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O FUTURO ESTÁ AQUI

Ouço muita gente falar que no futuro podemos sofrer coisas piores, se não cuidarmos bem da terra a partir de agora. Isso me faz refletir que esse futuro já está aqui, gente! Só não está vendo quem é cego, mas não o cego físico que, aliás, tem muita percepção sensitiva, mas o cego mental que só pensa em competir e consumir, para viver na ansiedade, no estresse, no medo e na mentira.

As catástrofes, as tragédias, tempestades, tufões, ciclones no Brasil, terremotos, deslizamentos de terra e essa temperatura de até cinquenta graus em algumas regiões (Estados Unidos, Norte da Europa, África) e o gelado frio em outras, insuportáveis aos seres humanos (milhares morrendo), já é esse futuro que está aqui e entrou em nossa porta. O pior é que temos pavor de admitir isso e aí falamos num futuro que virá, talvez no próximo século.

Quem provocou tudo isso? Nem é preciso responder. Somente o ignorante não sabe, ou procura negar que o homem depredou tanto o nosso planeta que a dívida se tornou impagável, mesmo com essas ações do tipo economia sustentável, reciclagem de plásticos e outros produtos que retornam para o consumo, limpezas de praias onde o mar se transformou numa verdadeira lixeira, dentre outras atividades para tentar enganar a natureza.

Nesses tempos da revolução tecnológica, só se fala em inteligência artificial e robotização, e esquecem que já estamos vivendo na era da ebulição global. Ontem mesmo estava vendo um vídeo (nem sei se é fake news) onde o rei do Bahrein entrou numa feira de alta tecnologia em Dubai com um guarda-costas robô.

Diz o texto (sempre com português errado) que o robô fala seis idiomas. Está programado para resgatar o rei e pode aplicar seis artes marciais distintas. Está equipado com taser elétrico, três metralhadoras, sendo uma delas de precisão a laser de calibre 9 milímetros, podendo combater até 15 homens com sistema de câmaras de 360 graus infravermelho. Também carrega medicamentos e água. O segurança robô custou US$7, 4 milhões de dólares.

Fiquei a pensar que estamos num mundo desumanizado onde quase um bilhão de pessoas passa fome e vive na pobreza extrema. Para a grande maioria, tudo isso é encantador e é exemplo de muito orgulho, mesmo sendo feito com o sacrifício de milhões que são explorados nos campos petrolíferos árabes, sem falar que se trata de um combustível fóssil altamente poluidor que já deveria ter sido extinto.

As grandes multinacionais petrolíferas e seus governantes tudo fazem para impedir o avanço da energia limpa, enquanto a terra está sendo há séculos destruída. Diante do consumismo, cada vez mais acelerado, porque está dentro da ordem econômica capitalista do mais produzir e incentivar a demanda para aumentar o desumano PIB, esse futuro de terror de que tanto se comenta, já está presente.

O discurso do capital é de chamar de atrasado e retrógrado o país que ainda não aderiu, ou não se evoluiu para robotizar seu processo de produção industrial e de serviços de um modo geral. Não restam dúvidas que o caminho é esse e não há mais volta. O destino é a autodestruição do ser humano.

A mais gloriosa criação ganhou inteligência depois de bilhões de anos e se curvou ao crime da corrupção, da mentira, das calúnias, da ganância do competir, não importando os meios, e do poluir e degradar o meio ambiente. Essa criação que adquiriu o vírus do medo e da ansiedade, permanece com seu instinto primitivo de liquidar o que vive ao seu redor.

O futuro está aqui, meus amigos, e as novas gerações já estão sofrendo as consequências. Na minha visão, já atingimos o pico da longevidade. A tendência agora é cair em razão das contaminações por doenças estranhas provocadas por gases poluidores e vírus de espécies misteriosas como a Covid-19 que ceifou milhões de vidas humanas.

Para muita gente e até certos “cientistas”, todos esses fenômenos são ocorrências naturais relacionadas com as mudanças climáticas, tentando relativizar o peso da interferência humana. É o mesmo que querer enganar a si mesmo. O certo é que estamos no olho do furacão e daqueles de destruir prédios e edificações.

