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:: ‘Notícias’

NÃO VEJO NENHUMA GRAÇA

Sei de antemão que muitos vão me censurar, mas não vejo nenhuma graça ricos e pobres correndo às prateleiras dos supermercados para comprar um ovo de Páscoa, recheado de chocolate, ao custo que varia de 10 a 300 ou 500 reais, a depender do tamanho e dos ingredientes nele embutidos!

O ovo em si tem uma relação com o coelho por simbolizar fertilidade e era presenteado para celebrar a passagem do solstício, época de fartura. Alguns historiadores dizem que essa tradição pode ter vindo dos persas ou dos chineses. Essa associação do coelho com os ovos de Páscoa foi levada da região da Alemanha para os Estados Unidos pelos imigrantes.

O de chocolate é derivado de um costume iniciado no século XII, na França, depois da volta de Luis VII da Segunda Cruzada. Ele foi recebido com festa e com vários produtos da terra, incluindo o ovo. O seu retorno coincidiu com o jejum da Quaresma.

O de Páscoa, segundo Wikipédia, é um ovo, normalmente de chocolate, pintado com gravuras e em cores, para significar a ressurreição de Cristo. A Páscoa é uma festa anual dos judeus, comemorativa da saída deles do Egito para a terra prometida. Tudo isso, incluindo os festejos considerados pagãos, foi incorporado pelo cristianismo.

Nos tempos modernos, no caso específico da Páscoa, o sistema capitalista da indústria chocolateira aproveitou essa tradição secular para aumentar suas vendas e, consequentemente, incrementar o consumismo, como acontece com outras festas durante o ano, a exemplo do Natal.

Depois desse bolodoro todo, o que quero dizer é que as pessoas entram na onda como manadas no estouro da boiada para comprar um ovo de páscoa, muitas vezes sem nem saber o simbolismo daquilo. As propagandas e a mídia televisiva, sobretudo, empurram o povo a consumir o tal ovo, atraído, principalmente, pelas crianças.

Nessa época, quem mais sofre com isso é o pobre que, com seu poder aquisitivo baixo, vê o filho pedir um ovo de páscoa e termina se sacrificando para satisfazer o apetite da mídia. Mais uma vez, o pobre, sem condições financeiras, termina imitando o rico.

Podem me chamar como quiserem, mas não vejo nenhuma graça nessas festas puramente consumistas, copiadas de outros países e introduzidas pelo cristianismo. No caso da Páscoa, sua origem é judaica. Pior ainda é que o símbolo capitalista de consumismo é substituído hoje pelo o de Cristo, como o Papai Noel durante o Natal.

Como uma coisa está relacionada a outra, antigamente os cristãos     católicos jejuavam (hoje são poucos) na Semana Santa, principalmente na Sexta-Feira da Paixão, e comiam pouco no almoço. Atualmente se empanturram numa mistura de peixe caruru, vatapá, azeite de dendê e outros ingredientes acompanhados de bebidas alcoólicas.

O mais irônico é que muitos, sem saber o que está fazendo, trocam a Sexta-Feira da Paixão pelo Domingo de Páscoa, como vi numa entrevista de uma mulher na televisão falando do sacrifício e morte de Cristo na cruz para salvar a humanidade do pecado. Ela misturou as bolas, confundiu paixão com ressurreição, e terminou dizendo um bocado de besteiras.

MUNDO MALUCO DESUMANO

Não me sinto mais filho desse mundo maluco desumano onde os amigos são descartados como máquinas que dão defeito e são jogadas fora para a aquisição de outras de outras mercadorias. Vivemos nessa época onde tudo é por interesse. Nesse mercado de doido, convive-se com a pessoa até onde ela lhe serve e descarta-se quando não tem mais serventia.

Ao longo do tempo, pela ganância, ambição e com aquele pensamento individualista voltado somente para seu próprio eu, as amizades foram se desgastando, como se fosse um aparelho de celular que sai de linha, um fogão ou uma geladeira que não estão mais funcionando como antes. Assim é com o amor e com o outro, que se tornaram máquinas e simples números de interesse.

É raro encontrar aquela amizade, companheiro ou companheira, que entenda seus defeitos, suas angústias, problemas e fases difíceis, para lhe confortar e dar aquele abraço de apoio. Geralmente o outro afasta-se do seu convívio e simplesmente desaparece. Poucos são sinceros e fieis que continuam ali ao seu lado nos momentos certos e incertos. O ser humano dessa revolução tecnológica tornou-se desumano nesse mundo maluco.

Queria voltar aos 40 ou 50 anos atrás e deitar nas pedras dos lagartos e sentir o cheiro da minha terra fresca ou escaldada da seca. Como na canção “Filhos de Câncer”, de Fagner e Zé Ramalho, preciso ser fera para ter as soluções das esperas, onde ainda diz que a evolução dos tempos mudou as falas.

Hoje são os filhos de Freud, de Getúlio e Lampião. Acrescentaria que da ditadura, da globalização, da geração alienada, da violência e do apego ao material. Bajulação quando se tem alguma coisa para oferecer e distanciamento quando se está na pior. Não é somente um mundo maluco desumano, mas um mundo das falsidades. Pior ainda quando se cai na velhice. Nem os filhos aparecem!

Sou filho de outra era onde a palavra valia bem mais que um documento assinado e carimbado em cartório. De que valem os acordos, convenções, tratados e promessas, se não são cumpridos? A toda hora estamos sendo garroteados pelos monstros do dinheiro e do poder político.

Sinceramente, prefiro hoje viver em minha loca como um mocó, do que ser importunado e ter que ouvir falsas palavras de que você é meu “irmão-amigo-camarada”, principalmente quando se está num bar com um copo ao lado. É um tal de trocar contatos no zap, como se fossem selos de qualidade de que aquela amizade está firmada para sempre! Que nada! Depois, tudo cai no esquecimento!

