abril 2026
D S T Q Q S S
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930  

:: ‘Notícias’

SARAU DEBATEU CULTURA LOCAL

Pelo seu nível como terceira maior cidade da Bahia com cerca de 400 mil habitantes, Vitória da Conquista ainda deixa muito a desejar em termos de política cultural, hoje restrita ao São João e a Festa de Natal. Precisamos de um plano municipal a ser aprovado pelo legislativo de forma que a cidade tenha outras atividades que contemplem todas as linguagens artísticas durante todo o ano.

Essas e outras questões foram debatidas na noite do último sábado (dia 28/10) pelo “Sarau A Estrada”, no Espaço Cultural que leva o mesmo nome. O evento teve como tema principal “A Cultura Local” com falas diversas sobre as origens e história da cidade, suas expressões culturais ao longo do tempo, religiosidade, personagens de destaque, evolução e outros pontos, inclusive com relação a data de aniversário de Conquista (9 de novembro a partir de 1840) que foi contestada por muitos.

Na verdade, Conquista tornou-se cidade emancipada politicamente através de decreto da República em 1º de junho de 1891com o nome de Cidade da Conquista, vindo depois a se chamar Vitória da Conquista, em 1943. A data de 9 de novembro de 1840 tem como ponto de partida a criação de um Conselho para dirigir a Vila da Victória (19/04/1840), só que a pequena população ainda era dependente juridicamente da comarca de Jacobina, depois de ter sido desmembrada de Caetité e Rio de Contas. Chegou até a um certo tempo estar ligada a Condeúba.

O jornalista e escritor Jeremias Macário fez um histórico sobre a fundação da vila pelos colonizadores João da Silva Guimarães e João Gonçalves da Costa depois de batalhas contra os índios imborés e mangoiós no meado e final do século XVIII quando aqui também estiveram na região os capuchinhos italianos fazendo suas primeiras catequeses religiosas.

Macário ainda pontuou a influência do jornalismo impresso na cultura da cidade, lembrando o seu começo a partir de 1910/11 com os jornais A Palavra e A Conquista, fundados por Braúlio de Assis Borges e José Desouza Dantas quando a cidade tinha apenas cinco mil habitantes. Naquela época, até as décadas de 60 e 70, os jornais eram feitos por literatos, com espaços reservados para a nossa cultura em geral. Foram citados ainda os jornais O Conquistanse (1916), A Palavra que tinha como um dos redatores o poeta e escritor Manuel Fernandes de Oliveira, o “Maneca Grosso”, o Avante, de Bruno Bacelar de Oliveira, em 1931, na época da ditadura Vargas, O Sertanejo (1962), de Pedro Lopes Ferraz, que chegou a apoiar o regime da ditadura civil-militar de 1964, e O Combate, do grande escritor e poeta Laudionor Brasil, de linha crítica contra o autoritarismo.

Nesse tempo existia um grupo que movimentava a cultura de Vitória da Conquista, como Camilo de Jesus Lima, Carlos Jheová, Traumaturgo, o próprio Laudionor,  Erastóstenes Menezes dentre outros. No período ditatorial nossa cultura foi amordaçada, mas uma coisa ficou clara nas discussões quanto ao papel do poder público municipal. O setor sempre foi tratado como coisa secundária e nunca se deu a devida atenção no sentido de elevar e apoiar as atividades culturais movidas pelos artistas locais.

Outro ponto de destaque foi a criação da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), em 1980, como núcleo de formação escolar em nível superior, expandindo o pensamento e o saber. O professor da Uesb, Itamar Aguiar, fez uma ampla explanação sobre a influência da religião em Vitória da Conquista, citando a chegada dos batistas, com sua primeira igreja na cidade, a expansão dos evangélicos em geral, a forte presença dos terreiros de candomblés, a Igreja Católica, os ternos de reis e outras expressões populares.

Atualmente vários grupos artísticos, como o audiovisual, a música e os escritores estão se unindo em coletivos para dar mais voz à nossa cultura, ainda carente de apoio público e privado. Esses grupos estão sempre se reunindo para traçar estratégias de atuação e dar mais visibilidade ao setor.

