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:: ‘Notícias’

O QUE ESTÁ HAVENDO COM A HUMANIDADE?

Entre as pessoas com as quais converso sobre assuntos gerais, sempre ouço lamentos e palavras de decepções a respeito do que está ocorrendo com a humanidade nos tempos atuais no sentido do avanço da desumanização, do individualismo, do desrespeito para com os outros e até mesmo pela sua face cadavérica de crueldade.

Estou me referindo diretamente sobre a nossa pequena aldeia onde moramos chamada Brasil, mas é claro que o problema do qual questiono é global e não está restrito ao ser humanus brasilis. Os países ricos pouco se importam com os pobres, sem falar numa certa regressão em termos de mentalidade, predominando as ideias retrógradas e repressivas entre líderes e liderados.

Essa visão é praticamente geral entre as gerações mais idosas que lembram dos tempos onde havia mais harmonia, crença e confiança nas pessoas; onde os filhos ouviam os ensinamentos dos pais e os jovens reverenciavam os mais velhos; não batiam e nem matavam professores, sem contar que os crimes de barbaridades eram bem mais raros.

A pergunta que fica é o que está havendo ou acontecendo com a humanidade? Uma resposta para os filósofos, psicólogos/psiquiatras, historiadores, sociólogos e antropólogos. Alguém aí poder até rebater o meu pensar de que a nossa história em suas origens está recheada de atrocidades desde os povos da Mesopotâmia/Babilônios, as conquistas romanas, as inquisições da Igreja Católica na Idade Média, os conflitos entre as diversas etnias africanas e tribos indígenas, os sacrifícios humanos aos seus deuses, as duas guerras mundiais mais recentes, dentre tantas outras.

No entanto, a questão atual está mais ligada ao quesito da decadência humana do saber e do conhecimento, do negativismo da ciência e do fanatismo religioso, do egoísmo aviltante, do extremismo nazifascista, da polarização na política, da indiferença com a dor do outro, do retraimento da juventude presa às novas tecnologias, da destruição em massa do meio ambiente (o apocalipse bíblico é o presente), do ódio e da intolerância racista, homofóbica, xenófoba e misógina, sem falar nos crimes hediondos, impiedosos e estarrecedores.

O anormal virou normal e comum. O errado no certo. Para muitos problemas quanto a pergunta sobre o que está havendo com a nossa humanidade, especialmente os relacionados com os nossos jovens, logo vem à cabeça o mal que o celular e as redes sociais da internet provocam na mente humana, ao ponto de gente ficar ligada mais de dez horas ao dia no aparelho. Será que toda culpa está nesse mundo virtual banalizado, sem caráter e princípios?

É uma fase ou crise de atraso e opressão que a humanidade está atravessando para depois se ajustar e voltar a praticar o verdadeiro humanismo socialista? O que podemos fazer para reverter esse quadro? Ainda existem reparos ou estamos caminhando para o fim, inclusive da destruição da terra por causa das catástrofes e tragédias provocadas pelo homem? São reflexões que cada um deve fazer e tirar suas conclusões.

Em sua essência de ambição, lucro e selvageria, creio que esse sistema capitalista bruto consumista está esgotado. Está levando a humanidade a autodestruição, mas os ricos não aceitam fazer mudanças e socializar seus bens. Almejam cada vez mais o ter e pouco pensam no ser. A decadência humanitária está nas profundas desigualdades sociais e regionais, internas e externas. A própria globalização contribuiu para isso.

É a minha visão que pode ser discordante de outros. É um tema que carece de mais debate e discussão por parte de intelectuais e das pessoas que hoje sofrem na pele essa desarmonia e sofrimento.  Ronda no ar uma onda de desânimo, pessimismo e descrença. Com tantas maldades, bandidagens e violência, ninguém mais confia em ninguém. É sinal da própria degeneração humana.

Hoje temos medo de sair de casa (há anos não era assim), pânico, estresse e a depressão está cada vez mais se alastrando como um vírus maligno, principalmente entre adolescentes que ficam trancados em seus quartos escuros com a tela grudada nos olhos.

Os adultos só pensam em ganhar dinheiro, não cuidam de seus filhos como deveria (querem é ficar livres deles), não dormem direito e sentem calafrios do desemprego. Temos mais doenças e doentes e menos assistência à saúde nos países subdesenvolvidos ou emergentes. A cultura foi banida de nossas vidas. Não se valoriza mais o conteúdo e nem o mérito, mas a mediocridade.

O progresso desordenado (agora só se fala em inteligência artificial) fez aumentar a miséria, e mais gente sai de seus lares na leva da desestrutura familiar para viver nas ruas. Temos mais pessoas infelizes e descontentes com a vida. Nem mais sabemos quem somos e para onde vamos. Moramos num planeta das incertezas porque esquecemos do nosso passado e temos dúvidas sobre o futuro.  O que está acontecendo com a humanidade?

APELO AO TORCEDOR CONQUISTENSE

Carlos González – jornalista

Se você, prezado amante do futebol, que almeja ver sua cidade ser objeto de elogios, mesmo que seja no campo esportivo, leve seu apoio ao Primeiro Passo Vitória da Conquista, comparecendo, domingo (9), ao Estádio Lomanto Júnior para assistir ao jogo – o maior clássico da região Sudoeste – contra o Jequié, pela última rodada da 1ª fase do Campeonato Baiano da 2ª divisão.

Além da velha rivalidade entre os dois municípios, a partida, que começa às 15 horas, será o penúltimo obstáculo para que o clube alviverde volte a participar do grupo de elite do futebol baiano e de conseguir uma vaga em 2024 na Copa do Brasil ou numa das séries do Brasileirão.

