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:: ‘Notícias’

RISCO DE PERDER UM SITE CULTURAL?

Quando digo que nossa cultura anda cambaleando ou trôpega das pernas, dizem que sou exagerado e alarmista.  Confesso que fiquei chocado com uma mensagem encaminhada e postada pelo nosso companheiro de colegiado Armênio Santos em nosso grupo do Conselho Municipal de Cultura de Vitória da Conquista.

Na verdade, a mensagem é como um apelo de socorro e diz, “caros amigos, estamos sob risco de perder um importante site de consulta cultural absolutamente grátis, por pura falta de uso”. De primeira, até imaginei que se tratava de mais uma fake news, mas não é nada disso. É mais uma prova cabal do efeito pernicioso das redes sociais de fofocas que destilam ódio e intolerância.

Prosseguindo, a mensagem pede que, se acharem interessante, reencaminhem o material a quantos puderem, por favor. “A população (que população?) precisa saber da existência de tão importante instrumento de promoção de cultura.

Uma bela biblioteca digital, desenvolvida em software livre, está prestes a ser desativada por falta de acessos. Imaginem, um lugar onde podemos, gratuitamente, ver as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci; escutar músicas em MP3 de alta qualidade; ler poesia de Fernando Pessoa; obras de Machado de Assis ou a Divina Comédia; ter acesso às melhores histórias infantis e vídeos da TV Escola”.

Esse lugar, meus amigos e camaradas, existe! Trata-se do Ministério da Educação que disponibiliza tudo isso, bastando acessar o site www. dominiopublico. gov.br Só de literatura portuguesa são 732 obras. O alerta é de que estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar ou deletar o projeto por desuso, já que o número de usuários é muito pequeno.

“Vamos tentar reverter essa situação, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da nossa cultura e do gosto pela leitura”. É meu amigo, Armênio, sem querer ser espírito de porco e negativista, está difícil reverter essa situação, tão triste e melancólica.

A começar pelos nossos jovens da atualidade, poucos hoje têm interesse pela cultura e, o nosso ensino, que há anos vem se arrastando como deficitário, tem grande culpa nisso. Quando leio esse tipo de coisa vem à minha cabeça os anos 60 e 70 que, mesmo em plena ditadura, a leitura e a pesquisa (não existia internet) eram práticas corriqueiras na vida. Cada um tinha seu escritor ou autor predileto.

A nossa humanidade está em decadência e as pessoas acham que o saber e o conhecimento não têm mais valor. O que conta é só fazer um curso técnico de especialização para ganhar dinheiro no mercado. É essa a nua e crua realidade. Temos hoje um povo sem história e memória, principalmente no Brasil, que copia e imita tudo aquilo que vem do mundo ocidental capitalista.

ESCRITORES SE REÚNEM PARA DISCUTIR CONSELHO E ASSOCIAÇÃO

A nossa cultura brasileira tem uma longa história de altas e baixas, de grandes criações reveladoras de nomes e de escassas produções de relevância. Desde a República, no início do século XX até a década de 20 (Semana de Arte Moderna), foi a época pródiga e de ouro nas artes de um modo geral.

Depois veio a ditadura de Vargas e se proibiu pensar porque era perigoso para o poder vigente. Dos anos 50 até os 60 experimentamos uma etapa de efervescência das linguagens artísticas e logo depois outro regime ditatorial de obscurantismo, trevas e censuras. Tudo era subversivo e comunismo, mas, mesmo assim, tivemos a ousadia de criar e enfrentar os generais, com centenas de prisões, torturas, mortes e desaparecidos.

Veio a redemocratização a partir dos anos 90 e, de lá para cá, por incrível que pareça, a nossa cultura foi se definhando em termos de conteúdo e piorou no último governo do capitão-presidente que cortou até o Ministério da Cultura da lista. A evolução tecnológica da internet e a invenção das redes sociais no celular também influenciaram negativamente. Agora estamos vendo uma luz no final do túnel.

Todo esse bolodoro e “nariz de cera” é somente para dizer que a arte literária também está inserida nesse contexto e Vitória da Conquista não fica de fora desses percalços e ascensões. Quanto a nossa aldeia, no quesito da literatura, como há anos, estou vendo um grupo de escritores juntando forças para se organizar, mostrar seus trabalhos e obras e sair desse individualismo, uma característica local que o nosso poeta Paulo Henrique chama sempre a atenção.

Por ideia do nosso escritor e professor Nélio, que está lá fisicamente no interior de São Paulo (São Carlos), mas espiritualmente aqui conosco, formamos um grupo no ZAP onde trocamos ideias e apresentamos nossas produções. Criou-se o Foro Literário Sertão da Ressaca e já realizamos duas reuniões virtuais nas quais debatemos diversos assuntos, como a de segunda-feira (dia 28/08) onde se discutiu um nome para ocupar uma cadeira no próximo Conselho Municipal de Cultura e a possível formação de uma Associação de Escritores Conquistenses-AECO (sigla sugestão).

