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UMA AÇÃO DE 30 ANOS QUE AINDA NÃO RESOLVEU O PROBLEMA DA FOME
Longe de mim criticar uma ação da cidadania de combate à fome, criada há 30 anos pelo saudoso Betinho. O mais lamentável é que depois de todo esse tempo o nosso Brasil registra hoje 33 milhões de famintos que vivem em plena miséria, dependendo de um Bolsa Família de cerca de 700 reais por mês. É bom deixar claro que, além do governo, existem ajudas de milhares de brasileiros através das doações de cestas básicas.
Não consigo entender que durante esses anos os governantes não implantaram políticas públicas sólidas, programas e projetos para se sair desse sistema de doações e esmolas. Preferem dar o peixe do que ensinar a pescar, tanto a direita como a esquerda, porque é uma forma de manipular o voto do eleitor pobre, sem instrução e ignorante.
Imaginem se nesses 30 anos tivesse ocorrido uma ação pública e privada da sociedade no sentido de priorizar a educação, desembolsando bilhões de reais, ou até trilhões, no sentido de proporcionar um ensino de qualidade para as crianças!
Certamente hoje teríamos uma geração de jovens de 25 a 30 anos bem mais qualificada para o mercado de trabalho, e a fome não teria tomado essas proporções alarmantes e vergonhosas. Nada mais estimulante do que o cidadão ganhar o pão do seu próprio suor.
Digo isso porque sou cria de uma família de pobres lavradores que vivia na zona rural, e meus pais se sentiam dignificados de ganhar seu próprio dinheiro. Meu pai, por exemplo, aprendeu a pescar aprendendo outras atividades além da roça. Quando se dá, existe a propensão ao comodismo.
Somente neste ano o Governo Lula vai gastar do Tesouro Nacional 176 bilhões de reais com o Bolsa Família. Concordo que a fome não espera, tem pressa, mas não se apresenta uma saída para tirar esses milhões da extrema pobreza. Mesmo que a pessoa receba três refeições por dia, não quer dizer com isso que ela deixa de ser pobre e dependente.
Posso até estar falando besteiras, mas se o governo investisse esses 176 bilhões em obras de saneamento básico e construção habitacional, priorizando o emprego a todo esse contingente de miseráveis brasileiros, inclusive com programas de capacitação? Não estaria realizando dois benefícios à população?
Essas ações de Bolsa Família, Auxílio Brasil e ou qualquer coisa que se dê o nome, a depender do slogan marqueteiro de cada presidente, vão perdurar até quando? Sem educação e cultura, vamos sempre continuar sendo um país em desenvolvimento, com milhões vivendo na linha da pobreza e da desigualdade social.
Até quando a nação vai suportar volumosos gastos para matar a fome, sem ativar um mecanismo onde as pessoas vivam por conta própria? Na verdade, tudo isso não passa de uma tremenda máquina de fabricar votos e deixar ainda mais o cidadão envergonhado e usado politicamente.
OS DETRITOS DA SERRA DO PERIPERI
A natureza não perdoa, devolve todo mal que é praticado contra ela. Esse enunciado é mais do que óbvio, mas o animal homem nunca aprende e continua a destruir o meio ambiente. Quando este se rebela, os pobres são os que mais sofrem com os estragos, inclusive com mortes.
Primeiro estou me referindo à depredação da Serra do Periperi, em Vitória da Conquista, quando por muitos anos ela serviu de exploração de pedras e areia, derrubando mais ainda a pouca vegetação que cobria aquela área, antes uma floresta que dela só restou aquele pedaço da Mata do Poço Escuro.
Esse processo criminoso teve início com maior intensidade a partir dos anos 60 do século passado com a construção da BR-116. Quando aqui cheguei, em 1991, caçambas e mais caçambas entravam e saiam da Serra carregadas de materiais para a construção civil. Lembro das muitas reportagens que fiz denunciando o crime, sob ameaça dos exploradores.
Como a Serra ficou sem nenhuma proteção vegetal e cheia de buracos, ela começou a despejar detritos, pedras e lama à cidade todas as vezes que batem fortes chuvas, como as desse último final de semana, destruindo casas e ruas, principalmente nos bairros Panorama e Santa Cecília, conforme apontou muito bem o arquiteto Leandro Fonseca.
Em seus vídeos, como bom conhecedor do assunto, ele mostra com evidência e propriedade as causas e as consequências advindas lá do alto da Serra, bem como a necessidade urgente do poder público implantar o canal leste-oeste para escoamento das águas. Segundo ele, se isso não for feito, a situação vai perdurar por muito tempo. “Se os canais não forem executados, a tendência é piorar com a descida dos detritos da Serra”.