Independente de sua simpatia pelos times do Rio e São Paulo, vista no domingo o verde e  branco e se junte nas arquibancadas do Lomantão aos membros das torcidas organizadas Criptonita e Comando Feminino, para não deixar que o “Bode”  teimosamente empaque no terreno de sua casa – suas três vitórias no torneio foram conseguidas em Salvador (duas) e Itabuna -, o que significará nova paralisação do futebol conquistense até março do próximo ano. Jogadores e comissão técnica ficarão desempregados por seis meses até o começo da temporada 2024.

No interior do Nordeste e na maioria das capitais, exceção a Salvador, Recife e Fortaleza, nota-se uma forte vocação do torcedor em transferir sua paixão para os clubes cariocas e paulistas, em prejuízo dos locais.  O Brasileirão da série “A” tem apenas dois clubes nordestinos: o Bahia (já pegou o caminho do descenso) e o Fortaleza, que há três anos vem se estruturando, haja vista que hoje disputa a Sul-Americana. Vamos observar a série “B”, onde os seis representantes do Nordeste fazem companhia a 11 do interior de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Pergunto: por que razão o nordestino não pratica esportes de quadra, pista e aquáticos? Em Olimpíadas e Mundiais e torneios nacionais, nossa região praticamente é excluída. Cometeria uma falta se não fizesse ressalva ao trabalho realizado, com poucos recursos materiais, nas academias de boxe de Salvador, na preparação dos atletas que têm trazido medalhas para o Brasil.

Por justiça, lembro aqui de três baianos medalhistas olímpicos: o nadador Edvaldo Valério (bronze nos Jogos de Sidney 2000), a maratonista aquática Ana Marcela (ouro em Tóquio 2020 e em sete mundiais) e o canoísta Isaquias Queiroz (ouro em Tóquio). Os dois primeiros aperfeiçoaram sua técnica em clubes de São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul.

A demolição do Estádio Octávio Mangabeira em 2010 para servir de sede à Copa do Mundo de 2014, quando o projeto inicial seria uma reforma, a um custo superior a R$ 1 bilhão, acima do previsto que era R$ 500 milhões, “matou” o esporte amador na Bahia, como denunciaram dirigentes e atletas. Os tratores e escavadeiras não derrubaram somente o velho estádio. Continuaram seu caminho. Ao fim da operação, do Ginásio Antônio Balbino e do Parque Aquático Juracy Magalhães, que faziam parte do complexo esportivo da Fonte Nova, só restaram pedras de concreto. As autoridades governamentais da época prometeram que em um ano construir um ginásio e piscina olímpica.

Retomando o principal tema desta nossa conversa, exponho a situação no momento do Campeonato Baiano da série “B”, antes da rodada de domingo que vai apontar os quatro classificados para as semifinais. O Jequié antecipou sua passagem para a segunda fase. Restam três vagas e cinco candidatos, observando que, em caso de igualdade nos pontos ganhos, serão computados número de vitórias e saldo de gols. Além de Conquista x Jequié, a última rodada, com os jogos iniciando às 15 horas, marca Jacobina x Fluminense, em Jacobina; Juazeiro x Grapiúna em Juazeiro; Unirb x Leônico, em Feira de Santana; e Galícia x Colo-Colo, em Salvador.

Em segundo lugar está o Jacobina (14 pontos, 4 vitórias e saldo de 5), seguido pelo Grapiúna (14 – 4 – 2), Vitória da Conquista (14 – 3 – 8), Fluminense (13 – 3 – 5) e Unirb (13 – 3 – 1). Vão permanecer na série “B”, o Juazeiro, e, lamentavelmente, o Galícia, apontado pelos mais antigos membros da comunidade galega de Salvador como “filho bastardo”, em desrespeito aos imigrantes espanhóis que em 1º de janeiro de 1933 fundaram o primeiro tricampeão baiano. Colo~Colo e Leônico estão “degolados”.

Com base nos números avaliem as chances do Vitória da Conquista, mas é imprescindível que você, conquistense, vá ao “Lomantão” para dar seu grito de incentivo a esse grupo altruísta que mantém vivo o futebol nesta cidade. Desligue-se por um dia dos jogos das equipes do Sul pela televisão. Acabou aquele tempo que os grandes clubes viajavam pelo país e pelo mundo – até o Bahia foi duas vezes a Europa, incluindo a então impenetrável União Soviética – fazendo amistosos e divulgando nosso popular esporte.

A ocupação total dos 12.500 lugares do “Lomantão” só se dará com a vinda de um clube da elite do futebol nacional. Essa atribuição é dada neste momento ao Vitória da Conquista, cujo primeiro passo é ganhar o Jequié e a semifinal do acesso. Em seguida, ficar entre os três melhores colocados na série “A” de 2024, assegurando uma vaga na Copa do Brasil.  Entre 2013 e 2018, o alviverde participou de quatro Copas do Brasil. Aqui estiveram Sport do Recife, Palmeiras, Náutico e Coritiba.

AINDA SOBRE O SÃO JOÃO

Quero aqui reproduzir alguns trechos de um comentário com o título “SOS São João” feito por Jorge Braga Barreto, na coluna “Opinião do Leitor”, publicado pelo jornal “A Tarde”. Antes disso, sobre o mesmo assunto, conversando com uma prima sobre o São João de Senhor do Bonfim, considerado em tempos passados como um dos mais famosos do Brasil, ela me confidenciou que foi uma grande decepção a começar pelas apresentações.  “Pelas músicas, ninguém dançava, só pulava”.

