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OS GENERAIS DEBOCHAM ENQUANTO SE LAMENTA PELO LEITE DERRAMADO
Por que os generais debocham quando aparecem novas denúncias de torturas durante a ditadura civil-militar de 1964? A resposta é porque os torturadores não foram punidos quando terminou o regime e começou a redemocratização com os governos civis, como ocorreu na Argentina, no Chile e no Uruguai.
As feridas ficaram abertas com a anistia de 1979, e não adianta ficar aí agora lamentando pelo leite derramado, com falas de historiadores, das vítimas e especialistas no assunto. Além de debochar, com a maior cara de pau, eles estão agora no governo do capitão-presidente tentando desconstruir a história, até negando de que não houve ditadura no Brasil.
De certa forma, o vice-presidente, general Hamilton Mourão tem razão quando diz que, “apurar o quê? Os caras já morreram tudo, pô. Vai trazer os caras do túmulo (…) A mesma coisa que a gente voltar para a ditadura de Getúlio Vargas. São assuntos já escritos em livros, debatidos intensamente”.
O presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Luis Carlos Gomes Matos “esnobou” os áudios da ditadura, dizendo que “não atrapalharam a páscoa de ninguém”. Enquanto isso, eles compram 35 mil comprimidos de viagra superfaturados e próteses penianas para o exército, além de bacalhaus e outros artigos de luxo num país de 50 milhões de subnutridos.
Pois é, recentemente, com 93 anos, se foi o general Newton Cruz, chefe da Agência Central do Serviço Nacional de Informações, entre 1977 e 1983. Em 2014, o Ministério Público Federal (MPF) denunciou Cruz por participação no atentado a bomba no Riocentro, em 1981. Meses depois a Justiça Federal concedeu habeas corpus aos cinco militares e um delegado envolvidos.
No mesmo ano, o general foi apontado pela Comissão da Verdade, que ficou no papel, como um dos 377 militares que cometeram crimes durante a ditadura. Antes de morrer, em 1982, o jornalista Alexandre von Baumgarten deixou um dossiê no qual acusava integrantes do SNI de planejar sua morte, e apontava o general Cruz como autor da sentença. Todos foram absolvidos.
A ação no Riocentro foi planejada por seis acusados integrantes da linha dura do regime, para causar pânico em um show pelo Dia do Trabalho que reuniu cerca de 20 mil pessoas. Ocorreu que a trama deu errada, e uma bomba explodiu no colo do sargento Guilherme do Rosário, que morreu no local.
Muitos outros, como o general Newton Cruz e o maior torturador coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do Doi-Codi do II Exército entre 1970 a 1974 (um dos órgãos da repressão política), já se foram sem terem sofrido nenhuma punição. Com base no código da anistia, o próprio Supremo Tribunal Federal absolveu os torturadores.
Os governos ditos de esquerda do PT, nos períodos de Lula e Dilma, não chegaram a empreender qualquer esforço no sentido de punir os torturadores. Em algumas ações, como na Comissão da Verdade, eles foram rechaçados e até ameaçados com pronunciamentos duros. Todos se calaram, e alguns até disseram tratar da questão seria revanchismo e ameaça à democracia.
O Brasil foi covarde e o único país da América do Sul onde essas feridas da ditadura ficaram abertas. Boa parte dos documentos foram queimados e destruídos. Na época, de 1964 a 1990, cerca de 500 presos políticos foram mortos e desaparecidos. O maior massacre aconteceu na Guerrilha do Araguaia. Está aí a explicação mais plausível do deboche quando são revelados episódios de torturas durante o regime militar.
UMA ESTRELA “REVOLUCIONÁRIA” QUE SE RENDEU AO CAPITALISMO
Ainda nas asas do discurso da teologia da libertação da Igreja Católica, nascia na década de 1980 um partido com uma estrela “revolucionária” no peito, mas logo ela foi se desbotando quando se rendeu ao deslumbre das escamas douradas do neoliberalismo capitalista de mercado.
Sua linguagem de mudanças atraia multidões na voz rouca bluseira de um nordestino pau-de-arara, trazendo uma “boa nova” para os pobres e todos aqueles que ficaram largados nessa estrada da justiça e da igualdade social. Por diversas vezes, tentou chegar ao poder, mas foi repelido pelo brutal sistema dono do senhor capital.
Essa estrela, então, resolveu misturar a sua cor com outras diversas, muitas das quais carraspentas e manchadas pela ganância do sempre ter mais, mesmo que sejam por vias inescrupulosas. Para galgar o Planalto teve que fazer o pacto com o diabo, ou aliás, com vários diabos que passaram anos treinando praticar as piores maldades contra o povo na escola do inferno.
Mil maravilhas e muita empolgação na junção de bandeiras diferentes a tremular pelas esquinas, praças, ruas e avenidas deste gigante varonil adormecido. De braços dados com a burguesia, logo o medo se dissipou para dar lugar à esperança e à fé de que logo se chegaria à terra prometida. Nem se questionou que aqueles acompanhantes não passavam de malfeitores.
Para os mais sensatos e analistas do sistema imoral apodrecido, aquele cruzamento com animais diferentes deformados não iria dar certo, e dali poderia gerar um dragão devastador e centenas de outros monstros. Não deu outra, e a estrela, que logo deixou de ser “revolucionária”, foi expelida do ventre de seus “companheiros” cafajestes.
