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O SERTANEJO AINDA NÃO CONSEGUIU CONVIVER COM OS EFEITOS DA SECA
Fotos do jornalista Jeremias Macário
No nosso roteiro para ver de perto os efeitos da seca sobre o sertanejo, os quais perduram há séculos no cenário brasileiro porque os políticos sempre se aproveitaram dela para se eleger, como “indústria do voto”, nos deparamos (eu e o fotógrafo Zè Silva) logo na entrada do distrito de José Gonçalves com seu Tranquilino Almeida Pereira, e a primeira coisa que ele reclamou foi da falta de água pela Embasa.
Os moradores ficam dias sem o precioso líquido para o consumo e utilização doméstica, enquanto logo cedo carros-pipas cortam o agreste para atender algumas casas e povoados. Seu Tranquilino estava realizando alguns serviços com diarista. Tocamos em direção a Caetanos, pegando a poeira da estrada de chão.
História de lutas
Não demorou muito e encontramos com seu Isaias Santos numa carroça que nos contou sua longa história de lutas contra as estiagens que nos últimos anos são mais constantes por causa do próprio aquecimento global. Quanto aos carros-primas, ele denunciou que alguns recebem e outros não, não sabendo explicar ao certo se essa prática tinha algum viés político eleitoreiro. No entanto, no meio da conversa ratificou que isso sempre existiu.
Em todos encontros que tivemos com o homem do campo, ficou evidente que as perdas das lavouras foram totais. O rebanho que ainda restou está sendo alimentado com um pouco de palma que ainda vigou e palhas da cana-de açúcar colhidas das margens da Lagoa do Batista, a única que ainda não secou totalmente. Acontece que nem todos dispõem mais desses recursos.
No povoado de Tanque Velho, Gilmar Barbosa Damaceno, de 38 anos, levantava a poeira com sua foice fazendo a limpeza da cerca. Por sorte arranjou um trabalho como diarista (não por muito tempo) para completar o auxílio de 600 reais que a mulher recebe do governo federal. Debaixo do sol escaldante, ele recebe apenas minguados 50 reais pelo árduo serviço.
Gilmar é uma espécie de caseiro que, com a mulher e o filho, mora na casa do sítio de um amigo de Vitória da Conquista. Em troca ele aluga o pasto para donos de gado, isto quando o verde se renova com as chuvas, mas há quase um ano que elas não caem do céu.
Na mesma situação, próximo da Lagoa do Batista, encontramos Wilson Alves Souza, de 32, que possui nove hectares de terra, seu pai de 75 anos, Dioclides e o primo Genivaldo Gonçalves Silva, de 51. Como não tinham nada a fazer durante a seca, estavam realizando um aceiro na cerca. Todos dependem de uma diária para sobreviver, isto quando acham. Seu Dioclides ainda se vira com a pequena aposentadoria que ganha.
De acordo com eles, com a situação cada vez mais piorando, e sem expectativas, os jovens caíram fora e tomaram a direção da cidade na tentativa de arranjar algum trabalho. Como o nível de estudo é baixo, a grande maioria vive mesmo da informalização e bicos que arrumam, de vez em quando.
Ainda em Lagoa do Batista conversamos com dona Lucinete Santos Silva, de 48 anos, e seu marido Gescino Oliveira Silva, de 64 anos. Eles têm três filhos, de 10, 22 e 25 (os dois últimos foram morar na cidade) porque a roça não proporciona alternativas de vida.
Seu Gescino estava numa moto transportando cana para dar ao gado que já passa fome por falta de pastagem. Dona Lucinete ainda se vale de uma cisterna no quintal com um pouco de água que ainda sobrou. Os animais têm que percorrer alguns quilômetros para beber na Lagoa.
Passamos pelo povoado da Roseira, e em todo o nosso percurso não encontramos ninguém montado em um jumento (coisa rara de se encontrar) para se loco0mover ou transportar os produtos. No lugar do jegue, quando ainda se via há alguns anos em nossas reportagens, agora quem manda no sertão é o “cavalo de aço”, ou a moto levantando poeira como os veículos de quatro rodas.
