Quando falamos de democracia logo nos lembramos dos antigos filósofos gregos Sócrates, Platão e Aristóteles, mas existiram outros antes deles que ensinaram a exercitar o governo do povo, o sistema em que cada cidadão participa do governo. Ao longo desses quatro ou cinco mil anos, muitos foram sacrificados e condenados à morte por causa dela, inclusive o próprio Sócrates.

Mesmo naquela época, muitos confundiam a democracia e achavam que tudo podiam fazer, sem disciplina, sem respeito, responsabilidade, sem regras e normas, como se fosse uma anarquia total, mas os mestres sempre disseram que não é bem assim porque, acima de tudo, o indivíduo vive em coletividade e tem que aprender que você perde o direito a essa democracia quando invade o espaço do outro.

Um estadista afirmou certa vez que nenhum regime é bom, mas entre todos ruins para se conviver, a democracia ainda é aquele de melhor escolha porque nela está intrínseca a sagrada liberdade. Não vou ficar aqui tentando escarafunchar as definições e conceitos filosóficos do que seja a democracia.

Meu intuito é expressar livremente minha modesta opinião, sem agredir, de que muitos abrem a boca por aí para falar em democracia, mas terminam entrando em total contradição quando arrotam seus discursos controversos, tudo porque, na verdade e no fundo, são individualistas e egoístas que nem dão bola para a coletividade.

Quero apenas assinalar que ela (a democracia), como qualquer outro regime ou organização, tem suas disciplinas para funcionar a contento, mesmo que seja numa simples reunião de condomínio. Quando se vive numa sociedade, os pontos são os mais variados que determinam se você está sendo democrático, ou não passa de um autoritário que se apropria do regime do povo para o povo.

Na minha vida cotidiana (inclusive, às vezes, me incluo nesses equívocos) tenho observado atitudes onde o sujeito se apossa dessa democracia para expelir seus sofismos agressivos em nome dela. Na verdade, ele está sendo antidemocrático e oportunista que não respeita o outro que está ao seu lado.

Um desses ambientes sociais é quando se participa de uma reunião, de um seminário, um congresso ou uma conferência. Nesses encontros para se discutir questões pertinentes à sociedade, sejam regionais, nacionais ou internacionais, sempre existem normas, regulamentos e regimentos internos onde se delimita o tempo de fala de qualquer um.

No entanto, constantemente aparecem aqueles que por vaidade, prepotência ou no afã de apenas se aparecer, de que somente ele é dotado de saber e conhecimento, insiste em quebrar as regras. Quando a organização do evento tenta chamar o “dono da palavra” à atenção para que ele conclua seu pensamento, tendo em vista que seu tempo se esgotou, aí o cara salta na pessoa com agressividade, alegando que está sendo vítima de um autoritarismo,

No meu modesto conceito, quem desobedece as regras estabelecidas e reclama, está sendo antidemocrático e individualista porque ele não leva em consideração a coletividade de que está simplesmente tomando o espaço do outro colocar sua posição em relação a determinado tema em discussão.

Ora, numa audiência pública, numa câmara de vereadores, numa assembleia legislativa ou no Congresso Nacional, como em qualquer outra instituição pública e privada, existe um regimento aprovado, antecipadamente, pelos seus pares, onde limita o tempo de fala.

Quem vai além do estabelecido está agredindo a democracia e sendo antidemocrático. Não tem o direito de ficar berrando, apenas no intuito de contrariar, muitas vezes por questão pessoal e propósito político. No fundo no fundo quem age assim está sendo ditador e autoritário.

São apenas exemplos que estou citando de como a nossa democracia diariamente é deturpada e ultrajada, muitas vezes de forma intencional e agressiva pela pessoa, para provocar e criticar somente por criticar. Existe gente que se diz de esquerda e progressista, mas se comporta como de direita e até extremista, com violência.