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CASA CHEIA
Coisa rara aconteceu na sessão ordinária de quarta-feira (dia 10/05) da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista que sempre é realizada pela manhã (a outra é na sexta-feira – duas sessões por semana)! A casa estava superlotada, fenômeno difícil de acontecer, mas havia uma explicação. É que os agentes comunitários de saúde resolveram invadir o plenário para solicitar apoio dos parlamentares no sentido de que o poder público implante o plano de cargo e reajuste o salário desses servidores. A administração municipal não quer negociar com o sindicato, tendo em vista o piso salarial decretado pelo governo federal. Em dias normais fala mais alto o individualismo do brasileiro, e o recinto sempre está vazio. As pessoas ou as categorias sociais só procuram a política quando têm um interesse próprio e ainda tem aquelas classes desunidas, caso dos artistas. Ao ver a Câmara cheia logo imaginei se assim estivesse se fosse uma audiência pública sobre a nossa cultura, mas cair na real que seria difícil porque cada um só pensa em si.
OS AGENTES DE SAÚDE REIVINDICAM REAJUSTE SALARIAL E PLANO DE CARGOS
Diferente das outras sessões ordinárias da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista onde a plenária sempre está vazia, a de ontem de quarta-feira (dia 09/05) foi lotada pelos agentes comunitários de saúde que foram reivindicar maior atenção do poder público quanto ao reajuste salarial e a implantação do plano de cargos para a categoria.
Da tribuna Livre, a presidente do Sindicato de Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias do Estado da Bahia – Sindacs, Rita Suzana França Silva ressaltou que a lei do piso salarial da classe foi aprovada há cinco anos, pago a partir de verba federal, mas com contrapartida da Prefeitura Municipal de Conquista.
Acontece que, segundo ela, a administração municipal entendeu que o sindicato não vai receber o reajuste inflacionário e estaria prestes a tramitar um projeto que exclui agentes que recebem o piso da negociação salarial anual.
De acordo com ela, esse projeto fere o princípio da isonomia porque exclui alguns servidores. Os agentes lotaram a Câmara para solicitar da casa que não vote está matéria. O plano de cargos e carreira não existe mais? – indagou a sindicalista.
Rita informou que esteve com a administração municipal, fazendo ver que o poder público precisa valer o princípio da isonomia. O vereador Luis Carlos Dudé destacou que sempre estará ao lado do servidor porque já foi funcionário da prefeitura e sabe das necessidades. Ele acredita que a prefeita Sheila Lemos vai apontar uma solução por ser uma pessoa aberta ao diálogo.
O parlamentar Valdemir Dias parabenizou a categoria pela mobilização e declarou que a Câmara não deve permitir que essa situação aconteça, ressaltando que a administração pública não pode excluir os trabalhadores de uma negociação salarial.
A maioria dos vereadores demonstrou apoio à luta dos agentes comunitários de saúde de Vitória da Conquista, como Augusto Cândido, bem como Ricardo Babão que declarou estar ao lado da classe, achando justas suas reivindicações no sentido da inserção dos servidores no debate com relação ao reajuste salarial.
CONQUISTA NAS LENTES DA FOTOGRAFIA
Nesta semana surgiu uma polêmica num grupo do Zap sobre quem foi o melhor fotógrafo de Vitória da Conquista. Ao invés de se ficar nessa discussão dos achismos, o assunto merece uma pesquisa mais aprofundada. Por que não um livro sobre a história da fotografia em Vitória da Conquista?
Essa memória precisa ser levantada para que o debate tenha mais base teórica e científica. Conquista tem instituições de ensino (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia com seu curso de Jornalismo e Cinema, por exemplo) habilitadas e capacitadas para promover, em conjunto até com o poder público e privado, um trabalho que retrate as lentes da fotografia da cidade.
De antemão, entendo que cada fotógrafo teve o seu tempo, mas, com certeza, temos os maiores destaques na arte de ter registrado a nossa história atrás das lentes, com beleza, poesia e, acima de tudo, sensibilidade de ter captado as melhores imagens com o domínio da luz.
Fotografia não se resume num simples clique na máquina, como aqueles conhecidos retratistas de aniversários, casamentos, três por quatro ou batizados. É muito mais que isso. Quando falo de fotografia, me refiro, especialmente, ao fotojornalismo, ao repórter fotográfico, que está muito além da chapa de pose.