A seca é a mesma que castiga, implacavelmente, o sertanejo e faz dele um retirante quando não mais tem água para beber e o alimento para matar a fome. A novidade maior é a tecnologia que, através de um celular, aparece na mão de cada agricultor para se comunicar com os parentes e amigos, ou acompanhar as redes sociais, cheias de mentiras e fake news.
TANQUES E BARREIROS VAZIOS PELA SECA QUE CASTIGA VITÓRIA DA CONQUISTA
Fotos de José Silva
Eu com minha máquina e Zé Silva com suas potentes lentes de alcance ganhamos a estrada na semana passada rumo ao agreste conquistense para relembrar aqueles velhos tempos de repórter quando caímos no sertão para registrar a penúria do homem do campo diante das estiagens prolongadas que destruíam lavouras e traziam fome e morte.
Há cerca de oito meses que não chove em Vitória da Conquista e região, e as consequências disso são logo visíveis nos tanques e barreiros vazios de terras rachadas, marcas de mais uma seca que há séculos é fonte de notícias para a mídia impressa e eletrônica. É um tempo de sofrimento que ainda abre passagem para os carros-pipas que cortam as estradas de chão, deixando para trás nuvens de poeiras.
Ela sempre deixa um rastro de perdas, não somente de culturas de subsistência como a mandioca, o milho, o feijão, a abóbora e outros produtos, como mata de sede e fome os rebanhos dos sertanejos. Ela também escorraça o agricultor da sua terra que se retira para outras bandas pela sua própria sobrevivência. Os jovens fogem dela para as cidades e passam a viver de bicos nas periferias.
Foi esse triste quadro que eu, jornalista há 50 anos, e o meu parceiro de labuta nas reportagens, o fotógrafo Zé Silva, testemunhamos no distrito de José Gonçalves e povoados do município de Vitória da Conquista. Há muitos anos que não compartilhávamos dessa experiência de escutar o berro do boi descarregado na caatinga à procura de uma cacimba para beber água.
Sentir o sol escaldante e o pó da poeira dos pés à cabeça foi como reviver tudo aquilo novamente quando realizávamos coberturas jornalísticas para o jornal “A Tarde”. Trazíamos em nosso embornal, ou alforje, um monte de informações não muito boas, mas que vendiam jornais no outro dia.
Ouvir e conversar com os roceiros sobre as agruras da seca, dos plantios perdidos e a falta de apoio dos poderes públicos foram atos que nos deram a certeza de que quase nada mudou para melhor nesse país dos políticos que só aparecem de quatro em quatro anos.
Vamos mais adiante em nosso blog continuar esse relato entrando em mais detalhes através dos papos com nossos entrevistados e das próprias imagens do repórter fotográfico Zè Silva, que sempre foi bom nisso e sabe captar minúcias que outros não conseguem ver. Suas lentes se ajustam muito bem aos fatos, combinando imagem, luz e foco.
O SONHO PERDIDO E UMA ESQUERDA QUE TODOS DESEJAMOS PARA O BRASIL
John Lenon há 50 anos fez uma canção do sonho imaginado pela humanidade, de todos de braços dados irmanados lado a lado, sem ódio, individualismos, divisões e sem fronteiras, com justiça social para todos. Como disse D. Hélder Câmara, sem senhor, sem escravos. Esse sonho também ainda é o desejo dos brasileiros que um dia acreditaram que isso seria possível.
Você veio até nós e prometeu honestidade, seriedade e igualdade para todos, mas nos traiu se coligando com corruptos e com essa elite suja que não aceita repartir seu banquete com os mais pobres. Passou a ser pai dos ricos e mãe dos pobres. Da cachacinha passou para o uísque escocês e tomou gosto pelas mordomias.
