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O HUMANO “MODERNO” DESUMANIZADO
Um mauricinho rico esnoba num recinto de uma lanhouse que não entendia como ainda nos tempos de hoje tem gente que não sabe o que é e como fazer um QR Cote ou não tem o PIX.
O pobre ao lado escuta o papo e pergunta se ele sabe como se faz a farinha, um cuscuz de milho, uma farofa ou uma rapadura. Ainda se ele imagina o que é ter fome, se os jovens de hoje respeitam os idosos ou as pessoas diferentes.
O moço metido a sabichão dos truques da internet e do mundo virtual, fica calado e meio envergonhado. Nada mais se falou sobre os golpes nessa terra que não é de ninguém, embora os “especialistas” digam que os golpistas são investigados e punidos de acordo com as leis dessa nova mídia devoradora de humanos.
Vivemos num mundo “moderno” desumanizado onde os pais dão mais atenção ao cachorrinho de raça do que aos seus próprios filhos. A mãe chega cansada do trabalho ou do salão de beleza e mal pega sua cria para fazer um carinho. Brada com a babá que ainda não colocou o menino ou a menina para dormir. Ela só quer estirar as pernas no sofá e clicar no celular.
Dia desses um pai matou acidentalmente seu próprio filho na garagem dando a ré em seu carão de luxo. Se não sabia onde estava a criança é porque nem se despediu dela diante de tantas preocupações, problemas e a pressa pela corrida do ouro, aliás do dinheiro. O tratamento entre o cãozinho de estimação e o humano se inverteram. Será que o cão seria acidentalmente esmagado nas rodas do seu possante?
Nos dias atuais, muitas vezes aparece no noticiário que uma mãe ou o pai esqueceu o bebê trancado dentro do seu próprio carro, mas ninguém deixa um celular para trás. Os imbecis dirigem com o aparelho na mão ou o coloca entre as pernas e nunca deixa sua peça idolatrada no banco.
Muitos têm filhos como obrigação matrimonial ou para cumprir uma norma social. Coisas de aparência e vaidade! Logo que mulher e homem se casam, lá vem a sogra ou o sogro para cobrar uns netinhos. Nos acomodamos numa sociedade das aparências e da procura pela felicidade passageira através das compras num shopping.
Atualmente se diz depois eu te ligo, depois eu falo com você, depois lhe mando o pedido, depois faço aquilo. A conversa com o filho é sempre adiada porque o pai ou a mãe acha que tem algo mais importante para resolver. Os contatos, que não sejam por interesse monetário, se dissolvem como sonrisal na água.
Amigos só no copo num barzinho para passar o tempo, numa festa ou curtição de final de semana. Quando o cara está montado numa grana é como um imã para atrair gente e dar uns tapinhas nas costas. É um tal de dizer você é meu amigo-irmão. Foi-se o tempo onde o amigo era certo nas horas incertas.
CLUBE PAGA POR TORCEDOR RACISTA
A Confederação Brasileira de Futebol – CBF (olá, seu Ednaldo Rodrigues) e seu conselho técnico de representantes das federações estaduais continuam insistindo numa coisa esdruxula que na prática é contraditório e absurdo (olá meu amigo Gonzalez) que é punir o time quando no estádio uns torcedores raivosos praticam atos de racismo contra jogadores negros.
Não consigo entender ou sou mesmo burro! Como o clube pode controlar torcedor desvairado, aloprado, idiota e estúpido numa multidão de uma partida de futebol, chamando o atleta de macaco, fedorento ou outra coisa ultrajante! Time nenhum concorda ou incentiva que seus torcedores façam isso e não dispõe de condições parta evitar que fatos desse tipo ocorram.
A CBF com seus prepostos e a polícia não têm capacidade de detectar os racistas e aí transfere a responsabilidade para os times, com punições de perda de campo, multas altíssimas e até com retirada de pontos ganhos, o mais grave e que vai gerar uma tremenda confusão e ira das torcidas, com toda razão.
É aquele negócio dos santos pagarem pelos pegadores. Futebol brasileiro está em plena decadência com medidas e mudanças incoerentes e ridículas. Primeiro veio o VAR que bagunçou com tudo e desvalorizou o árbitro; introduziram a troca de até cinco jogadores; e inventaram a tal parada técnica que irrita o torcedor.
