Poeminha de autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

O pôr-do-sol tabaréu,

Como fogaréu em chama,

Naquela montanha,

Se desfaz em dama,

No coito do açoite,

Na boca da noite.

 

Depois da capineira,

O camponês toca suas vaquinhas,

Como se fossem sua corte,

Do leite, suas rainhas,

E a nambu canta na capoeira,

As aves voam pro seus ninhos,

No ar que exala cheiro de vinhos,

Na boca da noite,

No pernoite do rancheiro tropeiro,

Que glorifica o nascer do dia,

Da natureza sabedoria.

 

Na boca da noite,

No urbano de agonia,

Multidões vivem em correria,

Entre o sensato e o insano,

Encanto e desencanto,

Nos lotados metrôs,

Ou na festa que começa,

Nos palcos dos shows,

No teatro, a peça,

No cabaré,

Do entra quem quer.

Pode ainda vagar pelas esquinas,

Pelos corpos das meninas,

No asfalto do assalto,

Na boca da noite.