Fonseca alerta que se não for realizada uma macrodrenagem profissional e dentro das técnicas exigidas, vamos ter daqui para frente cenários desse tipo, atingindo diretamente o centro da cidade, como o que acontece hoje na Praça Victor Brito e Avenida Bartolomeu de Gusmão, todas as vezes que chove.
O arquiteto foi bem claro quando apontou para o alto da Serra de onde são carreados todo lixo e detritos para as partes mais baixas dos bairros que estão localizados nas encostas e depois para as ruas do centro de Conquista.
A invasão de terra e lamas das chuvas nas casas já era anunciada por muito anos quando lá atrás as máquinas perfuraram a Serra do Periperi deixando enormes crateras, sem contar que aterraram todos os pontos de minação. Imaginem que nela chegou a funcionar um lixão por muitos anos.
De volta ao ponto inicial, a natureza está apenas devolvendo o mal que lhe fizeram através da ganância de ganhar mais dinheiro. Os prefeitos e os políticos passados foram coniventes com a destruição, em alguns locais irrecuperáveis. O maior predador da Serra foi o próprio poder público.
Não é nenhuma surpresa que os danos à cidade iam logo surgir. E, como declarou o arquiteto Leandro, se não houver construção de canais de escoamento, virão tragédias maiores, não somente materiais, como também de vidas humanas.
QUAL O DESTINO DO MADRIGAL?
Por várias vezes já comentei aqui sobre este assunto, ou esse equipamento municipal que há anos está fechado, mas não custa nada voltar à questão. Os artistas, principalmente do audiovisual e do teatro, estão ansiosos que suas portas se abram para espalhar cultura pela cidade.
Uma pergunta que constantemente está sendo levantada é qual o destino do antigo Cine Madrigal? Estava previsto para ser reaberto em setembro de 2021, e o Conselho Municipal de Cultura já colocou a questão em pauta diversas vezes, inclusive através de ofícios e documentos, um deles entregue em audiência com a prefeita, em julho do ano passado.
Lá está aquele imponente prédio na rua Ernesto Dantas fechado há 16 anos, sendo desgastado pelo tempo. Ali tem história quando bons filmes atraíram milhares de conquistenses. Guarda lembranças na mente de muita gente, namorados, casais, jovens, professores, intelectuais e gente do nosso povo. Eu mesmo estive lá por várias vezes assistindo boas películas.
Com capacidade para mais de mil assentos (poltronas luxuosas) o Cine Madrigal foi aberto em 22 de maio de 1968 com o filme “A Noite dos Generais” e fechado em 2001. Um ano depois, em 2002, voltou às suas atividades, mas teve que encerrar em definitivo suas ações em 30 de julho de 2007. Portanto, foram 38 anos de bons filmes, como o Titanic, que teve maior público. Conquista foi pioneira em salas de cinema (chegou a ter cinco abertas) e experimentou seu bum na década de 40.
O Madrigal foi o último dos cinemas de rua de Vitória da Conquista. Como se diz no popular, o último dos moicanos. Quando fechou as portas por causa da onda da internet, dos DVDs e fitas cassetes, a Igreja Universal – se não me engano – tentou comprar o prédio, mas não deu certo.
Depois de muito discutir, a Prefeitura Municipal, entre os anos 2015/16, no governo de Guilherme Menezes, adquiriu o antigo Cine Madrigal por cerca de um milhão e 100 mil reais, barato pela sua estrutura e localização. Foi utilizado o dinheiro do Tesoura, isto é, do povo, e passado para a gestão da Secretaria de Educação.
São sete anos sem ser utilizado, coisas da Bahia e do nosso Brasil. A intenção do governo passado era transformar o antigo Madrigal num cineteatro, conforme garantiu o secretário de Educação da época, Valdemir Dias, hoje vereador. Até o momento nada aconteceu e lá está o “elefante branco”.
Quando de uma audiência do Conselho Municipal de Cultura, a prefeita Sheila Lemos explicou que o propósito era reativar o Cine Madrigal, mas antes teriam que ser realizadas obras de reforma interna e externa de acessibilidade, de modo a atender as exigências do Corpo de Bombeiros e do Conselho de Engenharia e Arquitetura.
Estamos sabendo que já existe um projeto de licitação para fazer os devidos reparos visando a abertura de suas instalações. No entanto, fica uma interrogação, inclusive dos artistas em geral e da população sobre a sua utilização. Vai ser mesmo um cineteatro, ou apenas mais um estabelecimento de uso da Secretaria de Educação para reuniões, oficinas de capacitação e local de eventos de formatura? É isso que toda sociedade está querendo saber.
Existe a discussão de que haja uma gestão compartilhada entre as Secretarias de Educação e a de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel, mas até o momento pouco se sabe e se anunciou sobre o assunto. O poder público tem a obrigação de informar e dar uma satisfação, mesmo porque é recurso do contribuinte. A Câmara de Vereadores também precisa se pronunciar e entrar nesse debate.