Os historiadores Afonso Silvestre, Lídia e outras pessoas como Manno Di Souza, que comandou a parte artística com suas cantorias, ao lado do cantor Agnaldo Dias, intercalada com declamações de poesias e contação de causos, Maris Stella e demais presentes, fizeram suas pontuações de ordem histórica e evolutiva da nossa cultura. No geral, todos cobraram maior participação do poder público, reivindicando a reabertura dos equipamentos culturais e a criação do plano municipal, especialmente agora com a realização da Conferência de Cultura no início de outubro, cujo relatório ainda não foi divulgado publicamente pela Secretaria de Cultura, Esportes, Turismo e Lazer.

No mais, a noite foi proveitosa num clima de confraternização, amizade, expressões culturais e troca de ideias entre os participantes. Os comes e bebes animaram o pessoal que varou a madrugada num saudável bate-papo e muita conversa. A anfitriã Vandilza Silva Gonçalves nos brindou com um delicioso pato cozido. Marcaram, ainda presenças, Adiramélia Mendes, Nilde que ficaram encantadas com o sarau (primeiras visitas), Alex Rocha, Maria Luiza, Túlio Matos, Manuel Domingos, Luis Altério, Lídia Cunha, Dió Araújo, Odete Alves Maris Stella, Rose Santos Pereira, Denis e José Silva, Humberto, Rosângela, Armando, Aragão, Maria Cleide, Vânia, Eliene (Liu), Jhesus, Dal Farias e Edna Brito.

Ainda sobre o sarau, Humberto parabenizou todos os participantes afirmando que o sucesso foi total. “Os artistas revezaram-se com muito brilhantismo em suas respectivas áreas. Os palestrantes encantaram a todos durante o debate do tema central do evento, trazendo-nos momentos de aprendizagem e reflexão. Os anfitriões, como sempre receberam e atenderam a todos com a costumeira atenção”.

 

 

BUROCRACIA E CULTURA

As duas nunca deveriam coexistir, mas estão juntas como irmãs siamesas por imposições dos governantes, de forma até mesmo proposital e intencional para, por natureza própria, favorecer os famosos e as celebridades. Os rios só correm para o mar.

Um artista, quer seja escritor, poeta, pintor, escultor, teatrólogo, ou músico, sempre será um artista e não um projetista interpretador de emaranhados editais burocráticos, bichos de sete cabeças ou Cérbero. O cara tem que ser um Teseu com a ajuda do novelo de Ariadne para matar o Minotauro e conseguir sair do labirinto.

Um amigo me disse que o governo libera o dinheiro, só que a grana sempre fica para poucos. As oficinas servem como orientação, mas na prática a realidade é outra totalmente diferente. É um engodo essa de dizer que tem um atendimento presencial em algum ponto.

Como um teimoso jumento nordestino, me atrevi a entrar lá no edital do estado da Lei Paulo Gustavo e escolhi o item prêmio Nilda Spencer, que trata da trajetória cultural do proponente. No início fiquei até animado, mas, alegria de pobre dura pouco.

Tive a proeza de ir bem até o meio do catatau de perguntas desencontradas. No entanto, comecei a me irritar com certas exigências de arquivos que, no meu entender, tinham a ver com outras áreas do edital e não com a premiação.

Mesmo com ajuda prestativa da minha esposa, comecei a ficar estressado e não conclui o preenchimento dos formulários, muitos dos quais desnecessários. É um tal de solicitar arquivos que não acaba mais.

O argumento dos técnicos e funcionários das secretarias de cultura quando se critica a burocracia é sempre a de que o artista tem que se organizar, como se ele tivesse a obrigação de também ser especialista no assunto. Sempre digo que cada “macaco” em seu galho.

Quando se trata de se fazer o imposto de renda, o empresário procura uma firma de contabilidade que faz todo processo e ele apenas assina o documento. Alguém aí acha que os artistas famosos, como Gilberto Gil, Betânia, Caetano Veloso, Bel Marques, Ivete Sangalo e tantos outros sabem destrinchar essa burocracia dos editais?  Claro que não. Eles têm uma equipe que faz tudo e apenas assinam como proponentes.

O artista que vive de tocar em barzinhos para sobreviver ou um escritor sem a devida fama nacional que luta para vender seus livros não tem condições financeiras de pagar uma pessoa especializada em projetos de editais. Ai, como ele só sabe fazer sua arte, fica batendo cabeça para entender esse intrincado de leis feitas para complicar, ao invés de simplificar.