“DO CORPO INSEPULTO À LUTA POR MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA-Um Estudo do Caso Dinaelza Coqueiro”

“DINAELZA COQUEIRO: MILITÂNCIA IDEIAS E GUERRILHA”

De forma didática, a professora Gilneide Padre pontua com detalhes a militância política da conquistense Dinaelza Coqueiro contra o regime ditatorial iniciado com o golpe civil-militar de 1964, desde estudante, em Jequié, e depois em Salvador. Ela conta como como se deu sua opção para entrar na Guerrilha do Araguaia, na região chamada de Bico do Papagaio (Amazonas, Pará e Goiás).

A autora do livro “Do Corpo Insepulto à luta por Memória, Verdade e Justiça” faz um mapeamento da região e uma cronologia da guerrilha. Em conversa com seus pais, Dinaelza diz que “só nos resta este caminho e é com amor que vamos percorrê-lo”. Ela se referia também ao seu companheiro esposo Vandick Coqueiro. O PC do B, de orientação maoísta, decidiu pela luta armada a partir da zona rural, enquanto outros grupos realizaram seus movimentos na área urbana.

Conforme assinala Gilneide, às vésperas do golpe, em 29 de março de 1964, um grupo de dez militantes viajou para a China com a finalidade de ali realizar um curso político-militar e aprender as táticas empregadas por Mao Tsé-tung, de “quando o inimigo avança, recuamos; quando para, o fustigamos, quando se cansa, o atacamos; quando se retira, o perseguimos”, só que as forças no Araguaia eram desproporcionais, de cinco a seis mil das forças armadas contra 69 combatentes.

Sobre a guerrilha, segundo apurou a autora, quem primeiro chegou à região foi Osvaldo Orlando da Costa, mais conhecido como Osvaldão, em 1966. Era um negro forte, alto e tinha a simpatia da população do local. Em 1967 chegou o médico João Haas Sobrinho, o Juca, que montou um hospital em Porto Franco. A seguir foi a vez de Elza de Lima Monnerat, Líbero Giancarlo e Maurício Grabois, que se tornaria o comandante geral. João Amazonas e Ângelo Arroyo chegaram em 1968. Outros foram chegando depois, assim entre os anos de 1969 e 1972 até formarem um contingente de 69, dentre os quais Dinaelza e Vandick, em 1971, adotando os nomes de Mariadina ou Dina e João Goiano.

O comando dividiu o grupo em três destacamentos: A, na Faveira, B, na Gamaleira e o C, nos Caianos. Dinaelza e Vandick fizeram parte do Destacamento B, sob o comando de Osvaldão. As forças armadas, a maioria da polícia militar, só entraram na área em 12 de abril de 1972 surpreendendo as Forças Guerrilheiras do Araguaia. Ocorreram três expedições e as investidas do regime só terminaram dois anos depois.

Praticamente todos foram aniquilados (56 foram mortos) de forma cruel, inclusive com cabeças decepadas. Os corpos dos 56 continuam desaparecidos até os dias atuais, inclusive de Dinaelza e Vandick. Muitos foram jogados nos rios e no mar.

 

 

A ARTE DE ESCREVER DO ESCRITOR

Não é somente ter o domínio da língua, embora seja imprescindível. Escrever e ser escritor é como pintar um quadro, fotografar a melhor imagem no devido enquadramento, saber esculpir as palavras, teatralizar, musicar uma letra e colocá-la na melodia certa, é ser um artesão da cerâmica e da madeira e, acima de tudo, imaginar, criar, inventar para atrair e agradar o leitor de modo que ele penetre em sua obra.

Nem tudo isso sensibilizou a nossa mídia e os órgãos do poder público ligados à cultura, no nosso caso específico de Vitória da Conquista, a prestarem uma homenagem ao Dia do Escritor, último 25 de julho. Não menosprezando as outras tantas comemorações e celebrações profissionais, mas a nossa tem passado em branco.

Aliás, a literatura, tão importante para a formação das nossas crianças e jovens estudantes, tem sido o patinho feio das artes que, de modo geral, estão sendo relegadas a planos secundários. Digo que a nossa cultura está sendo sepultado silenciosamente, sem muitas reações, manifestações e protestos. O que mais incomoda é o silêncio dos bons, como dizia Martin Lutter King.

