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:: ‘Notícias’

O FORRÓ DAS FESTAS JUNINAS E SUAS ORIGENS QUE FORAM DETURPADAS

A maior festa nordestina, que fala dos costumes, dos hábitos e da cultura do povo dessa região, está batendo em nossas portas, mas, infelizmente, de uma forma descaracterizada de quando surgiu no final do século XIX através dos bailes populares chamados de “forrobodó” (do francês faux bourdone), “forrobodança” ou até mesmo de “forrobodão” – conforme ressalta a professora, escritora, arte-educadora e fotógrafa Laura Aidar.

No entanto, de acordo com ela, o forró é uma expressão genuinamente nordestina por ser uma manifestação cultural ampla, e seu termo tem diversos significados podendo servir para designar o ritmo musical (hoje misturado), o estilo de dança e a festividade onde acontece.  Antigamente era preciso molhar o piso do local, pois as festas eram feitas em chão batido.

Historiadores e pesquisadores relatam que o forró nasceu mesmo em 1930, mas foi popularizado e globalizado a partir de 1950 com Luiz Gonzaga, o Trio do Forró, a migração nordestina para outros estados do sul e sudeste e a divulgação da mídia, principalmente do rádio quando era o veículo predominante do povo e dos artistas.

O termo “forrobodó” pode ser também africano, mas existe ainda a versão inglesada da festa do “for all” quando engenheiros britânicos estiveram em Pernambuco na construção de uma estrada de ferro. O arrasta o pé tem uma certa semelhança com o toré indígena. Dentro das festas juninas temos as quadrilhas tipicamente francesas.

Ainda segundo estudiosos, foi o povo que popularizou o forró em 1937, com o forró na roça de Manuel Queirós e Xerem. Uma das primeiras empresas a gravar o ritmo do forro foi a RCA Victor. As letras falavam sempre de temas nordestinos, amores, saudades, da vida, se bem que atualmente houve muitas mudanças nas composições e nos ritmos, incluindo o arrocha, a lambada e até mesmo o axé.

Com o passar do tempo o forró foi dando sequência a outros gêneros, como o baião, criado por Luiz Gonzaga (o rei do baião) e Humberto Teixeira, o xote, o xaxado, o coco, embolada, o arrasta-pé (arrastar o pé no chão para não fazer poeira) e o rojão. Dizem que o baião tem sua origem no ludu e na polca.

O xote, do shottische (alemão), era uma dança de salão trazida da Europa para o Brasil no meado do século XIX quando surgiu o xote pé de serra (forró pé de serra), com letras jocosas e humorísticas.

O xaxado, na forma de um sapateado de sandálias arrastadas no chão, tem sua ligação com o cangaço como dança masculina porque entre eles não haviam mulheres para fazer o par. Fazia-se a dança em círculos ou em fila indiana, conforme citação do folclorista Câmara Cascudo.

Além de Luiz Gonzaga, temos ainda grandes nomes que enalteceram e popularizaram o forró, como Jackson do Pandeiro, Marinês, Dominguinhos, Sivuca e tantos outros. Na década de 1970, Zé Ramalho, Elba Ramalho e Geraldo Azevêdo criaram outras sonoras para o forró com novos instrumentos, como a guitarra, Baixo, o teclado, o sax, a bateria e o violão. Antes o forró era composto somente pelo triângulo, a sanfona e a zabumba.

No final da década de 90 fizeram sucessos as bandas Falamansa, Forroçacana, Rastapé, Trio Forrozão, Raiz do Sena e Bicho do Pé, entrando na onda das novas tecnologias e da globalização. No início dos anos 2000 tivemos ainda o surgimento do Forró Universitário.

O Dia do Forró é celebrado em 13 de dezembro em homenagem ao nascimento de Luiz Gonzaga, só que não é tanto festejado como o Dia do Samba. A verdade é que neste século de existência, o forró foi deturpado e hoje os prefeitos contratam bandas e cantores que nada têm a ver com o ritmo. São os chamados oportunista que recebem altos cachês com o dinheiro do povo.

 

 

MAIS UMA FEIRA LITERÁRIA NO INTERIOR

Vitória da Conquista não faz, mas cidades da região e baianas, como Belo Campo, Caculé, Cachoeira, Mucugê, Lençóis, Barreiras e tantas outras de menor porte realizam sua feira literária de valorização do livro, da leitura e da cultura.  É uma pena, visto que aqui tem tantos talentos que sozinhos lutam para lançar e mostrar suas obras!

