:: jul/2023
EU SEREI VOCÊ AMANHÃ SEM A CRÍTICA E A MEMÓRIA DA NOSSA MÍDIA
Nesta semana foi anunciado com todo estardalhaço sob o manto do marketing paramentado das baianas e ao som do tambor dos movimentos negros, no Farol da Barra, a implantação das fábricas de automóveis da poderosa chinesa BYD, em Camaçari, com direito a todas isenções fiscais por vários anos.
“Belas” matérias e manchetes da mídia impressa, eletrônica e virtual que não se prestou a fazer nenhuma crítica e a relembrar o caso da Ford no primeiro Governo do PT, cercada de todas solenidades e pompas e que depois fechou as portas deixando muitas famílias na amargura do desemprego. Eu serei você amanhã. Qual certeza teremos que isso não possa acontecer?
Temos uma mídia que não mais questiona e cobra com base no investigativo do passado. Empolga-se com a grandeza dos números de três bilhões de reais de investimentos, cinco mil empregos diretos e a produção anual de 150 a 300 mil automóveis. É a mídia do factual que se acomodou no tempo.
Essa empresa tem 700 mil funcionários espalhados por 400 cidades de 70 países, e os chineses, num misto de comunismo com capitalismo selvagem, tem a peculiaridade de sempre levar largas vantagens nas demoradas negociações e não pagar bem seus empregados. Com tantas vantagens, é claro que eles aceitaram de pronto, e poderiam até ter mais.
Na verdade, os numerários são impressionantes, mas nada se falou ou escreveu a respeito dos valores que deixarão de ser cobrados pelos tributos isentos ao longo de cerca de dez anos, os quais poderiam ser empregados em programas sociais nas áreas da educação e da saúde. Devo estar sendo ranzinza e espírito de porco.
Nesse momento me faz lembrar dos milhões dos Bolsas Famílias que dependem dos bilhões de reais do Tesouro do Povo e, para essa empresa BYD, creio que nenhum está habilitado a uma vaga de emprego para se livrar dessa assistência e ter seu salário com o próprio suor.
Passa também pela minha cabeça que o montante grandioso (não é pouca coisa) dessas isenções tributárias poderia ser usado para a criação de centenas e milhares de micro e pequenas empresas que iriam proporcionar mais trabalho e renda para as pessoas menos graduadas e instruídas, inclusive para os cadastrados do Bolsa Família.
Não seria uma alternativa para reduzir esse programa de bilhões e dar oportunidade para esses dependentes saírem da pobreza? Preferimos dar aos chineses que vão fabricar carros de luxo, de 200 a 300 mil reais ou mais, mesmo sendo híbridos e elétricos. Aí entra o argumento da sustentabilidade do meio ambiente, mesmo botando mais carros nas estradas, quando deveria ser o contrário.
Nos anúncios retumbantes dizem que as fábricas, inclusive de insumos (lítio e ferro fosfato) para exportação, vão entrar em operação no segundo semestre de 2024, por ironia, ao que tudo indica, na mesma planta da Ford. Lucram os dois e empobrece a nação.
Ah, ia me esquecendo que foi anunciado que os veículos elétricos de até 300 mil reais terão isenção de IPVA! Quem compra um carro nesse valor é rico que será privilegiado com a liberação do imposto a ser pago pelo indivíduo que a duras penas e a prestação adquire um automóvel por 50 ou 70 mil, muitas vezes para seu ganha pão.
Perguntaria: Isso é justo? Acredito que não, mas aí entra a politicagem de fortalecer o capitalismo com o chapéu dos outros. Temos centenas de exemplos de indústrias na Bahia que se aproveitaram das isenções e depois caíram fora. É aquele caso de eu serei você amanhã.
