DIA NACIONAL DO FORRÓ
Não poderia deixar de registrar e passar em branco o Dia Nacional do Forró, pouco comemorado na data de 13 de dezembro. Na verdade, forró virou sinônimo de Luiz Gonzaga, o rei do baião que, se vivo fosse, estaria completando 111 anos.
É o nordestino “cabra da peste” que saiu daqui e foi divulgar nossa cultura no Rio de Janeiro, na Feira de São Cristóvão. Aliás, ele levou o nosso forró para todo Brasil e para o mundo com canções memoráveis e eternas, como Asa Branca, Triste Partida e tantas outras.
Por ser um ritmo principal das festas juninas do Nordeste, mais ainda me identifico porque me sinto orgulhoso de ter nascido nessa região, tão rica culturalmente. No entanto, quando se fala do “Gonzagão”, temos que lembrar também de seus parceiros Humberto Teixeira e Zé Dantas, sem esquecer Patativa do Assaré, que fizeram com ele lindas canções.
O Dia Nacional do Forró não é tão celebrado quanto o samba quando ritmistas deste estilo fazem festas em vários cantos do país, inclusive com “arrastões” e carros de som pelas ruas e avenidas atraindo multidões. Por que será? Entendo que o samba tem tanto seu valor quanto o forró, dois ritmos populares que estão ligados às raízes da nossa gente ancestral.
Aproveitando a ocasião, quero deixar aqui o meu recado, como sempre faço em meus comentários na época dos festejos juninos. Trata-se do meu repúdio sobre a descaracterização que vem sofrendo o nosso forró ao longo dos últimos anos numa mistura de lambada, arrocha, axé, pagode e até rock, não que seja contra quem gosta desses sons.
Fico muito triste quando vejo prefeitos em pleno São João contratarem bandas a preços altos, com o dinheiro do contribuinte, que nada têm a ver com o nosso forró. Deveria haver uma lei nacional rígida aprovada pelo Congresso, proibindo esse tipo de coisa, com punição severa para qualquer executivo municipal que colocasse no palco cantor ou banda que não fosse forrozeira.
Não me venha com essa que tal artista “famoso” de outro ritmo atrai mais a população. Muitas vezes são lixos musicais sem letra e conteúdo que deformam mais ainda o nosso povo e os levam a esquecer das nossas origens. Sem memória não temos identidade.
Coloquem enredos de qualidade do nosso forró legítimo, chamado “forró pé de serra”, que enche qualquer praça, como já aconteceu aqui em Vitória da Conquista. Tudo depende de uma decisão política com seu coordenador ou secretário de Cultura.
Vamos sim, valorizar o nosso forró que nasceu no Nordeste e encanta os nordestinos nas festas. Não adianta decretar o Dia Nacional do Forró se não houver por detrás uma campanha dos governantes e de todos artistas no sentido de valorizar o nosso patrimônio imaterial.
Forró é Maranhão, Rio Grande do Norte, Piauí, Ceará, Paraíba, Sergipe, Alagoas e Bahia. Forró é a sanfona, o zabumba e o triângulo. São dois pra lá, e dois pra cá. São letras que falam da nossa terra, das tradições e dos costumes da nossa gente.