A feira literária contou com a promoção da prefeitura municipal, universidades, secretarias de cultura e educação, além de outras entidades da cidade que juntos não mediram esforços para divulgar a literatura. É como sempre digo que Conquista em termos de eventos culturais ainda é uma província. Não me venham com essa de que Conquista é uma cidade cultural, só com base em Elomar e Glauber Rocha!

Agora mesmo, a Academia Barreirense de Letras recebeu escritores e leitores para o lançamento de mais de 30 livros nos mais variados gêneros e estilos literários, como parte da 6ª edição da Festa Literária Internacional de Barreiras (Flib), evento que aconteceu entre os dias 23 e 25 de maio.

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Com a temática central “Literaturas Afro-Brasileiras e Africanas: conectando mundos”, o festival movimentou diversos outros espaços fechados como o Centro Cultural Rivelino Silva de Carvalho e a Escola Municipal de Teatro, bem como as praças do Centro Histórico.

Autora e pedagoga, Cáritas Gomes de Oliveira Almeida veio de Tocantins e estreou na Flib dia 23 a partir das 11h com o livro infantil “A borboleta que descobriu seu voar“, que já foi lançado naquele estado.

Brasileiro radicado em Angola, Roberto Leal, proferiu a conferência de abertura da FLIB, no Centro Cultural Rivelino da Silva Carvalho na noite de terça-feira (23), quando lançou no auditório da ABL, o livro “Dicionário de Angolês e a revista ÓMNIRA (Especial Rainha Njinga e Mbande).

Jornalista, poeta, escritor, repórter fotográfico e editor da revista angolana de Literatura “Òmnira“, Leal preside o Núcleo África da UBESC-União Baiana de Escritores/BA-Brasil. Com farta produção literária, ele participou da Flib por indicação do Centro Cultural Casa de Angola, sediada em Salvador.

Realizada pela Prefeitura de Barreiras, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo, a FLIB conta com uma curadoria composta pela Secretaria Municipal de Educação, Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFBA), Núcleo Territorial de Educação (NTE/11), Academia Barreirense de Letras (ABL) e Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB).

 

 

O FUTEBOL SOB INVESTIGAÇÃO

Carlos González – jornalista

Há dois meses chamei a atenção, neste mesmo espaço, para uma avalanche de peças publicitárias, inseridas nos meios de comunicação. Empresas com sedes no exterior estavam entrando com força no setor de apostas esportivas, pondo em discussão, não apenas a regulamentação do negócio, como dando margem ao surgimento de quadrilhas especializadas em fraudes, e colocando suspeitas sobre a integridade de uma dúzia de jogadores.

Dezenove entre os 20 clubes da série A – a exceção é o Cuiabá – do Campeonato Brasileiro trazem hoje no uniforme o nome de uma casa de apostas esportivas,  legalizado em 2018 pelo presidente Michel Temer. A grande quantidade de placas nas arenas e estádios convida o torcedor a “fazer uma fezinha”.

Quadrilhas internacionais vêm agindo no Brasil há muito tempo, gozando da cumplicidade das autoridades. Alguns escândalos se tornaram públicos, como a da “máfia do apito”. O árbitro Edílson Pereira de Carvalho foi acusado de receber de 10 a 15 mil reais  para manipular os resultados de 11 jogos do Brasileirão de 2005.

Em 2022, a empresa Sportradar, especializada em atos de integridade, registrou um aumento de 34%  em jogos com suspeita de manipulação em 12 esportes diferentes em 92 países. Aprofundando-se no futebol, o estudo concluiu que o Brasil liderava com 152 jogos suspeitos. Na opinião do pesquisador Felipe Marchetti, há necessidade de uma operação global para desarticular as quadrilhas internacionais.

Algumas dessas partidas com placares questionáveis foram mapeadas nas finais do Campeonato Goiano e nas últimas rodadas do Brasileirão da série “B”. Sentindo-se prejudicado, o Vila Nova de Goiás ingressou com uma denúncia no Ministério Público Estadual.

Nos seus primeiros movimentos, a Operação Penalidade Máxima, instituída pelo MP-GO, descobriu o esquema montado para o jogo Goiás 2 x 0 Goiânia. O líder da gangue, o empresário Bruno Lopez de Moura foi preso e 41 pessoas foram indiciadas.

Suspeitas e denúncias anônimas têm causado dispensas de jogadores, como do lateral Nino Paraíba, ex-Bahia e que atuava pelo América de Minas. Digno de registro foi o comportamento da Chapecoense: manteve em seu elenco o denunciado zagueiro Vítor Ramos (ex-Vitória) e ainda lhe deu a braçadeira de capitão do time.