Quando quebrou as juras de amor, você alimentou um facínora da extrema direita fanática que só nos trouxe medo e destruição das nossas poucas conquistas. No lugar do sonho e da esperança, nos deu um monstro do lago misterioso. Abriu espaço para evangélicos radicais conservadores retrógrados negacionistas da ciência que ainda creem que a terra é plana.
Não queremos mais essa esquerda que, apesar de ter roubado nosso sonho e cometido tantos erros nas péssimas alianças traçadas, tudo pelo poder, nunca fez um mea culpa. Você permaneceu pedante, cioso de sua superioridade, como se fosse dono absoluto da verdade, como aquele que acha que tem um rei na barriga.
Você não cede e acha que ainda pode voltar a ser o “salvador da pátria”, mas, como diz o ditado, quem bate esquece e quem apanha não. Uma grande parte da população já está calejada de suas promessas, e uma outra arrependida de também ter contribuído para a criação da sociopatia do retrocesso. Essa última, um dia marchou nas ruas com bandeiras e camisas verde amarelo para afastar a esquerda que meteu o pé na jaca e nos separou na base do “nós contra eles”.
Agora você guarda ressentimentos e quer seguir novamente sozinho. Não aceita se afastar do processo eleitoral a bem do Brasil, e nem caminhar lado a lado para exterminar o maior inimigo que, mais uma vez, poderá ser o mais beneficiado por essa atitude egocêntrica do poder. Até quando vamos ter que continuar nessa agonia, nessa aflição de morte?
Vamos começar tudo de novo, para ficarmos no mesmo fundo do poço? Em nome da pátria, seja mais humilde e dê passagem para outro cavalheiro, porque seu tempo já se foi e nos decepcionou com suas trapalhadas e roubalheiras. Nosso país não merece carregar mais essa forquilha da forca em seu pescoço que a impede de seguir em frente. Não merece ser mais enxovalhado lá fora a viver isolado da civilização.
O sonho que nós todos almejamos é de uma esquerda progressista iluminista que nunca mais se coligue com maus elementos oportunistas e aproveitadores da ingenuidade e das boas intenções do povo. Uma esquerda que jamais roube e que não aceite que outros façam isso. Uma esquerda que devolva nossos sonhos de dias melhores, com mais empregos, educação e saúde para todos. Uma esquerda que construa uma imagem positiva do Brasil no exterior. Uma esquerda do tipo Pepe Mojica com seu fusquinha.
Nem é preciso privilegiar uns e outros com cotas individuais e benefícios por causa da cor e do gênero. Não é preciso encher as burras de dinheiro das faculdades particulares em detrimento do sucateamento das universidades públicas. Elas foram criadas com o suor da nação e necessitam de mais recursos para investimentos em tecnologia, ciência e pesquisa. Uma escola básica e uma universidade para todos, com qualidade.
Queremos uma esquerda iluminista que traga de volta nossos cientistas que embarcaram para outros países porque foram renegados pela sua própria pátria. Não só a formação de técnicos para atender ao faminto mercado capitalista, mas também homens e mulheres com saber humanista e conhecimento da nossa história a fim de que os mesmos erros não sejam repetidos.
Nada de racismo, de homofobia e misoginia. Nada de distinção uns com os outros que nos cause mais sofrimentos. É só dar oportunidade igual para todos com políticas públicas voltadas para o social. Bastam de divisões porque todos têm capacidade e inteligência para crescer quando se tem os mesmos direitos. Sem essa de branco, pardo e preto, de hetero ou homo, de gay ou não gay, de ser mulher ou ser homem.
Desejamos uma esquerda que zere a derrubada e a queimada de nossas florestas e que preserve nossos biomas da invasão gananciosa dos homens do agro que só visam exportar e embolsar lucros. Uma esquerda que pare de vez com o extermínio de nossos índios e acabe com os garimpos que matam nossos rios com mercúrio.