Também foi sugerido a montagem de um mosaico com as pessoas para ser divulgado no Foro Literário e já foi publicado com o título: “Quem são e o que querem as escritoras e escritores conquistenses”? Falamos ainda de um nome para o grupo recém constituído que identifique com nossa terra. Está em andamento a publicação de uma coletânea de escritores locais.

Estou vendo tudo isso como muito positivo e renovador de esperanças para a nossa literatura depois de 32 anos morando em Conquista como jornalista e escritor. Temos muitos talentos adormecidos por falta de oportunidades que precisam ser revelados e apoiados.

Não adianta ficar aqui só pensando na ação do poder público porque este tem destina poucas reservas no orçamento para a nossa cultura, sem falar na área privada que mais visa o lucro. Infelizmente, não temos mais mecenas como antigamente. Precisamos, sim, mostrar a nossa cara e dizer que existimos e olhem para nós.

Creio que mais gente (seja bem-vindo professor Dirley Bonfim) deve se juntar a nós nessa luta para fortalecer a cultura de Conquista e, especialmente, a cena literária, uma das linguagens mais esquecidas (a chamada prima pobre) nos últimos tempos, embora esteja sendo encorajada a partir das feiras literárias nos municípios.

Habemos um coletivo que está se movimentando e quer ter voz e deixar seu legado para a sociedade como personagem viva da nossa cultura, uma das linguagens mais importante para as outras. As ideias estão brotando e, na reunião de ontem, decidimos por apresentar um nome para o Conselho de Cultura e já marcamos uma outra reunião presencial para o próximo dia 10 de setembro, véspera da Conferência Municipal de Cultura entre os dias 11 e 12, no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima.

Quanto a Associação está sendo maturada aos poucos, apesar de alguns pontos de divergência se ela deve ou não existir, mas considero fundamental para unir mais o grupo e servir de elo de ajuda na produção, divulgação e distribuição das obras. Diz o ditado popular que uma andorinha só não faz verão. A proposta está levantada para um consenso ou não da fundação da entidade.

No encontro de ontem foram cerca de três horas de discussões (acho cansativo e demorado), mas foram produtivas e cada um externou sua opinião democraticamente. Nela estiveram presentes Nélio Silva, Afonso Silvestre, Juliana Brito, Leon Lacerda, Chirlis Oliveira, Fernanda Silva de Moraes, Luís Altério, Lídia Cunha, Paulo Henrique Medrado e Jeremias Macário.

Outros estão chegando para se juntar à nossa turma de “rebeldes” que têm a ousadia de colocar a cara a tapa para serem lidos e escutados. Vitória da Conquista tem um celeiro valioso deles que precisam ser conhecidos. Não vamos ficar somente no Conselho e na Associação. Temos outras proposições para revolucionar as artes e logo vão ser anunciadas.

FOLCLORE BRASILEIRO DOMINOU AS DISCUSSÕES DO SARAU A ESTRADA

Como em todos os outros, o nosso Sarau a Estrada, que está completando treze anos de atividades, teve a honra de receber gente nova que conheceu nosso Espaço Cultural, na rua G, 296, Bairro Jardim Guanabara ou Filipinas como alguns denominam. Dessa vez foram escritores conquistenses que deram suas contribuições com suas histórias de vida e declamações de poemas.

Dentro do nosso formato estabelecemos um tema para os debates como abertura dos trabalhos. Desta vez, o “Folclore Brasileiro” dominou as discussões do evento, realizado na noite do último sábado (dia 26/08). Na ocasião, os componentes do Sarau comemoraram o aniversário de Vandilza Silva Gonçalves, a anfitriã da casa com direito a bolo, salgadinhos e refrigerantes.

Pelo seu tempo de existência e história, foi proposto a realização de um documentário sobre o Sarau a Estrada, aceita por todos devido a sua importância ao longo desses anos em Vitória da Conquista. O documentário será uma peça de registro da história do Sarau, com depoimentos de seus participantes e fundadores.

O professor Itamar Aguiar foi o palestrante do assunto quando fez uma explanação geral sobre o folclore brasileiro, suas origens, história, sua importância cultural e seus encantamentos, com citações dos escritores Câmara Cascudo e Afrânio Peixoto, principalmente.

Os personagens com suas respectivas representações estão no imaginário de cada povo e fazem parte dos nossos sentimentos e até do nosso sentido existencial como nação. Na verdade, como assinalou o professor, o folclore surgiu da inteligência popular e se disseminou no intelecto das pessoas.

Ao final da palestra houve várias pontuações, como a observação de que muita coisa folclórica foi incorporada à história da independência da Bahia no Brasil e que é preciso separar o que foi real do que foi criado como ficção pela oralidade popular. Muitos pontos e passagens, inclusive, são hoje questionados por historiadores.

Outro ponto discutido foi a influência de outras culturas estrangeiras no nosso imaginário nacional, como a cultuação e celebração dos super-heróis norte-americanos, como o super-homem, mulher aranha, homem aranha, batman, dentre outros, que são substituídos nas escolas e festas pelos nossos personagens brasileiros. Essa é uma grande falha do nosso ensino que termina refletindo em nossos jovens que hoje estão bem mais voltados para os avanços tecnológicos da internet e das redes sociais.