Sobre o artigo de Jorge Barreto, ele afirma que há muito segmento musical alienígena de origem carnavalesca atropelando as tradicionais festas juninas, para tristeza dos forrozeiros, cujas danças típicas são agredidas pela parafernália eletrônica, numa demonstração de selvageria empresarial voltada exclusivamente para o lucro.

Mais adiante declara que o endividamento irresponsável das prefeituras poderia ser evitado se tomassem a iniciativa viável de dar oportunidade aos inúmeros artistas da terra prata da casa que dominam os instrumentos que fazem a alegria dos amantes do forró. Destaca que “os valores exorbitantes pagos aos ETs terminam por afugentar a população de baixa renda, diante das inacessíveis diárias de pousadas e hotéis, restaurantes e outras atividades comerciais envolvidas nos eventos”.

Em seu desabafo, escreve que “muitos forrozeiros terminam retornando para suas casas frustrados diante de tanta sofrência cansativa e sonolenta violentando as noites juninas. Como justificar prefeituras falidas pagando cachês altíssimos em torno de 500 mil reais por apresentação a cantores e bandas de arrocha, sofrência, sertanejas no estilo Luan Santana, Gustavo Lima, dentre outros que nada têm a ver com o São João”?

Segundo ele, a contratação de bandas locais das cidades e de suas regiões que entendem do ritmo nordestino seria a solução nas quais se destinaria cachês dentro dos limites razoáveis ao alcance dos cofres municipais, no que concordo e endosso plenamente.

Em sua opinião, ainda é tempo de salvar o melhor São João do Brasil que é inegavelmente o do Nordeste. “Se o carnaval está dominado por essa galera esperta, que o mesmo não aconteça com o São João. A reconstrução do Brasil exige a preservação de suas raízes culturais. Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Genival Lacerda, entre tantos outros que nos deixaram devem estar se contorcendo no túmulo”

Por fim, vou aqui republicar um poema da minha autoria que fiz criticando toda essa situação, com o título de “NÃO MISTURE NOSSO FORRÓ”:

Não misture

Nosso forró, não,

Nem profane

Nossas festas juninas,

Com suas músicas assassinas.

 

Nosso forró,

Nasceu do fifó,

Na poeira do arrasta-pé,

Ao som do triângulo,

Da zabumba e da sanfona,

No melaço da cana,

Com cultura, tradição e fé.

 

Nosso forró é nordestino

Dos santos Antônio, João e Pedro

Popular do idoso ao menino.

 

Seu prefeito carcará safadão,

Nosso forró do forrobodó

Não está à venda, não.

 

Não misture nosso forró, não

Com alienígenas estrangeiros,

De chapéu de couro,

Indumentária de cangaceiros,

Que roubam nosso ouro,

E nem sabem cantar,

Xote, xaxado e baião.

 

Salvem Jachson do Pandeiro,

Marinês, Sivuca e Gonzagão,

Sem essa plástica indecência,

De misturar sertanejo e pagodão,

Axé, arrocha e sofrência.

 

Não misture nosso forró, não,

Nóis quer dançar é forrozeiro,

Na letra agreste do Nordeste,

Com licor, quentão e mungunzá,

Como nos tempos do candeeiro.

 

A cada ano o triângulo, a zabumba e a sanfona são substituídos por bandas eletrônicas. Nosso São João está se acabando. Segundo o Portal Transparência, artistas como Wesley Safadão recebem cachês altíssimos. Anos atrás Elba Ramalho criticou o badalado São João de Campina Grande por privilegiar os sertanejos. Recentemente Flávio José teve seu tempo de apresentação reduzido para o sertanejo Gustavo Lima.

Alceu Valença também fez a mesma crítica. As festas juninas estão perdendo suas identidades. Os órgãos de turismo nada fazem para salvar nosso São João, muito pelo contrário.

A nossa mídia, infelizmente, tem sido omissa e até elogia esses shows que nada têm a ver com o nosso forró.  Gonzagão dizia “Ai que saudades que sinto/ Das noites de São João/ Das noites tão brasileiras nas fogueiras/ Sob o luar do sertão”.

CURTAS INFORMAÇÕES

O SAFADÃO DOS MILHÕES

Deu na coluna do jornalista Levi Vasconcelos, de A Tarde. Em Sergipe, o arauto do forró pé de serra, Jailson do Acordeon correu mais de 20 municípios. Só conseguiu um contrato em Aracaju. No entanto, o Wesley Safadão, com cachê de 700 mil reais, cantou em Lagarto, Areia Branca e ainda foi o campeão baiano de faturamento nos festejos juninos com cinco contratos e mais dois, um no São Pedro de Itabuna e outro em Belo Campo. Faturou cerca de quatro milhões de reais. A grande aposta é a aprovação do projeto de lei 3083, que cria a chamada Lei Gonzaga onde impõe que 80% dos recursos dos festejos juninos sejam gastos com artistas ou eventos, como as quadrilhas. Os cachês pé de serra são bem menores e os milionários fomentam a corrupção.

DISCÓRDIA INDÍGENA

Mulheres indígenas waorani advertem com um canto de guerra para impedir ambientalistas entrarem no bloco estratégico de petróleo, localizado na Amazônia equatoriana, cuja produção pode ser suspensa. É aquele negócio: Um grupo apoio a exploração petrolífera e o outro não. A questão tem sido o centro da discórdia, e o local é cercado por uma vegetação exuberante. No local fica uma das 12 plataformas de poços do Ishpingo, Tambococha e Tiputini.

