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COMEÇOU A I FEIRA LITERÁRIA DE CONQUISTA EM HOMENAGEM A JESUS LIMA
Esperada por muitos anos pelos escritores, intelectuais, estudantes e artistas em geral, começou ontem (dia15/11) e vai até domingo 19/11, a 1ª Feira Literária de Vitória da Conquista – A Fliconquista numa homenagem ao poeta e escritor Camilo de Jesus Lima, tendo como tema a liberdade no ano do bicentenário da Independência da Bahia no Brasil.
Foi uma abertura memorável em grande estilo, com o primeiro lançamento de livros através da coletânea “Vozes que Ecoam na Joia do Sertão Baiano”, uma coletânea de 21 poetas e escritores, organizada por Chlirles Oliveira e Ybeane Moreira. A obra foi publicada pela editora “Versejar”, de São Paulo.
Ainda na parte da manhã e da tarde foram realizadas oficinas literárias, clubes de leitura, mostra de trabalhos artísticos das escolas, expografias temáticas de Madalena Santos (um quintal de telas) e tapeçarias para o mundo de Victória Vieira.
A sessão oficial de abertura se deu com a Camarata Neojibá, conferência sobre ideais da liberdade da Bahia na obra de Camilo de Jesus Lima, conferida pelo advogado, historiador e escritor Ruy Medeiros. Logo após aconteceu o espetáculo do artista musical “Gutemba” que cantou diversos poemas do homenageado da festa.
Com as presenças de artistas e escritores, como Zezé Mota, do jornalista premiado e ex-deputado federal, Jean Wyllys, Daniel Munduruku, ganhador do prêmio Jabuti e Paulo César Araújo, biógrafo do cantor Roberto Carlos, uma vasta programação de lançamentos e bate-papos está marcada para até o próximo domingo, com encontros literários, shows musicais e visitações guaidas.
Durante a Fliconquista, que conta com patrocínio do Governo do Estado da Bahia, recursos de emendas parlamentares de iniciativa do deputado federal Waldenor Pereira, produção do Coletivo Barravento, curadoria de Ester Figieiredo, curadoria adjunta de Elton Becker e diversas parcerias, inclusive da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), estarão expostas obras de escritores locais e de outros estados, sem contar a participação de bibliotecas comunitárias, como a Donaraça, de Juliana e Josué Brito, dentre outras, além da tenda do Sarau Multiverso, de Renas, abrangendo diversas linguagens do mundo cultural conquistense e de fora.
A 1ª Fliconquista é um acontecimento cultural que, sem dúvida, vai ficar marcado na história de Conquista. A expectativa dos participantes é que no próximo ano essa mesma festa seja repetida, com maior força e representação. A feira é um instrumento de incentivo de novos talentos voltados para a arte de escrever e também visa estimular a leitura, principalmente nos mais jovens.
O CINISMO DA PREVENÇÃO DA SAÚDE
Nos últimos tempos, a nossa mídia abriu mão de questionar os fatos e apenas faz aquela mesmice do factual na base do concordar com informações que, na verdade, não condizem com a realidade.
Em minha modesta análise, ela entra na onda por acomodação (não proposital e intencional) e termina desinformando a opinião pública, quando deveria ser o contrário. Isso é pecar por omissão, o que é tão maléfico como mentir.
Uma dessas coisas que sempre acompanho são matérias na área da saúde, especialmente em campanhas dos meses rosas, azuis e outras cores correspondentes ao tratamento de determinadas doenças, como do coração, do diabetes, da próstata e agora do câncer da mama.
Os repórteres se colocam, muitas vezes, no lugar dos médicos-cientistas (arrogância) e aconselham que a prevenção do tratamento é a melhor saída. Não é que esta recomendação não seja verdadeira, mas esquecem de explorar o outro lado do Brasil desigual onde a maioria dos brasileiros, dependentes do SUS, não tem acesso fácil aos exames mais importantes e caros.
É o que chamo de cinismo da prevenção da saúde onde a ordem geral é que todos procurem o seu médico e façam suas consultas regulamente, inclusive dos exames solicitados pelo profissional. Até parece que neste país a saúde é de alto nível e qualidade. É só marcar o exame e no outro dia a pessoa já é atendida.
Tenho exemplos, aqui mesmo em Vitória da Conquista, de mulheres que pediram uma mamografia no posto de saúde e estão na espera da fila há quase um ano. Eu mesmo marquei um otorrino e tem mais de um ano sem me chamar. Nem preciso mais. Imagina se fosse uma coisa grave, como um câncer! Teria virado uma metátese e morrido. Basta ser um procedimento de média a alta complexidade para tudo ficar emperrado!
Por que a mídia não mostra a outra face da moeda penosa do pobre que depende do SUS? A mesma coisa é quando se diz para não se comprar remédio na farmácia sem receita médica. Para complementar, acrescenta-se que procure seu médico. Isso é uma tremenda piada, para não dizer utopia. O que vemos muito são reportagens enganosas no estilo propagandista dos políticos governantes.
