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CONQUISTA COMPLETA 182 ANOS COM A ABERTURA DO FESTICCON
Pela passagem dos 182 de emancipação de Vitória da Conquista, hoje a terceira maior cidade da Bahia, com mais de 400 mil habitantes, esbanjando desenvolvimento, com uma economia pujante, foi aberto ontem à noite (dia 9/11) o Festival de Educação e Cultura de Conquista, o Festeccon, com as presenças da prefeita Sheila Lemos, do secretário de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Eugênio Avelino (Xangai) e do secretário de Educação Edgar Larry.
O evento, que contou com exposições de vários produtos do município, como licores, biscoitos, artesanatos, ações realizadas na área da educação, salão de artes plásticas dos grandes artistas e shows musicais, está instalado no Espaço Glauber Rocha, localizado no Bairro Brasil, e ficará aberto à visitação até o próximo dia 12 (sábado).
O Festeccon foi uma programação conjunta das secretarias da Cultura e da Educação através da Prefeitura Municipal para comemorar os 182 de emancipação do município, mostrando todo potencial de Conquista, principalmente nos setores da cultura e da educação. Merece ser visitado por todos moradores porque representa a memória do município, principalmente seu desenvolvimento nos tempos atuais.
Além dos estandes com produtos e apresentações de atividades na área educacional, a população vai contar com shows musicais de reconhecimento nacional e internacional, como Elomar Filgueira, nesta quinta-feira, e Guilherme Arantes no fechamento do Festiccon. No palco armado no Espaço Glauber Rocha estarão também artistas locais com suas bandas.
UM POUCO DA SUA HISTÓRIA DE VILA DA VICTÓRIA A UM DOS MAIORES PÓLOS DE DESENVOLVIMENTO DO NORDESTE
Os índios mongoiós ou monochós, também conhecidos como camacans, além dos pataxós e amborés, ou imborés, eram os verdadeiros donos das terras do sudoeste baiano, compreendidas entre os rios Pardo e das Contas, indo da região do São Francisco até São Jorge dos Ilhéus.
Eles guerreavam entre si, mas eram livres dos brancos colonizadores. Depois tornaram-se escravos e foram praticamente extintos. As terras chamadas de “Sertão da Ressaca”, a Imperial Vila de Nossa Senhora da Victória, antes Arraial da Conquista, virou Vitória da Conquista e se tornou um dos polos mais dinâmicos de desenvolvimento do Nordeste e do país.
Em 2022, no dia 9 de novembro, o município completou 182 anos de emancipação política, esbanjando crescimento. A Vila da Victória foi criada pelo Decreto Imperial número 124, em 19 de maio de 1840, desmembrando-se da Comarca de Caetité.
A data política, no entanto, é comemorada em nove de novembro, quando aconteceu a posse da primeira Câmara Municipal em forma de “Concelho”, com “c” mesmo, conforme a ortografia da época. Com a Proclamação da República, a Vila passou a se chamar Cidade da Conquista, em 1º de junho de 1891. E, em 1943, recebeu o nome de Vitória da Conquista.
O pequeno povoado, fundado entre finais do século XVIII e início do XIX, cresceu a partir das primeiras habitações de taipa. Em 1817, conforme registrou o príncipe alemão Maximiliano Wied-Newied, em visita, o lugarejo já contava com 40 casas. A Vila expandiu-se aos poucos na encosta verdejante da Serra do Periperi; foi parada de tropeiros; mudou de nome; e começou a prosperar a partir da década de 1960, com a chegada da rodovia BR-116 (Rio-Bahia).
A cidade ampliou sua economia com a introdução da cafeicultura em meados dos anos 70; e se firmou no início do século XXI com a implantação de novos projetos nas áreas de educação e da saúde, transformando-se num dos maiores polos regionais da Bahia e do Nordeste, sendo hoje a 3ª cidade do estado.
SERTÃO DA RESSACA
Quanto a ocupação do “Sertão da Ressaca”, o historiador Ruy Medeiros escreveu em 2009 sobre o tema, tomando como base os documentos da Torre do Tombo (Arquivo Nacional), do Arquivo Histórico Ultramarino (ambos em Lisboa) e do Arquivo da Propaganda Fide em Roma.
