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AINDA EXISTE, E NÃO EXISTE MAIS…
Desde a invasão programada de Cabral com suas naus, lotadas de depravados, corruptos e tarados que aportaram em terras brasis, passando pelo período colonial e do império, ainda existe o banho de cuia, o homem que chama a mulher de intuia e imprestável, a casa que não tem energia elétrica e água encanada, o candeeiro e o fifó, a lata d´agua na cabeça, os esgotos a céu aberto nos casebres e favelas, o sarampo, a catapora, a papeira, a diarreia, outras doenças antigas e as mazelas sociais.
Ainda existe a corrupção e o suborno, a burocracia que emperra o processo de desenvolvimento do país, o patrão que ainda trata o empregado de escravo, o noivo que usa o cravo na lapela, a malandragem maliciosa, o gado que berra no agreste nordestino com fome e sede, a cacimba barrenta e a seca, os carros-pipas eleitorais, um Nordeste ainda atrasado, o retirante e milhões que ainda não têm o que comer.
Ainda existe a parteira, o curandeiro, a rezadeira, a feira livre e o escambo de mercadorias. Ainda existe para o criminoso o “não sei, o não vi” e o “eu sou inocente”. Ainda existe o “amigo da onça” que bate em suas costas e lhe chama de irmão. Ainda existe a procissão e o artesão de santos, o croché, o bordado e outros itens.
Ainda existe a injustiça e a profunda desigualdade social, a violação dos direitos humanos, o racismo, a homofobia, a discriminação e o preconceito. Ainda existe o relojoeiro, o sapateiro, o ferreiro, o alfaiate, o amolador de faca, o funileiro, o trapaceiro do conto do vigário do falso bilhete sorteado, o golpista e a falta de educação com milhões de analfabetos.
Ainda existe o voto de cabresto praticado pelos novos coronéis da política que prometem e nada fazem, as castas dos três poderes, as eleições compradas, as leis que são quebradas, a Constituição vilipendiada, o marido que bate na esposa e mata para limpar a honra, o estupro, a pedofilia, o encesto e o Severino que é enterrado em cova rasa. Ainda existe o namoro proibido e os vinis para tocar aquelas inesquecíveis, imortais e eternas canções.
Não existe mais a criança e o jovem que respeita e obedece ao professor e o idoso, o filho que dá benção ao pai e à mãe quando vai dormir e acorda de manhã, o gosto e o hábito pela leitura, a admiração pelos escritores, a carta escrita no papel para um parente distante, a vergonha na cara, o amigo sincero (coisa rara em extinção) e a moça donzela, nem o casamento virgem.
Não existe mais a preservação da natureza, das nascentes, sem a devastação das matas, a precisão das estações do ano, os ventos e as nuvens certas que anunciam a chegada das chuvas, o menino e a menina que brincam de ciranda, de roda, de esconde-esconde, de pião, de bola de gude no buraco, de peteca e nem o homem que vende o quebra-queixo na rua.
Não existe mais a máquina de datilografia, a montaria em jumentos para ir às cidades (agora são as motos), o casamento para sempre, a palavra como acerto de um acordo, tendo como aval o fio do bigode, as tropas que cortavam as trilhas dos sertões, as boiadas e os boiadeiros nas estradas, as rancharias no campo, a saudade dos berrantes e a vida em calmaria.
Não existe mais os trens de passageiros transportando gente, bruacas e bugigangas. Não existe mais o agueiro, o vendedor de lenha nas ruas das cidades, o carregador de malas, o médico da família, a pessoa de total confiança, o andar a pé nas ruas das grandes cidades nas madrugadas e as serestas para as amadas. Não existe mais o telefone fixo e nem o gravador tamanho tijolo, quanto mais aquele objeto, produto ou peça que não se acabava.
DIA NACIONAL DO FORRÓ
Não poderia deixar de registrar e passar em branco o Dia Nacional do Forró, pouco comemorado na data de 13 de dezembro. Na verdade, forró virou sinônimo de Luiz Gonzaga, o rei do baião que, se vivo fosse, estaria completando 111 anos.
É o nordestino “cabra da peste” que saiu daqui e foi divulgar nossa cultura no Rio de Janeiro, na Feira de São Cristóvão. Aliás, ele levou o nosso forró para todo Brasil e para o mundo com canções memoráveis e eternas, como Asa Branca, Triste Partida e tantas outras.
Por ser um ritmo principal das festas juninas do Nordeste, mais ainda me identifico porque me sinto orgulhoso de ter nascido nessa região, tão rica culturalmente. No entanto, quando se fala do “Gonzagão”, temos que lembrar também de seus parceiros Humberto Teixeira e Zé Dantas, sem esquecer Patativa do Assaré, que fizeram com ele lindas canções.
O Dia Nacional do Forró não é tão celebrado quanto o samba quando ritmistas deste estilo fazem festas em vários cantos do país, inclusive com “arrastões” e carros de som pelas ruas e avenidas atraindo multidões. Por que será? Entendo que o samba tem tanto seu valor quanto o forró, dois ritmos populares que estão ligados às raízes da nossa gente ancestral.
Aproveitando a ocasião, quero deixar aqui o meu recado, como sempre faço em meus comentários na época dos festejos juninos. Trata-se do meu repúdio sobre a descaracterização que vem sofrendo o nosso forró ao longo dos últimos anos numa mistura de lambada, arrocha, axé, pagode e até rock, não que seja contra quem gosta desses sons.
