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QUEM TEM A FELICIDADE?
Estava aqui pensando numa maluquice, dessas de deixar qualquer um pirado. Já imaginou, pelo menos por um ano, todos os brasileiros se tornarem, em corpo e alma, norte-americanos ianques (me deixa fora dessa) e forem viver nos Estados Unidos, com tudo quanto tem direito! Por sua vez, eles viriam para o Brasil, para sentirem a barra pesada e descobrirem o que é mesmo felicidade!
Poderia proceder o mesmo colocando os países africanos mais pobres dentro dos nórdicos, e vice-versa. Riquinhos passando fome! Os latinos seriam asiáticos, e os asiático latinos. A Europa seria o Oriente (Iraque, Turquia, Egito e outros do mundo islâmico), ou poderia o Brasil ser Europa e levar os EUA para a terra dos “infiéis” terroristas islâmicos. Cada um se colocando no lugar e na pele do outro.
Seria a maior experiência laboratorial nunca realizada na história da humanidade. Quem sabe assim, depois de um ano, o mundo não seria melhor e mais feliz? Coisa de doido, mas que deve ser analisada com muita seriedade. Impossível, mas vale a pena tentar! Poderia ser uma solução e uma aprendizagem e tanta de vida!
Não sou muito de acreditar em estatísticas e tem aquelas óbvias ululantes, como as que dizem que o Brasil é um dos países mais desigual do mundo e que nossa educação é uma das piores. Tem também certas pesquisas, sem muita utilidade prática, que são feitas por cientistas desocupados. Não que seja negativista do tipo da terra plana!
Nos tempos atuais, valorizam mais os animais silvestres e domésticos que os seres humanos, que também são animais, os quais são chamados de racionais. Nem tanto assim, meu amigo camarada! São tantas as barbaridades, violências, ganâncias, incoerências e paradoxos! Como são racionais? É questionável!
O que tudo isso tem a ver com a felicidade? Que cara chato sou eu que não entra logo no âmago do assunto proposto! É que vi uma pesquisa, não olhei bem quem fez e qual o órgão, dizendo que os países gelados são os que têm mais felicidade. Pensei logo, por que não despejar toneladas de gelos em nossas cabeças? O Brasil se tornaria numa grande geleira, como no Alasca, no Polo Norte!
Pela apuração dos desocupados, a Finlândia é o país mais feliz do mundo pela sexta vez. Os outros são os gelados nórdicos da Noruega, Dinamarca, Suécia, Islândia e, nesse caso, por que não a Rússia, especialmente a região siberiana onde para lá são levados os opositores do governo, desde os tempos de Stalin. Os presos políticos chegam lá e ficam logo felizes.
O que mais transmite felicidade? É o gelo, o grau de instrução, a soberania, a segurança, a proteção e a qualidade de vida? Ah sim, ia me esquecendo que no ranking da pesquisa o Brasil ocupa a quadragésima nona posição no item felicidade. Aleluia! Aleluia!
Para dizer a verdade, sob a análise do nosso caldeirão de problemas, desde o racismo, a xenofobia, a homofobia, a pobreza e a miséria, o ódio e a intolerância, até que estamos numa boa colocação. Merecemos até umas medalhinhas, mesmo que sejam de latão. É por isso que não sou muito ligado nessas estatísticas.
Outra pesquisa feita por uma professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro aponta que o dinheiro, sim o dindim, todas daquelas notas de 100 numa carreta (as de 200 são fake news), fabrica felicidade. Nesse sistema capitalista burguês consumista sou obrigado a concordar, com algumas controvérsias, como dizia o aluno da “Escolinha do Professor Raimundo”. “Há controvérsias mestre”!
É, sem dinheiro a pessoa fica macambúzia e banza, como africano escravo aprisionado num porão de navio negreiro e levado para longe da sua terra natal, para receber chibatadas do seu dono, essas de cortarem o lombo. Dizem que comprar presentes em shopping aflora a felicidade, mesmo que seja por um certo período.
Viver em mansões, ter carrões de luxo e viajar, mesmo que sejam frutos da corrupção, também oferecem felicidade. Que se dane a consciência e a ética! Ela também tem seu preço e se rende quando se possui sacos e sacos de grana. A pesquisadora esqueceu de citar que o poder também traz felicidade. Aliás, poder e dinheiro andam de mãos dadas. São donos da felicidade.
Entretanto, como o homem não é tão racional assim, o money dos imbecis traz desgraças e até mortes em famílias (as malditas heranças) e incita o indivíduo a passar a rasteira no outro, sem dó e compaixão. A corrida do ouro, tão comentada pela história, deve ter ligação direta com a corrida pela felicidade, não importando o preço a pagar. Que viva a felicidade, mesmo que seja uma mera ilusão pas
AS COTAS, DÍVIDA SOCIAL E A ÁGUA
Sabemos que o Brasil tem uma grande dívida social para com os negros com a vergonhosa escravidão de mais de 300 anos de sofrimentos, torturas e mortes, mas não são essas cotas que vão pagar e apagar essa história do cativeiro.
