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:: 14/dez/2023 . 23:10

O GAVIÃO E O AGRESTE

Tanto o Gavião como o Carcará são típicos do sertão nordestino. São pássaros predadores que me fazem lembrar do agreste seco, voando alto e baixo na caça de uma presa, como pintinhos seguindo suas mães em quintais e terreiros na zona rural.  Como repórter-jornalista, em matérias sobre seca na região sudoeste, por exemplo, com meu companheiro fotógrafo Zé Silva, flagrava muito a presença do gavião na paisagem cinzenta cortando o céu azul da sequidão, ou em altas árvores na espreita de um animal menor rastejante no chão árido, como um calango qualquer. Por falar em agreste, nessa onda calorenta, provocada há anos pela ação destruidora do homem ao meio ambiente, o nosso Nordeste, inclusive Vitória da Conquista, é o que mais sofre com o aquecimento global, atingindo em cheio os pobres do campo. Somente na Bahia são 90 municípios que decretaram situação de emergência por causa da seca. O gado e outros animais menores já estão morrendo de fome e sede, sem falar no ser humano que também é alvo da falta de água e alimentos para sua sobrevivência. A esta altura, sem chuvas há meses, as plantações foram perdidas e não existe mais água nas cacimbas, nos tanques e nos pequenos açudes. Até o gavião sofre com esse tempo castigante dos tradicionais carros-pipas eleitoreiros que nunca atendem a demanda do sertanejo. Há séculos que o quadro continua o mesmo de penúria.

NA BOCA DA NOITE

Poeminha de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

O pôr-do-sol tabaréu,

Como fogaréu em chama,

Naquela montanha,

Se desfaz em dama,

No coito do açoite,

Na boca da noite.

 

Depois da capineira,

O camponês toca suas vaquinhas,

Como se fossem sua corte,

Do leite, suas rainhas,

E a nambu canta na capoeira,

As aves voam pro seus ninhos,

No ar que exala cheiro de vinhos,

Na boca da noite,

No pernoite do rancheiro tropeiro,

Que glorifica o nascer do dia,

Da natureza sabedoria.

 

Na boca da noite,

No urbano de agonia,

Multidões vivem em correria,

Entre o sensato e o insano,

Encanto e desencanto,

Nos lotados metrôs,

Ou na festa que começa,

Nos palcos dos shows,

No teatro, a peça,

No cabaré,

Do entra quem quer.

Pode ainda vagar pelas esquinas,

Pelos corpos das meninas,

No asfalto do assalto,

Na boca da noite.

 

 





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