Com a interdição do Teatro Carlos Jheová, na Praça 10 de Novembro, os artistas em geral, músicos, as artes cênicas e outras linguagens ficaram sem local para realizar seus ensaios e eventos. Estão indo, com sacrifícios para outros locais, como o Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima que pertence ao estado.
O antigo Cine Madrigal seria o ideal para atender a demanda, mas a nossa cultura, infelizmente, está órfã de pai e mãe. Essa nossa “pobre” cultura anda aí pelas ruas como uma mendiga maltrapilha com a cuia na mão pedindo esmolas. Todos passam e poucos dão atenção jogando umas moedinhas em seu prato.
Queremos uma posição sobre este e outros equipamentos culturais, como a Casa Glauber Rocha, que também se encontra fechada a mercê do tempo que não perdoa no quesito desgaste e destruição do nosso patrimônio histórico, na verdade, um resto que ainda está de pé.
“DIA DO ÍNDIO” PARA “DIA DOS POVOS INDÍGENAS” OU ORIGINÁRIOS DO BRASIL
Ainda no primário (cinco anos escolar), quando existia essa primeira etapa no ensino brasileiro, lembro muito bem das comemorações do “Dia do Índio”, quando o professor ou professora falava alguma coisa da sua história e mandava que a gente pintasse alguma figura em alusão a esse povo.
Naquela época os livros de história ainda contavam que Pedro Álvares Cabral havia descoberto o Brasil e aqui chegando fez o primeiro contato com os índios através da troca de presentes (espelhos, pentes e outras bugigangas), levando madeira, plantas e outras riquezas preciosas da natureza.
Como descoberta, se os indígenas já viviam aqui? Na verdade, foi uma invasão continuada e recheada de massacres, guerras, tentativas de escravidão, imposição da religião católica, no caso os jesuítas, sem falar nas doenças que dizimaram centenas de tribos.
O resto dessa história de 523 anos muitos já conhecem, mas ela foi sempre contada pelos vencedores brancos. O “Dia do Índio”, um termo genérico, por exemplo, 19 de abril, perdurou por muitos séculos e somente no ano passado passou a ser “Dia dos Povos Indígenas”.
De acordo com a professora e doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP), Márcia Mura, a alteração era necessária para refletir as ideias e lutas das diversas sociedade indígenas. Cada povo ou tribo tem sua especificidade linguística, cultura, costumes e hábitos.
Para a professora, o termo índio reproduz a visão do colonizador que remete a ideia eurocêntrica de que os indígenas são atrasados e iguais, desconsiderando suas diferenças. Mas, não é somente isso, a palavra indígena nos leva a originário da terra.
Outra coisa é que “índio” sempre foi visto como um ser atrasado, coisa sem valor, sem importância e atrativo, daí o deboche “isso é programa de índio” quando um evento e ou uma festa não agrada a alguém. Coisa monótona, sem graça. Fala-se muito da discriminação contra o negro, mas pouco com relação ao índio que a sociedade burguesa capitalista simplesmente excluiu.
Não somente a escravidão foi vergonhosa na história brasileira, mas também o que cometeram e praticaram de atrocidades contra o índio. Para os primeiros colonizadores e jesuítas que aqui chegaram, esses povos não tinham alma e eram tidos como pagãos porque eles cultuavam seus deuses e praticavam seus rituais.
A matança contra os índios e as expulsões de suas terras (caso mais recente dos ianomâmis em Rondônia) não aconteceram somente no Brasil, mas em todas as américas. O livro “As Veias Abertas da América Latina”, do uruguaio Galeano, narra o que os espanhóis fizeram em termos de atrocidades e barbaridades. Foi um verdadeiro extermínio.
Os Estados Unidos não ficaram atrás quando resolveram tirar os índios de suas terras na conquista do oeste, com seus generais cruéis cometendo todos os tipos de crimes hediondos. É outra história vergonhosa da humanidade.
Aqui em mesmo em Vitória da Conquista pelo século XVIII e até meados do XIX, o colonizador João Gonçalves da Costa, com seus ajudantes e oficiais, perseguiu impiedosamente os mangoiós e os imborés, descendentes dos Pataxós, tanto que essas etnias praticamente foram extintas da região.
A VIDA É ASSIM, MEU CAMARADA!
Fui ontem (terça-feira, dia 18/04) ao centro da cidade para resolver uns problemas que estão me deixando agoniado e me deparei com uma cena triste na Praça Barão do Rio Branco: Na via ao lado da Caixa Econômica um lençol branco cobria o corpo de uma mulher que foi atropelada por uma moto e veio a óbito no local. A vida é assim, meu camarada! O nascer está ligado umbilicalmente com a morte, não importa como e quando. Ela sempre está à sua espera.