Nem é preciso explicar aqui como nasceu a burocracia no Brasil. Ela é histórica e vem desde os tempos coloniais, mais por conta da corrupção e das trambicagens brasileiras. Aqueles que têm maior poder aquisitivo burlam as leis e ainda saem impunes.

Nessa linha do tempo, quem mais paga por essa burocracia, não somente no setor cultura, é o pequeno que tem que se virar até para contratar um advogado para fazer uma simples petição. Será que não basta o monte de burocracias existentes nas repartições públicas que faz o brasileiro sofrer e até viola seus direitos?

 

 

 

O TEMPO TEM O SEU TAMANHO

(Chico Ribeiro Neto)

A velhice tem o tamanho exato. Do prato e do ato. A velhice sabe o tamanho do mar e deixa de pensar. Sente a grandeza do mistério e percebe o tamanho de Deus.

O velho é desconfiado. Perde em paciência o que ganha em sabedoria. Sabe onde as cobras dormem, mas não conta pra ninguém.

O velho gosta de sonhar, e isso sempre é muito bom. Será um ensaio para a morte? A velhice é somar os azuis e lembrar dos verdes. A velhice é uma ressurreição.

A velhice mora longe. Tem que saber chegar lá numa velha canoa em noite de lua. Ela mora numa ilha verde.

Ficar velho é saber demais. Somos feitos de histórias e cada dia tem uma melhor. Pode sentar na cadeira de balanço. Não precisa se mexer, ela balança por si, como um tic-tac.

Tem aquela luz azul que só o velho vê. Catarata ou poesia, ela é bonita.

Minha mãe Cleonice, depois de ouvir três vezes seguidas a música “Roda Viva”, revelou para meu irmão Cleomar: “Agora eu já sei o que é curtir”.

Ele gosta de juntar coisas velhas, mas também adora plantas. Bonito ver uma planta crescer, sinal de vida. Tinha um idoso numa cidade do interior baiano que cultivava uma pequena horta no quintal de casa. Aos 100 anos, já não aguentava mais se abaixar para plantar ou colher. Resultado: arranjou uns caixotes de maçã, encheu de terra e os prendeu à sua altura, seguros por grandes forquilhas de madeira. Em pé, continuou seu plantio e a enviar alface, coentro e cebolinha para os parentes. Os sonhos mudam de lugar com o tempo.

Minha tia Nina dizia que velho dentro de casa é problema. Reclama de tudo: que a TV tá escura, que o vizinho de cima faz zuada e que tem uma semana que não varrem a escada do prédio. E ainda quer almoçar às 11 horas, vive futucando as panelas.

Velho é imburrento, imbirrento, manhoso, dengoso, cismado, treiteiro, falastrão, avexado, enganjento, teimoso, peidão, chato, enjoado, mas eu te amo, meu velho Chico.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

“NÃO FOI POR ACASO”…

Depois do secretário Geral da ONU, Antônio Guterres, engenheiro e diplomata português, explicar que a violência não é justificável, seja da parte quem for, ele declarou que o atentado do Hamas, no último dia 7, num evento musical, “não foi por acaso…” Foi o bastante para os representantes de Israel na ONU, que só fica no blábláblá e ninguém ouve mais, ficarem irritados e pedirem sua demissão do cargo, inclusive proibiram a concessão de vistos de funcionários do órgão ao país.

Basta uma palavra ou frase com um sentido de explicar o porquê de determinado acontecimento de um fato, para o outro lado fazer sua própria interpretação e sair por aí disseminando inverdades, inclusive a grande mídia capitalista tendenciosa que segue os passos do mundo ocidental colonizador e imperialista. Os judeus deturparam por completo a fala de Guterres.

Longe de ser parcial na questão geopolítica e histórica da região, que é secular, o que compreendi com seu pronunciamento é que o atentado foi uma consequência de mais de 50 anos de perseguição de Israel contra os palestinos, bem como condenar a omissão e a negligência das nações mundiais em até o momento não terem criado também o Estado da Palestina.

Em momento algum, em meu juízo ainda lúcido, entendi que ele estaria justificando a violência e apoiando a ação do Hamas. Uma pessoa quando é acossado, vilipendiada, perseguida, agredida e provocada por outra, um dia ela vai reagir e cometer um desatino.