Por incrível que pareça, está faltando até mesmo mais sensibilidade e união dos próprios escritores e escritoras para com seus companheiros (as), de forma a prestigiá-los e incentivá-los a criar e a divulgar suas obras, inclusive nos lançamentos quando vemos a presença de poucos colegas nesses eventos. Nem sabemos quantos somos, nem quem somos e para onde vamos.

Precisamos fortalecer a categoria com uma associação forte, uma editora local que promova os talentos, um encontro de escritores para debater estas e outras questões, uma linha de ação nas escolas e bibliotecas, enfim, um movimento do setor literário conquistense, como uma feira que marque nossas presenças e valorize a chamada prata ou o ouro da casa.

Bem, para abreviar esse papo que não é somente meu, mas é também seu, quero aqui primeiro prestar minha homenagem a todos escritores, escritoras, poetas e poetisas conquistenses que são tantos, cada qual com seu gênero, seu estilo e ideologia, uns mais e outros menos versáteis.

Segundo, homenagear todos escritores (as) baianos, brasileiros e de todo mundo, sem citar nomes, porque, a esta altura, cada um tem os seus preferidos na cabeça, e terceiro, reforçar aqui um apelo de juntarmos forças para que nos tornemos mais visíveis, a começar em nossa própria aldeia, para depois criar asas, voar e ganhar outras plagas.

AS PALMEIRAS E O PAU-MULATO

É muito prazeroso curtir o Jardim Botânico, fundado por D. João VI, no Rio de Janeiro, como apreciar as palmeiras imperiais, cenário de muito filmes e novelas. Todo Jardim lhe traz uma paz de espírito, principalmente quando se sai da selva de pedras e se entra na selva da natureza. Você esquece todos os problemas da sua vida e do resto do mundo que lá fora “pega fogo”, muitas vezes literalmente nos países do Norte com até 50 graus, como vem ocorrendo agora. Ainda bem que ainda nos restam locais de preservação que lhe fazem refletir sobre a destruição que o homem desumanizado vem provocando na natureza. As palmeiras imperiais são imponentes como também o chafariz das marrecas, tendo ao lado a floresta do Pau-Mulato que confesso ser uma espécie para mim desconhecida. A natureza é pródiga, mas o ser humano é um predador. Nesses pontos e em outros, vale a pena dar uma parada e clicar sua máquina para registrar esses momentos mágicos do Jardim Botânico. Se você for à Cidade Maravilhosa, de Tom Jobim, nunca deixe de conhecer essas belas paisagens, mesmo que já tenha visitado. É um bálsamo para sua alma que fica mais leve.

 

ASSIM NÃO DÁ…

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Assim não dá,

Ficar calado como gado:

Ver tanta barbaridade,

Nessa nossa humanidade,

De gente perversa criminosa,

Que gananciosa nos rouba,

E depois diz ser inocente,

Que nada sabe e nada viu,

Nega muda, surda e cega

A verdade nua e crua.

 

Assim não dá,

Para não se manifestar,

Contra esse nosso país,

Sem cultura, caráter e raiz.

 

Assim não dá:

Vivo com meus medos,

Fantasmas e segredos,

Do meu soneto,

Sair pior que o enredo.

 

Assim não dá,

Ver o humano desumano,

Entupir de lixo o mar,

Com suas mentes artificiais,

Como se fossem canibais.

 

Assim não dá,

Para ver o amor minguar,

América e a África

Passar tanta fome,

Enquanto o luxo só consome.

 

Assim não dá,

Imperar o individual,

Com o ódio subindo ao pódio,

Nos dividindo em fatias,

Como crias,

Dessas loucas correrias.

ÊTA MUNDO MALUCO!

Vez por outra tenho conversado com alguns amigos de que Vitória da Conquista, com mais de 370 mil habitantes, já está grande demais para mim. Quando aqui cheguei, em 1991, era uma cidade mais calma e tranquila. Hoje mais parece uma metrópole que me incomoda e tira minha paz de espírito. Confesso que minha intenção é ir para um município bem menor, ou para um sítio e viver como um mocó numa loca qualquer.