Logo após os debates houve rodas de causos, declamação de poemas e cantorias de Manu Di Souza, nosso amigo Baducha, Marta Moreno, Dorinho Chaves e outros artistas músicos que nos brindaram com várias canções autorais e da MPB. Rolou também o bate papo informal sobre diversos assuntos acompanhados do vinho, de umas geladas e tira-gostos, que ninguém é de ferro.

Estiveram ainda presentes Juliana Brito e seu esposo Josué B. Santana (nossos visitantes pela primeira vez), escritora Chirlis Santos, do escritor Leon Lacerda, Aragão, Edna Brito e sua filha Geovana, Cleide e sua filha Maria Luiza, Regina Chaves, Aurélio, Karine Almeida, Consa, Francisco, do escritor e poeta Luís Altério com sua esposa professora Lídia, do influenciador Igor, José Carlos D´Almeida, além dos anfitriões Jeremias Macário e Vandilza Gonçalves que a todos receberam com toda dedicação de boas-vindas.

Só podemos dizer que foi mais uma noite cultural memorável onde houve a troca de ideias, saber e conhecimento onde cada um ensina alguma coisa e também sai aprendendo. Nem é preciso citar, como sempre ocorre, que o evento varou a madrugada e serviu para fortalecer mais ainda nosso grupo e nossos laços de amizade.

O PASSADO NÃO PASSA

Hoje acordei triste e calado, como na canção do nosso grande poeta baiano Raul Seixas. “Por que sou tão calado”? Talvez tenha sido um sonho de pesadelo ou a velhice que impiedosa bate em nossa porta para anunciar que está chegando ao fim da jornada.

Pode ser poético ou filosófico pensar nisso. Os sentimentos afloram e é difícil se livrar deles. Fazem parte da vida e da morte. Tem as criaturas caladas e aquelas que procuram disfarçar e afugentar seus fantasmas com sorrisos em seus rostos. Cada um tem suas razões de ser e não adianta julgar e tentar compreender os motivos.

O texto começa com uma cara de morbidez, tipo trapo farrapo, mas não levo jeito para esconder a fluidez do sentido. O velho Cícero, com toda sua sabedoria popular e acadêmica, quando quer sepultar todo seu passado, filosofa que o passado é passado que não deve ser remexido do seu lugar, mas ele também tem consciência de que o passado nunca passa.

Não se pode livrar dessa amarra e até diria que o passado é onde o tempo para, para contrariar Cazuza quando canta que o tempo não para. Você já parrou para matutar sobre isso? As coisas que você já fez, o que deixou de não realizar por covardia ou falta de coragem para enfrentar os desafios, o grande amor da sua mocidade que perdeu, os erros que cometeu e que não mais os repetiria e o cavalo que passou selado e você não aproveitou, tudo está lá em seu baú empoeirado.

Por mais que se esforce, você nunca vai enterrar o passado. Ele, em certos momentos, vem à tona. Eu me lembro de muitas coisas desde criança, boas e ruins, que marcaram minha vida. Meu pai que me deu uma surra! Não dá para passar uma borracha e simplesmente dizer acabou, mesmo com anos e anos de análise psiquiátrica. Não acredito em divã. Dá para “superar” uns e outros não.

O passado não passa, meu velho amigo Cícero. Na vida, a gente magoa muitas pessoas e também é magoado. São perdões que não foram perdoados. Dizem que o que aqui se faz, aqui se paga. Esses barris que se afundaram na areia movediça da vida, eles emergem e voltam a boiar na superfície, quando menos se espera.

Tem dia bom e dia de cão onde quase nada dá certo. O espírito nem sempre está preparado, sintonizado e afiado ao ponto de acertar em todos os alvos. Somos imperfeitos. Existem as fases e as crises existenciais, de sentido e não sentido da vida. Não precisa ser cristão ou não, ateu ou acreditar em Deus. Tudo vai ficando no passado que nunca deixa de passar.

Um filósofo pensador, de muitos anos de lutas e embates, de teorias e práticas, uma vez me disse que só existem o passado e o futuro, e que o presente não passa de uma mera ilusão. Você nunca toma banho duas vezes no mesmo rio corrente. Tudo que aqui escrevi já se tornou passado. Quando você finaliza um texto, um poema, uma música ou um livro, imediatamente tornam-se passados.

Os segundos, os minutos, as horas, o dia, o mês e o ano giram na roda do tempo e viram passado, quando você acha que ainda está no presente. O sol nasce e vai construindo o seu passado. Ele passa a bola para a noite fazer a virada do amanhã. O ontem já é um fantasma do passado que vai sempre nos atormentar ou nos encher de felicidade.