Isso me fez lembrar um júri popular, ainda jovem, na cidade de Amargosa, onde um senhor estava sendo julgado por ter matado um conhecido que todos os dias passava em frente da sua casa e lhe xingava com apelidos, de vagabundo e lhe dirigia agressões verbais.

Um certo dia o cara não aguentou tantas provocações e assassinou o seu opositor com várias facadas. Na audiência pública judicial o advogado do réu se dirigiu de forma proposital ao promotor por várias vezes com termos provocativos até que o mesmo perdesse as estribeiras e a compostura ao ponto de partir agressivamente contra o colega, alegando que o cara estava zombando dele.

Calmamente, o advogado, com sua habilidade de defesa, disse ao promotor e aos jurados: Está vendo aí, em pouco tempo em que estamos aqui vossa excelência não suportou minhas palavras repetitivas contra sua pessoa. Agora imagina esse moço que aí está no banco dos réus sendo vítima todos os dias de deboches e menosprezos contra sua pessoa. Um dia ele não aguentou e partiu para vias de fato.

É um exemplo simples para explicar o que os israelenses vêm fazendo na Faixa de Gaza e na Cisjordânia desde quando se tornou Estado, em 1948, isto é, há mais de 70 anos. Israel acossou, construiu muros, colônias habitacionais, invadiu terra como numa espécie de grilagem e seus aliados fizeram vistas grossas.

Os israelenses se recusam a olhar o passado de avanço territorial e encurralamento contra os palestinos com a anuência dos donos da ONU e dos países da Europa Ocidental e, principalmente, com aval direto dos Estados Unidos. E os atos de terrorismo que os judeus praticaram contra árabes, cristãos e palestinos para forçar a criação de um Estado?

O que o secretário Geral quis dizer é que esticaram demais a corda até que ocorreu uma tragédia anunciada. Em seu depoimento, não vi ele afirmar, de modo algum, que o ataque do Hamas foi merecido ou justificável. Claro que nessa hora o outro lado fulmina a razão do outro e só enxerga a sua, ao seu modo e interesse.

Israel simplesmente se nega a reconhecer o que já fez de terror contra os palestinos, deixando-os na pobreza e na miséria. O Hamas quer a extinção de Israel que também pretende aniquilar o seu vizinho, inclusive os palestinos que são governados por outra autoridade. Sabe como os palestinos enfrentam a opressão de Israel? Com pedras contra os soldados, como nos tempos bíblicos e na era do domínio romano, quando os israelitas faziam emboscadas “terroristas” contra os exércitos dos imperadores de Roma.

“A VOZ DO POVO É A VOZ DE DEUS”

Existem uns bordões que grudam nas pessoas de forma maquinal e elas falam de forma instintiva sem pensar e refletir se são mesmo assertivas. Um deles é dizer que a “A Voz do Povo é a Voz de Deus” e isso sai da boca de pessoas que se dizem até intelectuais. Não sei muito bem a origem da frase, mas tem um cheiro forte do catolicismo, coisa mais de cunho religioso piegas.

Quantas coisas erradas fazem o nosso povo, principalmente nas escolhas políticas, elegendo corruptos e malfeitores que só pensam em seus interesses, e aí pelo ditado popular tornam-se enviados de Deus. Isso é só um exemplo, mas existem tantos outros onde essa expressão antiga não é verdadeira, nem no sentido filosófico e social.

Quando uma multidão decide linchar uma pessoa na rua por ter cometido um desatino, furto ou agredido alguém de forma perversa, esse espírito de fazer justiça com as próprias mãos conta com essa voz de Deus”? Lembra da passagem bíblica onde Jesus diz: Quem não tiver pecado que levante a primeira pedra. “A Voz do Povo é a Voz de Deus” não funciona nesse caso, conforme os ensinamentos de Cristo.

Nós brasileiros e latinos da América do Sul e Central, por características histórias de subjugação, de opressão, de baixo nível educacional e do ponto de vista cultural, agimos muito mais pela emoção do quem pela razão, e as decisões nem sempre são corretas. Não coincidem com a voz de Deus que manda fazer outra coisa.

