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:: 6/jul/2023 . 23:02

EU SEREI VOCÊ AMANHÃ SEM A CRÍTICA E A MEMÓRIA DA NOSSA MÍDIA

Nesta semana foi anunciado com todo estardalhaço sob o manto do marketing paramentado das baianas e ao som do tambor dos movimentos negros, no Farol da Barra, a implantação das fábricas de automóveis da poderosa chinesa BYD, em Camaçari, com direito a todas isenções fiscais por vários anos.

“Belas” matérias e manchetes da mídia impressa, eletrônica e virtual que não se prestou a fazer nenhuma crítica e a relembrar o caso da Ford no primeiro Governo do PT, cercada de todas solenidades e pompas e que depois fechou as portas deixando muitas famílias na amargura do desemprego. Eu serei você amanhã. Qual certeza teremos que isso não possa acontecer?

Temos uma mídia que não mais questiona e cobra com base no investigativo do passado. Empolga-se com a grandeza dos números de três bilhões de reais de investimentos, cinco mil empregos diretos e a produção anual de 150 a 300 mil automóveis. É a mídia do factual que se acomodou no tempo.

Essa empresa tem 700 mil funcionários espalhados por 400 cidades de 70 países, e os chineses, num misto de comunismo com capitalismo selvagem, tem a peculiaridade de sempre levar largas vantagens nas demoradas negociações e não pagar bem seus empregados. Com tantas vantagens, é claro que eles aceitaram de pronto, e poderiam até ter mais.

Na verdade, os numerários são impressionantes, mas nada se falou ou escreveu a respeito dos valores que deixarão de ser cobrados pelos tributos isentos ao longo de cerca de dez anos, os quais poderiam ser empregados em programas sociais nas áreas da educação e da saúde. Devo estar sendo ranzinza e espírito de porco.

Nesse momento me faz lembrar dos milhões dos Bolsas Famílias que dependem dos bilhões de reais do Tesouro do Povo e, para essa empresa BYD, creio que nenhum está habilitado a uma vaga de emprego para se livrar dessa assistência e ter seu salário com o próprio suor.

Passa também pela minha cabeça que o montante grandioso (não é pouca coisa) dessas isenções tributárias poderia ser usado para a criação de centenas e milhares de micro e pequenas empresas que iriam proporcionar mais trabalho e renda para as pessoas menos graduadas e instruídas, inclusive para os cadastrados do Bolsa Família.

Não seria uma alternativa para reduzir esse programa de bilhões e dar oportunidade para esses dependentes saírem da pobreza? Preferimos dar aos chineses que vão fabricar carros de luxo, de 200 a 300 mil reais ou mais, mesmo sendo híbridos e elétricos. Aí entra o argumento da sustentabilidade do meio ambiente, mesmo botando mais carros nas estradas, quando deveria ser o contrário.

Nos anúncios retumbantes dizem que as fábricas, inclusive de insumos (lítio e ferro fosfato) para exportação, vão entrar em operação no segundo semestre de 2024, por ironia, ao que tudo indica, na mesma planta da Ford. Lucram os dois e empobrece a nação.

Ah, ia me esquecendo que foi anunciado que os veículos elétricos de até 300 mil reais terão isenção de IPVA! Quem compra um carro nesse valor é rico que será privilegiado com a liberação do imposto a ser pago pelo indivíduo que a duras penas e a prestação adquire um automóvel por 50 ou 70 mil, muitas vezes para seu ganha pão.

Perguntaria: Isso é justo? Acredito que não, mas aí entra a politicagem de fortalecer o capitalismo com o chapéu dos outros.   Temos centenas de exemplos de indústrias na Bahia que se aproveitaram das isenções e depois caíram fora. É aquele caso de eu serei você amanhã.

 

 

AS CANETAS E O SABER

Nos tempos primitivos, há milhões de anos, o homem rabiscava nas cavernas suas pinturas, usando tintas vegetais e até o sangue de animais, com os dedos ou “pinceis” da madeira e penas de aves, que expressavam suas linguagens sobre a vida na terra. Depois vieram as escritas em cerâmicas e pergaminhos que contam as origens da nossa história. Os tempos foram se evoluindo desde o homem sapiens até chegarmos às canetas, símbolos do saber. Os mais velhos se lembram das conhecidas penas e tinteiros nas salas de aula onde os jovens estudantes sempre saiam sujos com as camisas respingadas de tintas, sem falar nas provas borradas que os professores davam bronca. Vieram logo depois as benditas canetas (a famosa big) que foram se evoluindo com a sofisticação da indústria e hoje temos as mais diversas nas papelarias (até banhadas de ouro) e nunca vão deixar de existir mesmo com o advento da tecnologia virtual da internet. A assinatura tradicional ainda é a mais confiável, não importando o tipo de caneta, que já foi e ainda é instrumento de aplicar sentenças, atestar documentos, promissórias, tratados e convenções, bem como rascunhar um poema ou um pensamento enquanto viaja dentro de um ônibus e até numa mesa de bar quando brota a inspiração. Portanto, caneta também significa ter o saber porque o analfabeto (não quer dizer que ele não possua a sabedoria oral) simplesmente usa as digitais para provar sua identidade existencial. Quem é fascinado por canetas, e existem muitos colecionadores delas por aí, pode visar o nosso Museu Padre Palmeiras de Vitória da Conquista.

NO GOLFO DO BENIM

Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário

Brigam nações estrangeiras!

Ingleses, espanhóis e franceses,

Holandeses e portugueses,

Até capitães baianos brasileiros,

De canhões, bacamartes e estopim,

Em navios e canhoneiras,

Pelo tráfico negreiros,

No Golfo do Benim.

 

Brigam reis do Oyó e Daomé,

Com seus deuses orixás de fé,

Contra os reinos de Ardra,

Badagre, Porto Novo e Onim,

Em pântanos, savanas e mares;

Destroem aldeias e lares,

Para as vendas insanas,

De carnes negreiras humanas,

Nesse oceano de sangue,

Por cativos prisioneiros,

No Golfo do Benin.

 

Brigam navegantes traficantes,

Pelo domínio de Uidá,

Para escravos comercializar,

Por tabacos, ouro e aguardentes,

Moedas zimbo e cauri,

Até degolam cabeças,

Nessas feitorias fortalezas,

Horrores que nunca vi;

Matam gentes nas prisões,

Para lotar fedorentos porões,

De africanos, príncipes,

Rainhas de cetim,

Jejes, tapas e haussás,

Minas, nagôs-iorubás,

Filhos do Golfo do Benin.





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