MAIS RATOS QUE GENTE

Dizem que em Paris, a capital dos protestos, existem seis milhões de ratos (não sei como contaram os bichos nojentos), contra 2,4 milhões de humanos, o que significa três por habitante. É muito rato e parece coisa da Idade Média, mas hoje Paris tem bons serviços de infraestrutura em termos de esgotamento sanitário. Como explicar tantos ratos na Paris moderna?

BOLSA FAMÍLIA

Em junho, o Brasil contabilizou o contingente de 21 milhões de familiares participantes do Bolsa Família representando o gasto de 15 bilhões de reais, com média de 700 reais por cada beneficiário. A despesa para este ano deve ser em torno de 145 bilhões de reais e nenhum projeto alternativo para tirar esse povo das esmolas. Muitos usam esse auxílio para outras finalidades que nada têm a ver com a compra de alimentos.

ANALFABETISMO

Você sabia que o índice de analfabetismo no Brasil atinge 5,6%? Um número ainda expressivo, isso sem contar os analfabetos funcionais que não sabem ler e escrever. No Nordeste, sempre no foco das desigualdades regionais, o número sobe para 11,7%. Na mesma região, os idosos registram 32,5%. Cerca de 50% da população baiana não têm segurança alimentar. A Bahia tem o maior número de pessoas registradas no Bolsa Família.

SIMPLES NACIONAL

Os MEI (microempresários) no Brasil representam 68% das empresas brasileiras, o que significa 14,8 milhões incluídos no Simples Nacional. A maioria monta uma empresa por necessidade por causa do alto índice de desemprego. É aquela questão da sobrevivência pessoal. Um dos motivos de muitas empresas terem vida curta.

VIOLÊNCIA NA BAHIA

A Bahia está em segundo lugar, depois do Pará, com maior número de casos de violência contra povos e comunidades tradicionais (indígenas, crimes socioambientais nas periferias e quilombolas). Os dados são da Lei de Acesso à Informação por Atividades da Rede de Observação de Segurança, gerando o relatório Além da Floresta.

DETENTOS SEM JULGAMENTOS

Quase seis mil dos mais de 12 mil detentos das unidades prisionais da Bahia ainda não foram julgados como deveriam ser. Segundo José Antônio Maia Gonçalves, secretário Estadual de Administração Penitenciária, existem presos provisórios há mais de quatro anos nos presídios sem serem julgados.

NÃO ENCANTAM OS JOVENS

Diferente de antigamente, as universidades de hoje não encantam mais os nossos jovens estudantes. A maioria entra numa universidade apenas visando o diploma. A evasão nas unidades privadas chega a 59% e nas públicas a 40,9%. Existem no Brasil quase seis milhões de diplomados de nível superior que não conseguem emprego. Está ocorrendo um grande esvaziamento dos campi. Tudo hoje é imediatista na base do estudo de curta duração. Ninguém quer mais saber do conhecimento lento.

DOCUMENTOS ABANDONADOS

Você sabia que nas 81 unidades dos SACs na Bahia existem 88.456 documentos abandonados aguardando pela retirada de seus donos. Coisa imaginária e absurda, para não dizer de louca. Desse montante, 39.412 são de RGs (carteiras de identidade), 45.544 de habilitações e 3,5 mil de passaportes. Entenda o comportamento do ser humano que enfrenta uma fila para tirar um documento e depois não aparece lá para buscá-lo.

 

 

AS JORNADAS DE JUNHO, O RENASCER DA EXTREMA DIREITA E O OVO DA SERPENTE

Há dez anos, em 13 de junho, surgiam as manifestações em São Paulo por um grupo de jovens que contestavam as tarifas de ônibus e lutavam para que os transportes coletivos não fossem pagos. A princípio, tudo era ordeiro, mas os movimentos foram engrossando e descambando para outras reivindicações, se espalhando por todo Brasil.

Sempre dizem que os brasileiros têm pouca memória, e a mídia em geral não faz uma reflexão sobre aqueles episódios que ocorreram no governo de Dilma Russelff. Li poucas análises   políticas-científicas e sociológicas sobre aqueles acontecimentos em artigos na imprensa escrita, muitas na linha academicistas.

Prefiro uma linguagem mais direta e objetiva de que foi dali que despertou ou ressuscitou a extrema direita do Brasil que estava mofando em túmulos e armários, gerando depois o ovo da serpente de nome Jair Bolsonaro, filhote do chamado baixo clero na Câmara dos Deputados onde esbravejava impropérios e destilava sua raiva contra o PT, sem falar nas suas atitudes racistas, homofóbicas, ditatoriais e misóginas.

As jornadas de junho invadiram nosso país, e das tarifas, o povo e outros infiltrados baderneiros e vândalos extremistas passaram a cobrar casa própria, mais justiça social, segurança pública, um monte de direitos individuais com cartazes na mão e gritos de rebelião. Das tarifas, o alvo maior passou a ser a corrupção generalizada no governo apurada pela Operação Lava-Jato, sem falar no “bota fora” de Dilma (golpe da direita).

Sem contar a ascensão dos evangélicos que já vinham ganhando terreno (Malafaia e outros pastores) em seus comandos de postos e cargos na política no Congresso Nacional e mostravam sua cara conservadora, o ovo da serpente nazifascista começava a sair da casca, culminando com sua eleição em 2018.

O junho de 2013 foi o despertar do extremismo fascista medieval negativista da ciência e da elite burguesa que não aceitava sentar ao lado dos mais pobres nos aviões dos aeroportos, frequentar shopping center e nem ver uma classe, antes mais baixa, comprar veículos nas concessionárias. Lula colocava lenha na fogueira dizendo: “É nós contra eles”. A ira só fez aumentar, inclusive entre famílias, de pais contar filhos e irmãos contra irmãos.