Por anos eles foram classificados como raça inferior pelos senhores seus donos e também por autoridades, pela própria Igreja Católica, intelectuais e até estudiosos da ciência naquelas épocas, mas os próprios africanos provaram e ficou comprovado que tudo era falso.
As capacidades são iguais. As oportunidades dadas que são diferentes, tanto para os negros como para os brancos pobres que sempre foram excluídos e escravizados pelo capital. Minha concepção de cotas é de reserva de mercado que inferioriza ao invés de valorizar a autoestima das pessoas.
Pode ser o caminho político demagógico mais fácil para mitigar esse fosso da desigualdade social que o sistema burguês, cruel e bruto ao longo desses mais de 500 anos criou no Brasil, mas não é a solução porque o próprio nome cota menospreza e desvaloriza o mérito da pessoa.
Entendo que tudo está na raiz da educação pública de qualidade para todos, com mais escolas estruturadas, mais vagas nas universidades mantidas pelo Estado, professores preparados e não oferecer uma bolsa numa faculdade particular para encher mais ainda o bolso do capitalista mercenário que vende diplomas.
É uma ilusão dizer que as cotas vão acabar com o racismo. E como ficam os pobres brancos que também lutam bravamente para conseguir seu lugar ao sol? Agora mesmo o Lula está estabelecendo uma cota de 30% para os negros em cargos comissionados de confiança no governo federal.
Será apenas uma escolha pela cor da pele? Deixou de detalhar os critérios para as nomeações. Claro que será por imposição política. Será por mérito ou simples compadrio? Continuamos atrasados e fazendo arremedos quando em pleno século XXI ainda estamos discutindo a cor de pele, se negra, branca ou amarela. Será que a pessoa se sente bem em dizer que seu cargo é uma cota?
O que existe é um racismo estrutural difícil de ser eliminado no Brasil. As indicações deveriam ser feitas tendo como base única a meritocracia de quem quer que seja. Sabemos que não é assim. A cota obriga, separa e até pode aumentar a animosidade. Não devolve a autoestima e até cria aquele sentimento de insegurança na função em que o indivíduo está exercendo.
DIA DA ÁGUA
Não deveria estar aqui hoje (dia 22 de março) falando desse assunto tão polêmico, com o risco de ser mal interpretado, se bem que não mais me incomoda, mas sobre o Dia Internacional da Água, do qual nada temos a celebrar porque o homem já se encarregou de lentamente destruir nosso planeta com sua ação poluidora e predadora.
Como sempre, fazem conferências e recomendações para preservação da terra que já está dando suas respostas com o aquecimento global. Não sou nenhum profeta do tempo, mas por várias vezes já comentei que chegamos a um estágio sem reversão porque a própria humanidade não para de aumentar o consumo; derrubar as florestas; matar os mananciais de água; desperdiçar o precioso líquido; aterrar as nascentes; e jogar sua lixeira e esgotos nos rios.
Foi dito por um organismo da ONU que dois bilhões de habitantes (temos cerca de oito bilhões) consomem água não potável e até passam sede. Claro que as nações pobres da África, da Ásia e da América Latina são as mais atingidas. Os ricos depredam, e a desgraça sobra para os pobres. Seria um ordenamento natural das coisas?
SEM MÉDICOS NOS BAIRROS E ZONA RURAL PARA ATENDER NOS POSTOS DE SAÚDE
Quando o governo federal lança o programa “Mais Médicos” para atender a população carente nas cidades e nas zonas rurais, em Vitória da Conquista parece que foi implantado o plano do “sem médicos”. Marquei uma consulta para um otorrino, no posto do Bairro Felícia ou Jardim Guanabara, que já completou agora um ano de aniversário sem ser chamado. Caso fosse uma doença grave já estaria morto. Tente fazer uma mamografia ou uma tomografia!
A situação aqui é tão crítica e caótica que estabeleceram o absurdo de que se duas pessoas estiverem doentes na mesma família, só um poderá ser atendido. Entre uma criança, um jovem ou adulto, vai a criança como prioridade. Se for dois adultos, escolhe-se o mais idoso. Pode-se também fazer um sorteio, ou par ou ímpar, se as idades forem iguais. Um pode ser o defunto.
A educação, a saúde e a cultura estão a pedir socorro em Conquista, sem contar a falta de pavimentação nos bairros mais periféricos. É bom reformar o Estádio “Murilão”, revitalizar a Lagoa das Bateias e a área do Cristo, mas a educação e a saúde devem estar em primeiros lugares. Sabemos que esse quadro de penúria não acontece apenas em Conquista, mas estou me referindo ao nosso em particular.
Somente num país atrasado e culturalmente ainda colonial como o Brasil não se prioriza a educação e a saúde. Um povo ignorante e sem saúde não sabe nem o significado de nação quanto mais o que é uma democracia. Não existe cidadania num país doente, sem educação e cultura. Não passa de um simples mapa com demarcação territorial que abriga milhões de desassistidos.