Na Taberna da História, Luis Carlos Fernandes aponta que Manoel Euphrásio Correia de Mello (Neca Correia), filho do primeiro intendente de Conquista, coronel Joaquim Correia de Mello, lá no início do século passado, entre 1900 a 1909, foi o precursor da fotografia da cidade. Suas fotos foram registradas em clichês de vidros, em grandes formatos.
No entanto, sabemos que outros vieram ao longo desses mais de 100 anos, principalmente a partir do surgimento dos primeiros jornais impressos por volta de 1910/12, como o Conquista, o Conquistense, o Avante, o Fifó, Tribuna do Café, O Combate, O Sertanejo, O Hoje, dentre muitos outros.
Confesso ser um tema no qual preciso dominar melhor, mas vou aqui arriscar alguns nomes como Mariano Sobrinho, Chagas, Evandro Gomes, Souza, Manoelito Melo, Cadete, Joãozinho, Edna Nolasco e seu pai, José Silva, Sabiá, José Carlos D´Almeida e tantos outros.
Peço licença aqui para falar do meu amigo e companheiro de longas jornadas de mais de 15 anos no Jornal A Tarde, José Silva, um grande conhecedor da fotografia jornalística e também da técnica de fotografar, que registrou Conquista e toda região sudoeste de ponta a ponta.
Sei que depois que deixou a Sucursal do A Tarde, Zé Silva ficou desmotivado para continuar em sua profissão que ama, mas possui um acervo valioso que já poderia ter sido homenageado com uma grande exposição ou com um livro sobre sua trajetória a partir dos anos 80.
Zé Silva em sua arte de fotografar durante mais de 30 anos já fez coberturas fotográficas de batizados de bonecas a queda de avião, secas, enchentes, catástrofes, acidentes trágicos, grilagens de terras, carvoarias clandestinas, prefeitos corruptos, bandidos perigosos, retirantes, incêndios, jogos de futebol, outras modalidades esportivas e já foi ameaçado de morte como eu.
Suas fotos são tão impactantes como poéticas, técnicas e artísticas, sem contar que possui um acervo precioso sobre a Conquista antiga. Posso dizer que ele é uma das referências da fotografia, sem desprestigiar outros profissionais aqui citados, e tem um tesouro guardado consigo que precisaria ser exposto.
MANIFESTO EM DEFESA DO CINE MADRIGAL
O coletivo SASB – Setor Audiovisual do Sudoeste da Bahia e representantes do cinema e audiovisual de Vitória da Conquista acabam de lançar um manifesto em defesa do Cine Madrigal, do seu uso pela população como sala de cinema (finalidade para o qual foi criado o espaço em 22 de maio de 1968), da sua estrutura adequada à utilização das diversas manifestações artísticas, se identificando como um lugar para exibir filmes, local de espetáculos e espaço multicultural.
O manifesto foi apresentado na reunião do Conselho Municipal de Cultura, realizada na noite de ontem (dia 08/05), na Casa Regis Pacheco, e teve aprovação unânime por parte dos membros deste colegiado. O coletivo aponta sua posição também em defesa de uma gestão compartilhada para este equipamento, exercida pelos membros das instituições públicas e da sociedade civil, para que possamos ter uma administração favorável ao seu funcionamento e manutenção, garantindo a sua sustentabilidade, promovendo uma programação contínua, diversificada e atrativa.
O antigo prédio do Cine Madrigal foi adquirido por volta de 2013 pela Prefeitura Municipal de Cultura e entregue à gestão da Secretaria de Educação, mas durante todo esse período continua fechado. Na reunião do Conselho foi feita uma sugestão de que o equipamento tenha uma administração compartilhada entre a Secretaria de Educação e a Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel.
O manifesto lembra que o Madrigal foi palco de inúmeras realizações de eventos como lançamentos de filmes, mostras de cinema, shows musicais, espetáculos artísticos, entre outros, neste local de visibilidade e dinamização do centro da cidade. Diz ainda que, atualmente a região sudoeste composta de 52 municípios e uma população em torno de dois milhões de habitantes, tendo Conquista como polo de referência, não dispõe de nenhuma sala de cinema no centro da cidade (cinema de rua).
O setor de audiovisual faz uma descrição histórica sobre o Cine Madrigal, se reportando sobre as sucessivas crises das salas de cinemas, identificadas como de rua, nas décadas de 70/80 e 90. O Madrigal, segundo o manifesto, passou a estar em constante debate e sob o risco de fechamento a partir dos anos 2000. Lembra das diversas mobilizações em busca de soluções que assegurassem a permanência deste equipamento. No entanto, o prédio continua fechado há nove anos “sem nenhuma resposta da destinação e projeto apresentado para a apreciação da comunidade”.
