pobreza, especialmente no Nordeste? Por que as igrejas não assumem as responsabilidades de cuidá-las e educa-las? No máximo fazem umas doações merrecas e depois viram as costas.
O interessante é que esses religiosos fanáticos de nível aquisitivo melhor não têm tantos filhos. O que esses hipócritas fazem para gerar menos? Os ricos, por exemplo, não querem mais que um ou dois rebentos, que são criados pelas babás. Estão mais preocupados em ganhar dinheiro que acompanhar o crescimento e a formação das crianças.
Na situação em que se está, o Brasil já era para ter uma política com rígido controle de natalidade, como na China e outros países, com campanhas instrutivas (seminários, palestras, cursos e propagandas), distribuição de anticoncepcionais (camisinhas, pílulas) e métodos para não engravidar, a começar pelos adolescentes pobres das grandes periferias. Certas Ongs prestam algum serviço nesse sentido, mas com pouca abrangência.
Com essas políticas, educação para todos e outras ações de assistência social, os governos gastariam bem menos que com bolsas famílias, que até estimulam ter mais filhos, e esses auxílios de bilhões de reais todos anos, na maioria eleitoreiros para ganhar o voto da miséria ignorante. Em poucos anos teríamos uma redução da pobreza e da fome, porque não dá mais para esperar pela educação universal e de qualidade. Essa tardará muitos anos a vir.
AS FARRAS DAS EMENDAS PARLAMENTARES E O CAOS SOCIAL NO BRASIL DO MAPA DA FOME
O Congresso Nacional se transformou no pior câncer do Brasil ou num vírus que já matou mais que a Covid-19, enquanto juristas de tendência política cravam suas garras no Supremo Tribunal Federal (STF) dizendo que a corte deu um golpe com suas sentenças ao interferir nos outros poderes, sobretudo no executivo.
Não restam dúvidas que estão todos apodrecidos, mas o STF é apenas provocado e ainda procura defender a nossa frágil democracia de uma ditadura militar. Ainda é uma trincheira a favor de eleições livres. No entanto, o Congresso é o maior vilão, principalmente a partir do “Centrão” comprado por emendas escandalosas, enquanto mais de 50 milhões passam fome e ficam nas filas do osso e das peles de animais para fazer um escaldado para enganar o estômago.
CATAM LIXO NAS RUAS
Crianças aparecem raquíticas e desnutridas como nas cenas degradantes e desumanas em Biafra, Senegal, na Guiné, no Haiti e no Congo. Milhões de desempregado catam lixo nas ruas, e a polícia todos os dias joga jatos de água em moradores de rua e desloca as cracolândias para outras praças e avenidas. Vivemos um verdadeiro caos social, com matanças indiscriminadas pela violência e massacres de seres humanos. Lá fora, nós somos vistos com pena pelos estrangeiros.
Enquanto isso, por apoiar presidentes da Câmara, do Senado e o próprio capitão-presidente psicopata, deputados e senadores recebem polpudas emendas parlamentares secretas para aplicar em projetos escusos eleitoreiros. São 15, 20, 30 e 50 milhões que recebem quando ocorre uma votação de interesse particular para manter o poder, como a recente que aumenta o auxílio “emergencial”, como se isso fosse resolver o problema da miséria.
O próprio senador Marcos do Val, do Podemos, achou estranho ter sido aquinhoado com uma emenda de 50 milhões de reais para o estado do Espírito Santo. Até o próprio ficou estarrecido e foi perguntar o motivo. A resposta foi porque ele apoiou o Pacheco para ser eleito presidente do Senado. Mesmo sendo eleitos e com direito como os outros, alguns ficam com apenas 10 ou 15 milhões.
Por si só, essas emendas já são uma aberração, especialmente agora com um tal orçamento secreto. São verdadeiros vendilhões do templo, e ainda aparecem os cínicos e os caras de pau na televisão falando que estão trabalham pelo povo, pela causa social. O Congresso, meus senhores, é uma quadrilha organizada e, tanto a direita, a esquerda, a extrema e o centro se unem quando o negócio é saquear os cofres públicos ou aprovar leis eleitoreiras para que todo esse sistema permaneça como está.