O que adianta o desenvolvimento econômico de Conquista, com construções brotando em todos seus pontos cardeais, se temos um povo excluído da saúde? Tem gente que a há anos espera por uma simples marcação de um procedimento simples de uma ressonância para tratar sua doença.
Isso de negar a saúde poderia ser motivo de afastamento de um prefeito ou prefeita, se o Brasil fosse um país sério e respeitasse os direitos humanos. Trata-se de vidas humanas e quem foi eleito tem a obrigação humana de aliviar a dor do outro acima de qualquer tipo de obra.
A lei poderia ser bem mais rígida e criminalizar o executivo ou executiva que deixasse um enfermo sem atendimento médico. O pior é que, mesmo com isso tudo, gasta-se o dinheiro do contribuinte em propaganda. O povo está vendo tudo.
Sei que tem muita gente que não gosta do que falo, mas, paciência, não consigo ver as coisas erradas nessa política para ficar calado. Quando atuava no jornal “A Tarde”, não era bem visto em minhas críticas e observações. Tinha até gente que dizia que eu passava uma imagem negativa de Conquista em minhas reportagens jornalísticas.
Estou completando agora entre março e abril deste ano 50 anos de jornalismo profissional e de diplomação pela UFBA e sempre procurei, mesmo com meus erros e tropeços (somos humanos), fazer meu trabalho com seriedade e ética, seguindo a minha formação familiar. Não minha visão, não se trata de ser de direita, centro ou esquerda. Na minha carreira já tive até inimigos, mas não guardo rancor.
UM PROGRAMA SEM ALTERNATIVAS
Tudo que é dado como benefício para tirar a pessoa da miséria tem que ter o seu limite de terminar para que não se torne em esmola e dependência para sempre. Quem me ler já sabe que estou falando do Bolsa Família de 600 reais e mais 150 para ajudar os filhos menores.
Não estou sendo contra alimentar a quem tem fome porque essa tem pressa e dói muito no indivíduo, principalmente na criança, tanto espiritual no psicológico como fisicamente. O que me incomoda é que o governo federal não apresenta um projeto alternativo do tipo popular de ensinar essa gente excluída a pescar.
Pelo que sei, essa Bolsa Família, que teve seus primeiros passos lá no Governo de Fernando Henrique Cardoso (vale gás) e foi oficializada com Lula, incluindo aí o Auxílio Brasil com o presidente-capitão Bozó durante a pandemia, já tem mais de 30 anos.
De lá para cá, pelo que eu saiba, a pobreza só fez aumentar engrossando o número de dependentes, como na Bahia, o estado com mais inscritos no Brasil. Daqui a mais 30 anos estaremos na mesma situação ou até pior. Não são as três refeições diárias que vão fazer com que as famílias passem à condição de pobreza para classe média baixa. Vão continuar na miséria.
Sem uma alternativa de emprego, obras de saneamento, de treinamento e de educação de qualidade para todos nas escolas públicas, elas vão permanecer pobres morando nas favelas e nas periferias das periferias. Esse benefício vai continuar para sempre, com um alto custo de bilhões, sem uma perspectiva de reduzir o número de beneficiários?
Por outro lado, sabemos que todo programa desse tipo está sujeito a fraudes por mais que seja aperfeiçoado. Sempre vão ter milhares recebendo esse dinheiro quando não deveriam ser contemplados, o que constitui injustiça social. Por que não investir em saneamento básico, casas populares e empregar, de preferência, esse próprio pessoal?
Outro aspecto é que é fato e notório que muitos pegam esse dinheiro para adquirir outros bens, muitas vezes deixando a casa sem o básico alimentar. Sei de muita gente, como moradores de rua que são acolhidos em abrigos municipais que sacam esses 600 e vão comprar drogas ou para uma boate gastar em bebidas e com mulheres. Como controlar quem faz isso e cortar o benefício? É impossível fazer essa fiscalização e apurar os desvios.
O Bolsa Família, que visa dar comida a quem tem fome, sem um projeto de trabalho e renda, é uma dívida social que nunca fecha, além de ser geradora de votos, mantendo o mesmo sistema de poder político que não tem o interesse de melhorar o nível de instrução do povo brasileiro. Melhor assim porque é mais fácil manipular a ignorância.
MUITA ENROLAÇÃO DA VIA BAHIA QUANTO A DUPLICAÇÃO DA BR-116
Não me venha com essa de mimimi, senhor presidente da Via Bahia, José Bartolomeu, sobre a duplicação da BR-116, prometida há 13 anos e que até agora nada foi feito, a não ser uma extensão de Feira de Santana até o Paraguaçu. Muita enrolação e nada de concreto!
O encontro para discutir essa obra, realizado na manhã de ontem (dia 17/03), no auditório do Cemae, com entidades conquistenses, foi uma total decepção em termos de resultados práticos, e a própria organização pecou quando o dirigente falou por último dos pronunciamentos da mesa.
A reunião mais pareceu um debate político em época de eleições para ver quem mais se sobressaia no discurso para ganhar o voto do eleitor. Somente alguns representantes dos segmentos da sociedade tiveram o direito de fazer as ponderações e perguntas.