AS CANETAS E O SABER
Nos tempos primitivos, há milhões de anos, o homem rabiscava nas cavernas suas pinturas, usando tintas vegetais e até o sangue de animais, com os dedos ou “pinceis” da madeira e penas de aves, que expressavam suas linguagens sobre a vida na terra. Depois vieram as escritas em cerâmicas e pergaminhos que contam as origens da nossa história. Os tempos foram se evoluindo desde o homem sapiens até chegarmos às canetas, símbolos do saber. Os mais velhos se lembram das conhecidas penas e tinteiros nas salas de aula onde os jovens estudantes sempre saiam sujos com as camisas respingadas de tintas, sem falar nas provas borradas que os professores davam bronca. Vieram logo depois as benditas canetas (a famosa big) que foram se evoluindo com a sofisticação da indústria e hoje temos as mais diversas nas papelarias (até banhadas de ouro) e nunca vão deixar de existir mesmo com o advento da tecnologia virtual da internet. A assinatura tradicional ainda é a mais confiável, não importando o tipo de caneta, que já foi e ainda é instrumento de aplicar sentenças, atestar documentos, promissórias, tratados e convenções, bem como rascunhar um poema ou um pensamento enquanto viaja dentro de um ônibus e até numa mesa de bar quando brota a inspiração. Portanto, caneta também significa ter o saber porque o analfabeto (não quer dizer que ele não possua a sabedoria oral) simplesmente usa as digitais para provar sua identidade existencial. Quem é fascinado por canetas, e existem muitos colecionadores delas por aí, pode visar o nosso Museu Padre Palmeiras de Vitória da Conquista.
NO GOLFO DO BENIM
Autoria do jornalista e escritor Jeremias Macário
Brigam nações estrangeiras!
Ingleses, espanhóis e franceses,
Holandeses e portugueses,
Até capitães baianos brasileiros,
De canhões, bacamartes e estopim,
Em navios e canhoneiras,
Pelo tráfico negreiros,
No Golfo do Benim.
Brigam reis do Oyó e Daomé,
Com seus deuses orixás de fé,
Contra os reinos de Ardra,
Badagre, Porto Novo e Onim,
Em pântanos, savanas e mares;
Destroem aldeias e lares,
Para as vendas insanas,
De carnes negreiras humanas,
Nesse oceano de sangue,
Por cativos prisioneiros,
No Golfo do Benin.
Brigam navegantes traficantes,
Pelo domínio de Uidá,
Para escravos comercializar,
Por tabacos, ouro e aguardentes,
Moedas zimbo e cauri,
Até degolam cabeças,
Nessas feitorias fortalezas,
Horrores que nunca vi;
Matam gentes nas prisões,
Para lotar fedorentos porões,
De africanos, príncipes,
Rainhas de cetim,
Jejes, tapas e haussás,
Minas, nagôs-iorubás,
Filhos do Golfo do Benin.
O QUE ESTÁ HAVENDO COM A HUMANIDADE?
Entre as pessoas com as quais converso sobre assuntos gerais, sempre ouço lamentos e palavras de decepções a respeito do que está ocorrendo com a humanidade nos tempos atuais no sentido do avanço da desumanização, do individualismo, do desrespeito para com os outros e até mesmo pela sua face cadavérica de crueldade.
Estou me referindo diretamente sobre a nossa pequena aldeia onde moramos chamada Brasil, mas é claro que o problema do qual questiono é global e não está restrito ao ser humanus brasilis. Os países ricos pouco se importam com os pobres, sem falar numa certa regressão em termos de mentalidade, predominando as ideias retrógradas e repressivas entre líderes e liderados.
Essa visão é praticamente geral entre as gerações mais idosas que lembram dos tempos onde havia mais harmonia, crença e confiança nas pessoas; onde os filhos ouviam os ensinamentos dos pais e os jovens reverenciavam os mais velhos; não batiam e nem matavam professores, sem contar que os crimes de barbaridades eram bem mais raros.
A pergunta que fica é o que está havendo ou acontecendo com a humanidade? Uma resposta para os filósofos, psicólogos/psiquiatras, historiadores, sociólogos e antropólogos. Alguém aí poder até rebater o meu pensar de que a nossa história em suas origens está recheada de atrocidades desde os povos da Mesopotâmia/Babilônios, as conquistas romanas, as inquisições da Igreja Católica na Idade Média, os conflitos entre as diversas etnias africanas e tribos indígenas, os sacrifícios humanos aos seus deuses, as duas guerras mundiais mais recentes, dentre tantas outras.
No entanto, a questão atual está mais ligada ao quesito da decadência humana do saber e do conhecimento, do negativismo da ciência e do fanatismo religioso, do egoísmo aviltante, do extremismo nazifascista, da polarização na política, da indiferença com a dor do outro, do retraimento da juventude presa às novas tecnologias, da destruição em massa do meio ambiente (o apocalipse bíblico é o presente), do ódio e da intolerância racista, homofóbica, xenófoba e misógina, sem falar nos crimes hediondos, impiedosos e estarrecedores.