Fico muito triste quando vejo prefeitos em pleno São João contratarem bandas a preços altos, com o dinheiro do contribuinte, que nada têm a ver com o nosso forró. Deveria haver uma lei nacional rígida aprovada pelo Congresso, proibindo esse tipo de coisa, com punição severa para qualquer executivo municipal que colocasse no palco cantor ou banda que não fosse forrozeira.
Não me venha com essa que tal artista “famoso” de outro ritmo atrai mais a população. Muitas vezes são lixos musicais sem letra e conteúdo que deformam mais ainda o nosso povo e os levam a esquecer das nossas origens. Sem memória não temos identidade.
Coloquem enredos de qualidade do nosso forró legítimo, chamado “forró pé de serra”, que enche qualquer praça, como já aconteceu aqui em Vitória da Conquista. Tudo depende de uma decisão política com seu coordenador ou secretário de Cultura.
Vamos sim, valorizar o nosso forró que nasceu no Nordeste e encanta os nordestinos nas festas. Não adianta decretar o Dia Nacional do Forró se não houver por detrás uma campanha dos governantes e de todos artistas no sentido de valorizar o nosso patrimônio imaterial.
Forró é Maranhão, Rio Grande do Norte, Piauí, Ceará, Paraíba, Sergipe, Alagoas e Bahia. Forró é a sanfona, o zabumba e o triângulo. São dois pra lá, e dois pra cá. São letras que falam da nossa terra, das tradições e dos costumes da nossa gente.
DEU A LOUCA NO MUNDO
Se o nosso “Maluco Beleza” baiano Raul Seixas estivesse vivo tinha muitas coisas para falar em suas canções. Como se diz no popular: Pratos cheios para compor. Deu uma loucura no clima com o aquecimento global de quase 50 graus, provocado pelo homem, mas o culpado é o El Nino. Parece que toda humanidade tomou algum lisérgico daquele bem pesado. Estamos viajando no surreal.
O Brasil ninguém leva a sério e tome leis e decretos para acabar com as segregações, com os ódios e as intolerâncias. O Governo do PT continua cometendo os mesmos erros de sempre. Só se fala em falas pretas, músicas pretas, literatura preta, empoderamentos e outros movimentos equivocados que, ao invés de unir, só fazem nos dividir e separar. Não mais as lutas de classes, mas de gênero e cores.
Nossa língua portuguesa está virando um “portuinglês” com a incorporação de tantos termos dos ianques. Coisa de louco nas fachadas e vitrines das lojas! Nossa mídia também entrou nessa onda. A tendência é o português virar uma língua morta como o latim. Nas redes sociais, todos escrevem errado com suas besteiras de fofocas e boatos. A mediocridade destronou a meritocracia. O Malafaia só falta vestir uma saia para enganar seus seguidores doentes mentais e incultos. Viva a lavagem cerebral evangélica!
E a nossa literatura? O escritor e o poeta ficam catando um leitor aqui e acolá com seu livrinho na mão mendigando uns trocados. Os “artistas” da música só fazem lixo com letras banais porque é “disso que o povo gosta” – como dizem por aí. O pintor e o escultor não passam de seres solitários porque somente poucos apreciam suas artes. O ator está sem palco e “pouca merda”.
Nossa velha geração da cultura, do pensar, ler, filosofar e refletir está morrendo e, seu lugar, está sendo ocupado por uma multidão de jovens que só querem aprender apertar um parafuso ou fazer um robô, uma máquina qualquer para servir ao mercado do consumo. Sociologia, geografia, história, filosofia, letras e outras matérias de humanas não têm mais valor. O homem sapiens está se acabando. Estamos trocando o iluminismo pelas trevas do obscurantismo.
No decadente superficial Estados Unidos, o Baden ainda que ser presidente e o maluco do Trump quer voltar ao poder. Na Rússia, o Putin encarnou-se num Stalin do Kremlin, ou Czar imperador e manda massacrar os ucranianos. O “Bibi” dos judeus de Israel está exterminando os palestinos com suas bombas assassinas em nome do holocausto. A ONU não tem voz e virou uma piada.
Os ditadores estão espalhados por todos lugares disseminando crueldade, como na Hungria, Bielorrússia, na Turquia de Erdogan e outros países asiáticos (Malásia). Na América do Sul, o Maduro apodreceu no galho e agora quer invadir a região de Essequibo, na Guiana, que vive na extrema pobreza com três mil soldados.
Na Argentina vizinha (eu serei você amanhã), o povo em desespero elege o maluco Mileit, cópia do Trump e do Bozó brasileiro. Em plena evolução tecnológica da internet do mundo virtual que invadiu nossa privacidade (agora está aí a inteligência artificial), vivemos no escuro humano do terror e da violência brutal primitiva. Aliás, estamos só regredindo.
Deu a louca no mundo do PIB (Produto Interno Bruto) onde só importa o crescer a produção, o concentrar de rendas, como se isso significasse desenvolvimento social. Enquanto isso, o planeta padece com a destruição em massa de gases tóxicos, lixos e sujeiras. A supremacia, a seletividade e a tirania vão matando de fome e doenças os milhões de pobres, como na África. Estamos em plena loucura coletiva!