O debate deveria ter sido aberto ao público em geral, por sinal bem seleto, sem a participação das comunidades e associações de bairros em torno do Anel Viário que mais sofrem com os acidentes e transtornos de locomoção. A representação direta do povo sempre fica excluída nessas ocasiões.
O sr. Bartolomeu começou por narrar a difícil situação financeira da empresa e só faltou propor aos presentes da plateia a formação de uma “vaquinha” para ajudar a Via Bahia cobrir seu suposto “déficit” de caixa. Bem que ele poderia ter vindo com uma cuia!
Em sua fala, o presidente tratou logo de jogar a culpa nos órgãos do governo federal que não aceitam, segundo ele, assinar cláusulas de reavaliação do contrato. Seus advogados incluíram itens absurdos como forma de prolongar o processo que corre na Justiça para que a empresa cumpra com suas responsabilidades ou entregue a concessão.
Essa de descumprimento de acordos, tratados e convenções, sr. Bartolomeu, é uma questão cultural que veio de Portugal e se disseminou pelo Brasil colonial até os tempos atuais. Adotou-se aqui entre empreiteiros e construtores a cultura dos aditivos, sempre com mais verbas para concluir os serviços. Os acordos assinados em papel nunca são respeitados.
Esse contrato da Via Bahia foi feito “para inglês ver”, como a lei da abolição do tráfico negreiro assinada entre Brasil e Inglaterra, em 1831, onde as companhias de traficantes burlavam e transgrediam as normas estabelecidas. Foi preciso os britânicos ameaçarem invadir o país para ser criada a Lei Eusébio de Queirós, em 1850.
Não venha com essa, sr. Bartolomeu, de reequilibrar para voltar mais forte! Ninguém engole mais isso. Foi tão irritante que o público presente ensaiou um movimento de “Fora Via Bahia”, o que significa que essa concessionária não é mais desejada aqui. É persona non grata, e que se faça a licitação com outra empresa, mesmo tendo que esperar por mais quatro anos.
A única promessa amarelada que o presidente da Via Bahia deixou foi a de que as obras de duplicação, a partir de Poções até depois de alguns quilômetros de Vitória da Conquista, começariam a partir do segundo semestre, mas ninguém acredita mais nisso.
Lembro quando foi construído o Anel Viário de Conquista há quase 30 anos no Governo de Fernando Henrique Cardoso por proposição do deputado federal Coriolano Salles e emendas de outros parlamentares. Se não me engano, a princípio o projeto contemplava viadutos e passarelas nas vias de saídas e acessos da cidade.
Hoje esse Anel é uma arapuca da morte, e a Via Bahia fez apenas uns armengues com a colocação de cones e fechamento de ruas e loteamentos com gradis de ferro, impedindo a passagem das pessoas de um local para o outro. O mesmo armengue foi feito na BR na entrada do aeroporto. Cadê o viaduto e a outra pista paralela até a cidade prometidos pelo Governo do Estado e a empresa?
No Centro Industrial dos Imborés a situação é caótica e sempre está ocorrendo acidentes com mortes. O trânsito pesado de caminhões, carretas e veículos pequenos na entrada e saída de quem vem do Rio de Janeiro para o Norte ou vice-versa se tornou um inferno.
São mais de 36 milhões de carros em circulação por ano que atravessam Conquista. Até quando vamos ter que aturar essa Via Bahia, só nos tirando dinheiro nos pedágios? É abusar muito da nossa paciência! Como as vozes que clamaram da plateia: Fora Via Bahia!
OS MALDITOS CANAIS DOS SEGUIDORES
A DISPUTA É ACIRRADA, MEU AMIGO! LEVA A MELHOR QUEM CONSEGUIR MAIS SEGUIDORES. É UM DUELO DE VIDA OU MORTE COMO NO VELHO OESTE NORTE-AMERICANO!
– Eu tenho 10 milhões e logo olha para a tela, dizendo que subiu para 12 e 15 milhões com sua última postagem. Basta uma careta ou palavrão de assassinato da gramática. Do outro lado o concorrente grita que já está com mais de 20 milhões. No leilão da caça de seguidores, o mocinho ou a mocinha prontamente rebate que estourou a cifra dos 100 milhões ou mais da metade da população brasileira. Fala-se até em bilhões no exterior.
O entrevistador da mídia banal descartável só aplaude os feitos e faz elogios. Tudo é fantasia, ilusão e fama no mundo das danças, das mexidas, dos rebolados e das piadas sem graça e ofensivas de sentidos duplos, se possível contra os mais excluídos. É a própria cara da decadência da humanidade. É assim que a coisa gira e funciona. Quem não entrar na onda fica para trás. Você que critica não passa de um velho atrasado que perdeu o bonde da vida ou está fora da curva.
Esses seguidores nem lavam os rostos ou escovam os dentes. Mal se alimentam. Os adolescentes e os jovens levantam com o celular na mão imitando as danças e gestos dos tais “influenciadores digitais” e “celebridades” fúteis, inúteis e imorais. São ídolos idolatrados dos tempos modernos chamados civilizatórios da internet infestada de porcarias. A contaminação desse vírus é caso de saúde pública, física e psíquica.