Em outro país, de gente não submissa e indignada, que não aceita ser explorada, já teria ocorrido uma revolução ou invasão dos palácios imperiais, como aconteceu agora no Siri Lanka, na Ásia. Aqui, todos baixam a cabeça e ainda agradecem as migalhas que recebem, dando seu voto de misericórdia a esses malfeitores e salteadores. Temos uma massa manobrável sem nenhum nível crítico que foi construída e moldada ao longo da história desses 522 anos de corrupção e falta de educação.
Escrevo esse texto transbordando toda minha revolta quando em minha mente passa todos os dias esse quadro de terror em meu país, que muito gostaria que fosse outro, não com essa tirania social de milhões passando fome e amontoados em casebres fedorentos, sendo aos poucos exterminados. São, na verdade, milhões de mortos-vivos. São fantasmas!
Depois das eleições é comum ouvir de “cientistas políticos” e das próprias estatísticas feitas por agências de pesquisas que o Congresso, as assembleias e as câmaras de vereadores tiveram renovação de 50 e até 60%, mas tudo isso não passa de mais um engodo. Na verdade, são os velhos caciques que entregam o bastão do poder para seus filhos e parentes mais novos, que já carregam o DNA dos pais e avós, com os vícios das malandragens.
Depois de mamar por muitos e muitos anos e encher as burras de dinheiro, o pai, ou o avô, chama o filho ou o neto e simplesmente diz que vai dar 100, 200 ou 300 mil votos para eleger sua cria. Outras vezes o cara resolve subir para a Câmara Federal ou Senado e seus mesmos votos elegem seu herdeiro para uma assembleia estadual, como nos velhos tempos dos coronéis e oligarcas latifundiários.
Esse esquema anacrônico já perdura há séculos. Então, não existe nada de mudança, só ilusão para os olhos de quem não enxerga. A grande maioria dos brasileiros está cega, muda e surda; sofre de amnésia; continua a cometer os mesmos erros do passado porque não tem história; e a outra parte menor aproveita dessa cegueira para roubar e fazer suas falcatruas. Isso tem passado de geração em geração, mas essa galinha dos ovos de ouro um dia pode secar.
PRIMEIRO ENCONTRO DOS POVOS DE AXÉ
POR UMA PRAÇA DOS ORIXÁS EM CONQUISTA
Com um ato religioso das mães de santo, acompanhadas pelos sons dos ataques, na abertura dos trabalhos, foi realizado em Vitória da Conquista, no último dia 9 (sábado), na Praça de Alimentação do Centro Cultural Glauber Rocha, o 1º Encontro dos Povos de Axé, com a representação de vários terreiros, do secretário de Desenvolvimento Social, Michael Farias Alencar Lima, do presidente do Conselho Municipal de Cultura, Jeremias Macário, dentre outros convidados do candomblé e da sociedade civil e militar.
Na avaliação de Mãe Graça, presidente da Rede Caminhos dos Búzios, uma das organizadoras do evento em conjunto com o Coletivo de Entidades Negras e Associação Cultural Agentes de Pastoral Negros, o encontro foi muito proveitoso por ter colocado em discussão questões atuais relacionadas aos povos de axé e aos negros em geral, como a intolerância religiosa, a retomada da Fundação Palmares, políticas públicas para os negros, o racismo que continua arraigado em nossa sociedade, as dificuldades que atravessam os terreiros em Conquista (mais de 70), a assistência social a essa gente, dentre outros problemas que afligem os afrodescendentes.
Na ocasião, ocorreram mesas redondas, rodas de conversas com temas sobre religião, racismo, participação do povo de Axé na política e outras abordagens. O encontro que teve início por volta das 9 horas da manhã, só terminou no final da tarde, com várias posições dos participantes contra a falta de políticas públicas dos governos em relação aos povos negros que têm sido vítimas de ações de violência e discriminação por parte de policiais.
INTOLERÂNCIA RELIGIOSA
Segundo Mãe Graça, o encontro, que contou com a participação de mais de 160 pessoas, foi um marco, e outros virão para unir mais ainda os povos de axé, visando alcançar seus objetivos e demandas. Em sua fala na abertura, o presidente do Conselho de Cultura condenou a intolerância religiosa que ainda perdura em pleno século XXI, e disse que não devíamos estar mais discutindo esse assunto, se houvesse mais compreensão e respeito religioso. Infelizmente, ainda estamos num país atrasado em pleno 2022.