Não queremos uma esquerda do toma lá e dá cá, com um “Centrão” de ladrões que há anos, como verdadeiros vampiros, sugam o sangue dos brasileiros e se refestelam das nossas riquezas produzidas pelos mais pobres. Queremos uma esquerda que acabe de vez com essa reforma trabalhista escravocrata. Uma esquerda que devolva o nosso sonho.
EXPOSIÇÃO DO 7 DE SETEMBRO
“Mostra Mês da Pátria – Um Novo Olhar para o 7 de Setembro” – é o título da exposição que a Secretaria de Educação de Vitória da Conquista está realizando no Calçadão da Catedral em frente da Casa Regis Pacheco, rememorando desfiles das escolas municipais no Dia da Pátria, que há dois anos não se fizeram presentes na data por causa da pandemia da Covid-19. São carros alegóricos com personagens folclóricos como Bumba Meu Boi, caboclos, indígenas e figuras representantes de várias regiões do nosso país. A mostra é bastante educativa e serve de aula de história para estudantes que estão visitando a iniciativa da Secretaria de Educação, bastante louvável quando o nosso 7 de Setembro deste ano foi ultrajado com palavras antidemocráticas pronunciadas pelo capitão-presidente que pregou intervenção militar e fechamento do Supremo Tribunal Federal. Não somente alunos, mas professores, artistas e interessados têm tido a oportunidade de conhecer as riquezas naturais e o patrimônio cultural brasileiro. É uma boa oportunidade para se ver e aprender de perto a nossa história.
ZONA NORTE E BARRAGEM DO RIO PARDO
Os pronunciamentos dos 21 vereadores na Câmara Municipal de Vitória da Conquista não mudam muito nas sessões realizadas nas quartas e sextas feiras, com pouca gente na plenária, ainda por conta da pandemia, ou pelo próprio desinteresse da população.
As discussões variam entre xingamentos ao capitão-presidente da República pela oposição e contra o PT de Lula pela situação, entremeados de início e fim com citações da Bíblia e o nome de Deus, numa mistura de religião e política. Existem ainda as indicações de obras loteadas pelos parlamentares, requerimentos e moções de pesar e aplauso.
Nesta quarta-feira, da Tribuna Livre, um morador representante do Bairro Guarani reivindicou da Câmara e da Prefeitura Municipal mais atenção para a zona norte da cidade, segundo Wellington, abandonada e esquecida.
Um dos pontos alvos foi o Centro Social que carece de recursos, cerca de 100 mil reais, para que a unidade seja reformada. “É um local imprescindível para debates e realização de reuniões da comunidade”. Na ocasião, ele criticou e repudiou a decisão da retirada dos postos de segurança nos bairros, solicitando que a medida seja revista.
Do distrito de Inhobim, o representante dos moradores, conhecido popularmente como Paulino, que foi candidato a vereador, mas não se elegeu, voltou a insistir no projeto de construção da Barragem do Rio Pardo, uma iniciativa que não passou de ideia desde 1963. Vamos implantar esta obra antes que a água do rio vá embora”.
Disse contar com apoio dos vereadores por se tratar de um serviço de abastecimento de água importante para aquela zona rural, por sinal grande produtora de café. Na oportunidade, pediu também energia para todos, tendo em vista que alguns povoados vivem às escuras – segundo afirmou.
Durante a sessão, a Mesa Diretora prestou homenagem ao comando de policiamento da Rondesp que atua em Conquista e municípios próximos com a entrega de uma placa pelos serviços prestados na área de segurança policial.
CONQUISTA RECLAMA DA TERCEIRA DOSE
Carlos González – jornalista
“Senhora prefeita, quando vamos começar a receber a terceira dose da vacina contra a Covid-19? Salvador e cidades com populações inferiores à nossa estão bem adiantadas nesse procedimento, que é vital para nossa completa imunização. A pergunta vem sendo feita com insistência pelo público-alvo da campanha, os maiores de 70 anos. O enfrentamento da doença nunca foi prioridade da Prefeitura de Vitória da Conquista, mas temos que admitir que há uma maior dedicação por parte da prefeita Sheila Lemos, se avaliarmos as medidas adotadas por seu antecessor Herzem Gusmão (1948-2021) na fase mais árdua da pandemia.