Mesmo com toda tecnologia na mão onde você atualmente resolve muitas coisas na base dos cliques (nem sempre funciona o chamado passo a passo), cada um continua com suas agruras, angústias, alegrias e tristezas. Cada pôr-do-sol e cada amanhecer são diferentes. Podem ser de prazer ou de tristeza, de vitórias ou de derrotas. Cada um tenta viver como pode, ou sobreviver com sua história particular, só sua.
A vida é assim, meu camarada e cada um sabe de si. Vivemos numa sociedade onde mesmo com sua dor sofrida, você tem que dizer que está tudo bem, para não ser desagradável, rabugento e pessimista de energias negativas. Até aparece gente para nos consolar e animar de que as coisas vão melhorar. Que depois da tempestade vem a bonança. Um bom dia, uma boa tarde e uma boa noite nem sempre são para todos. O jeito é disfarçar!
Tem uns que falam que os tempos de hoje são melhores que no passado da carroça, da máquina de datilografia, daquele namoro que ainda era distante e o máximo que se fazia era pegar na mão e dar um beijo no rosto. Fazer um flerte de elogias na morena que passava, não era assédio sexual, mas significava um bem ao ego da mulher.
Outros falam que naquela era as pessoas eram mais solidárias, amigas, de maior respeito e uns ajudavam mais outros nas necessidades prementes, mesmo sem o progresso da máquina, sem as invenções domésticas e laborais que facilitam por demais o trabalho. Ainda se usava o pilão na roça. Nem havia o liquidificador e outros utensílios para facilitar as refeições da dona de casa.
Os jovens estudavam e liam bem mais. Se interessavam pelo conhecimento e pela cultura. Nas escolas, o professor era respeitado e existia até a disputa de quem tirava nota maior em português, matemática, história, geografia e ciências sociais. Ser o primeiro da classe era uma glória. Os vizinhos se conheciam e iam na porta pedir um sal, um pouco de café e açúcar emprestados, que faltavam em suas residências. Hoje não é mais assim…
Os conceitos de felicidade, de amor, de saudades, de confiança no outro, de cooperação, da troca de olhares e do bem-estar consigo mesmo mudaram. Até a poesia, a métrica, a rima e os textos tomaram outra forma, mais livre e libertária. Não se reflete mais, não se mergulha mais em si mesmo e não se tem tempo para meditar.
Mesmo com o computador veloz e o celular na mão para troca de informações instantâneas, vender e comprar seus produtos pelas redes sociais, passar notícias, fazer fofocas e compartilhar fake news, o tempo para a grande maioria parece que deixou de existir. A resposta é sempre de pedida de desculpas porque não houve tempo para responder seu vídeo, sua mensagem ou áudio. Todos estão ocupados.
A colaboração cedeu lugar à competitividade e à competição cerradas, se possível passando a rasteira no outro. Todos só pensam em ganhar, sem olhar o seu “semelhante”. Valem o levar vantagem e ser mais astuto. O outro é visto como um otário por ser ético e preservar seu caráter de honestidade. Quase ninguém liga mais para o que é o certo ou o errado.
Todos hoje nas ruas são suspeitos, desde que se prove o contrário. Não se ajuda mais o caído na calçada ou na estrada a se levantar. Pode ser uma armação, um golpe ou assalto. Cuidado no olhar para a mulher que cruza seu caminho. Não se abre mais a porta, nem para o agente de saúde ou o funcionário do censo.
O racismo está em todos os lados, e as multidões cada vez mais apressadas e suadas para não chegarem atrasadas no trabalho, não perder o ônibus ou o metrô. O tempo virou dinheiro e o humano um simples número sem muita importância, especialmente se não tiver alguma coisa para lhe oferecer. As câmaras vigiam seus passos, seus gestos, seu caminhar e até quando você para num poste ou num banco da praça para pensar como resolver os imbróglios da vida. Alguém está lhe observando.
Tudo isso, serve apenas como uma reflexão de que a vida é assim mesmo, meu amigo camarada (poucos são os amigos verdadeiros, daqueles certos nas horas incertas). Cabe a você fazer uma análise racional sobre qual tempo era o melhor. O sentido entre a vida e a morte é a razão que está entre o corpo e a alma.
Cada um tem sua visão, sua maneira de ver as coisas e vamos respeitar as opiniões. Pelo menos isso, porque as coisas estão brabas e pouco se ouve o outro. Tinha um professor que dizia: Quando um burro fala o outro murcha a orelha.
LANÇAMENTO DO “NA ESPERA DA GRAÇA-ENTRE ENGAÇOS E BAGAÇOS” NO DIA 27
Não são textos pandêmicos, mas, em sua maioria foram inspirados durante o período da pandemia da Covid-19 (2020/22) quando as pessoas estavam angustiadas, isoladas e até desesperadas na espera de uma graça para se livrar do vírus.