O manifesto cita ainda que em maio de 2015 profissionais da área audiovisual fizeram uma proposta à prefeitura de manutenção e funcionamento do Madrigal, adequados às novas tecnologias de projeção, sonorização, iluminação, segurança e acessibilidade. Nesse sentido, o manifesto propõe busca de recursos em diversas linhas de apoio e incentivo, como a recente Lei Paulo Gustavo que possibilita verbas para salas de cinemas.
O setor audiovisual destaca também que este equipamento cultural consta do Sistema Municipal de Cultura, sob a responsabilidade da Secretaria de Cultura, Turismo Esportes e Lazer, atribuindo a esta, os seus encargos pertinentes e relativos ao patrimônio arquitetônico, cultural e histórico desta cidade.
Precisamos tornar possível o restabelecimento do antigo Cine Madrigal no centro da cidade para que volte a fazer parte de uma programação e de uma agenda cultural desta comunidade, devendo ser visto como um lugar de cinemas, de culturas e de memórias – assinala o manifesto, que já recebeu a assinatura de 79 pessoas físicas e oito jurídicas.
QUADRAS. E VAMOS DE POESIA
Num estilo moderno e simples, linguagem por assim dizer adaptada ao mundo tecnológico virtual da internet, a jovem conquistense poetisa Ana Luz, nascida em 1989, acaba de lançar seu terceiro livro de poesia Quadras. Ela é também autora de “Poeta em Pânico” (2020) e “Fragmentos”, em 2021, em pleno período da pandemia.
Seus poemas são introspectivos com muita leveza, arrancados do interior da sua alma. Sua sensibilidade em Quadras é profunda e leva o leitor ao seu ponto de reflexão consigo mesmo. É como dar um mergulho em si, como traduz a própria capa da sua obra. Ela fala muito bem dos mistérios da vida, do amor, da saudade, do eterno e consegue ver o profundo no simples, coisa que somente o poeta tem o dom de enxergar.
Seu lançamento foi realizado na noite desta quinta-feira, dia 04/08, na Livraria Nobel, com a participação de escritores, poetas, artistas, amigos, parentes e intelectuais. Foi uma noite poética e de encontros literários, numa demonstração de que Vitória da Conquista possui grandes talentos, embora a nossa cultura ainda padeça num leito de hospital. Foi mais uma prova de que Conquista precisa instituir em seu calendário cultural uma Feira Literária.
Da sua autoria em Quadras temos Lampejo: No enorme riacho/ da criatividade,/ às vezes pesco/uma parruda fagulha; Eterno: o instante não existe,/por definição./O agora é crisálida,/lavra infinita; Sesta: Não há maior axioma/ do que a madorna pós almoço./ Sem nenhum alvoroço/(e com muita sonolência) afirmo; No Cartão: Parcelei meus anseios/ em doze vezes sem juros./ O importante/ é postergar tudo; Com Minhas Escusas: abdico do estilo/em favor da liberdade./ Melhor do que estribilho/é andar à vontade; Afagos: Prepare uma beberagem,/deixe a roupa sem passar./Enquanto lê esse poema,/ sinta-se abraçado pelo ar.
A QUESTÃO DO RACISMO NO BRASIL
É um assunto delicado e polêmico, porque todo cuidado é pouco para você não ser mal interpretado e até servir de peça para um processo. Mais de 300 anos de escravidão deixaram marcas que jamais podem ser apagadas e ainda hoje se vê atitudes, comportamentos de ódio e menosprezo ao ser humano tão somente por causa da cor negra de uma pele.
No entanto, está existindo uma onda perigosa do tipo indústria do racismo onde qualquer gesto, olhar ou palavra são logo caracterizados como racismo e injúria racial. Isso pode levar a um distanciamento entre as pessoas e até de animosidade. Nem tudo pode ser logo criminalizado como racismo.
A mídia tem muito contribuído para alardear com um toque sensacionalista determinados fatos como procedimento racista, sem antes fazer seu papel elementar de apurar os acontecimentos com imparcialidade. É evidente que as imagens de xingamentos, como chamar o outro de macaco e fedorento, agressões físicas e verbais contra outra pessoa só porque ela é negra, não deixam dúvidas quanto à prática de crime.