Da Torre do Tombo, Medeiros cita a carta de Pedro Barbosa Leal onde propõe a conquista de toda faixa de terra entre os rios Pardo e das Contas, nos “campos que abeiram as matas que se avizinham do mar”, e as terras entre os rios Doce e Jequitinhonha.
Outro documento refere-se ao “Regimento” onde Pedro Leolino Mariz conferiu a André da Rocha Pinto o título de cabo maior da conquista das terras ocupadas pelo gentio bravo, desde Rio das Contas até o rio São Matheus. Declara Medeiros que o documento de Pedro Barbosa é muito importante porque dele pode-se extrair o grau de conhecimento que os portugueses possuíam, por volta de 1720, da vasta região entre os rios Pardo e das Contas.
A partir disso, fica claro que Pedro Barbosa queria ocupar o planalto de Conquista. Sua estratégia era desencadear uma operação de guerra com o aprisionamento de índios como escravos, estabelecendo um arraial no Morro de São Paulo, meio caminho entre Salvador e Rio das Contas. A motivação para a invasão do Sertão era também a procura de ouro e os estabelecimentos de arraiais.
O documento da Torre do Tombo “Regimento” que Pedro Leolino passou a André da Rocha, tem caráter estratégico-militar, conforme assinala Ruy Medeiros. Foi organizada uma bandeira para ocupar as terras, incluindo o Planalto da Conquista. Os objetivos eram encontrar minas de metais preciosos; estabelecer fazendas de gado; e travar guerra com os índios. Há quem julgue que João Gonçalves da Costa e sua gente (primeiro aqui esteve João da Silva Guimarães) foram enviados para o Sertão da Ressaca “pela corte de Portugal para vigiar e fiscalizar a saída ilegal do ouro e outros metais.
Há também quem argumente que a história de Conquista precisa ser recontada. Quem tem essa caixa-preta é a Igreja Católica. Como João Gonçalves da Costa conseguiu fazer tão grande fortuna e João Guimarães ter morrido pobre? Outros documentos da ocupação se encontram no Arquivo Histórico Ultramarino. Um é o ofício de João Gonçalves da Costa, em 1783, ao Ouvidor de Porto Seguro dando conta das conquistas feitas no “Sertão da Ressaca”.
Outro é a Memória Sumária e Compendiosa da Conquista do Rio Pardo, de 1806. Pelo primeiro documento, o capitão já andava pela encosta do planalto (Jequié e Ipiaú), região Pastoril de Itapetinga, mencionando lutas contra os índios mongoiós e imborés.
O segundo contém informações sobre os índios e a luta sobre a conquista, especialmente a ocorrida na proximidade de Couro D`Anta. Quanto ao rico acervo do Arquivo da Propaganda Fide, da Ordem dos Capuchinhos, em Roma, Medeiros menciona que a historiografia conquistense ainda não explorou esse documento.
Na maioria são cartas e relatos dos capuchinhos italianos que trabalharam na bacia dos rios Catulé, Verruga e Pardo, na área de Itambé, Itapetinga, Potiraguá e Cachimbo (Ribeirão do Largo). Atuaram nessa região frei Ludovico de Livorno (camacãs e aimorés por volta de 1817/20); frei Francisco Antonio de Salerno, entre mongoiós e imborés pela região de Inhobim; frei Rainero de Ovada, na Barra do Catulé (aimorés).
Todos deixaram escritos e cartas que estão no Arquivo da Propaganda Fide, inclusive do frei Ludovico, datada de 14 de julho de 1817. Na busca por riquezas, especialmente o ouro, a primeira investida no sertão da Bahia foi feita pelo castelhano Francisco Bruzza de Spinosa, em 1553, acompanhado de 12 portugueses, partindo de Porto Seguro e indo até o rio São Francisco. A passagem dos bandeirantes pelas terras dos índios significava expulsão, escravidão e morte. A descoberta de ouro nas imediações do Rio das Contas e em Jacobina, no início do século XVIII, aumentou o povoamento em Minas Gerais.