Ainda em seu pronunciamento, sugeriu, com apoio e iniciativa do legislativo e do executivo, que seja criada em Vitória da Conquista, a Praça dos Orixás, como já existe a Praça da Bíblia, do Índio e outras em homenagens a personalidades da nossa história. O secretário de Desenvolvimento Social prometeu realizar ações de assistência social junto às comunidades de terreiro ainda nesses próximos meses.
O encontro teve ainda as presenças das mães de Santo Olinda, babalorixá e coordenadora da Igualdade Racial, Carminha, Cris, Lena, Paula, dos pais de Santo Idailton, Marcos, Santinho, Luciano, Ricardo, de Thais Pimenta, do Conselho de Cultura e do Núcleo Territorial de Cultura do Estado, do vereador Alexandre Xandó, também integrante titular do Conselho de Cultura, representantes do Conselho Titular da Criança e do Adolescente, da OAB, de outros órgãos e entidades da sociedade conquistense.
PROJETOS NA ÁREA CULTURAL VÃO AJUDAR ARTISTAS CONQUISTENSES
Não é muita coisa porque nos últimos anos a cultura nesses país só tem ficado com as sobras, mas a “Lei Paulo Gustavo”, de R$3,8 bilhões, vetada pelo capitão-presidente e agora restaurada pelo Congresso Nacional com a pressão da classe artística, destinada a ações emergenciais no setor, vai proporcionar uma boa ajuda aos artistas conquistenses que, como tantos outros, continuam no sufoco, principalmente depois de dois anos parrados por causa da pandemia.
Pelo critério de divisão, de acordo com a proporcionalidade populacional e do Fundo de Participação dos Municípios, a Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer-Sectel de Conquista poderá abocanhar cerca de R$2,7 milhões, podendo beneficiar cerca de 500 artistas em diversas linguagens. Dois terços serão aplicados em projetos audiovisuais e os outros restantes nos demais segmentos. Os recursos são provenientes do superávit do Fundo Nacional de Cultura (FNC).
EFEITOS DA COVID-19
Conforme o projeto, cujo relator foi o senador Alexandre Silveira, a União terá de enviar o dinheiro aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios, para aplicação em iniciativas que visem combater e reduzir os efeitos da Covid-19 na cultura. Esses entes serão responsáveis pela indicação das ações, formação de comissão de seleção dos editais abrangendo todas linguagens artísticas, entre outros atributos
A proposta foi feita em homenagem ao ator Paulo Gustavo que morreu vítima do vírus, em maio de 2021. Essa lei é a segunda aprovada pelo Congresso para auxiliar a área cultural, mas ainda é muito pouco. Outro projeto é o PL 1.518/21, chamado de Lei Aldir Blanc 2, no valor de R$3 bilhões de fomento à cultura, a partir de 2023, devendo vigorar até 2027. A lei é também uma homenagem ao artista que faleceu em 2020 de Covid.
O último apoio aos artistas conquistenses em forma de edital ocorreu no final do ano passado, beneficiando 400 participantes, num valor em torno de R$300 mil, verba do Fundo Cultural e do orçamento da Prefeitura Municipal. Cada selecionado recebeu cerca de R$750 reais, uma pequena quantia que não atendeu às necessidades dos participantes, Em 2020, em plena pandemia, Conquista recebeu cerca de R$2,2 milhões da Lei Aldir Blanc 1, quando 500 artistas de variadas linguagens foram contemplados.
LEI ALDIR BLANC 2
Essa Lei Aldir Blanc 2 foi proposta pela deputada Jandira Feghali e mais outros cinco deputados, tendo como relator o parlamentar Veneziano Vital do Rego. Esses recursos de R$3 bilhões, em cada ano, deverão ser investidos em 17 ações, como festivais, exposições, espetáculos, feiras, prêmios, bolsas para estudantes, intercâmbio cultural, aquisição de obras, digitalização patrimonial, reformas de centros, bibliotecas, teatros, dentre outros setores.
De acordo com o projeto, 80% dessa verba serão destinadas a ações de apoio na área cultural, como editais, prêmios, cursos, manutenção de espaços artísticos, dentre outras iniciativas correlatas. Os outros 20% vão para incentivo a programas e projetos em locais periféricos urbanos e rurais, bem como em comunidades tradicionais.