A regra estabelece 90 minutos de jogo, mas de bola rolando não chega a 70, mesmo com os acréscimos para enganar os bestas. Cartão vermelho só quando o cara quebra a perna ou o pescoço do adversário. Para ser sincero, não vale mais a pena sair de casa e gastar dinheiro para ir a um estádio, cheio de loucos e agressivos que descontam suas frustações nas brigas de morte!
A seleção brasileira das dancinhas do pombo foi uma vergonha na Copa Mundial do Katar. O Flamengo perdeu para um time da Arábia Saudita e foi eliminado no primeiro jogo do Mundial de Clubes. Agora estoura a manipulação de jogos da Série B, em Goiás, onde jogadores recebiam propinas para provocar pênaltis.
Atualmente, tenho mesmo é saudade dos meus babas de várzeas e quando jogava pela seleção de Amargosa e do Seminário Nossa Senhora do Bom Conselho. Tinham bons craques e não esses pernas-de-paus que caem rolando no campo e demoram de levantar.
Ainda existem os brutos que nunca deveriam entrar num campo de futebol. Só sabem dar porrada e voadoras para arrebentar os colegas! Os técnicos xingam palavrões e berram na beira das quatro linhas. Sou ainda um admirador do futebol, mas não como antigamente quando se via belas jogadas e dribles, sem falar que a redonda rolava por mais tempo e não era tão maltratada.
UM PLANO DIRETOR URBANO QUE HÁ CINCO ANOS NÃO SAIU DO PAPEL
Os projetos, as reformas dos equipamentos culturais e outras demandas em benefício de Vitória da Conquista estão emperrados na Prefeitura Municipal. Um exemplo é a reformulação ou revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, o PDDU, que há cinco anos começou a tramitar na Câmara de Vereadores, ainda no Governo de Hérzem Gusmão, mas ainda não saiu do papel.
A última vez que o Plano recebeu uma nova roupagem foi no Governo de José Raimundo Fontes, há quase 20 anos e, de lá para cá, a cidade, a terceira maior da Bahia, com mais de 300 mil habitantes, expandiu para todos os pontos cardeais, de norte a sul, de leste a oeste, com construções e loteamentos, muitos dos quais de forma desordenada e sem o devido planejamento.
Um Plano Diretor, não sou urbanista e nem arquiteto, mas sabemos que traça as diretrizes para que a cidade cresça de forma ordenada em benefício da população. Atualmente, por exemplo, temos loteamentos chamados de bairros com vários nomes, inclusive ruas que não constam nos arquivos do poder público da prefeitura e da Câmara de Vereadores.
Outra questão a ser revista e regularizada é que grande parte das habitações de Conquista, especialmente nas regiões periféricas, é irregular e isso aumenta a cada dia que passa. Precisamos de uma cidade mais humana que viva em harmonia com o meio ambiente e ofereça qualidade de vida aos seus moradores.
O trânsito de Conquista sempre foi complicado e caótico em alguns lugares. Estabelecimentos são erguidos, como escolas, supermercados, casas de eventos e shows sem o devido planejamento, provocando transtornos no tráfico de veículos, como já está ocorrendo na Avenida Juracy Magalhães que começa a ter engarrafamentos.
Aqui mesmo no Jardim Guanabara ou Felícia e ainda Jatobá para outros (exemplo de três nomes) que confundem Correios e empresas de entregas de correspondências e encomendas, foi construída a casa de eventos Paradise numa rua totalmente residencial que perturba os moradores, principalmente idosos e crianças, em dias de festas.
Conquista tem terrenos abandonados entregues ao mato e ao lixo onde os donos não são devidamente fiscalizados e punidos para que sejam obrigados a cuidar de seus imóveis. Como consequência, essas áreas têm transmitido doenças e servido de esconderijos para bandidos e marginais, aumentando a violência através de assaltos.
É uma vergonha que este Plano Diretor esteja parado na Prefeitura Municipal depois da Câmara de Vereadores ter feito algumas correções. Pelo que se sabe, já foram gastos mais de um milhão de reais, dinheiro do povo que não está sendo respeitado, ao contrário, desperdiçado. Toda cidade com mais de 20 mil habitantes deve ter o seu Plano.
Outro problema grave que há anos vem se empurrando com a barriga é com relação aos equipamentos culturais de Vitória da Conquista, como o Teatro Carlos Jheovah, interditado há três anos, o Cine Madrigal, adquirido pelo Tesouro por um milhão e 100 mil reais e que continua fechado, a Casa Glauber Rocha, na rua Dois de Julho e a Praça Céus (J. Murilo), no Alto Maron que funciona de forma precária por falta de reformas.