Quer ser louco também? Junte-se a eles, ou fique de fora como um excluído renegado, arcaico, nojento e decadente que não acompanhou o processo evolutivo da competição a qualquer custo. Você que não concorda com tudo isso não passa de um marginal e anormal. Tem que entrar na loucura total, ou morrer. Você não é um terráqueo. Você é um extraterrestre, um ET de Varginha.
SARAU A ESTRADA DISCUTE “TROPEIRISMO E CAMINHOS NO BRASIL IMPÉRIO”
Eles iam abrindo trilhas, fazendo caminhos e estradas para comercializar suas mercadorias em locais distantes do nosso Brasil, principalmente no Nordeste. Suas lidas eram cheias de obstáculos e tinham uma alimentação diferenciada, como a farofa de farinha, o feijão, a carne seca e a rapadura. Entre os ingredientes inventaram o feijão tropeiro até hoje apreciado por todos.
Estamos falando dos tropeiros, tema que foi debatido no último Sarau A Estrada do ano e que teve como palestrante a estudiosa no assunto Maris Stella, da Catrop, que abriu os trabalhos na noite de sábado (dia 9/12), no Espaço Cultural A Estrada, e fez uma ampla explanação sobre o tropeirismo no Brasil e em Vitória da Conquista.
De acordo com o livro-cartilha “Memória Histórica do Tropeirismo em Vitória da Conquista”, patrocinado pelo IPAC, Governo do Estado e apoio de outras entidades, tropa, na definição da própria palestrante, é um sistema de transporte composto por animais cargueiros. Eram utilizados jegues ou jegas para cargas mesmo pesadas e distâncias curtas, enquanto burros e mulas serviam para lugares mais longe com maiores cargas. Este conjunto era conduzido por tropeiros.
O tropeiro, segundo Maris Stella, poderia ser o dono ou o condutor dos animais. Conduzia a exportação de produções agrícolas locais como cachaça, açúcar, farinha, couro, rapadura, dentre outros. Trazia sal, cerveja, querosene em latas, tecidos, grãos, produtos manufaturados pelas indústrias europeias, como óculos, leques, livros, chapéus, bebidas em geral, dentre outros utensílios. “Nesse trânsito, valores e culturas eram compartilhadas em ranchos e povoados ao longo dos caminhos”.
O livro fala ainda sobre o que é tropeirismo? Um fenômeno sócio-histórico e cultural decorrente do trânsito e das mediações estabelecidas entre os tropeiros e as populações com que estiveram em contato. O capítulo segundo destaca a Composição e Funcionamento de uma Tropa, composta de homens e animais. Em geral trabalhavam duas ou mais pessoas, cada um com suas funções e 12 animais formavam uma tropa.
A obra ainda descreve sobre de que forma se transportava as cargas, ensina como se faz uma bruaca (peça artesanal, cuja matéria-prima era o couro), diz como era a jornada diária de um tropeiro, fala das rancharias, como se alimentavam, se vestiam, como os tropeiros transmitiam e aprendiam conhecimentos e, por fim, o tropeirismo em Vitória da Conquista e região.
Maris Stella informou que o tropeirismo em Conquista começou a partir da formação do arraial pelo seu fundador João Gonçalves da Costa. Na pontuação do professor Itamar Aguiar, João Gonçalves foi um dos maiores abridores de estradas no Brasil, a mando do próprio rei de Portugal, para o transporte do ouro e das mercadorias, muitas das quais vindas do litoral a partir de Cachoeira e Nazaré.
Aqui, como assinala a palestrante, eles faziam rancharias na antiga Rua Grande (Centro da cidade), inclusive num barracão onde hoje é a primeira Igreja Batista. Sobre o tema, Maris Stella falou também do tropeirismo que ocorreu em Sorocaba, em São Paulo, um centro que recebia tropeiros vindos do sul (Paraná, Rio Grande do Sul) e até mesmo do Nordeste.
Fim dos debates, o Sarau continuou com seu formato de treze anos, com cantorias de viola do nosso músico e compositor Walter Lajes, com os causos do nosso companheiro Jhesus, declamações de poemas por Edna, Jeremias Macário, Vandilza, a anfitriã que a todos recebeu com um delicioso bode cozido, nosso Dall Farias e outros poetas.
Luis Altério postou no grupo de escritores conquistenses, no Zap, que “o sarau foi maravilhoso e a palestrante foi o ponto alto. Aqui parabenizo o professor Itamar, Vandilza, Jeremias e outros que fomentam este sarau. Vida longa ao Sarau A Estrada!. Temos que valorizar estes eventos. São coisas que fazem a diferença… Vivam os encontros e a vivacidade da arte e do conhecimento!” Nós agradecemos as presenças de todos e que em 2024 venham outros saraus já nos seus 14 anos de existência.
Como sempre, o evento transcorreu num clima fraternal de bate-papo cultural, troca de conhecimentos e varou a madrugada com os comes e bebes de tira-gostos, cerveja e vinho entre a biblioteca e o quintal. Foi uma passagem dos treze para os 14 anos, com o próximo já marcado para fevereiro, com o tema sobre a ditadura civil-militar de 1964 quando completa 60 anos, tendo como foco a resistência que aconteceu em Vitória da Conquista contra o regime de opressão.
Fizeram parte do nosso tradicional evento, Juanice Flor, Luis Altério, Lidia, Manoel Domingos, Nilde, Adiramélia, Clovis Carvalho, Lucas Carvalho, Humberto, Rosângela, Viviane Gama, Igor Brito, Maria das Graças, Odete, Caique Santos, Neto, Rozane Martins, Cleo, Maria das Graças Bispo Santana e outros que abrilhantaram nossa festa.