Mesmo no Velho Mundo mais civilizado e instruído, existe esta máxima de “A Voz do Povo é a Voz de Deus”, só que os fatos registram o contrário. Os alemães nas décadas de 30 apoiaram Hitler com suas ideias malucas nazistas de salvar o país da crise. Todos sabem no que deu com os genocídios, as matanças e as barbáries de guerras. Hitler contou com a voz do povo, mas será que teve a voz de Deus”?

Uma multidão de seguidores extremistas negativistas, racistas, xenófobos, misóginos e homofóbicos foi para a rua pedir uma ditadura militar e repetiram que “A Voz do Povo é a Voz de Deus”. Tira Ele desse rolo insano! Aliás, a irracionalidade que nos leva à desumanização não pode ter a voz de Deus.

No Brasil, os governantes de forma proposital sempre deixaram nosso povo na ignorância por ser mais fácil de ser manipulado através de dinheiro e promessas nunca cumpridos e quando são aplaudidos e eleitos ainda têm a cara de pau de dizer que “A Voz do Povo é a Voz de Deus”. Com isso, usam da inocência da nossa gente, a grande maioria religiosa e temente a Deus.

Na verdade, o povo segue uma voz, muitas vezes induzido por sofismos baratos e artimanhas dos mais espertos e acaba apoiando seus projetos que só servem a eles. Como argumento, eles acabam dizendo que “A Voz do Povo é a Voz de Deus”. O pior disso é que a maioria acredita nisso. Isso me faz lembrar Nelson Rodrigues quando afirmou que toda unanimidade é burra.

Confesso que não consigo engolir e aceitar esse bordão popular e até de pessoas mais instruídas quando dizem que a “A Voz do Povo é a Voz de Deus”. Fico a me perguntar, que povo é esse de que estão se referindo? Uma aprovação idiota e imbecil, na maioria levada pela emoção ou até vingativa para atingir um adversário, nunca pode ser a voz de Deus.

POR QUE A GASOLINA DE CONQUISTA É TÃO CARA?

O arquiteto e urbanista Leandro Fonseca pergunta por que a gasolina de Vitória da Conquista é tão cara? Essa resposta está com o cartel que há anos domina o mercado e as “autoridades” (Câmara Municipal, Ministério Público e órgãos de fiscalização) não conseguem derrubar.

Só vejo essa resposta, meu caro amigo Leandro, e já fiz esse comentário aqui em nosso blog por diversas vezes, ao ponto até de ser chato no assunto. A nossa mídia local faz matéria sobre os preços quando sobem, mas nunca vi uma reportagem investigativa sobre o assunto. Aliás, não temos mais jornalismo investigativo, apenas factual e com muitas falhas no noticiário.

Volto a repetir que há pouco tempo, na legislatura passada, a Câmara de Vereadores instalou uma CPI para responder essa indagação feita pelo cidadão. Todos sabem que no final não deu em nada, apenas um projeto chulo de que as mangueiras fossem transparentes. Nem isso emplacou porque os donos de postos disseram ser inviável.

Nos últimos anos, a construção de postos de gasolina foi um dos negócios que mais cresceu em Vitória da Conquista por ser bem rentável e com retorno do investimento em curto prazo. Hoje, toda esquina tem um posto de combustível e sempre aparecem mais. Na Avenida Juracy Magalhães é posto que não acaba mais.

Leandro Fonseca mostra que em Lagoa das Flores a gasolina está na faixa de R$5,75 o litro, no Capinal R$5,95, enquanto que em Conquista o produto é comercializado por R$6,36 na grande maioria dos postos.

Quando se encontra um com preço mais baixo, a diferença é de cerca de cinco centavos para tapear o consumidor. Não adianta fazer pesquisas na cidade porque não compensa ficar rodando e queimando combustível por meros centavos. Quem for fazer isso, vai ter prejuízo no bolso.

Semana passada estava em Belo Campo, cerca de 60 quilômetros de distância, e lá a gasolina estava sendo vendida por R$6,20 o litro. Como explicar esse quase tabelamento dos donos de postos com uma gasolina mais cara que em outros municípios da região, se eles pegam o produto em Jequié, numa distância de 150 quilômetros? A gasolina de Conquista é uma das mais caras da Bahia.

Eu só queria entender, Leandro, mas não é para entender! Todo mundo sabe muito bem onde está a resposta, inclusive os frentistas. Converse com um deles e até eles concordam que existe um cartel que ninguém consegue quebrar.