O livro “Na Espera da Graça – Entre Engaços e Bagaços” foi lançada no último dia 3 de março, na Casa Regis Pacheco (Praça Tancredo Neves), às 19 horas, com apoio da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel.
Agora a obra será apresentada na Livraria Nobel, no próximo dia 27 (Avenida Otávio Santos), às 19 horas. Quem não pode comparecer ao outro evento terá a chance de conhecer e prestigiar o trabalho do jornalista e escritor Jeremias Macário.
O público que esteve ao lançamento na Casa Régis Pacheco teve a oportunidade de ouvir e acompanhar o cantor e compositor, Walter Lages, que musicou a letra “Na Espera da Graça”, de autoria do próprio jornalista Macário. Estiveram também presentes Luis Altério, da Editora Nzamba e o coordenador da Secretaria de Cultura, Alexandre Magno.
O professor Itamar Aguiar fez a apresentação do livro, destacando a forte pegada nordestina dos textos poéticos do autor quando descreveu sobre os costumes, hábitos e a cultura popular da região, inclusive citando personalidades importantes (escritores, pensadores, poetas e artistas) no poema “Entre Engaços e Bagaços”.
Segundo Itamar, Jeremias fala justamente desse povo sofrido do Nordeste de um modo direto, objetivo e seco, num estilo catingueiro, sem arrodeios, não deixando de abordar também questões políticas, filosóficas, sociais, amor, dor, saudades e o cotidiano da vida.
O título foi exatamente inspirado numa letra musicada pelo companheiro músico, cantor, poeta e compositor Walter Lajes, em sua viola mágica no ritmo do boi em diversos festivais. Os textos têm muita coisa da vida do autor que também faz homenagens aos seus pais e filhos.
Outros versos da obra também foram musicados por artistas locais e do Nordeste, como Edilsom Barros, de Fortaleza (A Dor da Finitude) e Antônio Dean, de Campina Grande (Lembro Ainda Menino e Minha Filha Cintia). Outras letras foram musicadas por Papalo Monteiro e Dorinho Chaves.
Além disso, diversos poemas foram gravados em vídeos com minha esposa Vandilza Gonçalves e meu amigo José Carlos D´Almeida, que resultaram em dois curtas metragens, um dos quais premiado pelo edital da Lei Aldir Blanc, lançado pela Prefeitura Municipal através da Secretaria de Cultura, Turismo, Esportes e Lazer-Sectel.
Para finalizar, o livro contém o capítulo “Entre Engaços e Bagaços”, um épico sobre o nosso resistente Nordeste. Trata-se de uma viagem que o autor faz a partir do Maranhão, descendo pelo Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe e a Bahia onde são louvados Câmara Cascudo, José de Alencar, José Lins do Rego, Gilberto Freyre, Ariano Suassuna, Graciliano Ramos, Tobias Barreto, Rui Barbosa, Gregório de Matos, Jorge Amado e tantos outros.
Este é o quinto livro do jornalista e escritor Jeremias Macário que já lançou “Terra Rasgada”, “A Imprensa e o Coronelismo”, “Uma Conquista Cassada” (seis em um) e “Andanças” (dois em um). “Na Espera da Graça” são textos poéticos inéditos e impactantes para o leitor refletir, criticar e divulgar entre amigos, parentes e familiares.
E SE FOSSE O CONTRÁRIO?
Lembram do episódio ocorrido semana passada em São Conrado, no Rio de Janeiro, onde uma mulher mordeu outra e avançou com cólera, com a cólera do seu cachorro, para espancar a chibatas (lembra os tempos da escravidão) um rapaz negro entregador? Até agora não deu nada em termos de punição para a agressora. Depois de dias, somente ontem se apresentou na delegacia.
Vendo aquelas cenas horríveis de uma pessoa descontrolada e raivosa fiquei a imaginar: E se fosse ao contrário em que o moço batesse na mulher? Com certeza, o caso teria maior repercussão na mídia e o cara estaria preso, principalmente porque se tratava de uma violência contra uma mulher.
O advogado arranjou um atestado médico (coisa vergonhosa e mais que duvidosa) que carece de maior investigação contra esse profissional da saúde. Está mais do que sabido que essa nossa sociedade é hipócrita, contraditória e paradoxal. Ela carrega consigo o DNA dos monstros e fantasmas em seu ventre.
Justiça deve ser justiça, mas ela no Brasil sempre foi cega e tardia. Mais uma vez, não me venham com essa de que todos são iguais perante a lei. É a maior mentira que essa lei constitucional e penal nos prega. Como umas das provas estão aí as “condenações” da Operação Lava Jato.
