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:: 14/jul/2023 . 14:33

“FLUXO E REFLUXO” XXVIII

LISTA DOS NAVIOS NA PRAÇA DA BAHIA, MOVIMENTO DAS EMBARCAÇÕES ENTRE BAHIA E O GOLFO DO BENIM E LOCAL DE ORIGEM DOS NEGROS.

Nos apêndices de sua obra, “Fluxo e Refluxo”, Pierre Verger faz uma extensa lista de navios capturados pelos cruzadores ingleses. Cita que entre 1811 e 1812, os dez primeiros vasos aprisionados pelos comandantes da Inglaterra receberam um total de 500 libras esterlinas em indenização pela convenção luso-britânica de 21 de janeiro de 1815.

Entre os navios aponta o Brigue Calipso, Bergantim Vênus, Goleta Mariana, Bergantim Prazeres, Sumaca Lindeza, Flor do Porto, Americano, dentre outros. De 1814 a 1820 dezesseis foram condenados em Serra Leoa. Foram beneficiados por meio de uma revisão pela comissão mista luso-britânica em Londres, destacando o Brigue Bom Sucesso, Bergantim Conceição, Triunfo Americano, Correio São Thomé e outros.

Sobre o movimento dos navios, Verger explica não ser fácil fazer uma reconstituição dada a raridade de documentos existentes. Ele dividiu os estudos em quatro períodos: o tráfico legal no Golfo do Benim entre 1678-1815, tráfico legal no sul do equador, de 1815 a 1830, tráfico clandestino de 1831 a 1851 e o período posterior à extinção após 1851.

Esses navios se movimentavam em vários lugares, como ilhas Trindade, Cabo das Palmas, Costa da Mina, Costa da Malagueta, Cabinda, Molambo, ilhas de S. Thomé e Príncipe, Cabo Verde e Fernando Pó. Verger fez uma pesquisa no Arquivo Público da Bahia a respeito do assunto, entre 1678 e 1815, época em que o tráfico se torna ilegal ao norte do equador.

Em 1678, os traficantes mencionavam o grande serviço prestado na busca de escravos na Costa da Mina para a Bahia, em razão da falta de mão-de-obra nos engenhos e canaviais. Em 1700 é lembrado que não poderá ser transportado nenhum tabaco senão o de terceira categoria. Em 1720 foi proibida a venda de pólvora e outro tipo de munição na Costa da Mina (Golfo do Benim).

Após 1743, ocorre uma diminuição do número de navios em razão do monopólio concedido a 24. A partir de 1756 ocorre um aumento devido a abertura do comércio na Costa da Mina. Em 1808 acontece a abertura dos portos brasileiros a outras nações com a chegada da família real de D. João VI.

Um fato interessante é que no início do tráfico negreiro, os traficantes escolhiam nomes de santos para seus navios, prevalecendo o de Nossa Senhora, especialmente da Conceição, do Rosário, do Amparo, da Boa morte e por aí. Mais tarde surgiram os nomes de deuses pagãos, personagens históricas e diversos que representavam sorte, como Ventura, Esperança e Fortuna, isto em final do século XVIII e durante o XIX.

Os escravoss vindo à Bahia tinham várias origens africanas, destacando os jejes (adjás) do Damomé, atual República Popular do Benin, os iorubás da região da Nigéria, cangoleses, benguelas, angolas, moçambicanos, Cabinda, São Thomé, Mundubi, Barba, Ladá, Corabani, Molambo, com uma grande variedade de etnias.





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