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DO SUDOESTE, NORTE E SUL
NOSSO SÃO FRANCISCO CONTINUA MALTRATADO
Foi uma viagem que me fez lembrar dos velhos tempos que saia de férias cortando estradas de carro por vários estados, especialmente na região Nordeste, da qual me orgulho em apreciar suas lindas paisagens e interagir com a cultura das pessoas.
Foram cerca de quinze dias e quase três mil quilômetros percorridos com minha companheira e parceira Vandilza Gonçalves. No início do mês atravessamos a Chapada Diamantina por várias cidades históricas, como Ituaçu, Barra da Estiva, Mucugê, Andaraí, Rui Barbosa, entre outras, rumo a Juazeiro, no norte da Bahia.
Nem é preciso dizer o quanto prazeroso ver um sertão exuberante e colorido que há sete meses estava entre os engaços e bagaços da sequidão. Muita água nos rios, tanques, açudes e barreiros, sem falar das corredeiras das cachoeiras e das árvores coloridas, como dos ipês amarelos.
Foi uma viagem para rever amigos e parentes mais próximos, como minha filha Cíntia e primos. Prazer por mais uma visita ao “Velho Chico”, dessa vez transbordando, mas ainda necessitando de revitalização. No retorno fizemos o roteiro por Senhor do Bonfim, Jacobina e Piritiba, com a mesma finalidade.
Felizmente as estradas estão recuperadas, o que facilitou esse trajeto sem aquele cansaço e irritação quando se depara com buraqueiras. Mesmo assim, falta acostamento nas estaduais. Vimos coisas que não gostamos, como as sujeiras por esgotos nas margens do rio São Francisco.
Procurei me desligar dos assuntos mais polêmicos e falar de assuntos mais leves sobre a vida e outras fofocas de parentes que sempre estão no script, mas fui arrebatado com a invasão dos vândalos e terroristas aos três poderes, no domingo dia 8 de janeiro.
Procurei deixar o espírito fluir com as prosas dos caboclos e caboclas nas paradas estratégicas. É bom sentir aquela aconchego sincero e hospitaleiro das pessoas simples que nos recebem com presentes nas saídas. Mesmo com essa tecnologia de doido, ainda existe vida.

CACHOEIRA NA CHAPADA, EM ANDARAÍ
Em Jacobina, no povoado de Jenipapo, onde moram uma das minhas irmãs e sobrinhos, um senhor já idoso gostou quando falei que residia em Vitória da Conquista. Lembrou dos tempos de caminhoneiro e foi logo dizendo que a cidade era dividida em duas pela Rio Bahia, ou BR-116, uma era Vitória e a outra era Conquista. Não quis se convencer que era em duas zonas, a oeste e a leste.
Papos engraçados e muitas estórias, como em Piritiba, mais precisamente na localidade chamada de Calderãozinho onde me criei ainda menino. Foi como entrar no túnel do tempo no chão que plantei mandioca e transportava farinha em lombos de jumentos com meu pai.
SUJEIRAS DE ESGOTOS NO RIO PARDO, EM CANAVIEIRAS
Não sabia que era tão famoso por aquelas vizinhanças dos povoados da Tabela e Andaraí. Aquele jeitão rústico e “bruto” do velho deixou suas marcas com suas cismas, mas, principalmente, por ser um homem de palavra, coisa que não mais existe.
De Vitória da Conquista fomos ver o mar nas praias de Canavieiras, saindo do norte para o sul da Bahia. Pela rota de Itambé, Itapetinga e Potiraguá, entramos na BR-101 e saímos em Santa Luzia até o trevo para Canavieiras.
O cenário de boa parte das estradas é de buraqueiras e, em alguns locais, como próximo a Potiraguá, nem existe mais asfalto. Um verdadeiro sofrimento para os turistas que descem de Brasília e Goiás.
De Santa Luzia até perto de Canavieiras, a situação é precária com alto risco de acidentes. Uma vergonha para o governo baiano que faz propaganda enganosa sobre vias que ainda se encontram em estado de conservação.
Fiquei triste com as sujeiras que vi nas margens do rio Pardo que desagua no mar. O homem continua destruindo a nossa natureza, não sabendo que terá um retorno desastroso.
No centro histórico, carente de reformas, muitos casarões estão abandonados, mas compensa visitar a Galeria do Porto de um senhor suíço por nome Cristian que criou um verdadeiro museu com antiguidades preciosas e raras. No mais, sentimos na pele a carestia e a exploração, como sempre, dos turistas nesta época do ano.