Presidida pelo deputado Júlio Arcoverde (PP-PI) e tendo como relator o deputado Felipe Carreras (PSB-PE), a CPI das Apostas Esportivas iniciou os trabalhos enviando 90 requerimentos de convocações, incluindo oito jogadores, 19 presidentes de clubes (Guilherme Bellintani, do Bahia, é um deles), presidentes da CBF e de federações estaduais, promotores de Goiás, dirigentes de empresas de apostas e árbitros.  Com prazo para apresentar o relatório conclusivo até 28 de setembro, a CPI orientará seus trabalhos em duas vertentes: uma penal, para investigar supostas fraudes, envolvendo apostadores, jogadores, casas de apostas e clubes; a segunda, afirmativa, com vistas à regulamentação da Lei 13.756/2018.

Nesta corrente da regulamentação deverão ser proibidas apostas em cartões, pênaltis e escanteios, principais agentes das manipulações, segundo a Operação Penalidade Máxima.

A investigação em países onde o futebol é bastante popular está sendo feita pela Interpol, que já se encontra na nona etapa da operação contra a máfia internacional das apostas. Em novembro, antes da Copa do Mundo no Catar, a Interpol realizou a prisão de 1.200 pessoas.

O governo de Jair Bolsonaro deveria ter feito a regulamentação das casas de apostas, cuja arrecadação em 2022 atingiu os R$ 7 bilhões, valor que foi transferido para o exterior, livre de tributos. O esquema é semelhante ao do transporte de passageiros por aplicativos.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, promete normatizar a lei este ano. Possivelmente. através de medida provisória. Com a regulamentação, o Tesouro Nacional arrecadará R$ 15 bilhões por ano. Dados do Banco Central mostram que no primeiro trimestre deste ano foram enviados US$ 2,7 bilhões (cerca de R$ 13,4 bilhões) ao exterior em apostas, e devolvidos US$ 1,7 bilhão (R$ 8,5 bilhões) em pagamento de prêmios.

Ao contrário do esperado, o setor de apostas torce pela normatização do serviço, “para nos dar mais segurança jurídica e separar os operadores sérios dos aventureiros”, revela Darwin Filho, responsável por uma das empresas. Ele acredita que os trapaceiros, “pessoas que mancham nosso negócio, fecharão suas portas”.

Penalizados pelas dívidas, os clubes, principalmente os das divisões inferiores do Brasileirão, encontraram nas casas de apostas uma fonte de renda, uma verdade que será dita perante a CPI das Apostas Esportivas. Antes do jogo com o Goiás, o Bahia enviou e-mail aos seus sócios, aconselhando-os a apostar, no mínimo, R$ 10, na vitória do seu time. Quem apostou, perdeu: o Tricolor não saiu do empate.

A imprensa tem destacado o fato de que o escândalo das apostas não afastou o torcedor dos estádios. Pelo contrário, a média de público da série “A” do Nacional tem sido a maior das dez últimas edições do torneio. A sexta rodada teve média de 28 mil espectadores por jogo.

Eu não poderia encerrar este texto sem lembrar um esquema de apostas que funcionava no último degrau das arquibancadas do lado “B” do demolido Estádio Octávio Mangabeira, onde se concentrava a torcida do Vitória. Os tipos de apostas variavam: primeiro time a ter acesso ao gramado, laterais, escanteios etc. O dinheiro da aposta era “casado” na mão de um terceiro. A jogatina transcorria em paz.

 

 

NAS ESTÓRIAS DE NINAR CRIANÇAS SEMPRE SE COMEÇA COM “ERA UMA VEZ”…

Um passarinho de papo amarelo entrou subitamente em meu escritório e quase pousou em meu computador para contar uma estória de ninar, daquela dos pais para fazer a criança dormir, se bem que esse hábito se tornou cada vez mais raro. A agitação da vida e a corrida desumana pelo dinheiro excluíram esse afago entre pais e filhos.

Não se narram mais estórias como antigamente de reis e rainhas, príncipes, de bichos da floresta, de terras estranhas, do nosso folclore e de personagens do bem e do mal. O passarinho balançou a cabeça com o bico, como se dissesse que hoje os pais andam em correrias e quando chegam em suas casas cansados pouco falam com seus filhos ou já estão a dormir.

Nem as babás sabem contar as estórias de ninar que sempre começa com “era uma vez… um país rico habitado por indígenas que foi invadido e saqueado por um bando de depravados vindos do outro lado do mar. Aqui chegaram, estupraram as índias e começaram a levar nossas riquezas.

De lá trouxeram os piores hábitos e, entre eles, os maiores até hoje a perdurar foram a corrupção, a pilantragem política de enganar os outros com promessas falsas, não cumprir com os acordos, tratados, convenções e contratos e o vício de levar vantagem em tudo.