Os arquivos foram engavetados e todos considerados inocentes. A Operação não passou de mais uma mentira. Diziam na época que dessa vez o país iria entrar nos eixos. O que existe mesmo no Brasil é a lei da impunidade onde os ricos e poderosos sempre se safam e os pobres vão para a cadeia, quando não são executados a sangue frio pela polícia.
Não estou aqui, de forma alguma, defendendo que o homem bata na mulher, mas está chegando ao ponto em que ela pode até dar chibatas no homem e ele não pode revidar. Toda ação tem uma reação. As imagens são bem claras, mas a delegada ainda está investigando, ouvindo testemunhas e analisando. É hilário e ridículo!
Por falar em ridículo e contraditório, a novela das seis da Rede Globo “Amor Perfeito” está fazendo esse papel para agradar e fazer média (audiência) com os movimentos negros, mostrando um cenário que não era real naquela década de 1940 onde o racismo era bem mais nítido e escancarado.
A novela coloca negros em posição de destaque, como médicos, advogados, engenheiros e ainda a classe mais baixa frequentando eventos, salões, restaurantes e hotéis de luxos, quando isso não correspondia com a realidade. Brancos namorando e se casando com negros sem nenhum olhar racista da sociedade burguesa.
Aqui no Brasil criou-se um clima de animosidade e extremismo alarmante entre classes, cor da pele e gênero quando não deveríamos nem estar mais falando nisso. Não estou mais me referindo sobre a atitude horrível da mulher que ficou bem claro seu ódio racista e menosprezo pelos mais pobres.
No entanto, existem outros fatos que carecem de racionalidade e ponderação quanto o que é mesmo racismo ou não. É que um assunto puxa o outro. Qualquer olhar, aproximação, maneira de falar ou ação, logo a pessoa está sendo enquadrada como injúria racial sujeito às penalidades da lei e até a indenizações. O mesmo ocorre com o tal do assédio moral e sexual.
Tenha cuidado no que vai falar. Tem que medir as palavras, senão você será enquadrado. Até no modo de olhar você pode ser chamado a dar depoimento numa delegacia. Numa entrevista de trabalho entre um branco e um preto, se este último for eliminado do teste, sai logo dizendo que foi racismo, quando não é bem assim.
O mesmo está acontecendo com o assédio moral onde um chefe sente até medo de exigir mais empenho do subordinado. É outra questão muito subjetiva que precisa ser melhor analisada antes que a outra pessoa seja vilipendiada, ultrajada e até sentenciada antes de ser julgada como assediador. Quando cai na mídia, meu amigo, não há mais jeito de reparar os danos.
Falo aqui também do assédio sexual, que deve ser condenado sob todas as hipóteses. No entanto, pergunto se só existe assédio sexual quando é contra a mulher. Muitos homens hoje são assediados e se sentem constrangidos por determinadas mulheres, mas o sujeito vai a uma delegacia para denunciar? Com certeza ele vai ser levado em deboche e vão duvidar da masculinidade dele.
Em muitos casos está existindo muita injustiça como as coisas estão sendo postas e termina se criando um distanciamento entre as pessoas e ativando mais a intolerância. São essas contradições e paradoxos que necessitam ser corrigidos. Como as redes sociais hoje têm uma velocidade enorme, tudo termina sendo considerado racismo, machismo, homofobias e assédios. O sujeito pode até ser linchado moralmente sem ter cometido o “pecado”.
Quem se lembra do caso da Escola de Base, em São Paulo, onde uma família foi toda destruída por ser acusada de pedofilia no estabelecimento de ensino? Portanto, está se criando um ambiente de animosidades e separações absurdas na sociedade num simples gesto e atitude, sem a intenção de discriminar o outro. Tudo agora virou preconceito, desder uma opinião mal interpretada.
É TUDO ENROLAÇÃO DA VIA BAHIA
Tudo não passou de mais uma encenação no encontro dos segmentos da sociedade conquistense (CDL, OAB, Associação das Indústrias, Câmara de Vereadores, representantes do poder executivo e demais entidades) com a Via Bahia, promovido pelo movimento dos empresários “Duplica Sudoeste”, realizado no auditório do Cemae há quase um mês.
Infelizmente, o presidente da empresa concessionária dos pedágios na BR-116, José Bartolomeu, deve ter imaginado que tudo aquilo ali não passava de uma palhaçada. Sua fala por último foi horrível e, porque não dizer, desrespeitosa com todos que foram ao evento na esperança de que iria sair alguma coisa concreta.
Foi mais que ridículo o sr. Bartolomeu afirmar que a Via Bahia opera com déficit e até culpar os órgãos do governo federal que não cumprem com as cláusulas e as exigências adicionais para fazer a duplicação da BR, sendo que Vitória da Conquista pede apenas um trecho.