Confesso que não sou mais filho desse mundo maluco desumano, da incoerência, dos golpes e das fake news que correm como pólvoras em rastilhos nas redes sociais. Não sou filho desse consumismo desvairado que só traz felicidade momentânea e que está aos poucos destruindo a nossa mãe terra. Não sou mais filho desse mundo maluco dos assassinatos monstruosos até de crianças e nem dessa gente, que não é mais gente.

UMA FRENTE PARLAMENTAR PARA A CULTURA DE VITÓRIA DA CONQUISTA

Para uma cidade do porte de Vitória da Conquista, a terceira maior da Bahia com mais de 300 mil habitantes, infelizmente, temos poucos representantes no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa da Bahia – ALBA. Na época dos pleitos majoritários aparecem mil candidatos para arrancar votos de mais de 200 mil eleitores, mas depois desaparecem do cenário.

De Conquista mesmo temos os deputados estaduais Jean Fabrício e José Raimundo e federal apenas Waldenor Pereira, na Câmara dos Deputados. Nas campanhas, inclusive municipal, muito se fala sobre obras de infraestrutura para a cidade e quase nada com relação à nossa cultura que tem uma série de demandas reivindicadas pelos nossos artistas em geral e endossadas, continuamente, pelo nosso Conselho Municipal de Cultura.

Vou aqui citar algumas que são básicas e urgentes como razões para que se forme uma frente parlamentar, incluindo a Câmara de Vereadores, numa parceria com o setor privado, para num esforço conjunto, tornar a nossa cultura mais ativa e pujante durante todo ano, não apenas se limitando ao São João e ao Natal, como tem ocorrido ultimamente.

Para começar e ser objetivo, temos o Teatro Carlos Jheová (interditado há mais de dois anos), o Cine Madrigal e a Casa Glauber Rocha (rua Dois de Julho), adquiridos com recursos da prefeitura, todos fechados e que necessitam de reformas para que esses equipamentos se transformem em centros culturais multiuso.

Não podemos esquecer também da conservação e manutenção do que ainda resta do Patrimônio Material Arquitetônico onde casarões estão ameaçados de cair, como um imóvel existente na Praça Tancredo Neves. Conquista é uma das cidades baianas que não conta mais com centro histórico para se visitar.

A vida cultural de Conquista hoje está praticamente resumida aos bares e restaurantes noturnos de finais de semana, com shows de bandas e música de cantadores com voz e violão. Precisamos de muito mais que isso. Por exemplo, que ocorram festivais de músicas autorais com premiações, feiras literárias, seminários, encontros da juventude e salões de artes visuais.

Foto de José Silva

Nessas arenas, hoje fechadas e sendo destruídas pelo tempo, poderiam ser realizadas atividades que contemplem as mais diversas linguagens artísticas, como a música, o teatro, o cinema e o audiovisual (cinemateca), a literatura, a dança, oficinas, artes plásticas, o artesanato e tantas outras expressões, movimentando a cidade com mais geração de trabalho e renda. É a chamada economia criativa que está parada em Conquista por falta de espaços municipais.

Não queremos apenas a revitalização do Cristo da Serra do Periperi, obra do artista Mário Cravo Junior. Muitos esquecem do Museu Cajaíba que está lá na serra a céu aberto sendo destruído e carece de um projeto de restauração e preservação por parte do poder executivo. As obras de célebres personagens brasileiras e internacionais, muitas das quais desapareceram, precisam de um local seguro, para que a memória do artista não seja apagada do nosso cenário cultural.

Todos esses pontos e mais outros de fundamental interesse para o fortalecimento da nossa arte, como a implantação de um Plano Municipal de Cultura, têm sido exaustivamente discutidos e cobrados pelo nosso Conselho Municipal de Cultura à Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer- Sectel durante suas reuniões, mas sempre se esbarra na alegação da falta de recursos.

Por falar em Plano Municipal de Cultura, uma luta do Conselho, foi elaborado e está com a prefeita para ser aprovado e colocado em prática, o Plano de Turismo para Conquista, mas, tenho dito que, sem uma cultura forte e ativa na cidade, fica aquela lacuna que por certo irá desmotivar a atração dos turistas da região e de outros estados. Sem eventos culturais constantes, pouco adianta projeto de turismo.

Foto de José Silva

Confesso que da minha parte é muito triste ver a nossa cultura nessa situação de perda de sua identidade e memória. Mais lamentável ainda é não ter as demandas dos artistas atendidas. Existe um sentimento de frustração e até de revolta que, muitas vezes, acirram os ânimos entre a classe e os entes do executivo responsáveis pela cultura municipal.

Não basta a realização de editais e projetos de lei, que, vez por outra ajudam os artistas. Não podemos ficar dependentes das leis federais, como a Paulo Gustavo, Aldir Blanc, Rouanet e outras. O município tem que destinar mais recursos para promoção da sua política cultural própria, especialmente quanto a preservação e funcionamento dos seus equipamentos que estão fechados.

Para somar forças nessa empreitada (a Prefeitura Municipal sempre alega escassez de verbas) é por isso que aponto aqui a necessidade da formação de uma frente parlamentar suprapartidária que destine emendas para nossos projetos numa parceria com os empresários.

Essa provocação e cobrança têm que partir dos diversos segmentos da sociedade, dos órgãos públicos e demais entidades. O Conselho Municipal de Cultura tem levantado essa questão em seus debates mensais, mas não tem o poder de ir mais do que além disso, tendo em vista que não se trata de um órgão executor.

O TEMPO E AS INVERSÕES DE VALORES

Quando se fala em minha época era assim, alguém pula de lá para dizer que os tempos mudaram, que você está antiquado e que isso é puro saudosismo. Tudo bem, mas estou me referindo às inversões de valores dos seres humanos. Com o “progresso” e o avanço da tecnologia moderna, será que houve mudanças para melhor em termos humanos?

Como estava dizendo acima, em meu tempo, lá pela década de 50 e 60 do século passado, quando se tinha 12 anos ou pouco mais que isso, ainda chamava-se de idade da inocência. A criança ou o pré-adolescente dava benção aos pais quando acordava e ia dormir. Brincava-se de amarelinha, esconde-esconde, bola de gude, pião, pular de corda, cavalo de pau e até com ossos de animais. Os carrinhos eram feitos de madeira.