Ao perceber que essa estrela estava se desviando de rota, dos seus princípios fundamentais humanistas e sendo conduzida por uma cambada oligarca de canalhas corruptos, onde os meios justificavam os fins, muitos caíram fora porque as bases foram desprezadas em detrimento de uma governabilidade sem escrúpulos.
As principais lideranças dessa estrela do PT foram os primeiros a se lambuzar na sujeira dos mais espertos que nunca aceitaram distribuir renda para os mais necessitados, e isso é histórico na dialética da humanidade. A elite burguesa sempre foi retrógrada nesse sentido por pensar somente em seus interesses de enriquecimento próprio, inclusive roubando, e não no desenvolvimento da nação como um todo, não sabendo ela que mais igualdade social significa mais crescimento econômico e mais lucros para todos.
A história nos mostra que todas as vezes que a esquerda fez alianças com a burguesia. Como Carlos Prestes com Getúlio Vargas, terminou sendo expurgada lá na frente, e quem mais perdeu foi a classe operária, as camadas mais vulneráveis e toda população. Nesse país, as esperanças sempre vão e voltam.
O partido da estrela passou 20 anos no poder e perdeu várias oportunidades de deixar sua marca revolucionária, como, por exemplo, empreender uma luta pela punição dos torturadores da ditadura civil-militar de 1964. Fez as comissões da verdade, cujas denúncias ficaram no papel. Hoje os generais debocham quando se fala em torturadores.
No entanto, outros governos da América Latina, como Argentina, Chile e Uruguai prenderam os mentores do regime que cometeram atrocidades. As feridas continuam abertas, tanto que os generais, tendo à frente o capitão-presidente, negam a história e ainda elogiam o golpe que, para eles, foi uma revolução.
Por não se redimir de seus pecados, essa esquerda foi destroçada pela negação de seus ideais construídos lá na frente nos tempos da sua fundação. Para arrancar do trono o dragão que criou, agora retorna com a mesma leitura prepotente e os mesmos métodos e táticas autoritárias, fazendo as mesmas alianças com o satanás.
Estamos condenados a assistir o mesmo filme de polarização estúpida de 2018, recheada de mais mentiras, sem a opção de uma terceira via para exterminar os monstros e os fantasmas que saíram de seus túmulos para infernizar a vida dos brasileiros.
Para o bem do Brasil, no quadro atual, a estrela desse partido não deveria ter candidato a presidente da República, principalmente com um vice que comparou o PT, lá no passado, como o diabo saído do inferno. A extrema-direita dos fanáticos terraplanistas só cresce. Como vampiros, se alimentam e se fortalecem exatamente do sangue do ódio e da intolerância. Sem essas substâncias, eles perecem. Vamos ter mais quatro anos de terror, com cenas apocalípticas? Quem viver, verá!
Essa esquerda precisa urgentemente sair de seus gabinetes teóricos e voltar a lidar e a se comunicar diretamente com as bases periféricas e faveladas de milhões de famintos e desempregados. Caso contrário vai dar com os burros n´água ou na lama novamente. Ela não pode entrar nesse laço do radicalismo que só favorece o monstro-dragão.
VIOLÊNCIA NO FUTEBOL
Carlos González – jornalista
Na madrugada de 2 de julho de 1994, ao deixar uma discoteca na cidade colombiana de Medellin, o zagueiro Andrés Escobar, 27 anos, recebeu 12 tiros de um torcedor de futebol do seu país, que, segundo as investigações policiais, seria um apostador; no dia 31 de março, a esposa de Cássio, goleiro e ídolo do Corinthians, encontrou em sua conta no Instagram uma nota assinada por um tal $heik Caçador, também viciado em apostas, com xingamentos e ameaças de morte ao casal.
Os autores dos dois crimes e os motivos por eles apresentados foram colhidos pelas autoridades policiais de Medellin e de São Paulo. Os colombianos Humberto Muñoz Castro, Pedro David e Juan Santiago Gallón Hernao revelaram que perderam muito dinheiro no jogo realizado em 22 de junho de 1994, pela Copa do Mundo dos Estados Unidos, no qual os sul-americanos foram eliminados pelo país anfitrião com um gol contra de Escobar.
Diante da repercussão dada ao episódio de violência contra o Cássio, com o envolvimento do Ministério Público, e da intenção do jogador, bastante assustado, de deixar o Corinthians, o autor das ameaças se apresentou à Polícia. Igor Maranhão, que já foi preso por porte ilegal de arma e por receptação de furtos, alegou que se encontrava nervoso por ter perdido dinheiro num site de apostas, responsabilizando Cássio pelas derrotas que o time paulista vem sofrendo ultimamente.
Nas narrativas violentas que acompanham o futebol sul-americano há décadas, os homicídios ou tentativas praticadas contra atletas sejam raros, mas não se pode omitir do noticiário policial as verdadeiras batalhas, com mortes, entre torcedores dos clubes cariocas e paulistas, ao ponto do MP determinar torcida única nos estádios.
