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:: ‘Notícias’

A POLÊMICA DA “SIQUEIRA CAMPOS”

A Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista provocou uma polêmica danada ao criar um corredor exclusivo para ônibus na Avenida Siqueira Campos e retirar 62 estacionamentos. A primeira gritaria partiu dos lojistas da área que reclamaram perdas dos clientes. Em seguida vieram os motoristas de veículos leves devido aos longos engarrafamentos.

Em minha modesta opinião, não vejo nenhuma necessidade estabelecer uma pista exclusiva para ônibus num pedaço de uma avenida (nem um quilômetro). Não faz muita diferença, quando existem outras alternativas. Só entendo isso como uma mania de grandeza em querer imitar as grandes capitais, como Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.

Em Conquista, na “Siqueira Campos”, os ônibus passam num intervalo entre 10 e 10 minutos. Que me perdoem os usuários de coletivos, mas a diferença é pequena, com ou sem corredor exclusivo. Basta deslocar os estacionamentos para as transversais da avenida, a partir do Centro de Cultura até as imediações da Rua Coronel Gugé (Ponto do Saruê).

As avenidas mais antigas em Conquista são estreitas, como a Frei Benjamim, Maranhão, Pará e a própria Siqueira Campos, e esta última é a que tem a menor circulação de ônibus. A Regis Pacheco é larga e curta. A Bartolomeu de Gusmão tem duas vias e a Fernando Spínola não tem como fazer esse procedimento.

É verdade que a questão da mobilidade urbana é um dos principais problemas de Vitória da Conquista, mas essa experiência só provoca mais confusão e transtorno. A única saída da Siqueira Campos é retirar os estacionamentos, ou impedir que os coletivos cortem o centro, passando pelo Banco do Brasil. Não vejo razão nessa chiadeira dos comerciantes.

O mais grave no momento, no setor de transportes, é a demora do poder executivo na licitação de novas empresas para substituir as duas que entraram em falência, sem falar da falta de regulamentação das vans e outros veículos particulares que rodam na cidade de forma clandestina. Os coletivos andam superlotados, sem contar que sempre passam atrasados nos pontos.

DECISÃO INUSITADA DE UM MINISTRO

A liberdade de expressão de um artista num show musical, quanto mais quando não conta com recursos públicos, não pode ser cerceada, como aconteceu neste final de semana no Festival Lollapaloza com Pabllo Vittar e Marina que se colocaram a favor do ex-presidente Lula.

A manifestação não pode ser encarada ou classificada como propaganda politico-eleitoral, conforme interpretou um ministro do Superior Tribunal Eleitoral, que determinou a proibição e ainda estipulou multa de 50 mil reais para cada vez que a ordem fosse desobedecida.

Trata-se de mais uma decisão inusitada, como sempre tem acontecido neste pais, que nos últimos anos vive sob ameaça de uma ditadura. Quando uma empresa contrata um artista, ela não pode dizer o que ele deve ou não falar. O partido do PL acionou a corte sob o argumento de que a posição dos artistas caracterizou uma propaganda política. E se fosse ao contrário?

Não estou aqui defendendo partido “A” ou “B”, ou nome de quem quer que seja, mas sim a favor da liberdade de expressão. Num palco, o artista fala o que quiser, desde que com responsabilidade, que não ultrapasse o limite do respeito ao outro, ou use o microfone para atentar contra a democracia.

A empresa do Festival alegou que não pode agir como censora privada, controlando e proibindo o conteúdo de falas de artistas. O cantor Marcelo D2 recorreu ao Supremo Tribunal Federal. Na sexta-feira, durante sua apresentação, Pabllo gritou “Fora Bolsonaro”.

O artista ainda desceu até a plateia e ergueu uma bandeira com a imagem de Lula. A cantora britânica Marina xingou o capitão-presidente Bolsonaro e o russo Vladimir Putin.

O movimento “Cala Boca já Morreu” também se posicionou contrário à decisão do ministro do TSE. São essas e outras coisa neste Brasil que aos poucos vão minando nossa democracia, daí a necessidade de todos estarem vigilantes contra esses absurdos.