EM VISITA AO “VELHO CHICO”
Mais uma vez cá estou eu visitando o “Velho Chico” e desta vez cheio e “exuberante”, nem tanto porque ele continua recebendo detritos e esgotos das cidades que o margeiam, como em Juazeiro.
Isso é triste de dizer, mas é uma verdade porque passam anos e as autoridades nada fazem para sua revitalização e limpeza. Há anos que o homem só faz dele retirar seu alimento e utilizá-lo para irrigação de seus frutos.
Lembro que há anos estive aqui e em outras cidades. Fiquei triste porque estava vazio e seco mostrando ilhas de areias. Havia locais que se passava andando e nem os barcos nele navegavam.
Atualmente tem água em abundância graças as chuvas enviadas por São Pedro, como sempre fala o homem popular e os ribeirinhos. É tempo de abundância natural, mas basta um período de estiagem para o “Velho Chico”, ou o São Francisco, pedir socorro.
Por enquanto, ninguém mais fala da escassez de peixes, das plantações morrendo, dos rebanhos percorrendo distancias para saciar sua sede, da sua foz sendo invadida pelo mar e o sal penetrando em seu leito adentro.
Quem mais lembra do frade à beira do rio fazendo greve de fome para impedir a transposição do rio para os estados nordestinos? Faz muitos anos e, de lá para cá, nenhum projeto para impedir que as sujeiras das cidades sejam jogadas no “Velho Chico”.
O homem é um predador voraz que não respeita o meio ambiente e não aprende que ele reage quando é maltratado! Depois que chegam as mazelas, é só rogar a Deus e pedir que mande chuva! Além do mais, quando a situação fica difícil diz que é assim que o Senhor quis.
TEM UM NERO INCENDIÁRIO NA CIDADE
Primeiro foi o Atacadão, depois a garagem da Novo Horizonte e agora a Loja Havan, do bolsonarista Luciano Hang, que pegaram fogo e viraram cinzas. Minha intuição diz que tem um Nero incendiário rondando Vitória da Conquista, ou então o espírito dele que saiu lá de Roma para vagar por aqui.
Coisas misteriosas! Fui averiguar com meu antigo faro jornalístico, não tão bem apurado como nos velhos tempos. É a idade, meu amigo! Aliás, pelo que eu saiba, esses incêndios de grandes proporções em ricos estabelecimentos ainda não foram esclarecidos pelos peritos militares e o Corpo de Bombeiros que neste ano usou muita água e equipamentos para apagar as chamas.
Em primeira mão, como furo de reportagem, consegui entrevistar esse Nero incendiário (pediu para usar máscara para não ser reconhecido) e me afiançou que vem outros por aí, mas que vai deixar para o próximo ano que já está batendo na porta.
Adiantou, porém, que está ganhando uma grana boa para fazer isso, só não revelou o mandante, senão vai secar a fonte. Sua festa de final de ano vai ser boa e gorda! Certamente vai celebrar com muito fogos no réveillon da Boca do Rio, em Salvador, ou em Copacabana, no Rio de Janeiro.
Esse Nero também toca sua lira quando sobem as labaredas, mas do seu esconderijo que ele não é besta de ser apanhado. O cabra fica mais delirante e eufórico quando a notícia nos blogs e redes socais correm mais rápido que rastilho de pólvora, sem contar os curiosos desocupados que se amontoam em frente dos incêndios, com o fumacê a invadir os céus de Conquista.
Pelo menos por um dia as pessoas esquecem dos acampamentos dos estúpidos irracionais “bozoristas” e até que o Lula vai tomar posse nesse domingo, coisa que eles ainda não acreditam. A esperança deles é pelo retorno de D. Sebastião, vindo das areias marroquinas, para decretar a intervenção militar.
Pelo menos Nero está conseguindo distrair os radicais extremistas e, por algumas horas, os opostos param de se odiar e xingar uns aos outros, mas ele disse que a intenção dele é outra, longe dessa política malvada. Vai e vem e ele está sempre falando em muito dinheiro rolando por aí. Será uma forma de lavagem através do fogo, ou queima de arquivos?
Em uma conversa descontraída, deixou transparecer que existe uma ponta de concorrência nesses atos, por isso que os setores são diversificados entre alimentos e bebidas, empresa de ônibus e o comércio de roupas, confecções e móveis. A única coisa que o Nero se incomoda é com a natureza que termina recebendo essa carga tóxica no ar, mas acrescentou que não se pode fazer uma omelete sem quebrar os ovos.
Pelo menos o incendiário tem procurado fazer tudo com cuidado que se requer de um bom especialista, no sentido de evitar mortes humanas, mas solta uma risada quando afirma que está dando muito trabalho aos bombeiros que não conseguem conter as labaredas.
