CONQUISTA NAS LENTES DA FOTOGRAFIA
Nesta semana surgiu uma polêmica num grupo do Zap sobre quem foi o melhor fotógrafo de Vitória da Conquista. Ao invés de se ficar nessa discussão dos achismos, o assunto merece uma pesquisa mais aprofundada. Por que não um livro sobre a história da fotografia em Vitória da Conquista?
Essa memória precisa ser levantada para que o debate tenha mais base teórica e científica. Conquista tem instituições de ensino (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia com seu curso de Jornalismo e Cinema, por exemplo) habilitadas e capacitadas para promover, em conjunto até com o poder público e privado, um trabalho que retrate as lentes da fotografia da cidade.
De antemão, entendo que cada fotógrafo teve o seu tempo, mas, com certeza, temos os maiores destaques na arte de ter registrado a nossa história atrás das lentes, com beleza, poesia e, acima de tudo, sensibilidade de ter captado as melhores imagens com o domínio da luz.
Fotografia não se resume num simples clique na máquina, como aqueles conhecidos retratistas de aniversários, casamentos, três por quatro ou batizados. É muito mais que isso. Quando falo de fotografia, me refiro, especialmente, ao fotojornalismo, ao repórter fotográfico, que está muito além da chapa de pose.
Na Taberna da História, Luis Carlos Fernandes aponta que Manoel Euphrásio Correia de Mello (Neca Correia), filho do primeiro intendente de Conquista, coronel Joaquim Correia de Mello, lá no início do século passado, entre 1900 a 1909, foi o precursor da fotografia da cidade. Suas fotos foram registradas em clichês de vidros, em grandes formatos.
No entanto, sabemos que outros vieram ao longo desses mais de 100 anos, principalmente a partir do surgimento dos primeiros jornais impressos por volta de 1910/12, como o Conquista, o Conquistense, o Avante, o Fifó, Tribuna do Café, O Combate, O Sertanejo, O Hoje, dentre muitos outros.
Confesso ser um tema no qual preciso dominar melhor, mas vou aqui arriscar alguns nomes como Mariano Sobrinho, Chagas, Evandro Gomes, Souza, Manoelito Melo, Cadete, Joãozinho, Edna Nolasco e seu pai, José Silva, Sabiá, José Carlos D´Almeida e tantos outros.
Peço licença aqui para falar do meu amigo e companheiro de longas jornadas de mais de 15 anos no Jornal A Tarde, José Silva, um grande conhecedor da fotografia jornalística e também da técnica de fotografar, que registrou Conquista e toda região sudoeste de ponta a ponta.
Sei que depois que deixou a Sucursal do A Tarde, Zé Silva ficou desmotivado para continuar em sua profissão que ama, mas possui um acervo valioso que já poderia ter sido homenageado com uma grande exposição ou com um livro sobre sua trajetória a partir dos anos 80.
Zé Silva em sua arte de fotografar durante mais de 30 anos já fez coberturas fotográficas de batizados de bonecas a queda de avião, secas, enchentes, catástrofes, acidentes trágicos, grilagens de terras, carvoarias clandestinas, prefeitos corruptos, bandidos perigosos, retirantes, incêndios, jogos de futebol, outras modalidades esportivas e já foi ameaçado de morte como eu.
Suas fotos são tão impactantes como poéticas, técnicas e artísticas, sem contar que possui um acervo precioso sobre a Conquista antiga. Posso dizer que ele é uma das referências da fotografia, sem desprestigiar outros profissionais aqui citados, e tem um tesouro guardado consigo que precisaria ser exposto.