O tempo está se encarregando de destruir esses centros culturais, enquanto os artistas de um modo geral, abrangendo todas linguagens ficam sem espaço para realizar seus ensaios, treinos e shows. Todos têm que recorrer ao Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, do Estado, que vive com sua agenda cheia.
Há um ano que o Conselho Municipal de Cultural vem lutando para reformar esses equipamentos, mas a resposta é sempre falta de recursos e que as licitações estão em andamento. Nosso patrimônio material (arquitetônico) e imaterial também estão se acabando. É nossa memória que está deixando de existir. É nossa história se apagando.
Onde estão as lideranças da sociedade, dos movimentos sociais e entidades sindicais patronais e de empregados, os intelectuais, os empresários, associações, artistas, a mídia e demais organizações que não juntam forças para que essas ações sejam colocadas em pratica com urgência, e não fiquem somente no papel? Povo sem memória é um povo sem identidade, sem presente e futuro, de passado destruído.
ESSA SEGUNDA-FEIRA!
Numa coisa acho que todos concordam, seja de esquerda, direita ou centro, que essa tal de segunda-feira é o pior dia da semana, mesmo para quem não bebe, não entra em farras, não tem atividades fixas e até mesmo para o aposentado. Na verdade, é um dia enfadonho que poderia receber uma honraria de “Dia da Preguiça ou da Moleza”!
Quando estava na ativa, para mim era um tormento porque me atolava nas boemias da vida e muitas vezes dormia na redação do jornal em cima da antiga máquina de datilografia.
Agora seria no computador, com linhas trocadas e lead invertido. E fazer uma entrevista numa segunda-feira! É Tico Oliveira, você ainda me pede para escrever para o “Impacto” numa segunda-feira! Quer me torturar?
Sobre a segunda-feira, já ouvi muita gente propor para ser um dia de pleno descanso, mas aí, meu amigo, a terça ficaria no lugar da segunda, passando a ser o pior dia da semana. Melhor não azucrinar a terça-feira quando você começa a entrar no eixo, pensando na sexta-feira.
É duro ter que realizar alguma atividade na segunda e ainda participar de uma reunião à noite, como fiz ontem. É para matar qualquer cristão! Pelo menos não deveria haver encontro na segunda e nenhum outro evento.
Mesmo aposentado ainda vivo procurando sarna para mim coçar, e não é que tenho reunião do Conselho de Cultura toda primeira segunda-feira do mês! Tento fazer algum texto na segunda-feira e olha a brabeira! As ideias não se conectam bem e lá vou eu tateando e tropeçando aqui e acolá.
Preciso tomar vergonha na cara e não fazer absolutamente nada na segunda-feira, mesmo que seja um velório ou enterro de um parente e amigo do peito. Não maltrate esse velho corpo, nem o espírito! Os dois não aguentam mais!
Depois de umas geladas no sábado e no domingo, o negócio é ficar olhando o tempo passar na segunda-feira, claro tomando chás, caldo de cana, sorvete e frutas. Nada de feijão e carne, principalmente se for vermelha.
Como hoje é segunda-feira, vou mesmo é parar por aqui antes que fale mais besteiras com essa crônica enfadonha e chata de ser ler. Dá até vontade de cair na cama, mas o cachacista sempre diz que é bom tomar uma gelada para rebater.
Cada viciado com sua mania. Isso não passa de mais uma pirraça para contrariar com a segunda-feira pé de boi. Vou ficar por aqui mesmo, se quiser que alguém acrescente mais alguma coisa. Estou indo.
A REALIDADE DO FUTEBOL BRASILEIRO
Carlos González – jornalista
A explicação, no meu modesto conhecimento, para a queda do Flamengo, na verdade, do futebol sul-americano, para o Al Hilal, da Arábia Saudita, não está no noticiário esportivo da impensa. O esporte mais popular do continente, como todos os produtos destinados ao lazer do povo, vem sofrendo há décadas com a instabilidade de uma economia mal administrada pelos governantes.
Brasil e Argentina, os dois maiores centros esportivos da América do Sul, passaram há algum tempo a ver o futebol como uma indústria em processo de falência, com a prerrogativa de se desfazer de parte do seu patrimônio, no caso, seus atletas, negociando-os com o mercado externo, em troca de muitos euros e dólares. Outros esportes, como o vôlei, o futsal, o handebol e o basquete, também foram atraídos pelo tilintar das moedas estrangeiras. Adotam, como se vê, a prática nociva da nossa agroindústria.