OS PASTORES ALOPRADOS VENDILHÕES DOS TEMPLOS

Os fanáticos dominadores antigos, como os navegadores-descobridores portugueses e espanhóis dos séculos XV e XVI, em conluio com a Igreja Católica, tinham convicções de que, além da exploração das riquezas naturais, suas missões eram salvar almas pagãs, mesmo que fosse a ferro e fogo, como ocorreu com o tráfico negreiro durante cerca de 350 anos.

Para esses conquistadores, a escravidão era justificável porque estavam dando aos cativos a oportunidade de se elevarem a Deus e ganhar um lugar no reino celestial. Portanto, os castigos e as torturas eram merecidos. Era esse o pensamento predominante da maioria dos jesuítas e outras ordens, inclusive do famoso padre pregador Antônio Vieira.

Em pleno século XXI, nas mesmas terras brasis, temos hoje os pastores aloprados, ou seriam os vendilhões dos templos que, em nome do seu Deus e de Jesus Cristo, se lambuzam em postos de um governo fascista teocrático radical, para tirarem proveito próprio, misturando religião com promiscuidade. O pensar deles não difere muito do de antigamente, só que os métodos são diferentes, e acham que podem transformar o Estado num reduto evangélico.

Na ganância do poder e de se tornarem mais ricos, esses ditos representantes de Deus se infiltraram justamente no Ministério da Educação, cujo titular é um outro pastor, para com o dinheiro do povo, escravizar o nosso próprio povo brasileiro. Educação para eles é catequizar e evangelizar um rebanho inculto e ignorante, tanto que angariavam verbas até para comprar Bíblias.

Esses evangelizadores não passam de um bando de aloprados que ficaram deslumbrados quando as portas do governo do capitão-presidente se abriram para eles. Acham que assim estão contribuindo para arrebanhar mais fiéis para suas igrejas, crescendo seus poderios e tomando territórios, não importando os meios, se são imorais, estapafúrdios, aberrantes e indecentes. A diferença é que esses aloprados só pensam exclusivamente neles, acima do “salvar almas perdidas”.

Como disse em sua canção nosso cantador e poeta Raul Seixas, eles rezam a Deus, para agradar o diabo. Para liberar verbas aos prefeitos, eles pediam em troca quinze, quarenta mil reais e até um quilo de ouro, o equivalente a mais de trezentos mil. Seria o “ouro de tolo” de Raul Seixas, ou a corrida do ouro, como nos tempos do faroeste norte-americano, onde prevalecia a lei do mais forte?

Todos sabem que esse filme não é desconhecido. Sempre está se repetindo porque a palavra punição para esses crimes do colarinho branco foi banida da nossa Justiça. O enredo da recente película não passa de mais uma franquia dos governos passados, desde os tempos coloniais. Pior que a maior parte do público acha tudo normal, e outros nem estão aí.

O tráfico de influência é tão antigo quanto o Brasil, e os agentes só mudam de nomes, agora sob o comando de uma turma do evangelho que, em nome de Deus, tira do pobre para contemplar suas luxúrias. São os mesmos que jogam pedras nos terreiros de candomblé e discriminam homossexuais.

Esses falsos profetas de Cristo misturam o espiritual com o terreno e ministros de Deus com Ministério da Educação. Como eles se sentem pregando os ensinamentos de Cristo, de orai irmãos para não cairdes em tentação? Falam dos pecadores que vão arde no fogo do inferno. Rodam as sacolas em nome de satanás. O mais repugnante nisso tudo é que os “fiéis seguidores” aplaudem seus atos nefastos e nojentos.

O Brasil sempre foi uma “vaca leiteira”. Essa vaca só trocou de dono. Passou da mão da coroa portuguesa para as elites políticas, oligarquias empresariais, governos federal, estadual e municipal, chegando agora aos pastores evangélicos. Todos querem mamar em suas tetas. Ela sempre tem leite porque sãos as classes mais pobres que a alimenta todos os dias, com o suor de seus rostos.