UM BRASILEIRÃO FORA DE SÉRIE
Carlos González – jornalista
Eu arriscaria a afirmar que, desde 1959, quando foi disputado o primeiro Campeonato Brasileiro com o nome de Taça Brasil, conquistado pelo Bahia, nenhuma das edições posteriores foi mais arrebatadora do que a deste ano. Independente do interesse despertado no público até a última rodada, o torneio promovido pela CBF foi marcado por fatos surpreendentes, que somente podem ser explicados pelo Sobrenatural do Almeida, personagem criado pelo jornalista tricolor Nélson Rodrigues.
O torcedor brasileiro tem conhecimento de sobra da derrocada do Botafogo depois de virar o turno com 47 pontos, um recorde no Brasileirão. Toda a “gordura” – 14 pontos na frente do segundo colocado – derreteu nos 19 jogos restantes, e o time alvinegro, que está há 28 anos na fila, caiu para a 5ª posição, que lhe dá o direito de disputar em 2024 uma pré-Libertadores contra dois adversários.
Se duas das figuras mais populares da história do Bahia (o chefe de torcida “Lourinho” e o massagista “Alemão”) estivessem vivos eu diria que eles colocaram um galo (o símbolo do Atlético Mineiro) de bozó em alguma encruzilhada. O “trabalho” teria dado o resultado esperado, mantendo o Bahia na 1ª divisão do futebol brasileiro. Sua torcida estava desiludida; os seguidores de Exu (orixá que tem as cores vermelha e preta) já comemoravam; santistas e vascaínos gratificavam via pix nas últimas rodadas os adversários do clube baiano. Senhor do Bonfim e Oxalá receberam os agradecimentos dos tricolores.
Um detalhe passou despercebido no jogo em que o Fortaleza venceu o Santos na Vila Belmiro, resultado que manteve o Bahia na divisão de elite nacional. Na minha opinião o clube cearense pagou uma dívida que tinha com Rogério Ceni. Entre 2018 e 2019, o ex-goleiro do São Paulo, iniciando na função de treinador, ganhou o Brasileirão da série B, a Copa do Nordeste e o Campeonato estadual, projetando o Fortaleza no cenário internacional – a Sul-Americana – e a liderança do futebol do Nordeste, mantida até hoje. O mais importante foi que Ceni ganhou o apreço dos desportistas cearenses.
Na realidade, não foi um campeonato onde os times esbanjaram técnica, uma virtude que o Brasil perdeu desde 1982. A exportação de jovens jogadores para a Europa tem sido cada vez maior e os clubes não têm como barrar esse comércio. A imprensa esportiva tece elogios ao palmeirense Endrick, de 17 anos, negociado no ano passado com o Real Madri por 60 milhões de euros (R$ 316 milhões). Se uma empresa está com déficit em caixa é obrigada a se desfazer do seu patrimônio. O Flamengo gastou em contratações este ano R$ 746 milhões e não ganhou nada; o Corinthians recorre ao seu mais influente torcedor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para saldar um débito de R$ 600 milhões com a Caixa.
Sejamos mais uma vez realistas, os estádios “encolheram” (um público hoje de 50 mil pessoas é destaque no noticiário) e a “fábrica de craques” fechou. Não veremos mais um Bahia de Osni, Douglas e Bobô; um Fluminense de Carlos Alberto e Rivelino; um São Paulo de Raí; um Palmeiras de Ademir da Guia; um Flamengo de Zico e Adílio; um Cruzeiro de Tostão e Nelinho; um Vasco de Roberto Dinamite e Romário; um Corinthians de Sócrates.
O Fluminense viaja para a Arábia Saudita onde a partir do dia 18 vai disputar o Mundial de Clubes. Não leva as bênçãos dos seus coirmãos. Pelo contrário. Rubro-negros, vascaínos e botafoguenses acusam o Tricolor de traidor, por ter escalado um time alternativo nas últimas rodadas do Brasileirão, sob a justificativa, sem a menor contestação, de que não ia arriscar seus melhores jogadores em jogos que não alterariam sua posição na tabela. Depois de ganhar a Libertadores, o Fluminense vai em busca de seu maior troféu.
Esse atípico Brasileirão de 2023 projetou no cenário nacional um clube do interior do país. O Bragantino, da cidade paulista de Bragança Paulista, garantiu como sexto colocado uma vaga na pré-Libertadores. Fundado em 1928, o clube alvirrubro, apelidado de Massa Bruta, mudou de identidade em 2019 ao se associar à indústria de bebidas energéticas Red Bull. Uma dica para os clubes do interior baiano, em especial ao Conquista.
O Vitória conseguiu finalmente se livrar do estigma de vice que carregava há 124 anos. Campeão da 2ª divisão do Brasileirão este ano, o rubro-negro está em dúvida se coloca uma estrela na camisa Outra indagação está relacionada à troca de identidade, mediante a quantia de R$300 milhões, oferecida pela Fatal Model, uma agência de aluguel de acompanhantes. Na consulta feita aos torcedores cerca de 90% se mostraram contrários.
CBF fragilizada
Um dia depois de ter participado de seu último ato oficial (entrega da taça de campeão brasileiro ao Palmeiras), Ednaldo Rodrigues é afastado da presidência da CBF, por decisão de três desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, sob justificativa de irregularidades no ritual da última eleição. Um interventor foi nomeado para o cargo, com orientação de promover nova eleição dentro de 30 dias.