Nesse país criou-se o costume de os mais espertos roubarem, trapacearem, desviarem recursos dos súditos, e o rei faz de conta que nada ver. Embora os pais não sejam mais dedicados como antigamente, aqui tudo começa com “era uma vez…

De estórias para histórias, o passarinho cantou em meu ouvido que “era uma vez” uma linha férrea leste-oeste até Ilhéus, na Bahia, que já dura mais de vinte anos, cortando serras, agrestes, matas e morros, deixando um rastro de desvios de verbas, dos quais ninguém mais fala.

É mais um projeto anunciado com alardes e propagandas, cujas obras estão emperradas e não se sabe quando serão concluídas. No início, as entrevistas são sempre bombásticas com manchetes da imprensa. Os relatórios econômicos anunciam milhares de empregos e prosperidade para uma vasta região. Tudo depois é frustração.

Outra história semelhante de “era uma vez” está na ponte Salvador-Itaparica. Está ainda está nos papéis dependendo de uns acertos com os chineses que não são nada bestas quando se trata de negociar com brasileiros, famosos na arte da malandragem.

“Era uma vez”, meu passarinho, o projeto duplica BR-116 da Via Bahia que só fez um pedaço e agora está na encrenca do duplica sudoeste de passagem por Vitória da Conquista. A empresa é de portugueses que por ironia alegam que o Brasil não cumpre os acordos. O filho aprendeu com o velho pai velhaco.

Fora projetos e realização de obras, existem outras tantas histórias com início de “era uma vez”… quando se referem à nossa lenta e cega justiça que só pune os pobres. Nesse campo dos malfeitos e das roubalheiras, são incontáveis um “era uma vez…

A lista é enorme e são conversas para boi dormir, como “era uma vez” uma chamada Operação Laja Jato onde juízes e promotores do Ministério Público viraram réus e estes se tornaram vítimas com direito a promoções e medalhas de heróis.

“Era uma vez” uma mutreta bem armada dos políticos que deram o nome de “Mensalão”, mas existem tantos outros de horrores e de terrores que até o passarinho que veio me visitar bateu assas e foi respirar um outro ar que também “era uma vez… quando a natureza não estava tão poluída como hoje. “Era uma vez”… um meio ambiente…

 

OS INTOCÁVEIS NÃO SERÃO ATINGIDOS PELO BLOQUEIO DE QUASE DOIS BILHÕES

O presidente Lula gira o mundo com seu governo populista de 36 ministérios, o Congresso Nacional nada na piscina luxuosa de suas mordomias, os magistrados do judiciário ganham astronômicos salários e o orçamento vai sofrer um bloqueio de quase dois bilhões de reais para conter o buraco do déficit fiscal no chamado teto de gastos.

São tantos os ministérios que agora eles estão entrando em conflitos de funções. As ações interpostas, o que era de se esperar entre agricultura, reforma agrária, da pesca, agricultura familiar, igualdade racial e direitos humanos, sem levar em conta outros, como do meio ambiente, levam os ministros a bater cabeça e cada um brigar pelo seu quinhão.

Quanto ao bloqueio de verbas, não se sabe ainda quais setores serão atingidos, só a certeza de que não serão os intocáveis pertencentes às castas brasileiras que são os três poderes. Esse arcabouço fiscal e a essa reforma tributária não passam de engodo para não tocar na área administrativa, onde Brasília tem o maior nível salarial do Brasil.

Com cerca de 15 bilhões ou mais de reais por ano, temos um Congresso Nacional mais caro do mundo num país de mais de 30 milhões que ainda passam fome e vivem na pobreza extrema, embora estejam sendo despendidos uma cifra em torno de 170 bilhões de reais com o Bolsa Família, sem um projeto alternativo para tirar esse povo da miséria.

Ainda temos 5 bilhões de reais que são destinados ao Fundo Eleitoral ou partidário, dos quais muita grana é desviada para outros fins escusos, sem levar em consideração que muitos partidos políticos (um monte) deixam de prestar contas e não cumprem com as exigências das leis na forma correta da distribuição do dinheiro.

Agora mesmo, eles de direita, de extrema, de centro e de esquerda, inclusive o PT, que sempre pregou honestidade e justiça, estão todos unidos no sentido de que haja anistia para os malfeitos. Aliás, o que mais temos nesse Brasil são anistias da impunidade, como as dos torturadores e matadores da ditadura civil-militar de 1964 que durou quase 30 anos.