O que pretendo chamar aqui a atenção é que está havendo exageros e nem tudo está ligado ao ato racista. Cito aqui o exemplo da professora que insistiu em não despachar a mala na área de embarque do aeroporto e ainda dentro do avião se alterou numa discussão com membros da tripulação.
Por questões de normas estabelecidas pelos órgãos de aviação, principalmente depois dos atentados do 11 de setembro nos Estados Unidos (considero rígidas demais), a professora foi proibida de prosseguir sua viagem. Aqui não cabe mencionar qual cargo ou função o passageiro exerça.
Em nenhum momento a mídia televisiva mostra esse ponto, a outra versão do caso e nem os motivos reais que levaram a empresa a agir daquela maneira. Diante do exposto, em minha opinião, não vi nenhuma consistência para cravar que houve uma intenção direta de racismo ou injúria racial por parte dos funcionários da Gol.
Não é porque a pessoa é negra ou preta que ela possa descumprir as regras de um estabelecimento ou prestador de serviços e não ser advertida e punida. Os racistas precisam ser punidos de acordo com as leis, mas que haja uma separação daquilo que é tipicamente racismos do que não é, senão vamos alimentar mais ainda um ambiente de ódio e extremismos.
A mídia, como formadora de opinião (muitas vezes tem agido de forma irresponsável e até criminosa) tem por obrigação ser correta na informação. Deve apurar e mostrar todas as versões dos fatos, e não ser tendenciosa, com intuito de angariar simpatia e audiência. Além de enganar e confundir, ela está prestando um desserviço.
É TUDO UMA DEMAGOGIA PARA NÃO CORTAR AS MORDOMIAS DOS PODERES
Grande coisa o governo federal isentar do imposto de renda quem ganha até R$2.600,00 e promete chegar até R$5.000,00. Para os tempos bicudos atuais de inflação em alta, essas cifras não passam de merrecas. É tudo uma demagogia para encobrir as mordomias e benesses dos três poderes (os servidores do executivo vão ter aumento de 9%).
Numa economia como a nossa, que cambaleia pra lá e pra cá, dar aumento do salário mínimo acima da inflação, com mais a média do PIB (Produto Interno Bruto) pode ser uma faca de dois gumes. O capitalista empresário, que só visa o lucro, vai repassar esse índice para os preços de seus produtos e aí tudo se dilui no custo de vida. Com inflação, a economia não gira, retrocede.
Acima dessa reforma tributária, o Brasil precisa é de uma administrativa, política e eleitoral, mas eles lá de cima não querem nem saber falar nisso. São 513 deputados e 81 senadores que consomem 15 bilhões de reais por ano, sem falar nas assembleias e nas câmaras de vereadores que estão entupidas de parlamentares. No judiciário tem magistrado com bônus e outras regalias ganhando 200 e 300 mil mensais
Os maiores problemas do Brasil estão no Congresso Nacional e no sistema eleitoral arcaico coronelista. Jogam tudo isso por debaixo do tapete e enganam o nosso povo com essas reformas que mantém o nosso país na mesma situação, ou até pior. O povo sempre paga o pato e carrega toda carga nas costas.
Um exemplo claro foi a reforma trabalhista, ou melhor escravista, que deixou o trabalhador garroteado. Na época, toda classe do empresariado aplaudiu, porque amordaçou e escravizou o empregado. Por que o Governo Lula não toca nesse assunto? Quem não é “burro” sabe muito bem o motivo.
O valor dessa isenção do imposto e aumento do mínimo são irrisórios diante dessa inflação em alta. É o mesmo que dar com uma mão e tirar com a outra. Por que eles lá de cima não cortam na própria carne através de uma reforma administrativa? É o poder que está em jogo, meu camarada! A direita, o centro e nem a esquerda querem saber disso. Preferem deixar tudo como está mesmo e, enquanto isso, vamos enrolando a população com migalhas e demagogias.
O que o trabalhador tem nos dias de hoje para comemorar o Dia do Trabalho? Até as conquistas da era de Getúlio Vargas e Jango, com a CLT, mesmo fascista, foram roubadas e vilipendiadas com a reforma escravista no Governo Temer, o mordomo de Drácula. Milhões se sujeitam a trabalhar sem carteira assinada, em regime temporário, em situação precária e com ganhos abaixo do mínimo.