O SISTEMA FINANCEIRO DONO DO METAL VIL É O MAIOR CARRASCO DO BRASIL

Entra governo e sai governo, principalmente os de esquerda, mas ninguém tasca na ganância e na avareza absurdas do sistema financeiro brasileiro que massacra os mais pobres com seus juros escorchantes e escandalosos como os mais altos do mundo capitalista.

Para não dizer outras palavras, esse sistema é criminoso e conta com o aval dos governantes e políticos, inclusive dos que se arvoram ser socialistas. O maior endividamento das famílias é culpa dos banqueiros, operadoras de cartões de crédito e financeiras que praticam a brutal agiotagem oficial, carimbada pelos poderes da República. Eles não têm nenhuma moral de condenar os agiotas clandestinos.

Esse desenrola que criaram agora para tapear os otários não passa de uma enrola, um tipo de estelionato 171, aplicado na população que depois de uma conversa de “negociação”, o indivíduo sai todo contente, não sabendo que continua encalacrado, seja através do parcelamento das prestações ou com um pouco da redução dos juros estratosféricos.

Por questões pessoais que aqui não veem ao caso, esqueci de pagar duas parcelas do meu cartão de crédito – e olha que sou um cliente correto e em dia com minhas obrigações – coisa na faixa média de 200 reais por mês. Quando descobri já estava no valor de quase R$1.600,00. Um tremendo susto!

Fui ao banco para “negociar” como se diz no popular. A atendente me deu duas opções terríveis, mas fui obrigado a escolher uma, a de parcelar o valor total em oito vezes e durante esse tempo não usar o cartão de crédito. Continuei enforcado, com a corda apertada no pescoço. Ainda comentei que o sistema é bruto. Claro que não sai de lá nada aliviado e alegre.

Estou apenas citando o meu exemplo, que serve para tantos outros. Cai na real, meu amigo camarada, porque o sistema financeiro não perde absolutamente nada com esses tais desenrolas de araque! Para os ricos do agronegócio e outros setores empresariais, a taxa é menor por causa das garantias dadas. Para o pobre da classe média (nem existe mais), a cobrança é outra bem maior, a chamada taxa de risco. Quando uns não pagam, os outros fiéis cobrem o suposto prejuízo. Portanto, não existem perdas.

De três em três meses, esses bancos principais, inclusive os públicos, como Itaú Unibanco, Santander, Bradesco, BMG, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal sempre apresentam lucros de bilhões em seus balancetes, com índices de aumentos em relação aos períodos anteriores. É o setor da economia que tem mais ganhos no Brasil. São uns verdadeiros vampiros que sugam todo sangue dessas almas penadas.

Para se ter uma ideia, se houvesse uma anistia total para todos os mortais aposentados e pensionistas dos créditos consignados, dos pessoais, dos microempresários e outras pequenas formas de tomar dinheiro emprestado desses bancos e financeiras no país, nem assim eles entrariam em falência, porque são séculos de exploração e “roubo”.

Desde o império eles já encheram as burras de dinheiro e se tornaram megas estruturas financeiras que contam com a proteção dos governos, eleitos pelos mesmos magnatas. Para completar, ainda temos o absurdo dos absurdos: Quando algum banco entra em falência por corrupção praticada lá dentro dos confortáveis gabinetes, o governo federal ainda entra com o socorro, com o dinheiro do contribuinte.

Além disso, ainda existem os famosos calotes quando muitos clientes perdem seus parcos investimentos ou têm que esperar por um bom tempo para receber sua grana parcelada, sem as devidas correções monetárias. Muitos são obrigados a entrar na Justiça e morrem sem receber o que lhe é devido.

A CORRIDA FRENÉTICA POR SEGUIDORES

Não sei explicar essa relação maluca, sem lógica, que bate no meu subconsciente ou mesmo consciente (Freud explica), mas todas as vezes que essa parte fútil da mídia fala em milhões de seguidores virtuais de algum “famoso ou famosa”, que fala um monte de besteiras na internet, me faz lembrar de Jesus Cristo no deserto da Palestina com seus doze apóstolos como seus fiéis seguidores escudeiros, só que Ele disseminava a verdade.

Mesmo assim, um lhe traiu e o outro lhe negou três vezes. Esse blablabá me faz recordar também dos antigos filósofos gregos Sócrates, Aristóteles, Platão e outros que há 400 anos a. C. tinham seus alunos seguidores que escutavam atentamente seus ensinamentos. Hoje são milhões de invisíveis e volúveis alienados que podem ser conduzidos para qualquer lugar.

Além de seus discípulos, Cristo atraia multidões, para aquela época, para ouvir suas pregações, como o Sermão da Montanha, que depois se dispersavam, cada um para cuidar de seus afazeres. Já imaginou Pedro e os outros assessores num esforço danado tentando arrebanhar mais seguidores para o mestre, e o cara dizendo, não dá porque tenho muito trabalho para fazer. A mulher e os filhos me esperam em casa. Peçam perdão ao Senhor.