O processo, sob sigilo, teria sido movido por Ricardo Teixeira e Marco Polo del Nero, duas das principais peças na engrenagem corrompida da CBF, juntamente com o falecido João Havelange, José Maria Marin e Rogério Caboclo (acusado de assédio sexual). Marin chegou a ser preso na Suíça e condenado nos Estados Unidos. Por décadas, receberam o apoio das federações estaduais, cujos presidentes se tornaram vitalícios.
Se ficar comprovada a ilegalidade no processo que levou Ednaldo Rodrigues à presidência do futebol brasileiro, a CBF será suspensa pela Conmebol e pela FIFA. Em consequência, os times brasileiros estarão fora da Libertadores e da Sul-Americana de 2024. A FIFA garantiu a participação do Fluminense no Mundial de Clubes este mês.
Do nosso observatório, vínhamos notando a má vontade da imprensa carioca e paulista com o baiano aqui de Vitória da Conquista, que um dia chegou a declarar ter sido vítima de preconceito, por ser nordestino e negro. Na noite em que a Seleção da Argentina voltou para o vestiário do Maracanã, ameaçando não jogar contra o Brasil pelas Eliminatórias, o hoje colunista Galvão Bueno bradou: “Peça pra sair Ednaldo”. Responsabilizou o dirigente pelas três derrotas consecutivas do time nacional.
A Associação Nacional de Árbitros de Futebol do Brasil (ANAF) divulgou ontem nota parabenizando a Justiça por ter afastado “o pior presidente que a CBF já teve em sua história recente”. Assinada pelo presidente Salmo Valentim, a nota ressalta que chegou a hora da arbitragem andar sozinha e conclama clubes e federações a cortarem “o cordão umbilical que os unem à CBF”.
RETALHOS ESCRITOS (MEUS E DOS OUTROS)
(Chico Ribeiro Neto)
O relógio de parede da casa de vovô Chico em Ipiaú, Bahia. O tempo mora ali e quem toma conta é o passarinho.
O RELÓGIO DE “TRISTEZA”
O melhor goleiro da turma da Rua Gabriel Soares, em Salvador, era “Tristeza”. Voava nos paralelepípedos durante os “babas”, se ralava todo mas a bola não entrava. O apelido vem do fato dele nunca sorrir.
“Tristeza” tinha um relógio de pulso que só vivia quebrando. Levava ao relojoeiro e uma semana depois o bicho parava novamente de funcionar. Um dia, depois de umas quatro idas ao relojoeiro e do bicho parar mais uma vez, “Tristeza” botou o relógio em cima do meio-fio, pegou um paralelepípedo, ergueu-o no alto, gritou “agora você não vai mais aborrecer ninguém” e jogou-o com toda força sobre o relógio quebrão.
DESPONGAR DO BONDE
Ainda peguei o bonde em Salvador. Tinha o bonde aberto e o bonde fechado. No aberto era mais fácil viajar sem pagar, porque a gente fugia do cobrador andando pelos estribos.
Eu, com uns 11 anos, e meu irmão Cleomar, com uns 13, íamos para o Cine Pax, na Baixa dos Sapateiros, que passava dois filmes de cobói. A gente pegava um bonde, saltava na Praça da Sé e descia uma ladeira vizinha à Igreja de São Francisco, que ia dar no Pax.
Era um bonde aberto. Cleomar propôs que a gente despongasse (saltar do bonde ainda em movimento) antes do bonde fazer a curva na Praça da Sé. Eu não sabia despongar. Tem que ter uma arte pra isso: tem que pular do bonde com o corpo inclinado para trás porque senão você cai pra frente. Pulei reto, que nem uma vara em pé, todo duro. Não deu outra: saí “catando ficha” e fui me estabacar numa velhinha, derrubando-a. Ela gritou “socorro” e só ouvi o grito de Cleomar “corre, Chico” e me piquei ainda ouvindo os xingamentos da velhinha que me freou.
DO ATO DE ESCREVER
“Remexa na memória, na infância, nos sonhos, nas tesões, nos fracassos, nas esperanças mais descabidas…no fundo do poço sem fundo do inconsciente: é lá que está o seu texto”. (Do escritor Caio Fernando Abreu).
BALCÃO DE UMA VENDA
O escritor José J. Veiga, em seu excelente livro “A Hora dos Ruminantes”, descreve na página 19 o balcão de uma venda na pequena cidade de Manarairema: “O chão precisava de vassoura, o balcão precisava de uma limpeza com pano molhado para tirar aquelas argolas do fundo de copo de cachaça, os derramados de açúcar, a gordura salgada dos pesos de carne seca, os farelos de rapadura e farinha”.
O TRATOR DO NATAL
Nunca esqueço do trator que ganhei do meu pai Waldemar quando tinha uns quatro anos, em Ipiaú. O trator soltava fagulhas enquanto andava e fiz sucesso no passeio da Rua 2 de Julho. Todo menino queria pegar no brinquedo encantador.
Natal dorme na lembrança e sempre acorda quando dezembro começa. O pisca-pisca da fachada do Shopping Barra só me lembra o trator, e dá vontade de chorar.
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br
ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL PARA QUEM?
