SARAU A ESTRADA DISCUTE “TROPEIRISMO E CAMINHOS NO BRASIL IMPÉRIO”
Eles iam abrindo trilhas, fazendo caminhos e estradas para comercializar suas mercadorias em locais distantes do nosso Brasil, principalmente no Nordeste. Suas lidas eram cheias de obstáculos e tinham uma alimentação diferenciada, como a farofa de farinha, o feijão, a carne seca e a rapadura. Entre os ingredientes inventaram o feijão tropeiro até hoje apreciado por todos.
Estamos falando dos tropeiros, tema que foi debatido no último Sarau A Estrada do ano e que teve como palestrante a estudiosa no assunto Maris Stella, da Catrop, que abriu os trabalhos na noite de sábado (dia 9/12), no Espaço Cultural A Estrada, e fez uma ampla explanação sobre o tropeirismo no Brasil e em Vitória da Conquista.
De acordo com o livro-cartilha “Memória Histórica do Tropeirismo em Vitória da Conquista”, patrocinado pelo IPAC, Governo do Estado e apoio de outras entidades, tropa, na definição da própria palestrante, é um sistema de transporte composto por animais cargueiros. Eram utilizados jegues ou jegas para cargas mesmo pesadas e distâncias curtas, enquanto burros e mulas serviam para lugares mais longe com maiores cargas. Este conjunto era conduzido por tropeiros.
O tropeiro, segundo Maris Stella, poderia ser o dono ou o condutor dos animais. Conduzia a exportação de produções agrícolas locais como cachaça, açúcar, farinha, couro, rapadura, dentre outros. Trazia sal, cerveja, querosene em latas, tecidos, grãos, produtos manufaturados pelas indústrias europeias, como óculos, leques, livros, chapéus, bebidas em geral, dentre outros utensílios. “Nesse trânsito, valores e culturas eram compartilhadas em ranchos e povoados ao longo dos caminhos”.
O livro fala ainda sobre o que é tropeirismo? Um fenômeno sócio-histórico e cultural decorrente do trânsito e das mediações estabelecidas entre os tropeiros e as populações com que estiveram em contato. O capítulo segundo destaca a Composição e Funcionamento de uma Tropa, composta de homens e animais. Em geral trabalhavam duas ou mais pessoas, cada um com suas funções e 12 animais formavam uma tropa.
A obra ainda descreve sobre de que forma se transportava as cargas, ensina como se faz uma bruaca (peça artesanal, cuja matéria-prima era o couro), diz como era a jornada diária de um tropeiro, fala das rancharias, como se alimentavam, se vestiam, como os tropeiros transmitiam e aprendiam conhecimentos e, por fim, o tropeirismo em Vitória da Conquista e região.
Maris Stella informou que o tropeirismo em Conquista começou a partir da formação do arraial pelo seu fundador João Gonçalves da Costa. Na pontuação do professor Itamar Aguiar, João Gonçalves foi um dos maiores abridores de estradas no Brasil, a mando do próprio rei de Portugal, para o transporte do ouro e das mercadorias, muitas das quais vindas do litoral a partir de Cachoeira e Nazaré.
Aqui, como assinala a palestrante, eles faziam rancharias na antiga Rua Grande (Centro da cidade), inclusive num barracão onde hoje é a primeira Igreja Batista. Sobre o tema, Maris Stella falou também do tropeirismo que ocorreu em Sorocaba, em São Paulo, um centro que recebia tropeiros vindos do sul (Paraná, Rio Grande do Sul) e até mesmo do Nordeste.
Fim dos debates, o Sarau continuou com seu formato de treze anos, com cantorias de viola do nosso músico e compositor Walter Lajes, com os causos do nosso companheiro Jhesus, declamações de poemas por Edna, Jeremias Macário, Vandilza, a anfitriã que a todos recebeu com um delicioso bode cozido, nosso Dall Farias e outros poetas.
Luis Altério postou no grupo de escritores conquistenses, no Zap, que “o sarau foi maravilhoso e a palestrante foi o ponto alto. Aqui parabenizo o professor Itamar, Vandilza, Jeremias e outros que fomentam este sarau. Vida longa ao Sarau A Estrada!. Temos que valorizar estes eventos. São coisas que fazem a diferença… Vivam os encontros e a vivacidade da arte e do conhecimento!” Nós agradecemos as presenças de todos e que em 2024 venham outros saraus já nos seus 14 anos de existência.
Como sempre, o evento transcorreu num clima fraternal de bate-papo cultural, troca de conhecimentos e varou a madrugada com os comes e bebes de tira-gostos, cerveja e vinho entre a biblioteca e o quintal. Foi uma passagem dos treze para os 14 anos, com o próximo já marcado para fevereiro, com o tema sobre a ditadura civil-militar de 1964 quando completa 60 anos, tendo como foco a resistência que aconteceu em Vitória da Conquista contra o regime de opressão.
Fizeram parte do nosso tradicional evento, Juanice Flor, Luis Altério, Lidia, Manoel Domingos, Nilde, Adiramélia, Clovis Carvalho, Lucas Carvalho, Humberto, Rosângela, Viviane Gama, Igor Brito, Maria das Graças, Odete, Caique Santos, Neto, Rozane Martins, Cleo, Maria das Graças Bispo Santana e outros que abrilhantaram nossa festa.


