Mesmo com as divisões na Igreja Católica Apostólica Romana, devido aos seus monstruosos pecados, Cristo continua com seus milhões ou bilhões de seguidores pelo mundo, se bem que uma grande parte é falsa e traidora, deturpa suas palavras e quando pode passa a rasteira no outro pelo vil metal. Outros são até bandidos, marginais corruptos e usam o Seu Nome em vão.

Entremos no túnel do tempo e avancemos dois mil anos depois em plena era da tecnologia da internet, da corrida frenética do ouro por seguidores, agora de forma virtual. Atrás de uma tela de computador, tablete ou celular, a chamada “celebridade” dá suas dicas de comportamento, inventa suas piadas sem graça, faz palhaçadas, goza com idosos, gays, faz o politicamente correto e incorreto, canta seus lixos e se vira como pode para viralizar e aumentar seus seguidores, muitos dos quais através dos chamados torpedos.

A disputa, meu amigo e amiga, é acirrada! Qualquer coisa é válida para derrubar o adversário. A “máquina registradora” acelera e vai contando os números de cliques ou curtidas nos sininhos. Não existe ética para ultrapassar os milhões. A mídia anuncia que fulano ou fulana já tem cinco, dez, vinte, cinquenta ou até cem milhões de seguidores.

E eu aqui sou um lascado inútil e fracassado que não usa nem 10% da minha inteligência para conseguir um mero seguidor, nem minha mulher, filhos, sobrinhos e primos que discordam da maioria das minhas ideias e pensamentos. Será que existe algum amigo meu seguidor que eu nem saiba? Pelo menos já daria para fazer um protestozinho.

Até me xingam de que tenho obsessão compulsiva e transtorno mental em querer ser o dono da verdade. Sou um merda! Eles têm o poder do “convencimento” com suas lábias. Gira a roleta e façam suas clicadas! Só me resta ficar aqui em meu canto solitário, lendo e escrevendo, esperando a dita cuja bater em minha porta. Não sou mesmo um sujeito eleito e digno dessa “felicidade”!

Pronto, o céu não tem limites! Fico a imaginar esses milhões de seguidores no mundo real, todas atrás desses caras, também chamados de influenciadores ou influenciadoras – antigamente o jornalista era classificado como formador de opinião – gritando palavras de ordem para fazer uma revolução político-social, mas eles são imaginários e não vão estar lá.

Com tantos milhões de virtuais, por que o dono ou a dona desses rebanhos não experimenta se candidatar a deputado federal, senador e até presidente da República? Será que todos seguiriam ou apenas meia dúzia de fanáticos arriscaria dar seu voto? Daria para confiar neles?

Mais uma vez fico a matutar com meus botões que esses “artistas passageiros” são perigosos e podem levar uma multidão até ao suicídio, como fez o pastor Jim Jones em sua comunidade na selva. Podem derrubar governo e marchar contra Brasília. A agência de inteligência, a tal Abin, tem que ficar de olho nessa gente. A coisa é série, meu companheiro e camarada! A floresta é selvagem de animais ferozes.

– Eu tenho cinco milhões de seguidores. – Ultrapassei os dez milhões – grita de lá o concorrente. – Ah, meus admiradores são mais de setenta milhões! – Loucura, atingi os 100 milhões – fala o bambambã da arte da sedução. Tudo é válido nessa corrida do ouro, ou do tesouro escondido nas íngremes montanhas ou cavernas misteriosas cheias de perigos e monstros.

Vence quem for o melhor Indiana Jones do filme dos ianques. Aliás, são eles os inventores dos tais seguidores, influenciadores virtuais (virtual influencier), dos podcast. Nome bonito e charmoso! Temos que seguir seus passos, mesmo que seja tão somente para imitar, como os papagaios de piratas.

FORMIGA RESISTE EM PERDER AS ASAS

Carlos González – jornalista

Ninguém com bom senso, mesmo aqueles que se mostram ausentes do universo esportivo, vai desconhecer o papel da alagoana Marta no aperfeiçoamento e promoção do futebol feminino neste planeta, traduzido no justo reconhecimento da FIFA, homenageando-a com o título de “Melhor do Mundo” em seis edições do ambicionado prêmio. Mas, aproveitando este raro momento em que a imprensa abre espaço para o Campeonato Mundial que está sendo disputado na Austrália e Nova Zelândia, peço os aplausos das arquibancadas para uma outra mulher nordestina, a baiana Formiga.

Nascida Miraíldes Maciel Mota, em 3 de março de 1978, Formiga chegou a conclusão, aos 12 anos,  que a bola lhe dava mais prazer do que brincar com as bonecas. Três anos depois deixou Salvador e os estudos para vestir a camisa do São Paulo, seu clube de coração. Iniciava no Tricolor paulista uma longa carreira no futebol, que só terminou no ano passado, com 44 anos, atuando no mesmo time onde começou.

Entre essas duas passagens pelo São Paulo, Formiga jogou por 19 clubes, no Brasil, Suécia e Estados Unidos, onde não ganhou tanta projeção. A camisa que caiu bem em seu corpo franzino foi a amarelinha da Seleção Brasileira, que  vestiu 151 vezes, um recorde que era do lateral direito Cafu. Entre 1995 e 2020, a baiana colecionou outros recordes: sete participações em Mundiais e sete em Jogos Olímpicos, além de Pan-Americanos e Sul-Americanos.