PROJETO PAULO GUSTAVO
De acordo com informações dos produtores culturais Jardiel Alarcon e Afonso Silvestre, o projeto Paulo Gustavo precisa ser publicado oficialmente em âmbito federal, devendo sair ainda nesta semana. A lei será regulamentada pela Presidência da República, com detalhamentos sobre seu funcionamento, num tempo de cerca de um mês.
Os estados e os municípios devem apresentar seus planos de trabalho junto ao governo federal com respaldo da participação social através de seus conselhos, plenárias ou audiência pública, dentro de um prazo de 60 dias.
Estes entes vão se habilitar, com base em suas burocracias, ao recebimento da verba que lhes cabem e uso do montante financeiro, com seus regramentos e regulamentações por meio de decretos e resoluções.
Os municípios e estados devem fazer seus empenhos gerais para seus fundos culturais para que os recursos sejam liberados ainda neste ano de 2022. A partir daí, lançam seus editais com cronograma legitimado pelo jurídico.
Pelo padrão, os editais locais devem ter prazos de inscrições, contratação de comissão de seleção, avaliação dos inscritos, resultado, tempo para recorrer e publicação de resultado final no Diário Oficial. Existem outros trâmites burocráticos que devem ser observados pelos beneficiários dos recursos federais.
MAIS UM CASO A SER ARQUIVADO
Como o caso do menino Maicon, que ninguém mais se lembra, as mortes dos ciganos (fato mais recente), a chacina numa periferia de Vitória da Conquista, o assassinato do jornalista João Alberto no final dos anos 90, dentre outros, a morte do jovem Yuri Oliveira, filho do jornalista Tico Oliveira, pelo pelotão Peto da polícia militar, será mais uma ocorrência destinada a ir para o arquivo morto.
Conforme relato de Bianca, esposa da vítima, que deixou dois filhos menores, um de 12 e outro de 10 anos, os policiais invadiram sua residência sem mandado judicial, o que constitui em crime contra a Constituição, e Yuri foi colocado na viatura, possivelmente já morto. Será que eles não sabem que entrar numa residência privada só com um mandado da justiça? Fariam isso se fosse na mansão de um ricaço ou de um político?
Os familiares só foram saber do seu falecimento horas depois, no Hospital de Base. Bianca ainda relatou que implorou para entrar em sua casa no momento da invasão, mas foi impedida pela polícia. Quando conseguiu, a casa estava cheia de sangue, segundo informações da própria.
Como sempre acontecem nessas ocasiões, o comando militar sempre anuncia que vai apurar e investigar a ação irregular de seus subordinados, mas o tempo passa e tudo cai no esquecimento. A mídia também comete o pecado de não acompanhar o resultado da investigação. O sistema já está errado quando é regra geral a polícia investigar polícia, no caso a corregedoria que cheira com corporativismo.
A impunidade neste país é mãe da violência. O pior de tudo isso é que boa parte da sociedade compactua com esses atos, dizendo que a polícia tem mesmo é que matar. Eu mesmo já ouvi muito isso da boca de certas pessoas em Conquista, não imaginando que um dia pode acontecer com elas ou com alguém da sua família.
É mais um fato brutal que nos faz lembrar os tempos da ditadura civil-militar de 1964 e do AI-5 onde os direitos humanos foram simplesmente abolidos. Não importa se a pessoa tem passagem pela polícia, se o procedimento ultrapassa os limites constitucionais e termina em morte que poderia ser evitada através da prisão do perseguido, ainda quando este estava dentro da sua residência. Não dá para entender que uma pessoa sozinha com um revólver vá enfrentar policiais fortemente armados, só se estiver com o intuito de se suicidar.
OS “BEBUNS” DO JENIPAPO
Nas andanças da vida, a gente vê e observa coisas hilárias, inusitadas e outras cotidianas que vamos incorporando aos nossos arquivos de lembranças. Os cronistas do tempo, desde a Grécia Antiga, delas se aproveitavam dessas matérias-primas para nos ofertar belos textos, muitos dos quais em forma de comédia, humor e até tragédias.