Agora imagina São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, da qual me livrei há 32 anos, e outras capitais agitadas do tipo que você dá uma parada numa avenida movimentada qualquer para pitar um cigarro num canto e diz para si mesmo: Êta mundo maluco, quando observa as pessoas cruzando para lá e para cá com a cara feia que nem lhe olha! Nem se atreva a dar um bom dia, principalmente se esse alguém estiver com um celular. Bate um certo pânico, pavor e medo!

Semana passada estava no Rio de Janeiro, conhecida como a Cidade Maravilhosa da Garota de Ipanema, de Tom Jobim. Com minha amiga mochila, fui para o casamento do meu filho e senti essa de êta mundo maluco! Como um matuto que vem do interior, passou pela minha cabeça a canção do grande poeta compositor baiano Raul Seixas. Ainda bem que passei uma manhã visitando o Jardim Botânico, um portal entre essa loucura, o qual lhe transporta para um cenário paradisíaco.

Tive essa visão de êta mundo louco quando fui jantar com meu filho num restaurante chique de burguês (pelo menos para o meu nível “rasta-chinelo”), se não me engano “Toca da Traíra”, lá no Aterro do Flamengo. O que filho não faz, logo eu que sou Tricolor das Laranjeiras, mas esse não foi o problema que me incomodou!

Ele com sua nova mulher e os parentes dela foram logo no corte do bacalhau e do salmão com vinho, nem sei se português, francês, chileno ou nacional, mesmo porque não prestei a atenção nisso. Como estava com pouca fome, preferi o meu chope gelado, e vez ou outra ia dar uma baforada lá fora. O papo deles pouco me interessava.

Nessas idas, por volta das 20 horas, em frente da pista larga, os carros riscavam velozmente como se estivessem numa Fórmula I, onde cada motorista buscava se distanciar do outro como se estivesse a fugir de uma catástrofe ou se visasse alcançar um prêmio na chegada do seu destino. O agito do dia vara as noites e emenda o vaivém nas grandes cidades.

Por que tanta pressa e tanto estresse? Foi aí que fiquei a refletir sobre esse mundo louco de veículos cortando o asfalto esfumaçado de gases que iam saindo dos canos de seus motores potentes, mas o contraste dessa poluição do nosso meio-ambiente estava lá dentro no aquário.

Mirei os peixinhos coloridos ornamentais bailando numa água límpida, de barrigas cheias de rações proteínadas. Felizes, um parecia conversar com o outro sobre qualquer coisa de viver ali como privilegiados e bem tratados pelo seu dono.

Por pouco tempo, os aquarianos me tiraram desse mundo maluco para um outro de tranquilidade e paz. Foi aí que também lembrei dos outros peixes do mar ali próximo que hoje se alimentam de plásticos e outras sujeiras vindas dos esgotos humanos, sem contar as substâncias químicas. Êta mundo louco!

 

ASSIM NÃO DÁ PARA VER TANTAS BARBARIDADES E FICAR CALADO

PARABÉNS AOS ESCRITORES CUJO DIA (25/07) NEM FOI LEMBRADO E COMEMORADO EM VITÓRIA DA CONQUISTA. A IMPRESSÃO É QUE NOSSA CULTURA FOI SEPULTADA POR AQUI NESSE SERTÃO DA RESSACA.

O que mais incomoda é o silêncio dos bons – assim dizia Martin Lutter King. Também me faz lembrar da antiga Roma dos 500 anos antes de Cristo quando o tribuno Marco Túlio Cícero proferiu seus discursos catilinários contra Lúcio Sérgio Catilina, militar e senador célebre que tentou destruir a jovem república romana, criada após a queda do último rei da dinastia etrusca. De família proprietária de extensas terras, Catilina iniciou desde cedo sua vida de crimes, ganância e crueldades. Cheio de dívidas, partiu para a conspiração contra a sociedade.

De volta aos nossos tempos atuais, os catilinas estão aí praticando seus atos bárbaros, destruindo nosso planeta com suas chaminés poluidoras de gases tóxicos, destilando ódio por onde passam com suas ideias extremistas de racismo, homofóbicas, xenofóbicas e misóginas, instigando os outros a fazer o mesmo. Até quando esses catilinas vão abusar da nossa paciência? Assim não dá… meus amigos! Coloquem a mão na consciência!