Será que os jornalistas acham que o povo é tão burro assim ao ponto de não perceber e ficar revoltado? Aprendemos a subestimar a inteligência dos outros. Vamos ser mais criteriosos, éticos e responsáveis com a verdade. Condena-se tanto as fake news e termina-se divulgando elas de outra forma, porque não existem mais editores, redatores e chefes de reportagem como antigamente.
ONDE ESTÁ A FELICIDADE?
Poetas, escritores e filósofos falam muito de felicidade, estar de bem com a vida, valorizar o existir de cada dia, amar e viver em paz. Quando ouço canções positivistas sobre manter sempre este estado de espírito de ser feliz, passa pela minha cabeça o quanto é difícil ter esta felicidade num Brasil tão desigual, de tanta pobreza, violações dos direitos humanos e injustiças.
Não quero ser pessimista e, ao mesmo tempo sendo, muita coisa disso é utópico. O estado de felicidade pode ser uma festa entre amigos quando todos estão ali juntos confraternizando num bar, em casa ou em outro lugar qualquer comemorando alguma coisa, como um aniversário, um casamento e até mesmo num sarau cultural.
Mesmo cada um com suas angústias e problemas, nesses momentos de prazer todos procuram transbordar felicidade, mas depois que tudo passa e se cai na realidade da vida, esse ser feliz, em muitas pessoas, não é mais o mesmo, e estamos falando de uma classe de gente com maior poder aquisitivo.
Muito se fala que o dinheiro não é tudo. Não deixa de ser uma verdade, mais vamos ser mais realistas. Nesse mundo capitalista e concentrador de rendas, a grana é uma peça chave para se alcançar a tão sonhada felicidade. Não vamos ser ingênuos e fazer de conta que não é assim. Me desculpem por estar aqui fazendo o papel de advogado do diabo.
Quando o ser humano está “liso”, modo de se dizer quando se está de bolso vazio e endividado, ele fica atordoado, desnorteado, sem rumo e sem a anima, do latim, a alma, o ânimo. Nesse ponto, lá se vai a felicidade e até o prazer de viver, em algumas ocasiões.
É difícil superar essa situação e se manter sorridente como se nada estivesse acontecendo. Podemos até disfarçar entre amigos, mas quando se está só, bate no peito o desânimo. Fico a imaginar, por certos momentos, que a nossa vida é feita de dívidas, principalmente para aqueles que têm integridade e caráter.
Para muitos, o consumo de bens, na maioria de supérfluos, num shopping, é uma felicidade, pelo menos momentânea. No entanto, como imaginar a felicidade no corpo de um encarcerado numa prisão, no pobre nos afogados das periferias e alagados, passando fome porque não tem o dinheiro para adquirir o alimento?
Como ter essa felicidade em meio a uma guerra de bombas por tosos os lados? E os refugiados que só saem com a roupa do corpo e ainda são enxotados em outro país? Como o pai ou uma mãe podem ser felizes quando ver seus filhos a chorar de fome? Como viver em felicidade sem ter educação e saúde decentes? E os doentes jogados nos corredores dos hospitais?
Por tudo isso e muito mais, é que entendo que cantar felicidade e pedir que todos a vivam, em grande parte não passa de uma utopia nessa distopia. Meu caro poeta/poesia que me perdoe o meu contraponto. Sei que não agrado com essa conversa, mas tenho que ser sincero, pelo menos para comigo.
Não sei viver nesse nível, nesse nirvana, talvez por não ter a capacidade de anular todos problemas individuais e coletivos e fazer de conta que tudo está bem. Bem que já tentei! Com tantas violências brutais e cruéis, matanças e massacres, sempre questiono esse tal sentido da vida. Sei que deveria pensar menos e viver mais, mas é que sou assim.
Onde está a felicidade? Dentro de cada um, ao seu modo, ou somente em poucos que são mais sonhadores e não se deixam afogar nos males da humanidade? As canções são bonitas e poéticas, mas essa felicidade é uma danada que anda por aí vagando perdida, que pousa em algum lugar como uma borboleta e depois voa para outras bandas. É como um perfume que se vai com o tempo.
Complicada essa felicidade sem liberdade e igualdade numa sociedade tão dividida pelo ódio e a intolerância racista, homofóbica, xenófoba e religiosa. Nessa vida passageira, além de outras lutas que temos pela frente, ainda precisamos conquistar essa felicidade, mesmo diante de tantas adversidades.
LAGOA DAS BATEIAS, ANIVERSÁRIO E OS EQUIPAMENTOS CULTURAIS
Não propriamente pela ordem, se me permitem, primeiro queria aqui questionar os 183 anos de emancipação política de Vitória da Conquista como sendo o 9 de novembro de 1840 quando foi instalado o Conselho Municipal, ainda na posição de vila. Na verdade, Conquista se tornou cidade através de decreto da República, em 1º de junho de 1891 há 132 anos.
