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NA ESTRADA COM A LITERATURA
GALEANO RENEGA “AS VEIAS ABERTAS…”
Traduzido para mais de 12 idiomas (vendeu mais de um milhão de cópias) e recomendado pelas principais universidades do mundo, o livro “As Veias Abertas da América Latina” foi renegado pelo seu próprio autor, o uruguaio Eduardo Galeano. Ninguém esperava por essa, e poucos se atreveram em público criticar e condenar seu trabalho.
O texto canônico, anticolonialista e antiamericano foi escrito logo no início dos anos 70 e conta como o povo da América Latina foi expoliado, esmagado e massacrado pela Espanha, Inglaterra e pelos próprios Estados Unidos, desde o final do século XV no descobrimento de Cristóvão Colombo aos tempos atuais.
Pois é, somente agora o escritor de 73 anos deu uma entrevista à mídia declarando que não tinha qualificação para tratar do assunto e que o texto foi mal escrito. Foi assim que escreveu o comentarista do The New York Times (suplemento A Tarde), Larry Rohter.
NA ESTRADA COM O CINEMA
OS 50 ANOS DE “DEUS E O DIABO”…
Há 50 anos o golpe civil-militar batia em nossas portas e o Teatro Vila Velha, em Salvador, abria suas portas para os shows de Caetano, Gil, Bethânia, Tom Zé e Gal Costa, anunciando a vinda do Tropicalismo. Há 50 anos o baiano de Vitória da Conquista, Glauber Rocha, exibia seu filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, aclamado no Festival de Cannes.
Foi uma época de ouro e muita efervescência cultural com a poesia, a dança, o teatro, a literatura e a música exibindo seus talentos através de suas inéditas obras. O Clube do Cinema, fundado por Walter da Silveira, em janeiro de 1950, ganhava seu devido espaço no cenário nacional com filmes de temática social.
Veio a ditadura para apagar toda aquela bela paisagem pintada por mentes que jorravam cultura e queriam fazer uma revolução. Depois de “Barravento”, em 1962, Glauber Rocha, mesmo com seus intervalos de depressão e questionamentos incompreendidos, resolveu fazer “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, um meio faroeste que mostra o poderio do senhor da terra sobre os pobres. Um panorama das desigualdades sociais.
PACHECO VOLTOU! Carlos Gonzalez – jornalista
As manifestações favoráveis à Copa do Mundo começaram timidamente há cerca de 20 dias, mas hoje já se observam bandeiras brasileiras tremulando nos veículos e bandeirolas verdes e amarelas ornamentando as ruas do comércio popular da cidade. O brasileiro tinha motivos de sobra para virar as costas para as arenas; para se manifestar contra a corrupção; para não endeusar jogadores que ganham milhões de euros na Europa; para protestar contra os estádios superfaturados; para exigir educação, saúde e segurança. A célebre frase do jornalista e dramaturgo Nélson Rodrigues nunca esteve tão atual – “O futebol é a pátria de chuteiras”
Não há como negar, Pacheco está de volta. Vale lembrar para os que têm menos de 30 anos quem foi esse folclórico personagem, criado pela agência de publicidade Alcântara Machado, sob encomenda da Gillette do Brasil, que, de mãos dadas com o povo brasileiro, acreditava que a seleção treinada por Telê Santana ia triturar seus adversários nos campos espanhóis. Aliada à euforia, a indústria de lâminas de barbear viu aumentar suas vendas.
ESTUDANTES VISITAM ESPAÇO
O surgimento do jornalismo impresso na região sudoeste, com o jornal A Conquista, em 14 de maio de 1911, até os tempos atuais da era digital foi o foco principal da discussão que rolou no “Espaço Cultural A Estrada” neste último final de semana (dia 7 de maio). Foi um papo agradável e proveitoso provocado por um grupo de estudantes de Jornalismo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb.
Confesso que fiquei muito honrado com a visita, e mais ainda porque fui o entrevistado onde aprendi muita coisa com estes futuros jovens jornalistas que estão abraçando esta nobre profissão que exige muito sacrifício. Não é fácil ser jornalista no Brasil atual de tantas corrupções, falta de uma educação de qualidade e menosprezo pela ética.
NADA PRA COMEMORAR
Essa de desenvolvimento sustentável é linguagem capitalista para enrolar os tolos e ir jogando a sujeira debaixo do tapete. Reciclagem do lixo é mais uma invencionice e uma ilusão de que estamos limpando o mundo. Essa reciclagem em novos produtos, sejam lá os objetos que forem, um dia vão ter que retornar para o lixo. Ninguém vai guardar, por exemplo, roupas ou copos reciclados para sempre.
Dia 5 de junho de cada ano, “ambientalistas”, órgãos do governo e a sociedade em geral falam em comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente. Comemorar o quê? O planeta está sujo e as pessoas, atraídas por novos produtos supérfluos, querem cada vez mais consumir. O capital tudo faz para que a indústria produza mais e mais.
A COPA E A CERVEJA – Carlos Gonzalez – jornalista
O torcedor de Salvador, adepto da cerveja, tem por hábito, quando vai ao Estádio da Fonte Nova, passar, antes ou depois dos jogos, nos bares que ficam na Ladeira da Fonte das Pedras e nas imediações do Fórum Rui Barbosa, para saborear a sua bebida predileta, sem se submeter à marca e aos preços que lhe são impostos dentro da arena. Outros preferem comprar sua bebida preferida nos vendedores ambulantes que utilizam o isopor, e que geralmente fazem promoções após as partidas, para não levar a mercadoria de volta pra casa.