Com tantas catástrofes, guerras, tragédias, ciclones no Brasil que ninguém imaginaria que um dia ocorreria, terremotos, tufões, devastações, geleiras se derretendo, labaredas queimando a Grécia e calor de 50 graus no hemisfério norte, o mar se tornando lixeira do mundo, o consumismo que só avança, a terra está se revirando em seu ventre dando todos os sinais do seu fim apocalíptico, não com aquelas figuras descritas pela Bíblia onde Deus vem a deslizar entre raios e trovões para o juízo final. Quem está comandando essa destruição é o próprio homem. O apocalipse está aí, só não ver quem não quer, ou se faz de surdo e cego. Há muitos anos, o próprio ser humano está se autodestruindo.

O homem cria e inventa centenas e milhares de projetos científicos, tecnológicos (a maioria só para ganhar mais dinheiro) e medicinais (poucos longe do alcance dos pobres), mas não faz uma fórmula para a humanidade se tornar mais humana, social e amorosa. Gandhi dizia que “se um único homem atingir a mais elevada qualidade de amor, isto será suficiente para acalmar o ódio de milhões”.

Pena que poucos acreditam nisso! Estão mais para a violência, acumular posses e bens a qualquer custo, sem ética e escrúpulos. Agora só se fala em inteligência artificial e todos aplaudem, sem ao menos refletir suas consequências. Não vai demorar muito e logo os tecnólogos vão ser dispensados de seus empregos como essa máquina mais recente, que está ficando atrasada, está fazendo, principalmente no campo agrícola.

Assim não dá… meus amigos! “ …E você aí parado, sentado numa poltrona de um apartamento, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar… É o nosso cancioneiro, poeta “maluco” que nos alerta para não ficar no comodismo, na alienação ilusória de que a vida é assim mesmo. Basta ter o meu e o resto que se dane! Basta de tanto egoísmo e individualismo e pouco senso de coletividade! Vivemos num mundo desolador. Esta é a realidade, nua e crua.

Assim não dá para ficar vendo idiotas jogar pedras em terreiros de candomblé e nada fazer para impedir. Assim não dá para ver raivosos xingar e cuspir na cara de pessoas negras. Assim não dá para fazer de conta que nada está existindo de mal lá fora! Assim não dá para ficar assistindo tantos foguetes cortando os céus enquanto milhões passam fome nas Américas, Ásia e África. Bilhões de habitantes – cerca de cinco – vivem expostos a dificuldades de utilização de recursos hídricos.

Não são os discursos acadêmicos, cheios de teorias mirabolantes de palavras incompreensíveis, que vão nos tirar dessa enrascada na qual nos metemos, tudo pelo ter, sem respeitar a nossa mãe natureza que está nos dando a resposta todos os dias, devolvendo nossos entulhos e sujeiras. Marxistas, leninistas, maoístas, trotskistas, stalinistas (se ainda existem) vamos aterrissar na realidade da nossa aldeia.

Assim não dá para ver a nossa memória e a nossa cultura sendo demolidas e sepultadas por governantes que acham que investir nos setores do conhecimento e da educação é jogar dinheiro fora porque não dão voto. Não dá para ficarmos inertes diante de tantos absurdos dessa sociedade que não mais tem consciência política e não liberta seu espírito para o bem. Estamos sendo cúmplices de um futuro inabitável no planeta para as novas gerações. Assim não dá…

JARDIM BOTÂNICO, O PORTAL QUE FAZ VOCÊ ENTRAR NO MUNDO DA NATUREZA

É claro que existem o monumento ao Cristo, o Pão de Açúcar, vários museus, a Praia de Copacabana e outros lugares encantadores, mas se for a Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa, nunca deixe de visitar o Jardim Botânico onde depois de enfrentar o trânsito infernal, ruas e avenidas estressantes numa selva de pedras, você penetra no portal da tranquilidade e da paz interior.

Lá dentro, vendo plantas, orquidários, cactários, chafariz dos museus, o portal da antiga Academia de Belas Artes, pequenas cachoeiras, Lago e Cômoro frei Leandro, estufas das samambaias, as palmeiras imperiais, cenários de filmes e novelas, a coleção de plantas medicinais, ruínas da antiga fábrica de pólvora (os pilões), chafariz das marrecas, o jardim bíblico, o jardim japonês e tantas espécies raras da Mata Atlântico, você esquece completamente do mundo agitado lá fora.