O 9 de novembro foi indicado por um grupo de intelectuais sob o argumento de que o Conselho deu autonomia à vila. O projeto foi aprovado pela Câmara de Vereadores tempos depois. Essa pauta é tão polêmica que os sábios conquistenses se recusam a tocar no assunto por considerar sem fundamento.
Por essa data de emancipação de 183 anos, Conquista é mais velha do que Cachoeira, o que não dá para entender. Até pouco tempo Caetité também era mais nova e aí seguiu os mesmos passos para ultrapassar a idade de Conquista porque não tinha cabimento.
Bem, quem sou eu para contestar! Trata-se apenas de uma provocação e nem sou historiador. Meu ponto de discussão é outro: Aplaudir e dizer que foi muito salutar e importante a revitalização da Lagoa das Bateias, um local que já era chamado de esgoto fedorento pela comunidade.
Para ser mais direto, do outro lado, deixo aqui o meu repúdio de que nesta data de aniversário a senhora prefeita não tenha entregue as reformas dos equipamentos culturais do Teatro Carlos Jheovah, do antigo Cine Madrigal e da Casa Glauber Rocha que há anos continuam fechados. Essas obras são tão fundamentais quanto a Lagoa.
A reforma destes três equipamentos vem sendo cobrada e pleiteada há dois anos pelo Conselho Municipal de Cultura, cujo mandato se encerrou em setembro passado (período de 2021/23). O Teatro, na Praça da Bandeira, foi fechado desde o início da pandemia por volta de 2020. O Cine Madrigal foi adquirido com recursos da Secretaria de Educação no governo do PT, de Guilherme Menezes, ao custo de um milhão e 100 mil reais. Portanto, são mais de oito anos fechado. A Casa Glauber Rocha, se não me engano, foi comprada no mandato de Hérzem Gusmão.
Para completar o sepultamento da nossa cultura na terceira maior cidade da Bahia, com cerca de 400 mil habitantes, corre notícias nas redes sociais que neste ano não haverá festejos natalinos em Conquista, com apresentações artísticas no Espaço Glauber Rocha, no Bairro Brasil.
Uma pena que os nossos governantes em geral pensem que a cultura não dá voto. Por essa vertente política, eles não a colocam em seu merecido pedestal entre as prioridades, mas apenas como objeto de decoração em suas mesas.
Mais lamentável ainda é que os festejos passaram e não se viu nenhuma manifestação de cobrança e repúdio por parte da classe artísticas e dos intelectuais conquistenses, ora somente envolvidos com os editais da Lei Paulo Gustavo e com a realização da Feira Literária de Conquista, a Fliconquista, uma iniciativa que não é municipal.
A impressão que se tem é que a cultura em Conquista está indo de vento em popa ou em mil maravilhas onde todas as linguagens estão sendo bem contempladas. Enquanto isso, nossos equipamentos estão sendo desgastados pelo tempo e os artistas nem têm espaço para realizar seus ensaios, quanto mais para apresentar seus projetos para a população que não vive só de comida, de lagoa e calçamento de ruas.
O EXTERMÍNIO DA PALESTINA E O NAZI-SIONISMO NO ESTADO DE ISRAEL
Em nome do holocausto praticado por Hitler (1939-1945), o mundo vem assistindo estarrecido um verdadeiro extermínio dos palestinos na Faixa de Gaza por um governo nazi-sionista de extrema direita judaica que se estabeleceu em Israel, transformando a pequena região mais densa em população do mundo num cemitério de crianças. É uma das maiores catástrofes humanitária já vista nos últimos tempos.
Todo esse terror e barbárie, iniciado a partir de sete de outubro com o ataque do Hamas, conta com o beneplácito apoio dos Estados Unidos, da ONU (Organização das Nações Unidas), que perdeu sua voz, força e poder, e de grande parte do ocidente europeu. A palestina tornou-se uma zona de carnificina humana que a história está registrando. Os maiores culpados são aqueles que não criaram o Estado da Palestina, em 1948, ao lado de Israel.
Há 75 anos, quando foi instituído o Estado de Israel (o território estava sob domínio da Inglaterra) pela ONU, logo após a Segunda Guerra Mundial, depois da ocupação dos judeus numa guerra de terrorismo, os palestinos foram empurrados para a Faixa de Gaza, sem autonomia e, de lá para cá, vêm sendo perseguidos e massacrados impiedosamente pelo exército israelita.
Os primeiros humanos chegaram à região por volta de seis mil anos atrás. Há cinco mil anos, os primeiros assentamentos foram estabelecidos no local, e em torno de 1.400 a.C. durante o domínio egípcio do Levante (Fortaleza do Egito), a cidade se tornaria na atual Gaza que começou a se desenvolver.