A ideia, segundo ele, é essa mesma, queimar tudo, sem deixar rastro, ou pistas. Indagado se pretende colocar a culpa em alguma religião, como católicos ou evangélicos, respondeu que eu estava especulando e querendo saber demais. No entanto, contou outras coisas que não posso citar aqui por questão de ética profissional.
UM ESTADO ASSISTENCIALISTA QUE TRAVA O DESENVOLVIMENTO SOCIAL
Ninguém de bom senso é contra a urgência de matar a fome de mais de 30 milhões de brasileiros e dar comida a todos três vezes por dia, mas esse Estado de assistencialismo indefinido está a travar o desenvolvimento de uma sociedade mais igualitária onde todos tenham seu sustento com o trabalho do seu suor.
A situação tomou tais proporções que o Brasil está se tornando um país inviável em termos de crescimento econômico sustentável e não de altos e baixos de ciclos variáveis como virou comum. Esse quadro vem se arrastando e se agravando há séculos quando se deixou de priorizar a educação.
Chegamos ao ponto crítico onde mais de 100 bilhões de reais estão sendo carreados para tirar a nação do mapa da fome, quando essa montanha de recursos poderia estar sendo investida no ensino de qualidade, na saúde e no saneamento básico.
Mesmo de barriga cheia, todo esse contingente de famintos não vai deixar de ser pobre e miserável em seus barracos como pessoa humana. Esses milhões vão permanecer analfabetos ou semianalfabetos sem instrução para ingressar no mercado de trabalho.
Seus filhos, de um modo geral, vão deixar de receber uma educação integral porque vai faltar recursos suficientes no Estado para aplicar massivamente no setor e reduzir as desigualdades tão profundas. Sem dúvida, esses bilhões de reais vão circular no comércio de supermercados e lojas, apenas engrossando a concentração da riqueza em poucas mãos.
Pode até criar mais empregos, mas não para esses pobres que já não têm capacidade para atender as exigências das empresas por uma mão-de-obra mais qualificada. A classe média mais baixa que luta para elevar seu nível será a mais afetada. É o caso do cobertor curto que cobre a cabeça e deixa os pés desprotegidos.
Tudo é uma questão sociológica que deveria ter sido resolvida com a primeira Constituição de 1823, logo após a Independência do Brasil, quando o reformador e iluminista José Bonifácio de Andrada e Silva clamou por mudanças sociais, inclusive de distribuição de terras, visando a melhoria do povo, a grande maioria analfabeta (cerca de 98%) naquela época.
No entanto, D. Pedro I e sua elite oligárquica rural não deixaram e fizeram sua própria Carta onde todo poder teria que continuar emanando do imperador, tanto que a Assembleia Constituinte foi dissolvida.
Pelo menos era ali que deveria ter acabado com a vergonhosa escravidão. Nisso, até o Bonifácio dizia que ela teria que ser gradual e lenta para o bem dos poderosos que diziam que sem os escravos o destino do Brasil seria a ruína.
Outra oportunidade perdida para fazer um Brasil socialmente justo foi em 1888 quando da atrasada proclamação da Lei Áurea. Os abolicionistas André Rebouças, Luiz Gama, José do Patrocínio e Joaquim Nabuco fizeram manifestos e panfletagens por reformas estruturais. Muitos deles incluíram na lista a reforma agrária como uma das medidas para indenizar os ex-escravos.
Mais uma vez, os senhores proprietários de terras (os grandes cafeicultores) e a burguesia usaram de seus poderes e pressionaram o Império a deixar tudo como estava, na miséria total. Eles mesmos derrubaram o imperador D. Pedro II em 1889 com seus marechais e tudo continuou como estava mandando no poder.
A partir dali a pobreza só fez aumentar e o caldo engrossou mais ainda com o êxodo rural do campo para as cidades a partir do início e meados do século XX. Com o processo de industrialização os centros urbanos incharam nos morros e favelas, sem nenhuma estrutura, com uma massa de trabalhadores desqualificada e desempregada a vagar pelas ruas como mendigos.
Desse imbróglio indigesto brotaram a pobreza e a extrema pobreza onde o Estado, por obrigação e dever se tornou assistencialista por natureza. É uma dívida de séculos a ser paga agora, com um alto custo e sacrifício para as finanças, ainda mais que serve para parir votos a fim de que tudo permaneça no mesmo. O resultado é que os outros setores essenciais (educação, saúde e saneamento básico) ficam a descoberto (cobertor curto), inviabilizando o desenvolvimento de uma nação.