O futebol não deu a Formiga a tão desejada independência financeira, talvez pelo fato de não ter permanecido por mais tempo no exterior ou de nunca ter sido relacionada para receber o Prêmio FIFA, ao contrário de Marta que soube aproveitar os períodos passados na Suécia e Estados Unidos. A craque adquiriu há dois meses uma mansão em Orlando (Flórida, EUA) por R$ 8,5 mi, onde vai morar com Carrie Lawrence, sua namorada e companheira no time do Orlando Pride.

Nas conversas sobre futebol, Formiga revela que sua equipe inesquecível foi a Seleção que venceu o Pan de 2007 no Rio de Janeiro, derrotando na final as favoritas norte-americanas, campeãs mundiais, diante de um público de 70 mil pessoas. Ao seu lado estavam as companheiras Marta e Cristiana.

“A partir daquele jogo com o Maracanã lotado o Brasil passou a enxergar o futebol feminino. Vencemos os seis jogos sem tomar um gol e marcamos 33, sendo 5 contra as americanas. Naquele mesmo ano fomos vice-campeãs mundiais, atrás da Alemanha.- recorda Formiga, que se orgulha de ter formado o trio que revolucionou o futebol feminino no país, ao lado de Marta e Cristiana.

Imortalizada no Museu do Futebol, ocupando junto com Marta a Sala Anjos Barrocos, onde só havia jogadores homens, e homenageada pelo cartunista Maurício de Sousa como personagem da Turma da Mônica, Formiga sonhava com uma convocação para a Copa do Mundo da Oceania, para ter uma despedida meritória, como a que foi proporcionada a Marta. Seu objetivo é permanecer no futebol como técnica ou gestora. No momento, a ex-jogadora está comentando o Mundial para o Grupo Globo.

Não vai haver mais Marta, Formiga e Cristiane. Este trio se dedicou cem por cento, deu sangue, deu alma, deu coração, e formou uma base para as meninas que estão chegando hoje – ressaltou Formiga, aproveitando para mandar um recado às suas sucessoras na equipe nacional, que estavam se preparando na Austrália para a estreia na Copa: “O futebol está passando por um processo onde não há mais uma grande distância entre os países”.

Eliminação precoce

Depois de exatos 30 dias de adaptação na Austrália, a Seleção Brasileira foi uma das primeiras “surpresas” do Mundial, ao cair na fase de grupos diante da modesta Jamaica, cujas jogadoras tiveram que fazer uma “vaquinha” para pagar as despesas de viagem. Outras equipes favoritas à conquista do título também ficaram pelo caminho, inclusive as quatro campeãs do mundo: Estados Unidos (quatro vezes), Alemanha (duas), Japão e Noruega (uma vez cada).

“O choro de hoje pode se transformar num sorriso daqui a um ano nas Olimpíadas de Paris”. Palavras de consolo da experiente Marta, que esteve em campo durante quase toda a partida contra a Jamaica, empenhando-se pela vitória que alimentaria o sonho da conquista de um troféu que vai continuar faltando em sua carreira.

Ao contrário dos mundiais anteriores que passaram despercebidos da maioria dos brasileiros, a nona edição do torneio foi muito badalada pela imprensa, especialmente pela Rede Globo, que tirou o torcedor da cama mais cedo para assistir aos jogos, transferindo para o povão, carente de prazeres, uma dose exagerada de otimismo.

Nos bairros pobres, ruas foram ornamentadas de bandeirola; moradores se cotizaram para que fosse servido um reforçado café da manhã; a batucada acordou aqueles que insistiam em ficar na cama; folgas no trabalho e ponto facultativo nas repartições públicas e estudantes fora das escolas. Não importava se as partidas iniciavam às 4 horas da madrugada ou às 7 da manhã .Esse excesso de confiança atravessou mares e montanhas e chegou à longínqua Oceania, mexendo com o psique das nossas meninas, que sentiram nos ombros o peso da carga de responsabilidade. A Pátria voltou a calçar chuteiras, diria, se fosse vivo, o jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues, autor da célebre frase: “O futebol é o ópio do povo”.

Como sempre ocorre após as derrotas “inesperadas” da Seleção foi aberta a caça ao culpado ou culpados. As “armas” foram inicialmente apontadas para a técnica, a sueca Pia Sundhage, que viajou o mais rápido possível para o seu país, acompanhada das três assistentes, de onde mandou um bilhete para Ednaldo Rodrigues, presidente da CBF, pedindo para continuar à frente da Seleção feminina até os Jogos Olímpicos do próximo ano.