É este, meus camaradas, o Brasil burguês elitista que temos onde as montanhas de leis não são iguais para todos. Aqui reina a injustiça, a violação dos direitos humanos e o faz de conta que o aluno aprende e o professor ensina.

A única coisa que o povo tem o direito nesse país é o de votar de dois em dois anos para eleger os mesmos de sempre e seus descendentes. Essa população de maioria semi e analfabeta vai contente às urnas, guiada pela propaganda do Supremo Tribunal Eleitoral de que você está exercendo sua plena cidadania.

Ninguém fala em reduzir o número de parlamentares no Congresso, nas assembleias e nas câmaras de vereadores com mais de cinco mil municípios entupidos de cargos comissionados, com suas verbas indenizatórias, de gabinete e penduricalhos a perder de vista, sem falar nos nepotismos.

OS ARTISTAS “BRIGAM” PELOS EDITAIS E CADÊ OS EQUIPAMENTOS CULTURAIS?

Será que somente o dinheiro vos une? Não quero aqui criticar e nem julgar os nossos artistas conquistenses que agora vejo a se reunir e a se organizar para apresentar seus projetos e trabalhos com vista à Lei Paulo Gustavo que contemplará Vitória da Conquista com pouco mais de dois milhões e setecentos mil reais.

É mais que louvável a atitude, mas quero aqui chamar a atenção de que a categoria deve sempre estar unida o tempo todo na luta para que Conquista tenha o seu plano municipal cultural e não fique apenas a depender desses editais. Para começar, o município hoje não tem um equipamento cultural aberto e funcionando onde a classe possa fazer suas oficinas e exibir suas produções.

Há anos que estão fechados o Teatro Carlos Jheová, o Cine Madrigal e a Casa Glauber Rocha, estes dois últimos adquiridos há pouco tempo pelo poder executivo. Onde serão apresentados os projetos da Lei Paulo Gustavo? Ao lado dos editais, temos que nos manifestar e cobrar no sentido de que esses equipamentos sejam reformados e abertos para os artistas e a população.

Insisto num manifesto conjunto de todas as linguagens artísticas, deixando as diferenças e o individualismo de lado. Comentei várias vezes e repito que o Carlos Jheová está fechado desde o período da pandemia e até o momento nada foi definido sobre seu destino ou uma reforma do prédio.

O Cine Madrigal foi comprado com recursos do Tesouro Municipal por pouco mais de um milhão de reais há dez anos e está sob a gestão da Secretaria da Educação, quando deveria ser também compartilhado com a Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel como sala de cinema e um cineteatro. Caso contrário, poderá ficar subutilizado.

A Casa Glauber Rocha, na rua Dois de Julho, foi adquirido recentemente e o tempo está se encarregando de destruir suas instalações, como as duas outras unidades. A proposta ali é transformar o local num espaço multicultural, um cineclube, uma cinemateca, audiovisual ou coisa assim.

Não em termos de talentos, que são muitos e valiosos que chegam a brilhar em outras paragens, mas com referência a espaços culturais, planejamento e atividades, Conquista ainda é uma província cultural, o que é uma vergonha para uma cidade de 350 mil habitantes e a terceira maior da Bahia.

Conquista representa o quinto PIB (Produto Interno Bruto) da Bahia, conta com obras estruturantes, uma das cidades mais bem saneadas do Brasil, um dos melhores aeroportos do interior, além de ter um papel importante nos setores privados da educação e da saúde.

Agora mesmo a prefeita Scheila Lemos está requerendo da Câmara de Vereadores a aprovação de um empréstimo internacional no valor de 160 milhões de reais, para serem aplicados em calçamentos, pavimentações de ruas e outras obras de infraestrutura. Não dá para entender que a cultura fique descoberta com seus equipamentos fechados onde sua memória está simplesmente sendo destruída.

Aqui não existe um museu municipal. O Regional e o Pedagógico Padre Palmeiras são administrados pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – Uesb. As obras do artista Aurino Cajaíba estão se perdendo lá no alto da Serra do Periperi por falta de um museu que abrigue seus trabalhos.

Os artistas têm que buscar, reivindicar e lutar por muito mais, além dos editais do governo federal. Estamos esquecendo do nosso patrimônio material e imaterial, como os ternos de reis, a capoeira, os terreiros de candomblé, a conservação do arquitetônico, a nossa expressão forrozeira, a cultura popular e oral.

NOSSA MEMÓRIA ESTÁ SE PERDENDO POR FALTA DE MAIS MUSEUS EM CONQUISTA

Fora o Museu de Kard, do artista Alan Kardec, que já é um sucesso garantido de conhecimento estadual e nacional, Vitória da Conquista ainda é carente em termos de museus públicos que garantam o resgate da nossa memória, a qual está se perdendo com o tempo.