Dalí surgiram outras enxurradas de movimentos nas ruas, como os camisas amarelas ou da seleção brasileira a pedir o impeachment de Dilma, colocando como mote principal as corrupções generalizadas. Tiveram ainda o bate panelas contra o PT e seu modo de governar. O partido se fechou em seu casulo e rejeitou reconhecer seus erros, fazer um mea culpa.

O juiz Sérgio Moro, que depois foi ser ministro do capitão Bozó e considerado parcial pelo Supremo Tribunal Federal nos julgamentos de Lula e de seus companheiros, passou a ser visto como o herói da nação, de homem íntegro a serviço de bem contra o mal.

Até comentaram que ele estava a serviço da extrema-direita norte-americana para destroçar a esquerda. Foi esse mesmo grupo que depois elegeu o maluco do Trump que veio apoiar o governo do capitão-presidente. A grande mídia não ficou de fora com seus exorcismos contra os diabos malignos, mas tivemos o trabalho diferenciado da imprensa alternativa mostrando o outro lado da história.

Seus aliados, como o MST e as centrais sindicais não apresentaram força suficiente para conter a onda fascista terraplanistas e deu no que deu. A oposição foi opaca, dúbia e equivocada. Na verdade, o ódio e a intolerância tiveram origens lá atrás nas jornadas de junhos. As redes sociais exerceram destaque e papel preponderante na disseminação dos atos agressivos e das fake news desde os fatídicos fenômenos de junho de 2013.

 

UM SÃO JOÃO PROFANADO PELOS INTRUSOS TRAVESTIDOS DE CANGACEIROS

São uns verdadeiros caras de paus esses cantores de arrocha, sofrência, lambadas, axé, sertanejos ou “sertanôjos”, forró eletrônico dentre outros ritmos, sem letras e enredos de conteúdos, subirem aos palcos com indumentárias de chapéus de couro e de cangaceiros para impressionar o público e ainda dizer que estão defendendo a nossa tradição junina! São uns profanadores e predadores carcarás travestidos de falsos forrozeiros!

As cenas são hilárias e lamentáveis, mas o pior ainda são esses prefeitos safadões e ladrões da nossa cultura que contratam essas bandas e músicos por 200 a 500 mil reis quando toda essa grana poderia ser distribuída pelos forrozeiros autênticos da terra prata da casa e mesmo outros nacionais símbolos do nosso forró pé de serra ou arrasta-pé que estão na estrada há muitos anos.

Todos os anos existe essa invasão de bárbaros na nossa festa junina, tipicamente nordestina, que fala da vida desse povo, de amor, de seus hábitos, costumes e da saudade da terra de origem, com o consentimento da população e dos turistas, sem falar do apoio dessa mídia que se cala ou faz elogios diante desses absurdos e anomalias.

Neste ano fiquei de fora, por problemas pessoais, desses festejos que tanto amo mais que o Natal e Ano Novo (nem falo do carnaval bagaceira elitizado), mas fiquei estarrecido com as imagens na televisão em “reportagens” jornalísticas da grande mídia jogando confetes nessas contratações de intrusos que descaracterizam o nosso São João de Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Marinês, Sivuca, Trio Nordestino e tantos outros  que nos deram tantas alegrias ao som da sanfona, do triângulo e da zabumba.

Todos os anos os forrozeiros autênticos denunciam e protestam contra esses intrusos em nossa festa, mas, infelizmente, cada ano a coisa sai pior e o nosso forró vai perdendo espaço para essa turma de aproveitadores e oportunistas que nada têm com o chamado pé de serra. O mais ridículo é que eles dizem que tocam forró desde criancinhas e aparecem vestidos de cangaceiros. Os artistas e os movimentos culturais bem que podiam lançar um manifesto público de repúdio.

No entanto, sou obrigado a concordar que os maiores culpados são esses prefeitos politiqueiros que, com o nosso suado dinheiro, contratam essa gente de fora com cachês de até 500 mil reais, muitos dos quais superfaturados onde uma parte é subtraída para os bolsos deles e de seus assessores. SE os tribunais de contas fizerem investigações mais rígidas e profundas, com certeza, vão encontrar irregularidades nesses “contratos”.

Culpados ainda são o Ministério Público, os artistas nordestinos, os intelectuais, as comunidades e outros segmentos de preservação da nossa cultura que pouco fazem para evitar essa mistura indigesta que nada tem a ver com o nosso forró, nosso baião, nosso xote e xaxado que nasceram do fifó do candeeiro e da lamparina na poeira dos arrasta-pés.

Os festejos juninos de Santo Antônio, São João e São Pedro (São José poderia também ter entrado nesse grupo da Igreja Católica) sempre representaram tradição, religiosidade e fé e vieram dos salões nobres da Europa (passagem do solstício da primavera para o verão), principalmente de Portugal, para nossos recintos populares (quadrilhas e o maracatu) com um conjunto de hábitos simbólicos que também estão desaparecendo com o tempo, inclusive nas comidas e bebidas.

Somente os amantes verdadeiros das festas juninas ficam indignados com o que está ocorrendo. Não se trata de saudosismo, mas de respeito à nossa ancestralidade, e é uma questão de preservar nossa memória para que ela não seja apagada por esses invasores bárbaros que contam com a safadeza de muitos prefeitos e até da aquiescência dessa mídia que só visa o lucro e a audiência.