Já em 1724, a hoje cidade Rio de Contas passava à categoria de vila, com a implantação de vários órgãos de administração pela coroa portuguesa. Como descreve a historiadora Maria Aparecida Silva de Sousa, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, no seu livro “A Conquista do Sertão da Ressaca: povoamento e posse da terra no interior da Bahia”, por volta de 1728, o coronel Pedro Leolino Mariz recebe do governo português a missão de desbravar diversas áreas do interior da Bahia e do norte de Minas Gerais.
Essa personagem aparece como importante figura da história que realizou investigações nos rios das Contas, Paramirim e Rãs, chegando a ocupar o posto de superintendente geral de todas as minas da Bahia e das Minas Novas do Araçuaí.
Sabedor de que essa porção de terra era uma das melhores do Brasil para criação de gado e a cultura de lavouras, o Governo de Portugal mandou que Pedro Leolino averiguasse as notícias. Em recompensa pelo seu trabalho, o superintendente recebeu uma sesmaria em 1743.
Visando obter o mesmo êxito conseguido na região vizinha de Rio das Contas e Jacobina com a descoberta de ouro, o coronel organizou uma bandeira, sob a direção de André da Rocha Pinto, para conquistar o sertão entre os rios das Contas, Pardo e São Mateus. A intenção era também a de encontrar ouro, estabelecer fazendas de gado e matar os índios que se opusessem à conquista.
A HOMENAGEM A CARLOS JHEOVAH PELA CASA DA CULTURA FOI UM SUCESSO
Com cantorias de violeiros e declamação de poemas, a Casa da Cultura, nas pessoas da presidente Poliana Policarpo e do diretor Artístico Dorinho Chaves, realizou, nesta última segunda-feira (dia 07/11), uma homenagem ao grande poeta e incentivador cultural conquistense Carlos Jheovah, no Bar Imperial, no Bairro Jurema, do nosso amigo Jhesus.
Como sempre, a atividade foi um sucesso cultural com muita gente que lá compareceu para prestigiar o evento, como os artistas Marta Moreno, Mano Di Souza, Papalo Monteiro, Jânio Arapiranga, Baducha e tantos outros amigos do Carlos Jheovah que deixou um grande legado cultural para Vitória da Conquista.
Dorinho, sempre contando suas histórias e causos, fez as declamações rolarem entre as cantorias, como de Jhesus que, com sua maestria e entonação, nos presenteou com “Viola Quebrada”, de Camilo de Jesus Lima. Jeremias Macário, de sua autoria, e sua esposa Vandilza, apresentaram “Se o Tempo Pudesse Parar” e “Vielas Noturnas”.
Foi uma bela noite de confraternização que jorrou cultura e lembranças dos grandes artistas, cantores, compositores, músico e escritores da nossa Bahia e do Brasil. Isso é o Nordeste do qual nos orgulhamos de ser de gente forte, de grandes talentos, potencial de conhecimento e pessoas alegres que chegam juntos quando são chamados para fazer cultura.
Poliana Policarpo, com sua simpatia costumeira a todos recebeu com delicadeza e agradeceu a participação de todos, elogiando o trabalho de Carlos Jheovah e explicando quem ele foi em vida, deixando eternas memórias da sua arte.
Dorinho, ali no compasso musical, foi uma espécie de mestre de cerimônia e ia anunciando os companheiros artistas, cancioneiros e poetas. Tudo foi cultura e troca de ideias no espaço do bar do nosso amigo Jhesus. Foi também um encontro para rever muita gente e colocar o papo em dia, como se fala no popular.
O MUSEU KARD SÓ CRESCE
Pela quarta vez estive no Museu de Kard no último domingo e fiquei impressionado com seu crescimento durante um ano, com novas obras dedicadas aos povos indígenas, bules, os lápis e tantas outras na parte ao lado do tão monumental labirinto que faz referência às crianças perdidas pelo Brasil a fora, sem contar o acervo de quadros (pinturas autorais) e esculturas dentro da famosa pirâmide.
Digo sempre que são as mentes e as mãos espirituais do nosso amigo multiartista Alan Kardec que não cessam de produzir, para deixar para a posteridade o trabalho monumental que já é conhecido não somente em Vitória da Conquista, mas em boa parte do Brasil e logo ganhará o mundo.
Na ocasião da minha visita fiz um comentário em vídeo dizendo que o museu já é o maior em céu aberto do Norte e Nordeste e o segundo no Brasil, só superado pelo do Brumadinho, se não estou enganado. Não há quem não se sinta encantado ao adentrar nesse templo que já é sagrado.
