“DINAELZA COQUEIRO: MILITÂNCIA IDEIAS E GUERRILHA”

De forma didática, a professora Gilneide Padre pontua com detalhes a militância política da conquistense Dinaelza Coqueiro contra o regime ditatorial iniciado com o golpe civil-militar de 1964, desde estudante, em Jequié, e depois em Salvador. Ela conta como como se deu sua opção para entrar na Guerrilha do Araguaia, na região chamada de Bico do Papagaio (Amazonas, Pará e Goiás).

A autora do livro “Do Corpo Insepulto à luta por Memória, Verdade e Justiça” faz um mapeamento da região e uma cronologia da guerrilha. Em conversa com seus pais, Dinaelza diz que “só nos resta este caminho e é com amor que vamos percorrê-lo”. Ela se referia também ao seu companheiro esposo Vandick Coqueiro. O PC do B, de orientação maoísta, decidiu pela luta armada a partir da zona rural, enquanto outros grupos realizaram seus movimentos na área urbana.

Conforme assinala Gilneide, às vésperas do golpe, em 29 de março de 1964, um grupo de dez militantes viajou para a China com a finalidade de ali realizar um curso político-militar e aprender as táticas empregadas por Mao Tsé-tung, de “quando o inimigo avança, recuamos; quando para, o fustigamos, quando se cansa, o atacamos; quando se retira, o perseguimos”, só que as forças no Araguaia eram desproporcionais, de cinco a seis mil das forças armadas contra 69 combatentes.

Sobre a guerrilha, segundo apurou a autora, quem primeiro chegou à região foi Osvaldo Orlando da Costa, mais conhecido como Osvaldão, em 1966. Era um negro forte, alto e tinha a simpatia da população do local. Em 1967 chegou o médico João Haas Sobrinho, o Juca, que montou um hospital em Porto Franco. A seguir foi a vez de Elza de Lima Monnerat, Líbero Giancarlo e Maurício Grabois, que se tornaria o comandante geral. João Amazonas e Ângelo Arroyo chegaram em 1968. Outros foram chegando depois, assim entre os anos de 1969 e 1972 até formarem um contingente de 69, dentre os quais Dinaelza e Vandick, em 1971, adotando os nomes de Mariadina ou Dina e João Goiano.

O comando dividiu o grupo em três destacamentos: A, na Faveira, B, na Gamaleira e o C, nos Caianos. Dinaelza e Vandick fizeram parte do Destacamento B, sob o comando de Osvaldão. As forças armadas, a maioria da polícia militar, só entraram na área em 12 de abril de 1972 surpreendendo as Forças Guerrilheiras do Araguaia. Ocorreram três expedições e as investidas do regime só terminaram dois anos depois.

Praticamente todos foram aniquilados (56 foram mortos) de forma cruel, inclusive com cabeças decepadas. Os corpos dos 56 continuam desaparecidos até os dias atuais, inclusive de Dinaelza e Vandick. Muitos foram jogados nos rios e no mar.