Na escola, todos iam de farda limpa – quem não estava uniformizado não era recebido – e fazia-se fila para entrar na sala de aula depois de cantar o Hino Nacional. Lembro que meu fardamento tinha uma gravatinha com listras que marcavam o ano em que cursava. No primário eram cinco anos. Os estudantes obedeciam aos professores. Os mais peraltas eram castigados e até ficavam de joelhos em caroços de milho. Fiquei muitas vezes.

Quando um aluno fazia uma coisa errada, a diretora chamava o pai ou a mãe que dava aquela bronca no filho. Não se xingava os mestres. Em casa ainda recebia o castigo. As crianças aprendiam desde pequenas a respeitar os mais velhos ou idosos, como queiram, e até pediam licença para passar entre os adultos. Haviam algumas brigas, mas logo se fazia amizade e se pedia desculpas.

Os tempos mudaram e nem se canta mais o hino. Não se usa mais fardas e estudante entra até armado na escola para matar colegas e professores. Os pais brigam com a diretora quando recebe uma queixa de um filho. O professor tem que ter o maior cuidado para repreender o aluno que está perturbando a aula.

O celular na mão virou o brinquedo para revirar as redes sociais das mentiras, das pornografias, com língua em códigos e sinais esquisitos. Não se é mais inocente como antigamente. O idoso é visto como coisa velha, caduco, que só fala besteiras e é um imprestável ranzinza. O ensino mudou para pior e o mestre é encarado como se fosse um inimigo. Praticamente não existe mais essa de repetir de ano, isto é, não passar para o outro curso.

O tempo foi passando e surgiram outras gerações, como a atual, que é bem mais violenta, estúpida, egoísta e agressiva. Não há mais o senso humanitário de um ajudar o outro. Irmão mata irmão e até pai e mãe. O professor tem medo de ensinar em determinadas escolas porque o aluno pode bater nele ou fazer coisa pior.

Houve uma tremenda inversão de valores onde nem se sabe o que é ética e honestidade. O errado tornou-se certo, e o certo ocupou o lugar do errado. O anormal em normal. O incomum em comum. Vale a lei do levar vantagem em tudo. Por qualquer motivo um atira no outro numa simples discussão de trânsito. A população ficou desumana e ninguém confia mais em ninguém. Temos hoje um mundo mais selvagem.

 

 

SEMANA DO JORNALISTA E O DIPLOMA

Há 50 anos me lembro muito bem quando recebi o diploma de bacharel em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e também já são passados 50 anos que comecei a minha carreira profissional no jornal “A Tarde”, como revisor, função que não mais existe, mas que oferecia uma boa formação profissional depois de uma faculdade.

Nessa época uma medida reconhecia a profissão e exigia que as redações dos jornais só recebessem graduados, acabando aos poucos com os chamados provisionados. O registro no Ministério do Trabalho passava a ser definitivo. Lembro que os veteranos, que já atuavam no mercado há anos, criticavam os diplomados quando cometiam algum erro e diziam que a escola não prestava para nada.

Os repórteres, editores, chefes de redação e redatores antigos tudo faziam para desqualificar os diplomados afirmando que chegavam cheios de teorias e quase nada de prática. De certa parte aquilo tinha até razão de ser porque, na verdade, era o dia a dia, ali no batente das matérias, que terminava por formar um grande jornalista.

No entanto, o jornalismo se tornou mais profissional, sério, com maior credibilidade e ética a partir da formação acadêmica somada à prática. O tempo passou e há cerca de 20 anos, se não me engano, um movimento contrário à obrigatoriedade da graduação fez com que o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovasse que, para ser jornalista, não seria mais necessário ter o diploma.

Todo esse “nariz de cera” é para também lembrar que estamos na Semana do Jornalista que se comemora no próximo dia sete de abril. A Federação Nacional dos Jornalistas-Fenarj e os seus sindicatos tentaram reverter aquela decisão do STF, mas, infelizmente, se acomodaram politicamente. Perdemos essa prerrogativa que é dada à grande maioria das profissões.

O resultado disso é que nos tempos atuais, principalmente com o advento das novas tecnologias eletrônicas da informática, dos meios virtuais, todos são chamados de jornalistas e nem mais se pergunta se você tem ou não um diploma. Isso deixa um veio de frustação em quem passou quatros anos numa faculdade.

Agora, a própria Fenarj e os sindicatos estão lançando a chamada Campanha da PEC do Diploma nessa Semana do Jornalista, movimento esse tardio, mas que nunca deixa de ser providencial, e vamos torcer que a categoria se una em torno desse projeto que deverá ser aprovado pelo Congresso Nacional.

Outra questão que deve ser sempre combatida é a da violência contra o jornalista que começou a existir desde os primeiros jornais com a chegada de D. João VI ao Brasil. O profissional sofreu seus períodos mais duros nas eras do coronelismo e, notadamente, nas ditaduras de Getúlio Vargas (1930-45) e na mais recente de 1964 que experimentou o brutal AI-5.

Nessa Semana, o jornalismo tem que lembrar e debater o problema da violência, da qual fui vítima por várias vezes. Essa história da agressão ao jornalista, bem viva entre nós no governo passado do capitão-presidente Bozó, tem que ser contada e discutida.

Não basta a reconquista do diploma, mas também criar dispositivos para que a liberdade de expressão jornalística nunca mais seja tolhida. Temos que permanecer lutando diariamente por uma livre imprensa, porque os agressores contra à democracia continuam sempre de plantão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

OS MOMENTOS DE AGONIA DE UMA NAÇÃO

OS MOMENTOS DE AGONIA DA NAÇÃO

Estão completando, exatamente, neste primeiro de abril (alcunhado de Dia da Mentira), 59 anos do golpe civil-militar que os generais ainda insistem em datar como 31 de março, quando o comandante Mourão saiu de Juiz de Fora e desceu a Serra de Petrópolis com suas tropas até o Rio de Janeiro, que muitos dizem desarmada.