Eles ditam seus padrões para milhões de seguidores, na sua grande maioria sem conteúdo, personalidade própria, com problemas de ansiedade, transtornos psicológicos e sem formação escolar que nunca pegaram num livro para ler. Existem os bons vídeos instrutivos, educacionais e culturais, mas estes são pouco vistos. Quem acompanha um deles de 33 minutos sobre vida e obra do grande jurista baiano Rui Barbosa? Passa longe.
Eles são filhos da geração dessas redes, que desde criança os pais ausentes não souberam controlá-los. Com dois anos, ele ou ela já sabe manipular bem o celular – dizem com orgulho para seus amigos e familiares. – É craque, gênio e sabe de tudo, um prodígio! Muitos não têm limites e terminam sendo dopados pela droga desses canais malditos.
Conheço alguns jovens viciados nessa rota que estão estragados, sem perspectivas e dominados por aqueles que estão do outro lado da câmara gesticulando e falando um monte de besteiras. Perderam o gosto pela escola, que também é deficitária (algumas sem estrutura e caindo aos pedaços), e mal fazem os exercícios do professor.
O filósofo italiano Humberto Eco dizia que depois da internet e do celular a nossa sociedade ficou mais imbecil. Com a baixa escolaridade da nossa gente brasileira, por exemplo, até agora essa tecnologia avançada nos deu mais desvantagens que vantagens.
Por ironia, esse próprio progresso da revolução da informática, da era das informações (a maioria falsas) que é denominada de evolução do ser humano em seu estado mais avançado, está levando a humanidade para uma destruição de morte (guerras e violências), de engolidor de almas, de neuroses, isolamento, de angústia, individualismo e depressão, atingindo em cheio uma grande massa da nossa juventude.
Bem, como o nosso foco são esses canais dos chamados “influenciadores” que viraram “famosos” por passar o dia todo atrás de um aparelho alimentando de lixo plástico seus milhões de seguidores, conheço pais desesperados com seus filhos que não mais lhes ouvem e nem obedecem. Muito pelo contrário, hostilizam como se fossem seus inimigos e carrascos antiquados.
Piamente, esses jovens seguidores só ouvem seus deuses da alienação verbal, corporal e espiritual. Muitos se enveredam até para o extremismo do ódio e da intolerância ideológica, religiosa, nazifascista, do racismo e da homofobia.
Muitos até se tatuam com símbolos dos seus ídolos ou representações daquilo que propagam como padrões da verdade. Outros procuram se vestir como eles; usar seus estilos de cabelos; adotar seus comportamentos; rosnar; grunhir; e falar palavras de seus vocabulários primitivistas.
Esses milhões de jovens seguidores terminam perdendo suas personalidades e identidades, e entram em desagregação com suas famílias. São levas de alienados, sem conteúdo e sem memória. Perdem o gosto pelo ensino, e milhares até viram “nem-nem”, nem estudam e nem trabalham.
NÃO MUITO A COMEMORAR NO DIA MUNICIPAL DA CULTURA E DA POESIA
No Dia Municipal da Cultura de Vitória da Conquista, instituído em 2006 pela lei 1367, em homenagem ao nascimento do cineasta Glauber Rocha (1939- 1981), não temos muito a comemorar, a não ser algumas atividades pontuais, como no Natal, no São João e alguns editais que beneficiaram artistas durante o período da pandemia.
Aliás, nem houve atos comemorativos por parte do poder público e nem a nossa mídia noticiou a data, com raras exceções. Entendo que os artistas em geral em suas diversas linguagens e manifestações, os intelectuais e os fazedores de cultura também comungam comigo dessa mesma visão crítica, principalmente se for levar em conta o porte da nossa cidade, a terceira maior da Bahia com mais de 340 mil habitantes. Não devemos nos contentar com o pouco.
Não temos muito a comemorar quando três equipamentos importantes, como o Teatro Carlos Jheovah, o Cine Madrigal e a própria Casa Glauber Rocha, na rua Dois de Julho, continuam fechados por falta de reformas, embora o nosso secretário Xangai, da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel tenha ido nesta data (14 de março) a Brasília conversar com a ministra da Cultura, Margareth Menezes, sobre essas questões e outras.
Espero que tenha levado em sua pasta os projetos de custos para reformar essas casas e transformá-las em centros culturais de arenas para apresentações de eventos e espetáculos nas áreas da música, do teatro, da dança, da literatura, do cinema, do audiovisual e das artes plásticas, dentre outras expressões. Torço para que as coisas aconteçam e tenhamos uma cultura pungente que lembrem as efervescências de outrora.
Não temos muito a comemorar quando não temos um Plano Municipal de Cultura que contemple durante todos os anos a promoção de festivais de músicas com premiações, feiras literárias, salões de artes plásticas, seminários, encontros e recursos suficientes para apoiar e ajudar os artistas a concretizarem seus projetos.