Não resta dúvida que o Jardim Botânico é um santuário da natureza fundado por D. João VI, em 1809, que nos transmite paz de espírito. O visitante se sente mais humano e seguro desse mundo de louco das grandes capitais onde as pessoas passam por você de cara fechada que não lhe dá condições nem de parar para pedir uma informação. Todo mundo tem pressa e os carros passam velozmente, cada um com seu destino de sobrevivência.

Ao ultrapassar esse portal, o turista recebe um folheto onde estão lá as proibições, como não entrar com plantas e sementes, qualquer tipo de animal, instrumentos musicais, aparelhos sonoros, arrancar ou retirar plantas, flores, folhas e frutos, não escrever ou desenhar em árvores, permanecer nos gramados, colocar a mão ou entrar em lagos, jogar bola, comer fora dos locais autorizados, entrar em estado de embriaguez, dentre muitas outras proibições.

Para quem é amante da natureza, principalmente, é um local encantador que lhe faz refletir sobre a vida e como a humanidade tem destruído o nosso meio ambiente. Lá dentro, as pessoas conversam e falam até mais baixo como forma de respeito a tudo que existe ali de exuberante e rico. Sua calma só é perturbada quando você atravessa o portão de saída e retorna à realidade cruel da vida.  Depois desse passeio, dá vontade de não mais sair e ter que encarar a agitação.

“DO CORPO INSEPULTO À LUTA POR MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA”

UM ESTUDO DO CASO DINAELZA COQUEIRO

COLEÇÃO EDUCAÇÃO, MEMÓRIA E RELIGIÃO (VOLUME 3)

A professora aposentada de Matemática do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (Ifba), mestra em Pedagogia Profissional pelo ISPETP-Cuba, pesquisadora do Museu Pedagógico-Uesb, doutora no Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade da Uesb, Gilneide Padre, com seu conhecimento do assunto, elaborou uma obra digna de estudo sobre o desaparecimento da guerrilheira conquistense Dinaelza Santana Coqueiro que lutou no Araguaia durante a ditadura civil-militar de 1964.

Quero aqui agradecer seu livro a mim entregue e dizer que seu trabalho é bastante consistente porque a autora não se prendeu apenas à trajetória da personagem em questão, mas fez uma profunda contextualização sobre aquele triste período da repressão onde mais de 300 pessoas foram desaparecidas depois de presas, torturadas e mortas.

Seu trabalho é um apanhado geral sobre o que foi o regime onde Gilneide levanta questões importantes da política de memória e memória política com base em estudiosos que remontam aos tempos da antiga Grécia e outras civilizações desde os tempos antes de Cristo.

A autora não se fixou apenas nas entrevistas aos familiares de Dinaelza e foi mais longe nos estudos quando cita várias obras de estudiosos e presos políticos que foram vítimas da ditadura e se debruçaram no tema, os quais tive o prazer de ler para concluir meu livro “Uma Conquista Cassada – cerco e fuzil na cidade do frio”. Sinto-me honrado por meu nome estar também incluído em sua pesquisa esclarecedora sobre os fatos.

Antes de tudo, recomendo uma leitura apurada da sua obra para entender aqueles tempos de chumbo onde milhares de brasileiros lutaram pela causa da liberdade e da democracia. Infelizmente, depois de quase 60 anos de tormentos, poucos conhecem essa história, que não mais se repita, principalmente nossos jovens que, ainda recente, foram contaminados pela onda negativista da extrema direita do governo passado.

Posso afirmar que é uma obra bem amarrada e contextualizada, fonte de pesquisas para outros interessados que queiram escrever sobre o assunto. Na introdução do livro, Gilneide fala de Dinaelza, terceira dos seis filhos do casal Junília Soares Santana e Antônio Pereira Santana, nascida no distrito de São Sebastião (Conquista) e que depois foi morar em Jequié. Fez o curso de Geografia na Universidade Católica de Salvador onde foi líder militante com outros companheiros no combate ao regime dos generais.

