Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Quando ainda menino,

Campestre nordestino feliz,

Queria ser um passarinho,

Voar livre por aí

Entre o colorido das araras,

Construir meu ninho,

Nas densas matas raras;

Bailar nas ondas do ar,

E cantar como o sabiá.

 

Depois de pássaro passarinho,

Um cawboy do faroeste,

Mais rápido gatilho do Oeste.

 

Hoje, no tic-tac do tempo,

Que não sou mais passarinho,

Lembranças de jovem farrista,

Vou no gemido do vento,

Nos sonhos de um idealista.

 

De alma dura e rústica,

Como o árido do sertão,

Levando reboadas da vida,

Não sou romântico na canção;

Tenho meu jeito de chorar,

Nas artérias do meu coração,

Em meu recanto sozinho,

Vejo só injustiças de matar,

Não mais como passarinho.