Tema de redação do vestibular da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, em entrevista a um canal de televisão da cidade, o professor Adão Albuquerque deu uma aula ou uma lição para a própria mídia e até mesmo para nutricionistas que, em reportagens, recomendam que as pessoas mantenham uma alimentação saudável, quando esquecem das profundas desigualdades sociais existentes no Brasil. Até parece que aqui é uma Suíça Baiana, ou Brasileira! Só se for em Vitória da Conquista!
Em meu blog www.aestrada.com.br, que eu o chamo de minha tribuna ou ágora, sempre tenho feito comentários dessa natureza quando assisto matérias sobre o assunto, mostrando o colorido das feiras onde o profissional fala das frutas, cereais, hortaliças e das verduras que mais devem ser consumidas, com base em seu teor de proteínas, vitaminas, ferro, zinco, potássio, fósforo e outras propriedades químicas que contém numa alimentação saudável. O pobre coitado deve imaginar que estão querendo gozar com a cara dele.
Como o professor Adão, fico cá comigo a pensar quantos nesse Brasil do Mapa da Fome, de 30 milhões vivendo na pobreza entre a extrema e a aguda, dependentes de doações e do Bolsa Família, podem ter uma alimentação saudável, quando comem o que aparecer, e muitos que nem fazem um almoço ou uma janta? O tema da redação é para uma camada da elite de brasileiros que têm um bom poder aquisitivo de compra. Até a classe média baixa não tem condições de acompanha essa orientação.
Como falar em alimentação saudável para um povo faminto, que vive em casebres e favelas, num amontoado de esgotos a céu aberto, que até há pouco tempo estava nas filas do osso e ainda milhares de moradores de rua que catam restos de comida no lixo? É até uma insensatez e um paradoxo que, infelizmente, a nossa mídia deixa de questionar. Trata-se de uma linguagem capitalista que afronta a nossa pobreza.
Ter uma alimentação saudável nos faz lembrar dos países nórdicos (Suécia, Dinamarca, Noruega, Reino Unido), da Europa Ocidental e dos Estados Unidos. Do outro lado oposto carente, nos remete também ao continente africano, a América do Sul e algumas nações asiáticas que sofrem de grave deficiência alimentar, enquanto os ricos estão mais preocupados em fabricar armas para guerrear, navegar em iates luxuosos e em foguetes para conhecer o espaço sideral.
Além da questão social, no Brasil existe outra grande incoerência: Somos um país rico em alimentos, principalmente em grãos e carnes, mas destinados à exportação. O agronegócio empresarial dos desmatamentos não pensa em botar comida na mesa do brasileiro. Com suas máquinas potentes nos campos a perder de vista, cheios de agrotóxicos, seu esquema é lucrar em dólares.
A agricultura familiar, ainda pouco assistida, especialmente por causa da burocracia dos bancos privados e oficiais, ainda é o setor da produção agrícola que coloca o alimento em nossas mesas e bem mais saudável, inclusive orgânicos. Mesmo assim, só poucos são beneficiários e têm condições financeiras de acesso. Então, é difícil falar em alimentação saudável num país tão pobre e medíocre.
Outro problema similar à discussão em referência à redação do vestibular é quando a mídia aborda a questão da saúde no Brasil ao entrevistar médicos que falam da importância da prevenção em fazer exames rotineiros, no sentido de combater com antecedência doenças crônicas. Com o sistema precário do SUS que temos, somente poucos podem fazer regularmente esses procedimentos.
O acesso às novas tecnologias e às inovações na medicina é para uma minoria de abonados pertencentes às castas brasileiras que todos sabem quais são elas. Quantos pobres lutam na justiça para conseguir uma vaga de internação para fazer uma operação de média e alta complexidade? A Constituição do direito à saúde para todos só funciona na teoria.
Acho engraçado e até hilário, para não dizer uma piada, quando um jornalista ou um profissional da saúde manda que as pessoas procurem seu médico e não adquiram remédios nas farmácias sem receitas, como se cada um tivesse esse privilégio de ter um “doutor” para si. No SUS você marca um exame de tomografia ou mamografia, por exemplo, e passa mais de um ano na fila de espera.
Vamos mostrar a realidade como ela é, parodiando o nosso dramaturgo Nelson Rodrigues (A vida como ela é), do complexo de vira lata, e não ficarmos enganando, fazendo um jornalismo burguês num país de tantas desigualdades sociais, de violações dos direitos humanos, de tantas injustiças, falsidades, mentiras políticas e mediocridades. Alimentação saudável para quem? Só se for para os mesmos de sempre.
APEGO AO PODER
Carlos González – jornalista
Três anos à frente do município de Vitória da Conquista não foram suficientes para que a prefeita Sheila Lemos aprendesse os malabarismos da política. Poderia ter chamado para assessorá-la nessa complicada matéria um dos “catedráticos” – e não são poucos – do seu ex-partido, o MDB, ou do atual, o União Brasil. Preferiu seguir o caminho sinuoso do seu antecessor e padrinho político Herzem Gusmão.
O administrador público não deve considerar seu adversário como inimigo, atitude de quem se apega ao poder. No seu primeiro ano de governo, o ex-petista Herzem não quis conversa com os governadores Jaques Wagner e Rui Costa, ambos do PT. Seu lema era “ódio ao Partido dos Trabalhadores”. Preferiu recepcionar em Conquista os irmãos Vieira Lima, o ex-deputado Roberto Jefferson e o ex-presidente Jair Bolsonaro, todos condenados mais tarde pela Justiça, sendo que dois deles foram “hóspedes” da penitenciária da Papuda.
