SECA NA AMAZÔNIA E O USO POLÍTICO DA ÁGUA NO NORDESTE
Todos sabem que a seca no Nordeste é secular e que até D. Pedro II chegou a falar em vender as joias da Coroa para solucionar o problema, mas o fenômeno não ocorria em outras regiões do Brasil, como no Norte (Amazonas) e no Sul do país (Rio Grande do Sul,
No entanto, as mudanças climáticas, provocadas pela mão dos homens através das derrubadas e queimadas de florestas, sem falar da poluição do ar por gases tóxicos, e não a determinação de Deus como falam as pessoas comuns, principalmente os evangélicos e católicos, mudaram esse tormento, que castiga os mais pobres, para outros lugares desse nosso Brasil continental.
Agora estamos vendo falar da seca na Amazônia no noticiário da mídia, com a baixa das águas dos rios que cortam Manaus e outras cidades ribeirinhas a ponto de dizimar milhares de espécies de peixes e deixar a população sem o precioso líquido e suas fontes de rendas, como a navegação fluvial para o transporte de mercadorias.
Embora seja aquela chamada seca verde, não comparável com o nosso Nordeste que se transforma numa paisagem cinzenta, árida e estorricada que mata animais, plantações e escorraça o homem do seu habitat, a situação em Amazonas e outros estados não é normal e reflete a ação desastrosa humana contra o meio ambiente.
Mesmo com a transposição do rio São Francisco, o Velho Chico, que ainda oferece algum alento para pessoas mais próximas dos canais (as empresas de irrigação são as mais beneficiadas), pouco se fala da seca em nossa região, inclusive aqui mesmo em Vitória da Conquista que uns idiotas chegam a chamar de Suíça Baiana (uma piada que serve de chacota).
Durante muitos anos como repórter fiz coberturas jornalísticas sobre o flagelo da seca e o seu uso político através dos carros-pipas que cortam as estradas poeirentas do sertão para levar água para alguns moradores (nem todos são contemplados). Com relação a esse absurdo que, infelizmente, ainda persiste, damos o nome de indústria da seca.
Para piorar mais ainda o triste panorama do homem nordestino, li numa rede social, e não é fake news, que uma emenda parlamentar vai favorecer o uso político da água, impondo a indústria da seca, o que é mais um absurdo desse Congresso Nacional que legisla para eles mesmos de costas para o povo. Sem exageros, temos um Congresso que faz do Brasil um país inviável.
SEMIÁRIDO
De acordo com o repórter João Pedro Pitombo, de A Folha, “a adoção das emendas parlamentares como uma das molas propulsoras das políticas de convivência com a seca deve aprofundar o cenário de contrastes no semiárido brasileiro, que incluem as famílias que precisam andar quilômetros para buscar água e as caixas-d’água que apodrecem guardadas por prefeituras.
A dinâmica de distribuição dos equipamentos de armazenamento de água sem planejamento, apontam especialistas, favorece o clientelismo, cria abismos entre municípios, inverte prioridades e aprofunda o problema secular da indústria da seca”.
Na série de reportagens Política da Seca, a Folha percorreu cinco estados do Nordeste e flagrou efeitos dessa distorção no dia a dia de moradores ignorados pelas emendas e pelas estatais, com famílias que muitas vezes têm que escolher entra a compra de comida e de um garrafão de água.
Em âmbito federal, a distribuição de cisternas e perfuração de poços é feita por órgãos como a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) e o Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), ambos entregues a líderes do centrão por Jair Bolsonaro (PL) e mantidos com esses mesmos dirigentes pelo presidente Lula (PT).
Em geral, o planejamento é deixado em segundo plano. São os chamados “barões da água“, políticos com influência em Brasília, que definem o destino dos recursos por meio de emendas, turbinadas nos últimos anos. Os equipamentos são escolhidos a partir de um catálogo, como uma espécie de “loja de políticos”.
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“Isso é talvez uma das maiores evidências da permanência desse modelo clientelista no Brasil. E não é aquele clientelismo que não é menos danoso, mas ocorre na esfera local e causa um esvaziamento de uma agenda mais propositiva. É num nível nacional”, afirma a cientista política Priscila Lapa, professora da Universidade Federal de Pernambuco.
As distorções nos investimentos são ainda mais graves em regiões como a do semiárido brasileiro, região que inclui parte dos estados do Nordeste e o norte de Minas Gerais”.











Foto divulgação A Folha