Tudo não passa de conversa para boi dormir, e o pior de tudo é que os sindicatos e as centrais pelegos ficam calados. Na França os trabalhadores têm uma jornada menor, mais benefícios e se aposentam mais cedo. Mesmo assim, eles estão lá brigando por mais. Aqui nos contentamos com o pouco e até aceitamos cortar muitos direitos obtidos há anos.
CULTO À MEDIOCRIDADE
Um marqueteiro virtual em uma palestra disse que para você passar uma mensagem só precisa saber o mínimo de português. O que mais interessa é transmitir a mensagem, não importa se truncada, com erros ortográficos, pronominal ou de concordância.
Sua visão vesga não é nenhuma surpresa para os tempos atuais do endeusamento das novas tecnologias que pregam o culto à mediocridade. Você não precisa mais saber de história, de conhecimentos gerais, de geografia e nem da tal filosofia que afina seu raciocínio do penso, logo existo.
A tendência é que as escolas passem a abolir essas disciplinas porque, como muitos já dizem, elas na prática não lhe servem para nada. O negócio é apenas ser um técnico numa determinada profissão para ganhar dinheiro no mercado on-line da internet.
O culto à mediocridade despreza o saber desenvolver uma redação, uma dissertação, interpretar um texto, ser argumentativo e opinativo. Hoje o usual é o copiar e colar. Não precisa entender. Por que o português é o bicho papão nas provas do Enem?
Em todas as redes sociais, com linguagens codificadas que eu não consigo captar, as tais “mensagens” estão cheias de erros bárbaros. O nome disso é assassinato da nossa língua. Nas portas das lojas os nomes e as propagandas são todos em inglês. Até parece que você está na Inglaterra ou nos Estados Unidos.
Esse culto à mediocridade não está tão somente no ensino público, cada vez mais em decadência. Está visível nas pessoas e em todo país onde tudo se copia e nada se cria, como nos eventos e festas comerciais. De autêntico só temos mesmo o forró e o samba.
No Brasil colonial, o charme era imitar os franceses em tudo, e de lá vinham as etiquetas, os costumes, hábitos, os talheres, xícaras, pratos e, principalmente, a moda. No Brasil República passamos a trazer tudo dos Estados Unidos.
A mediocridade também está impregnada na política, na vida social, na falta de cordialidade para com o outro, na falsidade quando você diz ser amigo-irmão do outro somente por interesse. Basta você dar as costas ou cair em desgraça que a pessoa nunca mais lhe procura. Está até na “falta de tempo” para dar um alô e saber como o outro está passando.
No emprego ou no cargo do “quem indica”, não mais importa a meritocracia. Vale muito mais a bajulação e que você seja servo em tudo, como um vassalo ou súdito do rei. O assessor do político não mais corrige seu comportamento, apenas diz amém a tudo. Isso também é prestar culto à mediocridade.
Nem vou mais me alongar porque, como bem sabemos, quase ninguém se dedica à leitura. No mínimo passa as vistas numa manchete ou num título. E é tão rápido que a pessoa ler errado e sai por aí falando besteiras e fazendo perguntas idiotas. Não passamos de uma ilha cercada de mediocridades.
O LIVRO “NA ESPERA DA GRAÇA” FOI LANÇADO DIA 27 NA LIVRARIA NOBEL
Não são textos pandêmicos, mas, em sua maioria foram inspirados durante o período da pandemia da Covid-19 (2020/22) quando as pessoas estavam angustiadas, isoladas e até desesperadas na espera de uma graça para se livrar do vírus.
A obra “Na Espera da Graça – Entre Engaços e Bagaços”, textos poéticos do jornalista e escritor Jeremias Macário, foi lançada em março, na Casa Regis Pacheco (Praça Tancredo Neves) e no último dia 27 de abril na Livraria Nobel, da Avenida Otávio Santos.
Quem não teve condições de comparecer ao evento, o livro pode ainda ser ainda adquirido na própria livraria, bem como outros trabalhos do autor, como “Uma Conquista Cassada”, “Andanças” e “A Imprensa e o Coronelismo no Sudoeste”.
O título “Na Espera da Graça” foi exatamente inspirado numa letra musicada pelo companheiro músico, cantor, poeta e compositor Walter Lajes, em sua viola mágica no ritmo do boi em diversos festivais.
Outros versos da obra também foram musicados por artistas locais e do Nordeste, como Edilsom Barros, de Fortaleza (A Dor da Finitude) e Antônio Dean, de Campina Grande (Lembro Ainda Menino e Minha Filha Cintia). Outras letras foram musicadas por Papalo Monteiro e Dorinho Chaves.