Para uma cidade de cerca de 350 mil habitantes e a terceira maior da Bahia, Conquista só possui dois museus, o Regional e o Pedagógico ou Padre Palmeiras regidos pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia-Uesb, sem contar que são pouco visitados e divulgados.

Na Semana Nacional do Museu e no dia Internacional dos Museus (18/05) era para ter ocorrido uma vasta programação com seminários, debates e discussões na mídia e outros órgãos sobre a importância dessas casas de cultura como preservação da nossa história.

Estive hoje no Museu Padre Palmeiras (no momento nenhuma visita) e aproveitei para fazer uma reflexão quanto aquele conceito ou preconceito de muitas pessoas que se referem aos outros de museus quando falam ou cuidam das coisas antigas, como simples lembranças de suas famílias. Ainda tem aquele que interpreta o museu como lugar de guardar coisas velhas. “Quem gosta de velho é museu”.

Tudo isso não passa de ignorância e deficiência educacional e cultural, marca registrada do nosso país. Na Europa, a exemplo da França, onde estive há poucos anos, os museus estão sempre lotados de turistas, e olha que não são poucos em Paris. Por outro lado, os tempos mudaram e os museus se modernizaram, nem tanto assim no Brasil.

Museus Cajaíba e da Imprensa

Deixo aqui essa questão de lado e aproveito a oportunidade para afirmar que Conquista ainda é muito carente em termos de museus e muita coisa da nossa memória, infelizmente, está se perdendo. Cito como exemplo as obras do artista Aurino Cajaíba que estão lá no alto da Serra do Periperi sendo desgastadas pelo tempo por falta de preservação e manutenção.

Ainda recente, a professora Janicleide Moreno Gonçalves fez sua dissertação de mestrado sobre seu trabalho e recomendou que o poder executivo, através da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel elabore um projeto para criação do Museu Histórico Cajaíba, como lugar pedagógico e de cultura.

De acordo com ela, esse acervo museológico pode ser utilizado para aprendizagem e valorização da memória histórica local entre alunos de escolas públicas dos municípios. Defende que o projeto deverá resultar em forma de abordagem da história de Conquista a partir da recuperação das obras de Cajaíba e da sua produção artística (são esculturas de centenas de personagens locais, estaduais, nacionais e internacionais).

O Conselho Municipal de Cultura apreciou sua proposta e aprovou os termos de um ofício solicitando a criação desse projeto, o qual foi encaminhado à Secretaria de Cultura. O colegiado fez sua parte. Além do Cajaíba, Conquista já deveria ter outros museus de referência, como o da Imprensa, cujo material (jornais, máquinas em geral, objetos e outros utensílios) está se acabando e muita coisa deixou de existir.

OS GUARDAS MUNICIPAIS E OS DESVIOS DE CONDUTA

Com o argumento de proteção do patrimônio público, para ganhar simpatia e votos dos eleitores, ansiosos por mais segurança nacional, houve uma onda de candidatos no país que lançaram programas de criação de guardas municipais. Isso foi uma febre e contou com apoio das comunidades que acreditaram nas propostas.

No entanto, o objetivo principal foi invertido, e hoje o que presenciamos é que as guardas municipais tomaram outros rumos e houve um desvio de conduta. Na verdade, essas guardas, todas treinadas e comandadas por oficiais da reserva, passaram a ser uma extensão da polícia militar e acham que podem fazer de tudo, menos proteger o nosso patrimônio.

Ontem mesmo, o Blog do Sena noticiou protestos dos alunos do Colégio Milton Santos, na Patagônia, onde eles se posicionaram contra a atitude truculenta da guarda municipal na porta da escola, na última terça-feira (dia 16/05). Portanto cartazes, os estudantes reclamaram da forma como os guardas têm procedido nas abordagens.

Nesta terça-feira, dois menores de idade foram abordados pelos guardas de forma violenta e colocados no fundo de uma viatura (um tremendo absurdo). De acordo com manifestantes (citação do Blog), esses guardas chegaram a solicitar que os meninos tirassem a roupa (abuso de “autoridade”).

O relato é que a guarnição deixou o local por volta das 18h40min, mas só chegou ao Disep às 21 horas. O que eles fizeram com os menores durante todo esse tempo pela cidade? Será que levaram lá para a “Torre”, na Serra do Periperi, como eles têm feito com andarilhos e moradores de ruas quando fazem alguma arruaça?