UOutro alvo das críticas de parte da imprensa esportiva do Rio e São Paulo, preconceituosa com relação ao nordestino, foi o Ednaldo Rodrigues. Eleito em março de 2022 para a presidência da CBF, o Nadinho dos babas de Vitória da Conquista, não “caiu nas graças” dos que viviam bajulando os ex-dirigentes, julgados e condenados por atos ilícitos. O conquistense, que chegou ao cargo de maior projeção no futebol brasileiro, foi desaprovado ´pela demora em escolher o substituto de Tite no comando do time masculino. Certas matérias dos jornais revelam nas entrelinhas o rótulo de “pé frio” dado a Ednaldo Rodrigues, ressaltando que sob sua gestão seleções nacionais perderam os Mundiais do Qatar, da Austrália-Nova Zelândia e o Sub-20 na Argentina.

A CBF ainda não tomou uma decisão sobre o futebol feminino. Após a eliminação do Mundial, Ednaldo prometeu maiores investimentos. Por sugestão da ministra dos Esportes, Vera Moser, o Brasil é candidato a promover a próxima Copa do Mundo, em 2027.  A FIFA escolherá o local ainda este ano.

 

 

E OS NOSSOS OUTROS APAGÕES?

NO VENTRE DA BARRIGA DA MÃE SE VIVE UM APAGÃO DE NOVE MESES. DEPOIS HABEMOS LUZ. UNS CONTINUAM SENDO ILUMINADOS E ILUMINANDO OS SERES POR ONDE PASSAM. OUTROS, INFELIZMENTE, PERMANECEM APAGADOS E PASSAM A VIDA SEM SER VIVIDA. NEM SÃO NOTADOS.

O apagão elétrico dos nossos tempos tecnológicos da era da informática e da inteligência artificial nos deixa desesperados, angustiados e ainda mais estressados. É a internet que não funciona, o metrô que para, o trânsito que fica louco sem os semáforos, os doentes que correm risco de vida nos hospitais, os alimentos que se deterioram nos frízeres; perdem-se bilhões nos negócios e até a violência com mortes aumenta nas grandes cidades. Os bandidos aproveitam para cometer suas atrocidades.

Quando era menino na pequena cidade de Piritiba, lembro do velho gerador a diesel que só funcionava das 18 às 22 horas, como se marcasse a hora de se recolher para dormir. A molecada não ligava e fica na rua de terra. No Império até a República eram os lampiões e, quando chegou a eletricidade, esta ainda era bem precária. Os apagões de hoje nos fazem retornar aos tempos antigos do fifó, das velas, das lenhas e de outros meios naturais.

O corte da energia nos deixa atordoados e paralisados, mesmo que seja em plena luz do dia, e nem valorizamos mais o nosso rei Sol que brilha nossos caminhos. Deixamos de louvar e abençoar o sobrenatural, o divino. Nos tornamos ingratos e cuspimos no prato que comemos.

Esquecemos, no entanto, que o nosso mundo atual vive outros apagões aos quais nem nos damos conta disso. Só nos importamos com o artificial físico que move nossos corpos gananciosos e competitivos. Para nós, o único alimento útil é somente aquele que entra pela boca. Estamos até desaprendendo a pronunciar corretamente as palavras.

Não paramos para pensar e refletir que os apagões espirituais dos tempos modernos são muito mais graves e são estes que estão levando os seres humanos ao desastre e à autodestruição. Não observamos, mas estamos vivendo no apagão da virtude, da paz, do amor, da tolerância, da preservação do meio ambiente, da perseverança, da bondade, da cordialidade, do respeito ao outro, da obediência aos pais, do bom viver, da valorização da vida, da amizade sincera, da cooperação e do perdão.

Vivemos no apagão das justiças e das igualdades sociais, de gênero e de cor, do saber e do conhecimento, da dignidade e dos direitos humanos, da liberdade e preferimos viver na escuridão da ignorância, da opressão, da ambição a todo custo, do consumismo sem trégua, do emporcalhar e desmatar a natureza, do errado que virou certo e do anormal que se tornou comum, do egoísmo e do individualismo.

Preferimos viver na escuridão da cegueira, da surdez e do silêncio, da indiferença para com os outros e nem notamos que dentro de nós falta luz porque apagamos ela como se não mais tivesse serventia. Acendemos a outra turva e sombria que nos consome, que nos torna mais brutos primitivos. Aos poucos estamos apagando a luz da razão.

O nosso mundo de hoje sofre do apagão humanitário, que mais interessa soltar foguetes aos ares do que cuidar dos bilhões que cá embaixo passam fome e miséria. Ao invés da limpeza do planeta, o mundo optou por soltar seus gases tóxicos que afetam o aquecimento global para até 50 graus. O negócio é elevar o PIB, fabricar mais armas e criar mais guerras.

O apagão energético progressista é temporário, polêmico e até conspiratório, mas existem os outros que fazemos questão de não os vês porque não queremos enxergá-los e estão dentro de nós, na escuridão das entranhas. As trevas internas do espírito são as piores e estas estão nos deixando mais desumanizados, numa sociedade mais cruel, mesmo com todas tecnologias nas palmas das mãos.