Estudos feitos por uma empresa de consultoria revelam que os 20 clubes da série “A” em 2022 acumulavam uma dívida de R$ 11,9 bilhões, com Atlético Mineiro e Corínthians no topo da lista. Esse passivo foi reduzido em R$ 1, 4 bilhão com a venda de jogadores para clubes estrangeiros.
Nos últimos anos, clubes e bilionários chineses, europeus e árabes, inclusive Ronaldo Fenômeno, têm investido na compra de equipes brasileiras. Trata-se de uma fórmula para alivia o “sufoco” financeiro dos clubes. A direção do Bahia, com o apoio dos seus conselheiros, foi seduzida pelos euros oferecidos pelo Manchester City. Ainda é cedo para avaliar se o Tricolor fez um bom negócio, mas é inegável que o desempenho técnico do time em campo não tem agradado à torcida.
O leitor talvez não tenha percebido, mas o futebol praticado entre jovens com menos de 20 anos, os antigos juvenis, é muito mais agradável de acompanhar – assista esta semana pela TV o Campeonato Sul-Americano Sub 20, disputado na Colômbia – do que uma partida, por exemplo, do Campeonato Baiano.
O empenho é uma das qualidades de um garoto de família pobre, morador da favela ou da periferia das cidades, porque o sonho dele é vestir a camisa de um clube europeu. Ele pode está sendo observado naquele momento por um dos muitos olheiros do Real Madri que atuam em diferentes cidades do Brasil e da Argentina.
A Copa São Paulo de Futebol Júnior, promovida há 53 anos pela prefeitura paulistana se transforma na maior vitrine do futebol de base, atraindo observadores de clubes europeus. Alguns dos 128 participantes da Copinha recebem a ajuda financeira de empresas, que buscam o lucro com a venda de um ou até mais garotos.
Há, inclusive, exemplos no futebol baiano. O Doce Mel, que disputa a 1ª Divisão do Estadual e foi um dos times da Copinha 2023, é mantido por uma fábrica de polpas de frutas, com sede em Iguaí e mais de 30 filiais no interior baiano; o Canaã, da 2ª Divisão, participante da Copinha no ano passado, é bancado pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), em Gandu. A rede de farmácias Pague Menos mantém no Ceará um projeto voltado para as divisões de base.
Uma das prioridades do Barcelona é “fabricar” talentos, incluindo-os, desde a mais tenra idade, num projeto escolar e esportivo, destinado aos filhos de jogadores e funcionários do clube. Thiago, o primogênito de Messi, foi “contratado” aos 4 anos de idade; Ronaldinho Gaúcho mandou recentemente seu filho João para Barcelona.
Os jogadores que não dispõem de qualificação técnica e nem de um empresário com trânsito no mundo do futebol, disputam no momento desinteressantes campeonatos estaduais, que já levaram ao antigo estádio da Fonte Nova 97.240 pagantes (Ba-Vi de 7 de agosto de 94). Depois da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, os estádios ou arenas encolheram, o ingresso aumentou e o torcedor preferiu ficar em casa.
Dados divulgados pela CBF mostram que 55% (49,5 mil) dos jogadores profissionais que atuam no Brasil ganham um salário mínimo. Para a maioria deles, o calendário anual organizado pela Confederação é desumano com aqueles que têm seu período de atividade limitado aos três meses dos campeonatos estaduais, caso os seus clubes não estejam inscritos na Libertadores, Sul-Americano, Copa do Brasil e nas quatro séries do Brasileirão.
Temos uma amostra em casa. Os profissionais – o sub 20 disputou a Copinha deste ano, passando da fase de grupos – do Vitória da Conquista pisou num gramado pela última vez em 16 de março de 2022, já rebaixado para a série B do Baianão, cujo início este ano ainda não foi anunciado pela FBF. O “Bode” está desaparecido, ocorrência que não causa a menor preocupação da Prefeitura local, como se o esporte não fizesse parte de uma de suas secretarias, assim como dos seus torcedores, mais flamenguistas do que conquistenses. Sua página na internet está desatualizada desde janeiro de 2022.
As melhores equipes representativas do Brasil em Copas do Mundo foram, sem dúvida, as de 59, 70 e 82, formadas, exclusivamente, com jogadores que atuavam em casa, que não possuíam mansões e nem pagavam milhares de euros por um bife folheado a ouro. O mesmo se pode dizer da Argentina com relação às seleções de 78 e 86. No último Mundial, os dois países foram representados por “estrangeiros”. Nossos “hermanos” tiveram o privilégio de contar com a genialidade de Messi e levantaram a taça.