Além do Cristo do artista Mário Cravo que está sendo urbanizado pela Prefeitura Municipal, o local, além de ser uma atração turística, já é também o cartão postal de Conquista. Disse da necessidade de fortalecer a nossa cultura através de um plano municipal porque a nossa cidade possui um grande potencial a ser explorado, além do seu desenvolvimento econômico.
A cultura, a chamada economia criativa, dita por consultores e economistas, tem que caminhar de braços dados com o crescimento econômico, e não se cria um turismo sem um pujante setor cultural planejado onde aconteçam eventos multlinguagens durante todo o ano, não somente os festejos do São João e do Natal.
O Museu de Kard é como se fosse um faixo de luz para nos iluminar de que o nosso potencial para atrair visitantes de todas as partes do país e do exterior está aqui, e não o inventando Portal da Chapada Diamantina que já tem o seu próprio atrativo natural e montado pela sociedade civil e os poderes públicos de suas cidades.
O criador dessa obra tão importante em Conquista é um visionário que certamente no início não foi compreendido e devem até terem chamado ele de maluco quando instalou aquelas estátuas na cerca em torno do terreno onde hoje está o museu na saída de Anagé, ou na boca do sertão do sudoeste, no sapé da Serra do Periperi.
AS FORÇAS ARMADAS NÃO VÃO ENTRAR NESSA FURADA GOLPISTA
Eles querem mesmo é provocar o caos político e social, a baderna generalizada e tumultuar a nação para pressionar as forças armadas a entrarem na deles, sob o argumento de manter a ordem constitucional, como prevê a Carta Magna. No entanto, os comandantes generais de bom senso não vão embarcar nessa canoa furada golpista extremista, com gente até de linha nazista.
Engana quem ainda acha que o capitão-presidente não esteja por trás desses movimentos de malucos junto com a turma do agronegócio e outros empresários financiadores. Por que ele ficou dois dias em silêncio sem fazer um pronunciamento sobre o resultado das eleições? Claro que estava sondando a possibilidade de um golpe.
Quando decidiu falar, foi ambíguo, não pronunciou o nome do eleito, mas reforçou seu falso bordão de pátria, liberdade e família. Com os caminhoneiros bloqueando as estradas, pediu para que liberassem as vias, mas repetiu que as manifestações eram legítimas. Isso ecoou como incitamento. Interessante que a mídia deu uma aliviada e não colocou essa frase em discussão! Por qual motivo? É tudo muito estranho!
Tudo isso ficou bem claro quando as lideranças dos manifestos escolheram realizar seus atos golpistas em frente dos quarteis das três forças (exército, marinha e aeronáutica), dos batalhões das polícias militares, dos Tiros de Guerra, Infantarias e outras unidades armadas.
Mesmo tendo votado no bolsonarismo, milhares ingressaram nessa onda de forma inconsciente e se misturaram aos inconsequentes de extrema direita, inclusive nazistas que defendem a supremacia da raça em nome do patriotismo, enrolados na bandeira brasileira com as camisas verde e amarela da seleção de futebol.
São os chamados inocentes úteis que não têm a consciência exata do que pode acontecer se houver uma intervenção militar, ou seja, uma ditadura. Será que todos têm a justa noção de que estão ali para sentenciar a democracia ao enforcamento? Eles sabem que a história vai julgar eles como carrascos a mando dos inquisidores?
Na verdade, boa parte dos participantes não comunga das ideias nazifascistas, como em Santa Catarina, das atitudes homofóbicas e racistas, nem nega a ciência e debocha da vida. São, inclusive, contrários à barbárie, ao fanatismo evangélico e aos xingamentos do capitão.
Eles falam de 1964 quando o povo, a classe média e até a Igreja Católica foram às ruas pedir uma intervenção militar que resultou numa ditadura de cerca de 30 anos. Naquela época, o inimigo era o comunismo.
A situação hoje é totalmente diferente e as instituições e a maioria do povo lutam pela democracia. O clima externo é outro. Por essas e outras é que as forças armadas não vão entrar nessa furada golpista que seria um tiro no próprio pé. Seria mais uma grande desastre para a imagem da corporação.