É verdade que muitos grupos e pessoas, individualmente, vêm fazendo cultura em Conquista por iniciativa própria, mesmo com sérias dificuldades, mas o poder público, tanto o executivo como o legislativo, tem a obrigação de chegar mais. É aquela velha história de nunca se ter dinheiro para a cultura, mas não falta para outras que rendem votos eleitorais.
Não temos muito a comemorar quando a classe em geral não se une para se mobilizar, se organizar profissionalmente e cobrar mais ações do executivo. Falo de provocar, de agir, de todos chegarem juntos e não apenas ficarem na posição confortável da crítica e só pensarem em si. A maioria se contenta com o pouco e se isola. Nada se consegue nada sem brigar, sem lutar.
DIA DA POESIA
Quatorze de março é também dedicado ao Dia Nacional da Poesia em comemoração ao nascimento de Castro Alves (1847-1871), poeta condoreiro que, com seus poemas, que brotavam do fundo da sua alma, condenava a escravidão e as injustiças sociais. Era também um condoreiro romântico e até lírico. Ele transbordava sua dor. Seu lamento era como o tinir do facão no cascalho da pedra ou na terra estorricada do sertão.
Também diria que não temos muito a comemorar quando ainda em pleno século XXI temos um Brasil atrasado culturalmente pela falta de educação de qualidade e, que por isso, não valoriza a poesia, especialmente a nossa juventude que passa o dia agarrada num celular, engrossando os milhões de seguidores desses canais bestiais, fúteis, inúteis e imorais.
Infelizmente, não temos muito a comemorar quando a grande maioria dos nossos jovens ainda confunde um Manuel Bandeira, um Castro Alves, um Drummond, João Cabral de Melo Neto, uma Cecília Meireles, uma Cora Coralina, um Patativa do Assaré, um Zé Dantas, Humberto Teixeira e tantos outros como jogadores de futebol ou até cantores de funk. Só os abnegados e teimosos ainda resistem fazendo poesia, para ouvir das pessoas que ninguém ler isso.
NOITE DE MUITA ALEGRIA E DANÇA NO SARAU SOBRE A VIDA DO POVO CIGANO
Danças, declamações de poemas, causos, cantorias, muita alegria e fantasias no Sarau colaborativo, realizado no último sábado (dia 11/03/23), no Espaço Cultural a Estrada, que teve como tema “Uma Nação em Correrias” sobre a história e vida dos ciganos no mundo e no Brasil.
Os trabalhos foram abertos por Jeremias Macário com a recepção calorosa da sua esposa Vandilza Gonçalves. Antes de começar a palestra, Macário agradeceu a presença de todos amigos e amigas frequentadores do evento e de outros visitantes que pela primeira vez vieram prestigiar nossa festa cultural.
Jeremias, que está completando 50 anos de jornalismo profissional, destacou a importância do sarau nesses mais de dez anos de vida (dois anos parado por causa da pandemia), acrescentando que ele já tem sua história, personalidade e identidade própria.
Ao longo desses mais de dez anos foram debatidos muitos assuntos, como sobre escritores e poetas, os movimentos revolucionários de 1968, escravidão, história do cinema e da música, Nordeste e seu povo, educação, Castro Alves, Glauber Rocha, Graciliano Ramos, Tropicália e tantos outros temas, elevando os nossos conhecimentos.
Poderíamos dizer que foi uma noite iluminado pelo espírito cigano quando o palestrante Fagner Cruz começou a discorrer sobre história, origens e a vida dos ciganos, um povo em correrias empurrados de um lugar para outro para sobreviver. Orientado pelo professor Itamar Aguiar, ele fez uma dissertação de metrado com relação ao tema.
Fagner disse que não se sabe muito bem sobre as origens precisas de qual país os ciganos vieram. Segundo ele, historiadores apontam como vindos do Egito, da Grécia e de países da Ásia, mas existem fortes evidências de que partiram da Índia para a Pérsia e de lá se espalharam pelo mundo.
Para elaborar sua dissertação, Fagner entrevistou e até conviveu com algumas comunidades da região sudoeste onde constatou que nunca existiram políticas públicas dos governantes de assistência social, especialmente nas áreas da saúde e da educação, voltadas para o povo cigano, sempre vistos de forma estereotipada como bandidos, embusteiros, vadios, sujos, trapaceiros e vagabundos.
Ele criticou esse abandono e, na ocasião, lembrou das últimas perseguições policiais contra os ciganos em Vitória da Conquista quando muitos foram mortos e outras famílias escorraçadas do município de forma truculenta.
Por fim, o palestrante citou as etnias Calon e Rom, como as principais que vieram da Europa para o Brasil. A primeira, muito perseguida no reinado de D. João V (início do século XVIII), partiram da Península Ibérica como degredados e aqui chegaram ainda por volta do século XVI e XVII quando se instalaram no Campo de Santana, no Rio de Janeiro. Eram caldeireiros, funileiros, latoeiros e exerciam outros ofícios, inclusive artísticos e circenses.
Os rons de língua Romani vieram mais, na sua quase totalidade, da Europa Central misturados como imigrante no início do século XIX e tinham mais um tino artístico chegando a se apresentar na Corte Real. Como não tinham muitas opções de trabalho, muitos ciganos entraram no ramo do comércio de escravos de segunda mão. Foram também oficiais de justiça e depois negociantes de cavalos e bestas animais.