Os números não mentem: em Copas do Mundo, a Europa tem 12 títulos e a América do Sul, 10. Em Mundiais de Clubes – Europa 34; América do Sul 23. A partir do quarto lugar conquistado pelo Marrocos na Copa do Catar e a eliminação do Flamengo pelo Al Hilal (cada jogador recebeu um prêmio equivalente a R$694 mil), o mundo deve olhar com mais atenção para o futebol praticado pelos árabes.
VEREADORES DA OPOSIÇÃO FAZEM DURAS CRÍTICAS À PREFEITA SHEILA LEMOS
Na sessão ordinária do dia 08/02 (quarta-feira) da Câmara Municipal de Vitória da Conquista, os vereadores da oposição Viviane Sampaio (PT) e Andreson Ribeiro, do PCdoB, fizeram duras críticas à administração da prefeita Sheila Lemos e avaliaram que foi ruim seu discurso pronunciado na abertura dos trabalhos legislativos da semana passada.
Numa plenária praticamente vazia, mas barulhenta por causa das conversas paralelas, mesmo assim a parlamentar Viviane declarou que a cidade está abandonada, a começar pelas ruas e avenidas cheias de crateras por todos os lados, sem falar na iluminação precária na maioria dos bairros. Na área da saúde, segundo ela, falta planejamento, com projetos inacabados.
Sobre sua fala na Casa Legislativa, afirmou que nada anunciou do que pretende fazer para solucionar os problemas. “Ela só faz pedir mais recursos”. Na mesma linha, seu colega Andreson foi ainda mais enfático e afirmou que a prefeita não apresentou projetos para a cidade. “Seu discurso foi ruim”.
Em seu pronunciamento, Luis Carlos Dudé, ex-presidente da Câmara, rebateu as críticas dizendo que a Prefeitura de Conquista é adimplente e tem condições de contrair empréstimos no valor de até 700 milhões de reais, referindo-se aos 72 milhões contraídos recentemente para realização de projetos estruturantes.
O atual presidente da Casa, Hermínio Oliveira, estabeleceu o tempo de fala dos vereadores em três minutos, com um de tolerância, sob pena de ser cortado o microfone, e pediu mais silêncio da plenária para ouvir os vereadores.
Nelson de Vivia agradeceu à prefeita pelos serviços de reparos de estradas atendidos nos povoados de Capinal e da Limeira, bem como da malha urbana com o início da operação tapa-buracos. Elogiou também a ação do poder executivo no distrito de São Sebastião.
O vereador da situação, Ivan Cordeiro, aproveitou para criticar o Governo do Estado, principalmente no que tange a educação, como a intenção de encerrar os turnos noturnos no Colégio Militar, causando apreensões aos pais dos alunos, os quais só podem frequentar a escola nesse horário.
Sobre o Hospital Afrânio Peixoto, Cordeiro destacou que cirurgias de pacientes estão sendo adiadas por falta de lençóis e até roupas para o pessoal que atua na saúde, como médicos e enfermeiros. Para ele, a unidade hospitalar vive uma situação de calamidade pública.
Fernando Jacaré, do PT, destacou a agenda positiva dos atuais governos estadual e federal, com as reformas das escolas e outros equipamentos públicos. Sobre o Afrânio Peixoto, adiantou que o partido está acompanhando o problema, mas reconheceu a superlotação da UPA de Conquista.
Em sua fala, o tenente Muniz, vice-presidente do legislativo, assinalou que a prefeitura está atendendo as demandas de reparos das estradas e das ruas da cidade. Assinalou que, durante o período de recesso, os vereadores continuaram trabalhando para atender a população e citou inúmeras reuniões realizadas com secretários e a prefeita, para avaliar os estragos provocados pelas chuvas.
Lúcia Rocha chamou a atenção da importância de se fortalecer as políticas públicas em parcerias com os governos federal e estadual. Lembrou que irá continuar sua luta em defesa das mulheres, dos feirantes e da zona oeste durante seu mandato. Também o vereador Admilson Pereira fez um relato do seu trabalho como parlamentar junto às comunidades.
OS IANOMAMIS E OS GARIMPEIROS
Essa situação polêmica entre os índios ianomâmis e os garimpeiros, em Roraima, já vem de muitos anos, inclusive nos governos do PT, mas chegou-se ao um ponto caótico com o capitão-presidente Bozó que intencionava exterminar de vez esse povo originário da Amazônia.