Quando veio a Lava-Jato, muitos disseram que o Brasil iria ser passado a limpo. Que seria um marco divisor de águas da nossa história. Que corrupção jamais. Não acreditei nisso porque o próprio sistema, como ele foi montado, funciona como uma fonte inesgotável para saciar a sede de dinheiro e poder desses malfeitores malignos que nem pensam no futuro de seus filhos.

LENDA, ENTREVISTA RAIVOSA E O POLITICAMENTE CORRETO E INCORRETO

Era um final de tarde onde o pôr-do-sol já anunciava o anoitecer. Um cidadão chega aflito e ofegante num posto de saúde, com sintomas de Covid-19, e é atendido por um funcionário. O expediente já era finado.

Mesmo assim, ele o recebe; olha o seu cartão e, ao ver seu nome, meio que espantado diz:

– O senhor é uma lenda, não pode morrer! Começa a clicar várias vezes em seu celular e agenda uma consulta urgente para o paciente que lhe responde:

– Moço, lenda não existe! Não passa de uma imaginação das pessoas! Como posso ser uma lenda diante de tantas contadas pela história? Sou um simples mortal.

– É sim, para mim, que o acompanho há muitos anos, pelo seu caráter, seu comportamento ético, princípios, seriedade, honestidade e reputação ilibada. Também pelo que tem feito, com seu espírito de persistência.

– Não sou nada disso, mas agradeço seu reconhecimento. Moço, como posso marcar um teste para saber se estou contaminado? Venho tentando há dias pela Central de Marcações, mas ninguém atende.

– Pronto! O senhor já está agendado com o médico para logo mais amanhã cedo. Procure descansar, porque o senhor é mesmo uma lenda, e não pode ir assim levado por esse vírus.

Ele foi para casa imaginando: Quem sou eu para ser uma lenda, apenas um contribuinte entre tantos milhões, que dedicou toda sua vida batalhando e pagando seus impostos e, quando precisa do Estado, é considerado como mais um número esquecido lá no canto.

Mesmo assim, ele se sentiu recompensado e envaidecido, porque pelo menos uma pessoa reconheceu seu valor.  Mas, não sou nenhuma lenda – responde para si mesmo. Será que lenda tem a ver com travessia de vida?

De um polo ao outro, quero aqui aproveitar o momento para repudiar o tratamento rústico, fanático e radical praticado por dois radialistas conquistenses contra duas professoras sindicalistas, numa entrevista de bate-boca, quando as representantes da entidade tentavam explicar o aumento do piso do governo federal aos profissionais da educação.

As mulheres foram interrompidas abruptamente. Confesso que, em toda minha vida jornalística de 50 anos, fiquei horrorizado com o que vi e ouvi. Foi uma aula de como fazer antijornalismo e antiradialismo, sem nenhuma compostura e ética profissional. Uma entrevista raivosa, mais para conversas atravessadas de botequins. Os entrevistadores pareciam dois ferozes pits bull em ataque descontrolado, sem o devido traquejo jornalístico!

Simplesmente, foi uma aula de como não se deve fazer uma entrevista. Foi lamentável, para não dizer, uma vergonha para imagem do nosso jornalismo e da nossa cidade de Vitória da Conquista! Ao invés da mídia ser agredida, como geralmente acontece, foi a mídia quem agrediu as pessoas que ali estavam sendo entrevistadas. Nunca vi tanta descompostura no ar!

Mas, nessa mistura que hoje resolvi fazer, falo agora do politicamente correto e do politicamente incorreto. Os dicionaristas deveriam eliminar certas palavras de seus compêndios de significados e traduções.

Aqueles radialistas até podem vestir o manto do politicamente correto, recomendado pelo falso sistema, mas sempre vão estar com suas unhas afiadas para cravar no pescoço de alguém que esteja do outro lado do seu pensamento político. Tudo requer formação e profissionalismo no que está se fazendo.