A DOR DA FINITUDE
Depois das eleições e mesmo com os malucos extremistas fazendo “protestos” em frente a quarteis, batalhões, Tiros de Guerra e outras unidades militares, numa acintosa pressão para que as forças armadas saiam às ruas para decretar um golpe contra a democracia, milhões de brasileiros se dirigiram aos cemitérios de velas e flores nas mãos (não armas) para homenagear seus mortos.
Não vou aqui misturar atitudes irracionais e fascistas com o Dia de Finados porque os mortos não falam, mas seus espíritos, onde quer que estejam, devem ter ficado envergonhados e tristes com os vivos que destilam ódio e intolerância. Os que aqui ainda continuam passageiros desse trem chamado terra deveriam refletir sobre a dor da finitude que carregamos do nascer ao dia da despedida final.
Se todos pensassem nessa dor da finitude talvez houvesse mais amor, mais compreensão, mais paz, solidariedade e menos ganância, barbárie e autoritarismo. Talvez não se usasse o nome de Deus em vão, nem pregassem um cristianismo falso e mentiroso e nem manipulassem os mais fracos e vulneráveis.
Fui hoje, ou ontem (dia 02/11) ao cemitério e senti nas pessoas essa dor da finitude através de suas expressões, no silêncio, nas orações, nas conversas bem baixas e arrastadas e até nas lágrimas caídas de alguns mais sentimentais que se foram há pouco tempo.
Pensei num Brasil mais unido, sem esse rancor, respirando mais liberdade e democracia. Pensei num Brasil sem intervenção militar, sem ditadura e, especialmente, sem fome e miséria. Pensei também nessa dor da finitude, título de um poeminha que fiz há uns dois anos e que aqui apresento aos meus parcos leitores:
A DOR DA FINITUDE
Dizem que a morte é matreira;
Líquido eterno da vida finita;
Outro que é o veneno sem sentido,
E que a vereda é via passageira,
Que traz na lida a dor da finitude,
Com seu baú de coragem e medo,
Nos laços do intrincado segredo.
A finitude pode até aliviar seu temor;
O sábio manda conhecer a ti mesmo;
Um que nada muda em sua forma;
Outro que tudo vai e se transforma;
Você se depara com o ser, ou não ser,
E o poeta faz sua escala fora dessa bitola;
Não se conforma e se embriaga no amor.
Tudo passa, é mutável e se transforma,
Tudo fica no lugar, e mudança é ilusão,
Nada começa, nada se acaba, nada torna;
A flecha que voa está parada no ar;
É tudo finito, infinito, mistério e confusão;
Uns preferem o delírio etílico da festa;
Se afundar nas ondas que se quebram no mar.
FECHAMENTO DE RUAS E OUTRAS DESOBEDIÊNCIAS A INÚMERAS LEIS
O que mais existem no Brasil são leis, estatutos e decretos nas esferas federal, estadual e municipal, muitos até elogiados em outros países, mas poucos são cumpridos porque o próprio poder público que faz as normas e regramentos não dispõe de estrutura fiscalizadora para coibir e punir as infrações.
Poderia aqui enumerar centenas de leis no sentido de ordenar nossa vida social para que não haja afrontas à liberdade dos outros e violação dos direitos constitucionais. Uma delas se refere à questão do fechamento de ruas por bares, para comemoração de algum evento, principalmente advindas de torcidas de futebol.
No sábado passado fui bebericar umas geladas com meu amigo e companheiro jornalista Carlos Gonzalez no bar Tempero, no Alto Maron, numa rua estreita de duas mãos e bem movimentada. Não sei se havia a permissão da prefeitura, mas o espaço foi fechado à circulação de veículos para colocação de mesas.
Sem falar no som alto (pedimos logo a conta), foi o maior sufoco retirar nossos veículos, inclusive com riscos de acidentes nas manobras de ré. Estou tratando desse problema que é quase comum em Vitória da Conquista, sem a devida fiscalização do executivo.
Outro assunto perturbador que vai de encontro à liberdade dos outros e fere os direitos coletivos é a lei do silêncio a partir de certo horário da noite. Quase sempre não é respeitado, embora exista um departamento numa Secretaria, se não me engano, de Serviços Públicos, para denunciar os abusos.
