Além de se acharem intocáveis para cometer qualquer crime com a imunidade parlamentar, o Congresso Nacional não para de abusar da nossa paciência e nos tripudiar com suas leis imorais em defesa unicamente de seus interesses. Sem o menor respeito ao povo, e com o maior cinismo, esses parlamentares legislam em causa própria. Um dia a casa cai.

Como se não bastasse, agora mesmo, em votação relâmpago, a Câmara votou a lei da carteirada e quer punir com cadeia quem praticar a discriminação de políticos. Enquanto isso, a turma do mal suprime os direitos individuais e ninguém faz projeto para acabar com o desemprego, com a fome, a miséria no Brasil e a falta de punição.

Após quase um mês de a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal ter anulado a condenação do ex-deputado ladrão Eduardo Cunha, a Câmara aprovou um projeto histórico vergonhoso. Com rápida tramitação, passou por 252 votos contra 163, um projeto de Dani Cunha (União Brasil – RJ), filha do doutor Eduardo onde criminaliza práticas que venham a ser consideradas discriminatórias da atividade pública e a medida estende-se aos seus familiares.

Entre outras blindagens dos intocáveis inimigos do povo, os bancos não podem negar crédito a algumas pessoas de qualquer um dos três poderes porque elas têm atividade pública. Entre outras imoralidades esdrúxulas, o nojento projeto blinda cerca de 10 mil pessoas, parlamentares, magistrados, procuradores e dirigentes de partidos políticos e seus familiares.

Nessa hora, meu amigo eleitor do voto de cabresto e vendido por favores, direita, centro e gente das esquerdas se unem em causa própria, e que se dane a população. Para nos debochar por completo, ainda aparecem aqueles caras parlamentando da tribuna de que tudo está sendo feito pelo bem do Brasil.

As castas brasileiras da nossa frágil democracia cada vez mais se protegem e se fortalecem, enquanto os súditos e vassalos do rei ou dos reis, rainhas e príncipes são esmagados como farelos na máquina de triturar humanos. O projeto inconstitucional institucionaliza mais ainda a corrupção e protege os milhões de laranjas.

No século XIX (1826/27, 1831 e 1850), o parlamento brasileiro com sua aristocracia, procurava travar a aplicação de leis que proibiam o tráfico ilegal de escravos africanos e ainda dava guarida aos negociantes contrabandistas, como ainda ocorre nos tempos atuais.

Em pleno século XXI, essa Câmara imoral está a criar uma categoria especial de cidadãos com base em suas atividades ou malfeitos. As outras leis de proteção dos negros, dos menores, do consumidor e idosos são todas genéricas e desrespeitadas. Se o projeto passar pelo Senado, os 10 mil formarão uma máfia, uma gangue ou quadrilha organizada.

Somente cinco partidos votaram em bloco contra o projeto (PSOL, PC do B, Cidadania, Novo e Rede), somando 16 votos. Teve até gente do PT, como José Guimarães e Rui Falcão que votaram a favor. Também do PSDB, o senhor corrupto Aécio Neves se juntou a eles.  Para contrariar, Bia Kicis, do PL, votou contra. Nesse saco de farinha ou nesse caldeirão de feijoada, tem de tudo a gosto do freguês.