Os chamados jogos de azar (bingos, cassinos, jogo do bicho e apostas online) estão proibidos no Brasil desde abril de 1946 (decreto-lei 9.215, assinado pelo presidente Eurico Gaspar Dutra), sob o argumento de serem degradantes para o ser humano, desempregando 60 mil trabalhadores. A proibição ficou apenas no papel, porque em qualquer esquina se encontra uma banca do jogo do bicho, e as casas lotéricas, licenciadas pela Caixa Econômica, funcionam em todas as cidades do país.
“Cassino” na Fonte Nova
Recordo-me que no antigo e saudoso Estádio Octávio Mangabeira funcionava um “cassino a céu aberto” no último degrau das arquibancadas freqüentadas pela torcida do Vitória. Apostava-se de tudo, como, por exemplo, a ordem de entrada em campo das equipes, o primeiro escanteio, etc. Nunca soube de atitudes violentas entre os apostadores. Em 2018, o presidente Michel Temer decretou a legalização das apostas esportivas, dando oportunidade à abertura de dezenas de empresas, difundindo suas marcas em placas de publicidade nos estádios, na internet e até nos uniformes dos times, inclusive da Seleção Brasileira. O futuro dirá se as ameaças de morte a Cássio ou tentativas de suborno a jogadores não contribuirão para o aumento da violência no futebol brasileiro.
No passado, costumava-se chamar argentinos e uruguaios de “catimbeiros” e violentos, qualificativos transferidos mais tarde para jogadores (Casimiro, uma das estrelas do Real Madrid, é recordista europeu de punições com cartões) e comissões técnicas dos clubes brasileiros. O torcedor paga caro para assistir jogos com mais de 40 faltas, muitas delas brutais, as enervantes “ceras”, as ridículas cenas de empurra-empurra, e a falta de compostura dos atletas e treinadores ao se dirigirem a árbitros e assistentes.
O futebol do Espírito Santo é um dos menos divulgados do país, mas recentemente ocupou o noticiário esportivo e policial da imprensa, com repercussão internacional. No intervalo de uma partida válida pelo campeonato estadual, o técnico da Desportiva Ferroviária, Rafael Soriano, desferiu uma cabeçada, atingindo o nariz da auxiliar de arbitragem Marcielly Netto. O agressor foi expulso de campo, suspenso preventivamente pela Justiça Esportiva e demitido do cargo de treinador da Desportiva. Marcielly prestou queixa numa delegacia policial e se submeteu a exame de corpo de delito, além de receber o apoio do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, e do clube capixaba.
Pretendo questionar neste parágrafo a ausência de idosos e deficientes físicos nos locais dos estádios onde os ingressos são mais baratos. Esse público que, por lei, goza de prioridades, está sendo obrigado a adquirir um camarote ou uma cadeira especial, por falta de condições de permanecer de pé por mais de 90 minutos, Enquanto nos estádios da Europa 80 mil torcedores se mantêm sentados durante um jogo, no Brasil, 100 ou muito menos insistem em ficar de pé. Trata-se, sem dúvida, de mais um ato de violência, marcante no futebol brasileiro.
“Organizadas”
Você já viu torcida organizada fazer um trabalho social ou protestar nas ruas contra a inflação e os aumentos constantes do gás de cozinha e da gasolina? Claro que não, mas, frequentemente, adeptos do Corinthians, Palmeiras, Flamengo e Vasco são convocados pelas redes sociais para batalhas campais, com probabilidade de haver mortes. Entre os atos praticados por essas verdadeiras gangues, que deveriam merecer uma ação mais enérgica das autoridades, estão os ataques com pedras e paus aos ônibus que conduzem as delegações dos adversários, e a invasão dos centros de treinamentos dos seus clubes para dar uma “prensa nos pipoqueiros”.
As duas maiores torcidas organizadas de Salvador, a Bamor (Bahia) e a Invencíveis (Vitória) se limitavam a leves contendas entre seus membros, embora as duas não possam estar juntas num mesmo estádio. Essa calmaria foi quebrada por um gesto impensado de três ou quatro sócios da Bamor. Revoltados com a desclassificação do Bahia na Copa do Nordeste e no Campeonato Baiano, arremessaram explosivos contra o ônibus que conduzia a delegação tricolor para a Fonte Nova, ferindo o goleiro Danilo Fernandes, que passou por uma bateria de exames oftalmológicos, desfalcando seu time em várias partidas. Sete sócios da Bamor foram identificados e detidos pela polícia, que até o momento não chegou aos autores da tentativa de assassinato. Um dos carros usados no ataque pertence a Half Silva, presidente da organizada.
A INTERDIÇÃO DO TEATRO CARLOS JHEOVÁ
Desde o início da pandemia, portanto, já são mais de dois anos que a casa de espetáculos de Vitória da Conquista, Teatro Carlos Jheová, localizado na Praça da Bandeira, se encontra interditado, privando os artistas conquistenses de realizarem suas atividades artísticas.
Durante esse período correu um boato na cidade de que aquelas instalações junto com o Mercado de Artesanato, que fica ao lado, seriam demolidas para, em seu lugar ser erguido um shopping comercial.
Atento ao problema, um grupo de jovens dos setores de audiovisual e teatro fizeram um movimento condenando essa possível derrubada do prédio e cobrando do poder público municipal uma urgente reforma das duas unidades.
Provocado pelas manifestações, o Conselho Municipal de Cultura realizou, no final do ano passado, vários debates com os artistas em torno do assunto, chegando a enviar ofícios ao poder executivo solicitando explicações em torno das especulações imobiliárias e providências para recuperar o teatro.