Com o fim do domínio egípcio, em 1.200 a.C., Gaza foi conquistada pelos filisteus, a Filisteia. Logo depois foi tomada pelos israelitas, pelos assírios, babilônicos, persas, gregos e romanos. Em 70 a. C., os romanos fizeram um dos piores massacres da sua história nesse território, talvez o mais cruel pelo general Tibério, um dos mais aterrorizantes de todas as guerras onde os mortos eram comidos pelos abutres e a cidade foi toda cercada. Conta que com fome, famílias e mães sacrificavam as crianças para se alimentarem.
Com a divisão do Império Romano, no século IV, Gaza passou a fazer parte do Império Bizantino. A cidade foi convertida ao cristianismo e conseguiu prosperar. No século VII, a região foi conquistada pelos árabes. Sob o controle dos califados, tempos depois, Gaza foi atacada pelos Cruzados e mongóis. Esteve também nas mãos dos aiúbidas e mamelucos.
No século XIV, gaza experimentou seu último período de prosperidade. Após a Primeira Guerra Mundial, os ingleses se apropriaram do território. Um ano depois do Estado de Israel, em 1949, a Faixa de Gaza foi estabelecida e se tornou palco de conflitos que ocorrem até os dias atuais. Os judeus invadiram a região na Guerra de 1967 (Guerra dos Seis Dias), instalaram colônias, impuseram pelas armas seu poderio opressivo e construíram um muro de separação.
Se hoje fosse um país, com 365 quilômetros quadrados, seria o terceiro mais populoso do planeta, com cerca de 2 milhões e 400 mil habitantes. Com esta brutal invasão dos judeus, os números (nem sempre são precisos) os bombardeios na Faixa de Gaza já mataram cerca de 11 mil palestinos, mas pode ser bem maior. As maiores vítimas são as crianças, cuja maioria vive em campos de concentração com seus pais, como na época do nazismo.
É muito irônico os judeus hoje falarem em paz e justiça e que não toleram discriminação e preconceitos quando, ao mesmo tempo, jogam bombas contra os palestinos, dizendo que o alvo tem sido somente o Hamas. Fazem suas propagandas de vítimas declarando que o Brasil é um país acolhedor.
Li um texto do filósofo Peter Pál Pelbart onde ele diz ser judeu húngaro e que por sorte não vive na Hungria e nem Israel, acrescentando ter renunciado o passaporte de cidadania de ambos. Peter descreve ainda a escalada xenófoba e fundamentalista de Israel ao longo dos últimos anos, e que nada parece mais abjeto do que o fascismo.
O filósofo condena os 55 anos de domínio sobre os palestinos e que o “Bibi” exerce um papel de carrasco que se diz herdeiro das vítimas do nazismo. A violência praticada contra os palestinos, em sua visão, se naturalizou para o Estado de Israel.
O húngaro faz um relato amplo sobre o triste passado do nazismo quando judeus, judias, ciganos, artistas e intelectuais foram vítimas do genocídio de Hitler e lamenta o ocorrido, mas afirma ser uma pena que esses fatos estejam reaparecendo através de práticas semelhantes por um governo extremista de Israel.
Peter Pál faz um histórico sobre o judeu errante, uma figura vista como negativa de estrangeiro infiel traidor, cujo objetivo era corromper a cultura, sempre suspeito de um complô, que representava um perigo para a civilização ocidental. Tem também segundo ele, o chamado nômade que não carece de terra e vive nas margens do império, do deserto e no exílio. Este subverte os códigos.
Ele fala dos primeiros judeus que chegaram ao Brasil na época colonial e, por motivos de perseguição da Inquisição, tiveram que simular como cristãos novos. Cita que a primeira sinagoga no país foi construída em Recife por judeus sefaraditas de origem portuguesa durante a invasão holandesa, entre 1630 a 1654.
Em sua longa narrativa sobre seu povo, aponta ainda a comunidade que aportou no Brasil no século XX, vinda do Leste Europeu e que aqui criaram um grupo unido no Bairro Bom Retiro, em São Paulo, onde deixaram muitas obras beneficentes.
No entanto, reconhece que o Estado Judeu de hoje com o primeiro ministro Bibi Nethanyan não é mais uma terra prometida de paz e justiça. Os judeus de hoje, em sua opinião, se acham arrogantes, superiores, como se fossem os eleitos de Deus.
Para Peter, houve uma grande guinada direitista que defende governos autoritários, diferente do judeu diaspórico. Nessa linha, cita os grupos de extrema direita que se tornaram seguidores do governo passado numa clara referência ao ex-presidente Bolsonaro, com instinto perverso, colonialista que venera o Estado e a supremacia do exército. Nisso, ressalta o efeito dos judeus brasileiros com o candidato do capitão, com propagandas inspiradas no marqueteiro Goebbels que assessorou o nazista Hitler.
HISTÓRIAS DA BAHIA GUARDADAS NO MOCÓ (1)
(Chico Ribeiro Neto)
Releio o livro “A Bahia já foi assim”, da folclorista Hildegardes Vianna, Editora Itapuã, 1973. Uma bela viagem no tempo. Diz a autora na apresentação do livro, que traz 61 crônicas: “A BAHIA JÁ FOI ASSIM, até mais ou menos 1940. Depois, tudo mudou. Minhas crônicas são baseadas em muita coisa que ainda alcancei, e também em informes preciosos de amigos prestimosos”.