Observando que na corrida pela vacinação Conquista estava atrás de outros municípios baianos, a prefeita promoveu mutirões e abriu novos postos, redimindo-se dos erros cometidos no início de sua gestão, que resultaram no registro de uma média diária de quatro óbitos, ameaça de rompimento do contrato com a Santa Casa de Misericórdia, aumento do número de pessoas com sintomas da doença. Mal assessorada, a gestora, contrariou decretos estaduais, relacionados com o funcionamento do comércio, de bares e restaurantes, controle sobre os eventos sociais e evangélicos, evidenciando claramente a prática de Desobediência Civil.
A insubordinação foi muito mais ostensiva na gestão passada. Herzem ignorou os protocolos indicados pela OMS para evitar a contaminação, assim como travou uma guerra de palavras com o governador Rui Costa, no período mais letal da pandemia, que tirou a vida de mais de 650 conquistenses. Acreditava no Messias, que zombava daqueles que tinham pânico de uma “gripezinha”, responsável pela morte de quase 600 mil brasileiros.
Com a suspensão das viagens para fora do município, a Prefeitura conquistense fechou os olhos para os ônibus clandestinos que vinham de São Paulo. Sem a fiscalização da Vigilância Sanitária, a ocupação dos leitos de UTI nos três únicos hospitais públicos chegou a 98%. Os pacientes com recursos eram transferidos para os hospitais Sírio-Libanês e Albert Einstein.
Lamentavelmente, Herzem Gusmão não viveu para ler o parecer do Ministério da Saúde sobre a eficácia da cloroquina no combate à Covid-19. Na linha de frente da vanguarda bolsonarista, o ex-prefeito defendeu o medicamento, recusado até pelas emas do jardim do Palácio do Planalto.
A reeleição, contestada na Justiça pelos adversários políticos, e a construção de uma estação de passageiros – imprópria para os dias chuvosos -, onde foram gastos R$ 10 milhões, verba que poderia ser aplicada na construção e aparelhamento de um hospital de campanha, foram as metas de Herzem em quatro anos. Seus principais consultores foram figuras políticas nacionais condenadas pelo Supremo, os irmãos Lúcio e Jeddel Vieira Lima e o amotinador Roberto Jefferson, sendo que os dois últimos já passaram temporadas atrás das grades.
O episódio crucial dessa discórdia com Rui Costa ocorreu em 23 de julho de 2019, data de inauguração do Aeroporto Glauber Rocha, de propriedade do governo do Estado. Herzem assumiu a condição de anfitrião, convidando Bolsonaro para a solenidade, o que provocou a ausência do governador.
Vale lembrar que foi nessa visita a Conquista que o presidente inaugurou o ciclo de viagens pelo país para inaugurar obras alheias, cujas despesas chegam hoje a R$ 20 milhões. Impossibilitado de ir a Luanda para fazer a defesa da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), acusada pelo governo de Angola de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, Bolsonaro enviou o seu vice, Hamilton Mourão e 17 servidores, numa viagem que custou R$ 1 milhão aos cofres públicos. A comitiva ouviu um “não” do presidente angolano José Lourenço aos pedidos de reabertura dos templos evangélicos e a revogação do ato de expulsão do país africano de mais de 50 pastores.
Ciumeira
É MUITO DESESPERO PARA SE REFUGIAR LOGO NUM PAÍS EM RUÍNAS!
Fico aqui a pensar com meus botões. O que os refugiados venezuelanos vêm fazer em terras brasileiras, numa situação tão crítica de milhões de desempregados, inflação alta, milhões passando fome e, acima de tudo, com um facínora no governo? A única explicação é o desespero ou falta de conhecimento sobre o nosso país.