FLIBELÔ COM PEGADA NORDESTINA E FOCO PRINCIPAL NA EDUCAÇÃO E LAZER

Educação, gastronomia e cultura juntas na II FLIBELÔ – Feira Literária e Gastronômica de Belo Campo, um grande exemplo para outras cidades do interior pela valorização do saber e do conhecimento, promovida pela Prefeitura Municipal através da Secretaria de Educação, Esportes, Lazer e Cultura.

O foco principal foi a educação escolar com contação de causos para a criançada, parque infantil, artesanato, área de jogos (dama, xadrez), oficinas de teatro e gastronomia, shows musicais, mesas temáticas sobre livros, leitura e bibliotecas, conferências e apresentações de trabalhos escolares, porém com poucos espaços para os escritores locais e da região (apenas três estandes). O ponto falho ficou por conta nos atrasos na programação dos eventos.

No entanto, a Feira ficou marcada pela pegada de temas nordestinos, com tendas sobre José de Alencar, Rachel de Queiroz, Luiz Gonzaga, nosso rei do baião, Euclides da Cunha, no caso do escritor que narrou a Guerra de Canudos e Graciliano Ramos, os locais mais visitados pelos frequentadores do evento.

Com um estande, inclusive de lançamentos, os escritores do coletivo de Vitória da Conquista foram destaques e marcaram suas presenças com Josué Brito, Chirles Oliveira, Paulo Henrique Medrado, Ybeane Moreira e Jeremias Macário, isto entre os dias 19 e 20.

Ainda no setor de publicações de obras, a Editora Arpillera, de Abaeté, Camaçari, que faz livros artesanais, costurados um por um de forma manual, bordados com dobraduras numa verdadeira experiência sensorial de leitura, chamou muita a atenção do público visitante.

Esperamos que a próxima festa literária haja uma maior participação da classe. No geral, a FLIBELÕ alcançou seus objetivos que foi despertar os estudantes para a leitura, sem contar o apoio da equipe organizadora em nome de Misael Lacerda, diretor da Biblioteca Municipal, do pessoal da limpeza e da segurança.

É bom ver as crianças visitando os estandes culturais em contato com os livros e os famosos autores e artistas nordestinos que deixaram seus nomes eternizados na história do Brasil e até a nível internacional. A meninada fica curiosa quando folheia os livros e faz perguntas como foi feita a obra e se sente maravilhada ao lado do autor. Seus olhos chegam a brilhar e isso é uma esperança para a nossa cultura.

Durante os quatros dias de atividades educacionais, gastronomia e lazer da Feira, de 19 a 22/10, a praça principal da cidade esteve sempre lotada por moradores de Belo Campo e de cidades vizinhas da região, como Tremedal, Condeúba, Cordeiros e outros municípios, com a presença também de autoridades políticas e representantes da cultura.

 

TECIDO DE SAUDADE

(Chico Ribeiro Neto)

Sempre tenho saudade quando preciso me desfazer de uma roupa velha, manchada, rasgada ou apertada. Vai um pouco de mim naquela roupa.

Toda roupa tem uma história. Tive uma namorada que usava uma saia cáqui, de grande lembrança. Outra usava uma calça de malha coladinha que matava Chiquinho. E aquela de blusinha Ban-Lon azul celeste!

Todo mundo tem um casaco que adora. Aquele casaquinho azul é um velho chamego, apesar do furinho na manga.

Tem uma comida muito gostosa chamada de Roupa Velha. É a comida que se improvisa com as sobras que estão na geladeira. Em Caculé (BA) se chama também de Mexidão. Você pega todas as sobras da geladeira – um pedaço de bife, um pouco de arroz, resto de macarrão, uma coxa de galinha, um pouco de abóbora com quiabo – e esquenta tudo junto. Fica um prato delicioso e você esvazia a geladeira de vasilhas.

Sempre achei que a gente deveria dar a última volta com uma roupa antes de se desfazer dela. Leva ela pra ver o mar antes da despedida.

Quem nunca achou uma nota de 50,00 dentro de um velho casaco? E tem também aquela roupa nova que a gente não gosta. Comprou, nas não tem jeito de usar. Tá lá pendurada no cabide até hoje. Quando fui morar em pensão, estudante em Salvador, mamãe Cleonice me deu uns cabides de madeira e os marcou com tinta preta, talvez de caneta-tinteiro: “Xico Ribeiro”. Guardo um até hoje.