A uma semana do jogo de abertura da Copa do Mundo – Espanha x Holanda, dia 13 – quais as medidas que a FIFA irá adotar contra esses torcedores e contra esses pequenos comerciantes, desde quando a ditatorial Lei Geral, referendada por todos os Poderes da República, proíbe a venda de produtos não licenciados pela entidade, num raio de três quilômetros dos 12 estádios que vão receber as partidas? É uma pergunta que ainda não foi respondida. Provavelmente, como ocorreu no carnaval nos circuitos da folia, as latinhas indesejadas serão apreendidas.
A UCSAL CHEGA A CONQUISTA
Numa parceria com o deputado estadual Jean Fabrício (PC do B) e demais entidades, como o Clube de Diretores Lojistas (CDL), Associação Industrial e Comercial de Vitória da Conquista (Aincvic), estudantes e outros segmentos da sociedade, a Universidade Católica de Salvador (UCSAL) é a mais nova instituição de nível superior a anunciar sua instalação na cidade, com opções de cursos voltados para a área tecnológica.
Para confirmar e consolidar sua presença em Conquista foi realizada, no último dia 2 de junho, uma audiência pública na Câmara de Vereadores onde o professor Celso Cotrim Filho, representando o reitor da UCSAL Padre Maurício, discorreu sobre o projeto de expansão da universidade no estado, especialmente agora em Conquista, maior polo de desenvolvimento do sudoeste.
No encerramento da sessão, o deputado Fabrício recebeu do professor Celso Cotrim uma placa em azulejo, simbolizando a implantação da unidade da UCSAL em Vitória da Conquista
O VELHO CHICO PEDE SOCORRO
Será que tem muito que se comemorar no Dia Nacional em Defesa do Velho Chico, o nosso Rio São Francisco? Pouca gente sabe, mas o Comité da Bacia Hidrográfica do São Francisco marcou uma série de programação para comemorar a data do dia 3 de junho. Depois de séculos de maltratos, exploração e abandonos, o Velho Chico não está engolindo nada disso.
Para não variar, o poder público tem sido, ao longo dos anos, o maior depredador do rio em proveito político, basta citar o mais recente projeto de transferência de suas águas para o sertão nordestino. As obras estão lá inacabadas e dizem por ai que vão virar atrações turísticas. O frei Capio fez greve de fome contra a decisão, mas não adiantou nada.
ENCONTRO SEM A MEMÓRIA
As lentes do grande e estiloso fotógrafo universal José Carlos D´Almeida flagraram todo o acontecido no final da semana passada (dia 24 de maio) lá na barraca do também fotógrafo José Silva, na Avenida Olívia Flores. Fui “pressionado” pela falta de memória e os companheiros de longas datas me “tiraram o couro”. Bem que mereci, mas, fazer o quê?
Como réu confesso, mereço a absolvição pela idade, mas sempre fui um péssimo fisionomista. Minha memória sempre falha no reconhecimento de pessoas amigas e até colegas depois de certo tempo sem vê-las, como ocorreu com a companheira Rosana Guimarães, ex-apresentadora do noticiário da TV Sudoeste quando aqui cheguei ao início da década de 90.
Na maioria das vezes, estou “pagando o mico” como se fala no popular. Ainda bem que lá estavam, na barraca, os companheiros Ivan Lemos (ex-diretor da Band), o escritor Carlos Risério, José Silva e D´Almeida que fizeram a maior resenha no encontro inusitado.
A cena até que foi cômica. Rosana ria e não acreditava no que estava vendo. Para meu maior sofrimento e aperto, ela não revelava seu nome e a situação ficava mais vexatória. A memória não se avivava e aí chegaram Ivan, Risério e Silva que ficaram com pena e me acudiram. Para completar, aparece D´Almeida para registrar o momento.
Depois do aperreio pelo branco na memória e de ouvir piadas e risadas, foi divertido e muito bom rever os companheiros. De qualquer forma, o inusitado serviu como descontração. Acho que mereço o perdão de Rosana depois de tudo que passei. Acredito que não vai mais acontecer pelos próximos dez anos, pelo menos com as mesmas pessoas.
A MATINHA FECHADA
Uma das maiores referências turísticas e cartões postais da região sudoeste e da Bahia, o Zoológico da Matinha, em Itapetinga, passa uns tempos aberto e outros fechado, criando decepções ao público visitante. O fotógrafo José Carlos D´Almeida registrou mais um desses tantos fechamentos na semana da Exposição Agropecuária, no meado de maio.
Quando pessoas me falam que vão conhecer a Matinha de Itapetinga sempre recomendo ligar antes para não perder a viagem e sofrer a frustração de não conhecer o belo local. Eu mesmo como repórter fiquei decepcionado várias vezes.
A Matinha é uma reserva florestal da Mata Atlântica que abriga várias espécies de animais. O poder público não pode ser negligente com este patrimônio que não é somente dos moradores locais e da região, mas de toda Bahia e também do país.
Infelizmente, o local não é cuidado e zelado como deveria ser. Além de ser pouco divulgado, é tratado com certo menosprezo pelas administrações públicas. O local prazeroso precisa ser visto no orçamento da prefeitura como prioridade e não como um departamento de segundo ou terceiro plano. Quem for a Itapetinga e não visitar a Matinha não conheceu Itapetinga.












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