Infelizmente, as nossas elites capitalistas retrógradas e os políticos reféns delas estão no cerne de toda essa história macabra, para não dizer trágica, que é um país de mais de 100 milhões que são vítimas da insegurança alimentar, comem alguma coisa hoje, mas não sabem do dia do amanhã.
Na verdade, estamos num beco sem saída em um Estado que está se tornando inviável. Não se sabe quando esse quadro será revertido. O futuro é nebuloso. Até quando vai perdurar esse esquema assistencialista? Essa PEC bilionária fora do teto de gastos, aprovada pelo Congresso, para acudir os que passam fome, tem duração de apenas um ano, mas daqui para lá dá-se um jeito.
TEM VAGA PARA TODO MUNDO
Há um mês que o Lula vem preenchendo seus ministérios (36 ou mais) e secretarias para atender aos seus apoiadores onde cada um quer levar seu quinhão no bolo que lhes pertencem. Na política pode até ser natural “presentear” quem também comeu “poeira” nas eleições, mas será válido inchar a máquina do Estado mais ainda?
Calma gente, vai ter vaga para todo mundo, não briguem! Acontece que nessa repartição já apareceram os descontentes porque as maiores e as melhores fatias vão ficar para a turma do PT. Para atender a todos os gostos, o negócio é criar novas pastas esquisitas com cargos comissionados por todos esse país de mais de 30 milhões de famintos.
No governo da Bahia, o estilo é o mesmo de distribuição de secretarias, inclusive da Juventude. Por que não do idoso? Esta categoria nem é lembrada pelas políticas públicas que se resumem no Bolsa Família. Até o momento não vi falar num projeto sequer para reduzir a miséria através da geração de emprego e renda para esse contingente populacional.
Na verdade, o Brasil é um país rico que se dá ao luxo de ter um dos Congressos mais caros do mundo. De acordo com estudos, a Justiça no Brasil tem quatro vezes mais funcionários em relação ao tamanho da população e gasta quatro vezes mais em relação à sua economia do que nos países ricos.
Essa bagunça não é de hoje, vem de séculos quando o reino de Portugal, mesmo nos anos mais cruciais e difíceis mantinha seu luxo com as riquezas das suas colônias, especialmente o Brasil que sempre foi a maior galinha dos ovos de ouro, literalmente.
Nessa hora, todos partidos esquecem de suas ideologias quando disseram lá atrás que entraram no jogo apenas para defender a democracia e que não iam participar diretamente do governo. Falam de independência crítica, mas na hora dos postos de primeiro e segundo escalões, mudam de ideia.
É uma penca de ministérios e secretarias que vão faltar sedes, salas e cadeiras para tanta gente. Haja grana para montar toda essa estrutura pesada. É o chamado elefantismo estatal que poderia ser reduzido à metade, provavelmente funcionando melhor com menor custo.
Estamos falando apenas nos ministérios, sem contar os cargos de gabinete dentro do Palácio do Planalto onde todos são chamados de ministros, com direito a todas as mordomias e benesses pagas pelos contribuintes. Haja cartões corporativos!
UMA FESTA CRISTÃ QUE VIROU PAGÃ
É aquele frenesi maluco de gente nas ruas, lojas e supermercados, num consumismo desenfreado para se comemorar uma festa cristã que se transformou em pagã como nos tempos romanos do deus Júpiter! Natal é sinônimo de se banquetear e se lambuzar ao máximo em comidas e bebidas, como faziam os antigos celtas.
Irônico é que a Igreja Católica Apostólica Romana via naquilo tudo um paganismo que deveria ser extinto diante da nova era do cristianismo. Os séculos se passaram e o que vemos hoje é a tara carnal devorar o espírito, porque o tal Papai Noel dos países nórdicos cheios de neves é mais lembrado do que o Cristo do menino Jesus que nasceu em Belém.
Todos sabem que Jesus não nasceu propriamente no dia 25 de dezembro. Muitos historiadores e especialistas no assunto até apontam que o Messias tenha vindo até mesmo antes da era cristã. A data foi fixada pela Igreja para substituir os festejos pagãos realizados para celebrar as colheitas na passagem do verão para o inverno.
O sentido também era confraternizar, quando todos entravam numa espécie de transe orgístico com muita bebida e comida, não tão diferente do que vemos nos tempos atuais onde todos só pensam em gastar, cada um dentro de suas posses financeiras.
As luxúrias são de proporções desiguais, mas talvez seja o período onde o pobre mais tenta imitar o rico, com a diferença que os pratos da mesa deste último são compostos de importados, como nozes, lentilhas, castanhas, vinhos franceses e outras iguarias estrangeiras.
