MANIFESTO EM DEFESA DO CINE MADRIGAL
O coletivo SASB – Setor Audiovisual do Sudoeste da Bahia e representantes do cinema e audiovisual de Vitória da Conquista acabam de lançar um manifesto em defesa do Cine Madrigal, do seu uso pela população como sala de cinema (finalidade para o qual foi criado o espaço em 22 de maio de 1968), da sua estrutura adequada à utilização das diversas manifestações artísticas, se identificando como um lugar para exibir filmes, local de espetáculos e espaço multicultural.
O manifesto foi apresentado na reunião do Conselho Municipal de Cultura, realizada na noite de ontem (dia 08/05), na Casa Regis Pacheco, e teve aprovação unânime por parte dos membros deste colegiado. O coletivo aponta sua posição também em defesa de uma gestão compartilhada para este equipamento, exercida pelos membros das instituições públicas e da sociedade civil, para que possamos ter uma administração favorável ao seu funcionamento e manutenção, garantindo a sua sustentabilidade, promovendo uma programação contínua, diversificada e atrativa.
O antigo prédio do Cine Madrigal foi adquirido por volta de 2013 pela Prefeitura Municipal de Cultura e entregue à gestão da Secretaria de Educação, mas durante todo esse período continua fechado. Na reunião do Conselho foi feita uma sugestão de que o equipamento tenha uma administração compartilhada entre a Secretaria de Educação e a Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel.
O manifesto lembra que o Madrigal foi palco de inúmeras realizações de eventos como lançamentos de filmes, mostras de cinema, shows musicais, espetáculos artísticos, entre outros, neste local de visibilidade e dinamização do centro da cidade. Diz ainda que, atualmente a região sudoeste composta de 52 municípios e uma população em torno de dois milhões de habitantes, tendo Conquista como polo de referência, não dispõe de nenhuma sala de cinema no centro da cidade (cinema de rua).
O setor de audiovisual faz uma descrição histórica sobre o Cine Madrigal, se reportando sobre as sucessivas crises das salas de cinemas, identificadas como de rua, nas décadas de 70/80 e 90. O Madrigal, segundo o manifesto, passou a estar em constante debate e sob o risco de fechamento a partir dos anos 2000. Lembra das diversas mobilizações em busca de soluções que assegurassem a permanência deste equipamento. No entanto, o prédio continua fechado há nove anos “sem nenhuma resposta da destinação e projeto apresentado para a apreciação da comunidade”.
O manifesto cita ainda que em maio de 2015 profissionais da área audiovisual fizeram uma proposta à prefeitura de manutenção e funcionamento do Madrigal, adequados às novas tecnologias de projeção, sonorização, iluminação, segurança e acessibilidade. Nesse sentido, o manifesto propõe busca de recursos em diversas linhas de apoio e incentivo, como a recente Lei Paulo Gustavo que possibilita verbas para salas de cinemas.
O setor audiovisual destaca também que este equipamento cultural consta do Sistema Municipal de Cultura, sob a responsabilidade da Secretaria de Cultura, Turismo Esportes e Lazer, atribuindo a esta, os seus encargos pertinentes e relativos ao patrimônio arquitetônico, cultural e histórico desta cidade.
Precisamos tornar possível o restabelecimento do antigo Cine Madrigal no centro da cidade para que volte a fazer parte de uma programação e de uma agenda cultural desta comunidade, devendo ser visto como um lugar de cinemas, de culturas e de memórias – assinala o manifesto, que já recebeu a assinatura de 79 pessoas físicas e oito jurídicas.












