O FORRÓ DAS FESTAS JUNINAS E SUAS ORIGENS QUE FORAM DETURPADAS
A maior festa nordestina, que fala dos costumes, dos hábitos e da cultura do povo dessa região, está batendo em nossas portas, mas, infelizmente, de uma forma descaracterizada de quando surgiu no final do século XIX através dos bailes populares chamados de “forrobodó” (do francês faux bourdone), “forrobodança” ou até mesmo de “forrobodão” – conforme ressalta a professora, escritora, arte-educadora e fotógrafa Laura Aidar.
No entanto, de acordo com ela, o forró é uma expressão genuinamente nordestina por ser uma manifestação cultural ampla, e seu termo tem diversos significados podendo servir para designar o ritmo musical (hoje misturado), o estilo de dança e a festividade onde acontece. Antigamente era preciso molhar o piso do local, pois as festas eram feitas em chão batido.
Historiadores e pesquisadores relatam que o forró nasceu mesmo em 1930, mas foi popularizado e globalizado a partir de 1950 com Luiz Gonzaga, o Trio do Forró, a migração nordestina para outros estados do sul e sudeste e a divulgação da mídia, principalmente do rádio quando era o veículo predominante do povo e dos artistas.
O termo “forrobodó” pode ser também africano, mas existe ainda a versão inglesada da festa do “for all” quando engenheiros britânicos estiveram em Pernambuco na construção de uma estrada de ferro. O arrasta o pé tem uma certa semelhança com o toré indígena. Dentro das festas juninas temos as quadrilhas tipicamente francesas.
Ainda segundo estudiosos, foi o povo que popularizou o forró em 1937, com o forró na roça de Manuel Queirós e Xerem. Uma das primeiras empresas a gravar o ritmo do forro foi a RCA Victor. As letras falavam sempre de temas nordestinos, amores, saudades, da vida, se bem que atualmente houve muitas mudanças nas composições e nos ritmos, incluindo o arrocha, a lambada e até mesmo o axé.
Com o passar do tempo o forró foi dando sequência a outros gêneros, como o baião, criado por Luiz Gonzaga (o rei do baião) e Humberto Teixeira, o xote, o xaxado, o coco, embolada, o arrasta-pé (arrastar o pé no chão para não fazer poeira) e o rojão. Dizem que o baião tem sua origem no ludu e na polca.
O xote, do shottische (alemão), era uma dança de salão trazida da Europa para o Brasil no meado do século XIX quando surgiu o xote pé de serra (forró pé de serra), com letras jocosas e humorísticas.
O xaxado, na forma de um sapateado de sandálias arrastadas no chão, tem sua ligação com o cangaço como dança masculina porque entre eles não haviam mulheres para fazer o par. Fazia-se a dança em círculos ou em fila indiana, conforme citação do folclorista Câmara Cascudo.
Além de Luiz Gonzaga, temos ainda grandes nomes que enalteceram e popularizaram o forró, como Jackson do Pandeiro, Marinês, Dominguinhos, Sivuca e tantos outros. Na década de 1970, Zé Ramalho, Elba Ramalho e Geraldo Azevêdo criaram outras sonoras para o forró com novos instrumentos, como a guitarra, Baixo, o teclado, o sax, a bateria e o violão. Antes o forró era composto somente pelo triângulo, a sanfona e a zabumba.
No final da década de 90 fizeram sucessos as bandas Falamansa, Forroçacana, Rastapé, Trio Forrozão, Raiz do Sena e Bicho do Pé, entrando na onda das novas tecnologias e da globalização. No início dos anos 2000 tivemos ainda o surgimento do Forró Universitário.
O Dia do Forró é celebrado em 13 de dezembro em homenagem ao nascimento de Luiz Gonzaga, só que não é tanto festejado como o Dia do Samba. A verdade é que neste século de existência, o forró foi deturpado e hoje os prefeitos contratam bandas e cantores que nada têm a ver com o ritmo. São os chamados oportunista que recebem altos cachês com o dinheiro do povo.