Sem distinção de classes, além do Feliz Natal, existe uma regra padrão que é comprar um presente, mesmo que tenha que se endividar, deixando a prioridade para depois. Todos entram naquela correria frenética irracional que já está impregnada no subconsciente da pessoa.
Depois entra o final de ano, mais conhecido como réveillon para os ricos, quando a grande maioria, por superstição, se veste de branco e faz promessas de mudanças de vida que pouco acontecem. Nesse baile pagão do Natal e final de ano, milhões ficam de fora para pegar as migalhas jogadas do alto dos sobrados.
Na grande maioria, os planos não vingam e são renovados na próxima data. Ocorre que o tempo é cruel, não perdoa, e o sujeito vai se envelhecendo sem concretizar seus objetivos porque ele nunca deixa de gastar o que não pode.
Nessa de Ano Novo o pobre já está esgotado em suas finanças, mas, mesmo assim, como grande teimoso, encara a parada e compra umas cartilagens de bacalhau e um espumante vagabundo para dizer que é champanhe. Se serve de consolo, no início do ano o pobre fica rico de dívidas, mas ele segue “alegre” e “feliz da vida”.
FORA DESSE EIXO DESCARTÁVEL
Confesso que me sinto fora desse eixo enigmático da chamada terra brasis da Vera Cruz ou qualquer outro nome que queiram dar. Às vezes penso comigo mesmo que deveria ter nascido em outra parte desse planeta. Teria sido coisa do destino ou de encarnação espiritual? Sinto-me deslocado e não passo de uma sobra qualquer descartável. Não consigo absorver tantas loucuras!
Agora mesmo o Tribunal Superior Federal julgou o tal do orçamento secreto e foi condenado com aperto de votos a favor e contra. Como conciliar secreto, democracia e transparência? É como colocar um ditador para vigiar a liberdade. São coisas desse Brasil colonial malandro, e assim vamos nos arrastando nesse lamaçal pegando caranguejos nas locas!
Esse meu Brasil anda de ponta a cabeça, fora do eixo quando pais negam vacinas para suas próprias crianças! Como se adaptar a tantas contradições e paradoxos? Alguém aí tem uma resposta para esta pergunta?
O errado se fez certo e o anormal em normal. O verbo não é mais o mesmo verbo. Está desbotado e murcho! Dizem por aí que o brasileiro é um povo alegre, festeiro e otimista, mesmo vivendo na miséria com cerca de 60 milhões na extrema pobreza! Cada um tem sua chave para ser feliz.
Não se conta mais histórias e estórias para filho dormir, mas se decidir narrar uma comece como de costume “era uma vez uma Operação Lava-Jato”… A criança logo vai adormecer. O desfecho já é conhecido. Experimente passar dez anos fora do Brasil sem receber nenhuma notícia e depois retorne como tivesse se perdido numa floresta! Talvez você pegue logo viagem de volta!
No início dela (Lava-Jato) não se imaginaria que o ex-governador salafrário Sérgio Cabral seria solto, e olha que o cabra confessou suas falcatruas perante um juiz! Tornozeleira, prisão domiciliar, coisa de blábláblá! Não adianta mesmo ficar encafifado e estropiar a mente, nem estragar sua cútis mestiça índia, portuguesa e negra.
Todos ficam contando os próximos feriadões antes de terminar o ano – a mídia é a primeira a anunciar – para curtir, gastar e se endividar. Limpa o nome no Serasa e depois começa tudo de novo. Final de semana é aquela farra total, e o aumento da violência já é sua marca registrada, com acidentes nas estradas, facadas e tiros.
Ninguém quer levar nada a sério, e quem faz isso é um estressado ranzinza. No Brasil foi abolida a pontualidade nos encontros, eventos, reuniões, shows e outras atividades de trabalho. O indivíduo chega atrasado porque sabe que todos estão atrasados e é assim que deve tocar a banda. O pontual é visto como um babaca fora da curva, chato e desatualizado. A pontualidade começa com mais de uma hora de atraso.
E as aberrações, meus amigos? Alguém deve indagar quais? Os absurdos são toleráveis. Uma ou um deles é o cidadão encontrar uma bolsa cheia de dinheiro e procurar o dono para devolver. Viraliza e se torna noticiário nacional na imprensa.
Uns indagam: Para que ser honesto se lá em cima a maioria rouba e mente descaradamente? Seriedade, honestidade, compromisso com a palavra e meritocracia são espécies em extinção. São como as raras ararinhas azuis nos céus do sertão.