O anormal virou normal e comum. O errado no certo. Para muitos problemas quanto a pergunta sobre o que está havendo com a nossa humanidade, especialmente os relacionados com os nossos jovens, logo vem à cabeça o mal que o celular e as redes sociais da internet provocam na mente humana, ao ponto de gente ficar ligada mais de dez horas ao dia no aparelho. Será que toda culpa está nesse mundo virtual banalizado, sem caráter e princípios?
É uma fase ou crise de atraso e opressão que a humanidade está atravessando para depois se ajustar e voltar a praticar o verdadeiro humanismo socialista? O que podemos fazer para reverter esse quadro? Ainda existem reparos ou estamos caminhando para o fim, inclusive da destruição da terra por causa das catástrofes e tragédias provocadas pelo homem? São reflexões que cada um deve fazer e tirar suas conclusões.
Em sua essência de ambição, lucro e selvageria, creio que esse sistema capitalista bruto consumista está esgotado. Está levando a humanidade a autodestruição, mas os ricos não aceitam fazer mudanças e socializar seus bens. Almejam cada vez mais o ter e pouco pensam no ser. A decadência humanitária está nas profundas desigualdades sociais e regionais, internas e externas. A própria globalização contribuiu para isso.
É a minha visão que pode ser discordante de outros. É um tema que carece de mais debate e discussão por parte de intelectuais e das pessoas que hoje sofrem na pele essa desarmonia e sofrimento. Ronda no ar uma onda de desânimo, pessimismo e descrença. Com tantas maldades, bandidagens e violência, ninguém mais confia em ninguém. É sinal da própria degeneração humana.
Hoje temos medo de sair de casa (há anos não era assim), pânico, estresse e a depressão está cada vez mais se alastrando como um vírus maligno, principalmente entre adolescentes que ficam trancados em seus quartos escuros com a tela grudada nos olhos.
Os adultos só pensam em ganhar dinheiro, não cuidam de seus filhos como deveria (querem é ficar livres deles), não dormem direito e sentem calafrios do desemprego. Temos mais doenças e doentes e menos assistência à saúde nos países subdesenvolvidos ou emergentes. A cultura foi banida de nossas vidas. Não se valoriza mais o conteúdo e nem o mérito, mas a mediocridade.
O progresso desordenado (agora só se fala em inteligência artificial) fez aumentar a miséria, e mais gente sai de seus lares na leva da desestrutura familiar para viver nas ruas. Temos mais pessoas infelizes e descontentes com a vida. Nem mais sabemos quem somos e para onde vamos. Moramos num planeta das incertezas porque esquecemos do nosso passado e temos dúvidas sobre o futuro. O que está acontecendo com a humanidade?
APELO AO TORCEDOR CONQUISTENSE
Carlos González – jornalista
Se você, prezado amante do futebol, que almeja ver sua cidade ser objeto de elogios, mesmo que seja no campo esportivo, leve seu apoio ao Primeiro Passo Vitória da Conquista, comparecendo, domingo (9), ao Estádio Lomanto Júnior para assistir ao jogo – o maior clássico da região Sudoeste – contra o Jequié, pela última rodada da 1ª fase do Campeonato Baiano da 2ª divisão.
Além da velha rivalidade entre os dois municípios, a partida, que começa às 15 horas, será o penúltimo obstáculo para que o clube alviverde volte a participar do grupo de elite do futebol baiano e de conseguir uma vaga em 2024 na Copa do Brasil ou numa das séries do Brasileirão.
Independente de sua simpatia pelos times do Rio e São Paulo, vista no domingo o verde e branco e se junte nas arquibancadas do Lomantão aos membros das torcidas organizadas Criptonita e Comando Feminino, para não deixar que o “Bode” teimosamente empaque no terreno de sua casa – suas três vitórias no torneio foram conseguidas em Salvador (duas) e Itabuna -, o que significará nova paralisação do futebol conquistense até março do próximo ano. Jogadores e comissão técnica ficarão desempregados por seis meses até o começo da temporada 2024.
