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:: 8/jun/2023 . 2:25

OS INVASORES DA NOSSA TRADIÇÃO NORDESTINA ESTÃO ROUBANDO NOSSO ESPAÇO

Todos os anos, os artistas, forrozeiros, intelectuais e aqueles que preservam e amam a nossa cultura nordestina fazem discurso inflamados e aplaudidos contra os invasores ou ervas daninhas que encontraram espaço livre para destruir nossa tradicional festa junina, regida pelo famoso “forrobodó” que surgiu por volta de 1930 e se popularizou nos anos 50, sempre com a sanfona, o triângulo e a zabumba

Temos que continuar bradando contra essa avalanche de bandas milionárias de outros ritmos (arrocha, axé, lambada, pagode e até do rock) contratadas pelos prefeitos a preço de ouro para fazer a média política com o povo que, sem a devida consciência e formação cultural, cai na folia dos rebolados que nada têm a ver com o nosso autêntico forró pé de serra ou arrasta-pé que começou em chão batido molhado parra não levantar a poeira.

No entanto, as falas e desabafos não têm surtido muitos efeitos e, a cada ano, os festejos estão mais parecidos com a cara paulista ou outra coisa esquisita de músicas, menos o forro de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, Marinês e Sivuca, sem contar Zé Ramalho, Elba, Geraldo Azevedo, Alceu Valença e outros cabeludos nas décadas de 60 e 70, embora tenham introduzido outros instrumentos como a guitarra, a bateria, o sax, o baixo e o violão.

Na década de 90 por aí bandas como Mastruz com Leite, Calcinha Preta e tantas outras no mesmo estilo inventaram o forró eletrônico, quando a nossa dança tradicional nordestina começou sendo deturpada e descarecterizada.

As prefeituras passaram a contratar esses cantores, sob o argumento de serem do gosto popular por atraírem mais público. O pior ainda é que essas contratações são feitas com valores superfaturados usando recursos dos nossos impostos. Por sua vez, o Ministério Público e os tribunais de contas não exercem uma fiscalização mais rígida para punir os responsáveis.  A coisa não ficou por aí e logo entraram o axé, o arrocha e o “pagadão” para acabarem com a nossa festa.

Deveria ter um decreto federal, uma lei do Congresso Nacional e das próprias câmaras de vereadores proibindo que as prefeituras contratem essas bandas que não têm nenhuma identificação com o nosso ritmo junino do forró, além dos outros gêneros, como o baião, o xote ou o xaxado, tão divulgados e cantados por Gonzagão, Humberto Teixeira, Zé Dantas e Dominguinhos.

Com certeza, essa   lei iria criar uma tremenda polêmica e os invasores do forró iriam logo dizer que se trata de censura. Por outro lado, como tudo nesse país, a norma logo seria desobedecida.

Mas a descaracterização não acontece somente no ritmo musical, como também nos costumes, nos hábitos, nas comidas e bebidas típicas. Em muitas festas rolam mais o hambúrguer e o cachorro-quente no lugar do milho cozido, da canjica e da pamonha. O licor e o quentão perderam espaço para o conhaque e outras misturas de bebidas.





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