Com as redes sociais bombando, cheias de lixo, besteiras, palhaçadas e imbecilidade, o que conta e pesa são os milhões de seguidores. Quem tem mais leva o troféu. Coitado de quem só tem dois ou três. O negócio já é de 50 milhões para cima.
Coisa de doido, meu amigo! A pessoa esquece de valorizar a si mesma, de procurar saber quem sou e para aonde vou, para seguir mascarados que estão do outro lado da tela ou da linha. O semeador de seguidores, que não é de pensamentos, finge ser o que não é e passa a ser idolatrado. Quanto mais banal, mas gente para clicar.
Às vezes bate um vazio dentro de mim! Não consigo me identificar com esse moderno falso, superficial, bestial e descartável, sem conteúdo e solidez. Me sinto fora desse eixo dos editais burocráticos, dessas reuniões onde todos falam a mesma coisa, repetem, repetem para tudo permanecer no mesmo lugar.
Só o Feliz Natal e Boa Festas para fazer esquecer tudo isso. Nos odiamos em xingamentos e intolerâncias para depois desejarmos um Feliz Natal, que seja sem fome, meu camarada, porque o restante do ano e mais os 350 dias do outro você está ferrado. Estar fora do eixo deve ter suas vantagens.
ENTRE DUAS TAÇAS NO MUNDIAL E A VERGONHA DE UM BRASIL ARCAICO
Em minha modesta visão futebolística, o craque desse mundial foi o francês Mbapé que fez mais de um gol por partida (oito) e ainda foi um guerreiro herói com três tentos na final, mas quem sempre leva os louros é o campeão, no caso o argentino Messi.
No primeiro tempo só deu a Argentina, mas no restante foi a França quem foi lá buscar o prejuízo com toda sua garra, principalmente nos pés do Mbapé. Numa análise racional, sem paixões, deveria haver duas taças onde o vice, com todos seus méritos, receberia também o seu troféu.
Muitos devem considerar isso impossível e um absurdo, mas há muito tempo, que me lembre, não vi uma final tão equilibrada onde a equipe campeã passou um sufoco danado. Outro ponto a levar em conta foram os desfalques preciosos que a França sofreu antes e durante a competição.
Ainda continuo achando que pênaltis é uma questão de sorte na hora de convertê-los. No entanto, há quem não concorde e diga que é também preparo físico e psicológico de quem vai bater. Pode até ser, mas a sorte conta muito. Os deuses do futebol são cruéis e devem ter decidido no par ou ímpar.
O maior responsável é sempre do batedor porque o goleiro não tem a obrigação de defender. Num empate tão empolgante, como foi essa Copa maluca de tantas zebras e desrespeito aos direitos humanos, joga a moeda para cima no cara e coroa!
O Mbapé é e ainda vai ser o maior fenômeno mundial do futebol por já ter sido campeão com 19 anos, em 2018, vice neste ano e artilheiro. Ele vai superar Messi, Maradona e outros craques, embora o “rei” Pelé já esteja consagrado pelos brasileiros com insuperável de todos os tempos e séculos. A mídia já cravou essa sentença.
Ainda menino, uma das Copas que me marcou foi a de 1962, no Chile, com o rei Garrinha que a imprensa nem mais fala dele porque ele se autodestruiu. Que me perdoem os admiradores de Pelé, mas para mim o Garrincha foi o melhor de todos, que jogou um futebol “moleque” e alegre com aquela suingada sem igual.
No mais, com tantas surpresas e ineditismos de uma Copa nas areias ditatoriais do Qatar do petróleo e do gás (terceiro maior do mundo), o Marrocos encantou o planeta por ter sido o primeiro país africano a conquistar o quarto lugar, superando o Brasil do Tite arcaico, que só enfrentou os pernas de paus da América do Sul.
Outro pequeno gigante foi a Croácia, com seu território menor que Sergipe. Deixou o Brasil das dancinhas e dos cabelos pintados de branco de quatro nas quartas. Acredite quem quiser, mas essa pedra já cantava há três anos quando via aquela seleção mediana em campo onde tanto valia seis como meia dúzia.
Os brasileiros, infelizmente de pouca memória, acreditaram ou se deixaram acreditar naquele futebol, o mesmo que em 2018 caiu para a Bélgica. Se afogaram na onda. Com seus gritos estridentes, o Galvão Bueno, da Rede Globo, e seus mosqueteiros intercederam para que o Tite permanecesse à frente da seleção. A CBF acatou e deu no que deu.
Sempre digo que a maioria do torcedor, inclusive com relação ao seu time, se torna cego quando se está ganhando, e ai de quem contestar! Todo erro começou em 2018 quando não se trocou de técnico. Aquelas conversas do Tite nas entrevistas coletivas nunca me convenceram. Para ele, todos eram craques insubstituíveis.