Detesto esse politicamente correto porque remete à censura. Um amigo poeta-letrista me disse que não coloca o termo “zumbi” em suas músicas porque é pejorativo e racista. Afirmei para ele que uso a palavra “zumbi” e outras quando for necessário, para dar ênfase à narrativa, não com o fito de destilar ódio e intolerância racial.

Ora, voltando ao caso da lenda, ela pode ser empregada como metáfora para reforçar o texto, sem essa de preconceito e racismo. Tudo depende como empregar. O cara pode não usar a palavra “zumbi” por temer ser julgado e jogado na fogueira da inquisição. No entanto, isso não quer dizer que ele não seja racista. Não se pode falar em lobisomem?

Certa vez fui repreendido numa conversa porque falei a expressão denegrir, no sentido de outrem tentar caluniar ou manchar a reputação de outro. Entendo esse tipo de coisa como patrulhamento ideológico. Então, tenho que me policiar o tempo todo, para não ser visto como preconceituoso?

Entendo como preconceituoso o indivíduo que se vigia o tempo todo, ou se esconde numa couraça do politicamente correto, para agradar e enganar. O politicamente correto pode ser um farsante racista de primeira, ou um lobo na pele de cordeiro. O racismo existe, como o complexo de inferioridade, onde em tudo ver preconceito e racismo.

SOBRANDO NESSA TERRA…

São tantas coisas acontecendo, gente matando gente; tanta raiva e contradição, de uns querendo impor suas ideias aos outros, sem diálogo e compaixão, na base da truculência, que às vezes fico a conversar com meus solitários botões, que aqui estou sobrando nessa terra onde plantando tudo dá. Estão plantando mais veneno que bondade e compreensão!

Mesmo assim, continuo seguindo em frente, assuntando barbaridades e agressões; lutando com minhas últimas forças para manter firme e incólume minha formação que recebi desde minhas raízes pequeninas, para não arredar pé dos meus princípios e não entrar no buraco dos ratos, para não transar com os ratos, como já disse nosso poeta cancioneiro Raul Seixas.

Foi dele também quando denunciou que tem gente que reza a Deus, para agradar o diabo. Fala-se de pátria amada, para maltratar nossos filhos; contaminar nossos rios com lixo e esgotos; derrubar florestas e tocar fogo na Amazônia. Fala-se em desejar bem ao Brasil, mas só querem embriagar-se no poder, não importando se o mal vai nos corroer. Estou matutando…

Penso que estou sobrando nessa terra da cega polarização política, que nenhum bem vai nos trazer. Ficar no mesmo lugar com o satanás, ou voltar ao passado traidor que nos prometeu fé e esperança e nos entregou separação, roubo, raiva e intolerância.

Nem um, nem o outro. Nem o presente maléfico, nem o passado de escândalos, misturado com cabras da pior espécie, do “nós contra eles”. Prefiro vislumbrar um futuro, mesmo que seja um risco. Se você não tem a coragem de enfrentar o desafio, nunca vai saber se dá certo ou errado. Um passo para frente, ou um passo para trás?

Não nasci para ser escravo de ninguém, mas, mas esse sistema bruto está sempre nos empurrando para essa escravidão. De tanto violar nossos direitos, de tanto nos injustiçar, de tantas mentiras propaladas, de tanto nos humilhar, de tantas asneiras, de tanto radicalismo fanático, de tanta negação da ciência, de tanta brutalidade e estupidez de uns contra os outros, sinto que estou mesmo sobrando nessa terra.

Há mais de dez anos calculei que essa terra iria ser extremada, que em seu chão iria germinar muito fundamentalismo porque estavam plantando árvores daninhas. Elas se espalharam por todos os cantos, como joios no trigo, cujo cultivo ficou sufocado. Os radicais, tanto de um lado como do outro, engrossaram suas fileiras e dizem que só pensam em fertilizar a terra. Será que não é mesmo torná-la mais árida, seca, agreste e infértil?