O fechamento de ruas em Conquista em finais de semana é só um “gancho”, como se diz no jargão jornalístico, mas outra lei que não é seguida e está no Plano Diretor da Cidade, é a que determina que os donos de terrenos limpem e cerquem suas áreas, sob pena de multas.
Essa, meu amigo, não funciona mesmo. São centenas e centenas de terrenos sujos e abandonados espalhados pela cidade que se transformaram em verdadeiros atentados contra a saúde pública. Os locais se transformaram em abrigos de ratos, cobras, escorpiões e fontes de geração dos mosquitos da dengue.
Se formos analisar ao pé da letra, o poder público é o maior culpado por toda essa sujeira porque não faz cumprir a lei. Não é só condenar quem joga lixo nesses terrenos. Na grande maioria das vezes, a própria mídia condena quem põe fogos nesses terrenos, mas esquece de apontar o dedo para a prefeitura.
Não se sabe quem é o pior nesses casos, se o fogo que causa perigo e fumaça aos moradores próximos desses lotes abandonados, ou a sujeira do lixo acumulado que atrai todo tipo de insetos e doenças às pessoas. Quem é mais criminoso? O sujeito que coloca fogo nesse tipo de terreno ou a prefeitura que não faz cumprir a lei?
QUE POVO É ESSE?
Mesmo com todos xingamentos, bravatas, ameaças à democracia, preconceitos, atos de racismo e homofobia, destruição do meio ambiente, fazer do Brasil um pária, desdenhar a vida e debochar dos nordestinos, o capitão Bozó ainda teve uma careta de milhões de votos, perdendo apertado para o Lula, de 77 anos, o mais velho a ser eleito presidente.
Que povo é esse? Ou foi o ódio ao PT de 2018 que veio ainda mais forte em 2022? O despertar dos extremistas nazifascistas e fanáticos que estavam no armário e ganharam voz com seu líder autoritário? Muitos têm seus diagnósticos filosóficos, sociológicos e versões academicistas. Ou é coisa para ser analisada num divã psiquiátrico? Como explicar tudo isso?
Fico aqui a burilar em minha mente que se fosse outro candidato com um partido de centro mais palatável, sem costas largas do passado para bater, a diferença da vitória teria sido bem mais larga. Pelos resultados dessas eleições e da anterior, o país vai continuar dividido, cheio de ódio e intolerância. O outro lado não vai se conformar em apertar as mãos.
Podemos até dizer que nos livramos de um inferno, mas vamos ter de enfrentar momentos difíceis e não sabemos se o Lula irá terminar seu mandato. Será que não se vai repetir o mesmo que ocorreu com Dilma, quando passaram a rasteira nela e assumiu o Temer, mordomo de drácula?
Outra questão é que pela idade já avançada, o Lula não deverá partir para outra eleição. Como sempre arrogante e prepotente, o PT não vai querer largar o osso, ou seja, o poder. Na hora do vamos lá, não existe essa de coligação com objetivo único de se pensar no bem do Brasil. Vamos continuar penando por mais algum tempo até que paguemos nossos pecados, nossos erros e tropeços. Precisamos de purificação.
Pelo estilo louco, raivoso e psicopata do capitão-presidente, não vai haver governo de transição como recomenda o estilo democrático e o “centrão” no Congresso Nacional vai começar a armar seus complôs para que continue o esquema do escambo do toma lá, dá cá. Será que o Lula e o PT vão sentar na mesa e corrigir os erros do passado? Sim, porque houve muitos e precisam ser evitados.
Entendo que, ao lado de matar a fome e dar comida a todos, como insistiu o Lula em toda sua campanha, são mais que necessárias políticas públicas para que esse 33 milhões de famintos não engrossem mais ainda as fileiras das esmolas miseráveis.
As pessoas precisam ganhar autoestima e começar a viver por conta própria através do seu emprego e do seu trabalho. As bolsas, os vales, auxílios e doações viciam, principalmente quando se trata de gente sem instrução que acha que não tem mais saídas para suas vidas.
É preciso fazer diferente, com honestidade, seriedade e, acima de tudo, moralidade com a coisa pública, sem roubos e maracutais, como o PT pregou na sua fundação lá no início dos anos 80. Essa é a única oportunidade para fazer a coisa certa e tirar essa pecha de ladroagem que ainda está impregnada na cabeça de muitos.