A prefeitura desmentiu qualquer possibilidade de demolição do conjunto artístico da cidade e reiterou que está em andamento o plano de uma reforma do Teatro Carlos Jheová e do Mercado de Artesanato. Segundo informações, a Secretaria de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer está empenhada em resolver o problema e na busca por soluções efetivas.
Na ocasião, o grupo de jovens chegou a se manifestar perante à Câmara de Vereadores visando intermediar ações no sentido de que a reforma fosse agilizada em tempo hábil para a reabertura do teatro. Sensibilizados, alguns parlamentares chegaram a liberar emendas para somar recursos com fins de iniciar a obra. No entanto, com o passar do tempo, a situação só tende a piorar para uma maior degradação.
Com o abrandamento da pandemia e a flexibilização dos encontros e shows, os artistas de um modo geral, inclusive do setor musical onde existe uma maior demanda, estão sem um local apropriado, no caso um teatro específico de arena, para apresentar seus trabalhos ao público.
UMA CATEGORIA ENFRAQUECIDA POR CAUSA DO INDIVIDUALISMO
Sempre foi vista, até certo tempo, como o quarto poder por ser formadora de opinião, tida por muitos como “o cão de guarda” em defesa da liberdade de expressão e a voz por uma sociedade mais justa e igualitária. Era para ser uma das categorias mais fortes e respeitadas do país, com sindicatos bem estruturados e com grande poder de barganha sobre os patrões.
Claro que estou falando da classe jornalística, que depois de passar por tantas adversidades, como ser censurada durante o regime militar de 1964; fazer história; romper com barreiras; e ser guardiã da democracia quando levanta matérias investigativas sobre corrupção e complôs na política, vive hoje uma crise de identidade, a começar pelo enfraquecimento de suas entidades, sem falar dos xingamentos de um presidente da República que odeia as críticas e abomina a liberdade.
Na minha concepção particular, essa falta de fortalecimento da categoria está no individualismo, naquele egoísmo do cada um cuidando de si para sobreviver. Sempre foi uma profissão mal paga em termos de remuneração e, para preencher essa deficiência, o trabalhador ou operário da notícia (jornalista não gosta de ser assim chamado) tem dois ou três empregos por fora, alguns deles até chamados de bicos. A prepotência é outro mal.
CADA UM QUE SE VIRE
Até hoje ainda persiste aquela ideia fechada de que cada um que se vire no mercado. Quando comecei a atuar na atividade, lá pelos anos 70, ouvia muita essa conversa de que o sindicato só faz atrapalhar. Somente poucos falavam o contrário e me apoiaram quando resolvi me filiar. Outro problema que atrapalhava na busca pelos interesses do profissional era a politização em demasia. Muitos preferiam se afastar.
Naqueles anos ainda existia uma militância mais robusta que foi definhando até os dias de hoje, principalmente com o fim da obrigatoriedade do diploma, por volta de 2009/10, mas a decadência já havia batido na porta bem antes disso. Não são propriamente os dirigentes que são culpados.
Estou falando no geral em termos de Brasil, a partir da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), mas quero trazer esse problema para a questão local, no caso o nosso Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba), que só consegue arrecadar seis mil reais por mês dos seus minguados associados.
Será que foi a tecnologia da internet e a diversificação do mercado que provocaram esse enfraquecimento? Ou a própria desunião? As redes sociais têm alguma culpa nisso? Atualmente, para ser jornalista é só abrir um site, ou mesmo um perfil na internet. Numa discussão sobre jornalismo, todos se acham entendidos no assunto.
Sem união, uma rede de proteção e uma regulamentação da profissão, os sindicatos tendem a se esvaziar, ficando apenas alguns abnegados na trincheira da resistência. A realidade baiana não é diferente da de outros estados. Aqui mesmo em Vitória da Conquista, faz quantos anos que não se teve uma reunião?
CASA E MUSEU
Não deveria estar falando isso, mas quando aqui cheguei, nos anos 90, a diretoria regional e de outras cidades maiores eram bem mais atuantes. Digo isso porque fui diretor por várias vezes e até vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas. Recordo dos memoráveis encontros onde se discutia e se “brigava” por melhorias. Estávamos sempre vigilantes no combate aos desvios de conduta, os chamados “picaretas”.
Foi nesse idos que juntos conseguimos um terreno, doado pela Prefeitura Municipal, com intuito de construirmos a “Casa dos Jornalistas”, uma espécie de clube onde ali teríamos uma local de reunião e condições de realizarmos atividades culturais, de esporte e lazer. O lote, com planta e tudo, está localizado, isto é, se ainda existe, no Bairro Santa Cecília.
Há muitos anos que não se fala mais nisso, e o Sindicato não se pronuncia a respeito do assunto. Infelizmente, a classe é desunida e individualista. Outra ideia que nasceu daqueles movimentos de outrora foi a implantação do Museu da Imprensa de Vitória da Conquista, um tipo de resgate da nossa história.
CORRUPÇÃO INVADE FORÇAS ARMADAS
O capitão presidente disse certa vez em seu “cercadinho de seguidores” que a Lava-Jato havia acabado porque em seu governo não existia mais corrupção. Como tantas de suas bravatas, essa soou como mais uma piada, a começar pelas rachadinhas dele e de seus filhos.