O Brasil monótono só voltará de ser campeão quando acabar essa máfia no futebol, se é que isso será possível. Jogador para ser indicado tem que ir para Europa para valorizar o seu passe e cada um levar suas comissões. Foi ridículo e covarde aquelas dancinhas diante da Coréia do Sul que ainda só aprendeu que a bola é redonda.
Quantos meninos jovens ficaram aqui? Faltou ousadia de empreender, coisa que o Tite nunca teve. Não vou aqui me atear a falar de cada jogador convocado porque não vale a pena. Com pouca exceção do Neymar que já está podre de tanto cair nos gramados, todo o outro elenco é mediano.
TORCIDA DRIBLA A CRISE NA ARGENTINA
Carlos González – jornalista
Como os catedráticos em Economia podem explicar a presença de 40 mil torcedores argentinos nas arenas da XXIIª Copa do Mundo? Como os “hermanos” conseguiram driblar uma inflação anual de 100 %, a desvalorização do peso em 380% nos últimos três anos, a proibição de compras parceladas, além de outras medidas de arrocho fiscal impostas pelo governo? Essa crise cruel dos nossos vizinhos tem certa similaridade com a que o brasileiro vem experimentando nos últimos quatro anos, assistindo, sem comida na mesa, o presidente Jair Bolsonaro deixar para seu sucessor um déficit de R$ 400 bilhões nas contas do Tesouro.
Torcedores que estão no Catar relatam o sacrifício que fizeram nos últimos dois anos para poder acompanhar de perto a sua seleção: trabalhando 14 horas por dias, fazendo “bicos”, dirigindo carro de aluguel por aplicativos, cancelando os momentos de lazer e o prazer de estar com os amigos nos bares. Milhares deles estão endividados.
Uma viagem ao Catar para assistir o Mundial, segundo as agências de turismo, sem gastos supérfluos, dormindo em containeres e comendo em fast food, não sai por menos de R$ 8 mil (o valor no peso argentino, mais desvalorizado do que o real, é maior). A FIFA revela que 61.083 portenhos viajaram ao Catar, número que aumentou em função da classificação do time de Messi para a final contra a França. Sem ingressos, apelam para os dirigentes da FIFA, concentrando-se na porta do hotel onde está hospedada a cúpula da entidade.
Nesse quesito, os argentinos foram superados por torcedores dos Estados Unidos, Árábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Inglaterra e México, mas excedendo aficionados de algumas das maiores potências do futebol, como Brasil, França, Alemanha e Espanha, o que significa que o azul e o branco predominarão sobre a França tricolor nas dependências do estádio Lusail, com capacidade para 80 mi pessoas. A semifinal entre Argentina x Croácia, realizada na mesma arena, recebeu 88.966 espectadores, recorde desta Copa.
Com uma nova versão, criada pelo compositor Fernando Romero, a canção “Muchachos” embala jogadores e torcedores argentinos nos estádios do Catar. “Agora nós voltamos a acreditar”, diz um dos versos da música, cuja abertura é a seguinte: “Nasci na Argentina, terra de Diego e Lionel, dos jovens das Malvinas, que jamais esqueceremos”
Numa coletiva de imprensa, Lionel Scaloni, técnico da Argentina, pediu aos torcedores brasileiros que deixassem a rivalidade de lado e torcessem pelos “hermanos”, “o que seria muito bom para o futebol sul-americano, que está em desvantagem perante os europeus em títulos mundiais” – 9 a 12. Scaloni confessou ser “um fanático pelo Brasil”, mencionando como seus amigos Mauro Silva, Djalminha, Donato e Flávio Conceição, seus companheiros no Deportivo La Coruña, campeão espanhol na temporada 1999-2000.
Brasil e Marrocos
“Estou arrasado psicologicamente”, repetia Neymar, sentado no gramado, após a eliminação do Brasil nas quartas de final da Copa do Mundo. Suas lágrimas foram vistas pelos torcedores brasileiros como de crocodilo, o animal que chora quando está se alimentando. Beneficiado pelo presidente Jair Bolsonaro, com o perdão de uma dívida com a Receita de R$ 80 milhões, Neymar foi o último a deixar a concentração, viajando para São Paulo onde promoveu uma festa na mansão de sua irmã Rafaella, onde os convidados deixavam o celular na entrada.
Apontado como o principal culpado pela desclassificação, o técnico Tite desembarcou no Rio onde foi preparar a mudança para a cobertura comprada em São Conrado , avaliada em R$ 12 milhões. Sem ter declarado seu voto para presidente, Tite foi alvo dos “pregadores do mal”, sendo chamado de comunista pelos bolsonaristas.