Infelizmente, houve desvios de conduta e mudança de rota com alianças burguesas e gente inescrupulosa do pior quilate, sem contar que muitos do partido se deslumbraram e passaram da cachaça para o uísque.
É isso que o povo mais consciente politicamente e os partidos de esquerda que o apoiaram esperam que ocorra. Senão, será outro grande desastre, outra desilusão, outra grande decepção e deixará a porta aberta para volta dos lobos raivosos fascistas. É bom não ficar brincando de se locupletar do poder. Caso contrário o ódio será bem pior, a maldição mais maligna e haverá uma verdadeira convulsão social.
Em seu discurso na Avenida Paulista num caminhão de som, em algumas palavras, Lula não deu aquele tom de conciliação quando em certo momento disse que iria se dirigir à multidão da outra ponta do veículo que estava à esquerda e ao centro, nunca à direita. Isso pode até ser irrelevante, mas não é bom para unir o país. Que nunca mais exista essa de “é nós contra eles”.
O VELHINHO ESTÁ DE VOLTA
Carlos González – jornalista
“Bota o retrato do velho de novo/Bota no mesmo lugar/O sorriso de velhinho faz a gente se animar”. Versos de uma marcha, interpretada por Francisco Alves, cujos autores, Haroldo Lobo e Marino Pinho, homenageavam a volta de Getúlio Vargas à Presidência da República, em outubro de 1950.
Sucesso do Carnaval do ano seguinte, a marcha acompanhou as manifestações de entusiasmo do brasileiro com o retorno do político de 68, que durante seis anos esteve asilado nos Pampas gaúchos.
Há certa semelhança entre o cenário de 1950 e aquele que se desenhou após a apuração dos votos do 2º turno das eleições para o cargo de presidente da República. Uma parcela do povo brasileiro festejou ontem nas ruas a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, outro velho político de 77 anos, que, na verdade, não tem o mesmo carisma de Vargas, lembrado até hoje por aqueles que conviveram com o getulismo.
O vermelho predominou entre os saltaram e dançaram atrás dos trios elétricos, celebrando o fim do ódio, da intolerância, da violência, da prepotência, do escárnio, da corrupção, dos preços altos dos alimentos, que nesses últimos quatro anos asfixiou a classe média e os que não têm o que comer no dia a dia.
Reconheçamos que entre os que deram um terceiro mandato a Lula havia os antipetistas, que, honestamente, não concordam com a prescrição de crimes cometidos pelo PT no passado. Mas, no interior da cabine de votação, veio à lembrança o alerta do cardeal de Aparecida, Dom Orlando Brantes: “Pátria amada e não Pátria armada”.
Num comentário anterior escrevi que o bolsonarismo não morre com a derrota de seu líder, assim como o fascismo não desapareceu com Benito Mussolini.
“Não daremos um minuto de sossego a Lula”, declarou ontem, à noite, um ativista do ódio, ao lado de produtores rurais e caminhoneiros, que poderão ser criminalmente acusados pelo bloqueio de rodovias em 12 estados, e incitações a um golpe militar.
Senhores golpistas: em 1950 e em 1956, dois marechais (não foram generais, nem um ex-capitão expulso de Exército), Eurico Gaspar Dutra e Henrique Teixeira Lott, garantiram as posses de dois civis, Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, cujas eleições pelo voto direto eram contestadas pelos fascistas de ontem.
Senhores inconformados com o resultado das urnas: voltem ao trabalho e aguardem para dentro de 20 dias o início da Copa do Mundo do Qatar, quando voltarão a vestir a amarelinha, cantar o “Prá frente Brasil” e torcer pelo bolsonarista evangélico Neymar Jr, que responde por sonegação fiscal (R$ 188 mi) no Brasil, e corrupção empresarial (dois anos de prisão e multa de 10 milhões de euros, cerca de R$ 10 mi) na Espanha.
Contrariando determinação da FIFA, Neymar promete fazer o 22 a cada gol marcado. Na Olimpíada de 2016, no Brasil, ele foi punido por exibir na testa uma faixa com a frase “Deus é fiel”.