O chamo de o dia em que separou os brasileiros entre classe média, estudantes, sindicatos, pobres, pais e filhos, a Igreja Católica, amigos de amigos e irmãos de irmãos. É um dia que precisa ser lembrado para que nunca mais aconteça em nossa história, e todos aqueles imbecis que pedem uma intervenção militar, ou seja uma ditadura, sejam repelidos rigorosamente e presos.

Em minha obra “Uma Conquista Cassada- cerco e fuzil na cidade do frio”, faço um relato sobre o que foi o regime em Conquista, na Bahia e no Brasil, não deixando de me reportar sobre as ditaduras na América Latina. Nele escrevi este capítulo: Os Momentos de Agonia de uma Nação.

Foi mesmo em primeiro de abril em que uma corja do Congresso Nacional decretou que o presidente João Goulart havia se ausentado do Brasil e deixado um vácuo no poder, quando ainda estava no Rio Grande do Sul. Foi este Congresso que abriu as portas para as forças armadas darem o golpe definitivo.

O quadro geral do país era de agitação e nervosismo, com intensa movimentação nos quartéis e em todos os setores da sociedade. Mas, ainda existiam possibilidades para virar o jogo a favor do presidente, se este tivesse tido mais firmeza e agido rapidamente.

Foi organizada uma brigada pelo general Luiz Tavares de Mello (1ª Divisão de Infantaria de Niterói), para combater a tropa vinda de Minas Gerais, mas sempre faltava uma ordem de Jango para agir. A brigada tomou posição no Vale do Paraibuna com seus canhões. O pessoal só esperava um sinal para atirar, enquanto o grupamento de Mourão, sem munição, continuava parado. O brigadeiro Teixeira (III Zona Aérea) enviou aviões da Base de Santa Cruz para bombardear Mourão.

Os pilotos queriam jogar as bombas, mas não tinham a ordem de Jango, que mandava esperar. Também o almirante Aragão, dos Fuzileiros Navais, esperava uma ordem de Jango. Os marinheiros esperaram uma noite inteira. Faltou o primeiro tiro, pelo menos para adiar por mais uma vez o Golpe dos Generais.

A tropa legalista recuou e Mourão andou das margens do rio Paraibuna até o Maracanã. Os sargentos e oficiais desmobilizados começaram a passar para o lado dos golpistas. Segundo observadores, Mourão não tinha tropa para enfrentar os 86 legalistas contra o golpe.

A história poderia ter sido diferente, se Jango tivesse tido pulso firme para decidir. Não é por menos que muitos até hoje o classificam de covarde, indeciso e incompetente. Dizem que ele estava negociando e não queria derramar sangue.

O general Costa e Silva, por exemplo, já não acreditava na revolta e até temia que seu grupo pudesse ser preso. Os momentos posteriores até a consumação final do golpe, em 1º de abril, foram de muitas incertezas, angústias e agonia. O povo estava atônito e perplexo; os boatos corriam como rastilhos de pólvoras; e a panela entrava em ebulição prestes a explodir a qualquer hora.

Acontece que o II Exército, em São Paulo, continuava parado e isso deu mais tempo para que os golpistas avançassem, tomassem mais forças e se consolidassem de uma vez. O general Kruel, ainda no muro, com sua cruel dúvida, soltava uma nota de que as tropas no Estado estavam na expectativa.

Caso aderisse ao presidente corria o risco de ser preso, e sabia disso. O chefe do Estado Maior das Forças Armadas, general Pery Bevilaqua, conforme descreve Elio Gaspari, foi o único a visitar Goulart em seu gabinete e tentar uma negociação. Foi lá exigir combate às greves e a derrubada do ministério. Os americanos ainda estavam confusos e desorientados com relação ao movimento.

O coronel Walters dizia que a rebelião estava perdendo forças por falta de adesão de São Paulo e outros estados. Com aquilo tudo, Goulart poderia ter repetido Vargas, em 1937, e decretado um Estado Novo, assim analisaram políticos e intelectuais. O deputado do PTB, Max da Costa Santos achava que Mourão seria esmagado em pouco tempo.

Àquela altura, o país estava em polvorosa com muitas notícias e boatos de prisão; de reação e rendição do governo. Tudo marchava para seu fim. O golpe seguia em ritmo mais acelerado. Soldados começavam a tomar as ruas e praças das cidades.

A ânsia era esmagar de vez o governo. Para colocar mais lenha na fogueira, o chefe das Ligas Camponesas, Francisco Julião, anunciava que a vontade do povo iria prevalecer, com ou sem o Congresso. Luis Carlos Prestes ainda teve tempo de convocar uma reunião do Comitê Central do PCB e manteve seus 40 mil militantes em alerta.

As Ligas Camponesas tinham dois mil homens. Leonel Brizola bem que tentou acionar um esquema militar, mas seus Grupos dos Onze não se moveram. A força das armas dos revoltosos era bem maior. As tímidas reações chegaram tarde demais. Mais uma vez, as esquerdas não se uniram como deveriam.

Apesar de tudo, os líderes dos movimentos, dos estudantes e dos sindicatos ainda acreditavam que as massas iriam reagir. Não paravam de soltar comunicados, mas a repressão já batia e arrombava as portas com seus fuzis. Na realidade, os grupos de esquerda e outras organizações não estavam preparados para aquele momento.

Além do mais, muitos ainda receavam quanto a força que Jango iria ter nas mãos. A Igreja Católica, a classe média burguesa e a grande mídia marchavam ao lado dos generais. O Congresso virou uma torre de Babel. Os parlamentares não se entendiam e partiram para a pancadaria.