Quem foi à reunião deve ter saído dali se sentindo um palhaço (muitos nem puderam expressar sua opinião). Na verdade, foi um insulto porque o homem português enrolou aquela gente como Cabral fez com os índios quando invadiu nossas terras e dela só fez extrair suas riquezas. Alguém aí acreditou no que ele disse?
Numa mensagem pelo seu Zap, José Maria Caires, organizador do movimento, informa que a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) não virá mais a Conquista como combinado e acrescenta que a Via Bahia utiliza da revisão contratual como forma de não cumprir o contrato.
Ele denuncia que a ANTT, responsável pela concessão de fiscalização, não tem cumprido com rigor com suas atribuições. José Maria endossa as palavras do Tribunal de Contas da União de que realizou auditoria para avaliar os contratos de concessão de rodovias e que a Agência é a responsável por administrar esses acordos com as 21 concessionárias que administram mais de 10 mil quilômetros de estradas no país.
O empresário destacou ainda que o TCU encontrou diversas falhas no gerenciamento e fiscalização dos contratos. “Já ouvimos a Via Bahia e sabemos que sem revisão e reequilíbrio ela não fará viadutos, passarelas e nem duplicação da BR-116 (só duplicou de Feira de Santana até o Paraguaçu). Estamos convidando a ANTT para prestar esclarecimentos à sociedade, porém, até agora não temos respostas” – disse José Maria.
Pelo visto, tudo não passa de uma máfia portuguesa, com certeza, com a devida omissão da ANTT que se nega a conversar com a sociedade de Vitória da Conquista. Com relação a esse problema, gostaria de saber qual a posição do novo governo federal e o que ele deve fazer no caso da Via Bahia.
Por sua vez, onde estão os políticos representantes do município e de toda região sudoeste que é também diretamente beneficiária da duplicação da rodovia? Só de Conquista, temos dois deputados estaduais e um federal, sem deixar de fora a Câmara de Vereadores que sempre diz ser a casa do povo.
Se esgotaram os diálogos, cabem outros meios de pressionar a Via Bahia, como manifestações, protestos e até fechamento de pontos estratégicos da rodovia para que a empresa comece logo com as obras de duplicação, ou caia fora dando lugar a uma nova licitação. Como alguém já disse certa vez, não sei se o estadista francês Charles de Gaulle, este não é um país sério, ou “que país é este? ”.
OS 100 DIAS DO GOVERNO LULA
Primeiro eu não consigo entender o porquê desse tempo mágico estabelecido de 100 dias para avaliação do mandato de um governo, se foi ruim ou bom. Não sei onde está essa tradição que colocaram na política, inclusive com pronunciamentos do mandatário e análises da mídia. Não poderia ser de 90 dias ou três meses? É um período suficiente para julgar um governo?
Segundo eu diria que depois de uma desastrosa administração do capitão-presidente, com todo seu negativismo da ciência, suas práticas de homofobia, racismo, agressões contra jornalistas, palavrões, atitudes nazifascistas, abandono dos indígenas, estimulo ao garimpo clandestino na Amazônia e desmantelamento dos órgãos de proteção ao meio ambiente, seria até impossível vir um governante ainda pior.
No entanto, na minha visão dos 100 dias, que criaram como parâmetro de julgamento, é claro que houve mudanças, a começar pela postura presidencial que melhorou a imagem do Brasil no âmbito interno e externo. Os índios ianomâmis que estavam morrendo de desnutrição e doenças na floresta, em Roraima, foram socorridos, evitando uma tragédia bem maior.
Na questão do meio ambiente, o governo entrou em ação para destruir os garimpos ilegais em terras indígenas, que estavam desmatando e poluindo nossos rios. O Ibama, que estava em mãos dos coronéis e, praticamente, desativado, voltou a agir com as forças armadas queimando tratores, aviões, balsas, acampamentos e outros equipamentos dos garimpeiros.
Entretanto, o problema do meio ambiente precisa ser tratado de forma racional e com respeito à nossa soberania como nação independente. No Brasil existem dezenas ou centenas de Ongs estrangeiras que estão mais interessadas em aniquilar nosso potencial agropecuário do que mesmo proteger a natureza.
Fosse Lula ou outro, até mesmo de direita, governo nenhum poderia ser pior que o passado vergonhoso que deixou o nosso país isolado em relação a outras nações, sobretudo na Europa, sem levar ainda em conta o seu viés tendencioso ditatorial golpista através de seus seguidores extremistas que pediam nas ruas uma intervenção militar (não cito aqui as invasões ao Congresso Nacional, ao Executivo e ao Superior Tribunal Federal).
Outro ponto positivo foi a conciliação com as forças armadas, fazendo elas entenderem o seu lugar e posição constitucional de defesa e segurança da nação. Os generais de pijama retornaram para suas cozinhas, e os da ativa para seus quarteis.