É mais um massacre e uma catástrofe anunciados, como tantos outros no Brasil, o mesmo que acontece com as invasões irregulares de construções de casas, prédios e casebres nos morros das grandes cidades, que desabam quando batem as fortes chuvas.
Tudo poderia ter sido evitado se as autoridades governamentais tomassem providências antecipadas em termos de disciplina e fiscalização, para impedir as irregularidades. No entanto, as coisas vão tomando proporções que fogem do controle e aí vem a violência aplicada na base do ferro e do fogo.
No caso dos garimpeiros em terras ianomâmis não é muito diferente. Eles foram entrando e avançando com o tempo, contaminando o meio-ambiente e até atraindo tribos que consentiram e participaram também da garimpagem ilegal.
Não há dúvida que ali houve um lento genocídio contra os índios que não compactuaram com os invasores. O problema foi criado há anos, mas não se pode resolver a questão de uma hora para outra com a força bruta de uma retirada desastrada dos garimpeiros que estão fugindo atordoados para outras áreas. Todos são brasileiros.
Da forma como está sendo feito, vai-se criar outra frente social crítica, não somente com a disseminação de doenças, mas violências, roubos, tráfico e outros ilícitos e delitos em razão da ausência de uma ocupação de trabalho.
Não estou aqui defendendo a ação dos garimpeiros, mas eles também são vítimas de administrações que fizeram vistas grosas para o que vinha ocorrendo há tempos na Amazônia. Por que não se criar extrações de minérios disciplinados sob uma fiscalização rígido do governo, de modo que haja uma exploração sustentável e de convívio com os nativos?
Mais uma vez, não estou sendo advogado do diabo, mas todos sabem que grandes empresas estão lá há anos com suas máquinas destruindo as florestas, a fauna, a flora e envenenando rios. Tudo não passa de uma demonstração de força impensada que pode gerar outro caos social em cima de um marketing político.
Todos esses conflitos, essa tragédia de mortes por doenças e desnutrição dos índios poderiam ter sido evitados lá na frente. O que houve no governo do capitão foi um genocídio premeditado, mas entendo que poderá haver outra saída pensada e planejada de forma que uma tragédia resolvida sirva para constituir outra ainda pior.
UMA HUMANIDADE BRUTALIZADA
Neste domingo estava em casa sossegado tomando uma gelada e ouvindo umas músicas, mas terminei me contrariando por causa de umas cenas de estupidez do ser humano, aquelas que já se tornaram comuns de linchamentos e do querer fazer justiça com as próprias mãos. Confesso que fiquei revoltado com tanta violência consentida como se fosse normal.
Tudo começou na rua “G” – Jardim Guanabara ou Bairro Felícia, quando um rapaz tentou furtar no carro a carteira de um morador. Foram ao encalço dele e próximo à casa de eventos Paradise derrubaram o cara em frente de um prédio abandonado e começaram as sessões de espancamentos e torturas.
Coisa de bárbaros enfurecidos que se dizem cristãos e sempre estão falando e fazendo tudo em nome Deus, como agredir os outros. Um colocou logo o pé na cabeça do acusado (agora virou prática fazer isso) e os outros aproveitavam para dar chutes e porradas. Teve até quem apareceu com uma taca e deram várias chibatadas como nos tempos da escravidão. Um bando de covardes!
Essa brutalidade durou quase uma hora e sempre aparecia mais um para dar sua porrada. Na roda, cerca de dez moradores (muitos vizinhos presenciando da porta de suas casas) com xingamentos e agressões contra o indivíduo pardo de uns 35 a 40 anos.
Não me contive e, para não ser conivente e incoerente com meus princípios o com que prego no que tange aos direitos humanos, fui até lá dizer que eles não podiam cometer aquela brutalidade e fazer justiça com as próprias mãos.
Como já esperava, fui prontamente rechaçado com argumentos fúteis típicos de pessoas ignorantes e brutas, de que logo eu morador da rua estava defendo um bandido. Alguém indagou o que eu faria se fosse a vítima.
Um até foi mais ameno e disse que entendida o que eu estava falando, mas isso não impediu de os brutos continuarem torturando o rapaz. Até um motoboy que passava deu seus ponta pés e porradas. Olhei ao redor e vi rostos raivosos e rancorosos de gente a destilar seus ódios e frustrações pessoais. Cada um ali queria mostrar sua força cavalar. Confesso que até tive medo de também ser agredido. Nessa hora, pensei, nem estão aí se sou ou não um idoso.