No Ministério da Educação apareceram os pastores vendilhões da pátria pedindo dinheiro e quilos de ouro para liberar projetos dos prefeitos. Antes disso, as forças armadas, tidas como de conduta ilibada, abriram suas portas para compras superfaturadas as mais diversas, como bacalhau, filé mignon e outros produtos de luxo. Enquanto isso, milhões passam fome.
Como se não bastasse tudo isso, agora estourou mais um escândalo por deveras inusitado que foi a compra de 35 mil comprimidos de viagra com sobrepreço. Isso deu vazão a uma enxurrada de memes, como de que o medicamento, recomendado para casos de impotência sexual, seria para levantar a moral dos soldados.
Outros casos vêm sendo denunciados, como a concessão de verbas para reforma e construção de igrejas evangélicas na Amazônia, dentre outros absurdos nunca visto em sua história. Essa reputação de seriedade das forças armas (exército, marinha e aeronáutica) com a coisa pública caiu por terra nesse governo que se blindou com os generais.
Antes do capitão, que se cercou dos generais de pijama para atentar contra a democracia e pedir intervenção militar, algumas pesquisas apontavam as forças armadas como uma das instituições do país mais bem conceituada. Depois de tantas atrapalhadas, como a do viagra, temos certeza que essa visão dos brasileiros deixou de existir.
Diante de tanto descalabro, muito generais, talvez a grande maioria, não estão nada satisfeitos e não concordam com o que está acontecendo, pois tudo isso mancha a corporação que já vem de uma passagem tenebrosa durante a ditadura civil-militar de 1964.
Os militares, nem todos, se incorporaram a esse governo para arrancar privilégios e mordomias, se nivelando às mazelas do Congresso Nacional e a políticos contumazes da corrupção. Por vaidade, status e dinheiro aceitaram cargos num governo que tem como sua maior marca a destruição da pátria, a começar pelo meio ambiente e extinção por completo do povo indígena.
O que eles estão fazendo é de estarrecer, e os quarteis deveriam ou devem estar envergonhados com tudo isso, pois eles, os generais, estão no lugar de dar o bom exemplo e cumprir com suas funções determinadas pela Constituição Federal, e não enlamear suas fardas como vem ocorrendo. Um dia, a história vai condenar todos eles por prevaricação.
UMA REFORMA ESCRAVAGISTA
Quando o governo Temer (o mordomo de Drácula), há cinco anos, com o lobby dos empresários e apoio do Congresso Nacional, implantou a maldita Reforma Trabalhista logo disseram que iria aumentar os empregos, e o país tomaria o rumo do desenvolvimento social e econômico. Quando o setor empresarial aplaude, coisa boa não é.
Passado esse tempo, nada disso aconteceu, muito pelo contrário, o que houve foi uma volta à escravidão do trabalhador brasileiro onde não existe mais negociação, e quem manda é o patrão. O operário se cala porque não tem outra alternativa. Na verdade, criaram uma reforma escravagista.
Confesso que eu já sabia disso, porque, na época, o capital, advogados, juristas e até mesmo a Justiça Trabalhista, com algumas exceções, foram unânimes e, somente os sindicatos fizeram algumas manifestações contrárias. Hoje está aí a realidade, nua e crua de uma nova escravidão.
Inventaram o trabalho intermitente, cortaram benefícios da CLT, podaram a ação dos sindicatos nos acordos, expandiram a terceirização para todas as atividades, justamente num país de mais de treze milhões de desempregados e com uma das maiores informalidades do mundo. Deu no que deu!
De lá para cá, a situação só fez piorar, e não me venham com essa de que a culpa foi da pandemia! Sem poder de barganha diante dos empregadores, os operários tiveram que baixar a cabeça para não entrarem na lista dos mais de 50 milhões de famintos e em condições subalimentar.
Hoje, o cidadão aceita qualquer valor irrisório, sem carteira assinada e outros benefícios que teria, para não ficar no olho da rua pedindo esmolas, ou até mesmo furtando em feiras e supermercados. Os sindicatos foram quase todos enfraquecidos, e o postulante ao emprego aceita qualquer coisa, como o subemprego. Isso não é escravidão?
Agora, está do jeito que os capitalistas queriam, só que eles são imediatistas e têm uma visão atrasada. Se existe menos emprego e o cara tem seu salário reduzido, fatalmente cai o poder de consumo e a economia não cresce, conforme está ocorrendo. Nesse ciclo de horror, o industrial corta sua produção, e os setores comercial e de serviço faturam menos.
De acordo com pesquisas dos institutos do IBGE, Fundação Getúlio Vargas, Dieese e outros, nos últimos anos da Reforma Trabalhista para cá, o rendimento do trabalhador caiu quase 9% e aumentou a informalidade. Na quase sua totalidade, os chamados “colaboradores” do capital não tiveram reajustes salarias numa inflação superior a 10%. Isso não é uma calamidade, uma escravidão?
Somando subemprego ou subutilizados (27 milhões) onde as pessoas poderiam trabalhar mais, desempregados (12 milhões), desalentados (4,7 milhões) e outras espécies, temos no pais mais de 50 milhões sem ocupação, uma legião de desesperados. Foi tudo isso que a Reforma Trabalhista gerou da sua barriga fétida neoliberalista burguesa.