Pois é, meus amigos camaradas, que me perdoem o atrevimento, longe de ser o dono da verdade absoluta, mas sinto-me como um ente sobrando nessa terra. Posso até ser uma sobra, ou uma voz que clama no deserto, sem ser profeta da maldição. Apenas extravaso meus sentimentos, sem nenhuma presunção de ser guia ou guru de ninguém.

No quadro atual, não importa muito ser de direita ou de esquerda. O que mais conta é ter juízo menino, como falava nossos pais. Os de hoje estão mais preocupados no ter que no ser. Estão mais para competir de qualquer maneira, mesmo passando rasteiras, para sobreviver nesse mundo cão e ganhar algum dinheiro para alimentar os seus. Outros são ainda mais vampiros ganancioso, e até roubam, sem nenhum pejo.

Acho que nessa terra sobra cegueira e soberba e falta mais humildade e raciocínio lógico para consertar os erros; fazer uma sincera mea culpa e não repetir a história. Passo aqui nessa terra, mais um dia cheio de informações truncadas, catando as sobras que os caras do alto de suas sacadas jogam para os que estão no asfalto.

Diante de toda essa parafernália, o tempo parece correr mais rápido, de forma mais desumana, mas ele continua no mesmo compasso. Nós que aceleramos demais os passos, e nem olhamos mais para trás, nem paramos para construir o futuro. Muitos deixaram de dar suas opiniões com medo de levar umas bordoadas, e alega que não tem mais tempo para isso. Será que não estou sobrando?…

CONQUISTA SEM FUTEBOL POR UM ANO

Carlos González – jornalista

Sem a presença de Vitória da Conquista, cujo futebol acompanha a letargia dos governantes, políticos, setores produtivos e esportistas, o interior baiano se prepara para realizar a festa do campeonato estadual, que, provavelmente, será uma espécie de ensaio para os festejos juninos. Atlético, de Alagoinhas, Bahia, de Feira de Santana, Jacuipense, de Riachão do Jacuípe, e Barcelona, de Ilhéus, vão brigar por um “caneco” que sempre esteve nas galerias de Bahia e Vitória.

Na verdade, o Esporte Clube Primeiro Passo Vitória da Conquista não vai estar totalmente ausente dessa festa dos seus companheiros interioranos. Ao Bode será dada a incumbência de carregar a lanterna que vai iluminar o salão de dança.

Conhecedor habitual das séries “C” e “D” do futebol brasileiro, o Vitória da Conquista não terá dificuldade em disputar a 2ª divisão do Campeonato Baiano de 2023, que só será iniciada dentro de aproximadamente um ano, o que significa fechamento do Estádio Lomanto Júnior, cujos operários só terão a obrigação de aparar a grama.

Em nota oficial divulgada em sua página na internet, a diretoria e os conselheiros do Conquista garantem que “o momento é de tristeza e dor”, e pedem desculpas aos torcedores, patrocinadores e apoiadores, “por não terem conseguido conquistar os objetivos traçados”. Em seguida, é óbvio, a nota se refere ao período de pandemia, o que provocou uma queda na receita, sem que o clube deixasse de honrar seus compromissos financeiros. Por fim, prometem ao conquistense voltar a fazer parte da elite do futebol baiano, onde se manteve por 17 anos seguidos.

A nota não se refere à dispensa de jogadores, o que sempre gera uma enxurrada de processos na Justiça do Trabalho, uma preocupação até para os grandes clubes do país, obrigados a se desfazer do seu patrimônio (o Santa Cruz, do Recife, está na iminência de perder seu estádio). Também não há nenhum indicativo a respeito da vigência dos contratos com os patrocinadores.

O futebol da terceira maior cidade do Estado – um dos seus filhos, Ednaldo Rodrigues, é o presidente da CBF -não pode continuar vivendo de migalhas, aliada à indiferença dos governantes. Exige um patrocinador de peso. Tenho uma sugestão: por que sua diretoria não procura o Homem de Verde (não se trata do Hulk), a cor predominante no uniforme do Conquista? Refiro-me ao bilionário catarinense Luciano Hang, que ultimamente vem colocando parte dos seus US$ 2,7 bilhões em cinco clubes de futebol, inclusive Vasco e Flamengo, além de investir no voleibol, natação e automobilismo.