No interior do Nordeste e na maioria das capitais, exceção a Salvador, Recife e Fortaleza, nota-se uma forte vocação do torcedor em transferir sua paixão para os clubes cariocas e paulistas, em prejuízo dos locais. O Brasileirão da série “A” tem apenas dois clubes nordestinos: o Bahia (já pegou o caminho do descenso) e o Fortaleza, que há três anos vem se estruturando, haja vista que hoje disputa a Sul-Americana. Vamos observar a série “B”, onde os seis representantes do Nordeste fazem companhia a 11 do interior de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
Pergunto: por que razão o nordestino não pratica esportes de quadra, pista e aquáticos? Em Olimpíadas e Mundiais e torneios nacionais, nossa região praticamente é excluída. Cometeria uma falta se não fizesse ressalva ao trabalho realizado, com poucos recursos materiais, nas academias de boxe de Salvador, na preparação dos atletas que têm trazido medalhas para o Brasil.
Por justiça, lembro aqui de três baianos medalhistas olímpicos: o nadador Edvaldo Valério (bronze nos Jogos de Sidney 2000), a maratonista aquática Ana Marcela (ouro em Tóquio 2020 e em sete mundiais) e o canoísta Isaquias Queiroz (ouro em Tóquio). Os dois primeiros aperfeiçoaram sua técnica em clubes de São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul.
A demolição do Estádio Octávio Mangabeira em 2010 para servir de sede à Copa do Mundo de 2014, quando o projeto inicial seria uma reforma, a um custo superior a R$ 1 bilhão, acima do previsto que era R$ 500 milhões, “matou” o esporte amador na Bahia, como denunciaram dirigentes e atletas. Os tratores e escavadeiras não derrubaram somente o velho estádio. Continuaram seu caminho. Ao fim da operação, do Ginásio Antônio Balbino e do Parque Aquático Juracy Magalhães, que faziam parte do complexo esportivo da Fonte Nova, só restaram pedras de concreto. As autoridades governamentais da época prometeram que em um ano construir um ginásio e piscina olímpica.
Retomando o principal tema desta nossa conversa, exponho a situação no momento do Campeonato Baiano da série “B”, antes da rodada de domingo que vai apontar os quatro classificados para as semifinais. O Jequié antecipou sua passagem para a segunda fase. Restam três vagas e cinco candidatos, observando que, em caso de igualdade nos pontos ganhos, serão computados número de vitórias e saldo de gols. Além de Conquista x Jequié, a última rodada, com os jogos iniciando às 15 horas, marca Jacobina x Fluminense, em Jacobina; Juazeiro x Grapiúna em Juazeiro; Unirb x Leônico, em Feira de Santana; e Galícia x Colo-Colo, em Salvador.
Em segundo lugar está o Jacobina (14 pontos, 4 vitórias e saldo de 5), seguido pelo Grapiúna (14 – 4 – 2), Vitória da Conquista (14 – 3 – 8), Fluminense (13 – 3 – 5) e Unirb (13 – 3 – 1). Vão permanecer na série “B”, o Juazeiro, e, lamentavelmente, o Galícia, apontado pelos mais antigos membros da comunidade galega de Salvador como “filho bastardo”, em desrespeito aos imigrantes espanhóis que em 1º de janeiro de 1933 fundaram o primeiro tricampeão baiano. Colo~Colo e Leônico estão “degolados”.
Com base nos números avaliem as chances do Vitória da Conquista, mas é imprescindível que você, conquistense, vá ao “Lomantão” para dar seu grito de incentivo a esse grupo altruísta que mantém vivo o futebol nesta cidade. Desligue-se por um dia dos jogos das equipes do Sul pela televisão. Acabou aquele tempo que os grandes clubes viajavam pelo país e pelo mundo – até o Bahia foi duas vezes a Europa, incluindo a então impenetrável União Soviética – fazendo amistosos e divulgando nosso popular esporte.
A ocupação total dos 12.500 lugares do “Lomantão” só se dará com a vinda de um clube da elite do futebol nacional. Essa atribuição é dada neste momento ao Vitória da Conquista, cujo primeiro passo é ganhar o Jequié e a semifinal do acesso. Em seguida, ficar entre os três melhores colocados na série “A” de 2024, assegurando uma vaga na Copa do Brasil. Entre 2013 e 2018, o alviverde participou de quatro Copas do Brasil. Aqui estiveram Sport do Recife, Palmeiras, Náutico e Coritiba.