Para completar a arbitrariedade, o blog informa que um idoso foi reclamar da violência e terminou sendo agredido com cassetete. Outras pessoas também que foram intervir receberam agressões verbais. Afinal, os que esses guardas pensam que são? Nem que fossem militares poderiam agir assim com tanta brutalidade contra jovens estudantes adolescentes e com nenhum cidadão.

Por que a guarda municipal, criada com intuito falso de proteger o patrimônio público, não é treinada e comandada por um civil preparado?  Obrigatoriamente tem que ser por um militar da reserva? A disciplina que recebem é militar. Nosso patrimônio continua sendo depredado como antes.

Esse desvio de conduta das guardas municipais não tem acontecido somente em Vitória da Conquista, mas em muitos outros municípios, inclusive daqui da nossa região, como no ocorrido ano passado em Itapetinga. Esse problema precisa ser revisto e corrigido urgentemente pelos prefeitos e prefeitas.

Em minha modesta opinião, foi mais um projeto político onde nosso dinheiro foi jogado fora, quando deveria ter sido investido em mais escolas, qualificação profissional dos professores e estruturação dos postos de saúde.

Enquanto guardas municipais fazem o papel de polícia, nossa educação e saúde estão caindo aos pedaços. Faltam escolas, transporte escolar decente, materiais de ensino, bem como médicos, enfermeiros e mais profissionais da saúde nos postos. Está tudo errado nesse nosso Brasil gigante.

 

O BRASIL NÃO PASSA DE UMA PIADA

Quando digo que o Brasil não passa de uma piada, não sei se é para rir ou chorar. São leis burocráticas para tudo, mas o que funciona mesmo é a impunidade em todos os segmentos da sociedade, desde a política, a economia e no campo social. Praticamente, tudo não passa do papel e de um roteiro ficcional surreal.

Os noticiários do dia a dia estão cheios de piadas, como a tornozeleira no indivíduo que não funciona e não é fiscalizada até na anistia dos partidos políticos que desviaram dinheiro eleitoral, não cumpriram com as estabelecidas cotas e não prestaram contas de seus gastos. Nessa hora se unem “bozoristas” e petistas para aprovarem uma auto-anistia. Os programas são sempre prorrogados, como exemplo, o do saneamento básico.

Todo mundo nega seus crimes e se diz inocente. As penas são reduzidas ou arquivadas. A impressão que se tem é que as acusações são todas mentirosas. O Brasil por si só já é uma tremenda fake news. Só pode ser culpa da tal inteligência artificial que agora está em voga.

O ex-presidente capitão “Bozó” nega ter falsificado carteira de vacinação contra a Covid-19 sua e da sua família, e só pode ter sido armação de seus ajudantes que tudo fizeram sem seu conhecimento, assim como as joias das arábias que ele mandou retirar da guarda da Receita Federal.

O mesmo ocorre em nosso decadente futebol onde o jogador comprado pela máfia dos apostadores afirma que apenas foi consultado, mas na época ele ficou calado e não denunciou. O outro logo foi avisando que naquele dia não ia jogar, o que quer dizer que ele aceitaria o suborno se fosse entrar em campo.

O cidadão confia em quem, se os próprios brasileiros entre si desconfiam um do outro? No exterior em viagem, um patrício quando avista o outro, procura cortar a rua e passar distante. Um acha o outro de malandro. Aliás, poetas e cancioneiros fazem até apologia à malandragem do cara que dá uma de astuto contra o outro, visto como otário porque não é dado a safadezas.

Agora o PT de Lula quer fazer arcabouço fiscal e reforma tributária, mas passa longe uma reforma administrativa que vá de encontro às benesses e mordomias do legislativo, do executivo e do judiciário que ganham os “tubos” de dinheiro às custas desse povo idiota e ignorante que se mata nas eleições para votar, cada um, em defesa do seu ladrão preferido.

A Operação Lava Jata que os bestas dos inocentes úteis falavam que iria mudar o Brasil e fazer uma limpeza na corrupção, também não passou de uma piada de mau gosto. Todos tiveram seus processos anulados, até o Cabral que confessou seus crimes e foi condenado a mais de 400 anos de cadeia. Lembram da cena dele algemado da cabeça aos pés?

Os tempos passam, os anos se vão e as histórias se repetem com os mesmos falsários e outros que entram em cena com mais sagacidade e astúcia, sabendo que o Brasil não passa de uma piada cheia de leis, estatutos (idoso, da criança, do consumidor) e contratos que não são cumpridos.

Na verdade, vivemos numa democracia de mentiras, como aquele enunciado de que “as leis são iguais para todos”. Somente no Brasil as injustiças sociais, a violação dos direitos humanos, dos mais pobres, a fome e a miséria convivem de mãos dadas com essa democracia. Não que esteja aqui defendendo uma ditadura, mas abomino essa democracia de papel e dela me envergonho.