Dividir o pão da pobreza só aumenta mais ainda a miséria. É como cobrir um para deixar o outro descoberto. Não se trata de questão de xenofobia ou ser contrário à entrada de refugiados no Brasil. Eles entram de forma clandestina pela fronteira do Norte e, simplesmente, viram moradores de rua se somando aos brasileiros. São cenas degradantes.
As prefeituras locais não têm recursos para acolhê-los de forma digna. Soldados do exército e funcionários fazem o cadastramento da esperança e tocam os refugiados em lotes para outros estados. Alguns conseguem uns bicos e outros são explorados como escravos ou caem na prostituição, no caso das mulheres. Ainda tem aqueles que ficam a vagar nas sinaleiras como pedintes com um cartaz, “ajude, tô com fome”.
Aqui em Vitória da Conquista, por exemplo, muitos deles são vistos por aí nos semáforos e esquinas rogando por uns trocados. Praticamente, a totalidade desses refugiados tem baixo nível de instrução e já chega aqui com uma mão na frente e outra atrás. Que tipo de trabalho eles conseguem num mercado que não tem condições de abrigar os 15 milhões de desempregados brasileiros?
Vamos ser racionais. No momento atual, o Brasil seria um dos últimos lugares do mundo propício a receber refugiados. Se estivesse numa boa, os daqui não estariam furando o cerco das fronteiras para irem para os Estados Unidos e até países da Europa por outras vias.
Ver esses venezuelanos chegando aos montes no Brasil é mais sofrimento humano. É mais aflição social e mais miséria para se administrar. As campanhas de doações já não estão dando conta para socorrer os que estão aqui sem o pão para comer. A fila da pobreza parece não ter fim.
Eles saem de lá com o sonho de uma vida melhor, justamente em um Brasil dividido pelo ódio e a intolerância. Num Brasil onde a extrema-direita fanática religiosa é símbolo da negação da ciência e prega a xenofobia, a homofobia e o racismo. Um Brasil onde o capitão-presidente quer rasgar a Constituição e fazer uma só dele na base do arbítrio e da tirania. É o mesmo que sair de um curral para entrar em outro ainda pior. Não sabem o que vão encontrar pela frente em suas vidas. Não adianta tentar fugir da realidade e querer tapar o céu com uma peneira.
CIGANOS PRESTAM DEPOIMENTO
A pedido do Instituto dos Ciganos do Brasil-ICB, os ciganos vítimas de violências e ameaças depois da morte de dois policiais no dia 13 de julho deste ano, no distrito de José Gonçalves, em Vitória da Conquista, estão prestando depoimentos à Justiça em audiências fechadas sem a presença da imprensa devido ao sigilo das testemunhas. Nove pessoas serão ouvidas, mas outras deverão ser incluídas ao longo do processo.
O ICB preparou um relatório minucioso e encaminhou para várias instituições de direitos humanos no Brasil e no exterior, inclusive solicitou a federalização dos crimes em Vitoria da Conquista e região. Com exceção do ICB, da equipe de trabalho e dos depoentes, ninguém está tendo autorização a participar das audiências.
Na manhã do dia 13/07, numa terça-feira, dois policiais militares, 1ª Cl PM Robson Brito de Matos, 30 anos, e o 1º Ten PM Luciano Libarino Neves, 34 anos, morreram após troca de tiros com os ciganos no município de Vitória da Conquista, no distrito de José Gonçalves. As unidades de cidades vizinhas da PM, com apoio da Companhia Independente de Policiamento Tático (CIPT/Rondesp Sudoeste), e de outras Companhias Especializadas fizeram um cerco na região para capturar os ciganos, que fugiram em veículos.
Na caça aos ciganos, oito deles foram mortos, inclusive menores. De acordo com a versão do comando da polícia militar, em todas as operações houve reação dos suspeitos pelas mortes dos soldados. O pai dos ciganos chegou a ser baleado e preso. A matriarca com os netos e outros familiares foram obrigados a fugir de Conquista por causa de ameaças e atos de violência.