Houve uma participação ativa nos debates por parte dos presentes que não tinham muito conhecimento sobre os ciganos e queriam saber das curiosidades e da história desse povo que até hoje não tem uma nação só deles.
Depois do bate papo, todos caíram alegremente na dança ao som de músicas ciganas, a grande maioria de mulheres fantasiadas com suas saias coloridas. Foi um espetáculo à parte que coincidiu com a semana das mulheres.
O sarau prosseguiu com as cantorias de músicas populares brasileiras na voz e violão dos cantores e compositores Dorinho Chaves, Manu di Souza, Baducha e outros. Nos intervalos, mais declamações de poemas e causos com Dorinho e Jhesus que chegou mais tarde para abrilhantar nosso evento.
Foi mais uma noite cultural inesquecível no “Espaço A Estrada” onde se fizeram presentes Sheyla Alves, Jurandi de Oliveira, que também fez algumas apresentações musicais, Rose Emília, Armando Santos, Igor Brito, Viviane Gama, Karine, Rosângela, Sel, Baducha, Dorinho, Conça, Cleide, Manu, Maria Luiza, Leda Novais, Núbia e Núlia Coelho, professor Itamar Aguiar, Luiz Altério, Marta Moreno e Jhesus, além do palestrante Fagner.
A anfitriã da casa, Vandilza Gonçalves a todos recepcionou com dedicação e muito prestativa com os frequentadores que só deixaram o espaço lá pela madrugada ao raiar do dia, num ambiente cordial e de muita amizade.
Foi uma noite fraternal de muita troca de ideias, saber e conhecimentos, acompanhados de um bom vinho, cerveja e outras bebidas, sem falar nos tira-gostos e comidas saborosas. Como o sarau é colaborativo, todos entraram com suas contribuições. Durante as discussões foi criada uma comissão que irá dirigir e comandar os próximos saraus.
QUEM CUIDA DA NOSSA CULTURA?
CARTA ABERTA
Numa troca de ideias sobre a situação em que vive a nossa cultura em Vitória da Conquista, um grupo de artistas se reuniu e, de forma sensibilizada e indignada, resolveu fazer uma carta aberta às autoridades, relatando os pontos mais graves que atualmente atravessa o setor em nosso município.
Esta carta está circulando nas principais redes sociais para ser assinada por artistas e demais pessoas da sociedade para ser entregue ao poder público, principalmente ao legislativo e ao executivo. Infelizmente, como se tudo estivesse a mil maravilhas, poucos até agora aderiram à proposta. Fica, então, uma pergunta: Quem cuida da nossa cultura?
CARTA
Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, com mais de 300 mil habitantes, berço de Glauber Rocha e Elomar Figueira, precisa com urgência romper essa inércia na cultura que já viveu seus tempos de efervescência em todas linguagens artísticas, principalmente entre os anos 50, 60 e 70. Com tantos movimentos, chegou a ganhar a fama de cidade politicamente cultural.
Nos últimos anos, tudo isso virou mito. Os artistas de um modo geral dos setores da música, do teatro, da dança, da literatura, das artes plásticas, do audiovisual, da fotografia, artesãos e demais expressões se sentem decepcionados e desesperançosos com essa inércia do presente e de um futuro incerto desanimador.
Diante do exposto, em forma de manifesto, conclamamos todos artistas conquistenses a formarem uma frente única nesta carta aberta à sociedade em defesa da nossa cultura que tanto gera emprego e renda, e ainda devolverá à Vitória da Conquista o título de cidade cultural, com a volta dos festivais de música, teatro, dança, salões de fotografia e artes plásticas e feiras literárias.
A mudança desse cenário de inércia começa por essa mobilização dos artistas, subscrevendo este documento, divulgando seus anseios na mídia, em manifestações, mas é imprescindível o estímulo e apoio direto do poder público em suas atribuições legais de promover e realizar eventos culturais tão escassos em nossa cidade, hoje uma capital do sudoeste baiano.
Nesse conjunto de esforços para soerguer a nossa cultura, é importante também que o setor privado, as empresas em geral, se juntem a nós, acreditando que cultura é um investimento com retorno no turismo e proporcionando benefícios para as áreas do comércio e serviços.
Vivemos em tempos de acomodação e desânimo. Um exemplo disso é que hoje nossa Conquista, como bem expressam os músicos, vive limitada aos bares como opção de entretenimento e precisa retomar o caminho do crescimento cultural, a exemplo de outras cidades, até menores, onde acontecem festivais, eventos nas praças, feiras e centros culturais movimentados.
A verdade é que a nossa cultura hoje se resume aos calendários do São João e do Natal que ilumina bastante a praça e muito pouco a arte. É só vazio nos restantes dos outros meses. Necessitamos urgentemente preencher essa lacuna.
