(Chico Ribeiro Neto)

Costumo escrever com frases graúdas, mas hoje enveredei pelas miúdas. Isso é haikai? Difícil responder. Melhor consultar o poeta Carlos Verçosa, autor de belos haikais, como este:

“destino

se digo um a

desatino”

Na dúvida, resolvi enquadrar meus versos na categoria Vaikai (ou Vai que cai). Aqui vão eles:

Ele disse rumbora

Trancou a alma

E jogou a chave fora

XXX

Se Ana Rica deve 14 milhões

O que pensa Chico Pobre

Com os seus botões?

XXX

Fiz um relógio da casca do caranguejo

Pra marcar os minutos

Das horas que não te vejo

XXX

Não sabe que fim se deu

Foi lembrar

Mas esqueceu

XXX

De tão furibunda

A mulher mordeu

Sua própria bunda

XXX

Menino pintão

Transformou a galinha

Num avião

XXX

Calor retado

Dormir nu

Ventilador ligado

XXX

Se lenhou

O último gole de cerveja

O garçom levou

XXX

Deu a notícia de imediato

E correu logo depois

Para criar o fato

XXX

Vê TV o casal

E só conversa

No comercial

XXX

Sargento lê e ouve da mulher:

“O jornal tá de cabeça pra baixo”

“Polícia lê como quer”

XXX

Não tem porém

Me diga moço

O mar vai ou vem?

XXX

Coisa sozinha

Velho cata um arroz

No chão da cozinha

XXX

Velho em fila do mercado

Xinga os preços

E o velho do lado

XXX

E aí Serafim?

Na hora do chega

Ela não tava a fim

XXX

Na hora da dor

Come um Sonho de Valsa

Ou uma Serenata do Amor?

XXX

Aí ninguém chama

Desliga o celular

E bota embaixo da cama

XXX

Vendo coração usado

Maiores informações

Com a vizinha do lado

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)