O livro – tão bom que vou comentá-lo em duas crônicas – é prefaciado pelo antropólogo Thales de Azevedo, que define Hildegardes como “uma ‘costumbrista’ literária” e escreve: “O folclore, aí, deixa de ser simploriamente tradição e curiosidade para assumir o seu significado próprio de fixação e inteligência dos modos de ser humanos em qualquer época e lugar, mesmo quando não sejam tratados com o aparato teórico e terminológico das ciências da cultura”.
Hildegardes Vianna encerra assim a crônica “A Benção”: “Hoje, a benção vive ainda na boca dos moços por um desses fenômenos difíceis de explicar. O mundo mudou. Os costumes evoluíram. Mas, apesar dos pesares, não é custoso se encontrar um homenzarrão, deste tamanho, gritando para a sua velha, já na porta da rua: “Benção, mãe!”. Também isto é sinal dos tempos”.
A crônica “O Ajuste” é aberta assim: “O sistema do Tire e Pague, se simplificou a vida da cidade, por outro lado lhe roubou muitos encantos. Tornou quase todos os bairros iguais, sem diferenças marcantes na paisagem humana. Retirou aquela cordialidade existente entre vendedores e compradores, aquele intercâmbio diário de impressões que humanizava cada ação”. Ela descreve a passagem do verdureiro: “Vinha com seu tabuleiro à cabeça, cavalete ao ombro, de porta em porta da freguesia, anunciando a sua chegada de maneira mais ou menos discreta”.
Na crônica “Eles, os carroceiros”, escreve Hildegardes: “O tipo era inconfundível. Calça e camisa feitas com pano de saco de farinha do Reino, chapéu de couro ensebado e deformado pelo uso, alpercatas toscas (mais tapa-sola que outra coisa), vez por outra um jaleco, mangual dependurado ao pulso direito, uma praga eternamente à flor dos lábios. Por fortuna, apenas o burro ou mula e a carroça. Por amor, as mulheres de todos os amores. Por divertimento, um toque de viola ou um gole de cachaça”.
Na crônica “Botica Velha” diz ela: “Um tipo que sumiu na paisagem humana da cidade foi o “homem das folhas” que supria a botica velha. Passava pelas ruas de semana em semana, de mês em mês, balaio sobre a cabeça, mocó pendurado ao ombro, cabaz na mão”.
Hildegardes prossegue: “No balaio vinham as plantas corriqueiras: maria-preta, angélica de cheiro, macela galega, angico, chicória, rompe-gibão, carqueja, almécega, crista-de-galo, dandá, assa-peixe branco, eucalipto, laranjeira da terra, fedegoso, velame branco, malva, sabugueiro, etc. No mocó apenas as encomendas representadas por mandacaru de sete quinas, abacate branco, quixaba, escada de macaco, cordão de São Francisco, aroeira, artemísia de cheiro, bananeira de São Tomé, resina de jatobá, etc.”
A crônica “A mulher do mingau” começa assim: “Era naquele tempo em que havia aquele ditado: “Quando eu nasci já se bebia mingau”. Mingau vendido ao clarear do dia por uma mulher que mercava por mercar, porque era fácil fazer freguesia certa. Em sua grande gamela redonda de pau, assentada sobre a grossa rodilha de pano de saco que lhe protegia a cabeça, a vendedeira equilibrava um latão com o mingau fervente, muito bem enrolado em toalhas alvas, que se confundiam com o verdadeiro pedestal de panos dobrados”.
Hildegardes Vianna morreu em 12 de junho de 2005, aos 87 anos. Seu acervo, um dos mais ricos sobre o folclore brasileiro, foi doado à Academia de Letras da Bahia. O Instituto Geográfico e Histórico da Bahia também possui documentos da escritora, no Arquivo Histórico, à disposição do público para consulta. (Fonte: www.ighb.org.br).
(Continua na próxima semana)
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)
A MAIS EMOCIONANTE DAS “LIBERTADORES”
Carlos González – jornalista
Um time que tem um “presidente” que, humildemente, baixa a cabeça para ouvir e cumprir uma missão quase impossível, não podia deixar escapar a oportunidade de ganhar seu primeiro troféu como profissional. Recém-saído das divisões de base, John Kennedy jamais esquecerá aquele gol, aquela emocionante vitória, assim como milhões de torcedores do Fluminense, que comemoraram em todo o Brasil a primeira “Libertadores da América”.
As celebrações de campeonatos ganhos, aqui ou em qualquer lugar, por clubes de maior ou menor expressão no cenário internacional, diferem muito pouco. Observando com mais apuro os minutos finais do jogo de sábado e as cenas que se seguiram ao apito final do árbitro, o epílogo daquele espetáculo tendo o Maracanã como palco foi único.
