“Estamos preparando nossa ficha técnica e precisamos de uma jornalista, residente em Conquista, mulher preta, e com experiências em redes sociais para compor nossa equipe como assessora de imprensa”.

Confesso que fiquei chocado e estarrecido com este anúncio de emprego que saiu em um grupo do Zap, até imaginei se tratar de uma provocação de alguém ou de uma fake news. Não aparece a procedência do anunciante, nem o nome da empresa contratante.

Em minha opinião, não resta dúvida de que se trata de um racismo velado, principalmente nos tempos atuais onde buscamos tolerância e igualdade de cor, sem discriminação e preconceito, seja do lado que for. Não se deve medir o mérito das pessoas pela cor da pele. Não há nada que justifique.

Entendo até que tipo de anúncio como este merece todo repúdio, sem muitos comentários. Lembrei do discurso de Martin Lutter King que pregou, em seu sonho, uma união de todos, sem ódio e distinção de cor.

Fico aqui a imaginar o que diriam os movimentos negros, as entidades que lutam pela igualdade, as organizações de direitos humanos como OAB e os próprios órgãos do governo federal, se veiculasse um anúncio ao contrário, isto é, ao invés de “mulher preta”, uma mulher branca.

Esta espécie de anúncio não combina com o slogan do Governo do PT de “União e Construção”. Considero uma provocação e uma forma de criar mais ainda um clima de animosidade em nossa sociedade, além de ser um “prato feito” para os extremistas e fascistas.

Mesmo os excluídos há séculos neste país, inclusive com mais de 300 anos de escravidão, não podem agir com radicalismo dessa maneira, porque em nada estão construindo para a união.  Portanto, considero o anúncio um absurdo, isso se não se tratar apenas de uma pegadinha, ou uma fake news plantada por alguém.