Num intervalo de três semanas, em outubro de 2020, milhares de eleitores em Conquista trocaram de camisas – no futebol seria como um torcedor do Flamengo passasse a se emocionar com o Fluminense. Herzem, ex-petista de carteirinha, que havia perdido no 1º turno para Zé Raimundo (PT), “virou o jogo”. O resultado foi contestado na Justiça pelos perdedores.
Aquelas pessoas que têm acesso aos corredores e salas da prefeitura afirmam que a repulsa de Sheila pelo PT e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva é maior do que a do seu antecessor. Há poucos dias a população conquistense teve uma prova: sua prefeita não foi ao encontro do governador Jerônimo Rodrigues, da ministra da Saúde, Nísia Trindade, e da secretária estadual de Saúde, Roberta Santana. Nem há menção da visita no boletim diário do município.
A saúde, assim como a educação, não deve estar vinculada – o que não aconteceu no governo de Jair Bolsonaro – dessa nojenta política partidária. A ministra não se deslocou de Brasília para pedir votos para o candidato petista, o deputado Waldenor Pereira, nas eleições de outubro. Veio trazer benefícios (20 leitos de UTI, 12 ambulâncias para o SAMU e recursos estimados em R$ 22 milhões) para uma população que clama por melhor assistência médica e hospitalar. Ninguém pode negar que Conquista vive uma crise social. Mas, ao que parece, ampliar o número de salas de aula e de postos médicos não dá votos.
Se amanhã um cliente entrar no estabelecimento comercial da sra. Sheila Lemos usando uma camisa com a estampa de Lula e a estrela do PT tenho certeza de que será atendido atenciosamente, como ensinam os manuais da boa educação entre pessoas civilizadas.
O desequilibrado Javier Milet, presidente eleito da Argentina, enviou sua futura ministra das Relações Exteriores a Brasília com um convite a Lula para sua posse. Meses antes, o portenho chamou seu colega brasileiro de corrupto, revelando claramente que daria início a uma briga de vizinhos. A título de curiosidade, revelo aqui uma particularidade do Milet: trocou a camisa do Boca Juniors, “que andava numa fase ruim”, pela do River Plate. Os dois clubes são arquirrivais. Palmeirense declarado, Bolsonaro posou a bordo de um jet-sky com a camisa do Corinthians. Sintomas de desequilíbrio emocional.
Inaugurar obras dos antecessores ou tomar para si resoluções alheias é comum entre os políticos. Bolsonaro foi o presidente que mais deu curso a essa condenável prática. Em 23 de julho de 2019, o ex-capitão esteve em Conquista participando da inauguração do Aeroporto Glauber Rocha. Numa placa feita às pressas constam os nomes de Bolsonaro e Herzem. Ambos não colocaram nem um tijolo no novo terminal aeroviário.
Sheila já deu a largada em busca dos votos do conquistense: aumento da verba publicitária e um maior endividamento do município (empréstimos no valor total de R$ 165 milhões feitos em três anos). Nessa corrida vale “pegar uma ponga” naquilo que o governo federal tem no momento em benefício da nossa população.
Um folder inserido no Diário Oficial do Município convidava os fazedores de cultura daqui a fazer suas inscrições para ter acesso aos recursos provenientes da Lei Paulo Gustavo (Lei Complementar 195, de 8 de julho de 2022). Os menos esclarecidos podem imaginar que se trata de uma iniciativa da Prefeitura de Vitória da Conquista, cuja marca está bem visível no convite. Não há menção ao Ministério da Cultura (atenção ministra Margareth Menezes), o verdadeiro responsável pela ajuda àqueles que não puderam dar continuidade aos seus projetos devido à pandemia.
Nos próximos meses será amplamente divulgada uma deliberação do governo federal de natureza bastante popular. O Ministério das Cidades anuncia a construção de 1.800 unidades do programa “Minha Casa, Minha Vida”. A inscrição dos interessados estará a cargo da prefeitura conquistense. Quais os critérios que serão usados na indicação dos beneficiados? Esperamos que não se leve em conta o voto de quem sonha com a casa própria.
FEIRA LITERÁRIA DE ITAPETINGA CUMPRIU SUA MISSÃO DE INCENTIVAR A LEITURA
Com a realização de debates literários, palestras, simpósios, oficinas, exposição e lançamentos de livros de escritores locais e da região, inclusive de Vitória da Conquista, a I FLITA – Feira Literária de Itapetinga foi mais um encontro, entre tantos outros na Bahia, que contribuiu para o incentivo da leitura e a divulgação de obras de nossos autores, principalmente de novos talentos.
De 30 de novembro a 2 de dezembro, o evento contou com a iniciativa da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, Fundação Pedro Calmon, parceria da Prefeitura Municipal através da Secretaria de Educação, dentre outras instituições ligadas ao setor, como da Academia de Letras de Itapetinga.
Com um formato diferenciado, as atividades da I FLITA aconteceram em diversos pontos da cidade, como na Uesb, Vila Operária, Academia de Letras e na Concha Acústica onde os escritores apresentaram suas obras. Essa diversificação de lugares terminou esvaziando o público interessado em conhecer os trabalhos dos autores devido a questões de deslocamento.