Como forma de apoio, o Instituto implantou o Grupo de Apoio as Comunidades Ciganas Solidariedade, Respeito, Esperança e Responsabilidade (Gacoc) dentro de um acordo ético de sigilo. Esse Grupo foi formado a partir da necessidade de se criar uma comissão de proteção e incentivo às famílias enlutadas pelas mortes dos ciganos, bem como, em prol das mulheres ciganas e suas crianças, que foram inseridas no Provita/SP, no dia (26/07) e, por falhas no processo deste acolhimento, causando insegurança para estes vulneráveis, que temendo represálias, abandonaram o programa e foram acolhidas, no dia (2/08), pelo ICB.
De acordo com nota do Instituto, os excessos da polícia, no entanto, se espalharam por toda comunidade. As famílias foram desalojadas e perderam todos seus bens. O ICB luta contra toda e qualquer forma de preconceito, como homofobia, anti-ciganismo, ciganofobia, racismo, sexismo e machismo.
A questão agrária
Na data dos acontecimentos, em 13 de julho, consta ainda da nota que o cigano Solon Mattos revelou à matriarca que o acampamento do seu povo estava correndo perigo. Na ocasião, houve troca de tiros e dois policiais foram mortos.
A matriarca narra que a cigana Rita Mendes e seu filho Solon tinham informado dois dias antes do 13 de julho que algumas pessoas da redondeza estavam incomodadas com o acampamento e que os vinte e dois lotes que comprados era de outra pessoa poderosa, e que iriam dá um jeito para tirar nossa terra.
O BUFÃO DA INDEPENDÊNCIA
Nunca vi manifestações brasileiras com cartazes em inglês. O que é que é isso, minha gente! Outras atitudes estúpidas, por centenas de vezes repetidas, são as faixas pedindo intervenção militar, mas com o Bozó capitão no poder. Esses apoiadores imbecis, que são minorias do nosso povo, ou são ingênuos demais, ou ignorantes que não conhecem nada da nossa história da ditadura.
O mais provável é que eles não têm memória. Só têm meleca nos cérebros. No golpe civil-militar de 1964, os maiores cabeças que incitaram as forças armadas a derrubar o governo constitucional de Jango Goulart, como Ademar de Barros, Carlos Lacerda e outros, foram cassados, presos e até mortos.
Se houver uma ruptura no Estado de Direito pelos generais da ativa, o primeiro a ser detido será o capitão-presidente, seguido dos que estão à frente dessa intentona contra a democracia. Ai, meu amigo, esse bando que vomita ódio e intolerância, solta fake news nas redes sociais e comete atentados contra as instituições vai ficar calado, sem liberdade de expressão e não mais fazer barulho nas ruas.
Outra loucura é a proposta esdruxula de depor os ministros do Supremo Tribunal Federal e o próprio Bozó escolher os dele, o que significa que ele vai ter uma corte só para ele fazer o que bem quiser. Nesse caso, ele vira uma espécie de ditador tirano, ou até mesmo decrete uma monarquia imperial, passando de pai para filho, de Neros para Calígulas.
Há muito tempo, esse maligno se tornou num tremendo falastrão que diz que vai arrebentar, enquadrar ministros e acabar com as eleições. Os mais malucos, fanáticos e doentes mentais são os que o seguem cegamente, numa mistura de evangélicos, homofóbicos, racistas e zumbis saídos das covas.
De tanto prometer que vai dar golpe e nada ocorre, passou a ser um desacreditado bufão, e agora em plena comemoração da independência do país, que não merece tanto escárnio. Os maiores culpados disso tudo são os avestruzes prepotentes de passado recente que enterraram a cabeça na terra e deixaram sair dos túmulos os extremistas bárbaros verdes-amarelos integralistas de Pátria, Família e Tradição.