AINDA SOBRE O SÃO JOÃO
Quero aqui reproduzir alguns trechos de um comentário com o título “SOS São João” feito por Jorge Braga Barreto, na coluna “Opinião do Leitor”, publicado pelo jornal “A Tarde”. Antes disso, sobre o mesmo assunto, conversando com uma prima sobre o São João de Senhor do Bonfim, considerado em tempos passados como um dos mais famosos do Brasil, ela me confidenciou que foi uma grande decepção a começar pelas apresentações. “Pelas músicas, ninguém dançava, só pulava”.
Sobre o artigo de Jorge Barreto, ele afirma que há muito segmento musical alienígena de origem carnavalesca atropelando as tradicionais festas juninas, para tristeza dos forrozeiros, cujas danças típicas são agredidas pela parafernália eletrônica, numa demonstração de selvageria empresarial voltada exclusivamente para o lucro.
Mais adiante declara que o endividamento irresponsável das prefeituras poderia ser evitado se tomassem a iniciativa viável de dar oportunidade aos inúmeros artistas da terra prata da casa que dominam os instrumentos que fazem a alegria dos amantes do forró. Destaca que “os valores exorbitantes pagos aos ETs terminam por afugentar a população de baixa renda, diante das inacessíveis diárias de pousadas e hotéis, restaurantes e outras atividades comerciais envolvidas nos eventos”.
Em seu desabafo, escreve que “muitos forrozeiros terminam retornando para suas casas frustrados diante de tanta sofrência cansativa e sonolenta violentando as noites juninas. Como justificar prefeituras falidas pagando cachês altíssimos em torno de 500 mil reais por apresentação a cantores e bandas de arrocha, sofrência, sertanejas no estilo Luan Santana, Gustavo Lima, dentre outros que nada têm a ver com o São João”?
Segundo ele, a contratação de bandas locais das cidades e de suas regiões que entendem do ritmo nordestino seria a solução nas quais se destinaria cachês dentro dos limites razoáveis ao alcance dos cofres municipais, no que concordo e endosso plenamente.
Em sua opinião, ainda é tempo de salvar o melhor São João do Brasil que é inegavelmente o do Nordeste. “Se o carnaval está dominado por essa galera esperta, que o mesmo não aconteça com o São João. A reconstrução do Brasil exige a preservação de suas raízes culturais. Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Genival Lacerda, entre tantos outros que nos deixaram devem estar se contorcendo no túmulo”
Por fim, vou aqui republicar um poema da minha autoria que fiz criticando toda essa situação, com o título de “NÃO MISTURE NOSSO FORRÓ”:
Não misture
Nosso forró, não,
Nem profane
Nossas festas juninas,
Com suas músicas assassinas.
Nosso forró,
Nasceu do fifó,
Na poeira do arrasta-pé,
Ao som do triângulo,
Da zabumba e da sanfona,
No melaço da cana,
Com cultura, tradição e fé.
Nosso forró é nordestino
Dos santos Antônio, João e Pedro
Popular do idoso ao menino.
Seu prefeito carcará safadão,
Nosso forró do forrobodó
Não está à venda, não.
Não misture nosso forró, não
Com alienígenas estrangeiros,
De chapéu de couro,
Indumentária de cangaceiros,
Que roubam nosso ouro,
E nem sabem cantar,
Xote, xaxado e baião.
Salvem Jachson do Pandeiro,
Marinês, Sivuca e Gonzagão,
Sem essa plástica indecência,
De misturar sertanejo e pagodão,
Axé, arrocha e sofrência.
Não misture nosso forró, não,
Nóis quer dançar é forrozeiro,
Na letra agreste do Nordeste,
Com licor, quentão e mungunzá,
Como nos tempos do candeeiro.
A cada ano o triângulo, a zabumba e a sanfona são substituídos por bandas eletrônicas. Nosso São João está se acabando. Segundo o Portal Transparência, artistas como Wesley Safadão recebem cachês altíssimos. Anos atrás Elba Ramalho criticou o badalado São João de Campina Grande por privilegiar os sertanejos. Recentemente Flávio José teve seu tempo de apresentação reduzido para o sertanejo Gustavo Lima.
Alceu Valença também fez a mesma crítica. As festas juninas estão perdendo suas identidades. Os órgãos de turismo nada fazem para salvar nosso São João, muito pelo contrário.
A nossa mídia, infelizmente, tem sido omissa e até elogia esses shows que nada têm a ver com o nosso forró. Gonzagão dizia “Ai que saudades que sinto/ Das noites de São João/ Das noites tão brasileiras nas fogueiras/ Sob o luar do sertão”.