O curioso é que nesse ano não houve manifestações e comemorações ao golpe de 1964, considerado pelos militares como revolução. Mesmo num governo dito de esquerda, os torturadores e matadores de presos políticos continuam impunes (muito já se foram para o além).
Por outro lado, nesses 100 dias fatídicos para os políticos, não houve mudanças de melhoras na economia, que continua patinando, com inflação e desemprego nas alturas. O custo de vida permanece pesado para as famílias de menor poder aquisitivo. Temos hoje um Estado assistencialista, sem projetos alternativos para saída da pobreza e da miséria.
Outra coisa é que muitos ministros batem cabeça, especialmente nessa área econômica, e existe o temor de uma desarrumação fiscal com déficit nas contas públicas. Na educação e na cultura nada de novo que se possa elogiar. O ministro da Fazenda não passa confiança e não será uma reforma tributária que irá colocar o país nos trilhos do desenvolvimento sustentável.
Nada se falou até agora sobre uma revisão da maldita reforma trabalhistas, ou escravista, feita no Governo Temer para agradar os patrões. No geral, enxergo como um governo ainda tímido. Daqui para frente, esperamos muito mais que isso. Sua aprovação e popularidade ainda são baixas.
UM MUSEU DA IMPRENSA
Essa ideia surgiu há muitos anos quando eu ainda era diretor do Sindicatos dos Jornalistas da Bahia-Sinjorba, em Vitória da Conquista, no início dos 2000 e quando elaborava o livro “A Imprensa e o Coronelismo na Região Sudoeste”. Nasceu também quando conseguimos, em meu mandato como dirigente sindical, um terreno doado pela Prefeitura Municipal, no Bairro Santa Cecília, para os jornalistas conquistenses.
Essa história é longa, mas o terreno foi registrado em cartório, inclusive com a planta da Casa dos Jornalistas e nela estaria incluído este museu com a finalidade de resgatar a memória da imprensa de Conquista e região. Os tempos passaram. São mais de 20 anos e não se sabe hoje com quem está esse projeto depois do falecimento de Edna Nolasco, com a qual cheguei a tratar do assunto.
Há alguns anos retomei a ideia do museu com o companheiro Luis Fernandes (falecido) e Rui Medeiros, inclusive com a proposta de ser instalado numa casa antiga da prefeitura, mas, infelizmente, não houve continuidade. Nem chegamos a ver essa possibilidade com o prefeito da época.
Neste domingo (dia 09/04) estive no Museu Kard e apresentei a sugestão para Alan Kardec que topou, com entusiasmo, ceder um espaço no local para a criação do Museu da Imprensa de Vitória da Conquista.
Ele acrescentou que a categoria montasse uma equipe de trabalho para fazer um esboço do projeto e cair em campo no resgate de peças, equipamentos (linotipo), jornais antigos, máquinas fotográficas, gravadores, máquinas de datilografia e outros objetos relacionados com a nossa imprensa.
Por áudio tive uma longa conversa hoje com o nosso companheiro do antigo e conceituado jornal Hoje, se não me engano, Paulo Nunes (bom de memória) que fez uma leitura minuciosa sobre a história dos jornais aqui em Conquista e algumas cidades da região, considerando ser o Museu da Imprensa de fundamental importância para não deixar que toda essa memória se perca com o tempo. Trocamos boas informações, muitas das quais nem conhecia. Lembramos de nomes, periódicos e fatos curiosos.
Paulo Nunes propôs, inclusive, fazer parte de um grupo de trabalho para alavancar meios para retornarmos o terreno dos jornalistas, doado pela prefeitura, e estudar a viabilidade da construção da Casa dos Jornalistas e do Museu da Imprensa.
Sabemos que a tarefa não é tão fácil assim, mas basta uma disposição de toda classe e colocarmos aquele jargão de “a união é que faz a força” para colocarmos a ideia em prática. Até brincamos que já estamos com idades avançadas, mas isso não importa porque o projeto ficaria para a posteridade e para esses moços que estão aí na labuta da profissão.
Fico a pensar e a me indagar do porquê que as coisas em Conquista são tão difíceis de acontecer? Acho que faltam disposição e compromisso coletivo. Na realidade, existe entre nós um grande individualismo onde cada um só quer saber de si visando apenas seus interesses. A verdade é dura, mas deve ser dita.
Com o advento da internet e dos meios eletrônicos em geral, os jornais foram substituídos por sites e blogs e hoje pouca gente ler textos, mesmo sendo nas telas dos celulares ou no computador. Existem muito mais leitores de manchete e títulos. Não é por isso que não temos a missão de recuperarmos essa história da imprensa em nossa região através da implantação de um museu.