A ajuda do Hang ao clube alviverde seria uma maneira dele retribuir ao conquistense o acolhimento recebido desde abril de 2018 quando aqui inaugurou uma das suas 160 lojas, sendo duas – a outra está em Barreiras – na Bahia.

Mesmo preservando o nome do município, o ECPP Vitória da Conquista é vítima de uma “doença” que bloqueia o crescimento da maioria dos clubes nordestinos: a falta de amor do torcedor local, sentimento que é transferido para os clubes cariocas, em especial ao Flamengo. O jornalista, dramaturgo e torcedor do Fluminense Nelson Rodrigues (1912-1980) chamaria esse apego ao que vem de fora de “complexo de vira-lata”, colocando o ser humano numa posição de inferioridade.

 

 

 

DIA MUNDIAL DA ÁGUA

As antigas civilizações, muito antes de Cristo (oito ou dez mil anos) cresceram e prosperaram às margens de grandes rios, como os sumérios entre os rios Tigre e Eufrates, o Egito e outros povos ao redor do Nilo, os gauleses ao lado do Sena e a própria China.

A história nos conta a preponderância da água na formação de grandes impérios e na construção de suas economias, inclusive contribuindo no desenvolvimento da cultura, dos inventos e até no domínio de outros territórios. Desde o início que a humanidade guerreia pela água, bem antes do petróleo e dos minerais.

Neste 22 de abril é comemorado o Dia Mundial da Água que, de tanto ser desperdiçada, hoje vive uma crise de escassez, e mais de um bilhão de habitantes no mundo a consome sem ser tratada, gerando doenças e mortes. A falta de água mata mais depressa que a de alimentos.

Antes de ser celebrada como vida, o ponto principal a se refletir é que o homem cada vez mais destrói e envenena nossos rios. O nosso planeta, por exemplo, poderia ser chamado de água. Estou aqui falando da água doce que é menos de 1% do que existe em comparação com os oceanos salgados.

Em se tratando de guerra pela água, essa disputada existe bem perto de nós, aqui na Bahia e na região sudoeste. Quando aqui cheguei para chefiar a Sucursal de A Tarde, umas das minhas primeiras reportagens foi justamente sobre uma briga que estava ocorrendo entre produtores irrigantes de Nossa Senhora do Livramento e Dom Basílio.

Eles se digladiavam pela água do rio Brumado, se não me engano, pois, um bloco estava recebendo mais que o outro. A coisa foi feia e tinha gente até armada na reunião que houve entre as partes. Esse entrevero está lá até hoje. Estou citando apenas um exemplo. Mas essa mesma situação acontece no oeste e entre os irrigantes do Rio São Francisco, tão maltratado.

Por falar no “Velho Chico”, é só rememorar as divergências (a penitência e o jejum do bispo de Barra) para que o projeto de transposição das águas do rio não fosse concretizado. Hoje ele está cheio e transbordando por causa das chuvas, mas o que será dele quando bater por aí uma longa estiagem, uma seca daquela bem intensa?

Por tudo isso é que a água é o bem mais precioso de todas as riquezas existentes na terra, mas as pessoas no geral, sem a devida educação, nem pensam nisso e desperdiçam esse líquido divino. Na Bahia, de acordo com dados levantados pelo Instituto Trata Brasil, quase 42% da água potável é jogada fora. Além disso, lixo e esgotos são lançados em nossos mares e rios. Esse recurso se encontra atualmente ameaçado, mas existem ações de preservação, que ainda são poucas.

“SERTÃO COLORIDO QUANTO PRETO E BRANCO”

Como o pintor espanhol Pablo Picasso que retratou os horrores da guerra civil espanhola e as atrocidades do ditador Franco, o nosso artista conquistense Silvio Jessé nos traz, em seus quadros, os sofrimentos dos sertanejos diante da seca e da omissão dos políticos e governantes em resolver os problemas do homem do campo. Sílvio é o Picasso do sertão, embora com outras formas, linhas e estilos modernistas.