Além disso, diversos poemas foram gravados em vídeos com minha esposa Vandilza Gonçalves e meu amigo José Carlos D´Almeida, que resultaram em dois curtas metragens, um dos quais premiado pelo edital da Lei Aldir Blanc, lançado pela Prefeitura Municipal através da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel.
Para finalizar, o livro contém o capítulo “Entre Engaços e Bagaços”, um épico sobre o nosso resistente Nordeste. Trata-se de uma viagem que o autor faz a partir do Maranhão, descendo pelo Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe e a Bahia onde são louvados Câmara Cascudo, José de Alencar, José Lins do Rego, Gilberto Freyre, Ariano Suassuna, Graciliano Ramos, Tobias Barreto, Rui Barbosa, Gregório de Matos, Jorge Amado e tantos outros.
AS CPIS QUE NÃO DÃO EM NADA
É só bate-boca, aparição na mídia para ganhar mais visibilidade e voto, mais dinheiro gasto do contribuinte e depois tudo é arquivado. Os responsáveis pelos crimes cometidos continuam impunes. A mais recente que foi para apurar as responsabilidades nas possíveis compras superfaturadas de vacinas e atrasos na vacinação contra a Covid-19 é um bom exemplo disso.
Existiram tantas outras CPIs, como a do mensalão, em 2005, onde depois todos foram inocentados pela Justiça tardia e cega. Tudo não passa de uma palhaçada e um circo dos horrores que os brasileiros já estão cansados de assistir pelas redes sociais e televisão. Elas perderam totalmente a credibilidade, tanto que ninguém nem dá mais importância.
Agora estão instalando a CPI mista da Câmara e do Senado (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar as invasões do oito de janeiro nos três poderes (Congresso Nacional, Executivo e Supremo Tribunal Federal), quando o próprio STF já está cuidando disso para apontar os verdadeiros culpados. Mesmo assim, tudo termina em pizza e samba, como já se diz no Brasil.
Além dessa, outras estão vindo aí para “investigar” as ações de invasões de terras do MST pelo Brasil. Tem até a das Lojas Americanas sobre o rombo que deram nas finanças da empresa. Tem outra CPI aí que agora não estou me lembrando porque são tantas!
Podemos afirmar que é uma safra de CPIs, quando o Congresso Nacional deveria sim aprovar um projeto de lei para realizar uma verdadeira reforma política eleitoral, reduzindo seu contingente de parlamentares e os custos de suas mordomais, bem como, mudar esse sistema arcaico de capitanias hereditárias no poder.
Sobre essa questão ninguém quer tocar no assunto, nem a esquerda, o centro e a direita. Todos preferem que as coisas continuem como estão onde eles utilizam a máquina e sempre se elegem. Conheço deputado, por exemplo, que já está no poder há mais de 40 anos. Esse tipo já sabe a medida certa de votos dos ignorantes e daqueles que lhe devem “favores”. De certa forma, o voto continua sendo comprado no estilo coronelista.
Quando não aguentam mais, eles transferem seus eleitores para seus filhos, sobrinhos, primos e netos como espécie de herança de bens. Transformam o público em privado. Para completar a lambança, ainda existe o senador biônico como nos tempos da ditadura civil-militar de 1964, que nunca recebeu um voto.
Quando você vota num senador existe por detrás dele um suplente na chapa que pode ser um amante ou uma amante, um parente e até um empregado seu que é pago com o dinheiro do pobre ignorante contribuinte. Ficam oito anos gozando das benesses pagas pelos otários que somos nós mesmos.
Durante as campanhas, eles nunca revelam quem é o seu suplente. O personagem ou a personagem só aparece quando ocorre um incidente ou acidente em que o eleito é impossibilitado de continuar no cargo.
Entra eleição e sai eleição, entra governo e sai governo, e tudo permanece com dantes na casa de Abrantes, ou seja, nada muda. Agora inventam esses CPIs para enganar o povo de que eles estão preocupados com os malfeitos do país quando os próprios são os malfeitores.
No final, tudo é arquivado e todos inocentados por “falta de provas”, como na Operação Lava-Jato. Esse Brasil, durante todos os meus anos de vida ainda não me deu motivos para me orgulhar dele. Não tenho nenhum receio de dizer que sinto vergonha.





