COM UMA ECONOMIA DESENVOLVIDA E AINDA CARENTE EM CULTURA E LAZER

Fotos de José Silva
Se não me engano, há quatro ou cinco anos (dois somente durante a pandemia da Covid-19), a Exposição Agropecuária de Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia com quase 400 mil habitantes, simplesmente deixou de existir no histórico e famoso Parque Theopompo de Almeida.

Hoje, uma enorme área, numa localização privilegiada da cidade, está subutilizada e somente abriga por ano o Festival de Inverno, ou shows musicais, evento promovido pela TV Bahia com sua filiada da TV Sudoeste. Existem algumas outras programações de menor porte que não são da Coopmac (Cooperativa Mista Agropecuária de Conquista.

Não dá para entender essa lacuna deixada pelos empresários responsáveis pelo equipamento, enquanto outros municípios da região, como Itapetinga, Jequié, Guanambi, Brumado e até nossa Belo Campo continuam a realizar suas exposições que são utilizadas na promoção de grandes negócios, sem falar no entretenimento e no lazer que proporcionam à nossa população em geral.

A Exposição Agropecuária de Conquista já recebeu vários ministros de Estado, como Allysson Paulinelli e presidentes da República, como João Goulart por volta de 1962 e viveu seu auge de prosperidade quando da introdução da cultura cafeeira em meados dos anos 70 e início da década de 80.

Lembro das memoráveis exposições com aquele parque superlotado com gente vinda de todas as partes da Bahia e do Brasil, além dos parques de diversão, leilões de gado e equinos, um grande número de animais e a Feira de Negócios e Cursos do Sebrae. Ali sempre foi local de encontro de amigos e famílias com suas crianças nos finais de semana.

Estou citando esse grandioso evento para dizer que Conquista é uma das cidades do Norte e Nordeste que mais se desenvolveu economicamente nos últimos anos e está no ranking do alto nível no setor de saneamento básico, bem como da educação, com destaques para várias universidades (estadual e federal), faculdades e na saúde no atendimento a tratamentos de alta complexidade.

No entanto, Conquista ainda deixa muito a desejar no quesito de cultura, entretenimento e lazer. Não estou aqui nem falando em turismo porque não temos muita coisa para mostrar pois não dispomos do suporte cultural para atrair os visitantes.

Sem contar alguns poucos locais e algumas raras atividades no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima, nos finais de semana os conquistenses e o visitante não tem muita opção, a não ser os bares e restaurantes que oferecem músicas ao vivo.

Não vou aqui me estender porque sobre esse assunto temos muito mais coisa para falar. Cada um que faça sua análise e apresente seus argumentos de contestações, ou mesmo acrescente mais fatos.  Volto a repetir, mais uma vez, que nossos equipamentos culturais permanecem fechados necessitando de urgentes reformas, sem apontar que nem temos uma feira literária em nosso calendário.

 

 

 

 

ESSA DIFÍCIL VIDA NOSSA DE CADA DIA!

De tanto ver tanta violência e crueldades, de tanto o homem destruir a natureza para mais consumir, de tanto ódio e intolerância, de tanta politicagem, de tantas catástrofes e tragédias pelo mundo num prenúncio do apocalipse, o ser humano vai perdendo a fé e a esperança de dias melhores, e a palavra otimismo vai ficando escassa em nosso dicionário.

O tempo parece passar cada vez mais rápido e temos que encarar essa difícil vida onde cada dia tem que se matar vários leões para sobreviver, principalmente os mais pobres, de menor poder aquisitivo, que têm que lidar com as contas a pagar e se virar para colocar o alimento na mesa. As desigualdades sociais são assombrosas e a concentração de renda só aumenta.

Apesar de todo esse quadro sombrio cheio de nuvens pesadas que nos rondam, a vida ainda vale a pena ser vida quando se busca a paz e o amor e se procura isolar a inveja, a maldade contra os outros e desejar bem ao mais próximo. Só assim podemos enfrentar essa vida difícil.

Quando olhamos ao nosso redor, não é nada fácil juntar forças para manter o ânimo e encarar as adversidades. As pessoas estão cada vez mais brutas e preferem usar seus instintos primitivos do que a razão. Não paramos para refletir que esse sistema que fica cada vez mais embrutecido fomos nós mesmos que o construímos com nosso individualismo, comodismo e falta de indignação contra as injustiças sociais.

Nos dias atuais, chegamos ao ponto onde só reagimos quando o mal nos atinge, quando alguém da nossa família é vítima de uma bala perdida ou quando nos é negado um atendimento médico e alguém do nosso convívio familiar vem a óbito.

Nos tornamos mais insensíveis diante de tantas notícias de extermínio, de atrocidades, massacres e gente que faz o errado e quase nada acontece por causa da impunidade. Vivemos numa sociedade dividida pelo racismo, pela xenofobia, pela homofobia e outras formas de separação, quando essas questões nem mais deveriam ser discutidas.  Depois de tantos anos ainda estamos longe do sonho sonhado de Martin Lutter King. Os movimentos, ao invés de nos unir e nos aproximar, eles nos distanciam.

 





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