Lembro como jornalista de uma entrevista que fiz há muitos anos sobre o trabalho de Silvio onde ele recordava da sua infância numa fazenda do município de Vitória da Conquista. Dizia que foi ali que começou a aprender a pintar, usando a terra e olhando as pessoas, seus costumes e hábitos. Tudo isso é vida e pura poesia que transborda da alma.

Como escreveu a curadora Ester Figueiredo sobre sua exposição no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, a partir de suas obras inspiradas no fotógrafo Evandro Teixeira (olá, meu amigo), “Sertão Colorido Quanto Preto e Branco” é tudo isso, sua expressão maior do seu tempo de moleque travesso na roça.

Só para não deixar passar em branco, Teixeira é um dos maiores fotógrafos do Brasil que reportou sobre a tomada do Forte de Copacabana, a passeata do cem mil durante a ditadura militar, expedição a Canudos e tantas outras coberturas fotojornalísticas que impactaram nossos olhares e nos transportam para a história do passado. Ele é um guardião da memória brasileira.

Sílvio Jessé segue esses passos poéticos, desde sua infância do cotidiano do sertão, com texturas agrestes. Em seus quadros de linhas modernas e cubistas, com o tom do forte realismo expressionista, o artista plástico mostra em seus quadros, o homem do campo com suas cabras, num cenário árido, tendo ao lado uma capela que representa o sagrado da fé sertaneja do bravo e lutador.

Ainda em sua exposição, suas pinturas retratam o carro-de-boi (um dos meus primeiros meios de transporte quando menino), as mulheres em sua labuta como fortes guerreiras e até chefes de famílias, o folclore do interior, a questão da escassez da água, o jumento (animal símbolo do Nordeste) que faz o transporte, representado na carga de carotes, a sequidão, os retirantes fugindo das estiagens em busca de outros lugares melhores, inclusive para o sul do pais e os folguedos, para demonstrar que o sertão não é só tristeza em preto e branco. O sertão é também o colorido das pessoas e das paisagens quando no chão batem as chuvas.

A exposição de Jessé é pura reflexão da realidade simples do homem que faz parte desse cenário sertanejo, que está dentro de todos nós, como descreve o escritor Guimarães Rosa, com toda sua profundeza. Sua mostra é um mergulhar no fundo do túnel do tempo. Suas obras também falam da minha infância, e nelas penetro como personagem desse sertão agreste, cinza e colorido. Sílvio é o verdadeiro poeta do pincel.

A XENOFOBIA E O RACISMO NO BRASIL CONTRA OS REFUGIADOS

“ E o que acho mais chocante é que a gente sofre racismo não só dos brancos, mas dos próprios negros brasileiros”. O desabafo é da advogada congolesa Hortnse Mbuui, que chegou ao Brasil em 2014, destacando que desde as últimas eleições presidenciais, foi nascendo um ódio contra os imigrantes. Para ela, o imigrante branco se mistura com os brasileiros e é mais respeitado.

Como se vê, quando se trata de xenofobia, até os próprios negros brasileiros discriminam os negros refugiados de outros países, como do Haiti e do continente africano, principalmente aqueles que mais cobram que sofrem preconceitos internos. É uma tremenda hipocrisia e falsidade! É preciso separar o que é verdadeiramente racismo daquilo que se tornou uma fábrica de racismo no Brasil.

Em uma entrevista num jornal da capital, vários refugiados fizeram essa observação que a congolesa destacou na reportagem. Pode-se dizer que é uma vergonha. Qual moral existe naquele negro que pratica a xenofobia contra um outro irmão vindo da África, ou de um país negro, e se queixa que é vítima de racismo aqui?

A congolesa Hortnse disse muito bem, e é uma verdade, quando ela assinala que esse ódio se acentuou mais ainda no governo do capitão-presidente, porque ele, com sua estupidez e barbaridades, induz as pessoas à intolerância e à violência.