Debaixo do pau, o moço já gritava de dores e pedia para parar. Foi quando passou um carro da polícia (alguém deve ter ligado), algemou-o e o colocou no camburão. Foi nesse momento que dois ou três gritaram para os policias darem “um cafezinho” nele, isto é, baterem mais.
Com a deterioração ou degradação do ser humano, é essa própria sociedade hipócrita que incentiva e estimula a polícia ser mais violenta. Ouvi de um do grupo que tem mesmo que matar. A polícia demorou quase uma hora para chegar e tirar o acusado de furto das mãos dos estúpidos ensandecidos assassinos.
É essa a sociedade em que vivemos, fruto de vários governantes do passado que, na falta de educação, criaram monstros. Ela própria não tem a mínima consciência que foi fabricante da bandidagem, da marginalidade, assaltantes, dos traficantes de drogas e sequestradores impiedosos que têm o sangue na boca. Nessa guerra não haverá vencedor. Todos estão sendo derrotados.
Como agora essa sociedade se sente ameaçada, entende que vai combater essa violência com a própria violência, com tanques, fuzis, metralhadoras e mais soldados nas ruas para baixar o cassete. Essa sociedade nem tem o poder de percepção que é ignorante e bruta e que, ao bater no ser humano, não importa se ladrão ou não, está se igualando ao mesmo.
É triste dizer isso, mas nossos corações estão cheios de ódio e intolerância, de racismos, homofobias e desprezo pelo outro. Em nome de Cristo e de Deus partem logo para violência. Tem pessoas que saem da igreja e agridem o primeiro que encontrar, basta não concordar e ser diferente à opinião dele.
TODOS SÃO FARINHA DO MESMO SACO DIZENDO ESTAR A SERVIÇO DO BRASIL
É um quadro despudorado e desolador essa nossa política brasileira, coisa secular, que o povo mais instruído não consegue entender. Eu mesmo não engulo esse argumento da governabilidade. Nessa casa da Vera Cruz tudo continua como dantes. Uma minoria parlamentar vira maioria da noite para o dia e todos se acomodam no mesmo saco de farinha do pó queimado, sem nenhuma tapioca.
Agora mesmo, os bolsonaristas ou bozonaristas puxa-sacos se tornaram lulistas para compor o arcabouço dos cargos e das benesses, num bom termo objetivo, muita grana a rolar. Claro que em política existem as composições, mas aqui na terra do Pau Brasil é vergonhoso, descaração e cinismo. Não existe um mínimo de ética e seriedade. São todos produtos falsificados sem prazo de validade.
Os casos mais aberrantes foram escancarados agora com as eleições do Pacheco para o Senado e do Arthur Lira para a Câmara dos Deputados, este último, principalmente, um sujeito de recado do Bozó psicopata e cumplice de seus crimes, inclusive culpado indiretamente pelo atentado golpista de oito de janeiro.
Bastou o PT se aproximar deles prometendo as cestas recheadas de presentes que eles mudaram as camisas de verde-amarelo para vermelho. Agora eles são Lula e se reelegeram com os votos da esquerda. Será que vale a pena se filiar a um partido de esquerda neste país? Cuidado! Você pode se decepcionar e cair na frustração.
Na verdade, é uma bobagem dizer que nesse Brasil existe direita, centro e esquerda. Não dá para separar muito bem um do outro. Tudo depende do momento. Ideologia é sinônimo de grana no caixa e poder, meu amigo. O povo não passa de um bando de idiota besta que fica brigando uns com os outros e ainda se mata.
As pessoas se xingam, se odeiam e ficam até inimigas, inclusive irmão contra irmão e pai contra filho, enquanto eles lá fazem seus conluios e conchavos com o argumento mentiroso e safado de que tudo é para o bem da nossa pátria. Deixo aqui a minha revolta e desabafo porque minha formação não permite aceitar essa cachorrada.
Os dois (Pacheco e o Lira) foram eleitos com os votos do centrão do Bozó e a eles serviram fielmente, aprovando seus atos criminosos contra o meio-ambiente, o armamento e até fizeram vistas grossas para os genocídios praticados durante a pandemia (vacinação atrasada e mortes em Manaus pela Covid-19)) e contra os índios ianomâmis, dando guarida aos garimpeiros.
Agora pousam de bonzinhos e abraçam Lula com tapinhas nas costas. O Lira fez ainda o pior. Sentou em quase 200 pedidos de impeachment contra o capitão aloprado e não abriu nenhum processo. Se tivesse aberto um dos pedidos de afastamento do capitão poderia ter evitado as tentativas de golpes, as investidas de uma intervenção militar (ditadura) e a bárbara invasão aos três poderes da nação.
