Com tantos escândalos, extremismos, radicalizações, máfias e falatórios imbecis, principalmente desses evangélicos conservadores moralistas que usam o nome de Deus, pátria e família em vão, confesso que ando entediado em falar de política. Sobre excrementos, do tipo Trump e outros da mesma linha em nosso país, melhor dar descarga e depois jogar creolina para desinfetar.

   As eleições, que significam mudanças para pior, estão chegando na base da gritaria. Sinto que toda ela vai ser pautada no grito. Quem falar mais alto, leva seu troféu, e meus ouvidos não são pinicos. Não tenho mais idade para isso. Lá se foram os projetos e programas para melhorar a cara amassada e ressaqueada desse nosso Brasil.

   As instituições dos três poderes estão desgastadas, desmoralizadas e até infiltradas de bandidos. O próprio Supremo Tribunal Federal, que deveria ser o guardião da nossa Constituição, está pisando na casca da banana, ou com o pé na jaca, diante das más condutas de muitos de seus membros.

  Deixou de ser técnico, isento e imparcial para ser político. Basta acompanhar o caso do Banco Master. Todos os órgãos estão infestados de corrupções. Encontrar um setor limpo neste país é o mesmo que achar uma agulha no palheiro.

 O brasileiro vive num corredor polonês, só levando porrada, e não se tem a quem apelar, a não ser para o Papa. O povo está cada vez mais alienado, ignorante e acreditando nos falsos profetas de Deus. O pobre lenhado, os oprimidos e os mais discriminados se transformaram em direitona.

 No campo internacional, temos o cachorro louco do Trump que a mídia fica todo dia analisando seus excrementos e ainda se submete a participar de uma festa de gala com ele, justamente o cara que a abomina. Como dizia o cancioneiro baiano Raul Seixas, o jornalista quer é bajulação. Regredimos ao primitivismo bárbaro.

  A NOSSA ALDEIA

   Mas, vamos deixar o campo nacional e internacional dos facínoras e tiranos, para falarmos da nossa aldeia de Vitória da Conquista, onde imbecis o chamam de “Suíça Baiana”, sem cultura, de periferias de pobreza e miséria, ruas esburacadas, carente de projetos de infraestrutura, destruidora das nossas tradições populares, como o São João, cracolândia e outras mazelas.

   Bastam de tantos bairrismos e glorificações baratos! Vamos encarar a nossa realidade na busca de melhorias. Que “Suíça Baiana” é esta que deixa seu único campo profissional de futebol em estado lamentável, que não pode ser usado pelo único time que poucos apoiam?

   Agora mesmo fomos surpreendidos com a denúncia de “rachadinha”, ou rachadona” praticada pelo vereador Dinho dos Campinhos (não é somente ele) e nesse pirão tem mais osso. As “rachadinhas” na Câmara não são novidades.

Enquanto isso, cada um está mais preocupado em defender seus lotes de eleitores pobres, ou seus currais, como nos tempos do coronelismo, para indicar obras e se esquece dos macros problema do município. A maioria dos discursos é na linha das indicações. Vereador virou construtor de obras.

Essa política brasileira inverteu as funções entre legislativo e executivo. Esse maldito Congresso Nacional é o maior exemplo disso. Além das bandidagens, as emendas parlamentares são uma farra, e os ratos fazem suas festas com o nosso suado dinheiro. O governo faz de conta que governa, e o legislativo faz de conta que legisla.

  UM REPRESENTANTE DA CULTURA

  Em Conquista, de 21 cadeiras, passamos para 23, com a demagogia de que o aumento desse número representaria mais benefícios para a população. Uma deslavada mentira e demagogia. A partir de 2025 aumentaram seus salários de R$12.025,40 para R$18.742,91, elevação de cerca de 55,86%, comparado ao período de 2013 a 2024.

  A verba de gabinete é de 50 mil reais, representando um aumento significativo no custo do legislativo municipal. O dinheiro é destinado a gastos com contratação de assessores, aluguel de escritório e outros itens. Tem ainda a proposta do ticket alimentação de R$1.800,00 para os vereadores. Absurdo dos absurdos. Vivemos numa sociedade degenerada onde o anormal se tornou normal, e o imoral em legal.

  Por sua vez, a esquerda de outrora continua com sua linguagem e discurso arcaicos que não alcançam mais as massas. Suas bases foram esquecidas. Da cachaça, passou-se para o uísque. Uma ala também acha que vale a pena elevar o seu grito de guerra para superar a extrema direita.

   Dentro de mais dois anos temos eleições municipais e precisamos preparar o terreno para um nome alternativo a fim de derrubar este esquema destruidor que aí está. Os intelectuais, os artistas em geral, estudantes, professores e todo setor cultural, principalmente, precisam se conscientizar e se unir para apresentar um nome alternativo, para mudar esse quadro de terra arrasada dessa falsa “Suíça Baiana”.

   Está na hora dos movimentos culturais em geral deixar suas diferenças ideológicas de lado, suas vaidades, individualismos, suas brigas internas e unir forças para apresentar um nome forte, sério, idôneo e que seja à altura do porte de Vitória da Conquista, a terceira maior cidade da Bahia, com mais de 400 mil habitantes.