Com relação ao meio ambiente tem acontecido o mesmo quando ele flexibiliza as leis e abre as porteiras, para a passagem dos grileiros e mineradores derrubarem nossas florestas. O mesmo ocorre com a homofobia, quando, com suas palavras, repudia os homossexuais, e assim por diante no caso da vacinação contra a Covid-19, dizendo que não vai imunizar sua filha.

No caso da questão anterior que nos reportamos, é claro que não restam dúvidas que o maior racismo parte do branco, mas existem muitos negros racistas, e movimentos que, ao invés de unir, terminam por separar e dividir, quando criam ambientes hostis por causa das diferenças de cor.

É muito triste ainda termos que falar nisso (xenofobia, racismo, diferenças de pele, cor e outros tipos de discriminação) em pleno século XXI, quando todos deveriam ser tratados como iguais, mesmo cada um com suas diferenças e potencialidades. Nesse quesito específico, e em outros também, a humanidade não se evoluiu, embora se ache civilizada porque possui um celular na mão para falar merda e propagar mentiras.

Agora mesmo está aí essa guerra entre Rússia e Ucrânia que nos serve de exemplo. Os refugiados de lá têm tratamento diferenciado, bem melhor, que quaisquer outros que sejam árabes, sírios, afegãos, africanos ou iraquianos. É horrível ver como há uma seleção de entrada nas fronteiras da Polônia, da Romênia, Hungria e outras nações europeias.

Na verdade, ainda somos brucutus dos tempos primitivos onde humanos jogavam pedras contra outros. Até quando ainda vamos falar de racismo, xenofobia, misoginia e outras formas de preconceito? Tem aquele ditado que diz: “Quem tem telhado de vidro, não deve jogar pedra no do outro”.

DIA MUNCIPAL DA CULTURA

Infelizmente, poucos têm conhecimento porque também não é lembrado pelas instituições e a mídia em geral, mas o 14 de março (ontem, segunda-feira), foi o Dia Municipal da Cultura no âmbito do município de Vitória da Conquista, instituído pela lei número 1.367/2006, e assinada pelo prefeito José Raimundo Fontes.

A Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, com base na lei, concede medalha de Mérito Glauber Rocha a homenageados indicados pelo Conselho Municipal de Cultura, em sessão solene no próximo dia 18 (sexta-feira), quando a data será comemorada pelos parlamentares, artistas e pela plenária.

Nas homenagens ao Dia Municipal da Cultura, é bom que se faça uma reflexão sobre mesmo o que é cultura, principalmente nesses tempos tão difíceis onde o atual governo federal só faz destruir o que ainda existe dela. Outra indagação a ser feita é sobre como vai nossa cultura em Vitória da Conquista e o que se pode fazer para melhorar.

O que se tem feito ainda deixa muito a desejar, especialmente em relação a Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, que já foi celeiro de grandes artistas e pensadores. Não é que atualmente não existam grandes talentos, mas as nossas expressões artísticas não têm recebido o apoio merecido dos poderes públicos.

Os recursos têm sido escassos, e os governantes, infelizmente, têm colocado a cultura apenas como um jarro de decoração em suas mesas. Talvez entendam que não rende voto e alocam poucas verbas para o setor. Os artistas em geral vivem a mendigar para realizar seus projetos.

Temos muita luta pela frente para que Conquista volte à sua efervescência cultural dos anos 50, 60 e 70. Nesse sentido, o atual Conselho Municipal de Cultura está dando seus primeiros passos para criação do Plano Municipal de Cultura e, consequentemente, seja instituída uma Fundação Cultural. Esse Plano ira ditar as diretrizes políticas para resgatar a nossa cultura.

O dia 14 de março é comemorativo ao nascimento do cineasta Glauber Rocha e lembra também o nascimento de poeta Castro Alves, há 175 anos. Por isso também, o 14 de março é o Dia da Poesia, uma linguagem que é vida.

Como todos sabem, Castro Alves dedicou suas poesias às questões sociais e foi um grande defensor da libertação dos escravos. Um abolicionista que abriu portas para outros intelectuais lutarem pelo fim da escravidão no Brasil.





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