No entanto, agora eles são Lula, da esquerda, e foram excluídos da lista daqueles que colaboraram para ultrajar a democracia. Ninguém fala mais no engavetador Augusto Aras, o Procurador Geral da República, a vergonha da Bahia, que sempre foi moleque de recado do Bozó.
Não estou aqui de forma alguma defendendo os extremistas aloprados que falam em pátria, Deus e família e fazem completamente o contrário, mas somente os bois de piranhas foram presos e estão sendo julgados. O Lira e o Pacheco se safaram numa boa.
Sinceramente, nesse pais desavergonhado fico até ressabiado e sem jeito de dizer que sou de esquerda socialista filiado a um partido dessa linha. Essas safadezas me deixam sem argumento para discutir política no sentido sério, ético e honesto. Esse quadro de horrores deixa de cabeça baixa aqueles que primam pela ideologia, porque todos estão juntos no mesmo saco de farinha de péssima qualidade.
FEVEREIRO É DO CARNAVAL
Depois de dois anos, por causa da pandemia, fevereiro volta a ser sinônimo de carnaval, principalmente em Salvador. O ano de trabalho na Bahia só começa mesmo a partir de março. Tudo na capital da informalidade, onde se registra um dos maiores números de pessoas inadimplentes do Brasil, é só festa desde início de dezembro. São três meses que não se faz quase nada.
Os organizadores da folia e a própria Prefeitura Municipal anunciam uma movimentação de quase dois bilhões de reais em negócios, só não falam que a maior parte desse bolo vai cair nas mãos dos mais poderosos donos de trios elétricos, agências de vi8agens, empresas de aviação, montadores de estruturas, os hotéis, as empresas de bebidas e o setor de propaganda.
O resto, ou as migalhas, ficam para os donos de barracas, ambulantes, cordeiros de blocos, catadores de latinhas e outros vendedores que ficam no asfalto das avenidas dormindo ao relento para não perderem suas vagas. Tem aqueles que entram nas muvucas durante uma semana e se endividam mais ainda.
A festa, que a mídia chama de popular, não passa de uma mentira porque no final o rico fica mais rico e o pobre mais pobre. São os vassalos e súditos a serviço de uma nobreza que fica em seus trios e camarotes, lá do alto, assistindo a ralé pular e arrastar chinelos ou tênis velhos lá embaixo nos rebolados das músicas lixo de letras horríveis, machistas e misóginas onde tratam as mulheres como objeto do sexo.
Os economistas, sociólogos e estudiosos no assunto sempre comentam que um país só se desenvolve com trabalho e educação. O Brasil ainda é um pais dos feriadões, das fuzarcas e da falta de um ensino de qualidade. Então, não é preciso analisar mais nada.
Outro “bolodoro” do carnaval é que a festa gera milhares de empregos nessa época, mas escondem a exploração trabalhista, com remunerações baixas e em condições de escravismo onde a pessoa é sujeita a trabalhar quase 24 horas por dia, sem o devido descanso. É um dinheiro amaldiçoado.
Nessa Bahia festeira, a começar pela capital soteropolitana, o nível de instrução é um dos mais baixos, tendo como consequência a pobreza e a miséria que requer um maior número de atendimento do Bolsa Família, mas, em se tratando de carnaval, os governantes não estão nem aí e investem pesado porque dá voto.
Eles sempre escondem os valores e enganam o povo dizendo que os festejos de uma semana (antes só eram quatro dias) são pagos pelo setor privado através das cotas de patrocínios. Também não colocam na conta o aumento da violência, acidentes e mortes quando os hospitais costumam ficar superlotados. Quem paga tudo isso?
É outra mentira deslavada porque não incluem na planilha os gastos com cachês dos artistas de trios independentes, das bandas nas praças, serviços de decoração, do efetivo policial e dos profissionais da saúde mobilizados, entre outras despesas.
A maior ressaca do carnaval depois da quarta-feira de cinzas não é da cachaça, das bebidas, das drogas ingeridas e injetadas. A maior enxaqueca é dos pobres e endividados, porque muitas deixam de quitar suas contas e até colocar comida em casa para cair na folia. É aquele negócio: depois resolvo isso e esvaziam os bolsos e os cartões de crédito, agora o PIX.
