Vitória da Conquista é um exemplo que contratou o Thierry do arrocha e da sofrência. Vi e ouvi a mídia local dizer que foi um tremendo show. A tendência é que com o passar dos anos o nosso forró será esmagado por essa gente fantasiada de cangaceira e chapéu de couro e sandálias nordestinas.

UM ABSURDO PARA NÃO DIZER IMORAL

Podem me xingar! Podem me criticar! Só não podem ofender a minha pessoa com palavras de ódio e intolerância. Pode até estar de acordo com o que diz a Constituição no seu artigo 29 quanto ao aumento populacional. Pode ser legal, mas é um absurdo e imoral o aumento aprovado de vereadores para Vitória da Conquista, de 21 para 23 parlamentares a partir de 2025.

Da minha parte, entendo como uma tremenda falta de respeito com a nossa sofrida população, e não me venham com essa de que não vai importar em aumento de gastos. O argumento dos edis, como sempre, é que não vai impactar no orçamento. É uma conversa para boi dormir. Basta de abusar da nossa paciência e subestimar nossa inteligência. Como eles vão dividir os lotes eleitoreiros. Vai ser uma “briga de facão”

Ora, mais dois vereadores requerem mais gastos para montar dois gabinetes com seus eleitos remunerados, mais verbas a que têm direito e contratações de auxiliares-assessores. Se está sobrando dinheiro do orçamento da Câmara, então devolva para o poder executivo investir na educação e na saúde. Pode servir até para criar mais creches.

Não me venham com esse papo, que não me convence, de que mais vereadores significa melhoria na qualidade de vida dos conquistense. Essa é mais outra lorota que o nosso povo inculto engole. Quando havia 19 e passaram para 21 argumentaram o mesmo. Gostaria que me apontassem as melhorias concretas, não subjetivas e surreais de mais indicações e moções de aplausos.

Não é preciso dizer que já temos um Congresso Nacional (513 deputados e 81 senadores) de poderosos (mais de 300 são da bancada ruralista) e um dos mais ordinários e mais caros do mundo que legisla de costas para o povo, sem contar as Assembleias e cerca de 5.700 câmaras municipais. É muita gente para pouco serviço. Aliás, é um desserviço essa quantidade enorme de parlamentares para um Brasil de tanta pobreza, desemprego e carente em tudo.

Confesso que tomei um susto e fui arrebatado por um sentimento de revolta e indignação quando li no “blogdosena” essa aprovação, no último dia 16, e somente um vereador, o Alexandre Xandó, votou contra. Por pouco não foi unanimidade para ser uma atitude burra, como dizia nosso escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues.

Quanto a essa decisão, que considero insensata e inoportuna para os momentos atuais, um silêncio perturbador da comunidade, dos segmentos da sociedade onde cada entidade (sindicatos, associações, movimentos culturais) só pensa em seus interesses próprios, do Ministério Público e outros órgãos, nos incomoda muito. Onde estão os artistas, intelectuais, professores, estudantes, operários que não se manifestam?

Pela sua história, pelas suas lutas, pelos seus personagens nas artes e em outras áreas da nossa vida social, econômica e educacional, pela sua gente humilde e trabalhadora, Conquista não merece isso. Precisamos sim, reduzir o número de parlamentares.

Essa aprovação é insensata e até provocativa do ponto de vista de que não acrescenta em nada em termos de contribuição para o nosso desenvolvimento. Acrescenta em mais despesas no entendimento até daqueles que só sabem fazer uma conta de dois mais dois.

Não me importam as críticas ao contrário pois, pela minha idade, já estou calejado de tanto apanhar. Só peço que respeitem a minha sincera opinião. Ela é sagrada e do direito do pensar em liberdade. Afinal, estamos numa democracia, mesmo frágil. Aliás, meus amigos, são coisas dessa nossa democracia que ainda não está amadurecida e consciente politicamente.

TIMES NÃO PODEM SER PENALIZADOS PELA VIOLÊNCIA DE CERTOS TORCEDORES

No Brasil sempre se procura o atalho mais simples para se resolver questão mais complicadas por falta da aplicação de medidas e leis mais rígidas das autoridades que deveriam cuidar do problema. É fácil se eximir da responsabilidade e punir um terceiro que não tem culpa no cartório. É uma maneira de querer tapar o sol ou a chuva com uma peneira.

Um caso típico disso está relacionado com a crescente violência nos estádios de futebol no Brasil, a exemplo, do que ocorreu esta semana na Vila Belmiro no jogo entre Santos e Corinthians e no São Januário entre o Vasco e o Goiás onde torcedores soltaram foguetes, bombas, rojões e objetos perigosos no campo, revoltados com as derrotas de seus times.

Imediatamente a Justiça Desportiva da CBF penaliza as equipes com as perdas de público em seus estádios como se os times tivessem algum controle sobre a estupidez e a violência de determinados torcedores em momentos de raiva e ira. Não passam de bandidos assassinos que deveriam ser encarcerados. Para o reconhecimento desses brutos existe toda uma tecnologia disponível.

Como esses indivíduos violentos passam nesses portões com todo esse arsenal de guerra? Não existe fiscalização da polícia e dos agentes que cuidam da organização das partidas? Cadê o Ministério Público estadual e federal que não toma outras providências para evitar essas ocorrências e distúrbios de agressão? Quais órgãos estão sendo negligentes na manutenção da ordem?

A mesma coisa é quando grupos de torcedores praticam o racismo, a xenofobia e a homofobia contra jogadores. Por ser mais fácil, a tal justiça cega e os órgãos preguiçosos multam financeiramente o time e até existe ameaça de tirar os pontos ganhos no certame. Confesso que não consigo compreender essa lógica.