Diante de tudo isso, o endividamento das famílias atingiu o índice de mais de 77%. Quem se atreve hoje entrar no gabinete do chefe para pedir um aumento salarial por merecimento? Ele pode correr o risco de ser demitido sumariamente. Já se foi o tempo em que se fazia isso e saia de lá com alguma coisa a mais. O cara tem que comer a gororoba calado! Isso não é escravidão?
Milhões hoje trabalham sem carteira assinada, ou com valores abaixo do mínimo, que não correspondem ao que eles deviam receber no final de cada mês. Labutam dia e noite em péssimas condições, sofrendo assédio moral e sexual. Engolem tudo isso porque precisam da merreca para levar um pouco de pão para suas famílias. Aliás, comem o pão que o diabo amassou!
Os empregados hoje não podem reclamar e nem dar uma queixa no Ministério do Trabalho ou na Justiça Trabalhista, pois temem ser botados para fora, porque existem milhões batendo a porta para aceitar a miséria salarial. As filas por emprego são quilométricas. Isso é, ou não é escravidão trabalhista? Essa Reforma não é boa para ninguém, nem para o ganancioso e selvagem capitalismo mundano e nem para o país. É uma vergonha para a nação.
Trabalho escravo não é somente os registrados em fazendas, empresas de construção civil, carvoarias e outros serviços onde se encontram pessoas vivendo em estado degradante, sem o direito de ir e vir, comendo rações limitadas sem nada receber no final do mês. Isso também que está aí nesse mercado é escravagismo.
A INIMIGA NÚMERO UM DO GOVERNO
Como se não bastasse a destruição do meio ambiente, nosso maior patrimônio nacional, desde o início do seu mandato trapalhão e aberrante, o capitão-presidente elegeu a cultura como sua maior inimiga e começou por cortar o Ministério da Cultura. Essa sua obsessão de que cultura é coisa de comunista ficou agora bem clara com o veto à Lei Paulo Gustavo que destina 3,8 bilhões de reais para o setor, beneficiando, principalmente, o audiovisual.
Dessa verba, pouco mais de 2,7 bilhões contemplam o audiovisual e os restantes para promoção de editais, comunidades negras e indígenas dentre outras linguagens artísticas, visando ajudar essas categorias que ficaram paradas sem trabalhar por dois anos por causa da pandemia. Será que o Bozó vetou por discriminação ao nome do artista Paulo Gustavo? Não existem outras razões plausíveis.
O Conselho Municipal de Cultura de Vitória da Conquista está emitindo uma nota de repúdio pelo veto, ao mesmo tempo em que apela aos deputados e senadores que juntem forças para derrubar esse ato insano e criminoso. Dessa verba, Conquista, um dos grandes celeiros do audiovisual, com quase 400 mil habitantes e terceira maior cidade da Bahia, deve ser contemplada com cerca de 2,5 milhões ou mais.
Os artistas conquistenses estavam contando com esses recursos para desenvolver seus projetos e, mais uma vez, se sentem frustrados e decepcionados, tendo ainda em vista que o poder público municipal tem investido muito pouco em cultura, um setor que vive à mingua com o pires, ou a cuia na mão, para realizar seus trabalhos. Muitos talentos estão sendo engavetados e sepultados.
Em toda minha vida, nunca vi tanta insanidade e perseguição contra a cultura, tida pelo capitão destruidor da pátria como coisa de esquerdista comunista, de vagabundos e maloqueiros vadios. Até quando esse racista, misógino, homofóbico e tantas coisa de ruim vai continuar abusando da nossa paciência?
Ele, junto com o Paulo Guedes, da Economia, e Damares, dos Direitos Humanos e da Mulheres justificam que a lei é inconstitucional por não estar previsto no orçamento, ou coisa assim, mas no Ministério da Educação os pastores evangélicos metem a mão em milhões e quilos de ouro em troca da liberação de recursos.
A cultura, ou a chamada economia criativa nesse país representa, ou já representou, quase 3% do Produto Interno Bruto (PIB e emprega, ou já empregou, mais de cinco milhões de pessoas. Um veto desse é mais um crime na mão assassina de um capitão que prega o negacionismo, o fanatismo religioso, a não vacinação, a aglomeração, a derrubada das florestas e o aumento de mais armas para matar.
A cultura nunca foi tão vilipendiada, ultrajada e sangrada na história do Brasil, nem nos tempos dos governos dos generais, sem contar que a arte e a liberdade de expressão estão sendo também censuradas e amordaçadas.
Nesses quatro anos, o Brasil ficou mais atrasado que há quarenta anos. Somos campeões de retrocesso no mundo, porque, sem cultura não existe memória e nem povo desenvolvido socialmente. Milhões vivem nas favelas passando fome, sem água e pisando nos esgotos porque nunca lhe deram educação e cultura.
Para os bispos vendilhões dos tempos, que rezam a Deus para agradar satanás, milhões de reais; para as forças armadas que estão traindo nossa pátria, outros milhões, para seu Centrão no Congresso Nacional, bilhões; para os montadores das fake news mais milhões; e para a cultura, sua maior inimiga, nada através de seus vetos e cortes de verbas.