Analistas entendem que faltou coragem por parte de Goulart, bem como de todo seu staff, para por fim à rebelião. Só assim liquidaria de vez com as tropas de Mourão. Entre as conjecturas, o presidente poderia ter fechado o Congresso, expurgado oficiais e buscado reforços imediatos no seu “dispositivo” e na máquina sindical. Poderia até, se quisesse, ter usado a força aérea para bombardear as tropas de Mourão, como insinuou o ex-prefeito de Vitória da Conquista, Pedral Sampaio.

Perdeu-se muito tempo. Muitos ficaram esperando por uma ordem contra-revolucionária da parte de Goulart para agir. Caiu-se no imobilismo. Na Câmara, o vice-líder Almino Afonso chegou a discursar, declarando que os trabalhadores iriam parar porto por porto, navio por navio, fábrica por fábrica, e que as greves também iriam parar o campo.

“Querem a guerra civil, pois teremos a revolução social. Uma guerra civil não se faz com marechais, almirantes e generais. Faz-se com a tropa, e essa tropa é o povo que compõe todos os quartéis. São os sargentos, os cabos e marinheiros”.

Muitos estudiosos políticos calculam que, se Jango mandasse reagir, quem iria mandar no poder era a esquerda comunista. Mas outros entendem que a maioria das forças legalistas dentro das corporações militares (mais de 80%) era nacionalista e rejeitaria o comunismo.

O que se sabe é que, depois de ter conversado com o general Kruel, o presidente fez o trajeto de Getúlio Vargas (Distrito Federal – Porto Alegre – São Borja). Só depois foi para o Uruguai. Tudo combinado e negociado? É uma pergunta que se faz.

O “DISPOSITIVO” RUIU

Como vimos, em 31 de março, no meio de todo esse turbilhão, João Goulart mantinha-se em silêncio no Palácio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Confiou 88 demais no seu “dispositivo” de esquerda, que não tomou nenhuma iniciativa militar. Por volta das 22 horas do dia 31, o general Kruel ligou para Goulart pedindo para que ele rompesse com a esquerda, demitisse Abelardo Jurema do Ministério da Justiça e Darcy Ribeiro da chefia do Gabinete Civil, além de colocar o Comando Geral dos Trabalhadores (a CGT) fora da lei.

Jango não aceitou o emparedamento, porque depois seria totalmente enfraquecido. Afirmou que não iria trair os amigos. Se ele quisesse, que traísse, colocando suas tropas na rua. O general telefonou na presença de outros oficiais. Kruel passou todo dia 31 e parte da noite sem saber que posição tomar, inclusive não apareceu no seu QG na parte da tarde.

À noite retornou ao seu quartel e ficou com medo de ser sequestrado se aderisse ao governo. O 4º Regimento de Infantaria, de Quitaúna, estava com a rebelião. Kruel tinha que sair da toca e se decidir. Pressionado e acossado, inclusive por Castello Branco, ficou sem saída. Finalmente, quando não tinha mais para aonde ir, por volta da meia noite do dia 31 para o 1º de abril, o general Kruel resolveu aderir à rebelião através de um manifesto.

Declarava ser necessário salvar a pátria em perigo, livrando-a do jugo vermelho. Colocava-se fiel à Constituição e à manutenção dos três poderes. Dizia ainda que a intenção do II Exército era liquidar com o comunismo que estava infiltrado no governo.

O “dispositivo” de Jango começava a ruir de vez. A inércia do governo foi fatal para o seu desmoronamento. Foi assim que, no dia 1º de abril, o “Dia da Mentira” e das “pegadinhas” (ironia do destino) tudo mudou e clareou a favor do golpe definitivo dos generais. Ao amanhecer, o general Kruel, talvez com remorso e querendo remediar sua posição, ainda insistia em emparedar Jango, sem destituí-lo do cargo.

O general Justino Alves Bastos, do IV Exército, em Recife, que também sempre ficou no muro, foi se aproximando do levante. Ele e Kruel ficaram quase um dia esperando para ver onde o vento sopraria mais forte, para pegar carona. Justino recebeu o superintendente da Sudene, o economista Celso Furtado, por volta das 10 horas do dia 1º, e confessou que estava ali para prender quem atentasse contra a ordem pública.

Para o dia 1º de abril estava prevista, no Rio de Janeiro, a greve geral de transportes em apoio às medidas de João Goulart. No final da tarde haveria um comício na Cinelândia, reunindo intelectuais, estudantes e lideranças sindicais. Quem apareceu foi a força do exército com tanques, metralhadoras e equipamentos pesados.

Muita gente alí que esperava o início do comício imaginou que os soldados tinham ido a mando de Jango para prestar segurança ao evento e começou a aplaudir. Só que a tropa apontou suas armas contra o povo que trocou os aplausos pelas vaias. Houve tiros e duas pessoas foram fuziladas.

“Fora.” foi o título do editorial do jornal “Correio da Manhã” (RJ), comentando que não restava outra saída para João Goulart a não ser entregar o governo. Os últimos a segurarem as lanternas foram o Forte de Copacabana e a Fortaleza São João, que continuavam rebelados até ao meio-dia do dia 1º, mas não ofereciam mais nenhuma resistência. Eram poucos homens.

Ainda no dia 1º de abril, a sede da UNE foi incendiada pelo CCC – Comando de Caça aos Comunistas. A partir daquele símbolo destruído, começavam as manifestações de ruas e depois as lutas armadas. Os tanques que, pela manhã, guardavam o portão do Palácio das Laranjeiras, onde se encontrava Jango, à tarde foram proteger o Palácio da Guanabara, onde estava o governador Carlos Lacerda. Na mesma tarde, o governo dos Estados Unidos declarava apoio à rebelião dos generais.

O ministro da Guerra, general Jair Dantas Ribeiro pulou do barco, e Jango resolveu voar para Brasília. Seu “dispositivo” estava dissolvido e diluído. O IV Exército cuidou de cercar e imobilizar o governador de Pernambuco, Miguel Arraes. As tropas do general Kruel marchavam em direção ao Vale do Paraíba.

Em Brasília, por volta das 23 horas do dia 1º de abril de 1964, o presidente abandonou a Granja do Torto e voou para Porto Alegre (Rio Grande do Sul) num avião da FAB. Dizem que toda sua história foi resumida nos dias 31 de março e 1º de abril de 1964.