Como é possível a diretoria de um time ser responsável por um cara ou caras malucos que numa multidão de 50 ou 70 mil pessoas soltam palavrões e xingamentos racistas contra um atleta? Existem certos episódios que nem se tem certeza que esses agressores são mesmo torcedores do time que é penalizado.

Enquanto perdurar esse modus operandi simplificado, a violência e as atitudes de racismos vão perdurar nos estádios porque o sujeito malfeitor não está nem aí se seu time vai ser punido. A raiva e o ódio dele sempre vão estar acima da razão. É uma questão de educação e formação de caráter. Tem que haver outra forma rígida de se acabar de vez com esses tipos de comportamentos inadmissíveis.

Se vão continuar com a decisão de somente penalizar os times, pode até fomentar a ideia de “torcedores”, com a camisa de outro clube, penetrarem na torcida adversária para provocar violência e racismo, justamente com intuito de prejudicar seu rival. Afinal de contas, estamos num país da malandragem onde o absurdo pode acontecer.

 

A BAHIA DE HOJE E A DE 200 ANOS NAS LUTAS PELA INDEPENDÊNCIA

Quando chega o “Dois de Julho”, data da independência da Bahia livre do jugo dos portugueses, historiadores e pesquisadores escrevem muito sobre a história daquela época, os fatos, os personagens, os símbolos e as lutas travadas que contaram com a participação popular de brancos, negros, mulatos, senhores de engenhos e índios.

No entanto, pouco se fala sobre a Bahia de hoje no campo socioeconômico e a de 200 anos na época das lutas pela independência. Os sociólogos, antropólogos e estudiosos precisam mais se aprofundar nesta questão e mostrar que, depois de 200 anos, continuamos um estado pobre, subjugado pelos poderosos e ainda com os mais baixos índices nos níveis da educação, da saúda, do desemprego e do saneamento básico em relação aos outros estados da federação.

É claro que evoluímos nos setores da economia, no progresso industrial e tecnológico, nos programas de políticas públicas e outros itens humanos, mas ainda é uma Bahia de muita pobreza, de baixa qualificação educacional, carente na saúde e ainda discriminatória e preconceituosa. Em termos de desenvolvimento humano e justiça social, a Bahia está atrasada depois de 200 anos.

Hoje Salvador é uma capital de cerca de quatro milhões de habitantes, onde mais da metade vive em habitações irregulares em terrenos insalubres e nos morros, sem a devida infraestrutura (um grande contingente proveniente do êxodo rural vindo do interior a partir dos anos 70 do século passado), cheia de problemas e com uma grande dívida social. As desigualdades sociais são gritantes.

Era uma Bahia de cerca de 100 ou 200 mil moradores da época da escravidão, do tráfico ilegal praticado pelos senhores de engenho, capitães de navios e traficantes de carne humana da costa africana, principalmente do Golfo do Benin, mesmo após as leis e acordos feitos, em 1831, com a Inglaterra para acabar com este comércio.

Foram estes mesmos negros cativos e emancipados que tiveram uma grande parcela de contribuição nas lutas pela independência do Dois de Julho de 1823. Ainda hoje, depois de 200 anos, de uma forma mais sofisticada, ao estilo selvagem capitalista, permanece a escravidão no trabalho com a exploração da mão de obra e com o poder na mão dos brancos, como os portugueses de outrora.

UM POUCO DE HISTÓRIA E O INTERIOR

Sobre um pouco de história desse bicentenário, um comentário de Alan Rodrigues, num jornal impresso da capital, diz que a conquista da independência do Brasil na Bahia é resultado de uma série de movimentos e mobilizações espalhados por todo estado. O sonho era se libertar da coroa portuguesa. O sonho continua em outras frentes libertárias, especialmente dos direitos humanos.

Segundo Alan, a origem da tropa patriota que enfrentaria os portugueses começou a se formar muito antes do Dois de Julho. Em fevereiro de 1822, antes de D. Pedro I decretar a independência no Grito do Ipiranga (Independência ou Morte), tiveram início os conflitos em solo baiano e tropas recuaram do Forte de São Pedro para o Recôncavo Norte, na Casa da Torre.

Conta o pesquisador que Antônio Joaquim Pires de Carvalho, senhor da Casa da Torre, arregimentou um embrião do exército libertador composto de brancos, negros, mestiços e índios. A Casa da Torre, que servia de ponto de vigilância contra os inimigos estrangeiros no mar, tornou-se uma das principais bases de comando da guerra.

Joaquim Pires de Carvalho, senhor de engenho se tornou capitão-mor agregado à vila de Santo Amaro da Purificação e primeiro comandante da tropa patriota, como ressalta Alan Rodrigues. A Feira de Capuame (Dias D´Ávila) forneceu mantimentos para os soldados e armazenou armas e munições, de acordo com o historiador Diego Copque em seu livro “A Presença do Recôncavo Norte da Bahia na Consolidação da independência”.

Historiadores descrevem que o acesso ao local era feito pela Estrada das Boiadas, com início na freguesia de Santo Antônio Além do Carmo e passava por Pirajá, Água Comprida (Simões Filho), Moritiba do Rio Joanes, chegando a Camassary, Capuame até chegar ao Açu da Torre. Por esse caminho o gado era levado para o matadouro de Barbalho. As tropas bloquearam essa estrada e os portugueses ficaram sem suprimentos.

Alan assinala que foi no primeiro centenário (1923) que foi inaugurada a primeira estrada Salvador-Feira (não essa BR-324). Às margens dessa estrada, em 27 de julho de 1822, foi instalado, no Engenho Novo Cotegipe, um quartel-general, a quatro léguas de São Bartolomeu de Pirajá.