Pois é, na semana do São João estava eu numa dessas andanças pelas bandas de Juazeiro, Senhor do Bonfim e Jacobina, com intuito de encerrar as festas juninas em minha querida Piritiba, mas meu desejo de curtição evaporou-se por causa dessa pandemia. Em Bonfim tinha parentes com covid e, quando estava no distrito de Jenipapo, recebi notícia semelhante sobre a situação de Piritiba.
Com essa frustração toda, fui obrigado a retornar para Juazeiro, mas antes pernoitei na casa da minha irmã que reside atualmente no distrito de Jenipapo, que uns dizem pertencer a Jacobina e outros a Miguel Calmon, vizinho de Piritiba. Bem, isso é menos relevante que os “bebuns”.
É só para dizer que recebi o castigo dos deuses para atravessar mais um ano (agora são três) sem ver a cara da festa mais popular nordestina que mais adoro, apesar de terem descaracterizado. Até o prefeito do município de Laje, na Bahia, tentou proibir que se fizessem fogueiras no seu asfalto novo. Pense num absurdo…. dizia o ex-governador João Mangabeira.
Não quis o santo que eu tomasse nem um quentão, comesse uma canjica, um milho e nem saboreasse um amendoim cozido. Imagino que fiz alguma coisa contra ele para merecer essa punição de não cair na gandaia dos folguedos e me esbaldar como sempre faço.
Estou enrolando com isso tudo e ainda não falei dos “bebuns” do Jenipapo, mas vamos lá. Logo que cheguei, por volta das 13 horas, me deparei na rua principal da entrada (só existem umas duas ou três, e haja quebra-molas!) com um grupo de três ou quatro “cachacistas”, em pleno dia de semana, numa batucada infernal com uma pequena caixa de som estragado do tipo “bate estaca”. A coisa estava animada e só rolava a pinga braba misturada. Como não tinha mulher, dançava homem com homem no chão batido na porta da rua. Abraço pra lá, amigo pra cá e até beijo de cumpadi.
A fome começou a bater, e ai fui providenciar uma bar-restaurante para forrar a barriga que já roncava. Comida fria cheia de comim, mas a fome fala mais alto. Tomei umas geladas, que ninguém é de ferro e, na volta, os “bebuns” continuavam ainda mais animados. A tarde caiu, e os “pingunços” entraram pela noite a dentro ao som da caixa. Sem luz no casebre, a farra foi mesmo no escuro.
Cá de longe a tudo “filmava” e me divertia para esquecer que não ia mais farrear meu São João em Piritiba. Quanta saudade! Quando já era tarde, lá vem eles falar comigo com aquele bafo de álcool e conversa mole, para me convidar a se juntar a eles.
Tive que dar uma saída de que não bebia, mas o melhor estava reservado quando por volta das 24 horas, saiu de um bar, não de onde, um “bebum” caxingando de uma perna e arrastando chinela pela aquela rua deserta sem mais uma viva alma.
Uma cena hilariante! O “bebo” dava dois passos pra frente e três para trás. Uma luta danada para vencer sua embriaguez, até que se aprumou e encurtou a distância para sua casa, sem antes dar uma parada e mijar na rua. Que alivio deve ter sido!
Fiquei assuntando sua peregrinação etílica até chegar na porta do casebre. Foi a cena que me deixou mais descontraído porque o “bebum” demorou uns cinco minutos para abrir a porta. Ia de vez e voltava de costas, tentando acertar a chave na fechadura.
Naquela agonia, pensei até em ir lá para ajudá-lo, mas teve uma vez que mirou o alvo e lá caiu de vez na sala, deixando tudo aberto. Fui dormir e não soube mais o que aconteceu porque logo cedo peguei estrada, deixando Jenipapo dos “bebuns” para trás.
LINDO POR FORA E ESTRAGADO POR DENTRO
Muitos discordam e outros que é derrotismo, mas a realidade nos mostra que temos um Brasil lindo por fora de oito mil quilômetros de belas praias e encantadas paisagens naturais, e outro estragado por dentro desde que aqui chegou Cabral e depois mais uma leva de invasores que nessa terra, onde tudo dá, plantaram a corrupção, a esperteza de passar a rasteira no outro e a malandragem. No geral, somos filhos de pais com mau caráter e desvios de condutas.