Na madrugada do dia dois de abril, ainda reuniu-se com o deputado federal Leonel Brizola, e somente aí sua ficha caiu de vez. De Porto Alegre, Jango foi com o general Assis Brasil para a fazenda Rancho Grande, em São Borja.

Não dava para ficar mais em território brasileiro. Num C-47, partiu definitivamente com sua mulher Maria Thereza e seus filhos para o doído exílio no Uruguai. Entre os dias 1º e dois de abril, alguns comandantes ainda tentaram resistir, mas foram logo dominados e presos.

Os tanques, fuzis e metralhadoras tomaram as ruas das cidades. Os suspeitos de serem comunistas, partidários do Governo Goulart, aliados das reformas de base e dos movimentos sociais, abarrotavam as cadeias nos primeiros dias de uma longa noite de trevas.

Muita gente fugia e se escondia das armas como podia. Famílias foram separadas, filhos desgarrados e mães e pais começavam a derramar suas primeiras lágrimas de muitas que viriam depois com as torturas, mortes e desaparecimentos.

Não se imaginava que a ditadura iria perdurar por tanto tempo e que o Brasil iria viver os trágicos anos de chumbo. Analisam os críticos que Jango sempre assumiu uma posição conciliatória e o acusam de ter sido incompetente, covarde, despreparado, indeciso e demagogo. Ao procurar incluir a classe trabalhadora no centro das decisões políticas e desejar realizar as reformas de base, foi tachado de populista, comenta Joviniano Neto, do Grupo Tortura Nunca Mais, da Bahia.

Os grupos de esquerda queriam pressa e criticavam que Jango demorava e abria concessões demais. Com aquele quadro todo de indefinição e espera para o pulo final, o velho general Cordeiro de Farias, depois de tudo consumado, chegou a afirmar que o Exército tinha dormido janguista no dia 31 de março, mas com o propósito já traçado de tirar o presidente do poder. Segundo historiadores, o golpe foi um acidente (foi antecipado), uma conspiração cheia de erros que terminou dando certo.

As comemorações passaram a ser feitas no dia 31 de março, justamente para evitar as chacotas do popular “Dia da Mentira”. No capítulo sobre “A Força Motriz do Processo Revolucionário”, o Centro de Estudos Victor Meyer, da Polop (Política Operária) – “Uma Trajetória de Luta pela Organização Independente da Classe Operária no Brasil”, assinala que na hora do golpe, quando as ditas correntes (Jango, Brizola e PCB) estavam em debandada, “o proletariado foi a única classe urbana que se mantinha como classe contra o golpe”.

Ainda de acordo com os estudos do Centro, o fato que possibilitou a instauração da ditadura, sem uma resistência das massas e dos partidos políticos, foi a ausência de um movimento operário independente, capaz de unir em torno de si o campesinato e as camadas radicalizadas da pequena burguesia. Na verdade, o golpe foi de classe, perpetrado pela burguesia nacional contra a classe trabalhadora, com a cobertura das forças armadas. Portanto, o golpe foi civil-militar.

ALMAS PERDIDAS E AS VIVAS-MORTAS

Lembro ainda menino quando falavam em fantasmas e meu pai dizia que não existia, não tinha medo e que seu maior temor era quanto aos vivos perigosos, assaltantes e traiçoeiros.  Outros comentavam que fantasmas são almas que depois da morte ficaram perdidas vagando por aí por conta de seus passados ou antepassados errantes.

Tem os causos e casos, histórias e estórias de casarões mal-assombrados que inspiraram filmes de terror e, para espantar as assombrações do lugar, entram em ação os caças-fantasmas com aquelas máquinas esquisitas estrambólicas de raios lazer que sugam os espantalhos.

Os exorcistas, padres ou especialistas parapsicólogos também são procurados para benzeções e desvendar as perturbações de batidas, abrição de portas, ventos que derrubam janelas e gemidos estranhos. É o mundo do além das almas perdidas como muitos acreditam e até falam de pé firme que já viram. Isso só acontece com quem é médium ou mais sensível.

Não sei o porquê de estar falando nesse assunto, até de certa forma macabro? Será falta de assunto neste país? Não, temos até de sobra todos os dias, muitos dos quais nos agridem, nos violentam e roubam nossos direitos humanos! Tiram nosso sono. É apenas para descontrair ou assombrar os incrédulos.

Esse negócio de almas perdidas, para mim é tudo mistério e confusão. “Só sei que nada sei”, como já disse o nosso grande filósofo Sócrates da Grécia Antiga. Esse tema dos espíritos já era discutido na Atenas dos sábios Platão, Anaxágoras e Aristóteles.

Se existem mesmo esses fantasmas, são almas de feridas abertas, coisa de carmas que ficaram presas nessa terra. Elas não conseguiram partir ou não tiveram a moeda para pagar ao barqueiro para atravessar o rio para a outra margem. Certamente ficaram por aqui a lamentar suas dores.

Os adeptos do espiritismo explicam que a morte é vida e que as almas depois de um determinado tempo se encarnam em outras em busca da perfeição, para purgar seus erros. A umbanda faz uma viagem ao passado dos ancestrais de vidas que fizeram o bem ou o mal. Pelo olhar, todos cometeram maldades e atrocidades lá atrás.

Seriam essas almas as perdidas que ainda não conseguiram subir ao céu, ficar no mediano purgatório ou descer ao inferno, como sempre pregou a Igreja Católica com suas doutrinas e dogmas de fé? Sinceramente, nesse tempo que nunca para, o que sinto mesmo é o verão e o inverno, a dor, o sentimento, a saudade e essa gente cada vez mais perdida e desumana.

O mais concreto mesmo são as almas, milhões de vivas-mortas dos oito bilhões que se apertam nesse planeta de fronteiras e muralhas de cimento e ferro, inclusive de arame farpado. Falo dessas almas perdidas que andam por linhas tortas, que causam violências, angústias e mortes, sem me imiscuir de citar aquelas invisíveis que nada fazem de bem.