Essa crítica foi feita pelos próprios escritores presentes numa reunião informal com os curadores Luciano, Sibely Nery e a própria Roberta Caetano que atenderam muito bem a categoria e prometeram fazer algumas correções no próximo evento. Uma delas será a de organizar a feira num só ponto da cidade, para facilitar uma maior participação dos interessados no sentido de atingir um melhor aproveitamento das palestras e dos lançamentos de livros.
Os escritores, editores, poetas, contadores de histórias, cordelistas, livreiros e demais profissionais da arte literária de um modo geral foram bem acolhidos pela Comissão Organizadora da FLITA, especialmente por Roberta Caetano (Beta) e suas colegas de trabalho que estiveram o tempo todo, com total dedicação e presteza, atendendo as demandas dos participantes.
Nossos poetas e escritores José da Boa Morte, que se deslocou lá da capital, Roger Luis e outros que se fizeram presentes, se sentiram satisfeitos com o atendimento dos curadores e assistentes do evento, apenas observaram que, por questões de logística, a Feira deveria ter sido concentrada num único lugar e não em pontos diferentes da cidade.
Foi mais uma Feira Literária realizada na Bahia (Vitória da Conquista também fez a sua em novembro) que significa uma injeção de ânimo em nossa cultura, contemplando todas as linguagens artísticas, inclusive a rapaziada e as mulheres do Hip-Hop que deram seu recado na Concha Acústica.
TEM AMOR E PAIXÃO NA BANCA DE REVISTA
(Chico Ribeiro Neto)
Mamãe Cleonice morava em Aracaju e uma vez levei pra ela oito livros de “Sabrina”. “Melhor amor não há”, ela me dizia sobre as histórias dos livros. “Tudo sem muita confusão, com final feliz, eu agora quero é ler histórias de amor água com açúcar, sempre um final feliz, eu quero ler é romance, muito romance”, dizia minha velha, que também adorava o clássico romance “Éramos Seis”, de Maria José Dupré.
Essa semana vi numa banca de revista velhos exemplares de “Sabrina”, “Júlia” e “Bianca”, a 1 real cada. Amarelados, os livros continuam rubros de amor e paixão.
Segundo o artigo “Qual a história por trás da série de livros Júlia, Sabrina. Bianca?”, de Luiz Antônio Ribeiro, postado no site jornalnota.com.br em 15/12/2021, “o nome já diz tudo: romance de banca de jornal. Uma literatura popular e acessível a todos, com preço baixo”.
“As histórias, todas de amor, com bastante sexo, corpos nus e aventuras exóticas entre passados conturbados e presentes pulsantes, fizeram que vidas de gerações de pessoas fossem transformadas para ter um pouco mais de alegria”, diz Antônio Ribeiro.
Segundo ele, “Sabrina” foi a primeira dessas séries a chegar às bancas de jornal. O sucesso foi tão grande que em 1978 a série “Júlia” foi lançada e no ano seguinte a série “Bianca”.
“A Nova Cultural continuou distribuindo Sabrina, Júlia e Bianca nas bancas até 2011. Depois disso passou a vender os livros da série apenas nos sites da editora”, segundo o blog livroseopinião.com.br. Sempre escritos por mulheres, os livros da série eram fornecidos à Editora Nova Cultural pela Harlequin Enterprises, do Canadá.
Segue um trecho de “Sabrina”, do livro “Irresistível Tentação”, de Amanda Browning, de 1996, na página 91:
“Lucas beijou cada centímetro de seu corpo, encantado com a perfeição e maciez. Depois, despiu-a e ficou nu também. Com um sorriso malicioso, ele disse:
– É sua última chance, gatinha. Se não é o que quer, fale agora e eu paro. Se continuarmos além deste ponto, será impossível.
– Se você parar agora, eu o mato, Lucas Canfield.
Os livros traziam no final chamadas para as próximas edições. Em “Bianca”, livro ”Sombras da Desilusão”, de Nicole Monet, de 1984, uma chamada para a edição 272, “O Conquistador”, de Ariel Berk: “A lembrança do corpo vigoroso e sensual daquele rude montanhês a consome de desejo”.
Outra chamada anuncia a edição 273, de “Bianca”, “Lago Encantado”, de Lynda Trent: “Amar e ser amada numa cabana perdida no meio da mata era tudo que ela sonhara!”
Alguns exemplares trazem no final um perfil da autora. Em “Júlia”, no livro “Experiência Ousada”, de Susan Napier, de 1996, o perfil da autora assinala que “ela nasceu eu Auckland, Nova Zelândia, no Dia dos Namorados, que se comemora em 14 de fevereiro (…) Quando não está escrevendo, gosta de ler e cozinhar, às vezes simultaneamente”.
“Desista!” Chad Walker diz a si mesmo. “Pare de sofrer por causa de Katherine. Se ela insiste em pensar que é frígida, deixe-a em paz com sua obsessão!” Mas, para Chad Walker, esquecer Katherine é impossível. Aquele corpo bonito e sensual o consome de desejo. (“Bianca”, livro “Sombras da Desilusão”, de Nicole Monet, de 1984).
Obrigado a “Sabrina”, “Júlia” e “Bianca”, vocês ajudaram a aliviar muitas dores e a conquistar novos amores. Alegraram corações solitários,
alimentaram novas ilusões e ajudaram a liberar muitas lágrimas represadas.
(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)






