 

 

A LEI DO AUDIOVISUAL

Como todas leis nesse Brasil da burocracia por causa das malandragens dos nossos cidadãos, a Lei Paulo Gustavo de incentivo à cultura, ainda com sentido emergencial por causa da Covid-19, ou Lei do Audiovisual, é mais um catatau e um emaranhado de incisos, artigos e caputs que requer muita atenção para interpretá-la.

Depois de promulgada, com os critérios de distribuição, a habilitação dos entes tem o prazo de 60 dias. Pode ser até por consórcio público intermunicipal. A recomendação é que a lei seja consolidada e implementada com os sistemas de conselhos.  Os projetos têm que vir com a marca do governo federal.

Vou aqui tentar falar alguma coisa, mesmo sabendo que posso cair em algum equívoco. Não sou expert nessas leis porque são longas e parece que o Congresso Nacional já faz para complicar e não simplificar. Sempre no final explicita as obrigações dos agentes e proponentes para com o Ministério da Cultura que, geralmente, não são cumpridas. É preciso que haja um maior rigor no que toca as exigências.

Outra coisa é que as exibições das produções ao público não devem ser cobradas. Os locais devem ter acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida. Acontece que fazem o contrário e a fiscalização para punir os beneficiários que contrariam e não seguem os trâmites legais é falha. As apresentações de filmes e peças sempre costumam ser cobradas.

O Lei do Audiovisual já tem mais de um ano e foi emperrada pelo capitão-presidente no final do seu governo e somente agora regulamentada por Lula que não deixa de fazer dela seu marketing político.  O valor a ser liberado é de 3,862 bilhões de reais distribuídos entre estados, Distrito Federal e municípios.

Digo ser Lei do Audiovisual porque desse montante, 2,797 bilhões serão destinados ao setor, portanto, cerca de 80%. O restante da verba (1,065 bilhão) fica para a realização de editais nas demais áreas, chamamentos públicos, prêmios, aquisição de bens e serviços ou outras formas de seleção pelos entes beneficiados.

Recomenda-se que o processo seja simplificado e os recursos não serão reembolsáveis pelos setores culturais justamente por se tratar de ações emergenciais por causa da pandemia. As ações, de acordo com o Sistema Nacional de Cultura, serão organizadas em regime de colaboração. Os procedimentos serão regidos pelo Decreto 11.453 de 23 de março de 2023.

A Lei do Audiovisual prevê 1,937 bilhão para apoiar as produções de áudios de forma exclusiva ou de complemento a outras maneiras de financiamento. Dos recursos, 447, 500 milhões podem ser utilizados para reformas, restauros de salas de cinema de ruas e itinerantes, coisa que não tem em Vitória da Conquista e em quase todos 417 municípios da Bahia.

Também, 224,700 milhões são para capacitação e qualificação gratuitas de estímulo ao mercado audiovisual, apoio aos cineclubes, realização de festivais, rodada de negócios, preservação de obras, pesquisas de áudio e mostra de produções. Uma interrogação que fica é se essas posturas serão acompanhadas.

Outra especificação da lei é que 167,800 milhões aos estados e municípios serão para microempresas do setor, serviços independentes de vídeos interrompidos pela pandemia, que sejam 70% nacionais, e licenciamento de produções para rádios e televisão.

A ideia é incentivar a economia criativa e solidária, com manifestações e atividades culturais que possam ser transmitidas via internet e redes sociais. Os recursos podem ser utilizados para executar programas, projetos e ações próprias (cultura viva, plano do livro, literatura, patrimônio cultural, afro, indígenas, populares, etc).

As outras linguagens artísticas, como o teatro, a dança, a literatura, artes plásticas e demais estão requerendo justiça na divisão do bolo, só que a lei é do audiovisual com recursos originários desse fundo. Assim, fica difícil atender outras demandas que são justas.

Sobre esta questão, o projeto de lei diz que, caso não haja quantitativo suficiente de propostas no áudio, (vai ser raro), o município (Secretaria de Cultura) faça um remanejamento dos saldos para contemplar outras ações aptas nos demais incisos, desde que posteriormente o Ministério da Cultura seja comunicado.

Como Conquista não tem sala de cinema de rua (o antigo Cine Madrigal continua fechado há dez anos depois de adquirido pela Prefeitura Municipal), uma sala pode não ser exclusiva de cinema, admitindo-se a ampliação da vocação de outros espaços existentes públicos (Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima) ou parcerias comerciais privadas. As exibições podem ser feitas ainda em espaços abertos.





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