Tem aquelas almas que sempre serão lembradas pelas suas ações, feitos e trabalhos materiais ou espirituais. São pessoas que nunca serão esquecidas porque foram bondosas, generosas, ativistas e até consideradas heróis e heroínas. Tem também as almas perdidas, mornas e insossas que preferem o silêncio ao barulho. Tem as violentas e agressivas, impiedosas e tiranas matadoras de almas.

APOSTAS, UM MERCADO EM ASCENSÃO

Carlos González – jornalista

O Ministério da Fazenda estuda uma maneira de taxar o mercado de “bettings” (apostas), uma nova loteria que veio concorrer com os jogos controlados pela Caixa Econômica Federal (CEF). Legalizados em 2018 pelo então presidente Michel Temer (PSDB-SP), os “bets” praticamente se instalaram no Brasil há cerca de 18 meses.

Nos últimos meses uma epidemia se alastrou pelo país. Dezenas de empresas com sedes no exterior, utilizando nomes famosos no cenário futebolístico internacional, como Ronaldo Fenômeno, Rivaldo, Marcelo, Neymar e Vinicius Jr, mexeram com o mercado publicitário. A divulgação das principais casas de apostas é feita basicamente pela televisão, atingindo mais de 15 modalidades esportivas.  

 

As apostas, proibidas para menores de 18 anos, são feitas pela internet ou pelos aplicativos, no celular ou tablet. Esse mercado rendeu no ano passado, segundo o portal BNL Data, R$ 7 bilhões, livres de impostos, e a estimativa para este ano é de R$ 12 bilhões. A lei que está em vigor não prevê a contribuição aos cofres públicos.

A Fazenda admite que a regulamentação das apostas virá no próximo mês através de medida provisória, mas não ficou definida como será implementada a taxação e quais serão as alíquotas. Os apostadores também terão os seus ganhos taxados, como já acontece com os prêmios pagos pelas loterias da Caixa.

Ao contrário do esperado, o setor de apostas torce pela regularização do serviço, o que trará maior segurança jurídica para as partes envolvidas, a empresa e o apostador, além de gerar empregos. O Tesouro Nacional, segundo os cálculos, deverá arrecadar anualmente cerca de R$ 700 milhões.

Repentinamente, os nomes dessas empresas passaram a preencher os espaços mais visíveis nas camisas dos jogadores, tanto os da elite do futebol nacional – o presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, chegou a dizer que “esse patrocínio é a salvação da lavoura” –, quanto os das divisões inferiores.

Os espaços reservados à publicidade nos estádios e arenas são utilizados por um tipo de campanha que pode ser chamada de audaciosa, e que se alastra pelo interior do pais. No domingo (26), placas colocadas nas laterais do gramado do “Valfredão”, em Riachão do Jacuípe, na partida de ida da final do Campeonato Baiano, induziam o público a fazer uma “fezinha”.

A maioria dos 40 clubes das séries “A” e “B” do Brasileirão já está usufruindo das cotas pagas pelo setor de apostas. Uma das exceções é o Vitória, de Salvador, que optou por um outro tipo de jogo, o jogo do amor, da sensualidade. O rubro-negro baiano firmou um contrato de patrocínio com um site que promove encontros fugazes e relacionamentos que podem se tornar permanentes.

Denúncias e suspeitas de corrupção vêm ocupando a programação esportiva e policial da imprensa. Há poucos dias, o “Correio do Povo”, de Goiânia, relatou que o Ministério Público do Estado deflagrou a operação Penalidade Máxima, com a finalidade de interromper as ações criminosas de um grupo de apostadores.

O pedido de investigação foi feito pelo Vila Nova, que se sentiu prejudicado na disputa da série “B” do Brasileirão de 2022. Investindo elevados valores em apostas, os criminosos escolhem como alvos jogadores com salários atrasados, que chegam a receber R$150 mil de “gratificação”, se “colaborarem” com a equipe adversária.

“Você só tem que jogar algumas bolas para escanteio. Dependendo do número de bolas você pode ganhar até R$ 8 mil”. Esta proposta foi feita a um zagueiro, cujo nome foi mantido em segredo, do sub 20 do Zumbi, de União dos Palmares (AL). O clube alagoano estava disputando a Copa São Paulo de Futebol Júnior. O caso foi levado pelo atleta à presidência do clube e registrado na Polícia.

A morte trágica do zagueiro da seleção colombiana Andrés Escobar, 27, em julho de 1994, repercutiu no mundo do futebol. O jogador recebeu 12 tiros do narcotraficante Humberto Muñoz Castro. As autoridades policiais concluíram que a motivação do crime foi a desclassificação da Colômbia para os Estados Unidos, graças a um gol contra de Escobar, resultado que deu um vultoso prejuízo aos apostadores do cartel de Medellin. Condenado a 45 anos de prisão, Muñoz cumpriu apenas 11 anos.

 

 

 

 

 

O IPTU DA ESCORCHA EM CONQUISTA E UMA DEMOCRACIA DA ESMOLA

Parece mentira, mas não é. Eu vi e testemunhei com meus próprios olhos porque fui uma das vítimas. Como não recebo mais meu boleto (há dois anos) em minha residência, fui hoje à Secretaria de Finanças pegar meu IPTU e fiquei estarrecido com tanta gente para pouco atendimento.

Para começar, esperei quase três horas, isso mesmo, para o painel sinalizar o aquele “plim” da minha senha IPO75. Ficou em minha memória de tanto olhar para a tela. Só havia dois caixas preferenciais, segundo a portaria, para entrega dos carnês. Vi idosos agoniados e atordoados, capengando de um lado para o outro, sem saber o que fazer.

Do barulho infernal de tanta gente, veio-me à cabeça aquelas cenas dantescas de Dante Alighieri, ou o livro “Inferno”, de Dan Brown. Em nosso Brasil existem as camadas terríveis de sofrimentos até o indivíduo atingir as profundezas mais quentes e dolorosas das torturas.