Fugiu da minha mente naquele instante a ideia de que o jogador de hoje é um mercenário, sem amor a camisa que veste. Essa falta de sentimento talvez decorra do pouco tempo que ele passa no clube. Pois bem, vi no Fluminense manifestações comoventes e excessivamente esfuziantes.
Jogadores veteranos, com largo caminho percorrido no Brasil e na Europa, donos de troféus, medalhas e faixas, como o lateral Marcelo, que durante oito anos vestiu a camisa do Real Madrid, eleito pela FIFA como o melhor time do século XX; Fábio e Felipe Melo, bicampeões da “Libertadores” pelo Palmeiras; ao comedido Ganso, recuperado pelo técnico Fernando Diniz.
Entre os 11 jogadores do Time de Guerreiros que iniciaram a partida contra o Boca Junior seis têm mais de 35 anos – o mais velho é Fábio com 43 -, mostrando aos preconceituosos deste país que, mesmo numa atividade tão desgastante como o esporte, há espaço para os mais velhos.
A experiência desses “veteranos”, aliada ao trabalho de Fernando Diniz (uma revelação nos momentos mais alegres do espetáculo), foi transmitida aos mais jovens durante toda a campanha do campeonato (8 vitórias, 3 empates e 2 derrotas; 24 gols a favor e 12 contra. Cano, artilheiro do torneio, com 13 gols, merecia uma vaga na seleção da Argentina). O Tricolor colocou na sua conta bancária 27,15 milhões de dólares (cerca de R$ 136 milhões).
Infelizmente, o Fluminense, com o real desvalorizado, vai ter dificuldades para conter o assédio dos clubes europeus em seus jovens valores. O zagueiro Nino está com transferência encaminhada para o Nottingham Forest, da Inglaterra; os britânicos Arsenal, Liverpool e Fulham, disputam o médio André; o Zenit, da Rússia, oferece R$ 63 milhões pelo ponta colombiano Arias. A diretoria do clube espera pelo menos manter o time campeão para o Mundial, marcado para o período de 12 a 22 de dezembro, na Arábia Saudita.
Como em outras oportunidades, o Flu contou com a ajuda do Sobrenatural de Almeida, personagem do dramaturgo e jornalista Nelson Rodrigues, que deve estar festejando o título no “andar de cima”, ao lado de outros tricolores famosos, como Jô Soares, Telê Santana, Tom Jobim, Millor Fernandes, Cartola, Carlos Castilho e Paulo Gustavo.
A Academia Brasileira de Letras está tricolorida pelos seus “imortais” Gilberto Gil e Fernanda Montenegro. Somam-se aos dois intelectuais, Chico Buarque, Arthur Moreira Lima, Ivan Lins, Fred, entre outros.
Com relação a Gil, ocorreu no sábado, à noite, um episódio agradável para os tricolores e decepcionante para os rubro-negros cariocas, que estavam torcendo para os argentinos. Encerrado o jogo, a voz do compositor baiano soa de Lisboa, em tom zombeteiro: “Alô torcida do Flamengo, aquele abraço!”
Conhecendo Beto – era como seus amigos o tratavam – desde a mocidade no bairro de Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador, como torcedor do Bahia (um tricolor baiano jamais será um admirador do Flamengo), sempre achei que um dos versos da canção “Aquele Abraço” nada tinha a ver com o coração verde, branco e grená do nosso querido Gilberto Gil. Lamento,Urubuzada!
VIDAS PALESTINAS IMPORTAM
Carlos González – jornalista
Há quase 90 anos um ex-cabo do exército alemão, com evidentes sintomas de transtorno psicótico, ocupava a posição de Fuher (líder) de um país arrasado pela 1ª Guerra Mundial (1914-1918). Obstinado pela ideia de criar uma raça pura, representada pelos povos germânicos, Adolf Hitler passou à História como o assassino de 6 milhões de judeus. Passados 78 anos do suicídio do ditador nazista, o mundo conheceu Benjamin Netanyahu, o desequilibrado primeiro-ministro de Israel, que se acha no direito de varrer a Palestina do mapa.
“Será impossível esperar de Hitler qualquer ato misericordioso ou tratamento humano”, afiançou o psicólogo norte-americano Henry Murray ao comentar os métodos de extermínio de judeus nos campos de concentração nazistas. Após 20 dias de bombardeios a alvos indiscriminados na Faixa de Gaza, o Gabinete de Direitos Humanos da ONU mostrou preocupação com os crimes de guerra cometidos pelo exército de Israel.
A resposta de Netanyahu, p0pularmente conhecido como “Bibi”, foi o pedido de renúncia do secretário da ONU, o diplomata português António Guterres. Contando com a cobertura parcial da imprensa do Ocidente – alô editores do JN da TV Globo –, o dirigente ultraconservador israelense, no momento em que seu terceiro mandato, vem se opondo veementemente a um cessar-fogo.