São 522 anos de história cheia de ciclos econômicos e ziguezagues de Pau Brasil, Cana-de-Açúcar, Corrida do ouro e do diamante, do Café e da Borracha, uma parte de capitanias hereditárias para manter o luxo dos reis de Portugal no período colonial e a outra nas mãos de senhores oligarcas e coronéis opressores do povo que até hoje continua inculta e submissa de cabeça baixa. Temos um sistema eleitoral onde nada muda e sempre permanecem os mesmos viciados em roubar e tramar contra a República.
A parte linda de suas florestas, cachoeiras, rios, litoral, mar, baías, biomas exuberantes, biodiversidade, a fauna e a flora está sendo derrubada e queimada criminosamente, poluída e usada desordenadamente para dela extrair o capital para cada vez mais concentrar renda e aumentar as desigualdades sociais. Os índios praticamente foram dizimados pelos brancos, e os que restaram estão sendo violentamente massacrados pelos garimpos clandestinos e expulsão de suas terras.
Existe ainda uma parte linda, mas com um futuro desastroso, cujo impacto ambiental foi acelerado nesses últimos quatro anos nesse governo criminoso do capitão-presidente que mandou esvaziar e desmantelar os órgãos fiscalizadores e promotores da preservação. O Pantanal, a Floresta Amazônica e até a nossa caatinga estão sendo desfigurados e se tornando regiões desérticas.
Tudo isso está acontecendo aos olhos dos brasileiros e do mundo, com a anuência de um presidente e de um Congresso Nacional comprado e corrupto. Praticamente não existem clamor, indignação, revolta e protestos, mas somente conversas de blábláblás de cientistas, especialistas, ativistas, artistas e intelectuais que preferem ficar atrás das câmaras dando suas opiniões, ou no silêncio perturbador.
Cadê toda essa gente nas ruas, praças e avenidas para defender o direito das nossas futuras gerações e brigar para que o lindo não se torne feio, para que o mau canceroso seja extirpado. Não é somente a natureza, o nosso lindo patrimônio cultural, museus, monumentos e bibliotecas também estão sendo destruídos pelo fogo ou pelo tempo por falta de manutenção. Muitos dos nossos bens imateriais, costumes e tradições seculares estão desaparecendo e outros tantos nem existem mais. As nossas festas juninas, por exemplo, viraram shows de funks, hip-hop, lambadas, as comidas típicas substituídas por hamburguês, cachorro-quente e os folguedos se foram.
Como citei antes na abertura, o Brasil, infelizmente, nasceu estragado, que precisa ser jogado no lixo para que venha um novo. O nosso país tem um passado estragado vergonhoso de 350 anos de escravidão brutal que, de certa fora, perdura até hoje no trabalho e no tratamento para com seus filhos. Tem um longo passado de ditaduras de governos tirânicos torturadores, mais que liberdade e democracia. Tem a má formação colonial, imperial e republicana, todas sem a participação popular que sempre foi relegada e esmagada quando tentou se rebelar.
Para completar o estrago, temos dois brasis ou mais, um de lindas avenidas luxuosas e outros de ruelas, becos e esquinas de casebres subumanos, sem água potável e vivendo em pleno esgoto a céu aberto. Temos crianças raquíticas sem escolas, ingerindo drogas ou vendendo balas nas sinaleiras. Temos cracolândias e milhares morando nas ruas e viadutos. Temos um ser humano degradado que perdeu a esperança e tem medo de sair às ruas.
A parte estragada do nosso gigante Brasil está nas safadezas de cafajestes políticos carcamanos mafiosos, na elite capitalista que não quer divisão social, nas mordomias nababescas dos três poderes, nos extremistas fascistas, terraplanistas e fanáticos religiosos ou não, que primam pela prática do preconceito, do racismo, da homofobia, da misoginia e uma nação retrógrada nas ideias e no pensamento, inclusive pedindo uma intervenção militar ditatorial.
O estragado está também nessa esquerda arcaica, de linguagem velha, que esqueceu suas bases junto ao povo, para se agarrar ao poder, inclusive se juntando a essa direita quando é da sua conveniência. Está nos quase cem anos de atraso na educação, nos mais de 30 milhões de famintos, nos doze milhões de desempregados, nas violências bárbaras, nas matanças de cidadãos pelas polícias, nas favelas desumana, nos corredores da morte dos hospitais superlotados e na própria população que se deixou contaminar pelos malfeitos que vêm lá do alto, gerando a falta de respeito para com o outro do seu mesmo nível de pobreza.