Esses generais e coronéis de pijama que ainda mijam e cagam no penico deveriam colocar a mão na consciência, se é que ainda têm isso, e cair fora o quanto antes porque estão sujando de sangue a farda do exército, da marinha e da aeronáutica. Estão prestando um enorme deserviço à pátria, e a história um dia vai cobrar seus desvios de conduta, tudo por vaidades, dinheiro, status e mordomias. Deviam se envergonhar do que estão fazendo, servindo um governo que é inimigo da nação.
Agora está berrando que vai convocar o Conselho da República. Não passa de mais um blefe e se fizer isso vai, mais uma vez, quebrar a cara. As forças armadas não vão entrar nessa doideira num país nessa situação caótica em todos os aspectos, desde o âmbito interno até no clima externo onde o Brasil está isolado das outras nações. Esse cara é a encarnação do AntiCristo. Temos que dar um basta nessa aberração!
QUE INDEPENDÊNCIA?
Dizem os historiadores e muitos estudiosos que a nossa “independência” de Portugal, chamada de “Grito do Ipiranga” (serviu até de galhofas e deboches) não aconteceu nenhum tiro, assim como na Proclamação da República, em 1889, coisas inéditas no planeta. Esse é o nosso Brasil varonil, deitado em berço esplêndido.
No entanto, a história não foi bem assim. Até antes da data de 1822, principalmente a partir do século XVIII, ocorreram muitos levantes, movimentos e rebeliões em vários cantos – Confidência Mineira, Alfaiates, a Revolução Pernambucana e tantas outras manifestações – em favor da libertação do jugo de Portugal.
Não podemos esquecer que em 1823 – sete meses depois – houve sim, lutas na Bahia, e sangrentas, para expulsar em definitivo os portugueses do território brasileiro. Então, não foi tão assim na chacota, de que não houve tiros e batalhas. No 7 de setembro, D. João VI já não queria mais bancar a colônia depois dos conquistadores terem levado tudo de nós. Rasparam o tacho, como se diz no popular.
Quinhentos e vinte e um anos depois continuamos vivendo nessa tremenda confusão de incertezas e indecisões, como um adolescente ou uma pessoa que ainda não encontrou o seu caminho. Vivemos ainda no sofá do divã do psicanalista, sem saber quem somos e para onde vamos. É triste dizer isso, mas é uma realidade nua e crua.
Ainda estamos lutando pela nossa independência social e econômica, principalmente. Hoje, os maiores inimigos estão dentro do nosso próprio país e são aqueles contrários à liberdade e a igualdade. Existe uma elite atrasada, com a mesma mentalidade de há mais de 500 anos, que não aceita o pobre crescer na vida.
Depois de mais de 500 anos ainda continuamos sendo exportadores de matérias-primas (ferro, petróleo cru, soja, milho, café, algodão e carnes), dependentes de produtos industriais, tecnologia sofisticada, da química fina e da pesquisa vindos de outros países. Nossa educação é uma das piores do mundo, bem como as desigualdades sociais.
Depois de mais de 500 anos ainda valorizamos mais a cultura de fora do que a nossa, estampando camisas de super-heróis norte americanos com letreiros em inglês, ao invés dos nossos personagens e animais dos nossos biomas. Seguimos derrubando as matas e destruindo nosso ecossistema.
Nesses mais de 500 anos nos acostumamos a conviver mais com a opressão do que com a liberdade democrática, e agora monstros do retrocesso e do golpe rondam as nossas vidas. A corrupção se tornou na maior praga da nossa terra, e mais de 30 milhões de brasileiros passam fome. A cidadania está longe do alcance da grande maioria.
Depois de mais de 500 anos permanecemos emergentes, vivendo num capitalismo selvagem onde o trabalhador não passa de um escravo disfarçado de colaborador. Não bastou o grito de independência, e não atravessamos ainda o portal da Velha República para uma sociedade nova e mais igualitária.

