Para piorar ainda mais a situação, os equipamentos municipais, como o Teatro Carlos Jheovah, o Cine Madrigal e a Casa Glauber Rocha, na rua Dois de Julho, estão fechados sem definição de reformas e reabertura, sem falar na Praça Céus (J. Murilo) no Alto Maron, que funciona de forma precária.
Sem muitos exageros, é um quadro desolador. Para reverter essa situação, queremos a reativação desses pontos ou a construção de um centro cultural à altura da nossa cidade para a constante realização de eventos.
Nós, abaixo-assinados desta carta, queremos também a implantação de um Plano Municipal de Cultura que sirva de diretrizes básicas para o estabelecimento em lei de uma política cultural do poder público, que ocupe de vez esse vazio cultural.
Queremos tão somente o que nos é de direito constitucional que é o conhecimento, o saber, o fomento à cultura e o estímulo à diversidade artística de uma terra tão rica e talentosa nas artes, as quais, infelizmente, se encontram adormecidas. Queremos sair dessa inercia cultural.
Queremos o apoio de todos artistas, da sociedade em geral, dos jovens estudantes, professores, intelectuais, da Câmara Municipal de Vereadores, promotores culturais e demais interessados na subscrição dessa carta, tão fundamental para o desenvolvimento cultural e artístico da nossa cidade.
POR QUE TEMOS MAIS PARLAMENTARES HOMENS QUE MULHERES NO BRASIL?
Quando se fala em desigualdades entre homens e mulheres, no campo político sempre se cita que no Brasil existe uma grande discrepância entre o número de homens, bem maior, em cargos eletivos nos legislativos do que mulheres. A isso se chama de machismo, mas não é bem assim.
É uma verdade quanto ter mais homens que mulheres na política, mas essa discussão precisa ser mais aprofundada, muito além de comentários simplistas de que o problema se resume no machismo brasileiro. Sei que a esta altura quem me ler já deve estar me chamando de machista, com interpretações equivocadas.
Ora, pelo que nos consta, mal ou bem, vivemos num regime democrático de eleições diretas onde todos, sem distinção de gêneros, sexo ou cor da pele, podem ser votados e votar, tanto para o legislativo ou para o executivo.
Se convencionou falar, principalmente a mídia que não se presta a fazer uma análise mais histórica e cultural do problema, que a raiz de tudo está no machismo, quando se deve laborar outras indagações para se encontrar a culpa ou os culpados.
Quando refletimos sobre o assunto, caímos sempre num paradoxo do porquê não temos mais mulheres exercendo cargos políticos no âmbito legislativo do que homens, se existem mais eleitoras que eleitores no Brasil?
Uma das explicações pode ser porque a nossa sociedade, desde os tempos coloniais, sempre foi patriarcalista e, por isso, as mulheres demoraram de avançar em suas conquistas. Elas só vieram ter o direito de votar a partir de 1932. Portanto, há mais de 90 anos.
De lá para cá, em outros setores sociais e trabalhistas, tanto no privado quanto no público, as mulheres progrediram e avançaram muito mais que no político. Existem empresas que existem mais mulheres que homens. Será que o xis do problema não está na falta de interesse de ingressar na política, como fazem os homens mais sérios, honestos e éticos?
Com mais candidatas, as mulheres não poderiam votar em mais mulheres, já que representam a maioria? Os homens mais preparados em nível intelectual e que não são corruptos também não se arriscam na política porque sabem que são excluídos. É o chamado silêncio dos bons.
A culpa também não pode estar no próprio sistema anacrônico eleitoral onde quem tem mais poder econômico para gastar numa eleição se elege do que aquele desprovido de recursos? Isso hoje vale para a mulher e para o homem.
Não estaria ainda na perpetuação do cargo, tanto nas câmaras de vereadores, nas assembleias, câmaras de deputados e no senado onde quem entra se utiliza da máquina e não dá chance para uma renovação? Não deveria se acabar com essa reeleição indefinida?
Um exemplo mais próximo está aqui mesmo na Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista onde de 21 parlamentares só existem duas mulheres que também se perpetuam no poder como os homens, caracterizando machismo dos dois lados. A questão não se resume simplesmente dizer que a Câmara de Conquista é machista, ou outra casa legislativa qualquer.
É correto o ex-governador Ruy Costa, hoje ministro da Casa Civil do Governo Lula indicar sua mulher para o Tribunal de Contas do Estado, sabendo que tem os deputados em suas mãos para elegê-la? Se os direitos são iguais, não deveria levar em conta a meritocracia, não importando ser homem ou mulher?
Quando todos são picados pela mosca azul do poder, termina não havendo distinção de comportamento entre ambos os sexos. Talvez pelo mau exemplo dos homens, que sempre foram maioria no poder, muitas mulheres também enveredaram no caminho dos malfeitos.
Qual critério teve o ministro Alexandre de Morais de conceder alvará de soltura para mais de 100 mulheres que invadiram os três poderes em oito de janeiro com a intenção de dar um Golpe de Estado, exatamente no Dia Internacional da Mulher? Todos não são culpados e têm as mesmas responsabilidades e consciências do que estavam fazendo?
