TEMPOS DIFÍCEIS PARA OS JORNALISTAS NESTA DATA COMEMORATIVA DO 7 DE ABRIL
Lembro quando comecei a dar os primeiros passos na profissão como revisor, no início de 1973, ano da minha graduação como bacharel em jornalismo para Universidade Federal da Bahia (Ufba). Eram tempos difíceis em pleno cerco da ditadura civil-militar, anos de chumbo contra a liberdade de expressão quando os homens da farda faziam o papel de cão de guarda para censurar os veículos de comunicação, especialmente o jornal impresso onde atuava.
Apesar de toda mordaça, os jornalistas eram mais combativos e participativos e tudo faziam para driblar a opressão dos generais. Os sindicatos, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e as associações brasileiras de jornalismo (ABIs) eram mais fortes e unidas. Naquela época, nem se falava de “fake news”, que passaram a brotar com a chegada da internet e, consequentemente, das redes sociais, o chamado jornalismo virtual onde grande parte da atividade foi banalizada, e a maioria perdeu a responsabilidade maior de informar.
Nada contra a evolução tecnológica onde a notícia é mais veloz que uma bala e pode ser mortal. Passados mais de 50 anos, onde cada um se acha jornalista (não precisa ser diplomado), o neoliberalismo de mercado estreitou os espaços da profissão, e poucos que optaram pela área e passaram a frequentar as escolas seguem a carreira. Caiu o nível de formação e aumentou o noticiário de matérias infundadas, mal apuradas pela falta de uma maior investigação.
Quando aqui cheguei, em 199,1 fui o primeiro jornalista formado da cidade e logo passei a assumir a diretoria regional do Sindicato dos Jornalistas da Bahia (Sinjorba), chegando a vice-presidente. Atualmente, como graduado sou o decano e, durante essa longa caminhada, já enfrentei muitos desafios. Continuo escrevendo porque é o alimento da minha vida e, se tivesse que recomeçar, seria novamente jornalista.
DIA DO JORNALISTA
Toda essa abertura, em forma de “nariz de cera”, é para lembrar do 7 de abril, Dia do Jornalista (quinta-feira), infelizmente menos comemorado que até no período duro do regime militar onde existia mais união e celebração com aqueles memoráveis encontros, dos quais muito ajudei a realizar. É dia de reflexão e protestos porque hoje vivemos num governo federal que, com sua tropa antidemocrática belicosa, desvaloriza, ameaça, menospreza, ataca, agride e xinga jornalistas com palavras de baixo calão. Será que não estamos num período mais difícil ou igual àqueles vividos há mais de 50 anos?
Vamos dar uma pequena pausa nesse comentário para focar propriamente no Dia do Jornalista, pouco rememorado pela própria classe (casa de ferreiro, espeto de pau). O dia foi criado pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e foi estabelecido por alguns motivos, como numa reunião de coletiva de imprensa. Uns dos motivos é que no dia 7 de abril de 1908, foi criada a própria ABI. Idealizada pelo jornalista Gustavo Lacerda, a associação situa-se no Rio de Janeiro, e é um centro de ação que tem como objetivo assegurar os direitos à classe jornalística.
Também no dia 16 de fevereiro foi comemorado o “Dia do Repórter”, que está ligado a um episódio da nossa história do Brasil. A data foi designada em homenagem ao jornalista e médico Giovanni Battista Líbero Badaró, morto no dia 22 de novembro de 1830. Ele participou de diversas lutas a favor da Independência do Brasil. Era proprietário do jornal “Observador Constitucional” e um dos principais motivadores da liberdade de imprensa, hoje tão vilipendiada, bem como a nossa Carta Magna.
Libero Badaró teve uma morte misteriosa, mas, segundo a história, inimigos políticos atentaram contra a sua vida. O falecimento dele causou descontentamento à população e culminou na abdicação do trono de Dom Pedro I, justamente no 7 de abril de 1831.
Só para reportar a história, a primeira faculdade de Jornalismo foi criada em 1912, na Universidade de Columbia, em Nova York, nos Estados Unidos. A faculdade foi fundada por meio da doação de dinheiro do jornalista Joseph Pulitzer, que ajudou a tornar a imprensa conhecida como o quarto poder e que dá nome ao principal prêmio concedido a jornalistas.
No Brasil, a primeira escola de jornalismo foi criada em 1947. Atualmente, a instituição chama-se Faculdade Gásper Liberó e localiza-se no prédio da Gazeta, na Avenida Paulista.
TEORIA E PRÁTICA
Quando adentrei na redação era um dos poucos graduados pela Faculdade de Jornalismo da Ufba. Existiam os antigos jornalistas registrados no Ministério do Trabalho. Na década de 70, o diploma passou a ser exigido e isso criou uma animosidade entre os chamados velhos e novos. Dizia-se que jornalismo era uma vocação, uma forma de dom que se aprendia no dia a dia da notícia, o que não deixava de ser uma verdade, mas a formação teórica com a prática fortalecia ainda mais a profissão.
A briga gerou uma disputa de ações na justiça para derrubar a obrigatoriedade do diploma, isso, se não me engano, entre as décadas de 80 e 90. A ação caiu nas mãos do Superior Tribuna Federal, em 2009. Recordo que um dos ministros, contrário ao diploma, fez uma leviana comparação entre a culinária e o jornalismo, dizendo que a pessoa para cozinhar não precisava ter diploma. Aquilo foi de uma insanidade sem tamanho.
