:: 30/jun/2023 . 23:00
CURTAS INFORMAÇÕES
O SAFADÃO DOS MILHÕES
Deu na coluna do jornalista Levi Vasconcelos, de A Tarde. Em Sergipe, o arauto do forró pé de serra, Jailson do Acordeon correu mais de 20 municípios. Só conseguiu um contrato em Aracaju. No entanto, o Wesley Safadão, com cachê de 700 mil reais, cantou em Lagarto, Areia Branca e ainda foi o campeão baiano de faturamento nos festejos juninos com cinco contratos e mais dois, um no São Pedro de Itabuna e outro em Belo Campo. Faturou cerca de quatro milhões de reais. A grande aposta é a aprovação do projeto de lei 3083, que cria a chamada Lei Gonzaga onde impõe que 80% dos recursos dos festejos juninos sejam gastos com artistas ou eventos, como as quadrilhas. Os cachês pé de serra são bem menores e os milionários fomentam a corrupção.
DISCÓRDIA INDÍGENA
Mulheres indígenas waorani advertem com um canto de guerra para impedir ambientalistas entrarem no bloco estratégico de petróleo, localizado na Amazônia equatoriana, cuja produção pode ser suspensa. É aquele negócio: Um grupo apoio a exploração petrolífera e o outro não. A questão tem sido o centro da discórdia, e o local é cercado por uma vegetação exuberante. No local fica uma das 12 plataformas de poços do Ishpingo, Tambococha e Tiputini.
MAIS RATOS QUE GENTE
Dizem que em Paris, a capital dos protestos, existem seis milhões de ratos (não sei como contaram os bichos nojentos), contra 2,4 milhões de humanos, o que significa três por habitante. É muito rato e parece coisa da Idade Média, mas hoje Paris tem bons serviços de infraestrutura em termos de esgotamento sanitário. Como explicar tantos ratos na Paris moderna?
BOLSA FAMÍLIA
Em junho, o Brasil contabilizou o contingente de 21 milhões de familiares participantes do Bolsa Família representando o gasto de 15 bilhões de reais, com média de 700 reais por cada beneficiário. A despesa para este ano deve ser em torno de 145 bilhões de reais e nenhum projeto alternativo para tirar esse povo das esmolas. Muitos usam esse auxílio para outras finalidades que nada têm a ver com a compra de alimentos.
ANALFABETISMO
Você sabia que o índice de analfabetismo no Brasil atinge 5,6%? Um número ainda expressivo, isso sem contar os analfabetos funcionais que não sabem ler e escrever. No Nordeste, sempre no foco das desigualdades regionais, o número sobe para 11,7%. Na mesma região, os idosos registram 32,5%. Cerca de 50% da população baiana não têm segurança alimentar. A Bahia tem o maior número de pessoas registradas no Bolsa Família.
SIMPLES NACIONAL
Os MEI (microempresários) no Brasil representam 68% das empresas brasileiras, o que significa 14,8 milhões incluídos no Simples Nacional. A maioria monta uma empresa por necessidade por causa do alto índice de desemprego. É aquela questão da sobrevivência pessoal. Um dos motivos de muitas empresas terem vida curta.
VIOLÊNCIA NA BAHIA
A Bahia está em segundo lugar, depois do Pará, com maior número de casos de violência contra povos e comunidades tradicionais (indígenas, crimes socioambientais nas periferias e quilombolas). Os dados são da Lei de Acesso à Informação por Atividades da Rede de Observação de Segurança, gerando o relatório Além da Floresta.
DETENTOS SEM JULGAMENTOS
Quase seis mil dos mais de 12 mil detentos das unidades prisionais da Bahia ainda não foram julgados como deveriam ser. Segundo José Antônio Maia Gonçalves, secretário Estadual de Administração Penitenciária, existem presos provisórios há mais de quatro anos nos presídios sem serem julgados.