Mais de 3.700 crianças já morreram na “luta do bem contra o mal”, como define Netanyahu o avanço da infantaria e de blindados das Forças de Defesa de Israel, reduzindo os 365 km² da Faixa de Gaza (parte do território da Palestina; a outra parte é a Cisjordânia) em terra arrasada.
O último balanço feito nessa quinta-feira, dia 2, registra 9.061 mortes e mais de 30 mil feridos, inclusive de pessoas que viviam em campos de refugiados, de reféns em poder dos terroristas e de 30 jornalistas, além de 360 mil desabrigados. O Hamas, ao invadir território israelense no último dia 7, sem encontrar resistência armada, cometeu atos de extrema maldade, deixando um rastro de 1.400 civis mortos.
Exibição de fotos e vídeos nos meios de comunicação, filmes de vídeo-game para crianças, palestras nas escolas e nos consulados de países ocidentais. Israel tem se valido de uma bem montada campanha publicitária para justificar a ocupação do que ainda resta da Palestina, operação que está sendo vista como um segundo Holocausto, planejada justamente pelos descendentes dos que morreram nas mãos dos nazistas.
Sob a justificativa de estar aniquilando com o Hamas, matando seus líderes e destruindo suas passagens subterrâneas, Natanyahu vai em busca do seu tresloucado ideal: a ampliação do Estado de Israel, nem que para isso seja necessário matar seu último vizinho.
O conflito entre os dois povos começou nos primeiros anos do século passado e se aprofundou em 1948 quando a ONU criou o Estado de Israel e ignorou o mesmo direito da Palestina. Nas últimas décadas os organismos internacionais fecharam os olhos para a troca de hostilidades na região. A imprensa deu pouco destaque aos danos materiais e humanos provocados pelos foguetes israelenses, que caiam sobre escolas e hospitais em Gaza e no Líbano.
Desrespeitando as fronteiras estabelecidas pela ONU, Israel tem incentivado trabalhadores na agricultura a ocupar terras na Cisjordânia, expulsando seus donos e criando assentamentos. Nos últimos dias ocorreram assassinatos praticados pelos invasores, autorizados a portar uma arma de fogo.
Enquanto aviões da FAB retiravam de Israel 1.400 brasileiros, dezenas de judeus-brasileiros embarcavam no aeroporto de São Paulo com destino a Tel Aviv, “para defender minha casa”. No ano passado, 405 jovens imigraram para Israel, com a finalidade de trabalhar nos kibutzim ou servir ao exército.
O sentimento de superioridade que o judeu carrega consigo, ao ponto de achar que o restante da humanidade é antissemita, contrasta há 75 anos com a passividade do palestino, que tem vivido segregado, num gigantesco campo de concentração, com direito a apenas duas horas diárias de luz, na terra que ocupa há milênios. O mais famoso escritor judeu, Amoz Oz, chamou a invasão de Gaza de “genocídio de Israel” e de neonazistas aqueles que a planejaram.
MAIS UMA BANCADA NO CONGRESSO SEM A DO POVO QUE CUIDE DO SOCIAL
Quando a gente esperava que estávamos no caminho da união de todas as camadas mais desfavorecidas, mais pobres socialmente que vivem no baixo nível de pobreza, com seus direitos humanos relegados e desrespeitados, eis que surge a formação de uma bancada dos negros e dos pardos!
Quando vamos aprender a sonhar como sonhou Martim Lutter King, que pregou uma sociedade onde todos deveriam ser iguais, sem distinção de cor e de gênero? Ao invés de nos unirmos, estamos cada vez mais nos dividindo e criando animosidades, ódio e intolerância.
No meu ponto de vista, tudo isso é contraditório e paradoxal quando essas mesmas pessoas antes de se elegerem e se tornarem deputados ou senadores criticavam a existência das diversas bancadas no Congresso Nacional, cada uma reivindicando apenas seus interesses particulares. Vamos fazer também a dos brancos, dos amarelos, vermelhos ou a os dos olhos azuis?
Deveríamos era lutar para acabar de vez com as bancadas ruralistas, da bala, dos evangélicos, dos empresários, da Bíblia e de tantas outras, sem falar no tal Centrão corrupto, e não criarmos mais outra. Quem vai cuidar dos índios (povos originários), dos brancos pobres, lascados e desvalidos, desprovidos de assistência social, sem educação e saúde?
O negócio é cada um cuidar do seu próprio grupo, uma forma de individualizar e não coletivizar para combater, todos juntos, essa cambada elitista de burgueses capitalistas, aristocratas, oligarcas e financistas que desde os tempos coloniais dominam nosso país.
Em minha opinião, posso até ser uma voz destoante e não compreendida, essa nova bancada dos negros e pardos está cometendo os mesmos erros das outras existentes. Entendo que não é por aí que banda toca. Creio até que há quem esteja interpretando que minhas ideias têm viés racista. Pensem como quiserem, mas respeitem minha liberdade de expressão.