As faculdades continuaram emitindo os atestados profissionais, como a própria Facom da Ufba, a Uesb que começou seu curso em 1998 (fui um dos incentivadores e ajudei na sua estruturação) e tantas outras particulares. Mesmo com a não obrigatoriedade do diploma, vejo que as empresas dão mais preferência aos formados, valorizando a formação escolar e o conhecimento.
Para marcar a data, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), os sindicatos dos jornalistas do Brasil e profissionais da área costumam fazer reflexões importantes sobre a carreira, o mercado de trabalho, os salários e o futuro da profissão.
O curso de Jornalismo é ministrado nas principais universidades do país durante quatro anos ou oito períodos. Os estudantes têm aulas teóricas, como teoria da comunicação, história da imprensa e ética e legislação, história da arte, práticas, como telejornalismo, jornalismo impresso e webjornalismo.
O jornalista é o profissional que informa fatos à sociedade. Ele pode atuar em meios de comunicação, como rádio, TV, jornal, revista e internet. Também é comum que jornalistas trabalhem como assessores de comunicação e imprensa e, mais recentemente, em mídias digitais, tais como redes sociais e blogs.
TEMPOS DIFICEIS E O ESTRESSE
De acordo com pesquisa entre cerca de sete mil profissionais no Brasil, 66,2% dos jornalistas se sentem estressados. Dos entrevistados, 34,1% foram diagnosticados clinicamente com lesões por esforços repetitivos; 40,6% sofreram assédio moral no trabalho; 11,1% assédio sexual. A categoria é formada por maioria de mulheres (58%), inclusive negras.
É esse, mais ou menos, o perfil do jornalista brasileiro. Da amostragem, 44,2% disseram que seus esforços no trabalho não são reconhecidos. Os dados ainda confirmam que houve uma redução do volume de vínculos empregatícios pela CLT, bem como, 24% prestam serviços de freelancers, MEI, pessoa jurídica ou sem contrato. De toda classe, 42,2% trabalham mais que oito horas por dia. O estudo da Fenaj (Rede de Estudos sobre Trabalho e Identidade dos Jornalistas), de agosto a outubro de 2021, conseguiu coletar mais de sete mil respostas, sendo 6.594 válidas.
PROJETOS NA ÁREA CULTURAL VÃO AJUDAR ARTISTAS CONQUISTENSES
Não é muita coisa porque nos últimos anos a cultura nesses país só tem ficado com as sobras, mas a “Lei Paulo Gustavo”, de R$3,8 bilhões, aprovada pelo Senado Federal, para ações emergenciais no setor, vai proporcionar alguma ajuda aos artistas conquistenses que, como tantos outros, estão no sufoco, principalmente depois de quase dois anos parrados por causa da pandemia.
Pelo critério de divisão, de acordo com a proporcionalidade populacional e o Fundo de Participação dos Municípios, a Secretaria de Cultura de Conquista poderá abocanhar cerca de R$2,7 milhões, podendo beneficiar cerca de 500 artistas em diversas linguagens. Dois terços serão aplicados em projetos audiovisuais e os outros restantes nos demais segmentos. Os recursos são provenientes do superávit do Fundo Nacional de Cultura (FNC).
Conforme o projeto, cujo relator foi o senador Alexandre Silveira, a União terá de enviar o dinheiro aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios, para aplicação em iniciativas que visem combater e reduzir os efeitos da Covid-19 na cultura. Esses entes serão responsáveis pela indicação das ações.
A proposta foi feita em homenagem ao ator Paulo Gustavo que morreu vítima do vírus, em maio de 2021. Essa lei é a segunda aprovada pelo Congresso para auxiliar a área cultural, mas ainda é muito pouco. Outro projeto é o PL 1.518/21 chamado de Lei Aldir Blanc 2, no valor de R$3 bilhões de fomento à cultura, a partir de 2023, devendo vigorar até 2027. A lei é também uma homenagem ao artista que faleceu em 2020 de Covid.
O último apoio aos artistas conquistenses em forma de edital ocorreu no final do ano passado, beneficiando 400 participantes, num valor em torno de R$300 mil, verba do Fundo Cultural e do orçamento da Prefeitura Municipal. Cada selecionado recebeu cerca de R$700 reais, uma pequena quantia que não atendeu às necessidades dos participantes, Em 2020, em plena pandemia, Conquista recebeu cerca de R$2,2 milhões da Lei Aldir Blanc 1, quando 500 artistas de variadas linguagens foram contemplados.
Essa Lei Aldir Blanc 2 foi proposta pela deputada Jandira Feghali e mais outros cinco deputados, tendo como relator o parlamentar Veneziano Vital do Rego. Esses recursos de R$3 bilhões, em cada ano, deverão ser investidos em 17 ações, como festivais, exposições, espetáculos, feiras, prêmios, bolsas para estudantes, intercâmbio cultural, aquisição de obras, digitalização patrimonial, reformas de centros, bibliotecas, teatros, dentre outros setores.
De acordo com o projeto, 80% dessa verba serão destinadas a ações de apoio na área cultural, como editais, prêmios, cursos, manutenção de espaços artísticos, dentre outras iniciativas correlatas. Os outros 20% vão para incentivo a programas e projetos em locais periféricos urbanos e rurais, bem como em comunidades tradicionais.