Segue um trecho do artigo da jornalista Jéssica Natacha, intitulado “Que sentimento está escondido no seu guarda-roupa?” (labdicasjornalismo.com): “Sabe aquela peça de roupa que você não usa há tempos? Ela tem um significado. Muitas vezes, os objetos guardados remetem a uma lembrança tão importante na sua vida que, toda vez que o encontra na gaveta, você para por uns segundos e revive aquele momento; a sensação de prazer e felicidade faz sorrir instantaneamente; ou chorar”.

Velhas roupas, grandes lembranças. Roupas velhas são um aconchego, golas que aquecem, quem nos entende; Com elas saio caminhando por aí, vestido de saudades.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)

RESGATE DE BRASILEIROS NA ÁSIA

Carlos González – jornalista

O jornalista e escritor Elio Gaspari comparou em sua coluna no jornal “A Folha de S. Paulo” o comportamento dos governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva em duas crises humanitárias, com motivações diferentes, mas com finalidade única: o resgate de brasileiros, moradores ou a passeio, em países distantes. Em 1920, as 34 pessoas que se encontravam na China, berço do coronavírus, clamaram por ajuda; nos últimos dias, milhares de nossos compatriotas foram retirados de Israel assim que irrompeu o conflito que mancha de sangue as terras por onde Jesus Cristo percorreu.

Gaspari lembra que, num primeiro momento, Bolsonaro, obstinado pela cloroquina e outros medicamentos ineficazes na cura da Covid 19, descartou a ida de uma aeronave da FAB a China para trazer brasileiros ameaçados por uma “gripezinha”. “É preciso antes resolver os entraves diplomáticos, jurídicos e financeiros”, questionou o presidente ao comentar a carta aberta escrita pelos 34 brasileiros que estavam confinados na província chinesa de Wuhan

Diante dos argumentos apresentados por Luiz Henrique Mandetta, então ministro da Saúde, o presidente negacionista concordou em montar, numa encenação teatral, a operação “Regresso à Pátria Amada Brasil”. Quatro aviões e 120 militares, além de funcionários do Itamaraty e uma equipe de filmagem, foram enviados à China. “Um exagero”, comentou Mandetta. A montagem da peça custou R$ 4,6 milhões aos cofres públicos.

Dos quatro médicos que ocuparam a pasta da Saúde, Mandetta foi o único que não dizia “amém” aos “conselhos” do chefe. Pagou caro pelo seu profissionalismo, exonerado após passar 15 meses no cargo. Pelo menos, não testemunhou a revogação de 23 decretos relacionados com a pandemia que matou 660 mil brasileiros, o segundo maior número de vítimas do vírus no mundo.

Não poderíamos deixar de registrar uma outra – foram várias – omissão de Bolsonaro, relacionada com a covid-19: em janeiro de 2021, o sistema de saúde do Amazonas entrou em colapso com a falta de oxigênio nos hospitais, insumo necessário para os pacientes internados em UTIs. Mais de 50 contaminados pelo vírus morreram por asfixia e mais de 500 tiveram que ser transferidos para hospitais em 15 estados. O socorro veio da Venezuela, o vizinho “comunista” que na época não mantinha relações com o governo do acusado de genocida.

Longe das cenas de pânico observadas em Manaus e no interior do estado, Bolsonaro provocou revolta, mostrando em público como se morre com falta de ar. Sobre a crise sanitária no Norte do País, afirmou que “não é competência e nem atribuição” do governo federal levar oxigênio para o Amazonas, e que enviou recursos financeiros para o Estado enfrentar a pandemia.

O presidente aproveitou para elogiar o trabalho do seu ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello, que dias antes tinha enviado para o Amazonas 120 mil unidades de hidroxicloquina. A omissão de Pazuello foi alvo de pedido de investigação da Polícia Federal.

Uma nova conjuntura

Na sua “viagem” pelo continente asiático, Gaspari chegou à Terra Santa, onde a maioria dos brasileiros que lá estavam – três deles foram assassinados pelo grupo terrorista Hamas – temiam permanecer na região em conflito desde o último dia 7.