NÃO ENCANTAM OS JOVENS
Diferente de antigamente, as universidades de hoje não encantam mais os nossos jovens estudantes. A maioria entra numa universidade apenas visando o diploma. A evasão nas unidades privadas chega a 59% e nas públicas a 40,9%. Existem no Brasil quase seis milhões de diplomados de nível superior que não conseguem emprego. Está ocorrendo um grande esvaziamento dos campi. Tudo hoje é imediatista na base do estudo de curta duração. Ninguém quer mais saber do conhecimento lento.
DOCUMENTOS ABANDONADOS
Você sabia que nas 81 unidades dos SACs na Bahia existem 88.456 documentos abandonados aguardando pela retirada de seus donos. Coisa imaginária e absurda, para não dizer de louca. Desse montante, 39.412 são de RGs (carteiras de identidade), 45.544 de habilitações e 3,5 mil de passaportes. Entenda o comportamento do ser humano que enfrenta uma fila para tirar um documento e depois não aparece lá para buscá-lo.
“FLUXO E REFLUXO” XXVI
OS MALÊS E OS MAIORES TRAFICANTES NEGREIROS
Estudiosos e historiadores apresentam diversas versões sobre o significado da palavra malês que levantaram uma rebelião na Bahia em 1835, os quais foram massacrados, muitos condenados à morte, a trabalhos forçados, banidos às galeras na África e a chicotadas.
Para Nina Rodrigues e Manuel Querino, os malês ou malinkés, do Alto do Senegal, teriam sido importados para a Bahia com os haussás e mulçumanos. A Bahia também recebeu um grande número de jejes e nagôs-iorubás.
Francis de Castelnau, cônsul da França na Bahia, acreditava na existência de um grupo de negros “niam-niam”, vivendo na região norte da atual Nigéria. Sem muita consistência ele escreve que se tratava de “malais” todos os infiéis, aqueles que não são mulçumanos.
Braz Amaral, em notificações no livro “Fluxo e Refluxo”, de Pierre Verger, compara malé com má-lei, aqueles que não seguiam a lei de Deus. O padre Étienne Brazil cita seus autores para fazer de mali-nke o homem do hipopótamo (A Revolta dos Malês).
Jacques Raymundo dá a essa palavra iorubá o sentido de renegado que adotou o islamismo (Jornal do Comércio, Rio de Janeiro), apontado por Querino. Historiadores contam na Gazeta de Alagoas que ouviram de uma discussão entre negros um chamar o outro de “malé o cô o”. Concluíram que malé era uma expressão pejorativa entre os nagôs, enquanto o conjunto da frase que dizer “camponês”, ou filhos de uma concubina dos campos.
De acordo com Raymundo, todo dicionário iorubá traduz a palavra “imalê” não como renegado, mas como mulçumano. Tanto Querino como Nina Rodrigues concordam quanto a época da origem dessa palavra entre os iorubás da Nigéria, mas tal fato não entra no âmbito deste estudo. Segundo anotações de Verger, sua presença no reino de Ardra e em Ajudá (Uidá) era assinalada no século XVIII.
Fora essa questão dos malês, Francisco Félix de Souza, Domingos José Martins (moravam no Golfo do Benin), Joaquim Pereira Marinho e Joaquim Alves da Cruz Rios (Na Bahia) foram os maiores traficantes de escravos no Brasil, mesmo depois do tráfico ter sido proibido pelos ingleses no início do século XIX através de tratados e convenções com Portugal, Brasil e outras nações.
Somente em 1850, com a decretação da Lei Eusébio de Queirós, esse tráfico cessou, mas alguns se atreviam a burlar a lei. O primeiro artigo da Lei Eusébio dizia que “as embarcações brasileiras encontradas em qualquer lugar, e as estrangeiras encontradas nos portos brasileiros, tendo a bordo escravos, cuja importação é proibida pela lei de 7 de novembro de 1831, e tendo-se desembarcado, serão apresados pelas autoridades brasileiras ou pelos navios de guerra brasileiros e considerados como importadoras de escravos”.
Aqueles que não tiverem escravos a bordo e nem desembarcados, mas com características daquelas utilizadas para o tráfico, serão igualmente apresadas e consideradas como tentado importar cativos. Serão autores do crime os proprietários, o capitão ou mestre, o piloto e o contramestre da embarcação, bem como o sobrecarga.
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