(Chico Ribeiro Neto) – jornalista

“Parece que foi feito de encomenda. E aproveite logo, porque só tem esse do seu número, é o único par. E essa semana vai ter aumento”.

Atendimento nas lojas tem hora que é fogo! Tem aquele vendedor que gruda logo em você assim que você entra na loja e não lhe deixa à vontade para circular e escolher.

Se o sapato está apertado nos dedos: “É bom assim, porque depois folga, e esse couro elastece bem”.

Se o sapato está folgado: “Melhor assim, porque os dedos ficam soltos e não incomoda”.

Uma amiga de São Paulo me contou que lá o chinês da loja já fica aborrecido quando você pega um segundo produto na hora de escolher. Ele acha que se você pega o primeiro produto tem que pagar logo e ir embora. E o pior é que quando paulista chega aqui diz que é mal atendido.

Mas também tem o comprador chato. Aquela mulher que experimenta mais de dez pares de sapatos e depois vai embora prometendo voltar. “O meu nome é Ivan”, diz o vendedor sem acreditar muito no retorno daquela escolhe-escolhe.

Meu irmão Zé Carlos, de saudosa memória, trabalhou na seção de tecidos da loja Duas Américas, na época a melhor loja da Rua Chile ou talvez de Salvador. Ele contou que às vezes chegava uma mulher, pedia amostras de 12 tipos de tecidos e depois ia embora: “Qualquer coisa eu volto”.

E o atendimento no serviço público? Com exceção do SAC, onde você é sempre bem atendido e em pouco tempo, o resto é brabo. Quem já precisou resolver alguma coisa na Secretaria de Educação sabe o que é padecer. Tem muita secretaria em que logo atrás da recepção está colado um cartaz em letras garrafais: “Artigo 331 do Código Penal Brasileiro: Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela: Pena – Detenção de seis meses a dois anos ou multa”.

Tem aquele funcionário que perdeu a voz e só sabe apontar onde fica o próximo atendimento. Tem a funcionária que está limpando as unhas com um palito e que dispara logo: “Estou no meu horário de descanso, a outra moça tá vindo aí”, e retorna ao celular. Acho que uma boa solução seria tudo virar SAC.

Ainda não aprendi a comprar pela Internet. Mas ela também tem os seus chatos. Outro dia consultei preços de máquina de lavar e logo depois choveram ofertas no meu Face.

Enfim, não acredite muito quando o vendedor disser: “Essa camisa é a sua cara”. Um cara de pau.

(Veja crônicas anteriores em leiamaisba.com.br)