Seus irmãos Diva, Dilma, Dinorá, Dirceneide e Getúlio ainda hoje choram pelo luto de um corpo insepulto, o qual ainda não foi fechado ritualmente, conforme reza a nossa cultura. Dinaelza foi casada com Vandick Reidner Pereira Coqueiro e os dois ingressaram no PC do B. Perseguidos políticos e procurados, o casal optou por lutar na Guerrilha do Araguaia no início dos anos 70 no governo carrasco do general Médici.

Como pontuou a professora Gilneide, “desde o final da década de 1970, seus familiares vêm empreendendo incessante luta em busca do seu corpo insepulto”. Sobre essa questão, a autora cita Panizo (2012) quando declara que o desaparecido é um sujeito ativo, e, por meio dele, mantém-se a busca da memória, verdade e justiça; busca não apenas restrita aos desmandos do período ditatorial, mas que assume atualidade, na medida em que vai se ampliando na luta pelos direitos humanos alhures e aqui.

“Com relação aos desaparecidos na Guerrilha do Araguaia, o que hoje se sabe é que todos os guerrilheiros combatentes da terceira campanha estão mortos” – assinala a autora da obra. Acrescenta que os familiares dos desparecidos políticos, ainda nos dias atuais, são submetidos à tortura interminável, até que um ponto final seja colocado nessa história.

O projeto “Brasil: Nunca Mais”, arquitetado por D. Paulo Evaristo Arns, da Igreja Católica, o rabino Henry Sobel e o pastor presbiteriano Jaime Wright, assegura “uma prática de tortura muito mais cruel do que o mais criativo dos engenhos humanos”. Como bem ressaltou Gilneide, no caso da Guerrilha do Araguaia, em que não houve inquéritos, e, mais ainda, houve ação determinada do Estado para apagar qualquer vestígio daquele confronto, a situação fica bem mais difícil.

“É possível que corpos tenham sido deixados insepultos na mata ou que tenham sido removidos de um lugar de inumação para outro com maior dificuldade de ser encontrado, ou podem ter sido lançados na água dos rios e mares”. Em seu livro, a pesquisadora fala de ritos de passagem, separação, ritos de margem e ritos de agregação.

Desses ritos, destaca as eras do homem de Neandertal, Paleolítico e Neolítico. Nas palavras de Martin, “o homem é tradicionalmente conservador no culto aos seus mortos e a mudança das culturas reflete mais lentamente nos rituais e nos costumes funerários do que na evolução da vida cotidiana”.

Por fim, queria aqui deixar a minha opinião de que a Anistia de 1979, planejada pelos generais da linha dura, foi intencional e visou abrir caminhos para o processo de limpeza da área e proteger os torturadores de seus crimes, mais do que propriamente anistiar os presos políticos.

Essa anistia, digo, deixou feridas abertas que jamais serão curadas porque não houve um acerto de contas com os verdadeiros opressores. Não contentes, torturaram também a nossa memória, diferente da Argentina, do Chile e do Uruguai, nossos vizinhos, que fecharam as feridas com a punição dos criminosos.

DEMOLIRAM O PRINCIPAL

O Conselho Municipal de Cultura de Vitória da Conquista foi contestado pela divulgação de uma nota, neste final de semana, de repúdio pela derrubada do Instituto de Educação Euclides Dantas, mais conhecido como Escola Normal, localizado na Praça Guadalajara. Na verdade, não foi todo o colégio, mas demoliram sim a principal parte que são os arcos arquitetônicos que simbolizavam a marca da Escola Normal, idealizada pelo professor Anísio Teixeira.

Além dos arcos que se foram do nosso imaginário histórico que identificavam a instituição na cidade, destruíram o auditório onde eram realizados eventos escolares e atividades culturais, como shows musicais, peças teatrais e até mostras de cinema. Então, demoliram o mais importante de significativo que retratava o Instituto. Esta marca de Anísio Teixeira só existe agora a da Escola Parque, em Salvador.

Foi como se cortasse a cabeça de um ser humano, restando apenas o corpo, para depois se fazer uma reforma que irá totalmente descaracterizar o formato arquitetônico do prédio que já estava incorporado na paisagem do local, no caso a Praça Guadalajara. O Instituto de Educação, pertencente ao estado, foi inaugurado em 1952 no governo de Régis Pacheco.





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