:: 19/jun/2023 . 23:11
UM SARAU ARRETADO DE BOM!
Diva Santana Coqueiro, irmã de Dinaelza, morta na guerrilha do Araguaia durante a ditadura civil-militar de 1964, acompanhada da sua irmã Dilma Santana e da escritora Gilneide Padre, se deslocou de Salvador para participar e prestigiar o nosso “Sarau A Estrada” que teve como tema “Festa Junina – Cultura, Tradição e Religiosidade.
O evento colaborativo, que está completando 13 anos de existência e já merece uma grande comemoração em estilo pela sua duração e conteúdo cultural artístico (muitos falam que de fato já é de utilidade pública), foi realizado neste último sábado à noite (dia 17/06/23), no “Espaço Cultural A Estrada”, com as presenças de artistas, intelectuais, professores, jovens e outras pessoas interessadas que estiveram ao nosso encontro pela primeira vez.
Foi um sarau arretado de bom, que varou a madrugada com declamações de poemas autorais, causos e, principalmente, o show de violadas de cancioneiros da nossa música popular brasileira, no caso particular do momento, do nosso autêntico forró, com Walter Lajes, Manu di Souza, Dorinho Chaves, Marta Moreno e outros.
O pessoal foi chegando a partir das 20 horas com aquele espírito junino nordestino, recebidos pelos anfitriões Jeremias Macário e Vandilza Silva Gonçalves que preparou o nosso quentão e um assado de porco para dar mais sustança ao sarau.
Estiveram ainda presentes, João Paulo Oliveira Santana, Antônio Cilmo Monteiro de Brito, Sheila, Jurandi, Lany Fagundes, Adalberto (Dal), Jurandi, Conça, Cleide, Maria Luiza, Lídia, o nosso bom português Luis Altério, o professor José Carlos, o contador de causos Jhesus, o professor Itamar Aguiar, Alexandre Santana, nosso cantador e compositor Baducha que abrilhantaram nossa festa na troca de ideias, cantorias e recitais de poemas.
Como foi uma festa junina, não faltaram as comidas e bebidas típicas da época para não quebrar a nossa tradição cultural nordestina, a exemplo do quentão, do licor e também da cerveja e do vinho. Como sempre, a anfitriã Vandilza fez uns pratos deliciosos que foram saboreados por todos, num clima fraternal e festivo num bom papo bem proseado.
RELIGIOSIDADE, HISTÓRIA E TRADIÇÃO
Sobre o tema falaram o professor Itamar Aguiar, Jeremias Macário e Manu Di Souza. O professor fez uma relação antropológica e filosófica a respeito das festas juninas com as religiões católicas, o candomblé, as influências indígenas e a mistura de culturas africanas em seus ritmos, danças (o toré) e nas comidas.
O jornalista Jeremias Macário fez um breve histórico sobre o surgimento do forró lá pelos anos 30 e sua popularização nos anos 50 com Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Sivuca, Marinês, Trio Nordestino e Dominguinhos. Forró vem do forrobodó e forrobodão de onde depois nasceram os gêneros baião, xote (danças dos salões europeus) e o xaxado que tem muita ligação com o cangaço nordestino.
Entre as décadas de 70 e 80, os chamados cabeludos Zé Ramalho, Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo, principalmente, introduziram outros instrumentos no forró, como a guitarra, o sax, a bateria, o violão e o baixo, mas mantendo os mesmos conteúdos das letras que falam dos costumes, da vida nordestina, amor, dos retirantes e saudades da terra natal.
No entanto, a partir dos anos 90 a 2000, o nosso genuíno forro do zabumba, do triângulo e da sanfona, o chamado arrasta-pé do chão batido (o forró pé de serra) sofreu uma tremenda descaracterização, lamentavelmente com a introdução da lambada, do arrocha, do axé music, do sertanejo (sertanojo) e do pagode, com péssimas letras de cunho pornográfico, sendo a maioria de curtos versos sem sentido.
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