Sem lances teatrais, a FAB e o Itamaraty organizaram em poucas horas os procedimentos de resgate. Vários voos vêm sendo realizados, inclusive com utilização do avião da Presidência da República, entre o Brasil e Israel. Até o momento, 1.100 brasileiros e 24 animais de estimação desembarcaram no Rio e São Paulo. Os governos da Argentina, Paraguai, Chile e Uruguai têm aproveitado esses voos para repatriar seus cidadãos.

A maioria dos repatriados, moradores de Tel Aviv e de outras cidades israelenses, votou em Bolsonaro – 53,4% contra 46% para Lula – no segundo turno das eleições passadas. Em Ramallah, capital da Autoridade Palestina, foi o contrário – 90,5% contra 9,5%.

Em qualquer lugar do mundo o judeu tem duas pátrias, sendo que uma delas é Israel. Ao atingir a maioridade ele tem o direito de ir viver em Israel para servir ao exército (obrigação de todos os homens e mulheres aos 18 anos), estudar ou morar num kibutz, optando por um trabalho que normalmente rejeitaria em seu país. O judaísmo, com relação ao casamento, chega a ser inflexível quando se trata da união conjugal entre um judeu e uma não-judia. Quem violar esse mandamento é considerado morto.

A missão desempenhada pelas administrações Bolsonaro e Lula na questão dos regates de brasileiros na China e em Israel não convenceu alguns raros oposicionistas de que há diferenças entre o Brasil de ontem e o de hoje. Liderados por Eduardo Bolsonaro (PL-SP), meia-dúzia de saudosos do bolsonarismo insiste em associar Lula ao Hamas. Nos últimos dias, o gabinete do ódio usou as redes sociais para divulgar fake news (publicações já desacreditadas pelo povo), transformando o velho e cansado presidente num terrorista.

O bolsonarismo nasceu na sombra do nazismo e do fascismo – Silvinei Vasques, ex-diretor da PRF, colecionava fotos dos ditadores Adolf Hitler e Benito Mussolini -, ideologias que tentaram exterminar com o povo judeu. O antissemitismo era uma das bandeiras da extrema direita brasileira. Tudo indica que, depois que o pastor Everaldo Pereira (preso em agosto de 2020, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro) deu três “caldos” em Bolsonaro no Rio Jordão, a direita brasileira passou a fazer peregrinações a Jerusalém, colocando o Muro das Lamentações como prioridade no roteiro de viagem.

 

UM RACISMO VELADO

“Estamos preparando nossa ficha técnica e precisamos de uma jornalista, residente em Conquista, mulher preta, e com experiências em redes sociais para compor nossa equipe como assessora de imprensa”.

Confesso que fiquei chocado e estarrecido com este anúncio de emprego que saiu em um grupo do Zap, até imaginei se tratar de uma provocação de alguém ou de uma fake news. Não aparece a procedência do anunciante, nem o nome da empresa contratante.

Em minha opinião, não resta dúvida de que se trata de um racismo velado, principalmente nos tempos atuais onde buscamos tolerância e igualdade de cor, sem discriminação e preconceito, seja do lado que for. Não se deve medir o mérito das pessoas pela cor da pele. Não há nada que justifique.

Entendo até que tipo de anúncio como este merece todo repúdio, sem muitos comentários. Lembrei do discurso de Martin Lutter King que pregou, em seu sonho, uma união de todos, sem ódio e distinção de cor.

Fico aqui a imaginar o que diriam os movimentos negros, as entidades que lutam pela igualdade, as organizações de direitos humanos como OAB e os próprios órgãos do governo federal, se veiculasse um anúncio ao contrário, isto é, ao invés de “mulher preta”, uma mulher branca.

Esta espécie de anúncio não combina com o slogan do Governo do PT de “União e Construção”. Considero uma provocação e uma forma de criar mais ainda um clima de animosidade em nossa sociedade, além de ser um “prato feito” para os extremistas e fascistas.

Mesmo os excluídos há séculos neste país, inclusive com mais de 300 anos de escravidão, não podem agir com radicalismo dessa maneira, porque em nada estão construindo para a união.  Portanto, considero o anúncio um absurdo, isso se não se tratar apenas de uma pegadinha, ou uma fake news plantada por alguém.





WebtivaHOSTING // webtiva.com . Webdesign da Bahia