VAMOS FALAR A LÍNGUA DO POVO
A esquerda brasileira precisa deixar de ser metida a besta intelectual, tirada a acadêmica analítica e falar mais a língua do nosso povo para que todos entendam o recado. Em uma reunião de partido, o que mais se vê é gente querendo falar difícil, com citações de filósofos, sociólogos e pensadores estrangeiros de todas as partes e tendências.
Não se trata de questão de baixar o nível, mas de dar um mergulho na realidade dos fatos, na vida como ela é, e fazer um discurso que seja compreensível para todos, como se é feita na técnica jornalística impressa que visa atingir do doutor ao menos instruído. Nos últimos anos as bases foram esquecidas.
Quando se vai a um encontro partidário de esquerda, a impressão que se tem é que estamos ouvindo uma dissertação de mestrado ou doutorado, numa dialética dirigida somente para um grupo restrito de cultos. O resultado é que se passa o tempo fazendo rodeios científicos, circulando e não se chega a lugar algum em termos de ação.
Sempre digo que essa esquerda precisa ser mais objetiva e não ficar fazendo elucubrações abstratas, falando de metafísica quântica ou coisa parecida. Afinal de contas, estamos num pais de semianalfabetos, de uma educação de baixa qualidade e de maioria inculta.
Talvez essa seja uma razão de vermos poucas pessoas do povo, das periferias, operários e iletrados filiados e participando dos partidos de esquerda. Muitos ali presentes se sentem alijados e até com medo de abrir a boca diante daquele falatório rebuscado e barroco.
Parece que cada um vai ali para exibir suas intelectualidades de conhecimento e sabedoria sobre o processo político, cheio de diagnósticos e historicidade. É um tal de falar difícil pra lá e pra cá como se estivessem num sinédrio de cientistas políticos a interpretar o Antigo Testamento.
Essa esquerda necessita ser mais direta e agir bem mais do que falar. É por isso que muitos candidatos bons, com boas intenções, honestos e preparados para o cargo eletivo não conseguem se eleger porque passa uma campanha toda falando línguas estranhas ao povo. Um partido não é para ficar fechado a um grupo. Acima de tudo, é para agregar e somar mais gente.
Se na oralidade a esquerda não tem alcançado a mente do brasileiro menos esclarecido, agora imagina nos textos escritos na mídia em geral! Tem vezes que começo a ler e não consigo chegar ao meio por ser enfadonho, longo e pedante. Os termos mais apropriados são pedantismo, exibicionismo e prepotência.
Essa esquerda solta um intrincado de termos recheados de citações e interpretações incompreensíveis. Muitos se enrolam no próprio pensamento. Entendo que falta mais senso crítico de que estamos falando e escrevendo para uma massa excluída e ansiosa por uma mensagem que leve esperança e seja compreendida. Ela busca pelos seus direitos essenciais.
EM BENEFÍCIO DA APAE
Foi na noite iluminada desta quinta-feira (dia 26/10) que Eugênio Avelino, mais conhecido como Xangai, sempre inspirado em suas cantorias, de palavras afiadas como as espadas do Samurai, nos brindou com seu show de convidados no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima.
Dessa vez, o mais importante é que foi em benefício da Apae de Vitória da Conquista onde fui diretor e conheci de perto as dificuldades que sempre atravessa essa instituição, a qual acolhe crianças e jovens com necessidades especiais. Um bom ato de solidariedade do músico, cantor, compositor e poeta Xangai.
A arte é respiro da vida e o artista precisa repartir o dom que ganhou para também fazer o bem, senão não terá sentido sua existência. O gesto é um grande exemplo, e suas canções de menestrel nordestino encheram as almas de quem lá esteve parta escutá-lo. Todos ganharam.
A apresentação por si só já diz tudo e se for ficar aqui descrevendo e falando pode acabar tirando seu brilho, sua poesia e borrar a imagem. A Apae que, infelizmente, às vezes é usada por oportunistas para interesses próprios, como a venda irregular do seu terreno, na Avenida Juracy Magalhães (triste episódio), deve ter ficada muita grata pela ação e que venham outros artistas para fazerem o mesmo.





