Vários méritos podem ser atribuídos à surpreendente seleção do Marrocos. Um deles é a de reunir condições de ganhar o terceiro lugar numa competição que reuniu algumas das melhores equipes do mundo. Primeiro país africano a chegar a semifinal de uma Copa, Marrocos conquistou a simpatia do mundo futebolístico, engrandecendo um país que raramente aparece no noticiário global.
Protetorado francês em 1942, o Marrocos foi apresentado ao mundo através do cinema. Sucesso de bilheteria por várias décadas – hoje encontrado nas plataformas de streaming, como a Netflix e o Youtube – o filme “Casablanca”, dirigido por Michael Curtiz e estrelado por Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, deu projeção àquela que nunca deixou de ser a mais badalada cidade marroquina.
O MUNDO ATUAL ESTÁ INSUPORTÁVEL!
Tenho ouvido por aí de alguns internautas nas redes sociais muitos pensamentos aproveitáveis sobre a vida, o amor, o nosso cotidiano, com cunho positivo e outros até de revolta e desabafo negativista contra tudo que ocorre ao nosso redor nesse bruto sistema do qual somos vítimas.
Antes as pessoas olhavam olho no olho e tinham aquele papo reto de confiança um no outro. Hoje as amizades são mais virtuais e não se pode falar muita coisa porque corre o risco de se comprometer, ser mal interpretado ou se expor. Existe um monte de besteiras que podem ser jogadas na lixeira.
Como dizia, tenho lido expressões de incentivo para seguir em frente, mesmo diante das adversidades, e também de ansiedade e angústia, como esta de que o mundo atual é insuportável. Não deixa de ser uma verdade diante dos absurdos que vemos, da ganância do ter sobre o ser, das injúrias, mentiras, do ódio e da intolerância.
Essa tecnologia tanto pode nos aproximar para o bem como para o mal e é vista por muitos com desconfiança porque nela existe por detrás um inimigo invisível que pode nos ferrar com imagens montadas, falas simuladas e outros truques maldosos. Não se sabe quem está do outro lado da linha. Muitas são figuras fantasmas.
Sobre a questão do mundo insuportável, a pessoa que disse isso certamente se sente decepcionada e desiludida, talvez tanto quanto eu com essa humanidade falsa capitalista, não que todos sejam assim. No entanto, no geral nos sentimos menos humanos quando vemos brotar por aí tantas injustiças e desigualdades sociais.
Mesmo com a evolução tecnológica nos deparamos com tanta burocracia para se viver e ainda ficamos discutindo as questões sobre a cor da pele, de gênero, de sexualidade, de religião e outras idiotices, o que só faz demonstrar que não nos evoluímos.
Mundo insuportável porque hoje com essa onda onde tudo é visto como racismo e preconceito, não podemos expor abertamente nossas ideias, separando o que é meritocracia do que é mediocracia. Sem essa se sou negro, mulato, sarará, amarelo, moreno ou branco. O que deve contar é o caráter, a honestidade e, sobretudo, a capacidade.
Mundo insuportável porque não nos sentimos humanos nesse mundo quando se destrói o meio ambiente em prol de um desenvolvimento de concentração de rendas onde os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres. Insuportável porque o outro lhe acha insuportável. Insuportável porque não tenho mais segurança de andar nas ruas com tranquilidade. A violência nos acompanha.
Insuportável quando vemos imagens esqueléticas de crianças, jovens e idosos famintos. Insuportável pela falta de respeito para com o outro quando se pensa em só passar a rasteira. Insuportável pelo consumismo exacerbado que muitos acham que traz felicidade. Insuportável pela falta de convivência mútua e sincera onde o amor virou objeto descartável.
O próprio mundo político e social dos tempos atuais se tornou insuportável. O que temos hoje são oportunistas e aproveitadores sem nenhuma ideologia que vive a trair o voto do eleitor, não importa se de direita, centro ou de esquerda. Insuportável para os honestos de senso crítico que pensam no coletivo e suportável para os insensatos e aqueles que só pensam em seus interesses individuais.
Mundo insuportável! O que podemos fazer para que ele se torne suportável? Alguns devem perguntar: Será que ainda existe conserto? Os otimistas acreditam que sim e responderão que insuportável deve ser sua vida. Cada um faz por torná-la em céu e inferno. Para os pessimistas realistas, a tendência, meu amigo, é piorar porque está muito difícil voltar ao tempo da concórdia.


