Outros municípios também contribuíram para arregimentar apoiadores. A Câmara da Vila de Nossa Senhora da Purificação de Santo Amaro foi a primeira Casa Legislativa a se pronunciar pelo reconhecimento de D. Pedro I como regente constitucional do Brasil, como informa a diretora geral do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), Luciana Mandelli.

Outro município que teve importante papel na independência foi Saubara, pois sua localização representava entreposto para o Rio Paraguaçu e proteção de outras localidades. Vlademir Pinheiro, diretor da Fundação Pedro Calmon, enfatiza a participação feminina ao citar o movimento “As Caretas do Mingau”.

Eram mulheres de religião de matriz africana se fantasiavam para assustar os portugueses católicos e, assim, levar mingau para as tropas que se escondiam na mata. Dentro da história da independência, muita coisa foi resgatada através da oralidade do povo, como foi o caso de Felipa, de Itaparica, considerada uma das heroínas nas batalhas.

A Ilha de Itaparica teve também papel decisivo nos confrontos, interrompendo o abastecimento de tropas de Portugal – segundo Alan Rodrigues.  Outra cidade de destaque nas lutas foi Caetité, aqui em nossa região sudoeste, que aderiu, em 15 de agosto de 1822, a proposição do Brasil ter um único poder central executivo.

Caetité mobilizou o sertão baiano, com apoio financeiro, homens, armamentos e mantimentos para Cachoeira, sede do governo provisório. Os combatentes desta cidade ainda expulsaram os portugueses remanescentes após a vitória através de lutas travadas pelo grupo chamado “mata-marotos.

Embora o Dois de Julho seja tombado como bem imaterial da Bahia, em tese ficou resumido ao cortejo de Salvador. A diretora do IPAC, Luciana, vai entregar um projeto de revalidação do cortejo através de um edital para recebimento de propostas de inventário (Lei Paulo Gustavo), para levantamento de acontecimentos e personagens que fizeram parte das lutas.

De acordo com informações, cada município vai ganhar um busto que simbolize a passagem do Dois de Julho. Luciana cita a luta dos abolicionistas, a participação de Caetité e Vera Cruz. O projeto visa incluir todos baianos na luta de resistência e organização cívica, política e popular.

 

OS INIMIGOS DO POVO LEGISLAM A IMORALIDADE EM CAUSA PRÓPRIA

Além de se acharem intocáveis para cometer qualquer crime com a imunidade parlamentar, o Congresso Nacional não para de abusar da nossa paciência e nos tripudiar com suas leis imorais em defesa unicamente de seus interesses. Sem o menor respeito ao povo, e com o maior cinismo, esses parlamentares legislam em causa própria. Um dia a casa cai.

Como se não bastasse, agora mesmo, em votação relâmpago, a Câmara votou a lei da carteirada e quer punir com cadeia quem praticar a discriminação de políticos. Enquanto isso, a turma do mal suprime os direitos individuais e ninguém faz projeto para acabar com o desemprego, com a fome, a miséria no Brasil e a falta de punição.

Após quase um mês de a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal ter anulado a condenação do ex-deputado ladrão Eduardo Cunha, a Câmara aprovou um projeto histórico vergonhoso. Com rápida tramitação, passou por 252 votos contra 163, um projeto de Dani Cunha (União Brasil – RJ), filha do doutor Eduardo onde criminaliza práticas que venham a ser consideradas discriminatórias da atividade pública e a medida estende-se aos seus familiares.

Entre outras blindagens dos intocáveis inimigos do povo, os bancos não podem negar crédito a algumas pessoas de qualquer um dos três poderes porque elas têm atividade pública. Entre outras imoralidades esdrúxulas, o nojento projeto blinda cerca de 10 mil pessoas, parlamentares, magistrados, procuradores e dirigentes de partidos políticos e seus familiares.

Nessa hora, meu amigo eleitor do voto de cabresto e vendido por favores, direita, centro e gente das esquerdas se unem em causa própria, e que se dane a população. Para nos debochar por completo, ainda aparecem aqueles caras parlamentando da tribuna de que tudo está sendo feito pelo bem do Brasil.

As castas brasileiras da nossa frágil democracia cada vez mais se protegem e se fortalecem, enquanto os súditos e vassalos do rei ou dos reis, rainhas e príncipes são esmagados como farelos na máquina de triturar humanos. O projeto inconstitucional institucionaliza mais ainda a corrupção e protege os milhões de laranjas.

No século XIX (1826/27, 1831 e 1850), o parlamento brasileiro com sua aristocracia, procurava travar a aplicação de leis que proibiam o tráfico ilegal de escravos africanos e ainda dava guarida aos negociantes contrabandistas, como ainda ocorre nos tempos atuais.

Em pleno século XXI, essa Câmara imoral está a criar uma categoria especial de cidadãos com base em suas atividades ou malfeitos. As outras leis de proteção dos negros, dos menores, do consumidor e idosos são todas genéricas e desrespeitadas. Se o projeto passar pelo Senado, os 10 mil formarão uma máfia, uma gangue ou quadrilha organizada.

Somente cinco partidos votaram em bloco contra o projeto (PSOL, PC do B, Cidadania, Novo e Rede), somando 16 votos. Teve até gente do PT, como José Guimarães e Rui Falcão que votaram a favor. Também do PSDB, o senhor corrupto Aécio Neves se juntou a eles.  Para contrariar, Bia Kicis, do PL, votou contra. Nesse saco de farinha ou nesse caldeirão de feijoada, tem de tudo a gosto do freguês.





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