A parte estragada está em nós mesmos egoístas que não reagimos, mas nos contentamos com o pouco de ter um carrinho na garagem, uma viagem vez ou outra e uma cervejinha em final de semana. Está estragado no conservadorismo, na forma de planejar o crescimento econômico e na priorização do individual pelo senso coletivo. Está na falta de consciência política, no voto vendido e comprado por favores, na ignorância de milhões de incultos, nas filas dos auxílios, nas doações como esmolas e na crença idiota de que foi Deus que assim sempre quis.
“MOMENTO HISTÓRICO”
Carlos González – jornalista
O título de uma das principais matérias do Diário Oficial de Vitória da Conquista da última sexta-feira (dia 1 º) chama atenção para suas primeiras palavras: “Momento histórico”. Na leitura do texto concluímos que esse relevante acontecimento, que entrará para os anais do município, se resumiu numa simples transmissão de cargo, no qual a prefeita Sheila Lemos, que vai fugir do frio por 15 dias, cede sua cadeira ao presidente da Câmara de Vereadores, Luís Carlos Dudé.
O papa Bento XVI entregou as chaves da sede da Igreja Católica Romana ao cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, que se tornou papa Francisco; o rei João Carlos I, da Espanha, abdicou em favor do seu filho Felipe VI, de quem sou um respeitoso súdito. Esses e outros atos similares vêm ocorrendo há séculos, sem afetação, principalmente nos países de regime parlamentarista, com constante troca de chefes de governo.
Para que amanhã Conquista não venha a ser comparada com Sucupira, a risível cidade criada pelo escritor baiano Dias Gomes (1922-1999), não vejo necessidade de se repetir as formalidades, daqui a 15 dias, quando a prefeita retornar de seu merecido e tropical descanso. Um aperto de mãos e um abraço firmam a transmissão de poder.
Mas, em vez de um simples cumprimento, na presença de poucas testemunhas, em seu gabinete, a prefeita optou por uma festa cívica, num auditório decorado, na presença de políticos, servidores municipais, dirigentes de entidades empresariais e financeiras, e da imprensa – os veículos considerados independentes ficaram de fora. O texto do decreto de posse e assunção do cargo foi encadernado e recebeu as bênçãos de um sacerdote cristão.
Creio que o presidente Jair Bolsonaro – o governador Rui Costa, “persona non grata” desta gestão, nem foi lembrado – não foi convidado, porque, certamente, não perderia a oportunidade de promover mais uma motociata nas ruas de Conquista. Usando e abusando das aeronaves da FAB, o destemperado Messias atravessou os três anos e meio de seu (des)governo passeando pelo país, e “inaugurando” obras dos outros, uma delas, o Aeroporto Glauber Rocha.
“Não tenho dúvida que aqui se registra um momento histórico da maior grandeza”, admitiu Sheila Lemos no discurso de passagem do cargo, lembrando que Luís Carlos Dudé “é um amigo de muitos anos”, que adquiriu experiência política com os amigos que fez.
Ao agradecer, Dudé elogiou a gestão de Sheila, com realização de obras nos “quatro cantos da cidade” (não mencionou o caos na saúde e na educação e o abandono da zona rural); destacou o fato de ter nascido na Alegria (zona oeste), onde mora até hoje; de ter ganhado as primeiras moedas vendendo picolé e cocada; de sua identidade com o catolicismo. Dudé se referiu ao ex-prefeito José Pedral como “meu professor e como o maior político na história de Vitória da Conquista”.
Em cima do tema em questão eu perguntaria: quem acredita que Bolsonaro vai passar a faixa presidencial a Lula? Ele já disse que vai deixar o Brasil, mas não informou o destino. Suas divergências com chefes de governo, por causa da sua política em relação a Amazônia, vão lhe mostrar que só há um caminho: a Hungria, cujo primeiro-ministro, Viktor Orbán, é um ultradireitista, que, praticamente, amordaça a imprensa.
