Essa bancada vai fazer uma linha de frente contra o Centrão, cujos componentes, na sua maioria, estão abocanhando ministérios do Governo Lula que, por sua vez, apoiou de um modo geral as eleições do PT? Qual vai ser a posição dessa bancada no campo político e ideológico nas votações dos projetos do poder executivo?
Vamos esperar para ver o que vai acontecer. Tenho comentado aqui que esse Congresso Nacional sempre tem sido o calcanhar de Aquiles do Brasil porque a maioria de seus parlamentares só visa mamar nas tetas do povo.
SECA NA AMAZÔNIA E O USO POLÍTICO DA ÁGUA NO NORDESTE
Todos sabem que a seca no Nordeste é secular e que até D. Pedro II chegou a falar em vender as joias da Coroa para solucionar o problema, mas o fenômeno não ocorria em outras regiões do Brasil, como no Norte (Amazonas) e no Sul do país (Rio Grande do Sul,
No entanto, as mudanças climáticas, provocadas pela mão dos homens através das derrubadas e queimadas de florestas, sem falar da poluição do ar por gases tóxicos, e não a determinação de Deus como falam as pessoas comuns, principalmente os evangélicos e católicos, mudaram esse tormento, que castiga os mais pobres, para outros lugares desse nosso Brasil continental.
Agora estamos vendo falar da seca na Amazônia no noticiário da mídia, com a baixa das águas dos rios que cortam Manaus e outras cidades ribeirinhas a ponto de dizimar milhares de espécies de peixes e deixar a população sem o precioso líquido e suas fontes de rendas, como a navegação fluvial para o transporte de mercadorias.
Embora seja aquela chamada seca verde, não comparável com o nosso Nordeste que se transforma numa paisagem cinzenta, árida e estorricada que mata animais, plantações e escorraça o homem do seu habitat, a situação em Amazonas e outros estados não é normal e reflete a ação desastrosa humana contra o meio ambiente.
Mesmo com a transposição do rio São Francisco, o Velho Chico, que ainda oferece algum alento para pessoas mais próximas dos canais (as empresas de irrigação são as mais beneficiadas), pouco se fala da seca em nossa região, inclusive aqui mesmo em Vitória da Conquista que uns idiotas chegam a chamar de Suíça Baiana (uma piada que serve de chacota).
Durante muitos anos como repórter fiz coberturas jornalísticas sobre o flagelo da seca e o seu uso político através dos carros-pipas que cortam as estradas poeirentas do sertão para levar água para alguns moradores (nem todos são contemplados). Com relação a esse absurdo que, infelizmente, ainda persiste, damos o nome de indústria da seca.
Para piorar mais ainda o triste panorama do homem nordestino, li numa rede social, e não é fake news, que uma emenda parlamentar vai favorecer o uso político da água, impondo a indústria da seca, o que é mais um absurdo desse Congresso Nacional que legisla para eles mesmos de costas para o povo. Sem exageros, temos um Congresso que faz do Brasil um país inviável.
SEMIÁRIDO
De acordo com o repórter João Pedro Pitombo, de A Folha, “a adoção das emendas parlamentares como uma das molas propulsoras das políticas de convivência com a seca deve aprofundar o cenário de contrastes no semiárido brasileiro, que incluem as famílias que precisam andar quilômetros para buscar água e as caixas-d’água que apodrecem guardadas por prefeituras.
A dinâmica de distribuição dos equipamentos de armazenamento de água sem planejamento, apontam especialistas, favorece o clientelismo, cria abismos entre municípios, inverte prioridades e aprofunda o problema secular da indústria da seca”.
Na série de reportagens Política da Seca, a Folha percorreu cinco estados do Nordeste e flagrou efeitos dessa distorção no dia a dia de moradores ignorados pelas emendas e pelas estatais, com famílias que muitas vezes têm que escolher entra a compra de comida e de um garrafão de água.
Em âmbito federal, a distribuição de cisternas e perfuração de poços é feita por órgãos como a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) e o Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), ambos entregues a líderes do centrão por Jair Bolsonaro (PL) e mantidos com esses mesmos dirigentes pelo presidente Lula (PT).
Em geral, o planejamento é deixado em segundo plano. São os chamados “barões da água“, políticos com influência em Brasília, que definem o destino dos recursos por meio de emendas, turbinadas nos últimos anos. Os equipamentos são escolhidos a partir de um catálogo, como uma espécie de “loja de políticos”.
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“Isso é talvez uma das maiores evidências da permanência desse modelo clientelista no Brasil. E não é aquele clientelismo que não é menos danoso, mas ocorre na esfera local e causa um esvaziamento de uma agenda mais propositiva. É num nível nacional”, afirma a cientista política Priscila Lapa, professora da Universidade Federal de Pernambuco.
As distorções nos investimentos são ainda mais graves em regiões como a do semiárido brasileiro, região que inclui parte dos estados do Nordeste e o norte de Minas Gerais”.




















Foto divulgação A Folha