O mais incrível é que nosso povo passa por todas elas (camadas) sem reclamar, sem se indignar, sem protestar, diferente dos franceses, dos israelenses, dos ingleses e até dos nossos vizinhos hermanos da Argentina, Colômbia e do Chile que saem às ruas em multidões e chegam a derrubar ministros e governos. Pensei comigo que a nossa democracia é indolente e feita de esmolas.

Como se não bastasse tudo isso de estresse e falta de respeito, de quase três horas de espera, levei ainda um susto com o aumento escorchante do imposto, de mais de 100 reais em relação ao do ano passado, um índice bem acima da inflação, de pouco mais de 10%.

Verdadeiramente, não somos considerados cidadãos e sim, peças de manipulação dessa política do roubo e da corrupção do voto eleitoreiro alienado. Como não me revoltar, se as autoridades (Câmara, OAB, Ministério Público, Defensoria, magistrados e outras entidades) não nos representam? Muito pelo contrário!

O trabalhador incansável, que derrama seu suor e sangue durante toda sua vida, com seriedade e honestidade, não tem valor neste país da democracia das esmolas, da impunidade e do assistencialismo do cala boca que transforma a pessoa em apenas num número invisível.

Alguém pode estar aí achando estranho quando falo em democracia das esmolas e até dizendo que estou agindo com incoerência em relação aos meus princípios socialistas. Respondo que ser socialista não é concordar com este Estado Assistencialista que procura sempre deixar nossa gente na ignorância e no comodismo.

Existem aqui em Vitória da Conquista e em quase todas cidades brasileiras os chamados andarilhos de rua que recebem abrigos em todas cidades por onde chegam, com dormida e uma boa comida, muitos dos quais rejeitam qualquer oferta de trabalho e emprego de empresas que abrem colocações.

Quase todos ainda recebem o Bolsa Família e gastam em farras. Muitos deles deixaram suas famílias para viver assim. Não pagam luz, água, IPTU ou outro imposto e são bem acolhidos e tratados. Não podem ser aborrecidos e, qualquer coisa, falam palavrões e desaforos para funcionários que os recebem.

Não estou condenando o amparo aos mais necessitados, principalmente os que vivem na miséria e pobreza nos casebres e favelas passando fome, mas desses aproveitadores e oportunistas que recusam trabalhar e preferem viver assim porque têm prioridade total, inclusive no atendimento numa UPA, num posto de saúde ou hospital.

O assistencialismo eleitoreiro só faz alimentar o ócio e vicia o cidadão, como dizia Luiz Gonzaga, nosso rei do baião. Enquanto isso, os outros pobres que dão um duro danado para pagar as coisas e tentar viver com certa dignidade, são humilhados nas repartições públicas, como na Secretaria de Finanças de Conquista. É por essas e outros que digo que no Brasil existe uma democracia das esmolas.

 

 

TODOS PREFEREM SER CHAMADOS DE “JORNALISTA” E NÃO DE REPÓRTER

Está no dicionário que jornalista é a pessoa que escreve em jornal e jornalismo se entende por imprensa periódica, profissão de jornalismo referente a jornal. Jornalista era somente aquele que escrevia em jornal.

Quando surgiram, o rádio, a televisão e, nos últimos anos, a internet, manteve-se por algum tempo a distinção entre jornalista, radialista, o profissional de TV e aquele que atua no mundo virtual dos sites e blogs.

Hoje, justamente quando os jornais entraram em decadência em decorrência do avanço dos meios eletrônicos, todos que lidam nos veículos de comunicação são chamados de jornalistas, mesmo sem trabalhar em jornais. Basta uma pessoa colocar um blog e logo vira jornalista.

Repórter, de reportare do latim (trazer uma resposta, levar ou trazer; refletir a luz) é aquele que procura notícias para a imprensa periódica. Informador ou noticiarista dos periódicos do rádio e da televisão. O fotógrafo está incluído como repórter que colhe material fotográfico.

Não houve aí uma deturpação do termo jornalista? Não seria melhor que todos fossem denominados de repórteres. Ninguém diz eu sou blogueiro, radialista ou repórter, mas jornalista porque é mais bonito e charmoso.

Em Vitória da Conquista, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb e em Guanambi, por exemplo, existem os cursos de jornalismo, com disciplinas mais voltadas para esta área. Não deveria ser de comunicação que abrange todos meios noticiosos?

Aos poucos os jornais estão sumindo porque nos tempos atuais só um número restrito ler, embora sempre vá existir um periódico por aí, como o livro de papel. Mesmo assim, todos fazem questão de dizer que são jornalistas no lugar de repórter ou radialista.

Por falar em repórter, não existe mais como antigamente, com raras exceções, que sabia como conduzir uma entrevista, cutucar, investigar e extrair do entrevistado as respostas do interesse do público. Perdeu-se a objetividade, a técnica do entrevistar, do ser sucinto e direto nas perguntas, sem rodeios.

Hoje, talvez por querer se exibir, por mera vaidade de “jornalista” que acha que “sabe tudo”, o repórter-entrevistador passa o tempo falando mais que o entrevistado e acaba adiantado o assunto, deixando o convidado numa posição até desconfortável.

Muitas vezes, as perguntas se tornam respostas e afirmativas do próprio entrevistado. Para não ser deselegante ele afirma que é isso mesmo, ao invés de dar uma de seu Lunga e dizer: Nada mais a declarar, se você já adiantou o tema e a informação.

As escolas não ensinam mais técnica de entrevista? Quando o assunto, por exemplo, é complicado que incrimina o personagem da entrevista, as perguntas mais difíceis devem ficar por último depois descontrair e passar confiança à pessoa em questão.

O repórter não está ali para concordar ou julgar. Quem deve fazer isso é o público. Faça a pergunta que alguém de fora gostaria de fazer. Seja atrevido e ousado, sem ser arrogante. Seja mais repórter que jornalista.

 





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